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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Espionagem total dos EUA contra o Brasil: Querem saber o quê?

15/8/2013, [*] Nil Nikandrov, Strategic Culture

The US’ All-Out Espionage Against Brazil. To what end?

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ler também: 
1/7/2013, redecastorphoto,  Nil Nikandrov em: Quem agita o Brasil e por quê

Edward Snowden
A primeira visita de estado da presidenta Dilma Rousseff aos EUA deve acontecer dia 23/10. A preparação para essa visita foi obscurecida pelas revelações de Edward Snowden. Documentos sugerem que o Brasil é o país, de todo o hemisfério ocidental, no qual o trabalho de inteligência dos serviços de segurança dos EUA é mais ativo. Segundo informações vazadas para a mídia, os norte-americanos interessam-se por tudo – da estratégia de desenvolvimento das Forças Armadas e os conteúdos de seus programas de cooperação técnico-militar com China, Rússia e Índia, à vida pessoal de líderes políticos e comandantes militares brasileiros. E grande parte do trabalho é tentar encontrar imundícies que envolvam a presidenta Dilma e as figuras de seu círculo mais próximo...

Em décadas recentes, Washington tem considerado o Brasil como seu principal rival na região; o acelerado desenvolvimento do país em setores como modernas tecnologias, energia, indústria de defesa e tecnologia espacial ao longo dos últimos 20-25 anos, levou a vasta maioria dos países latino-americanos a consolidarem-se em torno do Brasil. O projeto de integração pan-americano concebido pelos EUA, o Free Trade Agreement of the Americas (FTAA) [Acordo de Livre Comércio das Américas] fracassou espetacularmente durante a Cúpula das Américas, na cidade argentina de Mar del Plata em 2005. Brasil, Argentina, Venezuela e outros países do continente disseram “não” a Washington e, em seguida, puseram-se a trabalhar na direção de uma verdadeira integração latino-americana. O Brasil tem papel legítimo de liderança na região, posto que, diferente dos EUA, jamais atuou como “polícia regional”.

John Kerry
Se a visita do secretário de Estado John Kerry ao Brasil, antes da fuga de Snowden e antes da visita de Rousseff a Washington, foi em larga medida visita organizacional, agora a agenda está praticamente concentrada em torno da questão da espionagem norte-americana. Não é difícil entender a indignação dos brasileiros. 

Por um lado, Washington continua a reiterar que o Brasil é seu principal aliado na América Latina; por outro, está sequestrando segredos militares do país e copiando correspondência da presidenta, dos ministros de Defesa e Relações Exteriores e de outros altos funcionários responsáveis por importantes decisões. Com que finalidade? Só para saber? Ou tenta reunir material que possa ser usado para intimidar o mais alto nível do governo do Brasil, no caso de surgirem impasses graves nas relações bilaterais? Em alguns países da África, Ásia e da Europa Oriental, o método deu certo. Obama talvez conte com repetir aqueles “sucessos” também nos contatos com o Brasil.

Elias Jaua
Dia 5/8/2013, os ministros de Relações Exteriores dos países do Mercosul reuniram-se com o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, para manifestar preocupação e indignação contra ações dos norte-americanos nas operações de ampliação de seu sistema de espionagem global. O ministro venezuelano, Elias Jaua, falou em nome dos ministros regionais:

Essa prática é completa violação da legislação internacional e da soberania dos países e agride os direitos fundamentais de todos os seres humanos, em todo o planeta.

Todas as organizações regionais, inclusive a CELAC (Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe) e a UNASUR (União das Nações Sul-americanas), também manifestaram seu protesto. E a ação avançará além dos protestos. Nos próximos dois ou três anos, o Brasil e outros grandes países líderes na América Latina planejam criar canais independentes de comunicação eletrônica, com servidores localizados fora de território americano. E tomar-se-ão medidas preventivas, que protegerão esses canais contra qualquer intrusão hostil.

Antonio Patriota
Washington deu algumas explicações relativas à espionagem contra o Brasil, que o Ministro de Relações Exteriores Antônio Patriota considerou insuficientes. Em resposta, o Departamento de Estado convidou-o, com outros funcionários brasileiros, para visitarem os EUA e verificarem in situ o trabalho da Agência de Segurança Nacional, evidentemente, para convencerem-se de que o Brasil não estaria sob vigilância eletrônica. Na superfície, é gesto de boa-vontade. Na realidade, a suposta abertura visa a objetivos de propaganda: “Temos feito o possível para tranquilizar nossos aliados ao sul do Rio Grande”. Vãs esperanças. Nenhum dos aliados dos EUA na região está tranquilo.

Ao expor a política de duas caras dos EUA na América Latina, Snowden acertou golpe tão devastador, que de agora em diante, até o fim de seu segundo mandato, Obama sempre aparecerá marcado como hipócrita e mentiroso, nos contatos com seus parceiros latino-americanos.

O embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, está para deixar o posto, de onde partirá sem glória. Tentou posicionar-se como político versátil, objetivo e responsável, disposto a diálogo construtivo. Ao final, verificou-se que Shannon em nada se diferencia da “geração império” de diplomatas norte-americanos, ativos durante os governos de George W. Bush e Barack Obama. Declarem o que declararem, prometam o que prometerem e garantam o que garantirem... tudo muda quando se trata de promover os objetivos da política externa intervencionista dos EUA. Então se desdizem e abandonam qualquer promessa, qualquer compromisso.

Esse hábito de mentir abertamente que o Departamento de Estado dos EUA desenvolveu ao longo dos últimos 20 anos e o desejo assumido de fazer tudo a seu modo, a qualquer custo, agindo como superpotência ostensivamente capaz de fazer o que bem entenda, já causaram danos substanciais e continuam a prejudicar gravemente a diplomacia dos EUA.

Thomas Shannon
Thomas Shannon é responsável por um fosso que corta hoje as relações entre Brasil e Venezuela, dedicado durante anos a convencer [jornalistas e formadores de opinião] brasileiros de que “a ideologia populista de Chávez” acabará, mais dia menos dia, por desestabilizar o Brasil; e que melhor seria se o Brasil tivesse ali um regime politicamente mais moderado. De fato, nada faz, além de trabalhar para facilitar os movimentos de uma oposição-fantoche na Venezuela, financiada com dinheiro norte-americano e informação das agências norte-americanas de segurança, que sempre foi hostil a qualquer aliança entre Brasil e Venezuela. Essa política anti-Venezuela da Embaixada dos EUA no Brasil sempre foi mantida contra Hugo Chávez e prossegue contra o presidente Nicolás Maduro, atualmente sob ataque.

Informação publicada no portal BAE-Mundo mostra que Shannon, ainda como Secretário de Estado assistente em 2009, enviou correspondência marcada “secreta” a Keith Alexander, diretor da Agência de Segurança Nacional, na qual lhe agradece pela inestimável ajuda na preparação da Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago. O Departamento de Estado dos EUA recebeu então mais de cem documentos da Agência de Segurança Nacional, obtidos por espionagem em gabinetes presidenciais e nos ministérios de Relações Exteriores de vários países do continente. Shannon agradece com especial ênfase, porque:

(...) os documentos da Agência de Segurança Nacional nos deram compreensão profunda dos planos e intenções de outros membros do fórum e garantiram que nossos diplomatas estivessem preparados para dar assistência qualificada ao presidente Barack Obama e à secretária de Estado Hillary Clinton.

A informação ajudou Washington a planejar o curso de sua ação relacionada a questões complexas como a inclusão de Cuba na Cúpula das Américas. Também construíram ação estratégica, contra oponentes difíceis como Hugo Chávez. Na essência, foi estratégia de “promessas preventivas”! Resultado dela, Obama pôde fazer pose de líder disposto a iniciar diálogo com a América Latina para “construir relações positivas e produtivas” com os vizinhos dos EUA no Hemisfério Ocidental.

Nossos rivais na região preparavam-se para nos envergonhar e nos criar problemas. Mas conseguimos sucesso onde eles falharam – Shannon escreveu com satisfação na carta ao diretor da Agência Nacional de Segurança.

Liliana Ayalde
Divulgou-se recentemente que Liliana Ayalde, com seus quase 30 anos de experiência no campo internacional, foi nomeada nova embaixadora dos EUA no Brasil. Não é difícil identificar o viés que marca toda a carreira dela: elos muito íntimos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (orig. United States Agency for International Development, USAID), com foco na América Latina e Caribe. 

Essa organização trabalha em contato direto com a CIA, a Agência de Inteligência da Defesa e outras agências de inteligência dos EUA, tradicionalmente para dar “cobertura” a Ayalde em suas operações. Como diretora de missão da USAID, Ayalde atuou na Nicarágua e em outros países da América Central, e esteve envolvida na implementação do “Plano Colômbia” – cujo mais importante objetivo foi impor pressão estratégico-militar sobre a Venezuela e o Brasil.

De 2008 a 2011, Ayalde foi embaixadora dos EUA no Paraguai, e teve participação significativa no golpe que derrubou o presidente Lugo.

Nos últimos dois anos, Ayalde trabalhou como vice-secretária assistente do Departamento de Estado, para o Caribe, América Central e Questões Cubanas. Não há dúvidas de que Ayalde vai para o Brasil para introduzir agressivamente, nos círculos do governo [e da mídia], seu relacionamento hostil com o governo de Raúl Castro, uma vez que, como se sabe, a presidenta Dilma Rousseff, como o antecessor, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, veem Cuba como aliado chave do Brasil no Caribe.

Todd Chapman
O número dois na equipe da embaixada, que ali estará para ser observado por Ayalde por dois anos, será Todd Chapman, recentemente retornado de missão no Afeganistão, onde cuidou da “coordenação do desenvolvimento e da economia”. A lista das universidades pelas quais Chapman é titulado, além da elitista Duke University, inclui o National Defense Intelligence College do Departamento de Defesa dos EUA. Estudou economia e temas de interesse para a inteligência, dentre os quais energia em geral, petróleo e gás, finanças e comércio internacional. Chapman trabalhou na Bolívia de 2004 a 2006; de 2007 a 2010 foi Chargé d’Affaires em Moçambique. Serviu em outras missões, muitas das quais envolveram elementos de improvisação. Chapman sempre foi mandado para áreas complexas, motivo pelo qual chega agora ao Brasil.

Há dúzias de empregados de agências de inteligência que servem hoje na embaixada e nos consulados dos EUA no Brasil. 

Um dos servidores do sistema da Agência de Segurança Nacional dos EUA de vigilância total opera no próprio prédio da embaixada em Brasília. É usado para interceptar a comunicação da presidenta, dos ministros, das agências brasileiras de segurança e do Parlamento brasileiro. 

Não importa que promessas John Kerry tenha feito durante sua estadia no Brasil ainda no início do “escândalo da espionagem”: nada mudará nos fronts da guerra clandestina que as agências de inteligência dos EUA fazem em todo o mundo. 

O exército invisível da espionagem total continua a operar.
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[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas.Especializou-se em desmascar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros - tanto de ficção e estudos documentais - dedicados a temas latino-americanos, incluindo a primeira biografia em língua russa de Hugo Chávez.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Enterrem o PDT!


“Descubram qualquer coisa, mas arranjem um jeito qualquer de pôr Lupi no olho da rua e enterrar o PDT” – IMPRENSA

“Esse filme eu já vi antes: não é diferente daquela saraivada que levou Getúlio Vargas ao suicídio” – Pedro Porfírio

“Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca” - Darci Ribeiro


Guardadas as proporções históricas e as naturezas dos cargos, vejo nessa enxurrada de balas disparadas para forçar a presidente Dilma a demitir o ministro Carlos Lupi o retrato sem retoque daquela insidiosa campanha patrocinada pela embaixada norte-americana que levou ao suicídio do presidente Getúlio Vargas.

Pedro Porfírio
Perdoe-me a comparação, mas o ritual é o mesmo: hoje já não se fala nem nos contratos com as ONGs, assinados geralmente através de governos locais. Essa não pegou. Aí passaram a vasculhar até se ele fazia xixi na cama já grandinho. De algum lugar, precisa sair qualquer coisa que leve à sua demissão.

Sua queda é a encomenda mais cara já feita pelas elites, porque ele, que nunca foi de confrontos, que deu mole em muitos conflitos trabalhistas aceitando que outros exercessem as faculdades de um Ministro do Trabalho, resolveu levar adiante a implantação do PONTO ELETRÔNICO, medida que exporia não apenas o desrespeito atávico aos direitos dos trabalhadores, mas revelaria igualmente o turbilhão de sonegações de um patronato que deita e rola, vive se queixando de altos impostos, mas contrata os melhores contadores e os mais caros escritórios de advocacia para sonegar suas contribuições obrigatórias, isso sem falar na velha prática de distribuir propinas através do “Caixa 2”.

Porque a sua demissão não é apenas uma questão de honra de uma mídia entre facciosa e vaidosa, que não se deixa por vencida quando quer reafirmar sua pretensa condição de PODER PARALELO.

Sobre isso, expressou-se com paixão ideológica um funcionário de carreira de Furnas, que, não obstante sua antiga militância no PDT (ao ponto de não acompanhar o irmão quando este, vereador, se viu na contingência de acompanhar seu grupo indo para outro partido) jamais foi chamado para um cargo de chefia por indicação partidária.

Escreveu-me Rudenilson Andrade, um cara muito íntegro, cujas atitudes desassombradas me faz seu admirador:

Eu tenho nojo de corrupção Pública e Privada assim com qualquer tipo de Ditadura, mas tenho acompanhado atentamente esse processo e só entram nessa os tolos ou falsos tolos.

O grande embate que se está travando neste momento é uma encarniçada Luta de Classes e como disse o velho Marx a Luta de Classes é multifacetada, então vamos aos fatos bem sintéticos que é a forma que eu mais gosto.

Quando Lupi deseja e não é de agora implantar o Ponto Eletrônico com a emissão de comprovante nas mãos do trabalhador e as empresas terem que enviar o movimento eletrônico através de dados para o Ministério do Trabalho a burguesia começou a se rebelar via as suas Confederações e Federações Industriais e Comerciais, porque por esse processo a Classe Operária via Ministério do Trabalho começaria a ter o controle da sua Mais Valia, seja ela Absoluta ou Relativa.

Descobriu-se, também que as empresas pagam as horas extras, porem não recolhem o pagamento do FGTS e INSS aos Cofres Públicos referente às essas mesmas horas extras. Hoje o cálculo de aposentadoria do trabalhador pelo INSS não é mais feito pela média dos seus últimos 36 meses de contribuição e sim se pega de 1994 até a presente data e separa 80% das maiores contribuições, deste período, para fazer a média e calcular o seu Salário de Benefício. Com toda certeza aquele trabalhador que durante o(s) ano(s) vem fazendo hora extra será roubado no valor do seu salário de aposentadoria do INSS, pois o não recolhimento para o INSS do valor sobre as horas extras dele não ficara registrado no banco de dados do INSS de onde é extraído, volto a dizer de 1994 até a presente data os valores para calcular a sua aposentadoria. Assim sendo, escolham os seus lados cavalheiros porque o meu eu já escolhi há muito tempo, não quero chegar a essa altura da minha vida como um Renegado Kaustsky.

Lembro-me quando do golpe militar de 1964, financiado pelos trusts internacionais o genial Darcy Ribeiro, que ainda tentava resistir, desabafou:

“O presidente João Goulart está caindo por suas qualidades e não pelos seus defeitos”.

A história está inflacionada de situações semelhantes, geralmente deturpadas. Porque ela é escrita pelos vencedores e pelos monopólios da informação. Mas todo mundo sabe, até um foca reles, que muita gente que se esconde à sombra nunca engoliu a nomeação de Lupi para o Ministério do Trabalho, que implicou na retirada dessa pasta do controle do Partido dos Trabalhadores, com o deslocamento de Luiz Marinho, ex-presidente da CUT para a Previdência Social, porque conselheiros de Lula temiam que o PDT não desse continuidade à punga que até hoje torna infernal a vida de aposentados e pensionistas.

Lupi errou, sim, ao aceitar o Ministério sem condições de imprimir as premissas do brizolismo em suas políticas, sentindo-se fraco para compor sua própria equipe, com o que desprezou contribuições de correligionários preparados e íntegros, inclusive alguns de marcante atuação sindical, levando-os a engrossar uma dissidência que hoje é alimentada por amarguras pessoais.

Mas, em compensação, com sua personalidade flexível, foi o principal responsável pela sobrevivência do seu partido depois da mor te de Brizola. E a visibilidade que ganhou com um cargo no primeiro escalão do governo foi dedicada à costura de alianças pragmáticas, sem as quais o partido teria sucumbido de vez, tal a sua composição heterogênea, hoje muito distante das bandeiras brizolistas por conta de erros cometidos inclusive pelo caudilho, diga-se com honestidade e coragem.

A presidente Dilma sabe de toda essa trama de cor e salteado. Sabe que está sendo minada e perdendo a autoridade na hora em que vai cedendo às pressões da direita, representada por políticos galhofeiros, como o herdeiro de ACM e o tucanato insaciavel, e de uma mídia cujo manual de redação principia no informe do seu  passivo financeiro.

A fritura de Lupi passa, principalmente, por esse insólito modelo de gestão do país, no qual a Praça dos Três Poderes poderia ser enxertada de mais um pilar - a mídia que hoje desempenha o mesmo papel das Forças Armadas no passado, desde quando um manifesto de coronéis, em 1953, levou à queda de João Goulart, o melhor ministro do Trabalho da história do Brasil, porque ele conseguiu convencer Getúlio a reajustar em 100%, o salário mínimo, que o general Dutra congelara por 4 anos.

O país, hoje, 3 de dezembro de 2011, espera o desenlace montado e urdido pelos mesmos entreguistas que se dedicaram à mais rendosa corrupção, com as privatizações-doações que o governo do PT também não teve peito de reverter, como aconteceu em muitos casos na Argentina, por conta de um acordo de governabilidade.

Se a trama tiver o epílogo funesto, com a queda de mais um ministro, como já disse antes, Dilma que se cuide: seu governo é o grande alvo dos derrotados nas urnas. Eles só não são mais frontais porque a crise bate à porta e eles esperam que a presidenta derrape, como refém das maltas mesquinhas que dão as cartas no Planalto.

Artigo escrito e enviado por Pedro Porfírio e publicado originalmente no Blog do Porfírio

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

WIKILEAKS: C O N F I D E N T I A L UNVIE VIENNA 000478


[cabeçalho aqui omitido]
Friday, 16 October 2009, 16:12
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu
Ver também: 


WikiLeaks: Yukiya Amano, novo diretor da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (substituiu ElBaradei) diz ao embaixador dos EUA em Viena, em 2010, que é “diretor geral de todos os estados”, mas que “nada fará que não esteja acordado com os EUA”

RESUMO
O novo diretor da International Atomic Energy Agency, IAEA [Agência Internacional de Energia Atômica da ONU], já escolhido, mas antes de tomar posse, assegura aos EUA que concorda com os EUA em “todas as decisões estratégicas chave”, inclusive sobre o Irã. 

1. (SBU) Em várias reuniões com funcionários do governo dos EUA, antes de partir de Viena, ao final da Conferência Geral da IAEA, Yukiya Amano, já escolhido para o posto de Diretor Geral da IAEA, manifestou notável coincidência de pontos de vista com os EUA no modo como conduzirá as missões da Agência em verificações de salvaguardas, segurança nuclear e na promoção dos usos pacíficos do átomo, e também quanto às reformas na administração da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU. A missão japonesa informou que Amano voltará a Viena no final de novembro e que manterá escritório na Agência durante sua preparação final, intensiva, para assumir o posto dia 1/12. Esse relatório responde diretamente a instruções recebidas. FIM DO RESUMO.

Diretor Geral de todos os estados, mas em acordo com os EUA 
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2. (C) Em reunião com o embaixador um dia depois do final da maratona de duas semanas da reunião do Corpo de Diretores [Board of Governors (BoG)] e Conferência  Geral da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, em meados de setembro, o Diretor Geral designado Yukiya Amano agradeceu o apoio dos EUA a sua candidatura e empenhou-se para enfatizar que apóia os objetivos estratégicos dos EUA para a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU. Amano repetiu várias vezes ao embaixador que terá de fazer concessões ao G-77, que corretamente exigiu dele que busque decisões justas e independentes, mas que está firmemente no campo dos EUA em todas as decisões estratégicas, da indicação do pessoal de alto nível, ao modo de encaminhar a questão do programa do Irã para construir armas nucleares.

3. (SBU) Amano partilhou com o embaixador Davies sua posição pública sobre o papel da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU e a contribuição da Agência nas questões globais da proliferação [de armas atômicas], segurança, energia, saúde e gerenciamento da água. Mais abertamente, Amano observou que é importante que mantenha uma certa “ambiguidade construtiva” sobre seus planos, pelo menos até receber assumir o cargo de Diretor Geral em substituição a ElBaradei, em dezembro. Em deferência ao G-77, Amano sentiu-se obrigado a destacar a importância do “equilíbrio” para o trabalho da Agência sobre usos pacíficos da tecnologia nuclear. Por razões que têm a ver com manter alta a moral de seu pessoal, Amano planejou trabalhar para melhorar a qualidade gerencial da Agência, ao mesmo tempo em que publicamente elogia os padrões gerenciais atuais e elogia a dedicação de membros da atual administração.

4. (SBU) Ao longo da conversação, Amano teve o cuidado de enaltecer a importância da próxima Conferência de Segurança Nacional, a acontecer dias 12-13 de abril em Washington, como “o maior evento para mim nos próximos meses”. A Conferência da próxima primavera regerá sua agenda de inverno, que inclui eventos em Davos e a reunião do Corpo de Diretores da IAEA em março. Amano disse que, novamente por razões políticas, contrabalançará suas visitas aos EUA com visitas à África do Sul, Egito e Malásia. Embora esteja certo de que esses países cooperarão, Amano sente que fará poucos progressos nas questões prioritárias antes de assumir o posto. Apesar de reconhecer a crescente polarização entre os estados-membros da IAEA, Amano foi rápido ao apontar áreas em que há acordo, como sobre a necessidade de ampliar o complexo de laboratórios em Seibersdorf, promover as terapias contra o câncer e introduzir o poder atômico com segurança. Amano prometeu “tratar o Irã com dignidade”, mas, em seguida, repetiu que fora escolhido para o posto de Diretor Geral da Agência “para implementar as salvaguardas”. Enfatizou que o Irã tem obrigações especiais com a IAEA que cabe à IAEA cobrar; não se vê como intermediário entre o Irã e o resto do mundo.

(...)

A Agência deve verificar responsabilidades, não políticas 
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6. (C) Depois, o Coordenador para Questões de Armas de Destruição em Massa da Casa Branca Gary Samore e a diretora da Comissão de Segurança Nacional Laura Holgate reuniram-se com Amano, dia 15/9, à margem da Conferência Geral. Amano disse que sabe que todos estarão focados na reunião do Corpo de Diretores de março 2010, a primeira de que participará como novo Diretor Geral, para ver o que ele faz e diz sobre Irã e Síria. Afirmou que é mais importante para a Agência manter-se estritamente limitada a suas responsabilidades de verificação e não oferecer “propostas” ou “negociações” políticas. Amano disse que insistirá para que o Irã cumpra plenamente todas suas obrigações de Salvaguardas e exigirá que coopere plenamente com a IAEA, embora não creia que o Irã venha a mudar completamente sua atual posição de impasse.

(...)

8. (C) Amano repetiu esses temas em reunião dia 16/9 com a representante especial dos EUA no NPT Susan Burk. Falando de sua eleição, Amano observou calorosamente que “quando decidem fazer, os EUA podem fazer qualquer coisa!” e que esperava que os EUA fossem força ativa, na direção da NPT Revcon. (...)  e que considera importante assegurar aos países em desenvolvimento que “não se trata exclusivamente de impor novas restrições”.

Conquistá-los gradualmente 
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9. (SBU) Comentário: Quando partiu de Viena, com seu nome já confirmado como Diretor Geral, Amano parecia confortável no traje de “Diretor Geral”. Fala em tom cada vez mais firme e com mais clareza. Já domina os pontos de conversação e habituou-se à nova posição de autoridade. Há apreensões, entre o pessoal da IAEA e as missões diplomáticas relacionadas às suas habilidades de comunicação e liderança, mas com o desempenho durante a Conferência Geral Amano fez progressos e convenceu os céticos. A atitude inteligente, de reduzir a visibilidade dos japoneses entre seus principais assessores também tranquilizará o pessoal da Agência que temia que Amano pudesse subverter a Agência, implantando práticas do estilo japonês de gerência corporativa. Em termos mais amplos, o conhecimento que Amano tem sobre as questões políticas globais ficou bem evidente, e sua disposição para falar com franqueza com interlocutores norte-americanos sobre sua estratégia e suas ideias para equilibrar seus movimentos são fatores promissores para nossas futuras relações. Por exemplo, Amano ter dito que a Cúpula de Segurança Nuclear do presidente Obama é o maior evento de seu mandato que apenas se inicia foi gesto bem pensado e gratificante. (...)

[assina] DAVIES