terça-feira, 24 de maio de 2011
Nilcilene: uma mulher “encomendada”
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Porto de Hamburgo não consegue explicar como lixo foi parar no Brasil
Brasil | 18.08.2010
As autoridades brasileiras tentam desvendar se a chegada de um navio carregado com lixo em território nacional foi um mero acidente. Os responsáveis na Alemanha, de onde a embarcação saiu, se negam a falar sobre o assunto.
"Nós não vamos dar qualquer informação sobre isso", foi a resposta ouvida pela Deutsche Welle do chefe de operações no porto de Hamburgo da Hanjin Shipping, empresa sul-coreana que fez o transporte.
O contêiner identificado no Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, armazenava 22 toneladas de lixo doméstico: embalagens de produtos de limpeza, fraldas descartáveis e outros resíduos contaminados. O documento que acompanhava a carga, no entanto, descrevia que se tratava de aparas de polímeros de etileno, ou seja, resíduos de processos industriais. Ainda segundo a declaração, o material seria proveniente da República Tcheca.
"O não cumprimento dos acordos internacionais é uma afronta aos países signatários. E todo mundo é signatário da Convenção da Basileia. De repente, a Alemanha e a República Tcheca estão mandando lixo doméstico para cá. Isso é afronta", disse Fernando Marques, diretor de qualidade ambiental do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Convenção de Basileia
Brasil, Alemanha e outros 166 países ratificaram a Convenção de Basileia, firmada em 1988. A convenção busca controlar a movimentação de resíduos perigosos entre países, a fim de garantir a segurança ambiental e humana.
Segundo informações da Autoridade do Porto de Hamburgo, todas os documentos de declaração sobre o conteúdo dos contêineres são checados pelos agentes de fiscalização. "Não há como toda carga ser inspecionada", explicou no entanto Bernd Glöckler, relações públicas do Porto de Hamburgo.
Glöcker também cita as normas da convenção internacional: para que um contêiner de lixo seja exportado legalmente, é preciso um certificado emitido pela autoridade local e pelo país que vai receber a carga. O transporte dos resíduos só poderá ocorrer após o consentimento formal das autoridades.
A Autoridade do Porto de Hamburgo não soube explicar o caso específico que envolve o Brasil.
Recorrência e suspeita
A empresa responsável pelo transporte, Hanjin Shipping, tem 10 dias para remover a carga – e terá que pagar uma multa de 1,5 milhão de reais às autoridades brasileiras.
O caso ainda não se transformou numa crise diplomática entre Brasil e Alemanha: o Ministério de Relações Exteriores só passa a cuidar do assunto se as demais autoridades nacionais não chegarem a um acordo com todos os envolvidos.
Em 2009, o Reino Unido teve que se retratar depois que uma carga de mais 1.400 toneladas de lixo foi identificada em três diferentes portos brasileiros – e o Itamaraty apresentou denúncia contra aquele país no secretariado da Convenção de Basiléia.
"Eu achei estranho que dessa vez só veio um contêiner. Eu não sei se eles estavam testando para ver se a gente está em alerta aqui, pra ver se passa mais lixo. Mas a Receita Federal do Brasil foi super eficiente e fez o trabalho dela", suspeita Fernando Marques.
Depois do incidente com o Reino Unido – e de mais de uma década após a apresentação do projeto original – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Política Nacional dos Resíduos Sólidos que incluiu, entre suas proibições, a importação de qualquer tipo de lixo.
Autora: Nádia Pontes
Revisão: Carlos Albuquerque
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5921955,00.html
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
Vítimas são escravizadas em área embargada pelo Ibama
Grupo de 13 pessoas era mantido em condições análogas à escravidão na Fazenda Agrinbó, em Vista Alegre do Abunã (RO). Embargada por infrações ambientais, área pertence a pecuarista que é dono do frigorífico Frigomard
Por Bianca Pyl
A situação foi classificada pela auditora do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Diana Rocha, como "um quadro clássico que caracteriza a escravidão contemporânea, com todas as irregularidades". Os 13 empregados não tinham carteira assinada ou qualquer registro trabalhista, nem direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
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| Barracos ficavam no meio da floresta e foram construídos pelas próprias vítimas (Foto: PRT-14) |
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| Carne de bezerro já abatido encontrada pelos empregados no meio da floresta (Foto: PRT-14) |
Uma cantina, na qual alimentos eram revendidos com preços superiores ao de mercado, era mantida pelo "gato". Até as ferramentas eram contabilizadas como dívidas.
Nenhum Equipamento de Proteção Individual (EPI) era fornecido, mesmo para a aplicação de agrotóxicos, o que fazia com que o risco de contaminação fosse alto. Todos os funcionários, inclusive o adolescente, trabalhavam com manuseio de substâncias altamente tóxicas, usadas para a limpeza do pasto. Um dos trabalhadores estava com as mãos roxas pelo contato com os produtos.
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| Água de córrego era usada para tomar banho, lavar louça e também para consumo (Foto: PRT-14) |
Na Fazenda Rebeca, que pertence à Marcos Santos da Silva, os fiscais encontraram outras 11 pessoas em regime de escravidão. A propriedade está localizada em Lábrea (AM). Foram lavrados 11 autos de infração.
De acordo com Klinger Moreira, auditor fiscal do trabalho do MTE que coordenou a ação, as vítimas dormiam em galpões que eram usados para armazenar agrotóxicos e suprimento para o gado nas duas fazendas flagradas. "O fogão ficava neste mesmo ambiente. Os empregados não tinham acesso a instalações sanitárias e nem à água potável", detalha Klinger.
Os trabalhadores eram moradores de regiões próximas às fazendas e estavam, em média, há dois meses nas fazendas, trabalhando no chamado "roço de juquira" (limpeza de terreno para a formação de pasto). Apesar da dificuldade inicial na negociação, os empregadores pagaram as verbas rescisórias e assinaram TAC com o MPT. A PF também participou da ação.
A Repórter Brasil tentou entrar em contato com os fazendeiros envolvidos, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
extraído do Repórter Brasil







