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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Premiados com o Prêmio Des-Pulitzer de 2012


(Alguns dos mais imundos momentos da imprensa-empresa dos EUA, durante o ano)

27/12/2012 - FAIR, Fairness & Accuracy in Reporting
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu


(Aconteceu nos EUA. Mas no DESJORNALISMO BRASILEIRO, o negócio é MUUITO PIOR)

A organização FAIR, Fairness & Accuracy in Reporting [Correção e Investigação Acurada na Reportagem] distribuiu sua lista de Prêmios Des-Pulitzer [P.U.-litzer Prizes] de 2012: “Os momentos mais sórdidos da imprensa-empresa no ano que se encerra (nos EUA)”.

A lista é interessantíssima, porque, mudando os nomes dos jornalistas, não é difícil encontrar no Brasil não um, mas DÚZIAS de jornalistas que fazem, no Brasil-2012, o mesmo monumentalmente péssimo jornalismo; e não o fazem só uma vez, mas vááárias vezes por dia, em matérias desavergonhadamente REPETIDAS incontáveis vezes, pelas redes comerciais de televisão aberta e também pelas redes a cabo.

Muitas dessas práticas que a FAIR des-premiou como casos excepcionais, com pequenas variações, fazem o dia-a-dia do “jornalismo” brasileiro.

Não há dúvidas de que as televisões comerciais no Brasil – sobretudo as redes que mantêm noticiários e programas de entrevista nos canais a cabo, que são PAGOS por telespectadores consumidores – vendem, aqui, O PIOR JORNALISMO DO MUNDO.

Se a imprensa-empresa brasileira (o chamado GRUPO GAFE – Globo-Abril-Folha de S.Paulo-Estadão; as mesmíssimas empresas comerciais reunidas no PiG – Partido da imprensa Golpista) absolutamente não reconhece os direitos democráticos dos partidos e dos eleitores que elegeram os seus representantes que governam o Brasil... temos de ter meios, pelo menos, para EXIGIR que a imprensa-empresa, no Brasil-2012, respeite, pelo menos, os CONSUMIDORES PAGANTES, né-não?!

Se não temos STF que nos salve dos jornalistas, dos jornais e das televisões da imprensa-empresa no Brasil... talvez tenhamos algum delegado de delegacia do Consumidor? O Instituto de Defesa do Consumidor, IDEC? Quem?

Vejam aí a lista dos des-prêmios e dos jornalistas e veículos des-premiados da FAIR e pensem bem: coisas semelhantes e outras, muito piores, acontecem DIARIAMENTE nas redes da imprensa-empresa comercial no Brasil. Isso é fato!

Lista dos premiados do DESJORNALISMO-2012!


Mais uma vez houve muito mais indicados do que seria possível premiar. Todos mereceriam os prêmios. Assim sendo, considerem essa lista como simples amostra da informação falseada, da distorção na notícia, de que todos fomos vítimas durante o ano [nos EUA]. 

– Prêmio “Obscura Arte da Distorção Sutil”: Alex Altman, revista Time

Quando a revista Time pôs-se a comparar mentiras de Obama e Romney, logo encontrou um terrível problema: a campanha de Romney produziu mentiras imensamente maiores, mais graves, mais substanciais. Como manifestar “isenção” e “equilíbrio” ante tal fato? Altman explicou (3/10/12) que “não raras vezes, a mentira mais efetiva esconde-se na que parece mais próxima da verdade; o time de Obama superou Romney várias vezes na obscura arte da distorção sutil”.

– Prêmio “Só empresários e presidentes-de-banco entendem de tudo”: Noticiário “CBS Evening News”
Com a mídia-empresa em Washington em pânico total à beira do “despenhadeiro fiscal”, o noticiário CBS Evening News pôs-se a entrevistar um estranhíssimo grupo de “especialistas” : só presidentes-de-bancos e de grandes empresas. Dia 19/11, os entrevistados foram Lloyd Blankfein, do Bank of Goldman Sachs, como se fosse especialista em orçamento público. Noite seguinte, David Cole, presidente da Honeywell. Na terceira noite... Outra vez Blankfein! A dupla é parte ativa da campanha “Acertem o déficit a qualquer custo”, paga pelos maiores bancos e empresas do país, que prega cortes cada vez mais fundos nos investimentos públicos, além de cortes de impostos para eles mesmos.

– Prêmio “Investigar amigo, sóssifô muito superficialmente”: David Gergen, CNN

Quando eclodiu a discussão sobre Obama estar exagerando no que dizia sobre Mitt Romney e sua empresa, Bain Capital, o âncora da CNN decidiu interferir. Publicou uma coluna na página  CNN.com, “Não há provas do que Obama diz contra Romney” (16/7/2012). Mas Gergen admitiu que tivera “relacionamento passado com os principais sócios da empresa Bain Capital, pessoal e financeiro” – e que várias vezes fora contratado para palestras pagas pela Bain. Para investigar a empresa, portanto, bastou telefonar para velhos amigos: “Falei por telefone com dois altos dirigentes da empresa, meus conhecidos”. É. Há muitos “jornalistas” que ivestigam assim. Claro. É. É bom meio para encontrar a verdade do fato.

– Prêmio “Foi buscar lenha e voltou queimado”: George Will, ABC

“Como explicar o calor? Fácil: é verão. Fui criado no centro de Illinois, em casa sem ar condicionado (...) É esperar. Vem o inverno, esfria, vem a neve; e o mesmo pessoal que hoje só fala do calor, só falará do frio. Para nos ensinar que clima é uma coisa, calorão e frio é outra coisa. Concordo. Faz calor. Está quente. OK. Podemos mudar de assunto?” (This Week, 8/7/2012)

– Prêmio “Assassinar os filhos deles, para salvar nosso butim”: Joe Klein, Time

O programa “Morning Joe” da rede MSNBC, ofereceu uma rara discussão sem diálogos decorados (23/10/12) sobre os ataques dos drones dos EUA. Quando o entrevistador Joe Scarborough falou sobre “meninas de quatro anos destroçadas em pedaços”, Joe Klein da revista Time respondeu:

“O xis da questão é: as meninas mortas eram filhas de quem? O que estamos fazendo é reduzir a probabilidade de que mais meninas de quatro anos sejam mortas em atos indiscriminados de terror”.

– Prêmio “Se nosso candidato não presta, damos um jeitinho”: Michael Crowley, Time

Repórteres e especialistas passaram anos elogiando o Republicano Paul Ryan; o fato de ter sido escolhido como vice na chama de Mitt Romney em nada moderou o entusiasmo deles. Dan Balz, do Washington Post (14/8/12) escreveu que Ryan “é homem dos números, que gosta de quebrar os problemas e resolvê-los, depois de mastigar uma montanha de dados”. Mas Michael Scherer da revista Time  o superou: “Ryan está para a matemática do orçamento, como Carl Sagan, para a ciência do cosmos”.

– Prêmio “Servir-se de fonte anônima para distribuir calúnias”: Scott Shane, New York Times

Quando o Gabinete de Jornalismo Investigativo [orig. Bureau of Investigative Journalism] com sede na Grã-Bretanha, distribuiu relatório sobre vítimas civis dos ataques dos drones dos EUA, o New York Times (6/2/12) sentiu-se no direito de citar, em resposta, um “alto funcionário do contraterrorismo norte-americano”, que teria dito: “É preciso pensar por que o esforço dos drones, tão cuidadosamente pensado para caçar terroristas que matam civis, está sendo apresentado, de repente, sob imagem tão negativa. Não podemos nos iludir: há muitos elementos que operam exclusivamente para fazer gorar nossos esforços e ajuda a Al-Qaeda”.

Oficialmente, o NYTimes proíbe citar fontes não identificadas “como cobertura para ataques pessoais ou partidários”. Mas o Manual nada diz sobre apresentar como simpatizantes de terroristas quem critique as políticas de guerra dos EUA.

– Prêmio “Jogo Virado”: PBS

No primeiro episódio (11/4/12) de um seriado de quatro programas intitulado “América Revelada”, a rede PBS disse que o agrobusiness precisava “virar o jogo” contra as pragas; e que esse fator “virador do jogo” seria o milho geneticamente modificado. Não por acaso, nem surpreendentemente, a empresa que patrocina o seriado, Dow Chemical, está em campo, no lobby para obter aprovação oficial para sua própria marca de novo milho geneticamente modificado.

– Prêmio “Problemas esquisitos em terras longínquas”: New York Times

Matéria publicada no New York Times “informava” que “a revolução na televisão trouxe, em vários sentidos, más notícias para o Paquistão:

“Vários programas passaram a servir como plataforma liberada para terroristas e extremistas (...). Clérigos conservadores usam as ondas de televisão para reforçar preconceitos e até pregam a violência contra minorias. A independência editorial não raras vezes é obscurecida, quando empresários proprietários das redes comerciais as usam desavergonhadamente para promover interesses privados.

Há controvérsia também quanto aos âncoras e apresentadores, alguns dos quais veem-se como atores no cenário político nacional, muito mais do que como observadores imparciais dos desmandos do poder”.

Extremistas que falam pela televisão? O dono da empresa fiscalizando a pauta? Âncoras que falam como se fossem mais importantes e mais confiáveis que políticos eleitos pela maioria dos eleitores? Não sei, mas... No Paquistão? Estranho... Parece que havia coisa parecida aqui mais perto, ontem mesmo...

– Prêmio “Notícia inventada”: New York Post

“Occupy Wall Street ligado a assassinato” – lia-se na primeira página do New York Post (11/7/12); a matéria dizia que DNA recolhido na cena de um assassinato em 2004 bateria com o DNA recolhido de uma corrente usada para manter aberta um portão do metrô, numa das manifestações do OWS. O jornal de Rupert Murdoch publicou 37 parágrafos sobre essa história, além de três imensas fotografias. A história logo evaporou – descobriu-se que se tratava do DNA de um policial. O Post então dedicou quatro parágrafos num canto de página ao follow-up da notícia de capa da véspera, sob o título: “Amostra 04 do DNA assassino foi ‘contaminada’”.

Vê-se que, para o NYPost trabalho policial mal feito não merece primeira página. Mas lançar lama contra movimento progressista, sim, sempre.

– Prêmio “Des-Apocalypse Now”: Gloria Borger, CNN

Em 1968, no auge da Guerra do Vietnã, Mitt Romney era estudante pró-guerra, dispensado do serviço militar. O conflito matou 16 mil soldados dos EUA, só naquele ano. Mas isso não implica que Romney não corresse grande risco pessoal. Segundo Gloria Borger, da CNN (26/8/12), a vida era arriscadíssima e cheia de perigos para um missionário mórmon na França:

“Em 1968, a França era lugar perigoso para viver, se você fosse um norte-americano de 21 anos. Mas Mitt Romney lá estava, no centro dos acontecimentos (...) As ruas francesas eram o caos”.

É. Mitt Romney sobreviveu.

– Prêmio “Perguntado e Respondido”: David Gregory, NBC

No domingo depois que o furacão Sandy devastou New York e New Jersey, David Gregory, da rede NBC, perguntou na abertura do programa Meet the Press (4/11/12): “Devemos dar mais atenção ao impacto da mudança climática sobre a violência dessas tempestades?”. A resposta provavelmente foi “não” – porque, depois dessa abertura, nunca mais se ouviu, até o final do programa, qualquer outra referência à mudança climática.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Debates eleitorais nos EUA-2012: a agenda dos jornalistas “moderadores”


O que todos os jornalistas perguntam e o que nenhum jornalista pergunta

26/10/2012, FAIR-Fairness and Accuracy in Reporting
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido na Vila Vudu: Sinal de avanço considerável nos debates pré-eleitorais no Brasil é que, aqui, os jornalistas empregados das empresas-imprensa já estão contidos, exclusivamente, na função de cronometradores.
Só depois de encerrada a votação, as empresas-imprensa liberam seus empregados para que digam, ao vivo, todas as asneiras que lhes ocorram às cabeças mal informadas, à guisa de “análises”, e façam todas as perguntas viciadas e preconceituosas que lhes ocorram às cabeças idem.
Assim se preserva no Brasil, melhor do que nos EUA, a lisura democratizatória das eleições: resistindo o mais possível à ação DES-democratizatória de jornalistas empregados de empresas-imprensa viciosas, quando não são empresas ativamente fascistizantes.
Mas não se conclua daí que os jornalistas das empresas-imprensa brasileira sejam qualitativamente melhores que outros. Não são.

Os jornalistas das empresas-imprensa no Brasil são os piores do mundo e impingem aqui, a consumidores PAGANTES, o pior jornalismo do mundo.

No Brasil, de diferente, é que a democracia que está hoje em reconstrução já é muito melhor que a decrépita e já quase completamente inoperante democracia norte-americana.
Jornalistas e jornais são, em todo o mundo em que reina a empresa-imprensa do capital, agentes de uniformização da opinião das massas, agentes de criação de consumidores para mercados de opinião & consumo, que são mercados como quaisquer outros e exigem comportamento/ pensamento/ opinião uniforme, de manada – o que o próprio jornalismo existe para construir, e as empresas-imprensa para modelar como produto e vender (Gramcsi dixit).

Mas é interessante ver que, nos EUA, o negócio é MUITO PIOR do que aqui!
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Os jornalistas do establishment das empresas-imprensa que moderaram os debates eleitorais dos candidatos dos dois principais partidos às eleições presidenciais de 2012 nos EUA mantiveram a discussão contida numa pauta absurdamente estreita. Os analistas de FAIR comentam.

Imensa quantidade de temas não foram trazidos à discussão pública coordenada por jornalistas, nas seis horas totais de debates televisionados. Dentre temas econômicos, ninguém perguntou a ninguém sobre miséria, desigualdade de renda, crise de moradia, sindicatos, agricultura ou sobre a ação do Fed - Federal Reserve.

As questões sociais também foram truncadas: nenhuma pergunta sobre raça, racismo, direitos dos gays (inclusive o direito ao casamento, para pessoas do mesmo sexo), liberdades civis, justiça criminal ou legalização de drogas. Apesar de haver quatro juízes na Suprema Corte já com idade superior a 70 anos, nenhum jornalista perguntou aos candidatos sobre que nomes têm em mente para futuras indicações à Suprema Corte ou a outros postos do Judiciário cuja indicação é prerrogativa do presidente.

Nem uma única referência à mudança climática, que, para muitos eleitores é a principal ameaça que pesa hoje não só sobre os EUA, mas sobre a humanidade – e foi a primeira vez que essa questão não veio à tona em ciclo de debates presidenciais desde 1984 (Treehugger, 22/10/2012). Nenhum tópico da pauta dos ambientalistas foi discutido – a menos que se inclua como tal a pergunta sobre preços da gasolina, proposta por um dos eleitores no debate em que havia eleitores presentes.

Temas internacionais, só sobre fatia estreitíssima do mundo; nenhuma pergunta sobre América Latina, África Subsaariana ou Europa, Rússia incluída.

O que perguntaram os jornalistas?

FAIR analisou os temas levantados nas perguntas propostas pelos jornalistas moderadores nos três debates presidenciais e no debate entre os candidatos a vice-presidente, e as perguntas propostas por candidatos indecisos selecionados pela jornalista Candy Crowley para o debate de 16/10 (tema surgido em mais de uma pergunta em cada segmento do debate foi contada como única referência ao tema).

FAIR contou 28 tópicos mencionados, no total, 53 vezes, em 35 segmentos de debate. 22 menções foram classificadas como “questão econômica”; 20, como “política externa”; e 10, como “políticas sociais”. Outras oito menções foram classificadas como “outros” – sobre caráter, táticas de campanha ou o legado George W. Bush. (Alguns tópicos – como “comércio” – foram classificados em mais de uma categoria).

Embora a questão n.1 entre os eleitores seja, com larga diferença à frente das demais, “empregos”, e tenha sido tópico citado com frequência nas perguntas, os jornalistas perguntaram duas vezes mais sobre “empregos” no quadro amplo da economia e em relação ao orçamento federal, que tratado como tema autônomo: 11 vezes na modalidade “diluída” versus 5 vezes em pergunta direta. A questão do déficit apareceu três vezes; impostos, quatro vezes; Seguridade Social e Medicare apareceram duas vezes cada tema, sempre no contexto dos gastos federais. O tema “comércio” só foi mencionado uma vez.

As perguntas de política internacional concentraram-se pesadamente no Oriente Médio e nos conflitos nos países de maioria muçulmana. Líbia e Afeganistão foram citados três vezes nos debates; Irã e Síria, três vezes cada; e Israel, Paquistão e Egito, só foram referidos num único segmento. À parte um momento, em que falaram da China, nenhum jornalista perguntou a nenhum candidato sobre qualquer outra região do planeta.

Nem todas as questões de política internacional, consideraram só uma parte do mundo; em seis outros segmentos dos debates houve questões sobre os militares, política de segurança ou política internacional em geral. Uma dessas foi sobre a guerra de drones; mas o jornalista moderador Bob Schieffer (22/10/2012) assumidamente nada perguntou ao presidente responsável pela guerra dos drones:

“Pergunto ao senhor, governador, porque já conhecemos a posição do presidente Obama sobre isso: qual sua posição sobre o emprego dos drones?”

Nas relativamente poucas perguntas sobre políticas sociais, atenção à saúde apareceu três vezes – incluídos dois segmentos em que a pergunta foi sobre a contribuição do Medicare para o aumento do déficit. Por duas vezes levantaram-se questões de gênero; controle de armas, só uma vez.

Importante – e absolutamente sem importância

Não houve tempo para discutir número altíssimo de temas políticos criticamente importantes, mas os jornalistas moderadores encontraram tempo para fazer perguntas absolutamente sem sentido. Por exemplo, Jim Lehrer (3/10/2012) perguntou aos candidatos a presidente: “O governo federal tem alguma responsabilidade na melhoria da educação pública nos EUA?” (Esperava talvez que Romney dissesse que não? Obama?) Ou o que Martha Raddatz perguntou aos candidatos a vice-presidente (11/10/2012):

“Se eleito, o que podem os senhores oferecer a esse país, como homem, como ser humano, que ninguém poderia dar, se não cada um de vocês?”

As perguntas selecionadas pelos moderadores nos debates refletem, presumivelmente, as questões que os jornalistas conhecidos da imprensa-empresa do establishment veem como importantes – e como desimportantes. Bem claramente, os jornalistas moderadores consideram mais importantes as questões do orçamento federal, do que os eleitores, ao serem convidados a indicar o principal problema que o país enfrenta.

As perguntas podem também refletir pressões partidárias: consideradas as perguntas propostas pelos moderadores, a principal questão de política internacional que os EUA enfrentariam hoje seria o assassinato do embaixador dos EUA na Líbia – importância difícil de explicar, se não se considera que a campanha de Romney definiu esse evento como uma das fontes principais de críticas contra a política externa do governo de Obama.

As influências partidárias e do próprio establishment da imprensa-empresa não devem surpreender ninguém, dado que a Comissão para os Debates Presidenciais é absolutamente controlada pelos dois principais partidos, e as campanhas podem vetar nomes de jornalistas para operarem como moderadores (FAIR Media Advisory, 3/10/2012) – modelo de debate que jamais permitirá que se façam perguntas realmente relevantes, sobre temas realmente importantes e diversificados.