Mostrando postagens com marcador Ahrar al Shams. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ahrar al Shams. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de março de 2014

Erdogan usa a al-Qaeda para encobrir sua invasão à Síria

Vazamentos (tudo traduzido! É nóiz!):

27/3/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Uma das igrejas armênias profanadas pelas afiliadas da al-Qaeda em Latakia antes e
depois da troca de cruzes por bandeiras negras
Dia 23/3, os grupos Jabhat al Nusra e Ahrar al-Shams afiliados da Al-Qaeda, formados de estrangeiros, cruzaram a fronteira vindos da Turquia e atacaram a província de Latakia, no oeste da Síria. Tomaram o posto de fronteira de Kasab e a cidade armênia de Kessab. A população fugiu, enquanto os jihadistas removiam as cruzes das igrejas armênias e as substituíam por suas bandeiras negras. Os grupos jihadistas receberam apoio de artilharia e antiaéreo da Turquia. Um avião sírio que atacava os jihadistas foi abatido pela força aérea turca.

Os jihadistas conseguiram capturar várias colinas antes de serem detidos por forças sírias de reforço. Depois que o avião foi derrubado, os radares antiaéreos sírios localizaram todos os aviões turcos que se aproximavam de suas fronteiras e prepararam-se para derrubá-los. Sabe-se que foi usada artilharia pesada contra os intrusos e que houve, entre eles, pesadas baixas. Os feridos deles foram transportados para a fronteira turca e atendidos em hospitais turcos. A campanha jihadista está claramente em dificuldades e bastarão apenas poucos dias até que tenham de bater em retirada.

Mas o Primeiro-Ministro turco Erdogan e seu Ministro de Relações Externas, Davutoglu ainda têm outros planos. Dizem que o Túmulo de Süleyman Shah, uma pequena porção de terra na Síria, a 25 km da fronteira turca, mas que é solo turco, está ameaçado de ataque pelo grupo jihadista Estado Islâmico no Iraque e Levante (ISIS). E dizem que tropas turcas estão prontas para defender o Túmulo. É claramente ameaça de invasão, segundo a rádio Gleiwitz.

Recep Tayyp Erdogan (E) e Ahmet Davutoglu
Hoje, vazaram gravações de dois telefonemas (em turco; já com transcrição para o inglês [e já traduzidas para o português do Brasil] entre Davutoglu, o chefe da inteligência turca, Hakan Fidan e outros. As gravações parecem confirmar que o plano é, de fato, usar a al-Qaeda como “anteparo” para invadir a Síria.

Hakan Fidan
  • Fidan oferece a Davutoglu enviar mísseis à Síria para bombardear a Turquia (e gerar um casus belli).
  • Depois que Davutoglu rejeita a ideia, Fidan oferece-se para bombardear o Túmulo de Süleyman Shah.
  • E fala sobre as necessidades dos jihadistas (que estão precisando mais de munição, que de armas).
  • Fidan diz que entregaram 2 mil caminhões de armas aos insurgentes.
  • Davutoglu diz que Kerry perguntou se os turcos poderiam invadir a Síria e pressionou para que o fizessem.
  • Davutoglu diz também que eles têm planos para implantar uma zona aérea de exclusão sobre a Síria e já entregaram esses planos à OTAN.
  • Davutoglu assegura a Fidan que Erdogan concordou com todos esses planos.
  • Fidan diz que as coisas não vão bem para os insurgentes e que a Turquia enviou um general para ajudá-los.

Pouco depois que esses telefonemas vazaram por Youtube, a Turquia bloqueou todos os acessos locais a Youtube. As gravações são agora acessíveis no Vimeo e em outros canais. A fita divulgada, apenas a última de uma série maior, surgiu depois que a polícia turca invadiu uma empresa holding ligada ao movimento religioso Gülen, ex-aliado de Erdogan, agora convertido em seu mais feroz inimigo. Uma estação de TV relacionada a Gülen também foi tomada.

Haverá eleições locais na Turquia dia 30/3, e o partido AKP [“Justiça e Desenvolvimento”] de Erdogan pode perder as prefeituras de Istambul e/ou Ankara. Erdogan está usando uma estratégia de desmonetização contra todos – Twitter, Gülen, Israel, Síria, quem for – para manter sua grande base popular. Mas ela talvez já não seja suficiente para lhe garantir vitórias eleitorais.


O governo Obama também já começou a plantar histórias sobre novas “preocupações” sobre ataques jihadistas contra interesses “ocidentais” no norte e no leste da Síria. Esses “ataques” podem ser facilmente forjados e usados para “justificar” uma intervenção ‘'ocidental'’ e renovar a discussão sobre uma zona aérea de exclusão sobre a Síria.

Um ataque ao norte da Síria surge em momento em que outro ataque longamente anunciado pelo sul não consegue materializar-se. Já se viram novas armas antitanques chinesas no sul, mas não há sinal de campanha coordenada. De fato, há dúvidas sobre a real existência da anunciada Frente Sul. A conversa sobre isso pode ter sido meio de distrair as atenções para longe do ataque no norte.

Turquia e EUA que sejam muito cuidadosos nesses sonhos de invadir a Síria. Os dois podem deixar-se embriagar nesses jogos, e há tropas russas de prontidão na fronteira leste da Ucrânia. Um movimento num ponto pode resultar em contramovimento noutro ponto.




[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir:


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Kerry coopera com al-Qaeda e acusa Assad de apoiar extremistas!

18/1/2013, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

John "Mentiroso Patológico" Kerry, Secretário de Estado dos EUA

O presidente Putin da Federação Russa, em frase que correu o mundo, chamou de mentiroso o Secretário de Estado Kerry. Ontem, ficou provado, mais uma vez, que Putin acertou:
Bashar al-Assad

[Kerry] disse que Assad facilitou “deliberadamente” o crescimento do extremismo para apresentar-se pessoalmente como aliado do ocidente contra os radicais.

“Ele vem fazendo isso há meses – tentando apresentar-se como protetor da Síria contra os extremistas, quando ele próprio vem financiando alguns daqueles extremistas” – disse Kerry. E acusou Assad de estar “deliberadamente cedendo algum terreno aos extremistas, para aumentar o problema do extremismo, de modo a poder argumentar que, de algum modo, ele é o protetor”

De que extremistas Kerry está falando? Quem está matando e degolando civis não é o Hezbollah, que tem apoio do governo sírio. Quem está matando e degolando civis são os Takfiris apoiados pelo “ocidente”. E esses, com certeza, não foram criados por Assad. Os Takfiris se autocriaram, graças a dinheiro que receberam de fora da Síria; e isso acontecia já antes dos primeiros protestos na Síria, que começaram em março de 2011:

“Em outra cidade em Idlib, no norte, outro jihadista – de outro grupo diferente – partilhava o objetivo de Ibrahim, de um estado islâmico. “Abu Zayd”, 25 anos, é graduado em estudos da Xaria, e comanda uma das brigadas fundadoras de Ahrar al-Sham, grupo que prega a interpretação conservadora salafista do Islã sunita.
...

O grupo Ahrar começou a trabalhar na formação de brigadas “depois da revolução egípcia”, disse Abu Zayd said, bem antes de 15/3/2011, quando começou a revolução síria, com protestos na cidade de Dara’a”

Hassan Abboud (Ahrar al-Sham), Ahmed Abu Issa (Suqur al-Sham)
e Zahran Alloush (Exército do Islã ). Líderes dos grupos terroristas
filiados à al-Qaeda na Síria
 
E o líder do grupo Ahrar al Shams já se apresentou, ele mesmo, como membro da Al-Qaeda:

Um alto comandante de um dos maiores grupos de rebeldes sírios reconheceu na 6ª-feira(17/1/2014) que se considera, ele mesmo, membro da al-Qaeda, reconhecimento que corta qualquer esperança "ocidental" de que a nova Frente Islâmica seria eficaz para conter a influência crescente de outros grupos afiliados da al-Qaeda na Síria.

Abu Khaled al Suri, figura de destaque no grupo rebelde Ahrar al Sham, fez aquela declaração em postado por Internet [...]
...

Ahrar al Sham é um dos grupos militarmente mais efetivos dentre os que lutam para derrubar o regime do presidente Bashar Assad e está entre os maiores grupos que integram a Frente Islâmica, coalizão de grupos rebeldes que anunciou a própria constituição em setembro, para opor-se ao Supremo Conselho Militar apoiado pelos EUA. O líder do grupo Ahrar al Sham, Hassan Aboud, é o chefe político da Frente Islâmica. 

Esses grupos afiliados da al-Qaeda, ISIS, Jabhat al-Nusra e Ahrar al Sham, já existiam, todos eles, antes do início da “revolução” na Síria, e todos já se estavam preparando para lutar contra o governo sírio.

Será que Kerry pensa que o presidente Assad da Síria criou tudo isso antes de os EUA começarem a estimular a campanha contra ele?

Quando os militares norte-americanos retiraram-se do Vietnã e, agora, do Afeganistão, também estavam “deliberadamente cedendo algum território”, para que os EUA pudessem pôr-se a dizer que “são de algum modo, os protetores”? Que absoluta loucura!

Depois das conversas entre os EUA e a Frente Islâmica, conduzidas pelo grupo Ahrar al Sham, afiliado confesso da al-Qaeda, o Ahrar al Sham, como outros grupos rebeldes, aceitaram, como agora se diz, participar de conversações com o governo sírio em Genebra. Ali, Kerry representa o lado anti-Assad. Ora! Quem está, de fato, cooperando com a al-Qaeda?!




[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como“Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir: