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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Temporão mata a pau a gestão Serra na Saúde

30 de agosto de 2010 às 17:24h

Temporão, o alvo preferido de José Serra

Em entrevista exclusiva a Rodrigo Martins, o ministro rebate as críticas do candidato tucano à Presidência e faz um balanço da gestão.
Foto: Agência Brasil

Nos últimos meses, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, está na berlinda. Não que seu trabalho desagrade ao governo, mas a sua gestão virou alvo de críticas ferrenhas da oposição. Especialmente de José Serra, candidato do PSDB à Presidência, que faz campanha muito focada no tema.

A CartaCapital, Temporão fez um balanço de seus três anos e cinco meses à frente do Ministério. E contesta as críticas do candidato tucano, a quem acusa de fazer “populismo sanitário” com indicadores pontuais. Confira, a seguir, a íntegra da entrevista:

CartaCapital: Nos últimos meses, o ex-ministro José Serra, hoje candidato à Presidência, passou a atacar a gestão da saúde. Diz que o governo pecou na prevenção e na promoção da saúde.
José Gomes Temporão:
Ele fala, mas não apresenta dados. Diz que recuamos na prevenção, na saúde da mulher. Mas o que exatamente? Aumentamos o número de pré-natal. Só no ano passado distribuímos mais de 500 milhões de preservativos. Serra se coloca como pai do programa de combate à Aids, mas a primeira quebra de patente da história do Brasil foi durante o governo Lula, não foi o Serra nem o presidente Fernando Henrique. E nós incorporamos novos medicamentos ao coquetel anti-Aids. Como dizer que não houve avanços?

CC: Há também a crítica da interrupção dos mutirões para cirurgias eletivas, como as de correção da catarata.
JGT:
Mutirão é para atacar um problema agudo, específico, que demanda uma ação pontual para resolver. Transformar isso numa política permanente é descabido, é reconhecer que o sistema de saúde é um fracasso. Eu chamei isso, em 2006, de “populismo sanitário”. Pegamos as quatro cirurgias que eram feitas em mutirões e incluímos num rol de 90 tipos diferentes de cirurgias. Resultado: 500 mil cirurgias a mais que o governo anterior. Estruturamos uma política, definimos os critérios, financiamos os procedimentos do SUS. Mas quem define as metas, onde serão feitas as cirurgias, em que quantidade, é o gestor municipal. Cirurgia eletiva é uma atribuição municipal, a União financia.

CC: E o acesso à medicação?
JGT: Criamos as farmácias populares, com remédios subsidiados. São 534 estabelecimentos que vendem medicamentos a preço de custo, cerca de 105 drogas e preservativos, especialmente remédios para hipertensão, diabetes, colesterol, pílula anticoncepcional, insulina. Além disso, no fim de 2002, a participação dos genéricos no mercado de medicamentos era de 5%. Neste ano vai fechar em 22%. Na medida em que aumenta o poder de consumo da população brasileira, cresce o consumo de medicamentos genéricos. Tanto que esse mercado está crescendo a uma média de 15% ao ano. Houve um forte aumento dos genéricos no governo Lula e isso deve crescer ainda mais. Nos EUA, esse tipo de medicação domina 60% do mercado. Também fizemos as duas maiores campanhas de imunização do País: 67 milhões de vacinados contra a rubéola, em 2008, e 89 milhões agora contra H1N1. Erradicamos o cólera em 2005, a transmissão da doença de Chagas em 2006, a rubéola em 2009.

CC: O Brasil conseguiu eliminar a transmissão da doença de Chagas, mas não obteve êxito no combate à dengue e à malária. Por quê?
JGT: O vetor da doença de Chagas se reproduz em paredes de taipa (barro). Só de mudar o padrão de habitação interrompemos a transmissão. O Aedes aegypti, da dengue, se reproduz em qualquer poça de água. No calor, ele diminui o tempo de incubação das suas larvas. Em média, 60% dos focos de dengue estão dentro das residências. São 100 milhões de casos em todo o mundo.

CC: Então não tem solução?
JGT: A esperança é uma vacina, capaz de combater os quatro sorotipos da dengue. Daqui a quatro ou cinco anos chegaremos a ela. Há vários protótipos sendo testados.

CC: E quanto à malária?
JGT: O foco da transmissão é na Amazônia, em áreas de difícil acesso. Por isso, descentralizamos radicalmente o diagnóstico, o que permite iniciar o tratamento mais cedo. A probabilidade de complicações e morte reduz muito. É o que está acontecendo. Ainda há surtos localizados. Mas, em média, a tendência é de queda no contágio.

CC: No plano da assistência médica, persiste o impasse das longas filas de espera para cirurgias e exames complexos.
JGT: Nenhum sistema de saúde do mundo é imune a filas. Na Inglaterra, a espera por uma cirurgia eletiva pode chegar a 8 meses. Porque a demanda em saúde é muito elástica. Dou razão num ponto: os exames e os procedimentos de certas especialidades, como neurologia, dermatologia e urologia, são excessivos. Só que, no Brasil, essa é uma questão heterogênea. Há cidades em Santa Catarina que praticamente não possuem fila. Em outras, de médio porte, no interior do Nordeste, a longíssimas esperas. É muito difícil ter equipamentos e especialistas em número suficiente, até por falta de dinheiro. Só que este não é o único problema. Temos dificuldade de redistribuir os médicos pelo território nacional, hoje concentrados no Sul e no Sudeste. Falta de dinheiro, falta equipamentos, falta especialistas. É preciso criar arranjos regionais para garantir o atendimento de toda a população, já que é impossível ampliar muito a oferta,

CC: Qual é a marca da sua gestão?
JGT: Trabalho com o conceito de determinação social da saúde. Ou seja, a saúde está relacionada a questões como acesso a educação, emprego, habitação. Qualquer estratégia consistente de saúde tem de estar articulada à melhor distribuição da renda. E nisso o governo Lula fez a diferença. Trinta milhões de brasileiros ascenderam socialmente. Criaram-se novos padrões de consumo. Por isso não podemos olhar para a questão da saúde com foco exclusivo na assistência médica. Deste ponto de vista, colocamos um vetor de transformação que não vinha sendo percebido em épocas anteriores: redução de desigualdades. Porque a assistência médica, por si só, não tem condições de resolver as questões estruturais do País, de adoecimento e morte da população.

CC: A redução das desigualdades é política de saúde?
JGT: Não podemos olhar para a questão da saúde com foco exclusivo na assistência médica. Mas também avançamos nas políticas específicas. Aumentamos em 60% a cobertura do Programa Saúde da Família (PSF). Com isso, criamos uma rede capilarizada de médicos, enfermeiros e agentes comunitários. É um verdadeiro Exército, hoje temos praticamente 240 mil agentes. São 100 milhões de brasileiros cobertos. Além dos aspectos de cuidado médico, o programa avança na promoção da saúde.

CC: Há resultados perceptíveis?
JGT: Um dos resultados mais visíveis seria a redução da mortalidade infantil. Estudos publicados em revistas internacionais mostram que a cada 10% de aumento da cobertura do PSF a mortalidade infantil é reduzida em 4%. Entre 2003 e 2008, a proporção de mortes em cada mil crianças nascidas vivas baixou de 23,6 para 19. E antes de 2015 vamos cumprir a Meta do Milênio, de chegar a 15. Houve ainda uma redução de internações por algumas causas, como insuficiência cardíaca, crise hipertensiva, diabetes.

CC: Êxito na prevenção, é isso?
JGT: Está melhor. Criamos, por exemplo, o serviço do SAMU, que não existia. Concebido com base na experiência francesa, ele tem uma central de regulação de médicos e enfermeiros que atendem por um número nacional, o 192. Esses profissionais se deslocam com ambulâncias às residências ou para a rua para prestar um primeiro atendimento. Chegaremos a dezembro com 162 milhões de brasileiros cobertos. Se o problema é menos complexo, resolve logo ali. Se é mais grave, leva-se o paciente ao hospital ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), dependendo da gravidade. Já temos 431 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), para casos de baixa ou média complexidade. Serão mil unidades até 2013, para atender todos.

CC: Uma estratégia para desafogar os hospitais?
JGT: É preciso acabar com essa visão hospitalocêntrica. Estudos mostram que países com foco na atenção primária, como Canadá e Reino Unido, resolvem 80% dos problemas fora dos hospitais. Programas com foco na promoção da saúde são mais eficientes, a relação custo-benefício é melhor e os indicadores de saúde, idem. Basta comparar os índices de saúde dos EUA com a Inglaterra. Os EUA gastam 17% do PIB e a Inglaterra gasta 8%. E todos os indicadores de saúde ingleses são melhores que os americanos. Expectativa de vida, mortalidade infantil, taxa de infecção hospitalar etc. Por quê? Foco na atenção primária.

CC: E a questão da falta de recursos para a saúde?
JGT: O orçamento do Ministério da Saúde é de 60 bilhões de reais. Temos outros 60 bilhões em gastos estaduais e municipais. Isso dá mais ou menos uns 650 reais per capita ao ano. Quando eu pego os gastos da classe média com seguro saúde, dá 1,4 mil reais per capita ao ano. Na Inglaterra, 80% do gasto em saúde é público. No Brasil, é o inverso: 40% do gasto é público e 60%, privado. Se a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, como diz a Constituição, como explicar que a maior parcela do investimento é privada? É preciso inverter essa estrutura de investimento.

CC: O governo federal não poderia equilibrar melhor essa conta?
JGT: A Emenda 29 estabeleceu que 12% das receitas dos estados e 15% dos municípios devem ir para a saúde. Na prática, as cidades todas gastam mais, mas nem todos os estados investem o que deveriam, porque não está definido claramente o que é gasto com saúde. Exemplo: os 70 milhões de reais gastos pelo Paraná com distribuição de leite para as crianças. O estado coloca isso na contabilidade de saúde. Isso não deveria acontecer, porque senão tudo pode ser gasto em saúde. A regra que vale para a União segue uma fórmula: o gasto do ano anterior corrigido pela variação do PIB. Num ano de crescimento econômico, isso é bom. Num ano de crise, é péssimo. A demanda por saúde não para de crescer, aumenta 2% ao ano.

CC: O impacto do fim da CPMF continua pesando?
JGT: Teríamos 40 bilhões de reais a mais atualmente. Por isso o governo propôs um novo tributo, a Contribuição Social da Saúde. Mas ninguém quer aprovar um novo imposto em ano eleitoral. O positivo é que todos os candidatos à Presidência da República explicitaram em seus discursos a necessidade de regulamentar a emenda 29. Mas ainda há uma interrogação: de onde sairão os recursos adicionais para a saúde? Trocando em miúdos, nenhuma alternativa que não garanta ao menos 40 bilhões de reais a mais terá um efeito significativo para a saúde, que está subfinanciado.

CC: Muitos especialistas criticam a existência de uma dupla porta de entrada em hospitais públicos, com atendimento diferenciado a quem é bancado pelo SUS e a quem tem plano de saúde.
JGT: Eu, particularmente, sou contra a dupla porta. Acho que hospital público não deve ter duas portas, deve atender todo mundo sem distinção. A grande maioria dos hospitais particulares atende tanto o SUS como a rede privada. A hotelaria com certeza é diferente. Mas o mesmo tomógrafo é usado pelo paciente do SUS ou da rede privada. O mesmo centro cirúrgico e por aí vai. Se houver critérios diferenciados de acesso, como menor tempo de espera para exames e cirurgias, isso é ilegal. É crime.

CC: Com o problema da desnutrição superado, o elevado crescimento da obesidade no Brasil preocupa especialistas. Mas o governo parece vacilante na hora de impor regras à indústria alimentícia, que oferece produtos calóricos e gordurosos demais.
JGT: Criamos um fórum com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) e pactuamos um prazo para a redução dos percentuais de gordura trans nos alimentos. Estamos discutindo a redução do sal e do açúcar. Por que optamos por esse caminho? Há questões tecnológicas envolvidas. As indústrias possuem portes e tecnologias diferentes. É preciso oferecer um prazo de adaptação, porque uma medida mais radical poderia comprometer todo um setor da economia brasileira. O caminho da regulação estrita esbarraria na incapacidade da indústria se adequar.

CC: A Anvisa publicou uma portaria que regulamenta a publicidade de alimentos, mas não aprovou regras específicas da propaganda dirigida a crianças, como pretendia antes. Por quê?
JGT: Houve uma gritaria enorme. Transformaram uma questão de saúde pública em atentado contra a liberdade de expressão. Mas eu não consigo entender como um bichinho pulando numa tela e dizendo para as crianças “coma isso” pode ser interpretado como liberdade de expressão. A Anvisa recuou porque entrou uma questão relacionada não à legitimidade da proposta, e sim à sua legalidade. O argumento de que apenas o Congresso pode regular isso por meio de lei. É o mesmo que ocorreu no caso da cerveja. Mandamos um projeto para regulamentar a publicidade das bebidas alcoólicas e ele dorme em berço esplendido nalguma gaveta do Parlamento. E de lá não sairá, porque os interesses econômicos são fortíssimos. Fiquei chocado de ver, por exemplo, a seleção brasileira ser patrocinada por uma cerveja.

CC: Qual o maior fracasso da sua gestão?
JGT: A incapacidade de regulamentar a Emenda 29. Sou um militante da reforma sanitária e, como ministro, pensei: “Agora vai”. Mas não foi possível. Não conseguimos equacionar o problema do subfinanciamento crônico da saúde.

*Rodrigo Martins é repórter da revista CartaCapital há quatro anos. Trabalhou como editor assistente do portal UOL e já escreveu para as revistas Foco Economia e Negócios, Sustenta!,Ensino Superior e Revista da Cultura, entre outras publicações. Em 2008 foi um dos vencedores do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.


Comentário de Acarr

Conheci esse Ministro carioca só no ano passado, em Pequim, e dele tive a melhor das impressões. Conversamos longamente sobre a impossibilidade, porquanto ilegal, do envio de sangue humano do Brasil para o exterior. Em nosso País, para certas enfermidades, sobretudo na área de nefrologia, as em que deficiências cromossômicas provocam uma gravíssima enfermidade chamada de síndrome finlandesa.

Não existe entre nós laboratórios hematológicos aparelhados para exames de sangue da enfermidade, assim levando a morte de bebês com a tal síndrome. Quando parti para o oriente, em maio do ano passado, faria, como de costume, uma escala de três dias na Alemanha. Um médico patrício solicitou-me levasse uma amostra de sangue de parente, o que fiz, para submetê-la a laboratório na Saxônia, um dos raros do planeta que pode efetuar análises da síndrome em apreço.

Não só o Ministro, como os dirigentes da Anvisa e Fiocruz, além de empresários do setor de genéricos me ouviram de cenho franzido e olhares condenatórios (1 caso/1 milhão, eu lhes dizia). Uma doença raríssima levara um Embaixador a cometer ilegalidade confessada em público.

O Ministro Temporão chamou-me para um canto, a fim de inteirar-se do problema, já que nunca ouvira falar da tal síndrome finlandesa. Eu até lhe disse que sei de nefrologistas de espírito missionário que levam, eles mesmos, para o exterior, amostras desses casos, arriscando seus nomes...

O titular da Pasta sanitária surpreendeu-se com mais essa declaração. Disse que iria obter informações sobre a doença, tendo eu insistido em que até meros turistas levam em suas malas tantas coisas que não devem, proibidas, que uma placa de sangue de um bebê necessitado "é pinto", perto de outras coisas. Sugeri-lhe mudança da lei a respeito, permitindo-se a exportação de sangue em casos especialíssimos, como o em apreço, o Poder Público se aparelhando para promover o despacho do material recolhido para um dos três ou quatro laboratórios do planeta capazes de analisar a síndrome.

O que não pude, então, dizer ao Ministro é que a menininha está viva, submetida a dieta alimentar bem rígida, linda, louçã e sorridente. Uma alegria para nossos olhos. A Medicina Social, conquista do século XX, é tema delicadíssimo, porque trata de levar à Multidão as complicações da Medicina de indivíduos. Nenhum caso, logo nenhum tratamento, é idêntico ao outro. As máquinas humanas, por razões psicobiológicas e outras, são individuais. A maior parte das "barbeiragens" médicas se devem à inconsciência disso ou - mais grave - à premeditada indiferença pelo fenômeno.

A enorme maioria dos óbitos se deve a isso, às tensões dos médicos, vítimas, como todos, da esculhambação neocapitalista, consacrante do à qui mieux, mieux! O indivíduo é a base das estruturas comuns e públicas. Tem de a estas ser conduzido, e não só em casos médicos. Cada corpo humano, cada mente são singularidades vivas.

Outro aspecto que tratei com Temporão refere-se à carestia dos medicamentos no Brasil, 2/3 mais caros que seus correspondentes nos países mais prósperos. Não vou entrar em detalhe, aqui, sobre o que dele ouvi a respeito.

Ele me deixou a melhor das impressões e bem mereceria um repeteco de cargo, no Terceiro Mandato que os brasileiros conquistarão, dentro de 33 dias.

Abraços do

Acarr

domingo, 25 de julho de 2010

José Serra, entre drogas e alucinações

From: Julio Cesar Macedo Amorim (Jotamorim)

Carta Capital n˚ 606

Coluna Linha de Frente – por Walter Fanganiello Maierovich

José Serra, entre drogas e alucinações

Quando ministro da pasta da Saúde, o atual candidato José Serra jamais se preocupou com a questão das drogas ilícitas, no que tocava ao tratamento do dependente químico e psíquico e na formação dos agentes de saúde. Sua gestão, no particular, foi marcada pelo descaso e pelo desrespeito aos direitos humanos.

No ministério, ele se revelou incapaz de compreender que estava diante de um grave problema de saúde pública. E os aumentos relativos ao consumo e à oferta de drogas ilícitas causavam consequências sociossanitárias de grande monta. Apesar disso, fez de conta que o problema não existia.

Ao primeiro Fórum Nacional sobre drogas ilícitas e álcool, Serra virou as costas. Pela primeira vez realizado no Brasil, tratava-se de um fórum multidisciplinar e voltado a consultar e debater com a sociedade civil uma nova política sobre drogas proibidas, isso nos campos da repressão, da prevenção, do tratamento e da reinserção social. Serra não deu o “ar da graça”ou justificou a ausência, para um auditório de mil participantes.

Como ministro da Saúde, José Serra jamais compareceu às anuais Semanas Nacionais sobre Drogas (englobava o dia estabelecido pelas Nações Unidas para conscientização sobre o problema das drogas proibidas nas suas convenções). O então ministro da Saúde adotava comportamento único, diverso dos que se envolviam: presidente FHC, ministro da Educação, chefes das casas Civil e de Segurança Institucional, secretário nacional de Direitos Humanos, senadores, deputados, governadores, prefeitos, vereadores, procurador-geral de Justiça, ministros do STJ, juízes, procuradores e promotores de Justiça, advogado-geral da União, sindicalistas, membros de ONGs, líderes empresariais. Até a torcida do Flamengo, dos demais clubes, federações e confederações esportivas. Todos menos Serra.

Como candidato à Presidência, Serra sentiu-se, com relação às drogas ilícitas, legitimado a identificar traficantes internacionais. No dia 26 de maio deste ano, acusou o presidente boliviano Evo Morales de “cumplicidade” com o tráfico de cocaína para o Brasil. Para Serra, 90% da cocaína consumida no Brasil é boliviana e Morales não faz o “controle desse contrabando”(sic para contrabando).

Serra não sabe que para a elaboração do cloridrato de cocaína, a partir da folha de coca, são necessários insumos químicos: éter, acetona etc. A Bolívia não tem indústria química e o Brasil é o maior fornecedor de precursores químicos para os refinadores bolivianos de cocaína. A dupla via não é percebida por Serra, apesar de pagamentos de muitos “pedágios”.

Reza um ditado popular que “quem sai aos seus, não degenera”. O candidato Índio da Costa não degenerou. Seguiu Serra na indicação de traficantes internacionais. Só, trocou Evo Morales pelo PT. No fundo, uma alucinação de Índio, que se qualifica como candidato à condenação por autoria de crimes contra a honra e, no juízo civil, indenizações por danos morais a todos os filiados do PT.

Nem contumazes criadores de factoides, como as agências norte-americanas DEA e CIA, chegaram ao grau de irresponsabilidade de Índio da Costa, que mostrou a todos o quanto a sua cabeça é desmobiliada.

Por outro lado e no campo das drogas lícitas, Serra, à frente do Ministério da Saúde, deu à questão do alcoolismo um tratamento indigno, ou melhor, não fez nada. Quando prefeito da capital de São Paulo, autorizou o seu secretário de governo a construir obstáculos de modo a impedir que alcoolistas e mendigos continuassem a repousar debaixo dos viadutos e pontilhões. Sua meta era expulsar os carentes para conquistar as elites. Um “higienização”, à Hitler e Carlos Lacerda.

Ainda quando prefeito, Serra vestiu indumentária fundamentalista e populista antes envergada por Andrew Volstead, autor da chamada Lei Seca, que fez a fortuna da Cosa Nostra sículo-norte americana, e por Rudolph Giuliani, que perseguiu violentamente bebedores de cerveja, afrodescendentes e imigrantes. Com a política de “tolerância zero”, Giuliani, depois do seu segundo mandato e quando se percebeu que desrespeitava direitos humanos, encerrou melancolicamente a carreira política: desistiu da candidatura ao Senado, pois não venceria Hillary Clinton. Posteriormente, não conseguiu se habilitar para concorrer à Presidência.

Serra, à época de sua Lei Seca, ignorou ensinamentos fundamentais, ou seja, o de que a prevenção ao alcoolismo começa nas escolas, públicas (municipais e estaduais) e privadas. Mais ainda, não entendeu necessários programas informativos e de tratamento médico nas fábricas e demais locais de trabalho.

Na visão canhestra de Serra, a “lei seca” paulista serviria para baixar os índices de criminalidade. Serra demonstrou desconhecer as verdadeiras causas sociais de aumento da criminalidade: desemprego, desigualdade, discriminação, má distribuição de renda, baixa escolaridade.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ministros da Saúde do Mercosul e associados defendem a proibição do amianto

por Conceição Lemes em 29 de junho de 2010, 23:00 h

Reunidos em Buenos Aires, na Argentina, no início de junho, os ministros da Saúde dos países do Mercosul e Estados associados* reconheceram que é necessário proibir a importação, extração, produção e comercialização do amianto bruto e dos seus produtos nos países que ainda não baniram o mineral cancerígeno. Para o grupo, é questão de saúde pública, e o objetivo é proteger a população exposta.

“Um importante passo para se alcançar o banimento total nos países do Mercosul, uniformizando legislações com as da Argentina, Chile e Uruguai, que há tempos proibiram o mineral cancerígeno”, afirma a engenheira de segurança do trabalho Fernanda Giannasi, coordenadora da Rede Virtual Cidadã pelo Banimento do Amianto na América Latina. “A decisão do banimento não é meramente econômica, é política. Certamente a posição brasileira nfluenciará os demais países, que ainda não têm política clara e muito menos ações para impedir a exposição às fibras do letal amianto.”

Declaração da XXVIII reunião dos ministros da Saúde do Mercosul e Estados Associados sobre o amianto

Os ministros de Saúde dos países do Mercosul reunidos em Buenos Aires, capital da Argentina, em 9 de junho de 2010, por ocasião da XXVIII reunião do grupo:

1) Reconheceram que a exposição às fibras do asbesto, ou amianto, em todas as suas formas pode desencadear doenças pulmonares graves, com invalidez, constituindo em sério problema de saúde pública, cujo desencadeamento não depende de políticas de segurança no trabalho nem afetam exclusivamente a população trabalhadora.

2) Consideraram que há uma ampla parcela da população em risco pela exposição ambiental às fibras do amianto. E , segundo Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 100 mil mortes são causadas por ano pelo amianto em todo mundo, sendo um grave problema de saúde pública.

3) Reconheceram, em consonância com a Organização Mundial de Saúde (OMS), que é necessária a proibição de importar, extrair, produzir e comercializar amianto bruto ou produtos que o contenham, para proteger a saúde da população exposta.

4) Consideraram a exposição ao amianto um indicador de iniqüidade. Em conseqüência, reconheceram a necessidade de promover e realizar ações que levem à proibição de importar, extrair e produzir e amianto ou produtos que o contenham nos países do Mercosul e Estados Associados em que o mineral ainda não foi banido.

5) Entenderam que é indispensável a vigilância e o controle das situações que, em cada país, levam à exposição direta ou indireta — particularmente o amianto instalado – e recomendaram que se tomem medidas que garantam o diagnóstico precoce, o tratamento e a reabilitação das pessoas afetadas e dos ambientes contaminados.

6) Instaram a aproveitar todos os espaços de discussão possíveis para divulgar os riscos à exposição ao amianto, entendendo que a informação verdadeira, completa e oportuna é fundamental para a escolha de trabalhadores, usuários e consumidores.

7) Manifestaram o compromisso de seus ministérios em realizar gestões com as demais instâncias competentes de seus governos para o desenvolvimento e implementação eficaz de políticas nacionais a fim de avançar a proibição da importação, extração, produção e comercialização de amianto e de seus produtos em todos os países do Mercosul e Estados Associados que ainda não o fizeram.

XXVIII RMS, Buenos Aires, 09/06/2010

Assinam Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Equador e Peru . Representando o ministro José Temporão na reunião Reynaldo Felippe Nery Magalhães, diretor de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde.

* Nota do Viomundo: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai são os países que compõem atualmente o Mercosul. A Venezuela está em processo de adesão. São Estados Associados Bolívia, Chile, Equador, Colômbia e Peru. Apenas a Colômbia não participou da XXVIII reunião, na Argentina.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Saúde – A hora é agora - Convite

Conceição Lemes apresenta: clique para visualizar a imagem do Convite

Saúde é:

Ausência de doenças? Sentir-se bem física e mentalmente? Ter acesso a serviços médicos de qualidade? Ter moradia, emprego e salário dignos? Ter bons hábitos de vida? Ter uma boa noite de sono? Não depender de filhos, noras e netos para pagar as contas, fazer comida ou divertir? Exercitar-se frequentemente? Prevenir doenças e tratá-las quando aparecem? Ter uma alimentação saudável? Dar adeus ao cigarro? Morar em lugar com água e esgoto tratados? Rejeitar armas de fogo? Usar cintos de segurança? Se beber, não dirigir?

Pois ao contrário dos muitos imaginam, ausência de doenças não é saúde. Saúde é tudo isto: água, esgoto, moradia, alimentação, trabalho, salário, lazer, sono, atividade física, sexualidade, relacionamento, emoções, estresse, assim como prevenção de doenças, diagnóstico, tratamento e reabilitação.

Saúde é controle de doenças físicas e mentais, qualidade de vida e capacidade de interagir com outras pessoas, a comunidade e o ambiente. Logo, existem indivíduos saudáveis aos 20, 40, 60, 80, 90 ou mais. São pessoas que conseguem manter bom equilíbrio físico, psíquico, social e ambiental, consequentemente são funcionais para as coisas que pretendem fazer.

“Ter médicos, diagnósticos e tratamentos de qualidade, sempre que necessário, é vital”, frisa o doutor Mílton de Arruda Martins. “Porém, estilo de vida é o fator que mais contribui para reduzir a mortalidade das doenças que mais matam, como as cardiovasculares, pulmonares, câncer e acidentes de trânsito.”

O doutor Mário Ferreira Jr. reforça: “Promoção de saúde é o que mais traz grandes benefícios”.

Aqui, duas boas notícias.

Primeira, é possível, sim, intervir no principal determinante das doenças que mais matam no Brasil, e evitá-las.

Segunda, a editora Manole lança no dia 24 de junho este livro que vai ajudar a população em geral a viver mais e melhor: Saúde – a Hora é agora. Seus autores: o médico clínico Mílton de Arruda Martins, professor titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP; o especialista em medicina ocupacional e promoção da saúde Mário Ferreira Jr., coordenador do Centro de Promoção da Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo; e a jornalista especializada em saúde Conceição Lemes, a mais premiada no Brasil por reportagens nessa área.

“É um livro sobre saúde e não sobre doença”, frisa o professor Mílton de Arruda Martins, que antecipa. “Não há fórmulas mágicas. Cada um de nós tem que assumir parte da responsabilidade pela própria saúde. O que o livro faz é ensinar o que pode ser feito para se viver mais e melhor. Ele foge das receitas de bolo’ e da medicalização excessiva dos tempos modernos.”

Saúde – A hora é agora não visa a prevenir esta ou aquela doença, mas a cuidar da saúde como um todo.

“Para isso é fundamental que tenham acesso às melhores informações”, salienta o doutor Mário Ferreira Jr. “Daí, o livro ser baseado totalmente em evidências científicas.”

11 CAPITULOS EM LINGUAGEM ACESSÍVEL: CADA UM É UM GUIA

O livro tem 463 páginas distribuídas em 11 capítulos. Cada um é um guia prático sobre o tema, feito em formato de reportagem. Grandes especialistas foram entrevistados. Entre eles, médicos, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, educadores físicos, assistentes sociais, nutricionistas, enfermeiros, dentistas e veterinários. Também foram ouvidos cerca 500 cidadãs e cidadãos brasileiros, inclusive algumas personalidades.



terça-feira, 22 de junho de 2010

Ministério da Saúde alerta:18,9% dos brasileiros abusam do álcool

por Conceição Lemes

Os brasileiros relatam cada vez episódios de abuso de bebida alcoólica. É o que revela pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP). Entrevistou 54 mil adultos.

“Em 2006, 16,2% da população referiram consumo excessivo de álcool; em 2009, cresceu para 18,9%”, observa Deborah Malta, coordenadora de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde. “O levantamento mostra que as situações de descontrole são mais entre os homens. Em 2009, 28,8% dos homens e 10,4% das mulheres beberam demais.”

O Ministério da Saúde considera abuso de bebida alcoólica o consumo cinco ou mais doses na mesma ocasião em um mês, no caso dos homens, ou quatro ou mais doses, no caso das mulheres.

“Esse nível de consumo de bebida é bastante elevado e preocupante, pois é fator de risco para acidentes de trânsito, violência e doenças. Mas nem sempre isso é lembrado porque o álcool está presente na cultura brasileira, associado ao lazer e à celebração”, interpreta Deborah Malta.

VOCÊ BEBE MODERADA OU ‘‘PESADAMENTE”?

Os dados do Vigitel se assemelham aos de outros estudos feitos no Brasil. Um deles é a pesquisa sobre o padrão de consumo de álcool e seus riscos na cidade de São Paulo, coordenada pela médica psiquiatra Laura Helena Andrade, responsável pelo Núcleo de Epidemiologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e professora colaboradora da Faculdade de Medicina da USP.

“Pensou em dificuldades com bebida alcoólica, a imensa maioria das pessoas pensa na alcoolismo – a dependência que vem com o uso crônico, por tempo prolongado”, observa a médica Laura Andrade. “Ou seja, só considera problema quem fica doente por causa do álcool. Esse grupo é minoria. Mas existe outro problema, muito mais abrangente, que é o padrão de beber da população.”

“Existe uma porção de gente que, numa sentada, bebe a ponto de se intoxicar, se expondo a comportamentos de risco”, ressalta a professora Laura. “É o heavy drinking, ou beber ‘pesado’.”

“O que é o heavy drinking, ou beber ‘pesado’”?

Bem, desde que você não vá dirigir, tudo bem, de vez em quando, se reunir com amigos, parceiros, familiares para celebrar, conversar, comer e “tomar alguma coisa”. Em geral, em pequenas doses, o álcool deixa as pessoas mais relaxadas, alegres e descontraídas, sem ameaçar a saúde. É o famoso beba com moderação.

E você, bebe com moderação? Pelo sim, pelo não, que tal fazer um teste bem simples preparado pela doutora Laura? Vamos lá? Primeiro, os homens. Pensem no consumo de bebida alcoólica no último mês. Você lembra de ter consumido em um único happy hour, balada, festa, evento:

1) Cinco latinhas de cerveja ou de garrafa pequena (long neck)?

2) Três garrafas normais de cerveja?

3) Cinco doses de uísque, vodca, aguardente ou rum? Uma dose, aqui, é aquela medida de dosador de destilados, que contém 36 ml. Normalmente, a “dose” de bares e restaurantes contém duas doses de destilado.

4) Três caipirinhas de vodka ou de aguardente? Em geral, são usadas duas ou mais doses do destilado para fazer uma caipirinha.

5) Cinco taças ou copos de vinho?

Agora, as mulheres. Pensem também no consumo de bebida alcoólica no último mês. Você lembra de ter consumido num único happy hour, balada, festa, evento:

1) Quatro latinhas de cerveja ou de garrafa pequena (long neck)?

2) Duas garrafas normais de cerveja?

3) Quatro doses de uísque, vodca, aguardente ou rum? Vale a explicação dada na pergunta dirigida aos homens.

4) Duas caipirinhas de vodka ou de aguardente? Lembre-se de que, em geral, são usadas duas ou mais doses do destilado para fazer uma caipirinha.

5) Quatro taças ou copos de vinho?

“Se respondeu não às cinco questões, significa que é você um (a) bebedor (a) moderado (a)”, diagnostica Laura. “Já osim a qualquer uma das alternativas indica que você ultrapassou o limite da moderação; é um (a) bebebor (a) ‘pesado’ (a), ainda que ocasional.”

O chamado heavy drinking, ou beber “pesado”, significa o homem consumir cinco doses de álcool numa sentada; a mulher, quatro, já que seu organismo é naturalmente mais suscetível aos efeitos do álcool. “Uma vez por mês já é suficiente para se dizer que a pessoa tem padrão heavy”, justifica Laura. “Ele é bastante freqüente.”

Uma dose de álcool equivale ao consumo de uma latinha de cerveja (350 ml) ou de uma taça de vinho (de 120 ml) ou de uma dose de uísque, rum, vodca, aguardante ou outro destilado (36 ml). Num daqueles copinhos tradicionais de pinga, uma dose de destilado “pega” um pouco acima da segunda listra.

“Então se eu beber todo dia três doses sou bebedor moderado?”

Não. Considera-se que um homem beba com moderação quando não ultrapassa 14 doses por semana; a mulher, 7 doses. “Acima disso por semana”, adverte Laura, “é um padrão de beber de risco, que pode levar à dependência.”

PADRÃO HEAVY E RISCOS LIGADOS À INTOXICAÇÃO

“É incrível como boa parte dos bebedores ‘pesados’ não tem noção de que ultrapassam o limite da moderação”, observa Laura. “Tanto o padrão heavy ocasional quanto o heavy e freqüente estão associados diretamente a vários problemas devido à intoxicação ou à ação biológica do álcool , independentemente de gênero.”

A lista de possíveis conseqüências imediatas da intoxicação pelo álcool é extensa:

* Estimula a violência doméstica e de rua.

* Favorece acidentes de trânsito (carro, moto, bicicleta, atropelamentos), no trabalho (operação de máquinas) e em casa (quedas). É que, mesmo em baixas doses, diminui os reflexos e a coordenação motora.

* Contribui para relação sexual sem proteção, ou seja, sem camisinha. Aumenta, assim, o risco de HIV, outras doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez não planejada.

* Prejudica a memória e o raciocínio.

* Aflora ou agrava dificuldades emocionais.

* Pode causar arritmia cardíaca: alteração dos batimentos cardíacos, causando palpitação; às vezes, essa alteração leva à morte.

“O padrão heavy nem sempre leva à dependência”, frisa Laura. “Porém, há risco, sim, de a pessoa perder o controle. E, ‘apesar dos problemas por causa da bebida’, continuar bebendo. É o que denominamos abuso do álcool. Se continuar bebendo assim, pode chegar à dependência..”

BEBA COM MODERAÇÃO. NUNCA DIRIJA DEPOIS!

Por tudo isso, atenção:

1) Se não bebe, não se sinta compelido (a) a começar só porque os seus amigos bebem.

2) Se beber, faça-o – sempre! — com moderação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como de baixo risco até duas doses de álcool por ocasião/dia para um homem e uma dose/dia para mulher.

3) Se estiver grávida, nem uma dose de bebida alcoólica. Há maior risco de aborto e de malformações.

4) Bebida alcoólica também é contra-indicada a quem sofre de doença no fígado ou no pâncreas, utiliza remédios que interagem com o álcool, como antidepressivos, ansiolíticos, antialérgicos e certos antibióticos.

5) Ao beber, faça-o junto com as refeições. O alimento ajuda a competir com o álcool na hora da absorção, tornando-a mais lenta.

6) Beba devagar. Beber deve ser para celebrar, confraternizar, e não para afogar as mágoas e tristezas nem resolver desencantos e dificuldades. O maior espaçamento entre os drinques faz a metabolização do álcool ocorrer aos poucos.

7) Se beber qualquer que seja a quantidade, não dirija carro ou moto nem ande de bicicleta. “Em hipótese alguma”, reforça a professora Laura Helena Andrade. Vá de metrô, ônibus, táxi, ou peça a alguém que não bebeu para guiar. Você protege a sua vida, a das pessoas de quem gosta e a de quem está passando por perto. Afinal, bebida é para ser curtida e não para causar infelicidade, dor, sofrimento.

Publicado pelo Viomundo