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segunda-feira, 23 de junho de 2014

ISIL-DAASH e o Califato do Levante: libertar a Palestina?

“Outro lado” é outro lado, ora bolas!

21/6/2014, [*] Franklin LambThe People Voice
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

ISIL/ISIS/DAASH ergue-se em armas e bandeiras
Ninguém precisa ser vidente para compreender que a “Primavera Jihadi” em curso está acelerando os planos e talvez o destino dos islamistas nessa região, com a crescente ajuda de nacionalistas nos vários países, inclusive remanescentes do Partido Baath do Iraque.

Essa é a opinião de mais de uma dúzia de ardentes apoiadores do Estado Islâmico no Iraque e Levante (ISIL) – grupo conhecido localmente pela sigla em árabe DAASH – cujo comando autorizou-me, há seis meses, a entrevistar seus apoiadores, para discutir pontos que o comando considerou pouco precisos em artigo que escrevi sobre ações do DAASH em Raqqa, Síria. Naquele artigo, escrevi que o DAASH estava vendendo tesouros arqueológicos sírios, como estavam vendendo petróleo sírio e, em alguns casos também comida roubada em armazéns, em “leilões” improvisados, ao estrangeiro que oferecesse melhor preço; e que não faltavam interessados.

O “S” final da sigla ISIS tem relação com a palavra “al-Sham”, em árabe, que tem sido usada em vários sentidos, como tradução de “Levante”, “Síria” e, até, “Damasco”. Mas a sigla em árabe, DAASH inclui a expressão “Levante”, que, por sua vez, significa “Leste do Mediterrâneo” e inclui Chipre, Palestina, Jordânia, Síria e o sul da Turquia.

O ISIL, ISIS ou DAASH acaba de anunciar que Raqqa, o único dos 14 governoratos que o grupo controla na Síria é agora a capital de seu emergente “califato” – até agora uma faixa de terra que cobre boa parte do leste e norte da Síria e o oeste e o norte do Iraque. O Emir será o líder e principal estrategista do grupo, sucessor de Abu Mus‘ab Zarqawi, o Dr. Abu Bakr al-Baghdadi.

Xiitas capturados pelo ISIS/ISIL/DAASH em Tikrit
Entre as pessoas que entrevistei longamente há simpatizantes, estudantes de política e da “primavera” islamista na Síria e Iraque, além de uns poucos sujeitos sombrios e discretíssimos que me foram indicados como recrutadores de jihadistas, alguns deles trabalhando para uma dita nova unidade especializada do DAASH, criada no início de 2013, e dedicada exclusivamente à luta contra o regime sionista que ocupa a Palestina. A “Unidade Al-Quds” (ing. AQU) do DAASH trabalha atualmente para ampliar sua influência nos mais de 60 campos de concentração de palestinos de Gaza, por toda a Palestina Ocupada, até a Jordânia, e do Líbano ao norte da Síria. Em toda essa área, eles trabalham para obter apoio para a ação de libertar a Palestina, que está em preparação.

O grupo DAASH acredita, conforme me disse um de seus mais conhecidos e respeitados intelectuais e professores-conselheiros, que a Ummat al-Islamiyah (Comunidade Islâmica), passou a apoiar a ação armada do DAASH. Foi também o que me disse, dia 18/6/2014, um funcionário do Foreign Office dos EUA: que a Casa Branca estima que aproximadamente 6 milhões de sunitas iraquianos apoiam o DAASH. O apoio exclui a obsessão sectária, os hábitos e práticas antissociais e a violência desmedida no território sob controle do DAASH. Mas a organização islamista crê que hoje conta com massivo apoio regional para uma “revolução dos oprimidos” em rápida expansão na região. Grande número de pessoas nessa região parecem, sim, apoiar os sucessos do grupo, apesar de rejeitarem a história de brutalidade – que me foi “explicada” como ação com objetivos políticos imediatos.

Os intelectuais do DAASH contam com que, com o tempo, a opinião pública recuperará a notável história do movimento, desde 2003, quando Abu Mus’ab Zarqawi saiu da prisão na Jordânia e partiu para o Afeganistão, onde ganhou notável experiência e a confiança de Osama Bin Laden, e então entrou no Iraque, para sua luta de Jihad contra os EUA.

ISIS/ISIL/DAASH crê que mulheres devem estar permanentemente cobertas
O DAASH parece estar usando apelos sectários no Iraque e Síria, mais ou menos como fez Zarqawi, quando teve de enfrentar a crescente milícia xiita, imediatamente depois da invasão e ocupação do Iraque pelos EUA.

Mas os apoiadores do DAASH dizem que, hoje, o grupo já recebeu o reforço de mais de uma dúzia de grupos sunitas – como o Exército da Ordem Naqshbandi. Esse grupo, JRTN em árabe, e como é conhecido localmente, foi criado em 2007 imediatamente depois da execução de Saddam Hussein, e é formado de oficiais leais ao governo de Saddam Hussein, inclusive oficiais de inteligência e soldados dos seus Guardas Republicanos. Se essa aliança entre o DAASH e o JRTN sunita se mantiver e fortalecer-se, os sunitas contribuirão com milhares de combatentes que têm raízes sociais profundas e vigorosas na comunidade.

Um membro do JRTN com quem conversei me disse:

Com os muçulmanos sunitas sob o mesmo teto, o DAASH pode resolver suas diferenças sobre modos de interpretar o Islã entre diferentes grupos da mesma Ummah. Mas, antes de tudo, precisamos da vitória, que nos dará o que todos desejamos e buscamos. Depois, se nossos parceiros Baathistas decidirem que querem ser guardiões seculares do nacionalismo árabe sunita, a questão poderá ser discutida. Mas terá de ser depois.

Exército Naqshbandi (JRTN)
A página oficial do Exército Naqshbandi (JRTN) apresenta uma conclamação à irmandade de todos os grupos, datada de 1/1/2014:

A todos nossos irmãos e famílias de todas as tribos e facções, aqui declaramos: vocês não estão sós nesse campo de batalha.

O grupo DAASH insiste que já está menos ativo na matança de todos que trabalhem para o governo da Síria ou do Iraque, inclusive dos coletores de lixo, prática bárbara que alienou a população sunita; e que o número de apoiadores vem crescendo desde que começaram a oferecer serviços sociais essenciais, já como ação de um proto-Califato.

São os sionistas que nos chamam de mascarados e assassinos sociopatas. Mas somos diferentes disso e muito mais complexos e muito mais representativos dos grupos de querem justiça, do que nos pintam. Seríamos talvez mais bárbaros, mais assassinos mais sociopatas, que os terroristas sionistas que promoveram os massacres de Dier Yassin, duas vezes em Shatila em Qana, e mais dúzias e dúzias de outros massacres? Depois que libertarmos a Palestina, a história nos julgará.

Há alguns anos, a CIA e outras entidades estimavam que a ocupação sionista na Palestina entraria em colapso em menos de uma década. Essa semana, membros do grupo DAASH me disseram que podem completar o serviço em 72 meses.

Sobre os eventos que cercam a tomada de Mosul e outras exibições-shows de brutalidade de massa que as televisões e as mídias sociais divulgaram, o ISIL/ISIS diz que são ações de guerra, feitas com um propósito, o mesmo que outros atores estatais e não estatais têm buscado ao longo da última década: levar 90% dos 1,5 bilhão de muçulmanos sunitas a se libertarem da opressão que 10% de muçulmanos xiitas lhes impõem.

Jihadistas do ISIL/ISIS/DAASH queimam cigarros, proibidos por Alá  
Ouvi várias razões pelas quais os palestinos devem manter viva a esperança de que o ISIL/ISIS conseguirá a vitória a favor da causa deles, onde todos os ditos apoiadores de alguma Resistência, árabes, muçulmanos e ocidentais, fracassaram horrivelmente e sempre acabaram por favorecer o regime dos ocupantes sionistas, aterrorizando ainda mais a Palestina.

Todos os países nessa região estão jogando a carta sectária como antes, por muito tempo, jogaram a carta Palestina. A diferença é que o ISIL/ISIS é sério sobre a Palestina, e os outros grupos jamais foram. Telavive cairá tão rapidamente quanto caiu Mosul, quando chegar a hora – disse-me um apoiador do grupo DAASH.

Outro senhor completou:

(...) o DAASH lutará onde ninguém mais quer lutar.

Todo o ISIL/ISIS parece desprezar o regime sionista e seu exército, e parece disposto a dar-lhes combate em futuro próximo, apesar das armas nucleares que os sionistas têm.

E o senhor pensa que não temos acesso a equipamentos nucleares? Os sionistas sabem que temos, e se soubermos com certeza que os sionistas preparam-se para usar as armas deles, não hesitaremos em atacar primeiro. Depois que os sionistas partirem, a Palestina terá de ser descontaminada e reconstruída, como já se fez em áreas onde houve dispersão de elementos radiativos.

Giorgio Lingua
Apoiadores do DAASH dizem que o grupo tem procurado líderes tribais e outros notáveis locais e todos têm discutido as diferenças que os separam e procurado os conselhos tribais. O DAASH diz que conta com o apoio da Igreja Católica Romana, e que, quando Mosul foi capturada semana passada, eles não agrediram moradores cristãos, nem suas igrejas. Nisso receberam o apoio do arcebispo Giorgio Lingua, núncio apostólico (enviado do Papa) no Iraque, que disse a veículos de imprensa essa semana:

Os guerrilheiros que estão no controle em Mosul até agora não cometeram nenhuma violência nem qualquer depredação contra igrejas católicas naquela área.

Vai-se tornando bem claro para seguidores do DAASH com quem conversei, que eles entendem que o grupo construiu administrações locais bem organizadas nas áreas sob seu controle, incluindo o sistema judicial de corte islâmica e forças policiais locais não hostis, a favor da segurança e da saúde pública. Também é evidente que, para essas pessoas, o DAASH agiu acertadamente ao fechar lojas que revendiam alimentos estragados nos souks e supermercados, destruir estoques de cigarros e punir com pena de chicoteamento indivíduos que maltratassem os próprios vizinhos, além de confiscar remédios falsificados e das sentenças de morte por apostasia.

Apoiadores do DAASH dizem que, tão logo uma determinada região é “libertada”, eles começam a investir nos serviços públicos (como no novo souk em Raqqa), instalam novas linhas de eletricidade e dão início a sessões de treinamento para ensinar as pessoas técnicas de faça-você-mesmo, para que as próprias pessoas possam cuidar mais rapidamente de reconstruir a infraestrutura da região onde vivam e a própria casa. O DAASH tem divulgado que tem conseguido pôr em prática um programa de recuperação de ruas e estradas, já repôs em circulação um sistema de ônibus públicos de baixo custo para os usuários, criou um programa “verde” para reconstruir praças e plantar árvores e flores, ajuda os agricultores nas colheitas e mantém uma organização sustentada por doações (zakat) de caridade.

Brigadas xiitas de Muqtada al-Sadr desfilam em Bagdá (21/6/2014)
O ISIL já estabelecera grande número de escolas religiosas para crianças, inclusive para meninas, onde estudam o Corão e recebem prêmios em competições de recitação, ao mesmo tempo em que também oferecem “dias de diversão” para os mais pequenos, com sorvete à vontade para todos e brincadeiras. Para os mais velhos, o ISIL mantém escolas de formação para novos imãs e pregadores. Nas mesquitas, divulgam-se os horários das aulas de estudo do Corão e das orações. Desenvolvimento mais preocupante que esses é que o ISIL também mantém campos de treinamento e instrução para escoteiros (soldados mirins).

Vários veículos das mídias sociais e algumas testemunhas oculares confirmam que o grupo DAASH desenvolve efetivamente seus programas de bem-estar e saúde pública, opera fábricas de pão e distribui frutas e legumes gratuitos a famílias necessitadas, entregando os bens a quem os procure e, também, mediante um restaurante gratuito que fornece comida em Raqqa e uma agência de adoção, que encontra famílias dispostas a acolher os órfãos nas áreas onde vivam.

Diferente dos Talibã e outros regimes que se opõem com fúria paranoica a campanhas de vacinação, o grupo DAASH diz-se mais “moderno” e promove ativas campanhas de vacinas contra pólio em suas áreas, na luta para deter a dispersão da doença.

Os serviços sociais oferecidos pelo grupo DAASH obviamente não diminuem a violência mortal que seus militantes espalham por onde passam, mas sugerem que o grupo tem projeto social e que foi sensível aos interesses e preocupações da população de sunitas que se sentem oprimidos por governos de xiitas. Segundo um parente de al-Bagdadi, quase meio bilhão de dólares foram apreendidos do Banco Central de Mosul esse mês, para ajudar na campanha pela opinião pública e para corrigir “as informações distorcidas que a mídia comercial distribui”.

O DAASH parece estar trabalhando na linha-clichê segundo a qual em qualquer guerra metade de tudo que se ouve/lê são mentiras ou boatos. O grupo condena o projeto de vários canais de televisão por satélite; diz que absolutamente não noticiam os fatos com objetividade, e só fazem distribuir rumores com viés sectário, precisamente para promover cada vez mais guerra sectária. (Nisso, parecem acertar em cheio).

Apoiadores do grupo DAASH com os quais falei negam qualquer interesse em organizar ou treinar combatentes estrangeiros para atacar na Europa ou noutros pontos; dizem que seu objetivo é estabelecer um Califato do Levante e libertar a Palestina.

Voluntários xiitas apresentam-se para lutar contra o ISIS/ISIL/DAASH - 21/6/2014
Sobre como, precisamente, o DAASH planeja libertar a Palestina, o Iraque – e, agora, também o governo Obama – já têm em mãos uma enciclopédia de informação sobre planos detalhados e táticas do DAASH – que serão discutidas com os ocupantes sionistas, segundo informação que recebi por e-mail, de funcionário do Congresso dos EUA. Ao que já se sabe, os suicidas-bomba (grandes números de voluntários sem treinamento militar, que se movimentem a pé e com coletes explosivos, ou dirijam carros-bomba), parece ser só a ponta de um iceberg gigante do que o DAASH planeja.

Quem descobriu aquela “enciclopédia” de informações sobre o DAASH foi a inteligência iraquiana, menos de 48 horas antes da queda de Mosul. Ao que se sabe, os iraquianos prenderam um importante mensageiro do DAASH o qual, sob tortura, entregou mais de 160 pen-drives com grande quantidade de informação, a mais detalhada já encontrada sobre o DAASH. A inteligência dos EUA ainda trabalha para decodificar e analisar o material.

Como se podia adivinhar que aconteceria e aconteceu, no instante em que essa informação chegou ao Congresso, a deputada e agente israelense Ileana Ros-Lehtinen, ex-presidente da Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara de Deputados dos EUA, e seus parceiros no AIPAC passaram a tentar obter cópias dos documentos para enviá-las à Embaixada de Israel e ao Mossad. O que se diz no Congresso é que o governo Obama tem interesse em discutir as informações com Israel, mas ainda não deu qualquer sinal de querer partilhar qualquer informação com o governo de Netanyahu.

Só o tempo dirá se o DAASH alcançará ou não seus objetivos. Muitos creem que, se conseguirem expulsar da Palestina o regime sionista, o grupo islamista conseguirá despertar e pôr em movimento correntes históricas profundas que, com certeza, serão muito diferentes da fantasia criada por Ehud Omert-Condeleeza Rice, de um “Novo Oriente Médio”.

Aconteça o que acontecer, é pouco provável que Iraque, Síria, Iêmen, Líbia, Líbano, dentre outros países da região, venham algum dia a se assemelhar ao que George Bush & Dick Cheney tinham em mente, e seus conselheiros neoconservadores ainda ativos ainda têm, quando batiam tambores-de-guerra a favor de os EUA invadirem Iraque e Líbia e, novamente querem mais guerra, agora, contra Síria e Irã.
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[*] Franklin Lamb foi advogado-assistente do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA e professor de Direito Internacional na Northwestern College of Law, Portland,Oregon. Obteve seu diploma de Direito na Boston University, sua pós graduação (LLM), mestrado (M.Phil) e doutoramento (Ph.D). na London School of Economics. Ele está atualmente residindo em Beirute e Damasco. Depois de 3 anos advogando no Tribunal de Haia, tornou-se professor visitante na Harvard Law School’s East Asian Legal Studies Center, onde se especializou em Direito chinês.Ele foi o primeiro ocidental admitido pelo governo da China visitar a famosa prisão de “Ward Street”, em Xangai. Lamb está atualmente pesquisando no Líbano e trabalhando com aPalestine Civil Rights Campaign-Lebanon e a Sabra-Shatila Foundation. Seu novo livro,The Case for Palestinian Civil Rights in Lebanon, será lançado em breve.



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Hilária e o Lobby: E os Clintons? Porão a pique a reaproximação EUA-Irã?

13-15/12/2013, [*] Franklin Lamb (de Beirute), Counterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Bill e Hilária Clinton em tempos de... Monica Lewinsky
Sim, se puderem, e mancomunados com o lobby sionista nos EUA, talvez consigam. Os sionistas estão atualmente ardendo de desejo de financiar e promover o mais novo projeto dos Clintons, segundo fontes de New Orleans próximas do marketeiro político James Carville, veterano de três campanhas presidenciais de Clinton e duas de Obama. Carville jurou recentemente, bebendo com amigos em seu bar favorito do French Quarter, que cansou do trabalho de “gigolô dos Clintons”. E que hoje “realmente admira o atual presidente”.

Mas Bill não cansou nem chegou, de/a coisa alguma.

Apesar do patrimônio dos Clinton, agora estimado em dezenas de milhões de dólares, e que continua em rápida expansão desde os dias de Casa Branca, o ex-presidente, dizem as notícias, anda mal-humorado e rabugento.

Posto em versão muito simples, o problema de Bill tem a ver com seu planejado “terceiro ato” na vida. O Clinton precisa de que A Clinton volte ao Salão Oval, que, na opinião do O, pertence a ele. Mas A anda cansada e lamenta que não quer, mesmo, passar por outra temporada cruel e humilhante (palavra dela) de campanha presidencial. Somando-se à pressão em casa, há também o fato de que a campanha eleitoral de 2016 está começando, com os aspirantes à Casa Branca já esvoaçando em torno de Iowa e New Hampshire e com miríades de novas caras lançando seus “balões de ensaio”.

A Sra. Clinton, dizem as notícias, está ouvindo súplicas e suspiros do marido, no sentido de que ela tem de focar-se em conseguir ser eleita em novembro de 2016, que ele a ajudará muito. Se tudo sair como o esperado, o nome dA Clinton estará na papelada da Casa Branca, mas O comandará o show até 2024 “detrás das cortinas, e será o faz-tudo nos quintais dos EUA” – segundo ex-membro do Comitê Nacional Republicano, do qual esse observador que vos escreve foi colega quando nós dois éramos membros do Comitê Nacional Democrata do Oregon, há muitos anos.



Há vários problemas que começam a vir à tona, alguns, parece, não antecipados, com o plano cuidadosamente e sabidamente arquitetado pelo ex-presidente. Um dos maiores problemas, pelo que se vê, é o presidente Obama. “Barack parece ameaçar quebrar o modelão do negro cabisbaixo e subserviente, e aparece todo arrogância e radicalismo, a fazer coisas nas quais diz que acreditava desde criancinha, mas escondeu até o último mandato” – segundo a mesma fonte. A história dos EUA revela muitas metamorfoses semelhantes, de presidente “pato-manco” derrubado um passo antes de alcançar os objetivos de segundo mandato. Obama parece a postos para lutar pelos dele.

Barack Obama (relax)
Como tem dito cada vez mais frequentemente em conversas privadas com amigos no Congresso, Barack Obama quer extrair os EUA, pelo menos em parte, do pesadelo do Oriente Médio; pôr fim a mais de uma década de guerras criminosas; falar a verdade sobre a falsa “guerra ao terror”; reduzir o financiamento; e até rasgar pelo menos parte dos véus que, nos EUA e na ONU, dão cobertura política ao regime sionista que ainda ocupa ilegalmente a Palestina. E deseja apaixonadamente “reconstruir a escola, o sistema de saúde e a infraestrutura pseudo norte-americanista” – como meu informante destacou numa de suas aparições ao lado do indicado dos Republicanos à presidência, Mitt Romney, pouco antes do sucesso maior que o esperado de Obama, na noite das eleições.

O principal problema é que os Republicanos não parecem estar muito conectados com os eleitores e ainda têm muito a fazer para capitalizar os fracassos de Obama. O campo dos Clintons vê o legado pelo qual Obama se empenha tanto como fatal às suas chances, no mínimo porque Obama não esconde de ninguém que detestou o obstrucionismo de Telavive durante as “negociações de paz”, o qual, dizem muitos, acabou de convencer Obama de que é complô para roubar mais terra palestina e minar qualquer possibilidade real de que chegue a haver um estado palestino viável.

O que se diz é que os Clintons estão convencidos de que se Obama se desgarrar do establishment de Washington e voltar às ideias de sua nada convencional mãe – estudante ativista, pelo multiculturalismo, que não só defendeu plena igualdade de gênero e de raça, mas casou-se com um africano, nesse caso a direita norte-americana e o lobby sionista se organizarão para pôr um Republicano na Casa Branca.

Um operador político que habita a colina do Capitólio e que segue de perto a política da presidência diz que, nas últimas semanas, uma questão passou a simbolizar as metas do governo Obama e todo o potencial legado de seus dois governos: a restauração de alguma espécie de normalização das relações entre EUA e Irã.

John Kerry, potencial candidato, ele mesmo, à Casa Branca em 2016, é nome que pode vir a ganhar muito, nas urnas, pelo papel que tenha nesse processo, uma vez que suas ideias estão cada dia mais bem sincronizadas com a opinião pública dos EUA – 80% da qual, segundo pesquisas recentes, é a favor de normalizarem-se as relações com o Irã.

Para O Clinton e sua equipe, não são boas notícias. Muito menos, para o lobby sionista no Congresso que sempre, inalteravelmente, vota pelos interesses de Israel, sempre acima das necessidades e desejos de seus próprios eleitores. Por essa razão, Telavive saiu com força total para forçar o Congresso a impor mais sanções contra o povo do Irã e para elevar as barreiras de contenção contra a iniciativa Obama-Kerry. Essa semana, fracassaram novamente na tentativa de afogar as esperanças de melhores relações com o Irã, por mais que tenham tentado, e não conseguiram fazer valer ameaças de que obrigariam o governo de Rouhani em Teerã a sair do jogo. Mas fizeram avançar algumas sanções políticas, que continuam a massacrar a população civil da República Islâmica, na esperança de assim inflar movimento de rua por “mudança de regime”, dados os altos preços dos alimentos e a falta de remédios para doenças crônicas.


Alguns do cast de atores que surgem em cena com a regularidade de figurantes da Broadway, quando convocados pelo AIPAC – senadores Eric Cantor, Mark Kirk, Ed Royce, Elliot Engel, Robert Menendez, Michael McCaul, o deputado Brad Sherman dentre outros, não conseguiram desmontar os argumentos de John Kerry no final dessa semana, no Congresso, que pediu mais tempo para ver o que acontece nos próximos seis meses. O senador desse observador que lhes escreve no 5º Distrito de Maryland, cuja equipe jura que todos ali lêem CounterPunch e meus dois dedos de coluna, falou grosso e deixou o lobby pendurado na brocha, em seus esforços para abortar a iniciativa da Casa Branca. É possível que os tempos estejam mudando – embora tardiamente, nesse jogo do relógio.

John Kerry
por Bob's
Kerry uniu-se a Obama na decisão da Casa Branca de atacar empresas de petróleo e de transporte acusadas de ajudar o Irã a infringir sanções econômicas – movimento que surgiu quando a Casa Branca parecia estar ganhando terreno na luta para impedir que o Congresso aprovasse sanções ainda mais duras que poriam em risco as conversações nucleares com a República Islâmica. “Continuaremos a agir contra empresas que violem ou tentem violar nossas várias sanções contra o Irã” – disse David S. Cohen, subsecretário do Departamento do Tesouro para terrorismo e inteligência financeira, ao Congresso, essa semana. “Que ninguém se engane: o Irã continua fora, para a maioria das transações bancárias e de petróleo”, disse Cohen.

As sanções contra empresas asiáticas, europeias e iranianas foram anunciadas momentos antes de dois altos especialistas em Irã falarem num painel do Senado, alertando para o risco de a imposição de sanções mais duras pôr a perder qualquer chance de acordo final com o Irã sobre limitações permanentes ao programa nuclear daquele país. Sabe-se que a Casa Branca gostou muito do timing, que ajudou a fazer gorar o projeto sionista.

No final da semana, segundo ex-assessora que diz que deixou a política, o que se ouvia no campo dos Clinton é que Bill parece ter concluído que A Clinton não chegará ao Salão Oval, sem a luz verde (como dólares) de Telavive.

Apesar de eu ter apoiado Jerry Brown na Convenção dos Democratas de 1992 em New York e de ter permanecido com ele, contra pesadíssimo lobbying que me aplicou O Clinton, eu até que gosto dele. O trabalho humanitário que faz ajuda muita gente e ele deve dedicar cada vez mais tempo a esse trabalho. Quanto à Clinton, ela disse a Katie Couric recentemente que o que realmente mais deseja é um neto ou neta para mimar. Que fique nisso.
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[*] Franklin Lamb foi advogado-assistente do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA e professor de Direito Internacional na Northwestern College of Law, Portland, Oregon. Obteve seu diploma de Direito na Boston University, sua pós graduação (LLM), mestrado (M.Phil) e doutoramento (Ph.D). na London School of Economics. Ele está atualmente residindo em Beirute e Damasco. Depois de 3 anos advogando no Tribunal de Haia, tornou-se professor visitante na Harvard Law School’s East Asian Legal Studies Center, onde se especializou em Direito chinês.Ele foi o primeiro ocidental admitido pelo governo da China visitar a famosa prisão de “Ward Street”, em Xangai. Lamb está atualmente pesquisando no Líbano e trabalhando com a Palestine Civil Rights Campaign-Lebanon e a  Sabra-Shatila Foundation. Seu novo livro, The Case for Palestinian Civil Rights in Lebanon, será lançado em breve.

domingo, 3 de novembro de 2013

A Casa Branca aliviará as sanções contra a Síria

1/11/2013, [*] Franklin Lamb, Countercurrents.org
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Depto do Tesouro dos EUA - Gabinete de Controle de Ativos Financeiros
Damasco. Espera-se para meados de novembro mais alívio nas sanções contra a Síria, segundo o pessoal do Gabinete de Controle de Ativos Financeiros [orig. Office of Financial Asset Control (OFAC)] do Departamento do Tesouro dos EUA.

Putin pressionar Obama é parte do “preço” a ser pago pelos EUA em retribuição ao que a Rússia fez, quando “resgatou” o presidente dos EUA, cuja “linha vermelha” das armas químicas transformou-se, de praticamente nada, num albatroz gigante. Mas há outra razão para o afrouxamento: a Casa Branca entende que tem de dar a conhecer a Damasco que há possibilidade de melhores relações, e até, talvez, de alguma cooperação; que essas possibilidades não estão mortas e enterradas, apesar dos 32 meses de crise na República Árabe Síria.

Esse segundo relaxamento das sanções mostrará mais equilíbrio e neutralidade que o primeiro, de junho passado, que foi interpretado como de apoio à ajuda que sauditas e monarquias do Golfo davam aos “rebeldes” e para enfraquecer o governo Assad, exatamente no momento em que o Exército Sírio começava a ganhar terreno na guerra contra os “rebeldes”. Naquele momento, foram liberadas algumas licenças para exportar determinados bens relacionados à reconstrução da infraestrutura em áreas controladas, então, pelos “rebeldes”. Especificamente, o OFAC sinalizou que aceitaria pedidos de licença para mercadorias, tecnologia e softwares relacionados ao abastecimento de água e a serviços sanitários, à produção agrícola e ao processamento de alimentos, à geração de energia, à produção de petróleo e gás, à construção e engenharia, aos transportes e à infraestrutura educacional. As áreas mais beneficiadas seriam áreas que, então, estavam sob controle dos “rebeldes”.

Deliberação sobre sanções contra a Síria

Da esquerda para a direita: o líder da maioria no Senado Whip Durbin (D-IL); a assistente de Segurança Nacional, Susan Rice; o porta-voz da Casa Branca, Boehner (R-OH); o presidente Obama; a líder da minoria no Congresso Pelosi (D-CA) e o líder da minoria no Senado, McConnell (R-KY)
Não que alguém esteja duvidando do profundo espírito patriótico dos setores do Departamento do Tesouro dos EUA que mais ferozmente tendem a favor dos sionistas, e que mandam os cidadãos dos EUA “consultar nossa página de “Questões mais frequentes” [orig. Frequently Asked Questions (FAQ)] “para encontrar respostas às suas insistentes dúvidas sobre como as sanções aplicadas à Síria e ao Irã são importantes para as famílias e os negócios de vocês”.

Mas não será trabalho fácil, dada a obsessão para dar ares “legais” aos textos das sanções.

Há atualmente três tipos de sanções impostas contra a Síria pelo governo dos EUA. A sanção mais ampla, chamada “Lei de Transparência para a Síria” [orig. Syria Accountability Act (SAA)] de 2004, proíbe a exportação para a Síria da maioria das mercadorias que contenham mais de 10% de partes manufaturadas nos EUA. Outra sanção, resultante da “Lei Patriota dos EUA” [orig. USA Patriot Act], foi aplicada especificamente contra o Commercial Bank of Syria, em 2006. O terceiro tipo de sanções inclui várias Ordens Executivas, do presidente, que especificamente negam a alguns cidadãos e entidades sírias acesso ao sistema financeiro dos EUA, por uma sua alegada participação na proliferação de armas de destruição em massa, associação com a Al-Qaeda, os Talibã ou Osama bin Laden; ou por atividades de desestabilização no Iraque e no Líbano.

Lei “Transparência para a Síria e Devolução da soberania ao Líbano” [orig. Syria Accountability and Lebanese Sovereignty Restoration ACT, SAA]

Em maio de 2004, o presidente assinou a Ordem Executiva n. 13.338 que implementou a lei “Transparência para a Síria e Devolução da Soberania ao Líbano” [orig. Syria Accountability and Lebanese Sovereignty Restoration ACT, SAA], que impõe uma série de sanções contra a Síria por seu apoio ao terrorismo, envolvimento no Líbano, programas de armas de destruição em massa e participação na desestabilização do Iraque.

Além disso, o documento do Departamento do Tesouro indicava que o OFAC consideraria caso a caso os pedidos que lhe fossem encaminhados, para permitir alguns serviços no setor agrícola, da indústria de telecomunicações síria, garantindo melhor acesso para os cidadãos à Internet; e algumas transações de petróleo, que beneficiassem as forças “rebeldes” também foram autorizadas. O OFAC também revisou a Syria General License 11, que foi substituída por uma General License 11A, que autorizava algumas ONGs a participar de atividades para preservar a herança cultural síria, incluindo museus, prédios históricos e sítios arqueológicos.

Assad pede ajuda para que sejam levantadas as sanções contra a Síria
O novo passo, no processo de levantar as sanções, que se supõe que venha a ser anunciado mês que vem, ajudará o governo Assad, porque se espera que sejam reduzidas as proibições relacionadas a transações bancárias internacionais e a proibições de comerciar. Ao mesmo tempo, funcionários dos EUA estão discutindo com seus “parceiros” russos uma lista de propostas para reconhecer o direito do povo sírio de votar livremente nas próximas eleições, sem que os EUA possam impor a condição de que o processo de “transição para a democracia” só comece depois da renúncia do presidente Bashar Assad.

Além disso, a Casa Branca está sinalizando para os líderes no Congresso, em voz tão alta que o mundo já ouviu, que a ideia do presidente Obama de ampliar o fornecimento de armas para os “rebeldes” sírios sempre foi muito mais limitada do que a mídia alardeou. De fato, o aceno – que se lê em alguns itens da Lei de Controle da Exportação de Armas [orig. Arms Export Control Act] – autoriza apenas específicas transferências exclusivamente para membros “aprovados” da oposição e para ONGs na Síria. Os itens de defesa a serem fornecidos são descritos como os “necessários para conduzir operações na Síria ou relacionadas à Síria, ou para impedir a preparação, o uso ou a proliferação das armas químicas sírias”. Quem será responsável por “aprovar” os tais membros da oposição que poderão receber armas não foi especificado, nem os itens aparecem detalhados na lei. Mas, muito significativamente, a Casa Branca tem dito que essa não é uma lei geral, e aplica-se a uma única e específica transação.

Hoje, as empresas fornecedoras de armas para a Defesa já não têm licença em branco para embarcar o que bem entenderem para a oposição síria. Isso, porque a Seção 40(g) da Lei de Controle da Exportação de Armas (22 USC § 2780 g), especificamente dá ao presidente autoridade para suspender a execução de uma autorização do Congresso, numa específica transação, no caso de o presidente entender que a suspensão seja “essencial para a defesa dos interesses da segurança nacional dos EUA”, devendo o presidente informar ao Congresso sobre sua decisão (a lei manda o presidente determinar ao Secretário de Estado que informe ao Congresso).

A mais forte oposição contra os planos da Casa Branca para aliviar as sanções que atingem civis sírios vem, como sempre, do lobby sionista no Congresso dos EUA. Os apoiadores de Israel no Congresso querem impedir qualquer alívio nas sanções impostas pelos EUA – primeiro contra o Irã, depois contra a Síria. Está para começar uma reunião de dois dias, em Viena, entre especialistas do grupo P5+1 (EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha) e seus contrapartes iranianos, na qual se discutirão detalhes técnicos relacionados ao programa nuclear do Irã e as sanções internacionais. Essa reunião ajudará a traçar o plano para a próxima rodada de negociações diplomáticas, marcada para acontecer em Genebra, nos dias 7-8 de novembro, e já se prevê que a Casa Branca aceitará as propostas de Rússia e União Europeia, no sentido de dar um sinal de boa fé recíproca a Teerã, levantando algumas das sanções que atingem civis no Irã.

Reunião de Genebra: P5+1 (EUA, Inglaterra, França, Rússia, China + Alemanha) e Irã 
Apesar de o P5+1 e Teerã terem concordado em manter secretos os conteúdos das discussões, o objetivo geral dessas conversações é conseguir que o Irã reduza sua capacidade para enriquecer urânio e outras atividades nucleares, em troca de um alívio no regime de sanções que está estrangulando a economia iraniana. Estão em discussão os meios para verificar o cumprimento das concessões que o Irã faça e o sequenciamento de qualquer redução nas sanções.

No início dessa semana já se viam sinais de progresso, em comentários feitos depois de conversas em separado entre o Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica. Num raro comunicado conjunto, os dois lados declararam as conversas “muito produtivas” – notável diferença em relação a onze reuniões semelhantes em anos recentes, em nenhuma das quais se viu qualquer progresso na conciliação do que a AIEA chamou de “possíveis dimensões militares” do programa nuclear iraniano. O recente comunicado conjunto indica também que um documento discutido em reuniões passadas foi posto de lado, e que se adotou abordagem nova.

Por mais ansioso que esteja, à espera que as negociações sejam bem-sucedidas, o governo Obama também ecoou o argumento do lobby sionista segundo o qual “nenhum acordo é melhor que um mau acordo”. A questão é que, se essas conversações falharem, o apoio internacional às sanções também começará a ruir, o que reduzirá ainda mais a capacidade de alavancagem dos EUA.

O mundo assiste a essa movimentação, sobretudo os aliados dos EUA na Europa e na Ásia, mas também “amigos” regionais como a Jordânia, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita. Embora já claramente interessada em levantar algumas das sanções contra a Síria e o Irã, a Casa Branca ainda enfrenta rígida oposição de Telavive e de Riad, e ambos esses governos têm criticado os EUA por não tomar decisões firmes na Síria e por uma atitude vista como conciliatória em relação ao Irã.

O secretário de Estado John Kerry, dizem as notícias, continua empenhado em continuadas conversas com funcionários sauditas-israelenses, tentando acalmar neles uma angústia sempre crescente.
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[*] Franklin Lamb foi advogado-assistente do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA e professor de Direito Internacional na Northwestern College of Law, Portland,Oregon. Obteve seu diploma de Direito na Boston University, sua pós graduação (LLM), mestrado (M.Phil) e doutoramento (Ph.D). na London School of Economics. Ele está atualmente residindo em Beirute e Damasco. 
Depois de 3 anos advogando no Tribunal de Haia, tornou-se professor visitante na Harvard Law School’s East Asian Legal Studies Center, onde se especializou em Direito chinês.Ele foi o primeiro ocidental admitido pelo governo da China visitar a famosa prisão de “Ward Street”, em Xangai. Lamb está atualmente pesquisando no Líbano e trabalhando com a Palestine Civil Rights Campaign-Lebanon e a Sabra-Shatila Foundation. Seu novo livro, The Case for Palestinian Civil Rights in Lebanon, será lançado em breve.