quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A TENTATIVA DE GOLPE NO EQUADOR – OU O GOLPE?

Laerte Braga

Polícias com características de militar têm tendência ao autoritarismo, à prepotência, a se imaginarem acima do bem e do mal e acumulam privilégios em relação a outras categorias. No caso do Brasil são escandalosos em relação, por exemplo, à Polícia Civil. Falo dos privilégios.

É um dos motivos dos altos índices de criminalidade. É só olhar o número de atos ilícitos cometidos por policiais militares. A média de expulsão de PMs no Rio de Janeiro é de um por dia. Via de regra ligados ao tráfico.

Todos os servidores públicos do estado de Minas Gerais, o tal do “choque de gestão” Aécio/Anastasia, recebem seus vencimentos no quinto dia útil do mês seguinte. Todos? Não. Policiais militares recebem no último dia útil do mês. É uma pálida amostra de vantagens em relação a todos os outros servidores públicos.

É um quadro que se repete de forma pouco diferenciada em todos os estados brasileiros.

A proposta de unificação das polícias e de acentuar o caráter civil da instituição foi barrada no Congresso Nacional Constituinte com um lobby dos mais impressionantes e caros dentre todos que atuaram à época.

O ex-governador do Pará, Almir Gabriel, quando senador, tinha entre seus assessores policiais militares que mais tarde participaram do massacre de camponeses em Eldorado do Carajás. Aquele que FHC, era o presidente, negou às 17 horas e aceitou correndo às 19 horas, quando soube da condenação expressa por vários governos e instituições européias.

Uma das decisões mais amargas para policiais militares no Brasil foi durante a ditadura militar. O comando dessas corporações seria de um oficial do Exército. À exceção de Minas, a fidelidade era canina, todas as outras PMs do País eram comandadas por militares do exército.

É que na revolução de 1930 e ao longo de todo o processo político até 1964, as polícias militares eram o “exército” dos coronéis/governadores. Foram decisivas no movimento de 30.

A partir de 1964 foram transformadas em pitt bulls prontas a devorarem qualquer manifestação pública contra os de cima. Seja de camponeses, seja de professores paulistas contra as mentiras de Arruda Serra.

A insubordinação de policiais no Equador, a tentativa de seqüestro do presidente Rafael Corrêa não decorre só dos desvios de função do que conhecemos como polícia. Vai mais além.

Militares equatorianos e policiais daquele país foram cúmplices por omissão no bombardeio realizado pela força aérea colombiana contra um acampamento de estudantes que participavam de um congresso latino-americano e onde se encontrava Raúl Reyes, então chanceler das FARC. Foi em 2008.

São outros quinhentos.

Militares em sua imensa e esmagadora maioria têm ou trazem em si o gene do golpe de estado. A convicção que patriotismo é tomar o poder, arrebentar com os que se lhes opõem, mesmo que isso signifique tortura, morte, toda a sorte de barbaridades. No Brasil chamaram isso de “democracia” e houve um coronel que quis convencer o jurista Sobral Pinto que era “democracia à brasileira”.

Não entendeu nada quando Sobral respondeu que “democracia não é igual a peru, não existe a brasileira, a francesa, ou é democracia, ou não é”.

A situação no Equador ainda está sem controle. A despeito das forças armadas através de seu comandante manifestarem publicamente respeito ao presidente eleito do país, nenhuma atitude concreta foi tomada – até agora quando escrevo – para colocar fim à tentativa de seqüestro de Corrêa, à insubordinação de policiais e a repressão contra civis que se juntam em número cada vez maior para tentar resgatar o presidente no hospital onde foi socorrido depois da agressão sofrida e pratica por golpistas.

A condenação à tentativa de golpe veio até do presidente golpista de Honduras (farsante é um negócio complicado). Do governo espanhol. Dos países integrantes da OEA – Organização dos Estados Americanos -. Vacilante, tíbia, mas pública do governo norte-americano (Corrêa não permitiu que mantivessem a base de Manta em seu país).

Elites econômicas no mundo inteiro estão atemorizadas com a crise do capitalismo que se mostra maior e mais devastadora do que se podia imaginar. Na América Latina, onde ainda procedem como na Idade Média, os ventos dos furacões que destroem a economia norte-americana (mas sustentam a máquina de guerra e terrorismo), assustam empresários, latifundiários e banqueiros controlados por Wall Street.

São sinais para a mídia privada mentir descaradamente ao sabor das conveniências de quem paga.

O Banco Central dos EUA, que é uma instituição privada, anunciou hoje que “a recuperação da economia foi decepcionante nesses últimos anos”. Os anos Obama. Uma espécie de relações públicas, ou boneco negro por fora, branco por dentro, mas que não tem nem o apito para começar ou encerrar o jogo, que dirá marcar falta. Pênalti? Nem pensar.

Partícipe ou não da tentativa de golpe no Equador (foi agente direto em Honduras) os EUA se constituem hoje na maior ameaça a democracia em todo o mundo. O que Hans Blinx chama de “embriaguez com o arsenal que têm”, é tão somente a barbárie com requintes de tecnologia de ponta.

E nos dias atuais privatizada. Forças armadas privatizadas.

Esse vento de estupidez e boçalidade acaba soprando por todos os cantos. A guerra é uma necessidade intrínseca a norte-americanos e seus aliados israelenses. É da gênese da “democracia” deles o terrorismo em forma de “operação choque e pavor”. Nome da última ação militar para derrubar Saddam Hussein.

O que torna óbvio que o que acontece no Equador não é um fato isolado. Todo o caráter golpista de militares (policiais militares também) vem à tona nessa banda do mundo, ainda mais quando governos populares são eleitos e começam a trilhar caminhos de mudanças políticas, econômicas e avanços sociais.

O escravagismo dos “donos” reage como reagem os irracionais.

“Dança com famosos” não é necessariamente um quadro do Faustão, tampouco BBB é algo isolado, um simples programa de tevê. É uma opção por alienar, desinformar e vai por aí afora.

Mais ou menos “só dói quando eu mexo”.

O governo brasileiro através do chanceler Celso Amorim manifestou-se contra o golpe, pela legalidade constitucional e o respeito ao mandato, conquistado nas urnas, do presidente Rafael Corrêa.

Amorim é um dos mais brilhantes diplomatas latino-americanos em todos os tempos, sabe o que há por trás de tudo isso e os riscos que esses pequenos, aparentemente pequenos, golpes (Honduras, Equador) representam para a América Latina, o que vem por trás desse tipo de movimento, conhece a História (a FOLHA DE SÃO PAULO, por exemplo, quer apagar ou arrancar essas páginas do livro de História do Brasil) e tem consciência do papel do Brasil, do que representa o nosso País com as suas dimensões continentais e hoje, potência mundial.

É o delírio do império privatizado. E muitas vezes o cordão é rompido pelas elites, ou por esbirros das elites (caso das polícias militares), no afã tanto de manter privilégios, como de mostrar às próprias elites que há um preço a ser pago para cada massacre ou golpe em cada canto latino-americano.

Aliança com bandido dá é nisso. Instituição sem sentido, repleta de privilégios, resulta nisso. O que Corrêa fez foi cortar exatamente privilégios, inclusive o da boçalidade contra a população civil.

É necessário deter o golpe. Atinge a todos nós. 

O jornalista Jean-Guy Allard revela que é “profunda” a presença na polícia do Equador de agentes da CIA. Phillip Agee, ex-agente da agência privatizada no governo Bush, antes de deixar a função e denunciar terrorismo, corrupção e trapaças em vários países do mundo, estava servindo na embaixada dos EUA no Equador.


É o jeito de ser dos “libertadores” do mundo. Se antes “libertavam” do “jogo” comunista, hoje “libertam” do “jugo” terrorista. E ficam com o petróleo todo. Tomam conta para iraquianos, sauditas, aqui querem “tomar conta” do da Venezuela, do Equador e do Brasil.   

GILMAR MENDES, MAS QUE É DANTAS, OU ARRUDA, OU SERRA, OU QUEM DER MAIS...

Laerte Braga

A impressão que eu tenho é que José Arruda Serra imagina que todas as pessoas sejam idiotas. Que o seu cinismo e sua absoluta falta de escrúpulos não sejam perceptíveis a olho nu.

O candidato pegou o telefone ligou para o ministro (cúmulo da esculhambação!) Gilmar Dantas Mendes, em sessão plena do STF – Supremo Tribunal Federal – determinando que o funcionário das organizações Daniel Dantas pedisse vista do processo em que se decidia sobre os documentos necessários para o eleitor votar.

Obediente, subalterno, no bolso, Gilmar pediu vista mesmo com a votação definida, ou seja, seu voto não muda nada, mas busca manter o coronelismo político em determinadas regiões do Brasil.

O candidato tucano/DEMO negou, numa explicação típica de quem não tem compromisso com a verdade, nem com nada que não seja sua ambição desmedida, seu caráter trôpego e trêfego, disse a jornalistas que talvez alguém tenha “mencionado meu nome, mas eu não telefonei”.

Mentiroso.

Gilmar Dantas Mendes negou também que tenha recebido ligação de Arruda Serra. Foram companheiros no governo de FHC. Ministros do ex-presidente.

Quando Gilmar Dantas Mendes pediu vista do processo, paralisando o julgamento, a matéria já estava decidida e cá para nós, se um “jurista” que tem assento na corte suprema do País não tem condições de decidir sobre um tema básico e por isso mesmo simples, tem que pedir demissão, sair pela porta dos fundos de vergonha.

Está fazendo o que lá?

Se não tem vergonha, é o caso, não pode estar lá.

Antônio Carlos Lafayete de Andrada foi designado ministro do STF por indicação do presidente José Linhares, ele próprio ex-presidente da corte e nessa condição presidente da República após a queda de Getúlio Vargas (1945). Exerceu as funções até 1969 quando se aposentou.

Em 1965 o ex-PSD mineiro lançou a candidatura de Sebastião Paes de Almeida, que foi ministro da Fazenda de JK, ao governo do estado de Minas Gerais. Conhecido como “trem pagador” por sua forma de fazer campanha, Paes de Almeida foi impugnado pelo TRE e o assunto foi parar na corte maior.

O ex-deputado José Bonifácio Lafayete Andrada, líder da ex-UDN, sabedor das chances de vitória de Paes de Almeida que disputava com Roberto Resende o governo do estado (o governador era Magalhães e Roberto Resende seu sobrinho) escreveu uma carta ao parente ministro do STF (não havia celular àquela época e nem DDD), onde pedia que se eximisse de votar já que a perspectiva do voto de Antônio Carlos era favorável a Paes de Almeida.

Esperto, solerte, sem caráter, como os Andradas que atuam na política até hoje, José Bonifácio criou uma saia justa para o ministro tornando pública a sua carta.

Há quinze dias da eleição Paes de Almeida foi impugnado, Antônio Carlos Lafayete Andrada se declarou suspeito e não votou, lógico, e Israel Pinheiro foi indicado candidato em substituição a Paes de Almeida. Ganhou de Roberto Resende por larga maioria de votos.

Arruda Serra, noutro tempo, noutro espaço histórico, repete a prática udenista e golpista. Não é diferente.

O pedido de vistas do ministro (acredite, mas é) Gilmar Dantas Mendes é um escárnio e uma afronta à corte, aos seus pares e aos brasileiros.

Como o foram os habeas corpus dados a Daniel Dantas quando o banqueiro foi preso pelo delegado Protógenes Queiroz. Ou quando forjou uma gravação em seu gabinete para livrar sua cara e VEJA divulgou aos quatro cantos. Na hora agá não havia nem gravação e nem provas que seu gabinete estivesse sendo alvo de escutas.

O “ministro” é isso aí.

A maioria dos ministros do STF já havia votado com o parecer da ministra Ellen Gracie que um documento com retrato é necessário e bastante para que o eleitor possa exercer o direito do voto. Só, mais nada.

Na mutreta montada por Arruda Serra com Gilmar Dantas Mendes, o pedido de vista é para paralisar o processo, dificultar a votação e tentar embaralhar a vontade popular para que um pilantra como Arruda Serra tenha chances de ser presidente. São nulas felizmente.

E Arruda Serra, no desespero da derrota, fala em Brasil moderno, em avanços, etc, etc., montado no mesmo cavalo que qualquer coronel político da história do Brasil.

Na garupa a candidata Marina da Silva, verde que quero laranja.

Como a questão vai ser resolvida não sei. Gilmar Dantas Mendes é capaz de tudo. Não montou um instituto para “ensinar direito”, admitiu repórteres da GLOBO como alunos –gratuitos, é claro (o cala a boca) - e fez convênios com a prefeitura da cidade onde o prefeito foi seu irmão? 

Tudo isso para decidir como identificar-se para votar.

O STF corre o risco de ir para o ralo nos esquemas de Gilmar Dantas Mendes.

A bem da verdade, por lá passaram figuras como Evandro Lins e Silva, Hermes Lima, Victor Nunes Leal, Ribeiro da Costa, Adauto Lúcio Cardoso, Rui Barbosa, Bilac Pinto e tantos outros que não merecem estar na mesma página que Gilmar Dantas Mendes e nem o Brasil e os brasileiros merecem esse tipo de má fé na instância final de nossa Justiça.

É dose para leão, é amostra do que é capaz o candidato José Arruda Serra para chegar ao cargo de presidente da República.

Ou o Supremo se afirma como tal, ou vira supremo com molho de Gilmar Dantas Mendes, acompanhado de batatinhas José Arruda Serra.

Dá uma bruta diarréia na democracia.    

Brésil : les années Lula, une assez belle histoire

Le Financial Times le représente dans la figure du Christ rédempteur, la statue qui, du haut du mont Corcovado, domine la baie de Rio de Janeiro. Bras grands ouverts, protecteur, veillant pour l'éternité sur ses concitoyens. Aux Oscars d'Hollywood 2011, le film qui portera les couleurs du Brésil est un long-métrage retraçant sa vie : Lula, le fils du Brésil. A cette date, le président Luiz Inacio Lula da Silva aura quitté le pouvoir - quasi sanctifié, héros national, avec un taux de popularité record. L'élection présidentielle a lieu cet automne.


Dilma Rousseff, 62 ans, la candidate adoubée par Lula est donnée gagnante : portée par le soutien du "grand homme", elle pourrait l'emporter dès le premier tour, le 3 octobre. Elle entrera en fonctions en janvier. Ce sera la fin des "années Lula", ces deux mandats exercés à la tête de l'Etat par le chef du Parti des travailleurs, l'ancien patron du Syndicat de la métallurgie, huitième enfant d'une famille modeste, qui quitte l'école à 12 ans pour devenir cireur de chaussures, vendeur de cacahuètes puis tourneur dans une firme automobile à 14 ans. De cette adolescence en usine, le président Lula da Silva porte la marque : un doigt amputé - pas si fréquent dans la corporation.

C'est tout cela qui crée le mythe. Mais pas seulement. Si les années de la présidence Lula, 2002-2010, sont célébrées à plaisir, c'est parce que l'homme incarne un moment-clé dans l'histoire du pays : l'accès du Brésil au statut de grande puissance émergente. Avec la Chine, l'Inde et quelques autres, le Brésil est l'un de ces Etats qui modifient la carte de la répartition du pouvoir en ce début de XXIe siècle. Lula est le porte-drapeau de cette transformation, le passage de la puissance virtuelle - "le Brésil, ce pays d'avenir et qui le restera longtemps", disait-on au début du siècle dernier - à la puissance réelle.

C'est d'abord un succès économique. L'ancien chef du Syndicat des métallos "a eu l'intelligence de surfer sur la politique menée par son prédécesseur", explique Alfredo Valladao, professeur à Science Po et animateur du centre d'études Union européenne-Brésil. Lula parachève l'oeuvre du président Fernando Henrique Cardoso, l'homme de la stabilisation du real, la monnaie nationale : orthodoxie monétaire, privatisations, ancrage du pays dans la mondialisation. Réaliste mais fidèle à ses engagements, Lula y ajoute sa marque sociale : hausse du salaire minimum, bourse d'aide pour les familles les plus pauvres.

Huitième économie mondiale, le Brésil - 190 millions d'habitants - cumule une liste d'atouts proprement scandaleuse : richesses naturelles infinies, industrie diversifiée et, dans ce pays grand comme quinze fois la France, une exploitation de la terre qui en fait la première puissance agricole mondiale.

En seize ans - les mandats Cardoso et Lula -, la classe moyenne, déjà centrale, s'est accrue de 35 millions de personnes. L'économie s'appuie sur une forte demande intérieure ; elle peut résister aux chocs extérieurs. Elle est portée par une confiance dans l'avenir que transcrivent tous les sondages. Les Brésiliens sont optimistes pour leur pays, convaincus, à l'inverse des Européens ou même des Américains, que leurs enfants vivront mieux qu'eux. Cette assurance, c'est aussi Lula, grande gueule, sourire jovial, épaules de bûcheron, charme à revendre.

Lula prédit : "Le Brésil ne restera pas à l'écart du XXIe siècle, comme ce fut le cas au XXe." Fort du poids de son économie, le Brésil, comme ses compagnons du ticket de tête des puissances émergentes, la Chine et l'Inde, veut sa part de pouvoir politique dans l'arène internationale. Il réclame un siège de membre permanent au Conseil de sécurité de l'Organisation des Nations unies (ONU) ; plus de droits au Fonds monétaire international (FMI) ; la mort du G8, qui réunit les puissances les plus anciennes, celles du Nord, au profit de la pérennisation du G20, où des pays comme le Brésil, la Turquie et l'Indonésie jouent un rôle à la hauteur de leur importance économique.

Le Brésil veut peser sur les affaires du monde. Mais dans quel sens ? Ici, pas de naïveté, pour justifiée qu'elle soit, cette ambition ne doit pas être interprétée comme particulièrement altruiste ou généreuse. La diplomatie Lula est celle d'une puissance qui défend d'abord ses intérêts. Elle est le parfait reflet du comportement des émergents sur la scène internationale.

Les émergents sont, le plus souvent, libre-échangistes : à l'Organisation mondiale du commerce (OMC), le Brésil veut un nouveau round de libéralisation des échanges et peste contre le protectionnisme agricole de l'Europe. Les émergents sont souverainistes : rien n'est plus étranger à des pays comme le Brésil ou la Chine que l'idée d'un droit d'ingérence - fût-il humanitaire - qui viendrait empiéter sur le principe de la souveraineté des Etats. Et de cette position découle une autre : les émergents ne sont pas droits de l'hommistes , au sens où la défense de certains principes justifierait sinon d'enfreindre celui de la souveraineté des Etats, du moins d'être prudent dans le choix de ses amitiés.

C'est la face sombre des années Lula. Au nom d'une solidarité Sud-Sud, il copine avec l'Iranien Mahmoud Ahmadinejad au-delà de ce qu'imposerait la realpolitik ; au lendemain d'élections truquées, en fait transformées en putsch militaire par le même Ahmadinejad, il tonne, péremptoire, qu'il n'y a pas eu de fraude à Téhéran ; en visite à Cuba, bras dessus, bras dessous avec un autre barbu, il se moque de la grève de la faim observée par les prisonniers politiques du régime castriste - lui qui, un temps incarcéré par la dictature militaire brésilienne, mena aussi une grève de la faim...

C'est une leçon. Même présidée par Lula, une puissance émergente reste un Etat ; elle n'est pas une ONG.

Post-scriptum : Cette chronique emprunte honteusement au "Hors-série" du Monde, Brésil, un géant s'impose (98 pages, 7,50 €), en vente jusqu'en novembre, et qui doit beaucoup à Martine Jacot et à notre correspondant à Rio, Jean-Pierre Langellier.


Alain Frachon (Chronique "International")



Courriel : frachon@lemonde.fr.
extraído do jornal Le Monde 


TRADUÇÃO:





Lula é o porta-estandarte da transformação do Brasil de potência virtual para potência real 
Foto: Lula é o porta-estandarte da transformação do Brasil de potência virtual para potência real

O “Financial Times” o retratou como o Cristo Redentor, a estátua que, do alto do Corcovado, domina a baía do Rio de Janeiro. De braços abertos, protetor, zelando para sempre pelos brasileiros. Na premiação do Oscar 2011, o filme que representará as cores do Brasil é um longa-metragem que conta sua vida: “Lula, o filho do Brasil”. Até esse dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já terá deixado o poder – quase santificado, herói nacional, com um índice de popularidade recorde. A eleição presidencial acontecerá neste semestre.

Dilma Rousseff, 62, a candidata consagrada por Lula, está sendo dada como vencedora: levada pelo apoio do “grande homem”, ela poderá ganhar logo no primeiro turno, no dia 3 de outubro. Ela assumirá o cargo em janeiro. Será o fim dos “anos Lula”, os dois mandatos exercidos à frente do Estado pelo líder do Partido dos Trabalhadores, ex-líder do sindicato dos metalúrgicos, oitavo filho de uma família humilde, que deixou a escola aos 12 anos para se tornar engraxate de sapatos, vendedor de amendoins e depois torneiro mecânico na indústria automobilística aos 14 anos. Dessa adolescência passada em fábrica, o presidente Lula guarda a marca: um dedo amputado – não muito frequente na profissão.

Foi tudo isso que criou o mito. Mas não só isso. Se os anos da presidência Lula, 2002-2010, são celebrados desenfreadamente, é porque o homem está encarnando um momento-chave na história do país: o acesso do Brasil ao status de grande potência emergente. Juntamente com a China, a Índia e alguns outros, o Brasil é um dos Estados que estão modificando o mapa da distribuição do poder nesse início de século 21. Lula é o porta-estandarte dessa transformação, a passagem da potência virtual – “o Brasil, esse país do futuro e que continuará o sendo por muito tempo”, diziam no início do século passado – para potência real.

Primeiramente, é um sucesso econômico. O ex-líder do sindicato dos metalúrgicos “teve inteligência para aproveitar a onda da política conduzida por seu antecessor”, explica Alfredo Valladão, professor no Instituto Sciences Po e coordenador do centro de estudos União Europeia-Brasil. Lula aperfeiçoou a obra do presidente Fernando Henrique Cardoso, o homem da estabilização do real, a moeda nacional: ortodoxia monetária, privatizações, estabelecimento do país na globalização. Realista, mas fiel a seus compromissos, Lula somou a isso sua marca social: aumento do salário mínimo, bolsa de auxílio às famílias mais pobres.

Oitava economia mundial, o Brasil – 190 milhões de habitantes – acumula uma lista de trunfos impressionantes: riquezas naturais infinitas, indústria diversificada e, nesse país que tem 15 vezes o tamanho da França, um aproveitamento de terras que faz dele a principal potência agrícola mundial.

Em 16 anos – os mandatos FHC e Lula - , a classe média, já central, ganhou 35 milhões de pessoas. A economia se apoia em uma forte demanda interna e consegue resistir aos choques externos. Ela é levada por uma confiança no futuro apontada por todas as pesquisas de opinião. Os brasileiros estão otimistas em relação ao seu país; ao contrário dos europeus ou até mesmo dos americanos, eles estão certos de que seus filhos viverão melhor do que eles. Essa confiança também tem Lula, falastrão, de sorriso jovial, ombros de lenhador, charme para dar e vender.

Lula prevê: “o Brasil não ficará de fora do século 21, como foi o caso no século 20”. Fortalecido pelo peso de sua economia, o Brasil, assim como seus companheiros do topo das potências emergentes, a China e a Índia, quer sua parte de poder político na arena internacional. Ele briga por uma vaga de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU; por mais direitos no Fundo Monetário Internacional (FMI); pelo fim do G8, que reúne as potências mais antigas, as do Norte, em benefício da perpetuação do G20,onde países como o Brasil, a Turquia e a Indonésia exercem um papel à altura de sua importância econômica.

O Brasil quer ter peso sobre as questões do mundo. Mas em que sentido? Aqui, sem ingenuidade: por mais justificada que seja, essa ambição não deve ser interpretada como particularmente altruísta ou generosa. A diplomacia de Lula é a de uma potência que defende primeiramente seus interesses. É o perfeito reflexo do comportamento dos emergentes no cenário internacional. Os emergentes são, na maioria das vezes, adeptos do livre-comércio: na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil quer uma nova rodada de liberalização do comércio e protesta contra o protecionismo agrícola da Europa. Os emergentes são soberanistas: nada é mais estranho a países como o Brasil ou a China do que a ideia de um direito de ingerência – ainda que humanitário – que passaria por cima do princípio da soberania dos Estados. E dessa posição advém outra: os emergentes não são adeptos dos direitos humanos, no sentido em que a defesa de certos princípios justificaria se não transgredir aquele da soberania dos Estados, pelo menos ser prudente na escolha de suas amizades.

É o lado sombrio dos anos Lula. Em nome de uma solidariedade Sul-Sul, ele mantém com o iraniano Mahmoud Ahmadinejad uma relação de camaradagem além do que uma política real exigiria; no dia seguinte às eleições fraudadas, na verdade transformadas em golpe militar pelo mesmo Ahmadinejad, ele esbravejou, peremptório, que não havia ocorrido fraude em Teerã; em visita a Cuba, de braços dados com outro barbudo, ele fez pouco da greve de fome mantida pelos prisioneiros políticos do regime castrista – ele que, preso por um tempo pela ditadura militar brasileira, também fez greve de fome...

É uma lição. Mesmo presidida por Lula, uma potência emergente continua sendo um Estado; ela não é uma ONG.

Post Scriptum
Esta crônica foi inspirada na série especial do Le Monde, “Brasil, um gigante se impõe” (98 páginas, 7,50 euros), à venda até novembro, e que deve muito a Martine Jacot e a nosso correspondente no Rio de Janeiro, Jean-Pierre Langellier

Tradução: Lana Lim

enviado por MVM = News

Eugenio Bucci, o golpismo confesso e a filosofia de conveniência

Mauro Carrara

Cliquei hoje no site do Observatório da Imprensa e lá encontrei a chamada para o artigo de um ítalo-brasileiro, o jornalista Eugênio Bucci.

Não resisti. Pois da lavra nossa, dos oriundos, há algo do melhor e algo do pior em termos de substância política.

Já me assustei ao topar com a fonte: "reproduzido do Estado de S. Paulo, 23/9/2010"...

 E também com o chapéu e o título:

"Mídia & Governo
Por um pingo de serenidade".

O primeiro parágrafo consagrou minhas suspeitas. Acusa lá o badalado funcionário da família Mesquita:

"Por iniciativa pessoal do presidente da República, a imprensa vai se convertendo em ré nesta campanha eleitoral. Nos palanques, ele vem investindo agressivamente contra ela. Diz que vai derrotá-la nas eleições. Lula grita, gesticula, fala com muita virulência. Por que será?"
 
A proposta clara é intimidar, calar e criminalizar o presidente, tática que vem sendo utilizada há semanas pelo massudo jornal dos coronéis quatrocentões.

O desenho caricato de Lula visa a desqualificá-lo e, simultaneamente, instruir uma vitimização da mídia.

Previsivelmente, Bucci se mune de todo arsenal da sofística para confundir conceitos, fingindo não perceber distinção entre jornalismo informativo e jornalismo de propaganda.

O articulista não faz qualquer menção, por exemplo, à utilização de um criminoso apenado, receptador de cargas roubadas e falsificador de notas de R$ 50, como homem-bomba da Folha de S. Paulo em seu atentado recente contra a reputação de Dilma Rousseff.

Tampouco Bucci menciona o fato de que seu próprio Estadão deturpou vergonhosamente o conceito do ato pela democratização da mídia, realizado no dia 23 de Setembro, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Para o jornalão, tratava-se de um evento patrocinado pelo PT com o intuito de calar a imprensa. Quem esteve presente sabe que se trata de uma falsidade. Nem uma coisa nem outra.
 
Bucci, como muitos outros jornalistas brasileiros, julga-se acima da lei e dos códigos de conduta que regram a vida em sociedade.

Nesse transe de superescriba, homem além do bem e do mal, acredita que a imprensa tudo possa, contra quem quiser, mesmo que recorrendo à ilicitude.

Para que o leitor compreenda essa linha de pensamento, reproduzo um parágrafo-chave do próprio artigo. Preste atenção e, acredite, ele pensa isso mesmo.

"O engano. Lula faz crer que liberdade existe apenas para os que informa “'corretamente”. Não é bem assim. A liberdade de imprensa inclui a liberdade de que veículos impressos – que não são radiodifusão e, portanto, não dependem de concessão pública – assumam uma linha editorial abertamente partidária.
Qualquer órgão impresso (ou na internet) pode, se quiser, fazer oposição sistemática. A liberdade não foi conquistada apenas para os que 'informam corretamente', mas também para os que, na opinião desse ou daquele presidente da República, não informam tão corretamente assim. Se um jornal quiser assumir uma postura militante, de cabo eleitoral histérico, e, mais, se quiser não declarar que faz as vezes de cabo eleitoral, o problema é desse jornal, que se arrisca a perder credibilidade. O problema é dele, só dele, não é do governo".
 
Ou seja, tudo aquilo que aprendemos nos escritos de Platão, Aristóteles, Kant, Hegel, entre outros, deve ser jogado no lixo, pois Bucci descobriu um novo conceito, o de “verdade conveniente”.
 
A Deontologia já não tem serventia, exceto ornamental nas Caspers, ECAs e FFLCHs da vida, está última devidamente engatada nessa trem de retóricas delinquentes pelo professor José Arthur Giannotti, um dos gurus de FHC.

Ou seja, sobre a liberdade de imprensa não pesa mais a hipoteca da busca da realidade dos fatos e do bem comum.

Está autorizado o vale-tudo, o interesse particular e, em última instância, a barbárie iconoclasta patrocinada pelo baronato midiático.

O artigo de Bucci é, no entanto, uma confissão importante. Acionada a tecla SAP, podemos ler: “não acredite em tudo que o Estadão publica, pois nossa noção de informação correta está subordinada ao interesse particular”.

Se o próprio jornal constituiu uma peça editorializada para eleger Serra como seu representante, resta nenhuma dúvida sobre o tipo de jornalismo produzido na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, 55.

O articulista Bucci é daquelas figuras que parecem elétrons saltitantes e imprevisíveis.

Ora, está no Largo São Francisco, aprendendo com a turma da "bucha". Depois, perambula pelo PT. Logo, gruda-se no núcleo duro da Editora Abril. Passa pela Radiobrás, onde é paparicado pelos recrutadores de quadros do Governo Federal. Aí, vira articulista do Estadão, o jornal que adorava espinafrar nas tertúlias de bar.

Não é caso único. É enorme a trupe dos defensores de causas de ocasião.

Górgias temos aos montes na Terra dos Papagaios.

No entanto, há coerência. Se o jornalismo não precisa ser correto nem ético, por que Bucci necessitaria sê-lo?

Mais uma lição estarrecedora, mas clarificante, do pedagógico Setembro de Fogo de 2010.

enviado por Alfrei

Eleições parlamentares da Venezuela

Que raio de ditadura é essa e onde está a derrota de Chávez ?

*Max Altman

Os meios de comunicação internacionais e nacionais, em sua vil campanha midiática, há tempos vem submetendo o governo Chávez a um implacável bombardeio de calúnias e mentiras, afirmando sem peias que Chávez reduziu a economia do país a frangalhos e que seu socialismo fez desabar sobre a economia uma crise com reflexos devastadores para o nível de emprego, a inflação e a incontrolável criminalidade. E que para conter a ladeira abaixo só restava ao ditador Chávez acirrar a ditadura bolivariana, investindo contra a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão.

Mas que ditadura é essa? Após meses de campanha, feriram-se no dia 26 de setembro as eleições parlamentares previstas no calendário, o 15º confronto eleitoral desde a ascensão de Hugo Chávez. Campanha aberta e livre a ponto de às vésperas do pleito o tradicional jornal El Nacional estampar, sem se deter, a manchete: Murió el Mono y queda el mico (Morreu o Mono e falta o mico).

Uma alusão à morte em ação bélica do líder das FARC, Mono Jojoy. Mono em espanhol é macaco e as elites venezuelanas costumam referir-se a Chávez como mico que também se traduz por macaco. Elas amiúde dizem do presidente que ele é um mico mandante um arremedo de como os liderados de Chávez a eles se referem como mi comandante. Expressão desenfreada de discriminação racial e incitação ao magnicídio. De resto toda a imprensa escrita, televisada e radiofônica privada agiu como partido de oposição, raivosamente, sem limites, sem constrangimentos e a campanha dos candidatos dos múltiplos partidos de oposição foram regados com fartos recursos provenientes de fundos públicos e privados dos Estados Unidos.

E o que se viu nas ruas de Caracas e em todo o país? Um pleito democrático, tranqüilo, limpo, transparente, rápido e seguro, com presença maciça de eleitores 66,45%, índice recorde e muito superior às eleições parlamentares anteriores - para pôr abaixo todas as acusações de fraude que os setores golpistas e conservadores alegavam para as suas derrotas. O CNE (Conselho Nacional Eleitoral), que é o braço do Poder Eleitoral, constitucionalmente autônomo como o são os Poderes Executivo, Judiciário, Legislativo, organizou essas esperadas eleições que observadores internacionais aprovaram integralmente.

O eleitor chega ao centro de votação já com a presença do Plano República, soldados do exército encarregados da ordem pública, do transporte de todo o material eleitoral antes e após o pleito e da organização das filas que se formam.

Munido de sua cédula de identidade, apresenta-a a um dos mesários que cuidam das máquinas que captam impressões digitais, apõe seu polegar direito e na tela aparece a reprodução de sua identidade. O mesário compara os dados e lhe informa por escrito em que mesa deverá votar. Apresenta-se na sala ao mesário que confere seu nome e dados no caderno de votação onde apõe sua assinatura e impressão digital. Dirige-se então ao presidente da mesa que lhe pergunta se sabe como votar e se necessita de explicação. O eleitor dirige-se à mesa onde estão as máquinas eletrônicas protegidas por um biombo de papelão. O presidente aperta um botão e libera o voto. O eleitor vota secretamente e ao concluir seu voto pressiona um botão de finalização. A máquina emite um comprovante físico. O votante confere o seu voto nesta papeleta, dobra-a e a introduz numa urna. Em seguida, dirige-se a outro mesário e oferece seu dedo mindinho para limpar e mergulhar na tinta indelével, uma reafirmação visível de que não poderá votar uma segunda vez, visto que a máquina da impressão digital já impedia essa possibilidade.

Finda a votação, a máquina emite a ata numa tira de papel. E ali mesmo é feita a auditoria, comparando-se a ata eletrônica com a urna onde foram depositados os comprovantes. Todos os dados são imediatamente enviados por rede à central de totalização do CNE.  

A oposição à Chávez alegava antes e reafirma agora que Chávez preparou uma cama de gato ao aprovar nova demarcação das circunscrições eleitorais.
Novamente uma grossa mentira para tentar desqualificá-lo. Fundamentalmente porque é o Poder Eleitoral, e só ele, quem define as regras do jogo. E essas regras, ou seja, o sistema eleitoral, respeitaram o art. 186 da Constituição da República Bolivariana da Venezuela que reza:

A Assembleia Nacional estará integrada por deputados eleitos em cada entidade federal, por votação universal, direta, personalizada e secreta com representação proporcional segundo uma base proporcional de 1,1 por cento da população total do país. Cada entidade federal elegerá, ademais, três deputados”.

São 165 as cadeiras da Assembléia Nacional assim distribuídas:

  • 72 assentos correspondentes aos 3 deputados por cada um dos 24 estados;
  • 90 assentos distribuídos na rigorosa proporção da base populacional de cada estado;
  • 3 assentos à representação indígena.

São 87 as circunscrições eleitorais distribuídas nos vários estados. Cinqüenta e dois deputados são eleitos proporcionalmente em lista partidária. (voto por lista) Há estados de maior população que elegem 3 por lista e os demais, 2. Cento e dez deputados são eleitos nominalmente dentro de suas respectivas circunscrições (voto distrital).

Portanto todos os conceitos eleitorais universalmente aceitos estão aí contemplados.

O resultado final mostrou o seguinte:

  • PSUV de Chávez, 98 cadeiras;
  • Partidos de oposição, 64;
  • Pátria Para Todos (PPT), 3.

Os deputados indígenas já estão aí incluídos. A oposição alardeia cinicamente a manipulação das regras eleitorais gritando que tendo recebido perto de 48% dos votos deveria receber semelhante representação parlamentar

Vejam o que ocorreu, por exemplo, no estado de Zulia, tradicionalmente opositor e que contribuiu com o maior número de deputados, 15. O PSUV de Chávez obteve 44,42% dos votos e elegeu apenas 3 deputados (20%). Os partidos de oposição tiveram 54,82% dos votos e ficaram com 12 vagas (80%). Algo ainda mais evidente ocorreu no estado de Anzoátegui. Isto a mídia esconde.

Os jornalões estampam em títulos gritantes: Derrota de Chávez, Chávez sofre um estrondoso revés político.

Conquistar 98 num parlamento de 165 cadeiras é vitória expressiva em qualquer lugar do mundo.

É verdade que Chávez e o PSUV imprimiram à campanha um caráter plebiscitário, almejando a conquista de 110 assentos, maioria qualificada, que lhes permitiria avanços mais céleres no processo revolucionário, inclusive reformas constitucionais.

Levaram pouco em conta que em eleições parlamentares outros fatores que não os políticos podem ter peso decisivo. Não tendo alcançado a meta, deverão rever suas táticas e estratégia. E se é certo que será mais difícil avançar com a futura composição parlamentar, é praticamente impossível qualquer recuo nos avanços já conquistados pela revolução bolivariana.

Nos dois anos que separam das eleições presidenciais de 2012, o governo Chávez deverá se preocupar em resolver ou atenuar alguns dos graves problemas que afligem o povo venezuelano:

  • melhoria drástica da eficiência administrativa do governo central e dos governos estaduais e municipais;
  • retomada do crescimento econômico e conseqüente volta à redução do desemprego;
  • fortalecimento e aprimoramento de todos os programas sociais em curso;
  • combate implacável à delinqüência;
  • medidas enérgicas para reduzir a inflação;
  • postura intransigente a atos de corrupção, desvios e facilidades.

A boa resposta governamental a essas preocupações da população atrairá parcelas que se sentem incomodadas e negam apoio na hora de votar.

Ao lado disso, é essencial repensar o jogo político, defender e consolidar as conquistas, enfrentar com firmeza as tentativas internas ou externas de desestabilização, aprofundar a consciência ideológica e o grau de organização de suas bases, mas também construir alianças, trazendo para o campo revolucionário fatias da sociedade que se afastaram e atrair parte dos setores profissionais, da intelectualidade da área artística e da juventude.

Serão dois anos difíceis em que será preciso livrar o bom e inteligente combate.  

*Max Altman
Observador internacional das eleições parlamentares na Venezuela
Membro do Coletivo da Secretaria de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores
29 de setembro de 2010

A ONDA VERDE QUE VIROU MARROM E NO DURO É LARANJA

Laerte Braga


O DATAFOLHA divulgou uma pesquisa, terça-feira, 28 de setembro, onde acentua a “queda” de Dilma Rousseff e a “subida” de Marina da Silva. Na manchete do jornal FOLHA DE SÃO PAULO, porta voz oficial dos tucanos DEM, a insinuação “pode dar segundo turno”.

Na quarta-feira, 29, um dia após, o VOX POPULI e o IBOPE mostram números diferentes. O jornal O GLOBO afirma em manchete na primeira página que “Dilma em queda...”.

É de se imaginar que ou o pessoal do IBOPE, a pesquisa foi feita sob encomenda da CNI – CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – tenha se perdido no meio do caminho, não é da natureza do Instituto pesquisas sérias em se tratando de eleições, ou na sexta, no máximo no sábado, mostram números diferentes em outra pesquisa, essa sob encomenda da REDE GLOBO.

Mais ou menos ao sabor de quem paga. Ou das conveniências.

O VOX POPULI mantém o mesmo critério e coerência desde o início de pesquisas semanais, mais ou menos o mês de julho, segunda quinzena.

Marinhos são intrinsecamente mentirosos. Vivem de fraude, extorsão, sonegação e dinheiro público. Construíram um império assim. E nem sempre dinheiro público oriundo de cofres brasileiros, mas também do exterior. “De fora” como dizia Brizola.

É da gênese. Aquele negócio de barão, conde, essas coisas. Padrão FIESP/DASLU.

“O impossível não existe”, frase atribuída a Napoleão. De repente a candidata Marina da Silva supera Arruda Serra e vai para um eventual segundo turno com Dilma Roussef. A direita concluiu que as chances de Marina num segundo turno seriam maiores que as de Arruda Serra.

Marina é domesticável, entra nos padrões Arruda Serra sem dificuldade alguma, já é parte do esquema.

O jogo dos números nas pesquisas é simples. No duro mesmo tentam alavancar a candidatura de Marina da Silva para tentar levar as eleições de fato para um segundo turno, mas com José Arruda Serra, preferido por dez entre nove sonegadores, usuários de trabalho escravo, os que pagam as contas da GLOBO junto a agências financeiras internacionais, fazem contratos com a EDITORA ABRIL, etc., etc.. Pilantras lato sensu.

E Marina embarca na onda.

No debate de quinta-feira a candidata Dilma Roussef deve ser seu alvo preferido. O confronto direto para tentar passar a impressão que é ela Marina quem vai disputar com Dilma a preferência do eleitorado e que Arruda Serra é mero acessório.

O jogo é outro, acessório é Marina. E sabe disso, está dentro do esquema.

É claro e óbvio que qualquer pessoa tem o direito de mudar de opinião. Marina era petista e mudou. E, evidente, tem o direito de se candidatar a presidência da República.

Mas tem que ter um programa para além do jeito de boa moça e no caso específico da ex-ministra do Meio-ambiente, tem que ter autocrítica.

Sair falando do governo que integrou por quase sete anos e ir se aninhar nos braços da oposição, num disfarce verde que na verdade é marrom, é, no mínimo, oportunismo, no duro mesmo, jogar a história fora.

Nesse quesito do desfile não tem diferença nenhuma de Tiririca. O candidato a deputado quer apenas um lugar ao sol. Marina é diferente?

Onde? Está jogando sua história no lixo.

Vive quinze minutos de fama se o impossível não acontecer. Some na poeira depois.

O que se imagina é que até sábado as redes de tevê possam divulgar mais denúncias, ou dossiês, é prática comum dessas quadrilhas e os jornais e revistas tentem, na sexta, no sábado e no domingo, reforçar essa campanha sórdida de denúncias inconseqüentes, que não resistem à mínima lógica, como o caso dos 200 mil reais num envelope pardo. O caráter pueril dessa denúncia ficou tão evidente que largaram para lá e trataram de buscar outras. GLOBO, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO.

Faz parte da gênese dessa gente. É como o escorpião, mesmo que vá morrer dá a picada.

O mau caratismo que é conseqüência dos compromissos assumidos com as quadrilhas que tentam retomar o poder no Brasil, é a soma da fome com a vontade de comer.

E como comem...

Dinheiro público.

Marina é só a bola da vez. O pior, repito, é que sabe e aceita.

No jargão jornalístico quando se trata de alguém assim, a expressão correta, ou usada, é laranja.

Quer dizer, o verde virou marrom e termina laranja. Laranja de Arruda Serra e tudo o que ele significa.