quarta-feira, 2 de julho de 2014

Até onde os russos podem recuar?

1/7/2014, The Saker, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Em memória de Anatolii Klian:
Со святыми упокой, Анатолий, и вечная память!
Que descanse em paz entre os santos, Anatoly. Eterna lembrança.
Балобан
Saker



The Saker
Situação atual: pacote misturado

O noticiário que sai da Novorossia é pacote misturado de razões para manter a esperança e razões para desesperar completamente. A chamada “iniciativa de paz” de Poroshenko ou é mistificação obscena ou, na melhor das hipóteses, é piada bem sem graça: os Ukies continuam a bombardear civis e os atiradores continuam a atirar contra civis todos os dias, e um Kiev aconteceu um grande comício, não para exigir real cessar fogo, oh não, mas para exigir que as hostilidades recomecem com força total!

Quanto aos anglo-sionistas, nem um pouco impressionados pelas várias tentativas de Putin para acalmar a russofobia paranoica deles, estão outra vez ameaçando a Rússia com mais sanções. Por outro lado, há muitos sinais de que o lado da Novorossia vai-se tornando mais forte a cada dia: unidades inteiras mudam de lado, sem disparar um único tiro; as forças especiais da Novorossia parecem ter conseguido tomar o controle de alguns sistemas avançados de mísseis de defesa aérea perto do Donetsk (embora eu ainda não tenha certeza de que aqueles sistemas sejam ou não operacionais); alguém aparentemente “perdeu” na estrada pelo menos três howitzers (que foram imediatamente apreendidos pelas Forças de Defesa da Novorossia) e o número de combatentes voluntários dispostos a defender o Donbass não para de aumentar. Onde dará tudo isso, ainda é cedo demais para dizer: os Ukies já usaram armas químicas e há relatos consistentes de longas colunas de comboios militares dos Ukies entrando no Donbass. Por mais que eu espere, pessoalmente, que os Ukies tenham já alcançado sua capacidade máxima nesse esforço de guerra, nada garante que seja assim, e há ainda possibilidades muito reais de que o “Plano B” de Poroshenko esteja já a caminho: o plano, aparentemente, consiste de um ataque de três braços contra o Donbass: do noroeste (Carcóvia), do oeste (Dnepropetrovsk) e do sul (Mariupol). Combinado a um movimento para fechar a fronteira no leste, esse “Plano B” pode pôr toda a Novorussia sob gigantesco risco.

Mísseis móveis de defesa aérea de Donetsk
Confesso que estou em crise da minha Desordem da Personalidade Analítica Múltipla (DePAM)

Como vocês sabem, sofro de DePAM – “Desordem da Personalidade Analítica Múltipla”: metade de mim simplesmente já não consegue esperar por intervenção militar russa para pôr fim ao massacre Ucro-Nazista na Novorossia; e a outra metade sabe perfeitamente que tal intervenção seria erro. Minhas tripas me dizem “esmague esses bastardos!”; e meu cérebro me diz “não morda essa isca!”.

Ontem à noite, depois de ouvir os noticiários, pus-me a andar de um lado para outro, com o nó no estômago que já se tornou habitual: do lado de fora, uma dúzia de “e se” me atormentavam: e se Putin tiver sido intimidado ou comprado? E se Putin não tiver plano algum? E se situação em que está a Rússia não passar de reflexo de uma liderança russa confusa e com tendências de direita? E se Putin e seus conselheiros tiverem decidido, cinicamente, trocar a Novorossia pela Crimeia? Ou, e ainda pior: a Novorossia, por lucrativos contratos?

A julgar por alguns comentários postados aqui, muitos de vocês parecem estar convencidos de que sou ‘'fã'’ de Putin, que nunca tenho dúvidas sobre ele. Não sabem o quanto se enganam! Tenho dúvidas, tenho até medos, mas tento não deixar que me dominem, porque não acredito que dúvidas e medos sejam ferramentas que ajudem nas análises. Mas àqueles dentre vocês que dizem que Putin não sabe o que faz ou que está vendido, respondo o seguinte: você não têm mais provas disso do que eu, do contrário; e não saberemos quem acerta mais, até que toda essa situação tenha-se desdobrado completamente.

Assim sendo, todos estamos condenados à angústia de ter de esperar. Esperar, enquanto gente inocente continua a ser morta, enquanto os plutocratas da UE recebem com ovação um regime claramente nazista em Kiev, e enquanto Tio Sam faz mais e mais ameaças contra a Rússia todos os dias. Para todos que sincera e realmente se preocupam com o povo de Novorossia esse tipo de espera é terrível tortura psicológica. Acreditem, meu último pensamento antes de dormir e meu primeiro pensamento ao acordar é:

Howitzer do tipo encontrado na Ucrânia
Até onde os russos podem recuar?

Ontem, de repente, dei-me conta de que não é a primeira vez que essa pergunta divide a sociedade russa. Durante a invasão da Rússia pela Europa de Napoleão (dos quase 700 mil soldados que invadiram a Rússia em 1812 só cerca da metade eram franceses: os demais eram de quase todos os demais países europeus, a maioria, alemães e poloneses) a mesma questão dividiu a sociedade russa.

Daquela vez, ambos, o marechal de campo Barclay de Tolly e, depois, o marechal de campo Mihail Kutuzov foram ferozmente criticados pela política de recuar ante os exércitos de Napoleão. Diferente do que se viu durante a IIª Guerra Mundial, quando os soviéticos tiveram de recuar, recuo não planejado, mas forçado por ataque alemão surpreendentemente bem-sucedido, o recuo russo na Guerra de 1812 foi completamente deliberado e, eu diria, lógico.

As coisas ficaram tão ruins, que Barclay de Tolly (escocês étnico) foi acusado de covardia em combate e de ser agente secreto a serviço de Napoleão. Quando o “etnicamente correto” russo Kutuzov (que servira com distinção sob as ordens do mais famoso general russo de todos os tempos, Alexander Suvorov, e cujo patriotismo e coragem não poderiam ser postos em dúvida) foi nomeado para substituir Barclay de Tolly... ele decidiu manter exatamente a mesma estratégia.

Napoleão observa a batalha, próximo de Borodino
De fato, Kutuzov ordenou que o exército russo recuasse até a pequena cidade de Borodino, apenas 120km a oeste de Moscou, antes de enfrentar os exércitos russos numa batalha feroz. O resultado foi o que se pode classificar como mútuo banho de sangue e empate (eu diria uma vitória tática para os franceses, e uma vitória estratégico-operacional para os russos); e Kutuzov recuou ainda mais e deixou Moscou sem disparar um tiro! Arrastado pela húbris e por seu ego avassalador, Napoleão mordeu a isca e entrou em Moscou, à espera de que os russos lhe entregassem as chaves da cidades. Os russos não apareceram e, depois de muito esperar (usando as capelas do Kremlin como estábulos para seus cavalos!), a Grande Armée iniciou o que seria uma terrível retirada de volta a Paris. Dos 690 mil soldados europeus que compunham a força de invasão inicial, só 93 mil sobreviveram (em Berezina, o exército europeu foi praticamente cercado!). Em março de 1814 o exército russo estava acampado em Paris e Talleyrant teve de entregar as chaves da capital francesa ao czar Alexandre I, da Rússia.

Havia mais, nessa estratégia russa de recuo, que apenas o desejo de, literalmente, “negociar territórios, por vidas” ou o desejo de desgastar as linhas de suprimento do inimigo. Os russos aprenderam dolorosamente, dos mongóis, essa estratégia; os mongóis com frequência recuavam ante forças russas, antes de avançar e destruí-las (quase sempre, incendiando a estepe e com manobra de cerco). Na guerra, como no xadrez, a oportunidade em contexto [orig. timing] são fatores cruciais que não podem ser ignorados.

Mas voltando a Barclay de Tolly e Kutuzov, é possível pelo menos começar a imaginar o tipo de angústia que enfrentaram? Foram chamados de traidores, agentes estrangeiros, covardes, por toda a corte (que se mudara para São Petersburgo e lá vivia em perfeita segurança) e, provavelmente, também pela maioria da sociedade russa. Acho que ninguém pode imaginar o tipo de pressão para mudar de estratégia, que Alexandre I, Barclay de Tolly e Kutuzov enfrentaram, sobretudo depois da rendição de Moscou. Pois o tempo comprovou que estavam certos, e o acerto dos seus soberbos instintos estratégicos. Embora não seja coisa que se possa provar, o consenso entre historiadores da história militar, hoje, é que, se o exército russo tivesse dado combate a Napoleão, na sua primeira batalha real, em algum ponto a oeste de Smolensk, teria sido destruído e teria tido de recuar do mesmo modo, mas em completo caos e com poucos sobreviventes.

Portanto, a resposta certa à pergunta acima é: a Rússia pode recuar tanto quanto seja necessário, para vencer.

Vladimir Putin
Objeções: Putin não é nenhum Alexandre I

Concordo. Nem Poroshenko ou Obama é Napoleão, nem de longe, nem de muito longe! Mas tampouco a guerra atual contra a Rússia (porque é isso, precisamente, o que estamos vendo acontecer) é guerra à maneira do século XIX. A guerra contra a Rússia, hoje, é guerra do século XXI. Se a IIIª Guerra Mundial foi a chamada “Guerra Fria”, estamos hoje em plena IVª Guerra Mundial.

Se os russos aprenderam de suas muitas derrotas militares nas mãos dos mongóis, os europeus ocidentais aprenderam de suas muitas derrotas nas mãos dos russos.

Muitas e muitas vezes invasores ocidentais atacaram a Rússia e muitas e muitas vezes foram derrotados, pelo menos em termos militares. Mas essas derrotas militares que o ocidente sofreu encobrem uma lista igualmente longa de bens sucedidas intervenções culturais e religiosas.

Primeiro, o Papado conseguiu converter (pela força e pela corrupção) lituanos e russos ocidentais (que adiante viriam a ser os ucranianos). Na sequência, por algum tempo, a ocupação da Rússia pelos mongóis ofereceu um tipo de escudo, doloroso mas efetivo, contra os Cruzados ocidentais; mas no fim da ocupação mongol, e depois do brilhante reinado de Ivã III (um dos melhores governantes que a Rússia teve em todos os tempos), com Vasilii III e Ivã IV (“Ivã, o Terrível”) o estado russo degenerou rapidamente, no período chamado “Tempos Difíceis” [orig. Troubled Times].

Foi quando, outra vez, o ocidente tentou invadir a Rússia, e os poloneses até puseram no trono da Rússia um dos seus agentes, o chamado Falso Dimitri – em típico ato do ódio latino contra a Igreja Ortodoxa, depois de espancar e levar à morte por fome o patriarca russo, São Hermógenes (algumas coisas nunca mudam). Adiante, os poloneses e seus mestres jesuítas foram expulsos, e um Zemskii Sobor [Parlamento da Terra] pôs no trono, como czar da Rússia, Miguel Romanov, o filho caçula de Feodor Nikitich Romanov (que depois ficaria conhecido como Patriarca Filareto.

Feodor Nikitich Romanov (Patriaca Filareto)
Embora externamente a paz tivesse sido restaurada na Rússia, internamente estavam crescendo poderosas forças pró-Ocidente, especialmente nas elites russas. A vez delas chegou quando Pedro I (“Pedro, O Grande”) subiu ao poder, em 1682.

Embora eu não queira me estender demais em detalhada análise histórica, quero dizer que o povo e a cultura russa têm sido mais ou menos reprimidos, e com sucesso considerável, desde Pedro I até Vladimir Putin.

Embora alguns governantes da Rússia tenham-se esforçado para restaurar e manter a cultura russa e o Cristianismo Ortodoxo (especialmente Alexander III e São Nicolau II), a aristocracia russa – em grande proporção constituída de membros da Maçonaria –sempre e obsessivamente opôs-se àqueles esforços. O que vemos hoje na Rússia – o governante apoiado pelas lutas populares contra elites apoiadas pelo ocidente – absolutamente não é novidade: é o que se viu por lá, ao longo de vários séculos.

Além disso, o que é a simples existência de uma chamada “Ucrânia” (sem o artigo definido), se não a evidência de um imenso sucesso estratégico das elites da Europa Ocidental? Vejam bem: em 1812 não havia “colaboradores ucranianos dando boas vindas aos franceses, ainda que os franceses prometessem “libertar” os camponeses russos.

Apenas um século adiante, não só muitos ucranianos recepcionaram com flores os alemães (o quê, considerando que os Comissários Soviéticos haviam feito aos ucranianos, eu compreendo perfeitamente), mas muitos ucranianos viam-se, eles mesmos, sinceramente, como grupo étnico distinto, que nada partilhava, de bom, com o povo russo. É claro que aí está um notável sucesso das elites ocidentais! [...]

Seja como for, durante a IIª Guerra Mundial e depois, a cultura russa e uma consciência nacional recomeçaram lentamente a reemergir, mesmo durante o governo de canalhas degenerados como Khrushchev ou Ieltsin. Como já escrevi no passado, entendo que Vladimir Putin chegou ao poder empurrado por forças “nacionais” dentro da KGB, mas teve de ir atrelado a Medvedev, apoiado pela oligarquia, para “fiscalizá-lo”.

Medvedev e Putin relaxam nos jardins do Kremlin
Tudo isso para fazer lembrar um fato crucial, quase sempre desconsiderado: o ocidente tem mantido as garras, mais ou menos firmemente, no “pescoço das autoridades russas”, desde pelo menos 1682 e até 2000 – são 318 anos!

Quanto a Putin, foi formalmente indicado em 1999, e eleito em 2000, mas seu período de controle mais ou menos pleno da Rússia só começou em 2012, há apenas dois anos (já escrevi sobre isso, especialmente aqui mas também aqui e aqui). E nesses dois anos, a oposição sistemática que Putin tem feito ao Império anglo-sionista já lhe valeu o ódio visceral da plutocracia ocidental – a qual, aparentemente, Putin teria “decepcionado”. Os que tão levianamente acusam Putin de estar acovardado, de ser agente da “Nova Ordem Mundial”, ou de ter-se vendido, ou de estar-se deixando manipular devem, pelo menos, tratar de conhecer melhor os elementos básicos da história russa, e comparar o que Putin fez nos últimos dois anos, com o que vem acontecendo há 300 anos!

Seja como for, tenho de reconhecer que, por mais que o currículo de Putin seja absolutamente sensacional, pelo menos até agora, ainda temos uma grande pergunta que permanece sem resposta:

O que Putin fará a seguir?

Minha resposta mais honesta é simples: não sei. Não sei mesmo. Com total franqueza tenho partilhado aqui os meus piores medos, e tenho repetido muitas vezes que não vejo razões suficientes para duvidar de que Putin agirá quando entender que seja o momento certo para agir. Significa que confio nele? Não. Mas, sim, significa que não tenho motivos para desconfiar totalmente e perder toda a esperança nele.

Aos que muito criticam Putin por não fazer o suficiente (até por não fazer coisa alguma, nada), quero dizer que não há razões para assumir que a junta em Kiev tenha os meios para esmagar a resistência na Novorossia.

Assim sendo, permitam-me acrescentar imediatamente o seguinte – será muito melhor, muitas vezes preferível, para a Novorossia, para a Rússia e até para a Europa, se a Novorossia conseguir dar combate e derrotar os esquadrões da morte nazistas, sem ajuda declarada dos russos, do que se conseguir o mesmo efeito com a ajuda russa. Quanto a uma aberta intervenção militar russa, seria resultado altamente indesejável para todos, exceto para o Tio Sam e seus estados-fantoches na UE.

É provável que cheguemos a uma aberta intervenção militar, sempre suspeitei que provavelmente chegaremos a ela, mas será resultado forçado, resultado que constituirá uma vitória para os anglo-sionistas, seja qual for o resultado da operação militar russa (conclusão da qual ninguém, mesmo que só medianamente bem informado, pode duvidar).

Petro Poroshenko

Mais uma vez, temos uma situação na qual Poroshenko ou, devo dizer, os que movimentam as cordinhas do fantoche Poroshenko, estão absolutamente determinados a alcançar um dos seguintes objetivos:

1) Estender o Banderastão até a fronteira russa;
2) Forçar a Rússia a intervir abertamente, militarmente, no Donbass.

É estratégia vitoriosa, porque Kiev tem os meios para conseguir pelo menos um desses objetivos, e Putin não tem terceira opção. A solução preferencial para o Kremlin – que Novorossia consiga resistir com sucesso à agressão dos Ukies – não parece alcançável, pelo menos não se o Kremlin não empreender ação dramática para mudar a dinâmica em campo.

A questão a responder é “o quanto a ação terá de ser dramática”? Entendo que qualquer ação que permita que Novorossia resista com sucesso à agressão Ukie já é, pela própria definição, ação “suficientemente dramática”.

E essa ação será, mais precisamente, o quê? Respondo:

  1. Ajuda militar e técnica (encoberta) à resistência na Novorossia.
  2. Denúncia, para finalidades políticas, das atrocidades e provocações da junta de Kiev.
  3. Tentativa constante de instalar uma cunha política e financeira entre a UE e os EUA.
  4. Preparação constante da opinião pública russa para o possível uso de forças armadas russas para “salvar a Novorussia”.
  5. Uma luta ininterrupta para substituir o maior número possível de “Atlanticistas Integracionistas” por “Soberanistas Eurasianos”, em posições chaves no Kremlin.

Tenho todas as razões para crer que isso, exatamente, é o que está sendo feito. Não sei sobre amanhã, menos ainda sobre o que acontecerá numa semana, num mês ou num ano. Mas por hora – isso é o que estou vendo agora, e é cedo demais para acusar Putin; por hora, que se veja, só há prudência e excelente planejamento.

Operadores Vympel
Mas... tenho de dizer e admito-o já, que essa estratégia, por mais “suficientemente dramática” que seja, em termos puramente racionais, não é dramática que chegue, para o meu coração. Tenho visões em que aparecem os esquadrões-da-morte do Setor Direita (Pravy Sektor) à frente dos Homens Polidos Vestidos de Verde e Armados; visões de um par de MiG-31 fechando todo o espaço aéreo da Novorossia, com os Su-34 russos bombardeando aquela merda (perdoem!) de posições da artilharia Ukie. Em meus sonhos, vejo um grupo de operadores Vympel que arrancam Liashko ou Kolomoiski da cama, na calada da noite, e os levam para Kolyma via Moscou, assim como tenho visões dos franceses derrubando a plutocracia sionista no poder e trocando-a por uma verdadeira comissão de salvação nacional. Também tenho visões do verdadeiro povo norte-americano, que afinal chuta o traseiro desses satânicos 1% que ocuparam os EUA. Sonho com os EUA tornando-se “país normal”. Posso sonhar e sonho, e tudo bem, comigo, cá, que não passo de “blogueiro-ninguém”. Mas é luxo que Putin, como chefe de estado, não pode usufruir.

Digo, para concluir, que ninguém ficará mais envergonhado e mais mortificado do que eu, se acontecer de a Rússia de Putin abandonar o povo da Novorussia à sanha dos invasores nazistas apoiados por EUA e UE, e aos seus esquadrões-da-morte. Se acontecer, ninguém precisará lembrar-me de que vocês me avisaram. De fato, não há “aviso” possível, porque se alguém me “avisar” disso hoje, estará falando sem fundamentos, por todos os motivos errados. Claro que tal traição é possível, mas não e não, enfaticamente não: não há hoje NENHUM fundamento que permita concluir que tal traição teria acontecido ou possa estar em construção.

Todos os dias acordo com medo de que já tenhamos sido traídos, misturado com a esperança de que a tão esperada ação russa começou. Até aqui, nada aconteceu, nem uma coisa, nem outra; e, sim, a Rússia continua a recuar. E só Deus sabe por quanto tempo e até que ponto.


The Saker

terça-feira, 1 de julho de 2014

Primeiros cinco jatos russos chegam ao Iraque

29/6/2014, Xinhuanet, Pequim
Excerto traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido no Bar do Guegué na Vila Vudu: na redecastorphoto em IRAQUE: Relatório de Situação, SITREP − 30/6/2014, Mindfriedo, entre outras,  lê-se a seguinte notícia:

● − 30/6/2014: O contra-almirante John Kirby do Pentágono declarou que os jatos americanos não estão demorando para serem entregues; e que os primeiros dois jatos que ainda não foram entregues terão fraco impacto em solo. (Pelo visto, os oficiais russos têm os SU-25 em muito mais alta conta, que os militares dos EUA, os seus F-16.)

O pessoal aqui na Vila não entendeu nada. Agora, a notícia que aí vai, de Xinhuanet, China, explica TUDO.


1.      Iraque comprou jatos de combate russos para apoiar as forças de segurança na luta contra militantes sunitas.
2.     Os recém chegados jatos Su-25 contribuirão para aumentar a capacidade de combate da Força Aérea do Iraque.
3.      Iraque também receberá jatos F-16 dos EUA, mas o negócio exige mais tempo até ser concluído.

Sukhoi Su-25
Bagdá, 29/6/2014 (Xinhua) – O Iraque já recebeu os primeiros cinco jatos de combate russos Sukhoi-25 destinados a dar apoio à segurança do Iraque, na luta contra militantes sunitas que controlam grandes áreas em várias províncias sunitas no país, disse no domingo o Ministério de Defesa.

“Os primeiros cinco jatos de combate russos Sukhoi 25 foram entregues ao Iraque, conforme contrato entre a Rússia e o Ministério da Defesa” – informou o Ministério em declaração enviada por e-mail à redação de Xinhua. – “Os recém comprados Su-25 contribuirão para aumentar a capacidade de combate da Força Aérea do Iraque e dar suporte às forças de segurança na sua missão de eliminar o terrorismo” – diz a mesma declaração.

Durante o governo de Saddam Hussein, o Iraque manteve Su-25s na sua Força Aérea.

Antes, na 5ª-feira (25/6/2014), o primeiro-ministro Nouri al-Maliki dissera, em entrevista à editoria em árabe da BBC que o Iraque está comprando da Rússia mais de uma dúzia de jatos de segunda mão.

F-16  Desert Falcon (armado)
O Iraque também comprou jatos F-16 dos EUA, mas esse negócio está demorando mais tempo para ser concluído.

“Deveríamos ter procurado comprar outros jatos de combate, talvez britânicos, franceses e russos para garantir cobertura aérea para nossas forças; tivéssemos melhor cobertura aérea, poderíamos ter evitado o que aconteceu” – disse Maliki.

IRAQUE: Relatório de Situação, SITREP − 30/6/2014, Mindfriedo

Mindfriedo, The SakerThe Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

The Saker
● − 29/6/2014: No 1º dia do Ramadan, o DAASH declarou-se, com o território que controla, um Estado Islâmico. Mudou de nome, para Daulat Islamia, DI [ár.], que significa “governo/estado islâmico” e correspondentes acrônimos: EI [port.] e IS [ing.].

O novo califa, “sucessor” de Muhammad (sawa) e “comandante dos fieis” (Amerul Momineen)” do Estado Islâmico é Abu Bakr al-Baghdadi. O EI convocou todos os combatentes dentro de suas “fronteiras” a jurar fidelidade ao seu califa.

NB: O título Ameerul Momineen (Comandante dos Fiéis) é título que os sunitas usaram para todos os seus califas ou sultões. Os xiitas só usam esse título para Ali Ibn Abi Talib; nem os demais imãs recebem esse título.

Outros notáveis que se autonomearam Amerul Momineen em tempos recentes:

− o rei do Marrocos / o mulá Umar dos Talibã / Nawaz Sharif tentou, mas não conseguiu, incorporar o título ao seu nome. / E há notícias de que Zia ul haq do Paquistão  tenha usado o título.

Abu Bakr al-Baghdadi
● − 30/6/2014: Outros grupos islamistas no Iraque e na região, além de alguns clérigos salafistas, reagiram com frustração e desapontamento à declaração de um Estado Islâmico. Disseram que tal estado e a fidelidade que ele visa a obter podem pôr a perder todos os ganhos que os islamistas tenham obtidos por todo o mundo.

● − 30/6/2014: Transcrição de uma mensagem do EI em vídeo: um combatente aponta a fronteira agora “apagada”: “O exército safavida [persas] costumava postar-se aqui. Mas não há fronteira. É o que agora se chama ponto de controle. E os soldados de Maliki costumavam parar aqui...” [sobe num carro militar], “o único batalhão aqui é o de Alá. Abi Bakr al Baghdadi costuma dizer que ele é o rompedor de fronteiras. Nós romperemos Inshallah as fronteiras do Iraque, Líbano, Jordânia. Só haverá uma bandeira: do Estado Islâmico. Todas as bandeiras dos kufr deixarão de existir. Somos um país, todos os muçulmanos. E temos um imã”.

● − 30/6/2014: Link importante, indicado por David Hungerford nos comentários do Relatório anterior.

O artigo mostra ressentimento amplamente disseminado contra o governo em Bagdá e a firme disposição da sociedade sunita iraquiana para livrar-se do “governo fantoche, corrupto e sectário” − de Nouri Al Maliki.

Rebeldes contra o governo são tribos árabes iraquianas sunitas, ex-oficiais do exército, ex-Ba’athistas e jihadistas islâmicos. O governo refere-se ao todos os seus inimigos como “DAASH”. As autoridades curdas e a imprensa-empresa mostram tendência similar de chamar a revolução sunita de “DAASH”.

Ali Hatem Suleimani
● − 30/6/2014: O líder da maior tribo sunita no Iraque, Ali Hatem Suleimani, declarou que sua tribo continuará a apoiar os islamistas enquanto Maliki permanecer no poder.

● − 30/6/2014: O governo tem falado das cidades de Rawa, Ahna e al-Qaem como se não tivessem importância alguma. Tem dito que nada há, de estrategicamente importante, nessas cidades.

● − 30/6/2014: O Irã tem apresentado como prioridade fornecer gás ao Iraque, para alimentar quatro usinas de energia iraquianas movidas a gás.

● − 30/6/2014: A rede CNN noticia que a maioria dos voluntários xiitas tiveram de 7 a 10 dias de treinamento, mas estão cheios de fé e convicção, antes de serem mandados combater contra o Estado Islâmico (EI).

● − 30/6/2014: Um mulher, que se declara moradora de Tikrit, enviou vídeo-mensagem à CNN:

28/6/2014. Graças a Deus, Tikrit está salva e continua em mãos das tribos, não de “al-Haliki” (‘al-Haliki’ é forma ofensiva de referir-se a Maliki, que faz referência à morte dele).

Contra-Almirante John Kirby
● − 30/6/2014: O contra-almirante John Kirby do Pentágono declarou que os jatos americanos não estão demorando para serem entregues e que os primeiros dois jatos que ainda não foram entregues terão fraco impacto em solo. (Pelo visto, os oficiais russos têm os SU-25 em muito mais alta conta, que os militares dos EUA, os seus F-16).

● − 30/6/2014: Sua Santidade o Papa Francisco I pediu que as autoridades de Bagdá constituam um governo de unidade nacional e ponham fim à violência no país. Manifestou solidariedade aos cristãos iraquianos refugiados.

● − 30/6/2014: O rei da Arábia Saudita, rei Abdullah, demitiu o vice-ministro da Defesa príncipe Khaled bin Bandar bin Abdul-Aziz, por recomendação do ministro da Defesa, príncipe Salman.

Shimon Peres
● − 30/6/2014: Um comandante militar iraniano Hassan Firouzabadi manifestou alarme ante a condenação à morte do clérigo saudita xiita aiatolá Nimr al-Nimr. Disse ter esperança de que o governo da Arábia Saudita (terra de príncipes turbulentos, monarcas caquéticos e princesas encarceradas) cancelará essa sentença injusta.

● − 30/6/2014: Shimon Peres manifestou esperanças de que a presença do DAASH ajude a unir árabes e israelenses contra ameaça maior.

● − 30/6/2014: Em outros noticiários vindos da terra prometida/amaldiçoada, o primeiro ministro Benjamin Netanyahu ‘exige’ a criação de um estado curdo independente.

● − 30/6/2014: Artigo do New York Times diz que o investigador do Dep. de Estado que investigava atrocidades da Blackwater no Iraque foi ameaçado de morte.

Barack Obama
● − 30/6/2014: Obama referiu-se à ameaça que os jihadistas europeus que estão retornando aos seus países de origem representam, para a segurança nacional dos EUA. Lição que as crianças aprendem na escola: quem sofre maldades e maus tratos, responde com maldades e maus tratos.

● − 30/6/2014: Contabilidade do dia, do governo do Iraque:

  1. – Polícia prendeu cinco em Basra
  2. – Dispositivo explosivo improvisado [orig. IED] explodiu no subúrbio de al-Ghazaliya, área oeste de Bagdá, matando um e ferindo sete.
  3. – Governo matou três militantes em Injana, norte de Diyala, em ataques aéreos. O comando operacional em Bagdá diz ter impedido uma tentativa de infiltração, por membros do EI.
  4. – Três civis foram mortos no nordeste de Baqouba, por fogo de morteiro.


Uma nova Guerra Fria e os EUA se vingam MENTINDO... Novamente!

29/6/ 2014, [*] Paul C RobertsInstitute for Political Economy
Traduzido por  Mberublue


Discurso de Churchill (5/3/1946) "A Cortina de Ferro" (em inglês)

Para o complexo industrial-militar e de segurança dos Estados Unidos, a Guerra Fria foi por décadas uma fonte de muito dinheiro, desde 5/3/1946, quando do discurso de Churchill em Fulton, Missouri, ao estabelecer a “Cortina de Ferro”, até o final dos anos 80, quando Reagan e Gorbachev decretaram o fim da Guerra Fria. Durante esta, os estadunidenses ouviram falar ad nauseam sobre as “Nações Cativas”. As nações cativas seriam os Estados Bálticos e o bloco soviético, normalmente chamado, de forma resumida, de “Europa Oriental”.

Complexo Industrial-Militar dos EUA
Seriam estes países nações cativas porque suas políticas externas eram impostas por Moscou, da mesma forma que outras nações também cativas como Reino Unido, Europa Ocidental, Canadá, México, Colômbia, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Coréia do Sul, Taiwan, as Filipinas, a Geórgia e a Ucrânia, têm suas políticas externas impostas atualmente por Washington. Pretende ainda Washington expandir as suas próprias nações cativas cooptando o Azerbaijão, que formava antigamente parte da Ásia Central Soviética, Vietnam, Tailândia e Indonésia.

No transcorrer da Guerra Fria, os Estados Unidos tinham a Europa Ocidental e a Grã Bretanha como países soberanos e independentes. Fossem eles independentes ou não, certamente hoje não são. Estamos já há sete décadas passadas desde o final da Segunda Guerra Mundial e as tropas dos Estados Unidos ainda ocupam a Alemanha. Nenhum dos governos europeus tem coragem de propor qualquer coisa que seja diferente do que propõe o Departamento de Estado dos EUA.

Não muito tempo atrás, houve rumores e conversações tanto na Alemanha quanto no Reino Unido sobre sair da União Europeia, mas Washington entrou na conversa e declarou que estes países deveriam cessar tais assertivas porque não era do interesse de Washington que qualquer país saísse da União Europeia. A conversa cessou imediatamente. O reino Unido e a Alemanha são tão abjetamente vassalos de Washington que nenhum deles pode sequer fazer publicamente suposições sobre o próprio futuro.

Baltasar Garzón
Quando Baltasar Garzón, um juiz espanhol com autoridade judicial para investigação tentou indiciar membros do regime de George W. Bush por violação de leis internacionais por torturar detentos, foi imediatamente derrubado.

No livro Modern Britain (“guia” anedótico para entender a atual Inglaterra - NT), Stephane Aderca escreve que o Reino Unido está tão orgulhoso de poder ser um “parceiro júnior” dos Estados Unidos, que o governo britânico aderiu a um acordo unilateral dos EUA, um tratado de extradição sob o qual basta que Washington faça uma mera declaração de “razoável suspeita” para que obtenha a extradição de pessoas do Reino Unido, mas este tem que demonstrar “causa provável” para a recíproca. Ser um “parceiro júnior” de Washington, relata Aderca, é uma espécie de compensação emocional para as elites britânicas, dando-lhes a sensação de que são importantes.

Sob as regras da União Soviética, a grande entidade que precedeu a Rússia atual, as nações cativas tinham performance econômica fraca. Sob as regras de Washington, estas mesmas nações cativas têm desempenho medíocre por causa da pilhagem promovida por Wall Street e o FMI.

Como disse Giuseppe di Lampedusa, “As coisas têm grande chance de serem sempre as mesmas.”


O saque promovido contra a Europa por Wall Street e que recaiu sobre a Grécia, Itália, Espanha, Portugal, Irlanda e Ucrânia, está agora centrada na França e na Grã Bretanha. As autoridades americanas estão exigindo do maior banco francês a quantia de 10 bilhões de dólares americanos sob a acusação forjada de que o banco estaria financiando comércio com o Irã, como se fosse problema de Washington com quem um banco francês resolve fazer negócios ou financiamentos. Apesar da total subserviência da Grã Bretanha para com Washington o Procurador Geral do Estado de Nova Iorque instaurou um processo civil de fraude contra o Barclays Bank.

Provavelmente são corretas as acusações assacadas contra o Barclays PLC. Mas como a maioria do bancos americanos, provavelmente tão culpados como o Barclays não foram acusados de nada, a acusação dos Estados Unidos contra o Barclays siginifica que os grandes fundos de pensões e mutuais devem abandonar o banco, porque poderiam ser acusados posteriormente de negligência, caso mantivessem as contas em um banco acusado de fraude civil.

Claro que o resultado dessas acusações contra bancos estrangeiros feitas pelos Estados Unidos não poderia ser outro. Acontece então que bancos como o Morgan Stanley e Citigroup ganham vantagem competitiva, e acabam por açambarcar o mercado desses valores em seus próprios dark pools (mercado privado que negocia valores mobiliários, mas fora do alcance dos investidores comuns, do público em geral. Quando há liquidez nestes mercados ocultos ao público, é chamada de dark pool liquidity. O nome significa que esse tipo de comércio é escondido do público em geral, como se estivesse mergulhado em uma piscina de água turva[NT]).

Esquema "Dark Pool" Liquidity 
Então, o que isso tudo significa? Certa e claramente, estamos presenciando o uso da lei dos Estados Unidos para criar hegemonia financeira para as instituições estadunidenses. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (sic) teve provas por cinco anos da participação do Citigroup na fixação da taxa de juros LIBOR, mas nem chegou perto de sequer pensar em uma acusação.

Os governos comprados e já pagos dos estados europeus fantoches dos EUA são tão corruptos que os líderes permitem que Washington mantenha o controle sobre seus países, para o avanço da hegemonia financeira, política e econômica dos EUA.

Em seu próprio benefício, Washington está organizando o mundo contra a Rússia e a China. Em 27/6/2014, os estados fantoches de Washington que compreendem a União Europeia deram à Rússia um ultimato. Salta aos olhos o absurdo desse ultimato. Militarmente, os fantoches de Washington são inofensivos. A Rússia pode exterminar a Europa em alguns minutos. Daí, nós temos a situação esquisita em que o mais fraco dá um ultimato ao mais forte.

Cameron, um dos poodles europeus de Obama

A União Europeia, em obediência às ordens de Washington, disse para a Rússia que acabe com a oposição ao governo fantoche dos EUA em Kiev, no sul e no leste da Ucrânia. Mas, como qualquer pessoa com um mínimo de instrução sabe, incluindo a Casa Branca, Downing Street nº 10 (residência oficial e gabinete do Primeiro Ministro Britânico, funcionando como sede do governo – [NT]), Merkel e Hollande, a Rússia não é responsável pelas agitações separatistas no leste e sul da Ucrânia. Estes territórios sempre foram parte da Rússia e somente foram adicionados à República Soviética da Ucrânia pelo Partido Comunista Soviético quando a Ucrânia e a Rússia faziam ambas parte de um mesmo país.

Agora, esses russos querem voltar a fazer parte da Rússia porque foram ameaçados pelo governo fantoche instalado pelos EUA em Kiev. Washington está determinado a forçar Putin a uma ação militar, a qual pode ser usada para justificar ainda mais sanções, e nesse intento não quer resolver a situação, e sim piorá-la.

Hollande - Draghi -Merkel (Marionetes dos EUA)
O que será que Putin fará? Ele tem 72 horas para se submeter a um ultimato de uma coleção de países marionetes que ele pode destruir a qualquer momento, ou prejudicar seriamente somente com a interrupção do fluxo de gás natural da Rússia para a Europa.

Historicamente, esse tipo de desafio estúpido ao poder pode resultar em más consequências. Mas Putin é um humanista a favor da paz. Ele não desistirá voluntariamente de sua estratégia de mostrar à Europa que as provocações não vêm da Rússia e sim dos EUA. A esperança de Putin e da Rússia, é que a Europa eventualmente compreenda que está sendo usada de forma vil por Washington.

Os EUA financia centenas de ONGs na Rússia, escondidas atrás de vários disfarces, como por exemplo, “direitos humanos”, e Washington pode liberar esses ONGs contra Putin à vontade, como já fez nos protestos conta a eleição de Putin. As quintas colunas de Washington acusaram Putin de ter roubado as eleições, mesmo após várias pesquisas mostrarem que Putin foi o vencedor claro e indiscutível das eleições.

 Brzezinski e Wolfowitz
Em 1991, os russos ficaram, em sua maior parte, muito contentes em se libertar do comunismo e olharam para o ocidente como um aliado para a construção de uma sociedade civil baseada na boa vontade. Esse foi o erro da Rússia. Como as doutrinas de Brzezinski e Wolfowitz deixam bem claro, a Rússia é o inimigo cujo crescimento e influência devem ser combatidos a qualquer custo.

O dilema de Putin é que ele está preso entre o profundo desejo de chegar a um acordo com a Europa e o desejo desta e dos EUA de demonizar e isolar a Rússia.

Putin corre o risco de que seu desejo de acordo seja explorado por Washington e apresentado à União Europeia como sinais de fraqueza e falta de coragem. Os EUA estão dizendo a seus vassalos europeus que o recuo de Putin ante as pressões da Europa comprometerão seu status na Rússia e no momento certo Washington liberará suas centenas de ONGs para levar Putin à ruína.

Foi o que aconteceu na Ucrânia. Com Putin trocado por um russo submisso e muito bem recompensado, apenas a China permanecerá como um obstáculo para a hegemonia dos Estados Unidos no mundo.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 3/4/1939) é um economista norte-americano, colunista do  Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week eScripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.