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terça-feira, 5 de maio de 2015

Afeganistão: O que se oculta por trás do ataque dos Talibã a Kunduz?

1/5/2015, [*] MK Bhadrakumar, Asia Times Online rediffBLOGS
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


(...) e surge também uma pergunta de um milhão de dólares: onde ficam os EUA no cenário que se desdobra no norte do Afeganistão, onde os Talibã voltaram a atacar? Para dizê-lo do modo mais gentil: a volta dos Talibã em ataques no norte do Afeganistão pode até, afinal de contas, não ser tão má ideia, do ponto de vista das estratégias dos EUA para “conter” Rússia e China, ou das ações norte-americanas para “mudança de regime” na Ásia Central.


Afeganistão - Divisões Administrativas
(clique na legenda para aumentar)
A atual ofensiva dos Talibã no norte do Afeganistão, focada em capturar Kunduz, faz-me lembrar os dias finais, tensos e angustiantes, do tempo que servi como diplomata em Tashkent nos últimos anos da década dos 1990s, e os Talibã surgiram na região de Amy Darya, deixando um rastro de sangue, horror e vingança. Quando a cidade de Kunduz caiu sob controle dos Talibã daquela vez, dois fatores comprovaram-se decisivos.

●– O primeiro foi o tradicional predomínio do grupo Mujahideen Hizb-i-Islami liderado por Gulbuddin Hekmatyar (agente favorito dos Interserviços de Inteligência do Paquistão [orig. Inter-Services Intelligence, ISI durante a “jihad afegã”) naquela região, onde vive população pashtun de dimensões consideráveis.

●– O segundo foi a realidade, ali constatável em campo, de que a marcha inexorável dos Talibã para dentro da região de Amu Darya, depois que capturaram Cabul em 1996, era de fato operação dos militares paquistaneses, para ir empurrando (e eventualmente estrangulá-las nos estreitos confins do Vale do Panjshir) as forças residuais da Aliança do Norte lideradas por Ahmad Shah Massoud.

Afeganistão - Vale do Panjshir (hachurado)
(clique na legenda para aumentar)
Esses dois fatores voltam à cena hoje – embora de modos diferentes. A verdadeira “identidade” entre os Talibã e Hezb-i-Islami – que sempre foi muito rala (apesar da influência do ISI paquistanês sobre os dois grupos) e sempre intrigou muito a olho nu, porque as dinâmicas locais sempre entravam em ação no labirinto das políticas tribais e regionais; e dado o papel confuso dos “comandantes em campo” – continua a ser criticamente importante mesmo hoje.

De fato, a política durante a presidência de Hamid Karzai consistia em “terceirizar” a segurança e as redes de inteligência para o Hizb-i-Islami, assim explorando os medos existenciais desses últimos de serem invadidos por enxames de Talibã. Evidentemente portanto, se o ISI continua a controlar o Hizb-i-Islami, o ISI poderia alterar a dinâmica no campo de batalha em Kunduz (embora o grupo insurgente esteja hoje relativamente muito enfraquecido, se comparado ao que foi nos últimos anos 1990s).

Claro, o resumo disso depende de onde, exatamente, está o serviço secreto paquistanês ante a atual ofensiva dos Talibã. A posição oficial do Paquistão é de que Islamabad não encoraja “o aumento da violência” que advém da ofensiva de primavera dos Talibã. Até aí, nada de novo. Mas o fato que realmente conta é que o ISI de modo algum poderia não ter percebido tamanho influxo de insurgentes, inclusive dos chamados combatentes “estrangeiros” (chechenos, uzbeques, etc.), que cruzava a fronteira para dentro do Afeganistão para apoiar uma ofensiva prolongada, dos Talibã, contra Kunduz. Isso, principalmente quando estão em pleno andamento operações militares paquistanesas nas áreas tribais adjacentes.

Aviação paquistanesa bombardeou alvos
na fronteira com o Afeganistão (1/5/2015)
Nesse caso, qual o plano de jogo dos serviços secretos do Paquistão? Será o caso de supormos que os Talibã escaparam completamente ao controle dos paquistaneses? Ou é o caso de os Talibã terem agora uma agenda própria? Ou os Talibã estão agindo a serviço de um ou outro ou vários outros serviços de inteligência? Isso, por um lado.

Há muitos indícios de que o clima das relações afegãs-paquistanesas possa deteriorar em breve, se o Talibã pressionar robustamente com a atual ofensiva. O jornal paquistanês Down  observou que Kabul e Islamabad também abrigam mútuos ressentimentos:

Há também a questão muito maior da reconciliação interna no Afeganistão que parece não estar avançando – impasse que está começando a tornar-se visível em termos de acusações nada diplomáticas que começam a ser ouvidas outra vez entre Paquistão e Afeganistão.

Do ponto de vista afegão, a abertura sem precedentes do presidente Ashraf Ghani para Islamabad não gerou a desejada cooperação em termos de usar a influência do Paquistão sobre os Talibã Afegãos, para empurrá-los até a mesa de negociações.

Do ponto de vista paquistanês, apesar da Operação Zarb-i-Azb, Operação Khyber-II e do massacre da escola em Peshawar, o estado afegão não respondeu com a presteza necessária às preocupações de segurança dos paquistaneses, nessa hora de necessidade. Confiança, como sempre, é item de oferta sempre pequena dos dois lados.

Claro que os Talibã, praticamente com certeza, há muito tempo têm uma agenda para a Ásia Central. Ninguém precisa contar novamente sobre o nexo entre os Talibã e os grupos militantes do Uzbequistão, Xinjiang, Caxemira e Norte do Cáucaso. Esse é o ponto no qual a atual ofensiva dos Talibã contra Kunduz, na qual os militantes da Ásia Central estão tendo, como já se sabe, papel chave, ganha seu significado regional.

Ásia Central - mapa político
A atual ação dos Talibã pode bem ter o objetivo de enfraquecer a capacidade da Rússia para resistir contra as tentativas dos extremistas para desestabilizar a Ásia Central e o Norte do Cáucaso. O controle sobre o norte do Afeganistão pode ajudar os Talibã – e seus grupos afiliados na Ásia Central – a negar “profundidade estratégica” aos grupos tadjiques e uzbeques nos estados vizinhos da Ásia Central. Tradicionalmente, a inteligência russa sempre trabalhou bem com esses grupos, na antiga oposição que sempre fizeram aos Talibã e a afiliados da al-Qaeda.

Por tudo isso, surge também uma pergunta de um milhão de dólares: onde ficam os EUA no cenário que se desdobra no norte do Afeganistão, onde os Talibã voltaram a atacar? Para dizê-lo do modo mais gentil: a presença dos Talibã no norte do Afeganistão pode até, afinal de contas, não ser tão má ideia, do ponto de vista das estratégias dos EUA para “conter” Rússia e China, ou das ações norte-americanas para “mudança de regime” na Ásia Central.

Leiam um colunista da revista National Interest, que explica o que a Rússia pode estar enfrentando: “ISIS em movimento: o mortal problema islamista, na Rússia”. Significativamente, o presidente Putin “revelou” (porque era informação sigilosa), em entrevista à televisão, que a inteligência russa tem provas de negociações clandestinas, inclusive com troca de logística, entre os EUA e os separatistas chechenos. Mas aqui entramos em região de fumaça e espelhos.

Por fim, as “Iniciativas do Cinturão e Estradas” [as Rota(s) da Seda”] da China, podem nem decolar, se tiverem de dar o primeiro passo nessas terríveis circunstâncias na Ásia Central.

China e Paquistão fecham acordo de investimento
em infraestrutura de US$ 40 bi (20/4/2015)
Será que se viam ares de “xeque-xeque-mate” na manhã depois da recente visita do presidente chinês Xi Jinping ao Paquistão? Ou agora, às vésperas da esperada inclusão do Paquistão (e do Irã) como membros plenos da Organização de Cooperação de Xangai – o que converte esses dois estados regionais em garantidores da segurança e da estabilidade na Ásia Central?

Não há respostas fáceis. Entrementes, nos informam que o “Estado Islâmico” (EI) está trabalhando para renascer em Kunduz. Um comentarista afegão disse à rádio Deutsche Welle essa semana, que:

(...) o EI recrutou várias centenas de combatentes no Chardarra, distrito de Kunduz. O governador da província já confirmara a informação há alguns meses. Naquele momento, os funcionários disseram que o grupo poderia lançar algum grande ataque. Agora que já atacaram Kunduz, as autoridades confirmaram que aumentou muito o número de militantes estrangeiros em Kunduz, que lutam contra forças afegãs. Testemunhas oculares dizem também que é muito alto o número de jihadistas estrangeiros.

Não há dúvidas de que se devem, sim, considerar as mais sinistras possibilidades, sobretudo agora, quando os alemães já dizem insistente e veementemente que é indispensável uma “instalação” de longo prazo, de militares dos EUA e da OTAN, no Afeganistão – independente do que desejem ou digam o povo afegão e os governos regionais.

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[*] MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Oriente Médio, Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de geopolítica, de energia e de segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu e Ásia Times Online, Al Jazeera, Counterpunch, Information Clearing House e muita outras. Anima o blog Indian Punchline no sítio Rediff BLOGS. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala, Índia.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Três fronts para provocar guerra contra a Rússia: Washington pode incendiar o caos na Ásia Central

24/2/2015, [*] Ivan Lisan, Odnaka.org, The Vineyard of the Saker

Traduzido do russo para inglês por Robin
Traduzido  do inglês pelo pessoal da Vila Vudu


The Saker
A declaração do general norte-americano “Ben” Hodges, de que dentro de quatro ou cinco anos a Rússia pode desenvolver a capacidade para manter guerras simultâneas em três fronts não é só reconhecimento do crescente potencial militar da Federação Russa, mas, também, promessa-ameaça de que Washington lá estará, plantada precisamente em todos esses três fronts, bem ali, junto às fronteiras da Federação Russa.

Mapa da Federação russa e fronteiras
(clique na imagem para aumentar)
No contexto do inevitável crescimento da China e da crise financeira que certamente se agravará, com o espocar concomitante de bolhas e mais bolhas, nada mais resta aos EUA para tentar preservar sua hegemonia global, que minar os adversários. E o único meio para alcançar tal objetivo é disparar o caos nas repúblicas que fazem fronteira com a Rússia.

Eis por que a Rússia enfrentará, inevitavelmente, um período de conflitos e crises junto às suas fronteiras.

O primeiro front, de fato, até já existe, na Ucrânia; o segundo muito provavelmente será entre Armênia e Azerbaijão, na disputa por Nagorno-Karabakh, e o terceiro front, é claro, será criado na Ásia Central.

mapa: Nagorno-Kara...

Localização de Nagorno-Karabakh 
Se a guerra na Ucrânia leva a milhões de refugiados, dezenas de milhares de mortos e à destruição de cidades, reaquecer o conflito em Karabakh minará completamente toda a política externa russa no Cáucaso.

Todas as cidades na Ásia Central estão sob ameaça de explosões e ataque. Até aqui esse “futuro front” tem atraído menor atenção da imprensa-empresa – a Novorrússia domina todos os canais de televisão, jornais e websites – mas aquele teatro de guerra será dos mais complexos, depois do conflito na Ucrânia.

Subsidiário do Califato junto ao ventre da Rússia

A tendência clara, indiscutível, no Afeganistão – e a principal fonte de estabilidade na região – é na direção de uma aliança entre os Talibã e o Estado Islâmico. Isso, embora a formação dessa união ainda esteja nos primeiros dias; embora praticamente não se ouçam referências a essa aliança, ou só se ouçam referências fragmentadas; e embora não se conheça ainda a verdadeira escala das atividades dos emissários do Estado Islâmico – e a tendência à aliança entre os Talibã e o Estado Islâmico apenas deixe ver uma ponta de iceberg sobre a superfície.

Mas já não há dúvidas de que há agitadores do Estado Islâmico ativos no Paquistão e em províncias do sul do Afeganistão, controladas pelos Talibã. Nesse caso, a primeira vítima do caos no Afeganistão é o Paquistão, país que, por insistência e com a ajuda dos EUA, alimentou os Talibã nos anos 1980s. Esse projeto ganhou vida própria e é persistente pesadelo para Islamabad, que já decidiu estabelecer relações amigáveis com China e Rússia.

Essa tendência pode ser vista nos ataques dos Talibãs contra escolas paquistanesas, cujos professores já andam armados; na prisão repetida de terroristas nas grandes cidades; e no início de atividades em apoio a tribos hostis aos Talibã no norte.

Af-Pak e fronteiras
O mais recente desdobramento legislativo no Paquistão é uma emenda à Constituição, para expandir a jurisdição dos tribunais militares também para civis. Por todo o país, terroristas islamistas e simpatizantes estão sendo presos. Só no noroeste, já aconteceram mais de 8 mil prisões, incluindo membros do clericato. Organizações religiosas foram banidas, e emissários do Estado Islâmico foram capturados.

Dado que os EUA não gostam de pôr todos os ovos na mesma cesta, garantirão apoio ao governo em Cabul, que lhes permitirá permanecer legitimamente no país; e também darão apoio aos Talibã, que já está se convertendo também ao Estado Islâmico. Resultado disso será um caos generalizado, no qual os EUA não tomarão parte (formal e oficialmente); apenas se sentarão nas suas bases militares, esperando para saber quem sobreviveu. Então, Washington garantirá assistência ao vitorioso. Observe-se que os serviços de segurança dos EUA apoiam os Talibã já há muito tempo e bem efetivamente: muitos das forças oficiais de segurança e da Polícia no Afeganistão são ex-Talibã e Mujahideen.

Há método nessa destruição

O primeiro modo para desestabilizar a Ásia Central é criar problemas nas fronteiras, associados à ameaça de que os Mujahideen invadirão a região. A testagem dos vizinhos já começou: já surgiram problemas no Turcomenistão, que até teve de pedir que Cabul não realizasse operações militares de larga escala nas províncias fronteiriças. O Tadjiquistão forçou os Talibã a negociar a libertação dos guardas de fronteira que haviam sequestrado, e o serviço de fronteira do Tadjiquistão noticia que há grande número de Mujahideen junto às suas fronteiras.

Em geral, todos os países que fazem fronteira com o Afeganistão já subiram o nível de segurança nas áreas limítrofes.

O segundo modo é infiltrar islamistas por trás das linhas. Esse processo já começou: o número de extremistas só no Tadjiquistão já subiu para mais que o triplo no ano passado; ainda que estejam sendo caçados e presos, obviamente não será possível capturá-los todos. Além do mais, a situação é agravada pela volta dos trabalhadores migrantes que estavam na Rússia, o que expande a base para recrutamento. Se parar ou diminuir o fluxo até aqui ininterrupto de ajuda russa ao país, o efeito poderá ser descontentamento popular e tumultos orquestrados e manipulados.

Kadir Malikov, especialista do Quirquistão, informa que foram alocados US$ 70 milhões para o grupo militar Maverenahr do Exército Islâmico, que inclui representantes de todas as repúblicas da Ásia Central, para organizarem atos de terrorismo na região, com especial ênfase no Vale Fergana, coração da Ásia Central.

Vale Fergana - localização geográfica
Outro ponto de vulnerabilidade são as eleições parlamentares no Quirguistão, marcadas para o próximo outono. Uma nova “onda” de “revoluções coloridas” gerará o caos e levará à desintegração de vários países.

Guerras autossustentáveis

Promover guerras é trabalho caro; por isso, a desestabilização na região deve ser autossustentável ou, pelo menos, deve gerar algum lucro para o complexo militar-industrial dos EUA. Nesse quesito, Washington tem obtido vários sucessos: deu ao Uzbequistão 328 veículos blindados que Kiev havia requisitado para sua guerra na Novorrússia. À primeira vista, não é negócio lucrativo, porque as máquinas foram doadas, mas, de fato, o Uzbequistão ficará atrelado aos EUA para obter peças de reposição e munição para os blindados. Washington tomou medida semelhante, quando transferiu equipamento e armas para Islamabad.

Mas os EUA não têm sido bem-sucedidos nas tentativas para impor seus sistemas de armas à Índia: os indianos não assinaram qualquer contrato, e Obama viu desfilarem carros e equipamento militares russos, quando assistiu a um desfile militar em Nova Delhi.

Os EUA estão empurrando os países naquela região para guerra contra os próprios protegesdos norte-americanos – os Talibã e o Estado Islâmico – e, ao mesmo tempo, fornecem armas aos inimigos deles.

Desestabilização disseminada

Assim se vê que 2015 será marcado por preparativos para desestabilização disseminada por toda a Ásia Central e pela transformação do “AfPak” em subsidiário do Estado Islâmico nas fronteiras de Rússia, Índia, China e Irã. O início da guerra em escala total, que será inevitável, acontecerá quando o caos já estiver disseminado pela região. Levará a um banho de sangue nos “Bálcãs Eurasianos”, envolvendo automaticamente mais de 1/3 da população mundial e quase todos os rivais geopolíticos dos EUA. É oportunidade que Washington avaliará como boa demais para ser desperdiçada.

Qual será a resposta da Rússia?
A resposta da Rússia a esse desafio tem de ser multifacetada: envolver a região no processo da integração eurasiana; garantir assistência militar, econômica e política aos países da região; trabalhar em íntima associação com seus aliados na Organização de Cooperação de Xangai, OCX, e com os países BRICS (Brasil, Índia, China e África do Sul); fortalecer o exército do Paquistão; e, claro, ajudar a capturar os servidores barbudos do Califato.

Mas a resposta mais importante terá de ser a modernização acelerada das forças armadas russas e de seus aliados; e esforços para fortalecer e estreitar os laços da Organização do Tratado de Segurança Coletiva [orig. Collective Security Treaty Organization,CSTO], dando à CSTO o direito de contornar a altamente ineficiente Organização das Nações Unidas, ONU.

A região é extremamente importante: se a Ucrânia é o fusível da guerra, a Ásia Central é um depósito de pólvora. Se voar pelos ares, metade do continente será atingido.


[*] Ivan Lizan é um jornalista ucraniano especializado em geopolítica.