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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Pepe Escobar: Pentágono nuclear contra a Rússia


23/6/2015, [*] Pepe Escobar, Russia Today – RT  
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


OTAN  despacha mísseis ar-ar para fronteira da Rússia
Todos lembramos como, no início de junho, o presidente Putin anunciou que a Rússia instalaria mais de 40 novos mísseis balísticos intercontinentais “capazes de superar até os mais avançados sistemas de defesa antimísseis”.
Oh! O Pentágono e seus asseclas europeus piraram completamente e desde então fazem hora extra, trabalhando sem parar.
Primeiro, foi o Secretário-Geral da OTAN, o figurão norueguês, Jens Stoltenberg, que condenou a ação como “provocação nuclear” [orig. saber rattling, lit. “agitar os sabres” (NTs)].
Depois, foi o tenente-general Stephen Wilson, comandante do US Global Air Strike Command [Comando norte-americano para ataque aéreo global] – e o responsável pelos mísseis balísticos intercontinentais e bombardeiros nucleares dos EUA – em recente encontro com jornalistas em Londres:
[Eles] anexaram um país, mudaram fronteiras internacionais, escalaram a retórica a um nível que não se ouvia desde os tempos da guerra fria…
Estava pronto o cenário para a indefectível comparação com os nazistas:
Algumas das ações recentes da Rússia são coisas que não se viam desde os anos 1930s, quando países inteiros eram anexados e fronteiras mudadas por decreto.
Obedecendo à Voz do Dono, a União Europeia já prorrogou as sanções contra a Rússia. E logo em seguida El Supremo do Pentágono Ashton Carter, em Berlim, declarou que a OTAN deve levantar-se contra – e o que poderia ser? – a “agressão russa” e seus “esforços para restabelecer uma esfera de influência como da era soviética”.
A OTAN envia armas para os países bálticos
Está aberta a sessão de apostas sobre o que está por trás desses discursos. Pode ser porque a Rússia atreveu-se a meter aquele país enorme bem ali, tão perto de tantas bases da OTAN. Pode ser por causa de um bando de imbecis que comicham de vontade de iniciar uma guerra em solo europeu, para, afinal, “libertar” todo aquele petróleo, gás, minérios, coitados, que vivem subjugados e oprimidos na Rússia e nos “-stões” da Ásia Central.
Desgraçadamente, é tudo muito, muito grave.
Comprem os bilhetes para o próximo filme “de OTAN”
Vastas desoladas porções da “Think-tankelândia” norte-americana já admitem afinal que se trata do imperativo excepcionalista de impedir “a ascensão de um hegemon na Eurásia”. Ora... Não estão só “parcialmente”, mas completamente errados, porque para Rússia – e China – o nome do jogo é integração da Eurásia mediante comércio e trocas.
Assim se despacha para a lata do lixo retórico toda a conversa sobre o pivoteamento “para a Ásia”. Para o governo Obama, que se autoapresenta como “Não faça merda coisa estúpida”, e para o Pentágono – o nome do jogo é firmar uma Nova Cortina de Ferro do Báltico ao Mar Negro, e separar a Rússia da Europa.
Assim, não foi surpresa que no início de junho, o Office of Net Assessment [Gabinete de Avaliação da Rede] do Pentágono, ele próprio um think-tank, tenha contratado outro think tank, o Centro para Análise da Política Europeia [orig. the Center for European Policy Analysis (CEPA)], para produzir – e o que seria? – alguns jogos de guerra.

A Rússia dispões de mais 40 ICBMs nucleares
O CEPA é dirigido por A. Wess Mitchell, ex-conselheiro do ex-candidato Republicano à presidência e mestre da sensaboria mental Mitt Romney. Mitchell – que dá a impressão de ter sido reprovado em História na 3ª série – define a Rússia como uma neo-Cartago:
(...) poder sombrio, sinistro, punitivo, decidido a levar adiante uma política externa vingancista, para derrubar o sistema que ele responsabiliza pelo fim da sua antiga grandeza.
A inteligência russa está muito bem informada sobre essas manobras dos EUA. Portanto, não é absolutamente de estranhar que Putin nunca descuide da obsessão da OTAN com construir um sistema de mísseis de defesa na Europa, bem próximo da fronteira oeste da Rússia:
É a OTAN que está vindo na direção de nossas fronteiras. Nós não estamos andando para lado algum.
A OTAN, enquanto isso, apronta-se para sua próxima superprodução: Operação “Trident Juncture 2015”, o maior exercício da OTAN desde o final da Guerra Fria, que acontecerá na Itália, Espanha e Portugal, do dia 28 de setembro até 6 de novembro de 2015, com unidades especiais de terra, mar e ar de 33 países (28 da OTAN e cinco aliados).
A propaganda da OTAN fala de mostrar “alta visibilidade e credibilidade”, teste para sua “Força de Resposta” de 30 mil soldados. E não é só sobre a Rússia, nem só ensaio de preposicionamento de suficiente armamento pesado para 5 mil soldados na Lituânia, Letônia, Estônia, Polônia, Romênia, Bulgária e Hungria.
É também sobre a África, e a simbiose OTAN/AFRICOM (lembram-se da “liberação da Líbia”?). O comandante El Supremo da OTAN, general Breed-Raiva, digo, Breed-Amor [Breedhate, sorry, Breedlove], pavoneava-se para jornalistas, que
(...) os membros da OTAN terão grande papel no Norte da África, no Sahel e na África Subsaariana.
Sinta o amor do meu S-500
No que tenha a ver com a Rússia, toda essa histeria pró-guerra é patética.
Fatos: no governo de Putin, a Rússia ativamente reconstruiu sua força estratégica de mísseis nucleares. As estrelas do show são o Topol M – míssil balístico intercontinental que voa a 16 mil milhas/hora – e o sistema S-500 de mísseis de defesa, que voa a 15.400 milhas/hora e efetivamente blinda o espaço aéreo russo. Vídeo a seguir:

Já ao raiar o milênio, a inteligência russa identificou que os mísseis seriam as armas do futuro; nada de porta-aviões pesadões e frota de superfície que podem ser facilmente esmagados por mísseis top-class (como os novos mísseis SS-NX-26 Yakhont, antinavios, que voa à velocidade de 2,9 Mach).
O Pentágono sabe disso – mas a húbris impõe a conversa de “somos invencíveis”. Não, vocês não são invencíveis; submarinos russos silenciosos nas costas dos EUA podem engajar-se em tiro (nuclear) ao peru e derrubar qualquer grande cidade dos EUA em poucos minutos, em total impunidade. Em apenas 15 anos, a Rússia saltou duas gerações à frente dos EUA nos mísseis, e pode estar à beira de capacidade nuclear para primeiro ataque; e os EUA não podem retaliar, porque o Pentágono não tem como passar pelos S-500s.
A opinião pública nos EUA não sabe nada disso. Portanto, ainda resta a encenação de valentia. Como o comandante do Estado-Maior das Forças Conjuntas general Martin Dempsey a declarar que os EUA “estão analisando” a ideia de dispor mísseis terra-ar – com ogivas nucleares – que chegariam a cidades russas em toda a Eurásia.
Não presta nem como provocação infantil – e inacreditavelmente temerária. Os tais mísseis seriam inúteis, imprestáveis. Os EUA têm mísseis instalados em submarinos, que tampouco conseguiriam atravessar as defesas russas: os S-500s farão o serviço. Daí que, se Pentágono e OTAN realmente querem guerra, eles que esperem até o ano que vem, ou 2017, o mais tardar – com ou “The Hillargator” ou Jeb “Não sou Bush” na Casa Branca – quando a instalação de todo o sistema S-500 estará completada.
Putin sabe extremamente bem o quanto são perigosas essas provocações. Por isso Putin enfatizou que a retirada unilateral dos EUA do Tratado dos Mísseis Antibalísticos (ABM) – que determinava que nem EUA nem URSS tentariam neutralizar a contenção nuclear do outro lado com escudo antimísseis – está empurrando o mundo para uma nova Guerra Fria:
Isso, de fato, nos empurra para mais um round da corrida armamentista, porque muda o sistema da segurança global.
Washington separou-se unilateralmente do Tratado dos Mísseis Balísticos durante a era Dábliu, do “eixo do mal”, em 2002. O pretexto foi que os EUA careciam de “proteção” contra os estados bandidos, naquele momento identificados como Irã e Coreia do Norte. O fato é que isso liberou o Pentágono para construir um sistema global contra mísseis apontado contra – e quem seria? – os únicos países que realmente “ameaçam” o hegemon: dois países BRICS, Rússia e China.
Ash, o OTAN-Terminator, em ação
Sob o comando do neoconservador Ash Carter – comparado ao qual Donald Rumsfeld é uma Cinderella – o Pentágono tem-se apresentado como o OTAN-Terminator.
As “opções” que estão sendo consideradas contra a Rússia são um escudo de mísseis ofensivos sobre toda a Europa, para derrubar mísseis russos (escudo inútil, contra o Topol M); uma “contraforça” (em Pentagonês), que implica ataques preventivos não nucleares contra sítios militares russos; e “capacidades para compensar ataques” [orig. countervailing strike capabilities], expressão que, em Pentagonês, significa ataques preventivos com mísseis nucleares contra alvos – e cidades – dentro da Rússia.
Aqui, pois, estamos falando do impensável: um ataque nuclear preventivo contra a Rússia. Se isso acontecer, só há um cenário: guerra nuclear total. O simples fato de isso ser considerado uma das “opções sobre a mesa” revela tudo que é preciso saber sobre o que passa por “política externa” no coração da Nação Indispensável.
Tropas da OTAN ocupam países do Báltico
No Iraque, um ataque preventivo – embora não nuclear – foi “autorizado” por causa de inexistentes armas de destruição em massa. Quer dizer: o planeta sabe que o “Império do Caos” é capaz de inventar qualquer pretexto. No caso da Rússia, o Pentágono pode até fazer pose de OTAN-Terminator o quanto queira, mas não será como passeio no parque; afinal em menos de dois anos, o espaço aéreo russo estará efetivamente vedado pelos S-500s.
Cuidado com o “Choque e Pavor” que vocês procuram. De qualquer modo, não há chance de o Pentágono tomar a sério o que Putin diz (Ash Carter, falando aos quatro ventos, é doido por mudança de regime. Recentemente, o presidente russo disse claramente, e não poderia ter sido mais explícito:
Isso não é diálogo. É ultimato. Não falem conosco na língua dos ultimatos.

A Destruição Mútua Garantida [ing. Mutually Assured Destruction, MAD] – já é passado. Manteve uma paz meio incômoda, mas paz, durante as sete décadas de Guerra Fria. A Guerra Fria 2.0 é linha duríssima, puro hardcore. E com todos esses Dr. Fantástico-Breed-Raiva soltos, a loucura nuclear vem aí, cinco segundos antes da meia-noite.

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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como:  Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
Adquira seu novo livro Empire of Chaos, publicado no final de 2014 pela Nimble Books

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Pepe Escobar: EUA acordam para a Nova Ordem (da Seda) Mundial


15/5/2015, [*] Pepe EscobarAsia Times Online
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Os verdadeiros Masters of the Universe nos EUA não são moça do tempo, mas parece que estão começando a ver de que lado sopram os ventos.

A história talvez registre que tudo começou com a viagem dessa semana a Sochi liderada pelooffice-boy e Secretário de Estado, John Kerry, que foi recebido pelo Ministro de Relações Exteriores e, depois, pelo Presidente Putin.

Parece que a imagem que disparou os sinos na cabeça dos verdadeiros Masters of the Universe foi o Exército de Libertação Popular, ELP – o exército chinês – ali, desfilando ombro a ombro com os militares russos, na Praça Vermelha, no desfile do Dia da Vitória. Nem no tempo da aliança Stálin-Mao Tse Tung tropas chineses desfilaram na Praça Vermelha.

Como manchete, é equivalente aos sistemas S-500 de mísseis russos. Adultos no prédio do Departamento de Estado fizeram as continhas e concluíram que Moscou e Pequim podem estar muito próximos de assinarem protocolos militares secretos, à maneira do pacto Molotov-RibbentropO novo jogo das cadeiras musicais é mais do que suficiente, com certeza, para causar apoplexia ao obcecado com a Eurásia Dr. Zbig “Grande Tabuleiro de Xadrez” Brzezinski.

Vyacheslav Molotov e Joachim von Ribbentrop
E então, de repente, em vez da demonização incansável, e da OTAN sempre a vomitar “Agressão Russa!” a cada dez segundos... lá está Kerry, a dizer que respeitar o Acordo Minsk-2 é a única saída para a Ucrânia, e que insistirá, em termos contundentes, com o vassalo Poroshenko, que pare de alardear que bombardeará o aeroporto de Donesk e arredores, a ver se ali ressurge alguma “democracia” ucraniana.

O sempre equilibrado Ministro Lavrov, por sua vez, declarou que o encontro com Kerry foi “maravilhoso”; e o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, descreveu a nova entente EUA-Rússia como “extremamente positiva”.

Quer dizer então que o governo de Obama, autodefinido como “Não faça merda coisa estúpida”, dá sinais de estar começando a entender, pelo menos aparentemente, que aquele negócio de “isolar a Rússia” deu em nada – e que Moscou simplesmente não retrocederá das duas linhas vermelhas que Putin demarcou: nada de OTAN na Ucrânia; e Kiev, a OTAN ou seja lá quem for, que nem pensem em atacar as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk.

Portanto, o que realmente se discutiu em Sochi – mas não vazou de lá – foi algum modo de oferecer-se ao governo Obama saída não humilhante para fora da confusão geopolítica, que o próprio governo Obama atraiu para ele, é bom lembrar, na fronteira ocidental da Rússia.

Quanto àqueles mísseis...

A Ucrânia é estado falhado já agora completamente convertido em colônia do FMI. A União Europeia jamais aceitará a Ucrânia como membro, ou pagará suas dívidas astronômicas. Ação que interessa mesmo, para ambas, Washington de Moscou, é o Irã. Não por acaso, a espertalhona Wendy Sherman – que foi negociadora-chefe dos EUA nas conversações nucleares do P5+1 – viajou também a Moscou na comitiva de Kerry. Nenhum acordo amplo pode ser alcançado com o Irã, sem a essencial colaboração dos russos em tudo, do descarte de combustível nuclear utilizado, ao rápido fim das sanções da ONU.

Nova Rota da Seda - Projeto Completo
(clique na legenda para aumentar)
O Irã é nodo chave no projeto, liderado pelos chineses, da(s) Nova(s) Rota(s) da Seda. Portanto, os verdadeiros Masters of the Universe têm de ter percebido – afinal – que se trata sempre, aí, de fato, de Eurásia, a qual também, inevitavelmente, foi a verdadeira estrela do desfile do Dia da Vitória em Moscou. Depois daquela estada prenhe de significados em Moscou – onde assinou 32 acordos em separado – o presidente chinês Xi Jinping partiu a negócios para o Cazaquistão e a Bielorrússia.

Assim sendo, bem-vindos à Nova Ordem (da Seda) Mundial: de Pequim a Moscou sobre trilhos de alta velocidade; de Xangai a Almaty, Minsk e dali adiante; da Ásia Central à Europa Ocidental.

Agora já sabemos que essa jornada comercial/geopolítica em alta velocidade é imparável – e abrange o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII) [orig. Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB)], conduzido por Pequim, apoiado por Moscou. Ásia Central, Mongólia e Afeganistão – onde a OTAN acaba de perder uma guerra – estão sendo inexoravelmente atraídos para essa órbita comercial/geopolítica que cobre todo o centro, o norte e o leste da Eurásia.

O que se pode chamar de Grande Ásia Expandida já está tomando forma – não só de Pequim a Moscou, mas também de Xangai, centro comercial, para São Petersburgo, conexão para a Europa. É a consequência natural de um projeto complexo que venho examinando já há algum tempo – o casamento do enorme Cinturão Econômico da Rota da Seda liderado por Pequim, com a União Econômica Eurasiana liderada por Moscou. Putin descreveu a coisa como “um novo nível de parceria”.

Os verdadeiros Masters of the Universe nos EUA parecem também ter percebido as discussões muito íntimas entre o Ministro da Defesa da Rússia, Sergey Shoigu, e o Vice-Comandante do Conselho Militar Central da China, general Fan Changlong. Rússia e China farão manobras navais no Mar Mediterrâneo e no Mar do Japão, e darão prioridade absoluta à posição comum dos dois países em relação aos mísseis de “defesa global” dos EUA.

S-500, Missile Air Defense System
Há também o assunto, afinal nem tão negligenciável, da descobertapelo Pentágono, de que a China tem silos com cerca de 60 mísseis balísticos intercontinentais – o CSS-4 – que podem alcançar praticamente qualquer ponto dos EUA, exceto a Flórida.

Por fim, mas não menos importante, há em desenvolvimento o ultrassofisticado sistema russo de mísseis de defesa S-500 – que protegerá definitivamente a Rússia contra algum Rápido Ataque Global [orig. Prompt Global Strike (PGS)dos EUA. Cada míssil S-500 pode interceptar dez mísseis balísticos intercontinentais a velocidades de até 15.480 milhas/hora, em altitudes de 115 milhas e com alcance horizontal de 2.174 milhas. Moscou insiste que o sistema só será operacional em 2017. Se a Rússia tiver 10 mil desses mísseis S-500, poderá interceptar 100 mil mísseis balísticos intercontinentais dos EUA quando já houver novos moradores na Casa Branca.

Mais uma vez, parece que os verdadeiros Masters of the Universe afinal fizeram as contas. Não reduzirão a Rússia a cinzas. Não derrotarão a Nova Ordem (da Seda) Mundial. Parece que estão querendo sentar e conversar. Mas contenham aí os vossos cavalos (geopolíticos): os EUA ainda podem mudar de ideia.
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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: SputinikTom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today, e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.

Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009. 
− Adquira seu novo livro Empire of Chaos, publicado no final de 2014 pela Nimble Books.