| Gráfico do histórico Dollar versus ouro nos últimos anos (Clique na imagem para aumentar) |
4/4/2012, Paul Craig
Roberts- Institute for Political
Economy
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
O Armagedon pode
estar bem próximo para os norte-americanos. A prova disso é o esforço
organizado, que fazem hoje o Federal Reserve e as instituições financeiras que
dependem dele, para afastar as pessoas do ouro e da prata; para conseguir isso,
empurram os preços para baixo.
Quando o preço do
ouro chegou a $1.917,50 a onça, dia 23/8/ 2011, gerando ganhos de mais de $500
em menos de oito meses, no auge de uma onda de crescimento que durara uma
década, a partir de $272 no final de dezembro de 2000, o Federal Reserve entrou
em pânico.
Com o dólar
norte-americano perdendo valor muito rapidamente em relação ao padrão-ouro
mundial, estava gravemente ameaçada a política do Federal Reserve, de imprimir
$1 trilhão por ano, como apoio às contas desequilibradas dos bancos e para
financiar o déficit federal. Quem acreditaria na taxa de conversão do dólar em
relação a outras moedas, com o valor do dólar já em colapso em relação ao preço
do ouro e da prata?
O Federal Reserve
percebeu que suas compras massivas de papéis, para manter altos os respectivos
preços (e os juros, portanto, baixos) estavam ameaçadas pela rápida perda de
valor do dólar em relação à prata e ao ouro. O Federal Reserve temia que grandes
compradores de dólares norte-americanos, como os bancos centrais da China e do
Japão e os fundos soberanos dos países OPEC, acompanhassem o movimento dos
investidores individuais e se afastassem do dólar norte-americano, o que
implicaria queda do valor de câmbio do dólar e do preço dos bônus e ações dos
EUA.
Pessoas racionais
e inteligentes logo teriam concluído que o governo dos EUA já não tem como
manter tantas guerras e guerras tão longas cuja engenharia é trabalho diário e
incansável dos neoconservadores; e que tampouco os EUA poderiam suportar a perda
de arrecadação e a queda de renda dos consumidores, depois que milhões de
empregos da classe média nos EUA foram exportados, à caça de ganhos de capital –
para manter os prêmios “por produtividade” assegurados a executivos, e os ganhos
dos acionistas dos bancos. Mas muita gente logo viu o que as cartas estavam
dizendo. E começaram a sair do dólar: passaram a comprar ouro e prata.
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| Corrida do US Dollar para o Ouro e os riscos incutidos nos investidores pela imprensa-empresa dos EUA |
Bancos centrais
demoram a agir. A Arábia Saudita e os petroemirados dependem da proteção dos EUA
e não querem irritar o protetor. O Japão é estado-fantoche, sempre zeloso para
que nada perturbe a relação com o patrão. A China queria controlar o mercado de
consumo norte-americano, enquanto esse mercado existisse. Mas os investidores
individuais, esses, começaram a fugir do dólar norte-americano.
Quando o ouro
chegou a $1.900, Washington inventou a conversa de que o ouro seria “uma bolha”.
A impressa-empresa, presstitute, alinhou-se imediatamente com a
propaganda inventada em Washington. Dia 23/8/2011, a rede CNN-Money “noticiou”:
“Ouro mostra traços de bolha”.
O Federal Reserve
usou seus bancos dependentes “grandes demais para quebrar” para drenar os
mercados de metais preciosos. Vendendo e vendendo, contra a crescente demanda, o
Federal Reserve conseguiu fazer baixar o preço do ouro para $1.750 e o manteve
mais ou menos controlado até recentemente, quando, nos dias 2-3/4/2013,
conseguiram baixar o ouro para $1.557; e a prata, que se aproximara de $50 a
onça em 2011, caiu para $27.
O Federal Reserve
começou o assalto de 1º de Abril ao ouro, mandando um recado às casas de câmbio,
as quais rapidamente o repassaram aos clientes: os hedge funds e outros grandes investidores logo
começariam a vender suas posições em ouro; e os clientes que tratassem de
livrar-se logo das posições que tivessem no mercado de metais preciosos, antes
do início daquelas grandes vendas. Dado que essa informação “interna” foi
estratégia do próprio governo, nenhum indivíduo poderá ser jamais processado por
crime de manipulação do mercado de ações e metais. Mediante essa operação, o
Federal Reserve, entidade radical e completamente corrompida, conseguiu combinar
os efeitos de uma onda vendedora individual e de uma onda vendedora
institucional. O preço do metal em barra caiu; e a sangria de dólares para o
ouro, que ameaçava converter-se em hemorragia torrencial, foi contida.
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| Desvalorização do US Dollar contra o Ouro de 1970 até 2012 |
Por hora, parece
que o Fed conseguiu criar suficiente desconfiança entre os americanos, que estão
sendo adestrados a desconfiar das virtudes do ouro e da prata. Assim, o Fed
ganha um pouco mais de tempo para continuar a imprimir dólar-papel e vai
conseguindo manter em pé o seu castelo de ar. Mas pode ter ganho, no máximo,
alguns poucos anos.
Contudo, para
russos e chineses, cujos bancos centrais têm muito mais dólares do que gostariam
de ter hoje, e para os 1,3 bilhão de indianos na Índia, o baixo preço do ouro
que o Fed inventou é boa oportunidade. Para eles, a possibilidade que o Fed lhes
deu, de comprar ouro a $350-$400/onça a menos que há dois anos, chega como uma
dádiva.
O ataque que o
Federal Reserve move contra o ouro em barra é ato de desespero o qual, quando
for corretamente avaliado e desmascarado, detonará toda a política do banco
central dos EUA.
Como já expliquei,
o golpe orquestrado contra o ouro e a prata visa a proteger o valor de troca do
dólar norte-americano. Se os metais preciosos não fossem ameaça, o banco central
dos EUA não os estaria atacando.
O Fed está
imprimindo $1 trilhão de novos dólares-papel por ano, mas o mundo afasta-se cada
vez mais rapidamente do dólar, tanto como moeda para pagamentos internacionais
quanto como moeda de reserva. Resultado, aumenta a oferta e diminui a demanda.
Significa que o valor de troca do dólar só cairá; que a inflação doméstica
devida ao aumento nos preços das importações só aumentará; que as taxas de juro
só subirão; e que virá o colapso dos mercados de papéis, ações e bens
imóveis.
Ao final das
contas, a manipulação, pelo Fed, contra o ouro não poderia absolutamente dar
certo e não dará. Visa apenas a dar mais tempo ao Fed, para tentar continuar a
financiar o orçamento federal com mais dinheiro-papel recém-impresso; para
manter baixos os juros; e para manter alta a dívida, com vistas a segurar os
balanços dos bancos.
Quando o Fed já
não puder continuar a imprimir dinheiro, por causa da queda do valor do dólar,
que a impressão de mais papel-dinheiro só fará aumentar, os depósitos em bancos
e as pensões serão confiscados, para financiar o déficit no orçamento federal
por mais um, dois anos. Qualquer coisa. Tentarão qualquer coisa para adiar a
catástrofe geral.
Manipular o
mercado de metais preciosos é crime. Dado porém que é crime praticado pelo Fed
do governo Obama, fica descartada a aplicação de qualquer lei.
Mas todos veem e
verão que esse ataque organizado pelo Fed contra os mercados de ouro e prata é o
sinal mais claro possível de que se aproximam graves turbulências. Estão
ameaçados o valor do dólar e todo e qualquer patrimônio denominado em dólares.
Rapidamente se verá que todos os
que acreditam no governo dos EUA e todos que acreditam em desregulação sempre
estiveram igualmente errados. Os EUA já passaram pelo pico da curva. Como já
previ no início do século 21: em 20 anos, os EUA seremos país do Terceiro Mundo.
Já andamos metade do caminho.







