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terça-feira, 26 de maio de 2015

EUA - Washington bombardeia o próprio pé

24/5/2015, [*] F. William Engdhal, New Eastern Outlook
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
John Kerry e Sergey Lavrov
São tempos bem tristes em Washington e Wall Street. Aquela única superpotência sem desafiantes, quando do colapso da União Soviética, apenas um quarto de século depois, está perdendo a própria influência global, como se vê hoje; e muito depressa, como a maioria jamais teria previsto há seis meses. O ator chave que catalisou um desafio global contra a pressuposta UP (“única superpotência”) em Washington é Vladimir Putin, Presidente da Rússia.
Esse é o real cenário da surpreendente visita que fez o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, a Sochi, para encontrar-se com o Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. Depois de revistado por Lavrov, Kerry foi levado à sala de Satã em pessoa, Putin.
Longe de alguma tentativa de “reset”, os infelizes estrategistas geopolíticos de Washington tentam desesperadamente encontrar algum meio de pôr de joelhos o Urso Russo.
Rápido flash back até dezembro de 2014 é instrutivo para compreender por que o Secretário de Estado parece estar levando um ramo de oliveira à Rússia de Putin, e bem no atual momento. Em dezembro do ano passado, Washington parecia a ponto de jogar a Rússia à lona, com aquela brilhante tática de sanções financeiras dirigidas a alvos atentamente selecionados, e com o acordo, com a Arábia Saudita, para derrubar os preços do petróleo. Em meados de dezembro, o rublo estava em queda livre na relação com o dólar. Os preços do petróleo também haviam desabado, de US $107, apenas seis meses antes, para os então US$ 45 o barril. Sendo a Rússia fortemente dependente da renda das exportações de petróleo e gás para o custeio do estado, e com as empresas russas carregadas de dívidas em dólares no exterior, a situação, vista do lado de dentro do Kremlin era difícil.
Naquele ponto, o destino, como tantas vezes acontece, interveio de modo inesperado (inesperado, pelo menos, para os arquitetos norte-americanos da estratégia da guerra financeira + colapso do petróleo). O acordo que John Kerry firmara em setembro de 2014 com o já muito gravemente doente rei Abdullah da Arábia Saudita não estava provocando apenas grave sofrimento nas finanças russas. Estava também ameaçando fazer explodir estimados US$ 500 bilhões em “papéis podres” de alto-risco-alto-rendimento, dívidas que a indústria de petróleo de xisto dos EUA havia tomado em bancos de Wall Street ao longo dos últimos cinco anos, para financiar a muito incensada revolução do petróleo de xisto norte-americano, que por alguns dias pusera os EUA à frente da Arábia Saudita como maior produtor de petróleo do mundo.
A estratégia dos EUA sai-lhes pela culatra
O que Kerry não percebeu no seu negócio de vender cavalo manco aos espertos sauditas foi que os monarcas sauditas tinham agenda própria. Desde antes haviam deixado bem claro que não queriam ter seu lugar de primeiro produtor e rei do mercado mundial de petróleo roubado por uma iniciante indústria de petróleo de xisto norte-americana. Até que gostaram de fazer sangrar Rússia e Irã. Mas o objetivo deles era matar e tirar de cena os norte-americanos, rivais deles, sauditas, na guerra do petróleo.
John Kerry e o Rei Abdullah em setembro/2014
Os projetos norte-americanos de xisto foram calculados quando o petróleo custava US$ 100/barril, há menos de um ano. O preço mínimo para que muitas das empresas norte-americanas de xisto escapassem da falência estava entre US$ 65 e US$ 80/barril.
A extração do petróleo de xisto é não convencional e mais cara. Douglas-Westwood, empresa de assessoria no campo de energia, estima que cerca de metade dos projetos de petróleo em desenvolvimento nos EUA só sobrevivem se o petróleo estiver acima de US $120/barril, mínimo indispensável para gerar fluxo positivo de caixa.
Ao final de dezembro, uma série de falências, em cadeia, de empresas do petróleo de xisto esteve perto de detonar novo tsunami financeiro, em momento em que estava longe de resolvida a carnificina da crise dos derivativos em 2007-8. O estouro, mesmo que de apenas uns poucos papéis podres, de empresas de xisto e alta cotação, bastaria para disparar um pânico com efeito dominó no mercado da dívida de US$ 1,9 trilhões em papéis igualmente podres, o que com certeza dispararia novo derretimento financeiro que os super estressados governo dos EUA e a Federal Reserve dificilmente conseguiriam deter. Poderia até levar ao fim do dólar como moeda global de reserva.
Repentinamente, nos primeiros dias de janeiro, lá estava Lagarde, Presidenta do FMI, a elogiar o Banco Central da Rússia pelo modo “bem-sucedido” de enfrentar a crise do rublo. O Gabinete de Terrorismo Financeiro do Tesouro dos EUA suavizou os discursos contra a Rússia. Só o governo Obama mantinha que se tratava da IIIª Guerra Mundial “de sempre” contra Putin. A estratégia dos EUA para o petróleo provocara muito mais danos aos EUA, que à Rússia.
Fracasso da política dos EUA contra a Rússia
E não só isso. A brilhante estratégia de Washington de guerra total contra a Rússia, que começara em novembro de 2013 com o golpe de estado da Praça Maidan em Kiev, em 2015 já era fracasso evidente, manifesto, um super fracasso que está criando para Washington o pior pesadelo geopolítico imaginável.
Longe de reagir como vítima e acovardar-se diante das manobras dos EUA para isolar a Rússia, Putin pôs em andamento uma série de brilhantes iniciativas de economia externa, militares e políticas, que, em abril se acrescentaram ao projeto de uma nova ordem monetária global e a um novo colosso econômico eurasiano, em condições de ofuscar a hegemonia da UP (“única potência”).
Putin atacou as fundações do sistema-dólar dominado pelos EUA e a correspondente ordem mundial global em vários pontos, da Índia ao Brasil, Cuba, Grécia, Turquia. Rússia e China assinaram novos tratados mamutes de energia, graças aos quais a Rússia pôde redirecionar sua estratégia de energia para longe do ocidente. Porque, no ocidente União Europeia (UE) e Ucrânia, ambas sob violenta pressão de Washington, sabotaram os fornecimentos de gás russo para a UE, que tinham de atravessar a Ucrânia. A UE, outra vez sob pressão intensa de Washington, atacou o mais que pôde o projeto da Gazprom para o gasoduto Ramo Sul de gás natural que chegaria ao sul da Europa.
Vladimir Putin fecha acordo com a Turquia
Em vez de se encolher na defensiva, Putin chocou a UE quando, em visita à Turquia e reunido com o Presidente Erdogan, anunciou, dia 1º de dezembro, que havia cancelado todo o projeto da Gazprom para o Ramo Sul. Anunciou que buscaria um acordo com a Turquia, para entregar gás russo na fronteira da Grécia. E que se a UE quisesse gás, ficasse à vontade para financiar ela mesma a construção dos seus próprios gasodutos. Estava desmascarado o blefe da UE. O gás entregue à porta dos europeus ia-se tornando, fantasia dia a dia mais distante.
As sanções da União Europeia contra a Rússia também saíram pela culatra, quando a Rússia retaliou com proibição de alimentos importados, o que empurrou a Rússia de volta à busca da autossuficiência alimentar. E bilhões de contratos ou exportações de empresas alemãs como a Siemens, ou francesas como a Total caíram repentinamente no limbo. A empresa Boeing viu sumirem grandes negócios, quando a Rússia cancelou encomendas importantes. E a Rússia anunciou que passava a recorrer a fornecedores nacionais produtores de componentes críticos para a Defesa.
Na sequência, a Rússia tornou-se membro “asiático” chave do excepcionalmente bem-sucedido novo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII). Esse BAII é iniciativa dos chineses, concebida para financiar seu ambicioso Cinturão Econômico da Nova Rota da Seda, a gigantesca rede de trens de alta velocidade que atravessará a Eurásia até a União Europeia.
Em vez de isolar a Rússia, a política de Washington saiu-lhe espantosamente errada quando, apesar da mais furiosa pressão dos EUA, importantes aliados (Grã-Bretanha, Alemanha, França e Coreia do Sul) correram, todos, a unir-se ao novo BAII.
Além disso, em reunião que tiveram em maio/2015, em Moscou, o Presidente da China, Xi Jinping e Vladimir Putin anunciaram que a infraestrutura da Rota da Seda chinesa será completamente integrada com a União Econômica Eurasiana, da Rússia – o que acrescenta notável impulso ao avanço russo na Eurásia e daí até a China, na região onde vive a maior parte da população mundial.
Em resumo, no momento em que John Kerry recebeu ordens para engolir em seco e voar até Sochi, chapéu na mão, para oferecer algum tipo de cachimbo da paz a Putin, a elite governante dos EUA, os oligarcas norte-americanos, começavam a cair na real.
Falcões hiper agressivos como a neoliberal, Victoria “F*da-se a União Europeia” Nuland do Departamento de Estado, e o Secretário da Defesa, Ash Carter, estavam querendo inventar uma estrutura mundial alternativa, brotada da cabeça deles e dos interesses que se escondem por trás das cabeças deles, que estava pondo sob ameaça existencial todo o sistema-dólar pós-Bretton Woods dominado por Washington. Epa!
Como se não bastasse, ao forçar seus “aliados” europeus a entrar na linha anti-Putin dos EUA – com grave prejuízo para os interesses políticos e econômicos da União Europeia, além do prejuízo a que se exporiam os países europeus que não se integrassem ao boom dos investimentos chineses – os neoliberais de Washington haviam conseguido acelerar também um provável “racha” entre Washington e Alemanha, França e outras potências da Europa Continental.
Por fim, todo o mundo, inclusive anti-Atlanticistas ocidentais, passaram a ver Putin como símbolo da resistência à dominação pelos EUA. Essa percepção já emergira quando da acolhida que a Rússia deu a Snowden, mas firmou-se depois das sanções e bloqueios. Vale lembrar que esse tipo de percepção tem importante papel psicológico na luta geopolítica – a presença de um símbolo (Snowden) dessa natureza – abre novas vias até aqui nunca imaginadas na luta contra a hegemonia.
Por tudo isso, Kerry foi claramente mandado a Sochi para farejar pontos fracos para um renovado futuro ataque. Disse aos bandidos lunáticos que os EUA apoiam em Kiev que se acalmassem e respeitassem os acordos de cessar-fogo de Minsk.
John Kerry e a junta-de-Kiev
A ordem foi um choque para os doidos de Kiev. “Yats”, Arseniy Yatsenyuk, o Primeiro-Ministro que La Nuland pôs no cargo em Kiev, disse à TV francesa que “Sochi definitivamente não é o melhor resort nem o melhor local para bater um papo com Presidente russo e Ministro russo de Relações Exteriores”.
Nesse quadro, a única coisa clara é que Washington parece ter afinal percebido a estupidez que foram suas provocações contra a Rússia, na Ucrânia e globalmente. O que virá na sequência, ainda ninguém sabe. O que se sabe é que o governo Obama recebeu ordens das mais altas instituições dos EUA para mudar completa e absolutamente sua atuação. Nenhuma outra coisa explica a mudança. Se a sanidade conseguirá substituir a insanidade neoliberal fascista na política externa dos EUA, ainda não se sabe.
O que já está claro é que Rússia e China estão absolutamente decididas a não se porem à mercê de uma UP (“única potência”) alucinada e imprevisível. A patética tentativa de Kerry, buscando um segundo “reset” na política dos EUA para a Rússia em Sochi, nesse ponto dos acontecimentos, pouco ajudará Washington. A oligarquia dos EUA, como Shakespeare diz pela boca do seu Hamlet, está sendo “explodida com a própria bomba”, é o bombardeador que se deixa autoexplodir com a própria bomba (HAMLET, Ato 3, cena 4 p. 9.).
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[*] Frederick William Engdahl é jornalista, conferencista e consultor para riscos estratégicos. É graduado em política pelaPrinceton University; autor consagrado e especialista em questõesenergéticas e geopolítica da revista online  New Eastern Outlook.
Nascido em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, é filho de F. William Engdahl e Ruth Aalund (nascida Rishoff). F.W. Engdahl cresceu no Texas, e depois de se formar em engenharia e jurisprudência na Princeton University em 1966 (bacharelado), e pós-graduação em economia comparativa da University of Stockholm 1969-1970. Trabalhou como economista e jornalista free-lance em New York e na Europa. Começou a escrever sobre política do petróleo, com o primeiro choque do petróleo na década de 1970. Tem sido colaborador de longa data do movimento LaRouche.

Seu primeiro livro foi A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, onde discute os papéis de Zbigniew Brzezinski, de George Ball e dos EUA na derrubada do xá do Irã em 1979, que se destinava a manipular os preços do petróleo e impedir a expansão soviética. Engdahl afirma que Brzezinski e Ball usaram o modelo de balcanização do mundo islâmico proposto por Bernard Lewis.Em 2007, completou seu livro Seeds of Destruction: The Hidden Agenda of Genetic Manipulation. Seu último livro foi: Gods of Money: Wall Street and the Death of the American Century (2010).
Engdahl é autor frequente do sítio do Centre for Research on Globalization. É casado desde 1987 e vive há mais de duas décadas perto de Frankfurt am Main, na Alemanha.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Whiplash!

20/1/2015, [*] Dmitry Orlov, Club Orlov
Whiplash!” (foto abaixo)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


WhiplashPescoço quebrado por chicoteamento
da cabeça, por desaceleração repentina 
Ao longo de 2014, os preços que o mundo paga pelo cru caíram, de mais de US$ 125/barril, para, como hoje, cerca de US$ 45/barril, e ainda podem cair mais antes de subir para acima dos preços de antes, antes de novamente entrarem em colapso, antes de subir novamente. Vocês já entenderam. No final, o furioso vai-e-vem dos mercados financeiros, das moedas e a quebradeira de roldão de empresas de energia, depois das entidades que as financiavam, depois os calotes nacionais dos países que mantinham as tais entidades, tudo isso, ao seu tempo, levará ao colapso das economias industriais. E sem uma economia industrial em funcionamento, o petróleo cru será reclassificado e declarado lixo tóxico. Mas, para tanto, ainda faltam uns 20, 30 anos.

Enquanto isso, os preços muito inferiores do petróleo já escorraçaram para fora do mercado a maioria dos produtores de petróleo não convencional. Recordem que o petróleo convencional (do tipo barato-para-produzir, que sai jorrando de poços verticais cavados rasos em solo seco) alcançou preço máximo em 2005 e desde então só faz cair. A produção de petróleo não convencional, inclusive o extraído de águas profundas, de xisto betuminoso, do fraturamento hídrico de solo profundo e por outras técnicas caras, foi generosamente financiado, para que subisse bem, para poder ser derrubado. Mas, no momento, o petróleo menos convencional custa mais para ser produzido do que o preço pelo qual pode ser vendido.

Tem a ver com países inteiros, incluindo o petróleo pesado da Venezuela (que exigeupgrading, para fluir), a produção em águas profundas no Golfo do México (México e EUA), Noruega e Nigéria, as areias betuminosas do Canadá e, claro, o petróleo de xisto dos EUA. Todos esses produtores estão agora queimando dinheiro, além de boa parte do petróleo que produzem, e, se persistirem os preços baixos, serão forçados a fechar.

Queda do "brent" de junho a dezembro de 2014
Problema adicional é a alta taxa de esgotamento dos poços de petróleo de xisto “fracionado” [orig. “fracked”] nos EUA. Atualmente, os produtores de petróleo de xisto bombeiam sem parar e alcançam novos recordes de produção, mas a perfuração também chega rapidamente ao colapso. Poços de petróleo de xisto esgotam-se muito depressa: o fluxo cai à metade em apenas poucos meses, e já é desprezível ao final de uns poucos anos. Só se mantém a produção mediante perfuração incansável, e, agora, essa perfuração incansável parou.

Assim, temos só uns poucos meses de fartura pela frente. Depois, a revolução do petróleo de xisto, que alguns cabeças-ocas acreditaram que faria dos EUA uma nova Arábia Saudita, será saudade. Não haverá qualquer vantagem no fato de a maioria dos produtores de petróleo de xisto, que especularam alucinadamente com dinheiro emprestado para perfurações, estarem então falidos, como também assim estarão as empresas de exploração e produção e que prestem serviços nos campos de petróleo. Toda a economia que foi inflada em anos recentes em torno da área de petróleo de xisto nos EUA, e que foi responsável por quase todo o crescimento nos empregos de altos salários, entrará em colapso – o que fará subir a taxa de desemprego.

Deve-se ter conta que o inventário de fartura de petróleo que precipitou esse colapso dos preços não é especialmente grande. Tudo começou com esforço concertado de EUA e Arábia Saudita, para afogar em petróleo o mercado internacional, para derrubar o preço. Líderes nos EUA sabem perfeitamente que seus dias como maior produtor mundial de petróleos contam-se literalmente em dias e meses, não em anos. Sabem que uma gigantesca ressaca econômica resultará do colapso da produção do petróleo de xisto. Os canadenses, que sabem que se passa o mesmo com a aventura das tais terras betuminosas do Canadá, que já se aproximam do fim, querem brincar junto.

O jogo que estão jogando é, basicamente, um jogo da galinhaSe todos bombeiam todo o petróleo que possam, independente do preço, então, em algum momento, acontece uma de duas coisas: a produção de petróleo de xisto entra em colapso, ou outros produtores ficam sem dinheiro e a produção deles entra em colapso. A questão é: qual das duas coisas acontece primeiro?

Produção de gás de xisto por "fracking"
Os EUA estão apostando que os baixos preços do petróleo destruirão os regimes dos três maiores produtores de petróleo que há sob o controle político e/ou militar dos EUA. São: Venezuela, Irã e, claro, a Rússia. São tiros de longo alcance, mas, sem qualquer outra carta para jogar, os EUA estão desesperados.

Será que a Venezuela vale, como prêmio, o que custa? Tentativas anteriores para “mudar o regime” na Venezuela falharam; por que essa, agora, seria bem-sucedida? O Irã aprendeu a sobreviver apesar das sanções ocidentais e mantém laços comerciais com China, Rússia e com alguns outros países para trabalhar à volta deles. No caso da Rússia, ainda não se consegue ver com clareza que fruto, se houver algum, as políticas ocidentais almejam colher.

Por exemplo, se a Grécia optar por sair da União Europeia [1] para escapar às sanções retaliatórias impostas pelos russos contra a UE, nesse caso ficar-se-á absolutamente sem poder definir quem está(ria) castigando quem.

Claro, derrubar os governos de todos esses três petroestados, destruí-los economicamente, “privatizar” seus recursos de petróleo e bombeá-los gratuitamente, usando trabalho estrangeiro seria exatamente o tiro no ombro que os EUA estão procurando. Mas, se você está acompanhando as coisas, já viu que quase nada leva a crer que os EUA consigam sempre o que mais querem, e se se analisam eventos recentes, nada sugere que consigam seja lá o que for. Quais dos gambitos que a política externa dos EUA tentou nos tempos recentes recompensaram os EUA pelo muito que custaram aos EUA, como os EUA esperavam que recompensassem? Humm...

Assim, por enquanto, todos os produtores de petróleo estão continuando a bombear sem parar. Alguns produtores têm amparo financeiro para produzir com prejuízo, e o farão para proteger sua fatia de mercado. Outros produtores simplesmente enterraram o dinheiro na perfuração dos poços, mas pagaram empréstimos suficientes, enquanto o preço do petróleo ainda estava alto, para continuar produzindo com lucros, mesmo com os preços mais baixos. Por fim, vários produtores (a Rússia à frente deles) podem obter algum pequeno lucro mesmo com o barril vendido a US$ 25 − US$ 30 (não fossem as taxas e tarifas).

Cada produtor tem alguma razão minimamente diferente dos demais, para continuar bombeando petróleo. Muitos deles foram informados de que EUA e Arábia Saudita agiam para derrubar o preço do petróleo. Mas essa teoria da colusão pode ser cortada ao meio com uma Navalha de Occam, porque esses dois lados agiriam exatamente como estão agindo, mesmo sem “combinação” alguma.


Os EUA estão empenhados numa tentativa desesperada para derrubar um ou dois ou três petroestados, antes que o petróleo de xisto acabe completamente, com os canadenses e aquelas terras betuminosas já nada lucrativas, comichando de ansiedade à espera que dê certo, porque se essa tentativa não der certo, então será “quem-sair-por-último-apague-a-luz” para o Império. Mas nenhum dos recentes gambitos deles funcionou.

Estamos em pleno inverno da desesperança imperial, e o império está reduzido a movimentar alguns patéticos fantochezinhos, que seriam bem engraçados, não fossem também sinistros e tristes.

Considerem-se, por exemplo, as palavras pronunciadas pelo Primeiro-Ministro da Ucrânia, “Yats”, teleguiado pelo Departamento de Estado, em Berlim, recentemente: disse que foi a URSS quem invadiu a Alemanha Nazista, não o contrário!

Estamos já chegando ao 70º aniversário da vitória dos soviéticos sobre a Alemanha Nazista; e é excelente momento para... para fazer o quê, exatamente?! Os russos estão confusos. Mas os alemães tiveram de engolir essa e não abriram a boca, quer dizer: 1 a zero para o império!

Sobreviventes do Campo de Concentração de
Auschwitz libertados pela Rússia em 27/1/1945
Ou considere-se a operação de guerra psicológica em Charlie Hebdo em Paris, que, para qualquer um que preste atenção, trouxe recordações impressionantes da bomba contra a Maratona de Boston, há quase dois anos.

Boston ainda não se livrou dos adesivos idiotas de “Boston é forte” [orig. Boston strong] (não, Boston não foi destruída por alguns rojões e uns poucos atores amputados explodindo sacos de sangue falso para fingir que acabavam de perder uma perna). E agora é Paris, decorada com adesivos de “Sou Charlie”.

Matar uma dúzia de inocentes é, claro, procedimento padrão: algumas atrocidades reais ajudam a tornar inadmissível qualquer versão de alguma “teoria da conspiração” dos eventos, para quem esteja sob controle mental do império, porque, sacomé, “Eles são os bons” e “bons” não fazem essas coisas.

Explosão na Maratona de Boston em 15/4/2013
Mas até o controle mental já começa a fraquejar, e até alguns líderes nacionais – como Erdogan da Turquia – já disse publicamente que o evento foi encenado. E, pela mesma razão, os supostos “perpetradores” já foram sumariamente executados pela Polícia, antes de que alguém pudesse descobrir qualquer coisa sobre eles.

É já bem visível, agora, que todos esses eventos estão sendo cozinhados pela mesma gangue de bandidos não lá muito terrivelmente criativos. Parece que reciclaram o PowerPoints:delete Boston; insert Paris.

Mas os franceses defenderam o direito de eles insultarem muçulmanos (e cristãos) impunemente (são direitos que podem ser roubados dos outros, quando ninguém está olhando) – mas não, inexplicavelmente, insultar judeus nem gays importantes, vejam vocês, porque esse pessoal mete você na cadeia. 2 a zero para o império!

Ou observe-se o ataque que derrubou o voo MH17 da Malásia, sobre o leste da Ucrânia, no meio do ano passado. Todas as autoridades públicas e a imprensa-empresa ocidentais instantaneamente culparam “os rebeldes que Putin apoia”, pelos tiros que derrubaram o avião. Quando os resultados da investigação que se seguiu levou a conclusão diferente... a investigação passou a ser sigilosa!

Ataque de Su25 (falsa bandeira) da Ucrânia derrubou o 
voo MH17 da Malasya Airlines matando 298 pessoas
Mas agora os russos têm um desertor ucraniano, sob proteção especial a testemunha, que já identificou o piloto ucraniano [2] que atirou e derrubou o avião de passageiros, servindo-se de um míssil ar-ar disparado de um jato de combate. Ora, os rebeldes não têm Força Aérea; mísseis ar-ar não são objetos de consumo diário para os ucranianos; e aquele foi evidentemente carregado para ser usado naquele dia, contra aquele alvo. Assim, já sabemos quem, como e por quê; só falta saber quem mandou derrubar o avião. O maior número de apostadores pôs seu dinheiro em “Washington”, o ataque foi ordenado por Washington.

É a notícia do dia, em todos os veículos na Rússia. Mas a imprensa-empresa ocidental autocensurou toda a história, como se jamais tivesse acontecido, e continua a repetir o mantra “Foi Putin”, “Foi Putin”. Quer dizer... 3 a zero para o império!

Mas uma gangue que gente desiludida, todos falando sozinhos, só para eles mesmos, numa esquina escura, enquanto o resto do mundo aponta a esquina deles e ri, não faz um império. Com tão baixo nível de desempenho, atrevo-me a sugerir que nada, nada, nada que o império tente, daqui em diante, funcionará como o império gostaria que funcionasse.

A Arábia Saudita está, de modo geral, desgostosa com os EUA, porque os EUA não estão fazendo bem feito o serviço de policiar a vizinhança e manter as coisas sob controle. O Afeganistão está voltando a ser Talebanistão. O Iraque já cedeu território ao ISIS e agora só controla o território de dois reinos da Idade da Pedra, Akkad e Sumer. A Líbia está em estado de guerra civil. O Egito foi “democratizado”, só o suficiente para virar ditadura militar. A Turquia (estado-membro da OTAN e candidato a membro da União Europeia) negocia hoje, basicamente, com a Rússia; a “missão” que derrubaria o presidente Assad da Síria está em cacos. Os “parceiros” dos EUA no Iêmen acabam de ser derrubados por milícias xiitas, e agora há o  ISIS, inicialmente organizado e treinado pelos EUA... que ameaça destruir a Casa de Saud. Some-se a isso que a  joint-venture  EUA-sauditas para desestabilizar a Rússia, fomentando o terrorismo no Norte do Cáucaso, falhou completamente. Não conseguiram organizar nem uma única ação terrorista, que fosse, que destruísse os Jogos Olímpicos de Sochi. (Por causa desse fiasco, o príncipe Bandar bin Sultan, da Arábia Saudita, perdeu o emprego).

Plataforma de petróleo da Rússia no Ártico
E assim é que os sauditas estão bombeando petróleo feito doidos, nem tanto para ajudar os EUA, mas, mais, por outras razões, mais óbvias: para empurrar para fora do mercado outros produtores de petróleo caro (inclusive os EUA, mas não só eles) e para manter a fatia saudita do mercado. Estão também sentados sobre uma montanha de dólares norte-americanos, aos quais querem dar bom uso, enquanto ainda valem alguma coisa.

A Rússia continua bombeando a quantidade usual, dentre outros motivos porque não há de fato razão alguma para parar e muitas razões para continuar.

A Rússia é produtora de baixo preço, e pode esperar enquanto os EUA são tirados da estrada. Também está sentada sobre uma montanha de dólares, que também bem podem ser usados enquanto ainda valem alguma coisa.

O maior patrimônio da Rússia não é seu petróleo, mas a paciência de seu povo: os russos compreendem que passarão por tempos difíceis, enquanto lutam para substituir importações (principalmente o que importam do ocidente) com produção doméstica e outras fontes. Podem encarar uma perda; recuperarão tudo que perderem, tão logo o preço do petróleo se recupere.

Porque vai se recuperar. O remédio para curar preços baixos do petróleo é... preços baixos do petróleo. Passado um dado ponto, os produtores de petróleo caro pararão naturalmente de produzir, o estoque excessivo será queimado e o preço se recuperará.

Previsão de variação do preço do petróleo até 2025
Não apenas se recuperará, mas, muito provavelmente, saltará para um pico positivo, porque país atapetado com os cadáveres de empresas de petróleo falidas não é país que consiga saltar imediatamente para produção de muito petróleo; enquanto, por sua vez, além de alguns poucos usos para combustíveis fósseis, que são usos discricionários, a demanda é bem pouco elástica.

E um salto para cima no preço do petróleo causará outra rodada de destruição de demanda, porque os consumidores, devastados pelas falências e bancarrotas e perda de empregos por causa do colapso do petróleo, logo serão empurrados também para falência e bancarrota pelo preço mais alto. E isso será causa de novo colapso no preço do petróleo, outra vez.

E assim por diante, até que morra o último empreendedor industrialista. O laudo declarará, como causa da morte, “Whiplash − Pescoço quebrado por chicoteamento da cabeça, por desaceleração repentina”: ou “síndrome do empreendedor industrialista violentamente sacudido”, se vocês preferirem.

A rápida alternância de preços do petróleo, de muito altos para muito baixos e também o contrário, quebrará o pescoço deles. Uns raros artesãos recolherão um pouquinho de petróleo de poços antigos e lentos, refinarão em potes de argila aquecidos em fogo de madeira e usarão para mover um antigo carro funerário, que levará para o ossuário industrialista os ossos do último empreendedor industrialista do planeta.

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Nota dos tradutores


[2] Verdade ou mentira, está na boca do mundo: 19/1/2015, YourNewsWire.com: Ukraine Obama Phone Call Leak: Ukraine Shot Down B-777.


[*] Dmitry Orlov é um engenheiro russo-americano e escritor sobre temas relacionados ao declínio econômico, ecológico e político dos Estados Unidos. Orlov acredita que o colapso será o resultado dos orçamentos militares, enormes déficits do governo e um sistema político que não responde e declínio da produção de petróleo. Orlov nasceu em Leningrado (agora São Petersburgo) e se mudou para os Estados Unidos com 12 anos. Tem bacharelado em Engenharia de Computação e Mestrado em Lingüística Aplicada. Foi testemunha ocular do colapso da União Soviética durante os ano 1980-90. Entre 2005 e 2006 escreveu uma série de artigos sobre o colapso da União Soviética publicada em Peak Oil. Em 2006 publicou o Manifesto Orlov on-line, A Nova Era da Vela. Em 2007, ele e sua esposa venderam seu apartamento em Boston e compraram um veleiro, equipado com painéis solares e seis meses de fornecimento de gás propano e capaz de armazenar grande quantidade de produtos alimentícios. Chamou “cápsula de sobrevivência”. Continua a escrever regularmente no seu blog “Clube Orlov” e no EnergyBulletin.Net

sábado, 13 de dezembro de 2014

União Europeia (UE) “exige” que a Rússia resgate UE & Ucrânia


A União Europeia seria um bando de 
cretinos não fossem apenas ridículos

11/12/2-14, [*] Eric ZuesseCountercurrents
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

-- Estou feliz como um GREGO!
O FMI diz que a Ucrânia estará em bancarrota “dentro de semanas” e precisa de mais US$15 bilhões para a guerra contra o leste do país; a UE ameaça a Rússia com mais sanções, se a Rússia deixar falir a Ucrânia; a UE perderá bilhões na Ucrânia, se a Rússia não “resgatar” o país.

Detalhes em UE Observer (ing.) e em DW (al.).

E aqui a história por trás do palco que levou a isso tudo:

Mark Adomanis da revista Forbes é o analista mais honesto e mais claro no ocidente sobre a situação financeira da Ucrânia, embora faça incansável propaganda contra a Rússia, como todos os demais “jornalistas” pagos pela aristocracia ocidental (e têm de continuar a fazer, para não perderem o emprego).

Mark Adomanis
Dia 14/4/2014, Adomanis escreveu que,

(...) quando comprou US$ 3 bilhões em bônus [do governo da Ucrânia] no final de 2013, a Rússia inseriu uma cláusula no contrato de compra que estipula que o volume total da dívida garantida pelo estado ucraniano não pode exceder 60% do respectivo PIB anual. Se esse limite for ultrapassado, a Rússia pode, legalmente, exigir recompra dos bônus, em curto prazo. Dados o estado miserável da economia ucraniana e suas finanças extremamente frágeis, essa cláusula significa hoje que, se a dívida da Ucrânia exceder 60% do respectivo PIB, a Rússia pode legalmente forçar o país a declarar calote-falência [orig. legally force it to default].

A dívida externa da Ucrânia, de fato, já ultrapassou todos os limites, dos US$ 60 bilhões e outros, por causa de uma exigência que o que o FMI impôs para fazer seu repasse de US$ 17 bilhões do dia 1/5/2014, a saber: que a Ucrânia eliminasse ou esmagasse, fosse como fosse o povo na  área da Ucrânia onde 90% dos eleitores elegeram o presidente ucraniano pró-Rússia que Obama derrubou dia 22 de fevereiro de 2014.

A manchete da rede CNBC para o “evento”, dia 1º de maio de 2014, um dia antes de que os bandidos pró-governo massacrassem os resistentes, e assim iniciassem o programa para exterminar os residentes daquela região, foi: IMF Warns Ucrânia on Bailout if It Loses East” [“FMI alerta Ucrânia de que não será resgatada se perder o leste”].

O significado desse “alerta” é simples (mas, impressionantemente, jamais “noticiado” nem “analisado” pelos “especialistas”!):

Reservas de "shale" gas (fracking) na Ucrânia 
(clique na imagem para aumentar)
– sem os campos de gás e outros ativos vendáveis do leste, o governo da Ucrânia estará sem patrimônio suficiente para liquidar – “privatizar” como dizem os “especialistas” – e não terá como reunir dinheiro suficiente para pagar o empréstimo feito pelo FMI, de US$ 17 bilhões, à Ucrânia. Nesse caso, os contribuintes de EUA e Europa teriam de absorver o prejuízo; “portanto”, o governo ucraniano tem “obrigação” de prosseguir e exterminar qualquer oposição ativa no leste, se quiser continuar a receber a “ajuda” do FMI.

Aos aristocratas interessam o solo e o subsolo, não as populações. Populações são estorvo.

Aquele dinheiro foi emprestado pelo FMI à Ucrânia exclusivamente para ser repassado a empresas ocidentais (sobretudo para o Big Petróleo, Big Agronegócio [Big Ag] e BigComplexo Industrial Militar), para que comprassem patrimônio na Ucrânia e patrimônio daUcrânia, o que caracteriza também ocupação real do país. Bom exemplo-demonstração de tudo isso é que residentes nas áreas hoje sob bombardeio do ocidente estavam organizados e ativos contra o fracking e contra a instalação ali de uma base de mísseis da OTAN.

Além disso, a própria União Europeia emprestou mais meio bilhão de euros ao governo da Ucrânia, dia 10/12, a juros de 1,375%, muito abaixo dos juros de mercado, por 15 anos. É dinheiro dos contribuintes europeus, que está sendo posto no lixo (a taxa de juro nem faz qualquer diferença porque nada, nem o principal nem os juros do “empréstimo” será algum dia pago).

Jornalismo "ocidental" 
EUA e Europa estão investindo pesadamente nessa campanha de extermínio, mas quem paga são os cidadãos contribuintes; a aristocracia, beneficiária direta do “processo” nada investe e, portanto, não precisa preocupar-se com perder dinheiro, porque não está perdendo dinheiro seu [nessa guerra pró privataria, só se torra dinheiro e patrimônio público].

Disso, precisamente, é que trata a campanha para demonizar o presidente Putin da Rússia [e, no Brasil, para demonizar os governos Lula-Dilma (NTs)]: é esforço para jogar sobre Putin a culpa pelo assalto ao dinheiro público dos cidadãos europeus e norte-americanos que seus respectivos governos supostos “democráticos” estão jogando na fornalha sem fim da Ucrânia, para matar ucranianos. A aristocracia ocidental quer destruir a Ucrânia e quer que a culpa de tudo, naquele amontoado de escombros a que a Ucrânia está sendo reduzida recaia sobre a Rússia.


Agora, então, tudo é culpa da Rússia. A Rússia está sendo culpada não só por apoiar as populações ucranianas que o “ocidente” deseja exterminar: os propagandistas pró-aristocracias ocidentais já começam a culpar a Rússia também por não “salvar” os contribuintes ocidentais! Aqueles contribuintes ocidentais que terão de arcar com os prejuízos em todos os casos, ainda que alguns especuladores (chamados “empresários”) consigam ganhar algum, em ataques especulativos contra a Ucrânia.

Poucos são suficientemente idiotas a ponto de supor que a Rússia resgataria o ocidente depois de o ocidente ter atacado a própria Rússia e os russos étnicos na Ucrânia. Mas a campanha de propaganda para culpar a Rússia pelo agora iminente colapso econômico da Ucrânia já está em andamento.

Sanções...
As empresas-imprensa chamadas “de mídia”, “de comunicação”, “de informação” e de “notícias” não perdem audiência nem quando seus “âncoras”, “comentaristas”, “analistas”, “jornalistas” e “repórteres” dedicam-se incansavelmente a “noticiar” que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, é culpado pelas centenas de milhares de ucranianos que estão fugindo para a Rússia, tentando escapar do massacre para limpeza “étnica” contra eles patrocinado pelo ocidente “democrático”.

Dia 9/12/2014, por exemplo, o The New York Times estampava a seguinte manchete “Ucranianos empurrados para os braços [abraço de urso, conforme a ilustração] de Putin”. E a matéria “informava”:

Recente relatório da ONU informa que cerca de meio milhão de ucranianos deixaram o país desde abril de 2014.

O fato de famílias terem de fugir de zona de guerra é terrível, mas não surpreende. O que realmente surpreende e perturba são os detalhes: de cerca de 454 mil pessoas que fugiram da Ucrânia até o final de outrubro de 2014, mais de 387 mil foram para a Rússia.

A maioria dos que fugiram eram falantes de russo que viviam no leste, mas mesmo assim ainda há muito a explicar: se a guerra se trava entre Ucrânia e Rússia, por que tantos ucranianos escolheriam o lado inimigo, quando precisam de ajuda?

Lev Golinkin
o repórter MENTIROSO
Na sequência, o “repórter” demonstra o quanto ele seria “independente” de Washington: nega uma declaração que o “repórter” diz que Washington teria feito, mas é coisa que NEM Washington disse, pelo menos até agora:

Mr. Putin e a mídia russa dizem que ucranianos pró-ocidente, como o governo de Mr. Poroshenko, são neonazistas. O ocidente nega e afirma que não há elementos neonazistas no governo de Kiev.

[O “repórter” mente. NEM Victoria Nuland negou que alguns “neonazistas” ajudaram a levar ao poder o novo governo ucraniano, e nenhum “repórter” ou “jornalista” jamais perguntou a ela quais são os nazistas lá incluídos naquele governo pró-ocidente. O NYT mente].

Putin e o ocidente estão ambos errados. Há neonazistas dos dois lados. O governo de Kiev e os exércitos que lutam no leste da Ucrânia incluem pequena minoria de ultranacionalistas neonazistas. Mas, para os ucranianos pró-Rússia, um só já é demais.

É tudo mentira. A verdade é que o governo de Kiev é controlado por nazistas; e as populações residentes no sudeste da Ucrânia estão fugindo para a Rússia (“caindo nos braços [de urso] de Putin”), na tentativa de escapar dos nazistas protegidos pelo ocidente.

Ilustração da "rePORCAgem" do NY Times acima
Por que há gente que ainda paga para ler esses “noticiários” distribuídos por empresas-imprensa? Todos esses “veículos” são como máquinas de repetição automática de mentiras que nunca mudam: só mentiras sobre as “armas de destruição em massa de Saddam”, o “apoio de Saddam à al-Qaeda”...

Quando começará a campanha de boicote contra as empresas-imprensa e à tal de “mídia”?!

QUANDO COMEÇARÁ A CAMPANHA PARA DEFENDER OS CONSUMIDORES QUE PAGAM PARA OBTER INFORMAÇÃO APROVEITÁVEL E SÓ RECEBEM MENTIRAS E PROPAGANDA DISTRIBUÍDAS PELOS NOTICIÁRIOS E PELO “JORNALISMO” DA IMPRENSA-EMPRESA OCIDENTAL?

Ou talvez os norte-americanos acreditam nesses mentirosos por profissão? Mas, se acreditam... Como é possível que ainda acreditem neles?! Até quando continuarão a acreditar?!





[*] Eric Zuesse é historiador, jornalista investigador e autor. Seu livro mais recente é They're Not Even Close: The Democratic vs. Republican Economic Records, 1910-2010, e CHRIST'S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity.