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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

NSA, GCHQ mapeiam “alinhamento político” de usuários de celulares

Novas revelações

28 Janeiro 2014, [*] Eric London, WSWS (World Socialist Web Site)
Traduzido por João Aroldo


Edward Snowden
Nova informação tornada pública por Edward Snowden revela que os governos dos Estados Unidos e Reino Unido estão capturando dados de aplicativos (apps) celulares para acumular dossiês sobre os “alinhamentos políticos” de milhões de usuários de smartphones em todo o mundo.

De acordo com um documento interno da GCHQ (Government Communications Headquarters) – Reino Unido - de 2012, a Agência de Segurança Nacional (NSA) e GCHQ estão acumulando e armazenando centenas de milhões de “cookies” de usuários os rastros digitais deixados em um celular ou computador cada vez que um usuário visita um site a fim de acumular informações pessoais detalhadas sobre as vidas privadas dos usuários.

Isso confirma que o principal objetivo dos programas não é proteger a população contra o “terrorismo”, mas facilitar a repressão estatal da oposição da classe trabalhadora à crescente desigualdade social e contrarrevolução social. Os programas não visam principalmente “terroristas”, mas os trabalhadores, intelectuais e estudantes.

A coleta de dados referentes ao “alinhamento político” dos usuários de celulares também sugere que os governos dos EUA e do Reino Unido estão mantendo listas daqueles cujos “alinhamentos políticos” são motivo de preocupação para o governo. Revelações anteriores demonstraram como a NSA e a GCHQ “marcam” alguns “suspeitos” para vigilância adicional: a revelação mais recente indica que os suspeitos são “marcados” pelo menos em parte, com base em seu “alinhamento político”.

A justificativa legal por trás deste processo aponta para um crescente movimento para criminalizar o pensamento político nos EUA e no Reino Unido.

Se, como as revelações indicam, determinar o “alinhamento político” de um usuário é o principal objetivo deste programa, então isso também é, provavalmente, um fator para determinar se o governo tem uma “suspeita razoável articulada” de que o usuário é um “suspeito de terrorismo”. Se este for o caso, os sites que um usuário visita pode elevar o nível de suspeita do governo de que o usuário está envolvido em atividade criminosa, e pode, assim, fornecer ao governo o pretexto pseudolegal necessário para desbloquear o conteúdo de todos os seus telefonemas, e-mails, mensagens de texto, etc..

Constituição dos EUA
Tal raciocínio equivaleria a uma violação flagrante tanto da Primeira como da Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Não só a Quarta Emenda protege contra “buscas e apreensões”, mas a Primeira Emenda também proíbe o governo de monitorar indivíduos com base em suas crenças políticas. A eliminação de um direito democrático tão fundamental seria um passo perigoso para a imposição de uma ditadura de estado policial.

O novo relatório também detalha a profundidade da operação de espionagem de aplicativos de celulares.

Um teste de análise de 2009 “força bruta” realizada pela NSA e GCHQ do que o New York Times descreve como “uma pequena porção de suas bases de dados de celular” revelou que, em um mês, a NSA recolheu dados de celulares de 8.615.650 usuários de celulares. Os dados do teste da GCHQ revelou que em três meses os britânicos haviam espionado 24.760.289 usuários. Expandindo para um ano inteiro, esse dado mostra que em 2009, a NSA recolheu dados de mais de 103 milhões de usuários, enquanto a GCHQ colheu dados de mais de 99 milhões usuários: e isto vem de apenas uma “pequena porção” de dados de um mês!

Eles são coletados em volume, e são atualmente nosso maior tipo de evento - diz um documento vazado.

O programa — chamado em um documento da NSA de “Golden Nugget!”—também permite que os governos recebam um registro de uso do aplicativo Google Maps dos usuários. Essa informação permite que as agências de inteligência rastreiem o paradeiro exato de vítimas de vigilância em todo o mundo. Um gráfico de uma apresentação de slides interna do NSA pergunta: “Onde o meu alvo estava quando eles fizeram isso?” e “Aonde o meu alvo está indo?”.

Entrada do edifício-sede da NSA em Fort Meade, Maryland
Um relatório da NSA de 2007 se gabava de que tantos geodados poderiam ser coletados que as agências de inteligência “seriam capazes de clonar o banco de dados do Google” de todas as buscas feitas através do Google Maps.

Isso efetivamente significa que qualquer pessoa usando o Google Maps em um smartphone está trabalhando em prol de um sistema GCHQ - observou um relatório GCHQ 2008.

A apresentação adicional de material vazado por Snowden mostra que em 2010 a NSA explicou que o seu “cenário perfeito” era “visar o upload de fotos para um site de mídia social feito com um celular”. O mesmo slide pergunta: “O que podemos conseguir?”. A resposta, de acordo com a mesma apresentação, inclui as fotografias do usuário, listas de amigos, e-mails, contatos telefônicos, e “uma série de outros dados de redes sociais, assim como a localização”.

As agências também usam informações fornecidas por aplicativos móveis para ter uma imagem clara da localização da vítima atual, orientação sexual, estado civil, renda, etnia, nível de escolaridade e número de filhos.

A GCHQ tem um sistema de nome de código interno para a classificar sua capacidade de espionar um usuário de celular específico. Os códigos são baseados na série de televisão “Os Smurfs”. Se as agências podem acessar o microfone do telefone para ouvir conversas, o código “Smurf Xereta” é empregado. Se as agências podem rastrear a localização exata do usuário enquanto ele ou ela se move, o código “Smurf Rastreador” é usado. A capacidade de rastrear um telefone que está desligado é chamado de “Smurf Sonhador”, e a capacidade de esconder o software espião é chamado de “Smurf Paranoico”.

Que as agências de inteligência têm códigos de um programa de vigilância orwelliana descaradamente tirados de personagens de um programa infantil é um indicador do desprezo com que a classe dominante vê os direitos democráticos da população mundial.

Além disso, as agências têm rastreado e armazenado dados de uma série de aplicativos de jogo de celular, incluindo o popular jogo “Angry Birds”, que foi baixado mais de 1,7 bilhões de vezes.


O rastreamento de dados de jogos online como “Angry Birds” revela ainda que estes programas não se destinam a proteger a população contra o “terrorismo”. Seria indefensável para a NSA e GCHQ explicar que eles suspeitavam recolher informações sobre ameças iminentes da Al Qaeda de um estúpido jogo de celular.

No entanto, esta é precisamente a forma como a NSA tentou justificar esses programas.

As comunicações de pessoas que não são alvos válidos de inteligência estrangeira não são de interesse para a Agência de Segurança Nacional. Qualquer implicação de que a coleta de inteligência estrangeira da NSA está focada nas comunicações diárias de smartphones ou mídia social de americanos não é verdadeira. Além disso, a NSA não traça perfis diários de americanos, enquanto desenvolve sua missão de inteligência sobre estrangeiros - disse um porta-voz da agência.

Em uma indicação adicional de seu caráter antidemocrático, o governo dos EUA está, portanto, empregando a técnica do “Big Lie”, negando o que acaba de ser provado.

Na realidade, as revelações expuseram ainda mais o discurso do presidente Barack Obama de 17 de janeiro como uma celebração de mentiras.

O presidente disse à nação que os programas de espionagem “não envolvem a NSA examinando os registros telefônicos dos americanos comuns”. Ele também disse que os EUA “não está abusando de autoridade para ouvir as suas chamadas telefônicas privadas ou ler seus e-mails”, e que “os Estados Unidos não está espionando as pessoas comuns que não ameaçam a nossa segurança nacional”.

Ele acrescentou, em referência ao “pessoal” da NSA que “nada que eu aprendi [sobre os programas] indicou que a nossa comunidade de inteligência tem procurado violar a lei ou é inconveniente com as liberdades civis de seus concidadãos”.

Mas há evidências crescentes de que os governos dos EUA e Reino Unido estão compilando informações sobre os “alinhamentos políticos” de centenas de milhões em todo o mundo. Todos os responsáveis por essa campanha antidemocrática, incluindo o presidente Barack Obama, David Cameron, seus assessores, e os líderes dos aparelhos de segurança devem enfrentar processos criminais e a perda imediata do cargo.
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[*] Eric London é editorialista e articulista do Workers Socialist Web Site

domingo, 22 de dezembro de 2013

ASN-EUA: é espionagem econômico-financeira


20/12/2013, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Edward Snowden
Continua a publicação de segredos da Agência de Segurança Nacional dos EUA (ASN-EUA). Guardian, Spiegel e o New York Times noticiam os esforços para ouvir novas conexões por satélite. Foram feitos testes contra uma “base de dados alvo” (partitial), e seus resultados revelam o que contém aquela “base de dados alvo”.

Lá estão organizações internacionais como a UNICEF, organizações não governamentais como Médecins du Monde, altos funcionários da União Europeia, empresas, como a gigante de petróleo Total e a indústria Thales de eletrônica e equipamento militar. Lá estão também muitos chefes de Estado e instituições estatais, além de alguns ditos “terroristas”. Alguns dos números alvos foram obtidos de funcionários dos EUA, que partilharam com a Agência de Segurança Nacional dos EUA seus caderninhos privados de telefones.

A espionagem que a Agência de Segurança Nacional dos EUA faz, de todos os telefones nos EUA, ajudou decisivamente a evitar ZERO casos de ataques terroristas, o que é muito diferente dos 54 casos de que falou a Agência.

A lista real de alvos internacionais tampouco visa, primariamente, a espionar “terroristas”, como diz a Agência. E duvido muito de que vise, principalmente, a espionar políticos ou entidades políticas.

Estou convencido de que, quando se souber mais, saberemos que a maioria dos alvos são entidades econômicas, e que essa é a razão real da tempestade internacional que se está formando contra a espionagem internacional da Agência de Segurança Nacional dos EUA. Observem que o palavreado que a ASN usa, para responder perguntas sobre espionagem econômica e comercial e financeira, é sempre mais elaborado, e inclui mais conversa fiada, sempre que a pergunta surge. 

Antenas da GCHQ (UK) e NSA (USA) instaladas na Cornualia (UK) indicam que ambas as agências de espionagem trabalham em cumplicidade.
Aqui, por exemplo, um trecho da matéria do NYT acima referida:

Em declaração, a ASN negou que algum dia tenha espionado para beneficiar empresas norte-americanas.

“Não utilizamos nossas capacidades e competências de inteligência estrangeira para roubar dados comerciais secretos de empresas estrangeiras em benefício de – nem cedemos inteligência coletada por nós a – empresas norte-americanas, para aumentar a competitividade delas ou ampliar sua área de manobra” – disse Vanee Vines, porta-voz da ASN-EUA.

Mas ela acrescentou que alguma espionagem econômica justificou-se por necessidades da segurança nacional.

Os esforços da comunidade de inteligência para entender sistemas e políticas econômicas, e para monitorar atividades econômicas anômalas, são críticos para prover os políticos com a informação de que carecem para tomar decisões bem informadas que visam ao melhor interesse de nossa segurança nacional” – disse a sra. Vines.

Como alguém algum dia detectará “atividades econômicas anômalas”, se não espiona rotineiramente as atividades econômicas “normais”? Bobagem. A frase enrolada, aí, revela a verdade sobre as reais atividades da Agência.

"Os EUA nos espionam e roubam"

Os documentos examinados também sugerem que a dragnet satélite é provavelmente uma continuação da legendária rede Echelon de vigilância global, que foi objeto de investigação por uma comissão do Parlamento Europeu em 2000.
No relatório final, em 2001, os investigadores europeus apresentaram imensa quantidade de provas de que muita espionagem industrial acontecera através da rede Echelon (...).

Quando a porta-voz da Agência de Segurança Nacional diz “[não] cedemos inteligência coletada por nós a empresas norte-americanas”, a pergunta imediata tem de ser: a quem, então, a Agência entrega a tal inteligência “econômica” e a quem essa entidade (provavelmente a CIA, como no caso dos dados da rede Echelon) entrega aqueles segredos?

Só haverá real pressão sobre políticos não-norte-americanos para que se construam sistemas realmente seguros de comunicação por Internet, quando as empresas, nos vários países, descobrirem que o próprio bem-estar delas depende disso.

Com novas revelações sobre a Agência de Segurança Nacional dos EUA ainda por vir, é muito provável que se veja que o aspecto comercial, econômico, do escândalo da espionagem norte-americana – e a reação das partes que realmente têm muito a perder nesses “negócios” – é uma das principais questões, se não a parte principal, de todo esse affair.




[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como“Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir: