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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Mudança na política da China para o mundo

10/1/2015, [*] William EngdahlNEO − New Eastern Outlook
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Já estive na China, ao longo dos anos, mais de uma dúzia de vezes. 
Falei com gente de todos os níveis da estrutura política, e uma coisa acabei por compreender com total clareza: quando Pequim faz mudança política profunda e de longo alcance, os chineses realmente mudam, com cuidado, com firme decisão, e depois de a mudança ter sido muito profundamente deliberada. 
E quando fixam um novo consenso, eles o põem em execução para que produza efeitos notáveis em todos os níveis. 
Esse é o segredo dos 30 anos do milagre econômico dos chineses. 
Agora, a alta liderança da China acaba de tomar a decisão política correspondente à nova mudança. 
Daqui em diante, e ao longo dos próximos dez anos, os chineses transformarão o mundo que conhecemos.


Xi Jinping, Presidente da China
Dia 29/11/2014, aconteceu em Pequim uma reunião pouco comentada, mas altamente significativa, que aconteceu enquanto quando Washington estava absorvida em suas tentativas para ‘'incapacitar'’ e, afinal, desestabilizar a Rússia de Putin. Os chineses realizaram o que chamaram de Conferência Central sobre Trabalho Relacionado a Assuntos Exteriores. Ali Xi Jinping, presidente da China e presidente da Comissão Militar Central pronunciou o que foi chamado de Importante Discurso.

Leitura cuidadosa do documento oficial do Ministério de Relações Exteriores da China sobre aquela Conferência confirma que, sim, foi discurso “importante”.

A liderança política chinesa já completou e agora divulgou oficialmente uma mudança estratégica global nas prioridades geopolíticas da política exterior da China.

A China já não vê como a mais alta prioridade o seu relacionamento com os EUA nem, sequer, com a União Europeia. Em vez disso, definiram agora um novo grupo de países prioritários, no novo mapa geopolítico que os chineses discutiram demoradamente e agora acabaram de definir.

Esse novo mapa inclui a Rússia e todos os países BRICS com suas economias em rápido desenvolvimento; inclui os vizinhos asiáticos da China, países africanos e outros países em desenvolvimento.

Timothy Heath
Prova de que é discurso importante, muitos já começaram a falar sobre “maiores riscos de confronto com o mundo desenvolvido” (por exemplo, Timothy Heath, em The Diplomat). [Aqui há um parágrafo truncado, ininteligível (NTs)].

No discurso que fez aos participantes daquela Conferência, o presidente Xi destacou um subgrupo de países em desenvolvimento: “grandes países em desenvolvimento” (kuoda fazhanzhong de guojia). Com esses, a China vai “fortalecer a unidade e a cooperação e integrar firmemente [o desenvolvimento chinês] com o desenvolvimento comum de todos os grandes países em desenvolvimento”, disse Xi.

Segundo intelectuais chineses, esses países aparecem agora como parceiros especialmente importantes “para apoiar a reforma da ordem internacional”. Nesse grupo estão Rússia, Brasil, África do Sul, Índia, Indonésia e México, quer dizer, os parceiros BRICS da China, mais Indonésia e México. A China também deixou de se autodefinir como “país em desenvolvimento”, sinalizando que há uma nova autoimagem [vide Sobe a periferia e rebaixam-se as ‘grandes potências’ (ing.) (NTs)].

O Vice-Ministro de Relações Exteriores, Liu Zhenmin, indicou outro aspecto significativo da nova política quando, na Conferência em Pequim, declarou que “o desequilíbrio entre a segurança política da Ásia e o desenvolvimento econômico tornou-se questão cada dia mais importante”. A proposta da China, de criar uma “comunidade de destino partilhado”, visa a resolver esse desequilíbrio. Implica que a China terá laços diplomáticos e econômicos mais próximos com Coreia do Sul, Japão, Índia, Indonésia, até o Vietnã e as Filipinas.

Mandatários dos BRICS - Fortaleza/2014
Em outras palavras, embora o relacionamento com os EUA vá continuar como mais alta prioridade, por causa do poderio militar e financeiro dos EUA, deve-se esperar ver uma China cada dia mais ativa contra o que vê como interferência dos EUA. É novidade que já se viu claramente em outubro, quando o jornal People Daily do Partido Comunista Chinês publicou editorial, durante a ‘revolução dos guarda-chuvas’ em Hong Kong, que interrogava Por que Washington tanto se interessa por revoluções coloridas? O artigo citava nominalmente, como envolvida naquela “operação”, a ONG National Endowment for Democracy, dedicada a “mudanças de regime” pelo mundo e mantida pelo vice-presidente dos EUA. Esse tipo de denúncia direta era impensável há seis anos, quanto Washington tentou criar problemas para Pequim insuflando protestos violentos do movimento do Dalai Lama no Tibete, pouco tempo antes dos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008.

A China está agora rejeitando abertamente a crítica usual do ocidente sobre “direitos humanos” e recentemente declarou um esfriamento nas relações diplomáticas entre China e Reino Unido, depois que o governo de Cameron ter recebido o Dalai Lama; e entre China e Noruega, depois que o país reconheceu o dissidente Liu Xiaobo. Ao longo do ano passado, passo a passo, Pequim cuidou de esvaziar as críticas de Washington contra os direitos históricos que a China declara ter no Mar do Sul da China.

Mas talvez mais significativo de tudo, em meses recentes a China promoveu firmemente uma agenda para construir instituições alternativas aos FMI e Banco Mundial controlados pelos EUA – o que, se o movimento for bem-sucedido, pode ser golpe devastador contra o poder econômico dos EUA. Para resistir em oposição à tentativa, pelos EUA, de isolar economicamente a China na Ásia, com a criação de uma Parceria EUA Trans-Pacífico [US Trans-Pacific Partnership (TPP)], Pequim anunciou sua própria visão chinesa de uma Área de Livre Comércio do Pacífico Asiático [Free Trade Area of the Asia-Pacific (FTAAP)], acordo comercial “plenamente inclusivo, padrão ganha-ganha”, que realmente promove a cooperação no Pacífico Asiático.

Elevar as relações russas

Nesse momento, o que emerge claramente é a decisão da China de pôr sua relação com a Rússia de Putin no centro da nova prioridade estratégica chinesa. Apesar das décadas de desconfiança depois da ruptura sino-soviética de 1960, os dois países iniciaram cooperação em profundidade que é completamente sem precedentes. As duas maiores potências territoriais da Eurásia estão costurando laços econômicos que criam o único “desafiante” potencial imaginável, capaz de ameaçar a supremacia global norte-americana, como a descrevia o estrategista da política externa dos EUA, Zbigniew Brzezinski, em 1997, em seu O Grande Tabuleiro de Xadrez.

Xi Jinping e Vladimir Putin brindam acordos Rússia- China
No momento em que Putin combate uma guerra sem tréguas de sanções econômicas impostas pela OTAN para derrubar seu governo, a China assinou não um, mas vários negócios-gigantes com empresas estatais russas, Gazprom e Rozneft, que permitem à Rússia enfrentar em melhores condições a crescente ameaça às suas exportações de energia para a Europa ocidental, que é questão de vida ou morte para a economia russa.

Durante a reunião da Associação dos Países Exportadores de Petróleo em Pequim, Obama foi oficialmente rebaixado no panteão diplomático, ao ser mandado postar-se ao lado da esposa de um presidente asiático, enquanto Putin permanecia ao lado de Xi. Os símbolos têm grande peso político, especialmente na China – e são parte essencial da comunicação.

Na mesma reunião, Xi e Putin assinaram o acordo para construir um gasoduto da Sibéria à China, chamado Rota Oeste, que se conectará ao histórico gasoduto Rota Leste já acordado com a Rússia, em maio. Quando os dois estiverem completados, a Rússia estará fornecendo 40% do gás natural de que a China necessita.

Na mesma ocasião, em Pequim, o Ministro do Exército da Rússia, anunciou importantes novas áreas de cooperação entre as Forças Armadas da Rússia e o Exército da Libertação do Povo, da China.

Agora, em plena guerra total que Washington faz contra o rublo russo, a China anunciou que está pronta para, se solicitada, ajudar seu parceiro russo. Dia 20/12/2014, em meio a uma queda histórica na cotação do rublo em relação ao dólar, o Ministro de Relações Exteriores, Wang Yi, disse que a China proverá ajuda à Rússia, se necessária, e tem confiança de que a Rússia conseguirá superar suas atuais dificuldades. Ao mesmo tempo, o Ministro do Comércio, Gao Hucheng, disse que expandir uma operação de swap de moedas entre as duas nações e fazer uso mais amplo do yuan no comércio bilateral são operações que, com certeza, darão grande alívio à Rússia.

Gas resources exploration and gas transmission system formation in Eastern Russia
Sistemas de exploração e transmissão
de gás na Rússia Oriental

(clique na imagem para aumentar)
Há outras sinergias entre Rússia e China, nas quais os dois países se autocoordenam em relação mais próxima, inclusive a decisão de Putin de encontrar-se na primavera com o presidente da Coreia do Norte, e com a Índia, aliado de longa data dos russos, e com quem a China tem relações sensíveis desde os anos 1950s. Assim também a Rússia tem posição forte com o Vietnã desde a Guerra Fria e a ajuda que os russos deram para a pesquisa e extração de petróleo em águas do Vietnã.

Em resumo, tão logo haja estratégia geopolítica harmônica entre Rússia e China, o pior pesadelo geopolítico de Brzezinski ganhará vida própria, graças, em grande parte, às próprias políticas estúpidas dos neoconservadores maníacos por guerras que governam Washington, do próprio presidente Obama e das famílias milionárias sem amor nem pudor, que pagam todas as contas desse pessoal.

Todos esses movimentos, embora todos carregados de inúmeros perigos, sinalizam que a China compreendeu em profundidade o jogo geopolítico de Washington e as estratégias dos neoconservadores norte-americanos obcecados por guerras; e que, como a Rússia de Putin, a China também não tem nenhuma intenção de ajoelhar-se ante o que interpretam como uma Washington-tirana-global. O ano de 2015 surge como um dos mais decisivos e interessantes da história moderna.


[*] Frederick William Engdahl é jornalista, conferencista e consultor para riscos estratégicos. É graduado em política pela Princeton University; autor consagrado e especialista em questões energéticas e geopolítica da revista online New Eastern Outlook.
Nascido em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, é filho de F. William Engdahl e Ruth Aalund (nascida Rishoff). F.W. Engdahl cresceu no Texas, e depois de se formar em engenharia e jurisprudência na Princeton University em 1966 (bacharelado), e pós-graduação em economia comparativa da University of Stockholm 1969-1970. Trabalhou como economista e jornalista free-lance em Nova York e na Europa. Começou a escrever sobre política do petróleo, com o primeiro choque do petróleo na década de 1970. Tem sido colaborador de longa data do movimento LaRouche.
Seu primeiro livro foi A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, onde discute os papéis de Zbigniew Brzezinski, de George Ball e dos EUA na derrubada do xá do Irã em 1979, que se destinava a manipular os preços do petróleo e impedir a expansão soviética. Engdahl afirma que Brzezinski e Ball usaram o modelo de balcanização do mundo islâmico proposto por Bernard Lewis.Em 2007, completou seu livro Seeds of Destruction: The Hidden Agenda of Genetic Manipulation. Seu último livro foi: Gods of Money: Wall Street and the Death of the American Century (2010).
Engdahl é autor frequente do sítio do Centre for Research on Globalization. É casado desde 1987 e vive há mais de duas décadas perto de Frankfurt am Main, na Alemanha.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Rússia, China – nem aliadas nem rivais

22/12/2014, [*] MK BhadrakumarIndian Punchline− rediffBLOGS
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Relações Rússia - China
Têm circulado ultimamente algumas teses surpreendentes, inclusive entre especialistas e jornalistas indianos, segundo as quais, na sequência de tensões da Rússia com o ocidente, Moscou ter-se-ia ‘'pivoteado'’ para a China, em termos estratégicos, e estaria tomando forma um eixo sino-russo na política mundial; e essas duas potências “orientais” estariam determinadas a desafiar os EUA.

Alguns especuladores chegaram até a fantasiar que o destino do dólar norte-americano estaria selado e que seria questão de meses, antes que o sistema de Bretton Woods viesse abaixo.

São elucubrações de pura fantasia, e quem tenha acompanhado a trajetória das relações russo-chinesas ao longo das últimas décadas sabe que há complexidades (e contradições) demais envolvidas nessas relações, e que em nenhum caso esses países simplesmente decidiriam, um belo dia, abraçar-se e tornar-se aliados.

Paradoxalmente, a estratégia dos EUA para Rússia e China está construída sobre a certeza virtual de que elas jamais possam formar um eixo no sistema internacional.

Claro que, em nome de fomentar as tendências ao “policentrismo” na política mundial, Rússia e China devem andar ombro a ombro. Mas, daí em diante, tal ideia permanecerá para sempre no domínio do wishful thinking (“pensamento desejante”) – ou como delírio de fumaças cachimbadas.

A China é potência muitíssimo autocentrada e “pragmática”, para pensar em alistar-se em alianças; e a Rússia, por sua vez, é ferozmente independente nas suas políticas externas, além de intensamente consciente e orgulhosa da própria história, e em nenhum caso se alistará como ‘parceira júnior’ de qualquer outro estado.

O presidente Vladimir Putin disse, há algumas semanas, na fala à Assembleia da Federação Russaem Moscou, que a Rússia jamais se porá em posição de potência militar inferior a qualquer país. Falava simultaneamente à China e aos EUA.

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Dois editoriais do jornal Global Times, voz do Partido Comunista Chinês, durante a semana, lançaram ainda mais luz sobre como a China vê a grave crise que a Rússia enfrenta, e qual deve ser a posição da China, na Guerra Fria da Rússia com os EUA. Como são editoriais, com certeza manifestam o pensamento chinês oficial.

Ponto interessante a ser observado aqui é que os dois editoriais apareceram imediatamente um antes, o outro depois da tradicional conferência anual do presidente Vladimir Putin da Rússia com a imprensa, no Kremlin, 5ª-feira, 18/12/2014.

Putin na Conferência de Imprensa em 18/12/2014
Para ser exato, o primeiro editorial do Global Times apareceu dia 17/12/2014, 4ª-feira, e o segundo, dia 22/12/2014 (quatro dias depois do evento no Kremlin).

E – detalhe interessante –, houve uma leve ‘correção de rota’, pelo Global Times, entre os dois editoriais, da 4ª-feira passada e de hoje.

A conferência anual de Putin com a imprensa no Kremlin estava marcada há semanas, e esperava-se que as tensões entre Rússia e EUA dominariam as conversas na 5ª-feira. De fato, o timing do editorial do Global Times, naquela 4ª-feira, véspera da conferência de imprensa, é detalhe que também se tem de considerar.

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editorial do Global Times (17/12/2014) na 4ª-feira pintava quadro alarmante da economia russa, mostrando-a na iminência de uma crise sem precedentes, e avaliando o futuro da Rússia como “imprevisível”.

A crise seria comparável ao colapso da extinta União Soviética. O editorial dizia que a crise impunha “novos desafios ao governo do presidente Vladimir Putin, obrigando-o a aplicar uma estratégia defensiva”; ao mesmo tempo, observava que também há preocupações sobre “[o presidente Putin] tornar-se mais agressivo”.

Os comentaristas chineses tradicionalmente tratam Putin com luvas de veludo, como se fosse herói invencível; sugerir que ele pudesse executar movimento errático é diferença notável.

No geral, o editorial estima que a Rússia superará a crise no curto prazo e que “a ameaça de colapso ainda é distante”. Mas prossegue, e diz que a China é fator significativo no envolvimento estratégico da Rússia e, portanto, a “opção mais realista” que Putin tem à frente é aceitar o apoio chinês.

Contudo, lê-se lá, a cooperação sino-russa “não é mais baseada em ideologia, mas movida por interesses comuns”; assim sendo, a China não deve ser “proativa”, mas deve, isso sim, esperar que Moscou peça ajuda.

A linha de mais peso segue daí em diante, até o fim do editorial, quando o comentarista avalia que a Rússia provavelmente “recalibrará” suas estratégias nacionais para lidar com a crise, mas nada assegura que venha a aproximar-se mais da China; e do lado chinês, portanto, as relações com a Rússia têm de ser conduzidas com base na reciprocidade.

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Pode-se quase dizer que esse editorial é estarrecedor, pelo que “adivinha”. Dia seguinte, Putin disse com absoluta clareza, na conferência com a imprensa, que a Rússia planeja apertar os cintos e sobreviver com seus próprios meios por cerca de um ano, até que a economia mundial volte a crescer; e que, nesse período, a Rússia propõe-se a levar a efeito uma muito necessária reforma estrutural, com vistas a reduzir a dependência da renda do petróleo.

Putin também desmentiu o noticiário de propaganda do ocidente, sobre a economia russa. Explicou a posição confortável das reservas em moeda estrangeira e destacou que não haverá cortes nem no setor social nem nos gastos com a Defesa.

No que tenha a ver com a China, Putin não mostrou qualquer sinal de que Moscou cogite pedir ajuda aos chineses ou, mesmo, que haja qualquer reflexão sobre a Rússia vir a “depender” da China.

Mega negócio de gás Rússia-China
Significativamente, Putin deu mais uma volta no parafuso do recente meganegócio de gás com a China, ao mesmo tempo em que negou claramente qualquer movimento de “pivô” em direção à China, na estratégia russa de exportação de energia, como alguma espécie de efeito do esfriamento nas relações com a Europa. O que Putin disse foi:

Quanto à energia, a demanda por recursos segue curso de saltos e rebotes na China, na Índia, como também no Japão e na Coreia do Sul. Tudo está em desenvolvimento mais rápido aí, que em outros pontos. Deveríamos por acaso deixar passar nossa oportunidade? Os projetos nos quais estamos trabalhando foram projetados e planejados há muito tempo, muito antes de começarem os problemas que temos hoje na economia global ou na economia da Rússia. Estamos simplesmente implementando planos que já estavam em andamento há muito tempo.

Jornalistas e comentaristas ocidentais distribuíram a “versão” segundo a qual a Rússia teria feito “concessões” à China, como se estivesse em posição de fraqueza. Mas Putin disse coisa completamente diferente:

Sobre o contrato chinês – não é projeto para perder. Há vantagens para os dois lados, os dois lados, repito. A China ofereceu alguns benefícios – não são benefícios extraordinários, nada disso. O governo chinês simplesmente decidiu oferecer algum suporte aos que participam do projeto. Nós, também, aceitamos fazer o mesmo. Assim o projeto tornou-se definitivamente lucrativo. Definitivamente.

Além disso, acertamos também uma fórmula para fazer preços, que não é muito diferente, se houver alguma diferença, da que se aplica nos nossos contratos com a Europa, exceto pelos específicos coeficientes para o mercado regional. É prática regular.

Também, ajudará a Rússia, que receberá e acumulará recursos gigantescos no estágio inicial do projeto, para começar a conectar nossas regiões do Oriente Extremo às grades de distribuição de gás, não só para exportar gás pelo gasoduto. Assim teremos condições para dar o passo seguinte – muito importante. Poderemos conectar um ao outro os sistemas ocidental e oriental de gás, e rapidamente recanalizar recursos numa direção, ou noutra, conforme o mercado internacional. Isso é muito importante. Sem isso, nunca conseguiríamos conectar o leste e o extremo leste da Sibéria ao sistema de distribuição de gás.

Vê-se portanto que o projeto carrega muitas vantagens mútuas. Para nem falar de que se trata de gigantesco canteiro de obras, que criará novos empregos e renda em todos os níveis e fará reviver o Extremo Leste da Rússia e toda a região.

Vladimir Putin e Xi Jinping em Fortaleza, BR
 (BRICS - 2014)
O que se vê é que Putin insistiu em chamar a atenção para o fato de que a cooperação Rússia-China no campo da energia foi determinada exclusivamente por considerações econômicas e de interesse para os dois lados, com mútuos benefícios. De modo bem sutil, deixou bem sinalizado que Moscou não está, de modo algum, diluindo os laços “energéticos” que a ligam à Europa; que está, de fato, criando um elo entre seus sistemas ocidental e oriental de gasodutos, pelos quais poderá “rapidamente recanalizar recursos numa direção, ou noutra, conforme o mercado internacional”.

Em termos políticos, Putin disse também ao correspondente da rede Xinhua, na conferência de imprensa, que a cooperação com a China no Conselho de Segurança da ONU é “elemento importante para estabilizar a situação internacional”, e que há “muitos interesses comuns no cenário internacional, como a estabilidade internacional”. Ponto. Parágrafo.

O que não foi dito foi que a última coisa na cabeça de Putin, durante as três horas que durou aquela conferência de imprensa, seria pedir que a China “resgatasse” a Rússia. Claro que, sem dizê-lo nas linhas, mas operando nas entrelinhas, Putin também reduziu a lixo a interpretação chinesa alarmista da “crise” russa.

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Interessante: o segundo editorial de Global Times, publicado hoje (22/12/2014), quatro dias depois da conferência de imprensa de Putinjá não apresenta a Rússia em tom e termos apocalípticosAvalia que, ao contrário, se sanções jamais funcionaram contra Cuba e Irã, por que e como seriam “a palha que quebraria o lombo do camelo” no caso da Rússia?

E destaca:

O poder de Vladimir Putin não poderá ser derrubado simplesmente pela inflação atual. A Rússia já conheceu muitos altos e baixos, e tem a tenacidade necessária para sobreviver a riscos e perigos.

O comentarista também deixa de lado o tom “superior autoritário” do primeiro editorial, para admitir que:

A Rússia não quer ser vassalo da economia chinesa, e a China deve compreender claramente essa linha vermelha (...) A China deve manter atitude positiva para ajudar a Rússia a vencer essa crise. (...) Mas o que façamos para ajudar será limitado por o que a Rússia nos solicite.

— Isto que é um PIVÔ!
A impressão absolutamente inevitável é que os editorialistas chineses do PCC caíram, de início, na armadilha das previsões ocidentais catastrofistas para a Rússia. Mas depois, tendo lido os pensamentos de Putin durante a conferência de imprensa da 5ª-feira (18/12/2014), conseguiram reagir e rapidamente escaparam da armadilha.

Por outro lado, o comentário do Global Times do dia 22/12/2014, também busca delimitar um território intermediário entre EUA e Rússia. Lá se lê que

(...) a China deve atuar como mediador ativo entre Rússia e EUA, ou terá de encarar inevitáveis riscos geopolíticos, se o conflito entre aqueles países escapar de controle.

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Fato é que jamais passaria pela cabeça de Moscou convidar a China para mediar suas diferenças com os EUA. Moscou sabe muito bem que China e EUA acabam de assinar em Chicago negócio monstro de comércio e investimento, que equilibra maior acesso para empresas norte-americanas, com movimento recíproco, de Washington, que está eliminando restrições a exportações de alta tecnologia para a China. (China Daily).

O vice-premier chinês Wang Yang disse aos seus anfitriões nas negociações em Chicago que China e EUA “Têm muito mais interesses comuns, que diferenças”, e que a cooperação econômica e comercial entre os países prosperará, se os dois países “buscarem terreno comum, enquanto vão superando as diferenças” em espírito de respeito mútuo, compreensão mútua e mútua acomodação. (China Daily).

Por falar disso, a divergência entre as perspectivas russa e chinesa sobre políticas dos EUA é, de fato, bem clara. Putin repetiu na conferência de imprensa, que os EUA alimentaram a insurgência na Chechênia, instigaram os rebeldes e seguiram política pouco amistosa para com a Rússia, com o objetivo de cercar, sitiar e enfraquecê-la. Nas palavras de Putin;

Não foram eles que nos disseram, depois do fim do Muro de Berlin, que a OTAN não avançaria para leste? Fato é que a expansão começou imediatamente. Houve duas ondas de expansão. Já não há muro? É verdade. Agora é muro virtual, mas o avanço prossegue. E o sistema de defesa antimísseis sobre nossas fronteiras? Não é um muro?

Vejam... o avanço contra as fronteiras russas nunca parou. Essa é a principal questão hoje, das relações internacionais. Nossos parceiros não pararam de avançar. Decidiram que teriam sido vencedores, que seriam império, e que o resto do mundo ficava como vassalos deles, e que tinham de mantê-los sob cerco.

É claro que a China não comunga dessa fúria existencial. Dito em outros termos, os EUA com os quais Putin tem de negociar e conversar não é o mesmo país com o qual o presidente Xi Jinping da China sonha com construir novo tipo de relacionamento.

Não surpreendentemente, Putin convidou o líder da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) Kim Jong Un para visitar Moscou em maio próximo (2015) e participar das cerimônias do 70º aniversário da derrota da Alemanha nazista, pelo Exército Vermelho soviético.

O convite surge no momento em que as relações entre China e a RPDC atingem um pico muito negativoXi ainda não visitou a RPDC e ainda não se encontrou com Kim como presidentes; de fato, em julho/2014, Xi visitou a Coreia do Sul e não foi a Pionguiangue


[*] MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Oriente Médio, Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de geopolítica, de energia e de segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu e Ásia Times Online, Al Jazeera, Counterpunch, Information Clearing House, e muita outras. Anima o blog Indian Punchline no sítio Rediff BLOGS. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala, Índia.

domingo, 23 de novembro de 2014

Acordo Rússia-China pode matar as exportações dos EUA de Gás Natural Liquefeito (GNL)


18/11/2014, [*] Kurt Cobb, Oil Price
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Xi Jinping e Vladimir Putin assinam acordo de gás (maio/2014)
Rússia e China assinaram dois grandes acordos de gás natural nos últimos seis meses, depois que a Rússia moveu seus interesses na direção leste, como reação contra as sanções e à crescente tensão em suas relações com a Europa, atualmente o maior mercado importador da energia russa.

Mas o movimento tem implicações que vão além da Europa. Nesse departamento tudo se conecta, e os produtores norte-americanos de gás natural podem estar assistindo ao ocaso do seu sonho de exportações substancialmente maiores de Gás Natural Liquefeito (GNL), por causa das exportações russas para o mercado chinês – precisamente o mercado que se esperava que viesse a ser o maior e mais lucrativo para o gás norte-americano. Art Berman, geólogo especializado em petróleo e consultor – que sempre se mostrou consistentemente cético quanto à viabilidade de os EUA virem a exportar GNL – comenta, por e-mail, que o suprimento russo forçará para baixo o preço do GNL entregue à Ásia, para algo entre US$ 10 e US$ 11, baixo demais para que as exportações norte-americanas de GNL sejam lucrativas.

Mas, voltemos até um pouco antes. Os produtores norte-americanos de gás natural insistem em tentar vender a história de um renascimento energético dos EUA, que seria baseado num crescente suprimento de gás de xisto extraído de depósitos profundos – atualmente explorados mediante uma nova modalidade de fraturamento do solo por bombas hidráulicas, chamado “fraturamento hidráulico com alto volume de fluído “liso” [orig. high-volume slick-water hydraulic fracturing]. [1]

O problema é que superextração e os baixos preços – agora, o preço é uma pequena fração dos US$13 por mil pés cúbicos (Mcf) alcançados no pico, em 2008 – minaram a estabilidade financeira das empresas perfuradoras de gás. Eis por quê: O gás natural betuminoso, chamado “gás de xisto” (ing. shale gas), é em geral mais caro para produzir que o gás natural convencional; para o gás de xisto ser viável, o preço do gás natural teria de ser muito superior ao que é hoje – dos cerca de US$ 4 por mil pés cúbicos, para com certeza acima de US$6 por mil pés cúbicos e talvez ainda mais, para pagar os custos de extrair o gás e garantir lucros.

Processo de extração da gás de xisto (fr.)
Mas, a esses preços, o Gás Natural Liquefeito norte-americano deixa de ser competitivo na Europa. E agora, por causa dos acordos Rússia-China para construir os gasodutos de gás natural, o mais provável é que o GNL norte-americano deixe de ser competitivo também na Ásia. E esses são os dois maiores mercados para o GNL. Sem esses mercados, nada assegura que os EUA consigam exportar muito GNL – a menos que comecem a exportar com prejuízo...

Aí, pois, está o problema: Para converter o gás natural norte-americano em gás liquefeito, metê-lo em navios tanques especialmente construídos para esse tipo de transporte e enviá-lo para Europa ou Ásia, o custo não será inferior a US$ 6 por mil pés cúbicos. Se o custo do gás norte-americano for de US$ 6 por mil pés cúbicos, o preço total do GNL dos EUA entregue será o custo do gás mais o custo da conversão, do embarque e da viagem, quer dizer, algo em torno de US$ 12 por mil pés cúbicos.

O mais recente preço de GNL entregue na Ásia, como informa a Federal Energy Regulatory Commission foi de US$ 10,10 por MMBtu para a China; US$ 10,50 para Coreia; e US$ 10,50 para o Japão. Para a Europa, os números são até mais moderados: US$ 9,15 para a Espanha; US$ 6,60 para o Reino Unido; e US$ 6,78 para a Bélgica (todos os valores expressos em dólares norte-americanos).

Esses números refletem, provavelmente, preços de momento, não contratos de longo prazo, e estão baixos porque a demanda de energia é menor, o que pode ser resultado da economia mais lenta na Ásia e na Europa.

Mas, sim, são suficientes para mostrar como será difícil para o GNL norte-americano competir no mercado mundial. Os preços do GNL melhorarão, mas, de modo geral, compradores de GNL assinam sempre contratos “custo-mais” [orig. cost-plus contracts]. Nos EUA seria o custo Henry Hub do gás natural (negociado na New York Mercantile Exchange) mais o custo da liquefação e do transporte. Sem qualquer garantia de que o gás Henry Hub permaneça no preço atual (cerca de US$ 4) – e muitos indícios de que não permanecerá – no longo prazo, é difícil ver como poderia haver compradores de longo prazo para o Gás Natural Liquefeito norte-americano.


Depois desse longo circunlóquio, permitam-me voltar aos gasodutos russo-chineses para gás natural, e a significação que têm nesse drama.

GAZPROM para a Europa (South Stream)
(clique na imagem para aumentar)
A Gazprom, a gigante russa do gás natural que realmente entregará o gás, estimou o primeiro negócio, em maio, em cerca de US$ 10,19 por MMBtu. O segundo negócio ainda não teve valor anunciado, mas um analista que consultei acredita que os chineses pagarão cerca de US$ 8 por MMBtu. Ainda que os chineses acabem por aceitar preço próximo do primeiro negócio, cerca de 17% da oferta de gás natural chinês estará chegando da Rússia, quando os gasodutos estiverem completados, daqui a vários anos. E isso, pode-se dizer, ancorará o preço do GNL chinês importado entre US$ 10 e US$11 por MMBtu – preço baixo demais para ser confiavelmente lucrativo para os exportadores norte-americanos de GNL.

A implicação é que os preços soft de hoje para o GNL importado pela China e o resto da Ásia pode vir a ser norma geral em poucos anos, precisamente o tempo que os terminais de exportação do GNL norte-americano demorarão, até se tornarem operacionais. Assim sendo, se aparecerem investidores para financiar a construção daqueles terminais, e se os gasodutos russo-chineses forem completados, o mais provável é que aconteça destruição de capitais em proporções épicas, do lado norte-americano do Oceano Pacífico.

Há outras razões para não acreditar no futuro dos EUA como exportador de gás natural. As róseas previsões da indústria e do Departamento de Estado dos EUA para Energia, sobre produção doméstica de gás natural a partir do xisto, podem ter sido superexageradas, conforme se lê num novo relatório assinado pelo mesmo analista que previu a degradação massiva dos preços do óleo recuperável do campo de xisto de Monterey, Califórnia. Apesar da crescente produção doméstica de gás natural, os EUA continuam a ser importadores líquidos de gás natural. Importações de gás natural corresponderamm a cerca de 10% do consumo nos EUA, no mês de agosto de 2014.

Full disclosure [“cumprindo obrigação de informar fato relevante ao mercado”]: Trabalhei como consultor pago para ajudar a divulgar o relatório “Drilling Deeper: A Reality Check on U.S. Government Forecasts for a Lasting Tight Oil & Shale Gas Boom”, lançado dia 27/10/2014, acima referido.

Mas, como leitores que me acompanham há muito tempo já sabem, desde 2008 sou muito cético ante as entusiásticas previsões de alguma bonança de longo prazo para o petróleo e o gás norte-americanos, movida a depósitos de xisto. Esse relatório é a primeira análise compreensiva, baseada em dados da indústria, e é produzido independentemente da influência ou do dinheiro da indústria. Todos que tenham quaisquer interesses investidos na indústria ou na política energética dos EUA devem lê-lo.

Locais de importação/exportação de GNL nos EUA
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É possível que alguns projetos de exportação de GNL norte-americano consigam avançar, mesmo nas atuais circunstâncias. Se os compradores desse GNL assinarem contratos de longo prazo, tipo cost-plus como comentados acima, esses compradores devem preparar-se para enormes surpresas, quando os custos do gás natural dos EUA subirem. E aqueles exportadores criarão alguma espécie de “circuito de realimentação de autorreforço” [orig. self-reinforcing feedback loop], fazendo crescer a demanda, o que fará subir ainda mais os preços domésticos do gás natural norte-americano – ainda mais se não aparecer a grande produção norte-americana que se projeta atualmente. Se a produção de gás natural nos EUA permanecer no, ou cair abaixo do, atual nível de consumo doméstico, os EUA talvez se vejam na iminência estranhíssima, muito bizarra, de terem de importar GNL de alto preço de alguns países, para preencher o vácuo criado pelas exportações de GNL para outros países.

Preços internos mais altos, nos EUA, serão espada de dois gumes para quem aspira a um futuro de energia mais limpa. Produtores norte-americanos de gás natural e empresas de energia renovável muito apreciarão simultaneamente, se os preços de exportação subirem consideravelmente – os produtores, porque o destino financeiro deles passará a ser mais positivo; e as empresas de energia renovável, porque a energia renovável tornar-se-á mais competitiva, se o gás natural ficar mais caro. Mas os ambientalistas estremecerão de horror e fúria, se a lucratividade aumentar a tal ponto, nos campos de gás de xisto, que gere ação ainda mais horrenda de destruição da paisagem norte-americana.

E políticos norte-americanos que defendem a extração de GNL para exportação talvez se vejam desertados, de um lado, por consumidores obrigados a pagar altos preços internos e, de outro, pelos ambientalistas que rejeitam os altos custos ambientais – ainda que aqueles mesmos políticos vejam engordar muito as cataratas de doações de campanha, que lhes virão de uma muito grata indústria do gás de xisto.

Nota dos tradutores

[1] “A modalidade antiga de extração de gás e petróleo por fraturamento do subsolo, chamada Hydrofracking [lit. faturamento do subsolo por injeção de fluidos – uma mistura de água, areia e produtos químicos altamente tóxicos – sob alta pressão, nos poços de petróleo e gás] foi usada por muitos anos. Foi desenvolvida pela empresa Halliburton no final dos anos 1940. Aqui [do documento adiante referenciado], nos referiremos àquela modalidade antiga como “old hydrofracking” [faturamento hídrico à moda antiga] e aos correspondentes poços como “traditional wells” [poços tradicionais]. (...)

A nova modalidade de faturamento de subsolo para extração de petróleo e gás, chamada High-Volume (Slick-water) Hydraulic Fracturing [lit. Fraturamento do subsolo por injeção hidráulica de alto volume de fluido “liso”] (aqui traduzido)foi desenvolvida em 1990 e é diferente: o fluido utilizado é um composto de outros produtos químicos, para tornarem o fluído mais “liso” e diminuir o atrito. É chamado [fracionamento] “de alto volume”, porque a quantidade de fluido injetado no subsolo é, agora, muito superior; na média, é hoje equivalente a mais de 21 milhões de litros de fluido em média, variando conforme o conteúdo do poço e as fraturas criadas até chegar a ele. Ver esquema a seguir:



[*] Kurt Cobb é um escritor freelance e autor do filme de ação Prelude que tem como tema o pico do petróleo. Fala e escreve freqüentemente sobre energia e meio ambiente. É colunista do sítio Scitizen (pronuncia-se “citizen”) de notícias de ciência baseado em Paris. Seu trabalho também tem sido destaque em diversos sites, tais como: Energy Bulletin, 321energy, Le Monde Diplomatique, The Oil Drum, EV World, e muitos outros. Kurt é um membro fundador da Association for the Study of Peak Oil and Gas—USA e faz parte do conselho da The Arthur Morgan Institute for Community Solutions que é voltada para soluções do pico do petróleo e das alterações climáticas, principalmente nas áreas de alimentos, transportes e habitação.