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domingo, 24 de maio de 2015

Pepe Escobar: BRICS sapateiam sobre os EUA na América do Sul


22/5/2015, [*] Pepe EscobarRussia Today – RT
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Os presidentes Cristina Kirchner e Vladimir Putin em reunião recente
Começou em abril/2015, com uma leva de acordos entre Argentina e Rússia, assinados durante a visita da presidenta Cristina Kirchner a Moscou.

E continuou com um investimento de US$ 53 bilhões, acertado enquanto o premiê chinês Li Keqiang visitava o Brasil, na primeira parada de mais uma ofensiva comercial pela América do Sul – e completado com uma doce metáfora: Li viajou num vagão fabricado na China, que trafegará por uma nova linha de metrô no Rio de Janeiro que estará operante para os Jogos Olímpicos de 2016.

Onde estão os EUA em tudo isso? Em lugar algum. Não estão. Aos poucos, passo a passo, mas inexoravelmente, países membros do grupo BRICS, a China e em menor medida também a Rússia – trabalharam para, nada menos que, reestruturar o comércio e a infraestrutura por toda a América Latina.

Incontáveis missões comerciais chinesas abordaram essas praias, sem descanso, mais ou menos como os EUA fizeram entre a Iª e a IIª Guerra Mundial. Numa reunião crucialmente importante em janeiro, com empresários latino-americanos, o presidente Xi Jinping prometeu encaminhar US$ 250 bilhões para projetos de infraestrutura, nos próximos dez anos.

Grandes projetos de infraestrutura na América Latina estão sendo financiados por capital chinês – exceto o porto de Mariel, em Cuba, financiado pelo BNDES do Brasil, e cuja operação ficará a cargo da operadora de portos PSA International Pte Ltd., de Cingapura. A construção do Canal da Nicarágua – maior, mais largo e mais profundo que o do Panamá – começou ano passado, por empresa construtora de Hong Kong, e deve estar concluído em 2019. A Argentina, por sua vez, obteve empréstimo de US$ 4,7 bilhões dos chineses, para construir duas barragens hidrelétricas na Patagônia.

Entre os 35 acordos comerciais firmados durante a visita de Li ao Brasil, estão um financiamento de US$ 7 bilhões para a gigante estatal brasileira do petróleo, Petrobras; foram negociados 22 jatos comerciais da Embraer, comprados pela Tianjin Airlines por US $1,3 bilhão; e vários outros acordos envolvendo a mineradora brasileira Vale. Os investimentos chineses devem ir, de algum modo, para recuperação e reparos do horrendo sistema brasileiro de rodovias, ferrovias e portos; os aeroportos estão em melhor estado, porque foram recuperados antes da Copa do Mundo de futebol, ano passado. 

PM chinês, Li Keqiang e a Presidenta Dilma Rousseff
A estrela do show é sem dúvida a mega ferrovia de 3.500 quilômetros de extensão, de US$ 30 bilhões, prevista para ligar o porto de Santos no Brasil ao porto peruano de Ilo, no Pacífico peruano, cortando a Amazônia. Logisticamente, é absoluta necessidade para o Brasil, abrindo uma via até o Pacífico. Quem mais ganhará serão inevitavelmente os produtores decommodities – de minério de ferro a soja em grãos – que exportam para a Ásia, 

A ferrovia Atlântico-Pacífico pode ser projeto extremamente complexo – envolvendo questões de todo tipo, das ambientais a questões de terras, até a preferência que tem de ser dada na construção a firmas chinesas, sempre que os bancos chineses decidem sobre estender suas linhas de crédito. Mas dessa vez está resolvido. Os suspeitos de sempre estão – e o que mais poderiam estar? – preocupados.

De olho na geopolítica

A política oficial do Brasil, desde os anos Lula, tem sido atrair grandes investimentos chineses. China é o principal parceiro comercial do Brasil, desde 2009; antes, foram os EUA. A tendência começou com produção de alimentos, agora passa para investimentos em portos e ferrovias, e o próximo estágio será transferência de tecnologia. O Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, e o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura liderado pela China (BAII), do qual o Brasil é membro fundador chave, fará, sem dúvida alguma, parte do mesmo quadro.

O problema é que essa massiva interatuação comercial e de negócios, entre todos os BRICS se intercruza com processo político dos mais complexos. As três grandes potências da América do Sul – Brasil, Argentina e Venezuela – vêm enfrentando repetidas tentativas de “desestabilização”, coisa dos suspeitos de sempre, que regularmente denunciam a política externa das presidentas Dilma Rousseff e Cristina Kirchner e do presidente Nicolas Maduro, enquanto os mesmos suspeitos de sempre continuam a ansiar pelos bons velhos tempos quando esses países viviam sob dependência de Washington.


Com diferentes graus de complexidade – e disputas internas – Brasília, Buenos Aires e Caracas estão enfrentando simultaneamente complôs contra a ordem institucional. Os suspeitos de sempre já nem tentam dissimular a distância diplomática quase total em que estão, em relação aos Três Grandes sul-americanos.

Venezuela, sob sanções dos EUA, é considerada ameaça à segurança nacional dos EUA – ideia que não presta nem como piada ruim. Kirchner tem estado sob implacável assalto diplomático – para nem falar dos fundos abutres norte-americanos que atacam a Argentina. E com Brasília, as relações estão praticamente congeladas desde setembro de 2013, quando Rousseff suspendeu visita que faria a Washington, como resposta a ações de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA contra a Petrobras e também contra a própria presidenta.

E tudo isso nos leva a uma questão geoestratégica crucial – até aqui ainda não resolvida.

A Agência de Segurança Nacional dos EUA pode ter vazado informação sensível com o objetivo de desestabilizar a agenda de desenvolvimento do Brasil – que inclui, no caso da Petrobras, a exploração das maiores reservas de depósitos de petróleo (o “pré-sal”) encontradas até aqui, nesse jovem século XXI.

O que se está desenrolando é absolutamente crucial, porque o Brasil é a segunda maior economia da (depois dos EUA); é a maior potência comercial e financeira da América Latina; abriga o ex-segundo maior banco de desenvolvimento do mundo, o BNDES, posto que agora lhe foi tirado pelo banco dos BRICS; e também é sede da maior empresa da América Latina, Petrobras, também das maiores gigantes mundiais de energia.

Petrobras -Edifício sede, RJ-Brasil
A pressão violentíssima que está sendo feita contra a Petrobras parte essencialmente de acionistas norte-americanos – que atuam como abutres, dedicados a fazer sangrar a empresa e a arrancar lucros da hemorragia, aliados a lobbyistas que abominam o status da Petrobras como exploradora prioritária dos depósitos do pré-sal.

Em resumo, o Brasil é a maior fronteira soberana que resiste contra a dominação hegemônica ilimitada das Américas. É claro que o Império do Caos está incomodado.

Surfe a onda continental

A parceria estratégica sempre em transformação que liga as nações BRICS foi recebida em círculos de Washington não só com incredulidade, mas com medo. É praticamente impossível para Washington causar dano real à China. – Muito mais “fácil”, comparativamente se atacar o Brasil ou a Rússia. Ainda que a ira de Washington concentre-se essencialmente contra a China – que se atreveu a construir negócio após negócio no antigo “quintal dos EUA”.

Mais uma vez, a estratégia dos chineses – bem como dos russos – é manter a calma e exibir perfil de “ganha-ganha”. Xi Jinping reuniu-se com Maduro em janeiro para fazer – e o mais seria? – negócios. Reuniu-se com Cristina Kirchner em fevereiro para fazer o mesmo, exatamente quando especuladores preparavam-se para lançar mais um ataque contra o peso argentino. Agora, aí está a visita de Li à América do Sul.

Desnecessário dizer, os negócios entre América do Sul e China só fazem crescer. Argentina exporta alimentos e soja em grão; Brasil idem, e mais petróleo, minérios e madeira; Colômbia vende petróleo e minérios; Peru e Chile, cobre e ferro; Venezuela vende petróleo; Bolívia, minérios. China exporta principalmente produtos manufaturados de alto valor agregado.

Megaferrovia Santos-Brasil até Ilo-Peru
Desenvolvimento chave a observar é o futuro imediato do Projeto Transul, proposto pela primeira vez numa conferência dos BRICS, ano passado no Rio. Em resumo, é uma aliança estratégica Brasil-China que conecta o desenvolvimento industrial brasileiro ao fornecimento de metais para a China; a crescente demanda chinesa – estão construindo nada menos que 30 megalópolis até 2030 – sendo suprida por companhias brasileiras ou sino-brasileiras. Agora, afinal, Pequim apôs ao projeto o seu selo de aprovação.

Por tudo isso, o Grande Quadro permanece inexorável no longo prazo; as nações BRICS e sul-americanas – que convergem na União das Nações Sul-Americanas, UNASUL – estão também apostando numa ordem mundial multipolar, e num processo de independência continental.

Muito fácil ver o quanto tudo isso está a oceanos de distância de uma Doutrina Monroe. 

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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: SputinikTom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today, e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009. 
− Adquira seu novo livro Empire of Chaos, publicado no final de 2014 pela Nimble Books.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Importante Discurso do Presidente da China, Xi Jinping

Ministério das Relações Exteriores da República Popular da China

29/11/2014, Conferência Central sobre Trabalho Relacionado a Assuntos Exteriores, Pequim
Traduzido do inglês pelo pessoal da Vila Vudu


Xi Jinping em 29/11/2014
A Conferência Central sobre Trabalho Relacionado a Assuntos Exteriores foi realizada em Pequim, dias 28-29 de novembro de 2014.

Xi Jinping, Secretário-Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC), presidente da China e presidente da Comissão Militar Central, fez importante discurso àquela conferência.

Destacou a importância de manter-se bem alta a bandeira da paz, do desenvolvimento, da cooperação de ganha-ganha, para defesa dos interesses domésticos e internacionais da China, de suas prioridades de desenvolvimento e segurança em relação equilibrada, focando o superior objetivo de desenvolvimento pacífico e renovação nacional, promovendo os interesses da soberania, segurança e desenvolvimento da China, em ambiente internacional mais produtivo com vista ao desenvolvimento pacífico, e mantendo e sustentando o importante período de oportunidade estratégica para o desenvolvimento da China.

Esses esforços devem assegurar que se alcancem os “objetivos dos dois Centenários” (duplicar o PIB de 2010 e a renda per capita de residentes urbanos e rurais e completar a construção de uma sociedade com prosperidade inicial em todos os campos, quando o CNP celebra seu centenário; e converter a China em país socialista moderno, próspero, forte, democrático, culturalmente avançado e harmonioso, quando a República Popular da China celebra o seu centenário) e o sonho chinês de uma grande renovação da nação chinesa.

Plenário da Conferência Central sobre
Trabalho Relacionado a Assuntos Exteriores
A Conferência foi presidida por Li Keqiang, membro do Comitê Dirigente do Gabinete Político do Comitê Central do Congresso Nacional do Povo (CNP) e premiê do Conselho de Estado. Participaram da Conferência: Zhang Dejiang, do Comitê Dirigente do Gabinete Político do Comitê Central do CNP e Presidente do Comitê Dirigente do CNP; Yu Zhengsheng, membro do Comitê Dirigente do Gabinete Político do Comitê Central do CNP e presidente da Comissão Nacional da Conferência Política Consultiva do Povo da China; Liu Yunshan, membro do Comitê Dirigente do Gabinete Político do Comitê Central do CNP e membro do Secretariado do Comitê Central do CNP; Wang Qishan, membro do Comitê Dirigente do Gabinete Político e secretário da Comissão Central para Inspeção Disciplinar do Comitê Central do CNP; e Zhang Gaoli, membro do Comitê Dirigente do Gabinete Político do Comitê Central do CNP e vice-presidente do Conselho de Estado.

Convocada pela liderança central do Partido para promover a diplomacia chinesa sob as novas condições, essa importante reunião – conforme a orientação da Teoria Deng Xiaoping, o importante pensamento dos três Representa” [ing. “Three Represents” [1]] e a visão científica do desenvolvimento – implementar na íntegra as decisões do 18º Congresso Nacional do CNP e dos 3º e 4º Plenos do 18º Comitê Central do CNP – visa a:

(I) obter plena compreensão dos mutáveis desenvolvimentos internacionais e do ambiente externo em que vive a China; e
(II) a oferecer as linhas mestras, princípios básico, objetivos estratégicos e principal missão da diplomacia chinesa na nova era e sua missão de fazer novos avanços nas relações exteriores da China.

Em seu discurso, Xi Jinping destacou que desde o 18º CNP, a liderança central do Partido, tendo em mente os interesses domésticos e internacionais da China, manteve a continuidade e a consistência da política externa chinesa, fortaleceu o planejamento geral e tomou firmes iniciativas, com o que obteve notável progresso. Tendo em mente as novas tarefas a serem levadas a cabo sob novas condições, trabalhamos duro para dar prosseguimento criativo à diplomacia da China, na teoria como na prática, destacando o significado global do sonho chinês e enriquecendo o pensamento estratégico do desenvolvimento pacífico. Advogamos a construção de um novo tipo de relações internacionais baseadas em cooperação ganha-ganha; apresentamos e seguimos uma política de defender a justiça e buscar interesses partilhados, e promovemos uma nova visão de segurança ampla, comum, cooperativa e sustentável.

Assumimos a tarefa de construir um novo modelo de relações entre os grandes países, apresentamos e praticamos uma política de vizinhança que manifesta amizade, sinceridade, benefícios mútuos e inclusividade, e também uma orientação para as relações da China com a África que manifesta sinceridade, resultados reais, afinidade e boa fé.

Essas realizações não teriam sido possíveis sem a dedicação dos camaradas encarregados dos assuntos exteriores da China, sobretudo os que trabalham em países distantes [ing. “overseas”]. Em nome do Comitê Central do CNP e do Conselho de Estado, Xi Jinping serviu-se dos termos mais elogiosos e agradeceu demoradamente a todos que trabalham no frontdiplomático.

Xi Jinping fez análise incisiva dos desenvolvimentos globais em curso e da mutável arquitetura internacional. Destacou que para construir compreensão ampla dos desenvolvimentos globais e seguir a tendência subjacente dos tempos atuais é tarefa crucialmente importante e ininterrupta, que exige nossa atenção concentrada. A China tem de manter-se afinada com os desenvolvimentos globais, se quer o desenvolvimento.

É importante ter uma perspectiva global e compreensão profunda da tendência subjacente do momento atual; fazer avaliações firmes, acuradas e profundas do mutável ambiente internacional; e dissecar fenômenos complexos, para expor a essência e, em particular, para obter avaliação profunda da tendência de longo prazo. Ao mesmo tempo em que a China concentra-se na complexidade da mutável arquitetura internacional, temos de reconhecer que a tendência crescente na direção de um mundo multipolar não mudará.

Ao mesmo tempo em que a China está plenamente consciente de que os ajustes econômicos globais não se farão como velas que navegam em mar sereno, os chineses têm de reconhecer que a globalização econômica não parará.

Ao mesmo tempo em que se mantêm plenamente alerta para a gravidade das tensões e das lutas internacionais, os chineses têm de reconhecer que a paz e o desenvolvimento permanecerão sem alteração como tendência subjacente de nosso tempo.

Ao mesmo tempo em que nos mantemos finamente conscientes de que a disputa pela ordem internacional será longa e demorada, os chineses temos de reconhecer que a direção do sistema internacional no rumo das reformas não se alterará.

Ao mesmo tempo em que reconhecemos plenamente que há incerteza no ambiente vizinho da China, os chineses temos de saber que a tendência geral na direção da prosperidade e da estabilidade na região do Pacífico-Asiático não sofrerá alteração.

Xi Jinping enfatizou que o mundo de hoje está em transformação. É mundo no qual novas oportunidades e novos desafios continuam a emergir, mundo no qual o sistema internacional e a ordem internacional passam por ajuste profundo, e mundo no qual as forças internacionais relativas estão em profunda importante, a favor da paz e do desenvolvimento.

Ao observar esse mundo, não podemos permitir que nossa visão seja bloqueada por eventos intrincados. Temos de observa o mundo mediante o prisma das leis históricas.

Todos os fatores considerados, podemos ver que a China ainda está num importante período de oportunidade estratégica para sua missão de desenvolvimento, no qual muito pode ainda ser feito. Nossa maior oportunidade está no desenvolvimento ininterrupto e cada vez mais forte.

Por outro lado, temos de considerar os vários riscos e desafios, e diluir com habilidade potenciais crises, convertendo-as em oportunidades para o desenvolvimento da China.

Xi Jinping observou que a China entrou em estágio crucial para alcançar a meta de grande renovação da nação chinesa.

As relações da China com o resto do mundo passam hoje por mudanças profundas; suas interações com a comunidade internacional tornaram-se mais próximas hoje do que jamais antes. Estão aumentando a dependências da China em relação ao mundo, e o envolvimento da China nos negócios internacionais – e assim também o mundo depende cada vez mais da China e aumenta o impacto mundial sobre a China.

Por tudo isso, ao projetar e ao adotar planos para reforma e desenvolvimento, os chineses temos de dedicar atenta consideração aos dois mercados, doméstico e internacional; aos recursos domésticos, como aos recursos externos; e a ambas as regras, domésticas e internacionais e usá-las de modo coordenado.

Xi Jinping destacou que a China deve desenvolver abordagem diplomática clara, conforme seu papel de grande potência mundial. Devemos, a partir de nossa prática e experiências acumuladas, enriquecer e desenvolver ainda mais os princípios que guiam nosso trabalho diplomático, e fazer diplomacia com claras características chinesas e com visão chinesa.

Temos de promover a liderança do CNP e do socialismo com claras características chinesas, e não nos afastar de nossa trilha de desenvolvimento, com sistema, tradições culturais e valores sociais.

Temos de continuar a seguir política externa independente e para a paz, basear-nos sempre em nossa força para manter crescente o desenvolvimento do país e da nação chinesa, e seguir nosso caminho sem esmorecer.

Ao mesmo tempo em que buscamos o desenvolvimento pacífico, nunca descuidaremos de nossos direitos e interesses legítimos, nem permitiremos que os interesses-núcleo chineses sejam prejudicados. Temos de promover a democracia nas relações internacionais e defendem os Cinco Princípios da Coexistência Pacífica.

Estamos firmes em nossa posição de que todos os países, sem diferença por dimensões, força ou nível de desenvolvimento, são membros equivalentes entre eles da comunidade internacional; e de que o destino do mundo deve ser decidido pelos povos de todos os países. Temos de fazer valer a justiça internacional e temos, sobretudo, de falar pelos países em desenvolvimento.

Xi Jinping destacou a importância de promover cooperação ganha-ganha e de promover um novo tipo de relações internacionais que manifeste essa cooperação ganha-ganha. Temos de seguir a estratégia ganha-ganha de abertura e uma abordagem ganha-ganha em todos os aspectos de nossas relações externas, nos campos político, econômico, de segurança e cultural. Temos de defender a justiça e buscar interesses partilhados.

Tudo isso significa que temos de agir em boa fé, valorizar a amizade e defender e prestigiar a justiça.

Devemos nos reger pelo princípio da não interferência em assuntos internos de outros países; respeitar o que os povos de outros países escolham livremente como via para o seu próprio desenvolvimento e sistema social; promover a solução pacífica dos conflitos e disputas entre países mediante diálogo e consultas; e os chineses devemos nos opor ao uso arbitrário da força ou de ameaças de uso de força.

Xi Jinping destacou que, na condução da diplomacia chinesa tanto no momento presente como no futuro, temos de assumir a defesa geral da segurança nacional, fortalecer a confiança do povo chinês na via, nas teorias e no sistema do socialismo com características chinesas; e cuidar de preservar a paz duradoura e estável na China.

Temos de buscar a compreensão e o apoio de outros países para o sonho chinês – que é sonho de paz, desenvolvimento, cooperação e resultados em padrão ganha-ganha. O que a China busca é o bem-estar do povo chinês e de todos os demais povos do mundo.

Temos de defender com firmeza a soberania territorial da China; direitos e interesses marítimos; a unidade nacional e o adequado enfrentamento das disputas por territórios e ilhas. Temos de defender as oportunidades e o espaço de desenvolvimento da China e trabalhar duro para formar uma rede de alta interdependência e benefícios mútuos mediante cooperação tecnológica e negócios que beneficiem todos os envolvidos.

Temos de fazer mais amigos, ao mesmo tempo em que nos mantemos sempre fieis ao princípio do não alinhamento, e construir uma rede global de parceiros.

Temos de aumentar o soft power da China, temos de oferecer uma boa narrativa chinesa e temos de comunicar melhor a mensagem da China ao mundo.

Xi Jinping falou da necessidade de expandir e ampliar a agenda da estratégia diplomática da China sob novas condições. Disse que temos de promover a diplomacia da boa vizinhança, converter áreas vizinhas à China em comunidade de destinos, continuando seguir os princípios de amizade, sinceridade, mútuo benefício e inclusividade na diplomacia para os vizinhos; promover a amizade e a parceria com os vizinhos da China, promover ambiente amigável, seguro e próspero, e estimular a cooperação de ganha-ganha e a conectividade com os vizinhos da China.

Temos de gerir bem as relações com outros grandes países, construir rede firme e estável de relações entre grandes potências; e expandir a cooperação com outros grandes países em desenvolvimento.

Temos de fortalecer a unidade e a cooperação com outros países em desenvolvimento e integrar firmemente nosso próprio desenvolvimento com o desenvolvimento comum de todos os países em desenvolvimento. Temos de promover uma diplomacia multilateral, trabalhar para reformar o sistema internacional e a governança global e ampliar a representatividade e a voz da China e de outros países em desenvolvimento.

Temos de fazer avançar a cooperação orientada por resultados, fazer ativamente avançar a construção do Cinturão Econômico da Rota da Seda e a Roda Marítima da Seda do século XXI; temos de trabalhar muito para expandir os interesses convergentes de várias partes, e promover resultados de ganha-ganha mediante a cooperação orientada para resultados. Temos de realmente defender e fazer valer a justiça e a busca por interesses partilhados e temos de garantir ajuda estrangeira aos necessitados. Temos de proteger os interesses da China no além-mar e continuar a ampliar nossa capacidade para garantir essa ajuda.

Xi Jinping destacou que, para fazer avançar plenamente a diplomacia chinesa sob as novas condições, temos de fortalecer a liderança central e unificada do Partido; reformar e aprimorar instituições e mecanismos que tenham a ver com assuntos e relações exteriores; aprimorar a coordenação deles entre os vários setores, corpos governamentais e locais; aumentar o input estratégico; assegurar gestão bem regulada dos assuntos e relações exteriores; e fortalecer os corpos de servidores que fazem a gestão dos assuntos e relações exteriores, de modo que possam garantir forte apoio à abertura de novo horizonte na diplomacia chinesa.

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Li Keqiang
Li Keqiang destacou em sua fala, na presidência da Conferência, que o discurso importante e claramente focado do Secretário-Geral, Xi Jinping, oferece orientação importante para conduzir a diplomacia chinesa, tanto no estágio atual como para os tempos futuros. O discurso deve ser levado para discussão e plena compreensão dos vários corpos e níveis do governo chinês, para que todos ajam conforme aquela orientação e sejam guiados pelas decisões da liderança do Partido, tanto no pensamento como na ação. Para tanto, temos de nos apoiar na condição nacional da China, que está no estágio preliminar do socialismo e é potência mundial em desenvolvimento.

Todos temos de trabalhar para manter e dar bom uso ao período de oportunidade estratégica para o desenvolvimento da China, e conduzir a diplomacia na direção do interesse de construir sociedade em estágio inicial de prosperidade em todos os respeitos, até que se alcance o objetivo estratégico que é a grande renovação da nação chinesa.

Todos temos de lutar para construir o socialismo com traços chineses distintivos; dar a mais alta prioridade ao desenvolvimento econômico; administrar bem cada um os próprios negócios; continuar a fazer aumentar a competitividade econômica da China, sua influência cultural e força em termos gerais, garantindo o mais firme apoio para que se atinja o objetivo estratégico da diplomacia chinesa. Temos de continuar a buscar simultaneamente uma política externa independente, de paz e de desenvolvimento pacífico; defender sempre a justiça internacional; trabalhar para maior democracia nas relações internacionais; promover o benefício mútuo; fazer avançar a diplomacia econômica; enfrentar conjuntamente os múltiplos desafios globais; promover o progresso da civilização humana e continuar a abrir cada vez mais um novo horizonte na diplomacia da China.

[Segue relação dos participantes da Conferência Central sobre Trabalho Relacionado a Assuntos Exteriores].

Nota dos tradutores
[1] A teoria dos Três Representa do Partido Comunista Chinês foi formalizada por Jiang Zemin, ex-presidente da China, em 2000, e é o resumo do que o Partido representa hoje :
– Representa as tendências de desenvolvimento de forças produtivas avançadas:
– Representa as orientações de uma cultura avançada; e
 Representa os interesses fundamentais da grande maioria do povo da China

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

China desafia a Guerra Econômica dos Estados Unidos contra a Rússia

23/12/2014, [*] Alex Lantier, Global Research
Traduzido por Mberublue


Desafiando diretamente o poder político da OTAN, que cortou o crédito da Rússia na intenção de enfraquecer o rublo e destruir a economia russa, a China está empenhada em estender ajuda financeira a Moscou.



China e Rússia

Sábado (20/12/2014), o Ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi destacou a necessidade de ajuda mútua entre China e Rússia, no comentário sobre a crise do rublo, que assistiu a drásticos 45 por cento de queda em seu valor ante o dólar americano neste ano.

A Rússia tem competência e sabedoria suficientes para reverter o atual sofrimento causado pela situação econômica, disse Wang. Se por acaso o lado russo necessitar, providenciaremos a assistência necessária dentro de nossa capacidade.

Domingo (21/12/2014), o Ministro do Comércio chinês, Gao Hucheng, disse para a TV Phoenix de Hong Kong que:

(...) Pequim gostaria de reforçar seus laços com Moscou nas áreas de energia e manufaturados, anotando que o comércio China/Rússia alcançou sua meta de US$ 100 bilhões de dólares neste ano, apesar da crise do rublo.

Como o valor do rublo ante o dólar e o euro oscila muito, Gao propôs:

(...) uma mudança no financiamento do comércio entre China e Rússia que consistiria em sair do dólar ou euro e em vez disso usar a moeda chinesa, o Yuan ou Renmimbi.

Gao disse que:

(...) a China tem seu foco nos “fatores fundamentais, como por exemplo, de que maneira podem as duas economias complementar uma à outra”, noticia a Reuters. Investidores em capital podem ser mais interessados em estoques ou em um mercado de câmbio volátil, mas quando se trata de cooperação concreta entre duas nações, temos que assumir uma mentalidade equilibrada e fazer com essas cooperações avancem sem transtornos, disse Gao.

Ontem (22/12/2014), o jornal China Daily referiu-se a Li Jianmin, da Chinese Academy of Social Sciences (trad. Academia Chinesa de Ciência Sociais) dizendo que a ajuda para a Rússia poderia vir a acontecer através de canais como a Shanghai Cooperation Organization(SCO) ou o fórum BRICS. Significativamente, ambos, o SCO (uma aliança entre a China, a Rússia e Estados Asiáticos) e o fórum BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), excluem de seus quadros os Estados Unidos e a Europa.

Dmitri Medvedev e Li Keqiang em 19/12/2014
Li observou que já no último mês, quando os Primeiros Ministros Li Keqiang e Dmitry Medvedev se encontraram no Cazaquistão, assinaram acordos abrangentes que vão desde rodovias e infraestrutura até o desenvolvimento das regiões que correspondem ao extremo oriente russo e norte chinês.

Empréstimos, cooperação em grandes projetos e participação no investimento na infraestrutura doméstica na Rússia são opções que estão sobre a mesa, aduziram.

Em apenas um destes acordos no último mês (novembro/2014), a China assinou mais um contrato que corresponde ao valor de 400 bilhões de dólares, para a compra de gás russo por 30 anos.

Essas ofertas de ajuda vêm de encontro à guerra econômica lançada pelo imperialismo dos Estados Unidos e da Europa para punir Moscou, que se opôs à reestruturação neoliberal que tentavam impor na Eurásia.

Em retaliação ao apoio russo ao Presidente Bashar al-Assad, na sua luta contra a guerra por procuração da OTAN na Síria e também retaliando a oposição russa ao regime ucraniano imposto pelos EUA-OTAN em Kiev; as potências aliadas da OTAN procuraram estrangular a Rússia. Como as receitas russas derivadas do petróleo caíram paralelamente com a queda dos preços mundiais de petróleo e com o colapso do rublo, elas trabalharam para cortar todo o crédito para a Rússia e exigiram que esta aceitasse o regime em Kiev. (Leia: Imperialism and the ruble crisis – O imperialismo e a crise do rublo)

Anders Aslund
O mecanismo financeiro básico desta estratégia foi exposto no Financial Times de Londres por Anders Aslund do Petersen Institute for International Economics (trad. Instituto Petersen de Economia Internacional):

A Rússia não recebeu qualquer financiamento internacional de relevância – nem mesmo de bancos estatais chineses – porque todos têm medo das agências reguladoras norte americanas escreveu. Com um fluxo de saída de capital da ordem de 125 bilhões de dólares, reservas internacionais líquidas de 200 bilhões e dívidas externas da ordem de 600 bilhões de dólares, a Rússia ficaria sem reservas em dólares e iria à falência em meros dois anos, calcula Aslund.

No entanto, agora Pequim parece pronta a assumir o risco de um confronto com os Estados Unidos e se prepara publicamente para lançar uma tábua de salvação financeira para a Rússia. A reserva monetária chinesa é de 3.89 trilhões de dólares, a maior do mundo e pelo menos no papel, mais que suficiente para facilmente pagar qualquer dívida russa no mercado internacional.

Não por acaso, as falas de Wang e Gao sobre a possível ajuda para a Rússia aconteceram apenas um dia após uma dividida reunião de cúpula da União Europeia sobre a Rússia na última semana. Apesar do apoio europeu às sanções contra a Rússia, o Ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, o Presidente Francês, François Hollande, e o Primeiro Ministro italiano, Matteo Renzi, se opuseram publicamente a mais sanções. Os principais jornais europeus também alertaram para o risco de um colapso do Estado Russo.

Crise do Rublo
No cálculo da importância de sua resposta para a crise do rublo, o regime chinês, que encara uma economia em arrefecimento, e vê crescer protestos sociais entre as classes trabalhadoras e campesinas, sem dúvida também vê com receio as possíveis consequências de uma derrocada econômica e de uma implosão política de seu vizinho do norte.

Os conflitos econômicos que irrompem entre as maiores potências na cauda da crise do petróleo e a guerra imperialista lançada na Eurásia dão conta do avançado estado de crise do mundo capitalista e do crescente perigo de uma guerra mundial.

A ajuda chinesa para a Rússia, e ela deve se materializar, exacerbará o conflito dos Estados Unidos contra a China. Washington tentou um cerco militar ao país oriental através do chamado “pivoteamento para a Ásia” aliando-se com a Austrália, a Índia e o Japão. Planos para uma guerra contra a China, tanto econômica quanto militar, sem dúvida serão considerados seriamente por Wall Street e pelo Pentágono.

Um ano atrás, em um artigo denominado A China não deve reproduzir os erros do Kaiser (em ing.) o colunista do Financial TimesMartin Wolf alertou a China contra qualquer ação que possa vir a representar uma ameaça à hegemonia global exercida pelos Estados Unidos. Afirmou que uma política chinesa que replicasse o desafio alemão à hegemonia britânica antes da deflagração da Primeira Guerra Mundial em 1914 teria o mesmo resultado: guerra total.

Caso o conflito aberto aconteça, os Estados Unidos pode fazer com que o mundo inteiro corte seu comércio com a China. Pode também sequestrar uma boa parte dos recursos líquidos externos chineses, escreveu Wolf, lembrando que as reservas chinesas em moeda, que significam 40% de seu PIB, são, por definição, mantidas no exterior.

Tal roubo, porque é disso que se trata, de trilhões de dólares que a China ganhou no comércio com os Estados Unidos e a Europa acarretaria colapso quase certo do comércio mundial o que por sua vez levaria à preparação para uma guerra entre países detentores de armas nucleares.

Imperialismo dos EUA
Com sua política cada vez mais inconsequente e violenta, o imperialismo dos Estados Unidos acaba por pesar demais a mão, desacreditando-se entre seus próprios parceiros e alimentando a oposição cada vez maior de Estados rivais. Ao provocar ao mesmo tempo Rússia e China, particularmente, os Estados Unidos acabam por desfazer o que foi considerada durante muito tempo como a maior vitória da política imperialista americana: a aproximação em 1972 entre o Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon e o líder chinês, Mao Tse-Tung, o que, na ocasião, acabou por fazer da China um aliado dos Estados Unidos contra a antiga União Soviética.

“Muitos cidadãos chineses ainda veem a Rússia como um grande irmão, e os dois países são estrategicamente importantes um para o outro”, disse o reitor das Universidades Associadas Renmin, Jin Canrong, referindo-se ao apoio prestado pela União Soviética à China durante a guerra da Coréia, quando os Estados Unidos fizeram parte do conflito, pouco depois da chegada ao poder do Partido Comunista Chinês, de inspiração stalinista. “Até por uma questão de nossos interesses nacionais, a China deve intensificar sua cooperação com a Rússia quando esta se faz necessária”.

A Rússia é nosso parceiro insubstituível no cenário mundial, escreveu em editorial na data de ontem o Global Times, ligado ao Partido Comunista Chinês.A China deve tomar atitudes proativas para ajudar a Rússia a sair da crise que enfrenta atualmente.
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[*] Alex Lantier é jornalista, sindicalista e escreve extensivamente para o WSWS (World Socialist Web Site), um fórum socialista e para o site do Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI). Seus escritos também aparecem em: Global Research, Countercurrents, Inteldaily e Axisoflogic entre vários outros.