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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Manipulações do MERCADO, cada vez mais ARRISCADAS... e DESEPERADAS

7/2/2014, [*]Paul Craig Roberts e [**] Dave Kranzler - IPE
Traduzido por João Aroldo


Manipulando o mercado do OURO
Em dois artigos recentes nós explicamos os comos e os porquês da manipulação do preço do ouro. As manipulações estão se tornando cada vez mais evidentes. Em 6 de fevereiro os preços do mercado futuro de ouro e de ações foram simultaneamente manipulados.

Em várias ocasiões recentes o ouro tentou forçar um preço de 1.270 dólares por onça. Se o preço do ouro sobe além desse nível, isso provocaria uma enxurrada de cobertura de posições vendidas pelos fundos de hedge que pegam “carona” na manipulação do ouro dos bancos. As compras por parte dos fundos de hedge, a fim de cobrir as suas posições vendidas, levaria o preço do ouro para cima.

Com a pressão exercida pela pouca oferta de barras de ouro físicas disponíveis para entrega à China, o Fed está ficando mais desesperado para conter o preço do ouro. A recente grande queda no mercado de ações ameaçou a política do Fed de tirar a pressão do dólar cortando as compras de títulos e reduzindo a quantidade de monetização da dívida.

Quinta-feira, 6/2/2014, fornece uma imagem clara de como o Fed protege sua política através da manipulação dos mercados de ouro e ações. O ouro começou a subir na noite anterior quando os mercados asiáticos abriam. O ouro aumentou de forma constante, de 1.254 dólares/onça  até um máximo de 1.267 dólares/onça logo após a abertura da Comex (08h20 horário de NY). O pico na abertura da Comex reflete uma corrida de cobertura de posições vendidas, e o mercado futuro de ações parecia que estava prestes a tornar-se negativo durante o dia. No entanto, a partir das 08h50, eis o que aconteceu com futuros Comex e ações futuras da S&P 500:

(clique no gráfico para aumentar)

Às 08h50, horário de NY (o horário do gráfico é hora de Denver), havia 3.225 contratos no chão da Comex. Durante as últimas 14 horas e 50 minutos de negociação, cerca de 76 mil contratos totais para abril foram negociados (sistema Globex computador + chão Comex), menos de uma média de 85 contratos por minuto. Os 3.225 contratos de futuros vendidos em um minuto causou um declínio de US$ 15 dólares no preço do ouro. Ao mesmo tempo, o mercado de ações futuro misteriosamente atingia um pico:

(clique no gráfico para aumentar)

A economia está ficando mais fraca. A política do Fed está, obviamente, falhando, apesar de pronunciamentos oficiais recentes de que a economia está melhorando e de que as políticas monetárias de Bernanke tiveram sucesso. Um estudo recém-publicado de Jing Cynthia Wu e Fan Dora Zia conclui que o impacto positivo da política do Federal Reserve de flexibilização quantitativa é tão pequena a ponto de ser insignificante. A expansão de multitrilhões de dólares no balanço da Federal Reserve baixou a taxa de desemprego em pouco mais de dois décimos de um por cento, elevou o índice de produção industrial em 2 por cento, e meras 34 mil novas casas.

A renovação da batalha sobre o limite do teto da dívida tem viés de alta para o ouro e de baixa para as ações. No entanto, com a manipulação constante do preço do ouro e médias de ações via ouro e mercado de futuros, o funcionamento normal dos mercados que estabelecem valores verdadeiros é interrompido.

Um problema crescente para os manipuladores é que o Ocidente está com pouco ouro disponível para entregar à China e outros compradores asiáticos. Em janeiro, a China recebeu uma quantidade recorde de ouro. A China está fechada desde sexta-feira passada na celebração do Ano-Novo Chinês. Quando a China retomar as compras, a inadimplência na entrega se aproxima.


Uma maneira para o Fed e os bancos de ouro adiar o calote em compras chinesas é forçar os titulares de contratos futuros de ouro a pagar em dinheiro, não em entrega de ouro, levando o preço para baixo durante períodos pesados de entrega Comex. Isto é o que provavelmente ocorreu em 6 de fevereiro, além da manutenção de preços de ouro rotineira do Fed.

Segundo o relatório Comex de quinta-feira (6/2/2014) para fechamento de quarta-feira (5/2/2014), havia cerca de 616 mil onças de ouro disponíveis para serem entregues a partir dos cofres Comex para os contratos de fevereiro, totalizando pouco mais de 400 mil onças, dos quais os avisos de entrega para 100 mil onças foram dados na noite de quarta-feira passada (5/2/2014). Se os detentores dos outros 300.000 contratos optarem por receber a entrega, em vez de acerto em dinheiro, os contratos de fevereiro iriam absorver dois terços do ouro Comex disponíveis para entrega.

Estoques de ouro da COMEX decaem rapidamente...
O estoque de ouro Comex tem sido uma grande fonte de remessas de ouro do Ocidente para o Oriente, resultando em um declínio do estoque de ouro Comex por mais de 4 milhões de onças - 113 toneladas-durante o ano de 2013. Sabemos, a partir de relatórios de refinarias de barras suíças, que as barras de ouro Comex de 100 onças estão sendo recebidas por estas refinarias e refundidas em barras de um quilo preferidas pelos chineses e enviadas para Hong Kong. Com a quantidade de ouro físico nos cofres da Comex sendo rapidamente removida, o Fed e os bancos de ouro usam táticas de emboscada do mercado, como as que descrevemos acima, para aumentar e conservar a oferta de ouro disponível para entrega.

Os leitores têm perguntado se o ouro pode continuar a ter posições cobertas na Comex, já que não há ouro para a entrega. Pelo que vimos, a manipulação da taxa LIBOR, do preço do ouro em Londres, das taxas de câmbio, do preço das ações e da manipulação de futuros do ouro e dos preços do mercado de ações - não sabemos qual é o limite para a capacidade do Fed, do Tesouro, da Plunge Protection Team (Equipe de Proteção de Queda), o Exchange Stabilization Fund (Fundo de Estabilização de Câmbio), e dos bancos para manipular os mercados.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week eScripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. 
Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus   o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.



[**] Dave Kranzler foi comerciante de títulos de alto rendimento para Bankers Trust por uma década. É co-fundador e diretor da Golden Returns Capital LLC e gerente do Precious Metals Opportunity Fund.

sábado, 6 de abril de 2013

Paul Craig Roberts - O assalto ao ouro



Gráfico do histórico Dollar versus ouro nos últimos anos
(Clique na imagem para aumentar)


4/4/2012, Paul Craig Roberts- Institute for Political Economy
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


O Armagedon pode estar bem próximo para os norte-americanos. A prova disso é o esforço organizado, que fazem hoje o Federal Reserve e as instituições financeiras que dependem dele, para afastar as pessoas do ouro e da prata; para conseguir isso, empurram os preços para baixo.

Quando o preço do ouro chegou a $1.917,50 a onça, dia 23/8/ 2011, gerando ganhos de mais de $500 em menos de oito meses, no auge de uma onda de crescimento que durara uma década, a partir de $272 no final de dezembro de 2000, o Federal Reserve entrou em pânico.

Com o dólar norte-americano perdendo valor muito rapidamente em relação ao padrão-ouro mundial, estava gravemente ameaçada a política do Federal Reserve, de imprimir $1 trilhão por ano, como apoio às contas desequilibradas dos bancos e para financiar o déficit federal. Quem acreditaria na taxa de conversão do dólar em relação a outras moedas, com o valor do dólar já em colapso em relação ao preço do ouro e da prata?

O Federal Reserve percebeu que suas compras massivas de papéis, para manter altos os respectivos preços (e os juros, portanto, baixos) estavam ameaçadas pela rápida perda de valor do dólar em relação à prata e ao ouro. O Federal Reserve temia que grandes compradores de dólares norte-americanos, como os bancos centrais da China e do Japão e os fundos soberanos dos países OPEC, acompanhassem o movimento dos investidores individuais e se afastassem do dólar norte-americano, o que implicaria queda do valor de câmbio do dólar e do preço dos bônus e ações dos EUA.

Pessoas racionais e inteligentes logo teriam concluído que o governo dos EUA já não tem como manter tantas guerras e guerras tão longas cuja engenharia é trabalho diário e incansável dos neoconservadores; e que tampouco os EUA poderiam suportar a perda de arrecadação e a queda de renda dos consumidores, depois que milhões de empregos da classe média nos EUA foram exportados, à caça de ganhos de capital – para manter os prêmios “por produtividade” assegurados a executivos, e os ganhos dos acionistas dos bancos. Mas muita gente logo viu o que as cartas estavam dizendo. E começaram a sair do dólar: passaram a comprar ouro e prata.

Corrida do US Dollar para o Ouro e os riscos incutidos nos investidores pela imprensa-empresa dos EUA

Bancos centrais demoram a agir. A Arábia Saudita e os petroemirados dependem da proteção dos EUA e não querem irritar o protetor. O Japão é estado-fantoche, sempre zeloso para que nada perturbe a relação com o patrão. A China queria controlar o mercado de consumo norte-americano, enquanto esse mercado existisse. Mas os investidores individuais, esses, começaram a fugir do dólar norte-americano.

Quando o ouro chegou a $1.900, Washington inventou a conversa de que o ouro seria “uma bolha”. A impressa-empresa, presstitute, alinhou-se imediatamente com a propaganda inventada em Washington. Dia 23/8/2011, a rede CNN-Money “noticiou”: “Ouro mostra traços de bolha”.

O Federal Reserve usou seus bancos dependentes “grandes demais para quebrar” para drenar os mercados de metais preciosos. Vendendo e vendendo, contra a crescente demanda, o Federal Reserve conseguiu fazer baixar o preço do ouro para $1.750 e o manteve mais ou menos controlado até recentemente, quando, nos dias 2-3/4/2013, conseguiram baixar o ouro para $1.557; e a prata, que se aproximara de $50 a onça em 2011, caiu para $27.

O Federal Reserve começou o assalto de 1º de Abril ao ouro, mandando um recado às casas de câmbio, as quais rapidamente o repassaram aos clientes: os hedge funds e outros grandes investidores logo começariam a vender suas posições em ouro; e os clientes que tratassem de livrar-se logo das posições que tivessem no mercado de metais preciosos, antes do início daquelas grandes vendas. Dado que essa informação “interna” foi estratégia do próprio governo, nenhum indivíduo poderá ser jamais processado por crime de manipulação do mercado de ações e metais. Mediante essa operação, o Federal Reserve, entidade radical e completamente corrompida, conseguiu combinar os efeitos de uma onda vendedora individual e de uma onda vendedora institucional. O preço do metal em barra caiu; e a sangria de dólares para o ouro, que ameaçava converter-se em hemorragia torrencial, foi contida.

Desvalorização do US Dollar contra o Ouro de 1970 até 2012
Por hora, parece que o Fed conseguiu criar suficiente desconfiança entre os americanos, que estão sendo adestrados a desconfiar das virtudes do ouro e da prata. Assim, o Fed ganha um pouco mais de tempo para continuar a imprimir dólar-papel e vai conseguindo manter em pé o seu castelo de ar. Mas pode ter ganho, no máximo, alguns poucos anos.

Contudo, para russos e chineses, cujos bancos centrais têm muito mais dólares do que gostariam de ter hoje, e para os 1,3 bilhão de indianos na Índia, o baixo preço do ouro que o Fed inventou é boa oportunidade. Para eles, a possibilidade que o Fed lhes deu, de comprar ouro a $350-$400/onça a menos que há dois anos, chega como uma dádiva.

O ataque que o Federal Reserve move contra o ouro em barra é ato de desespero o qual, quando for corretamente avaliado e desmascarado, detonará toda a política do banco central dos EUA.

Como já expliquei, o golpe orquestrado contra o ouro e a prata visa a proteger o valor de troca do dólar norte-americano. Se os metais preciosos não fossem ameaça, o banco central dos EUA não os estaria atacando.

O Fed está imprimindo $1 trilhão de novos dólares-papel por ano, mas o mundo afasta-se cada vez mais rapidamente do dólar, tanto como moeda para pagamentos internacionais quanto como moeda de reserva. Resultado, aumenta a oferta e diminui a demanda. Significa que o valor de troca do dólar só cairá; que a inflação doméstica devida ao aumento nos preços das importações só aumentará; que as taxas de juro só subirão; e que virá o colapso dos mercados de papéis, ações e bens imóveis.

Ao final das contas, a manipulação, pelo Fed, contra o ouro não poderia absolutamente dar certo e não dará. Visa apenas a dar mais tempo ao Fed, para tentar continuar a financiar o orçamento federal com mais dinheiro-papel recém-impresso; para manter baixos os juros; e para manter alta a dívida, com vistas a segurar os balanços dos bancos.

Quando o Fed já não puder continuar a imprimir dinheiro, por causa da queda do valor do dólar, que a impressão de mais papel-dinheiro só fará aumentar, os depósitos em bancos e as pensões serão confiscados, para financiar o déficit no orçamento federal por mais um, dois anos. Qualquer coisa. Tentarão qualquer coisa para adiar a catástrofe geral.


Manipular o mercado de metais preciosos é crime. Dado porém que é crime praticado pelo Fed do governo Obama, fica descartada a aplicação de qualquer lei.

Mas todos veem e verão que esse ataque organizado pelo Fed contra os mercados de ouro e prata é o sinal mais claro possível de que se aproximam graves turbulências. Estão ameaçados o valor do dólar e todo e qualquer patrimônio denominado em dólares.

Rapidamente se verá que todos os que acreditam no governo dos EUA e todos que acreditam em desregulação sempre estiveram igualmente errados. Os EUA já passaram pelo pico da curva. Como já previ no início do século 21: em 20 anos, os EUA seremos país do Terceiro Mundo. Já andamos metade do caminho.