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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

ONDE A PORCA TORCE O RABO

Laerte Braga


O ex-governador Aécio Neves mandou um recado curto e grosso a Lula. Se entrar para valer na campanha de Hélio Costa para o governo do estado, Minas, ele Aécio entra de sola na campanha de Serra em Minas e no País inteiro.


Aécio sentiu-se “traído” pelo presidente, mesmo que entre os dois não existisse nada além de um acordo tácito sobre a candidatura Dilma Roussef.


A bem da verdade Minas vive uma perspectiva deplorável. Não há menos ruim entre os dois candidatos com maior número de intenções de votos. Há bons candidatos, mas isso é outra história.


Hélio Costa além de estar envolvido em várias denúncias de corrupção, é homem da GLOBO e foi homem da repressão na ditadura militar. Foi o intérprete de Dan Mitrione, o sinistro arquiteto da Operação Condor.


Antônio Anastasia é um técnico que assessora tucanos de longa data e no Congresso Nacional Constituinte trabalhou full time contra conquistas sociais, principalmente de aposentados e pensionistas.


O PT de Minas, mesmo que negue, não está envolvido na campanha de Hélio Costa. Pimentel não conseguiu decolar, deve perder a segunda vaga no Senado para Itamar Franco e parte da direção do partido já mandou um recado também para Lula. “Quem pariu Mateus, que o embale”.


A candidatura do ex-ministro das Comunicações foi invenção de Lula, imposição de Lula.


Como conciliar todo esse conjunto de trapalhadas não sei, mas os últimos dados levantados por institutos de pesquisas mostram que, em Minas, Aécio conduz o eleitorado segundo sua vontade. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e nessa arrancada final da campanha pode atrapalhar a disparada de Dilma.


Nem a Lula e nem a Aécio interessa o choque frontal. Como nem a Lula e nem a Aécio interessa uma vitória de José Arruda Serra. Sair dessa é um desafio e o ex-governador foi claro no recado ao presidente. “Deixe Minas resolver as questões de Minas”.


As eleições devem ser decididas já no primeiro turno levando em consideração que os candidatos dos chamados partidos pequenos não somam mais que quatro por cento de intenções de votos. Nos últimos dias o candidato de Aécio começou uma ascensão e Hélio Costa viu seus números caírem.


Se Anastasia é um técnico comprometido com o neoliberalismo, Hélio Costa é uma tragédia absoluta em todos os sentidos.


O resultado disso é que o estado, nos próximos quatro anos, vai comer o pão que o diabo amassou.


A intransigência de Lula ao forçar o acordo com o PMDB em torno da candidatura de Hélio Costa, impedindo o PT de lançar candidato próprio e, pior, jogando o ex-ministro Patrus Ananias numa fria sem tamanho – vença ou não vença –, pode custar caro a Dilma Roussef.


E dentro do próprio PMDB o candidato é um corpo estranho. Boa parte do partido lhe dá as costas e torce por sua derrota. Outros, simplesmente, se distanciam da campanha, alguns até pelo cheiro fétido de corrupção que ronda o candidato.


Anastasia não é diferente.


Quem se estrepa é Minas.


Minas e Dilma, se Lula cismar de bater de frente com Aécio.


O que parecia ser a combinação perfeita, PT/PMDB está se mostrando um desastre absoluto. Se no PT Lula impôs o ex-ministro, no PMDB o grupo de Hélio fez lambanças desde o primeiro momento; continua fazendo e se as coisas continuarem como estão os dois, ele e Anastasia, devem chegar colados no final de setembro.


A bola agora está com Lula.


Arruda Serra já farejou sinais de crise e já disse a Aécio que o recebe de braços abertos no leito original.


É um momento de importância no processo eleitoral. A responsabilidade do presidente da República é grande. Uma coisa é bater de frente com FHC em São Paulo, outra é bater de frente com Aécio em Minas.


Neste momento é gelada.


Aécio foi claro através de códigos e emissários. “Ou ficamos no faz-de-conta-que-eu-ajudo-Serra-e-você-o-Hélio, ou vamos para o pau”.


Sabe aquelas bombas que o sujeito fica na dúvida se corta o fio vermelho ou o fio azul? Pois é.


Pode explodir tudo dependendo do fio que Lula cortar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O caso Nestlé, o programa Fome Zero e as águas de São Lourenço

A conivência do poder público e a pressão política para abafar o caso de repercussão internacional


Em uma dessas matérias, o vereador Cássio Mendes, do PT de São Lourenço, envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu pressões do Governo Federal (PT), para calar a boca.


Teria sido avisado de que o pessoal da Nestlé apóia o Programa Fome Zero e não está gostando do barulho em São Lourenço. Diga-se também que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro.


A empresa, como estratégia de marketing, incentiva os consumidores a comprar seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero. E qual é a real participação da Nestlé no programa? A contratação de agentes e, parece, também fornecendo o treinamento. Sim, a famosa Nestlé, que tem sido há décadas alvo internacional de denúncias de propaganda mentirosa, enganando mães pobres e educadores para a substituição de leite materno por produtos Nestlé, em um dos maiores crimes contra a humanidade.


A vendedora de leites e papinhas "substitutos" estaria envolvida com o treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo informações e gerando lucros e publicidade nas duas pontas do programa: compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e informação.Mais preocupante: o Governo Federal anuncia que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralização "parcial" das águas.O que é isso? Como será regulamentado?


Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irão fiscalizar a tal desmineralização "parcial"? Além do que, "parcial" ou "integral", a desmineralização é combatida por cientistas e pesquisadores de todo o mundo. E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa à Nestlé? O que nós cidadãos ganhamos com isso?


Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água.


É para essas empresas que o governo governa?


Colabore. Transmita estas informações para outras pessoas.


Mais informações sobre o caso Nestlé em: www.cidadaniapelasaguas.net


Conheça a história:


AS ÁGUAS TURVAS DA NESTLÉ


Por: Carla Klein


Há alguns anos a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões.


As águas minerais, de propriedades medicinais, e baixo custo, eram um eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em desuso, a partir dos anos 50, pela maciça campanha dos laboratórios farmacêuticos para vender suas fórmulas químicas através dos médicos. Mas o poder dessas águas permanece. Médicos da região, por exemplo, curam a anemia das crianças de baixa renda apenas com água ferruginosa.


Para fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde, desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente.


A desmineralização de água é proibida pela Constituição. Cientistas europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e acrescenta sais minerais para fechar a reação.


Em outras palavras, a PureLife é uma água química.


A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando por não obedecer às normas de restrição de impacto ambiental, expondo a saúde da população a riscos desconhecidos. O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido.


Troca de dutos na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em níveis além do aceito está comprometendo os poços minerais, cujas águas têm um lento processo de formação. Dois poços já secaram. Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades. Durante anos a Nestlé vinha operando, sem licença estadual. E finalmente obteve essa licença no início de 2004.


Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao governo e imprensa para combater o problema, conseguiu apoio, na Suíça, para interpelar a empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja Católica, Grupos Socialistas e a ong verde ATTAC uniram esforços contra a Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Suíça. Em janeiro deste ano, graças ao apoio desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente, e em público, o presidente mundial do Grupo Nestlé. Este, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço.


No dia seguinte, o governo de Minas (PSDB), baixou portaria que regulamentava a atividade da Nestlé. Ao invés de multas, uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal. Sem aproveitar o apoio internacional para o caso, apoiou uma corporação privada de histórico duvidoso.Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão.


Copiado do blog Juntos Somos Fortes