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terça-feira, 24 de junho de 2014

Ucrânia: Briefings em sequência de Igor Strelkov − 23/6/2014

23/6/2014, The Saker − The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

The Saker
1º briefing, 23/6/2014, 12h40
(Orig. Icorpus.ru, traduzido do russo por Gleb Bazov)

Durante a noite de 22-23/6, o inimigo continuou a reunir forças na área em que se atravessa o rio em Severskiy Donets, perto das cidades de Krivaya Luka e Ilyichovka.

Na cidade de Krivaya Luka, os esquadrões punitivos do inimigo estavam arrancando algumas famílias de suas próprias casas e impedindo as demais de saírem de dentro de casa. Várias dúzias de veículos blindados “BMD”, “BMDR” e “BTR” concentraram-se na cidade, junto com infantaria em grande número.

Na área de Ilyichovka, chegaram tanques e artilharia. Efeito disso, o inimigo já quase completou a formação do grupo de ataque contra Slavyansk e Lisichansk.

Exemplo de APC (veículo blindado de transporte pessoal)
Segundo informação disponível, uma unidade de guerrilha atacou uma coluna inimiga de Veículos Blindados para Transporte de Pessoal [orig. APCs, Armoured Personnel Carriers] na fronteira das províncias [orig. oblasts] de Carcóvia e Donetsk, ao norte do acampamento de Dolina. Em batalha rápida, dois APCs foram atingidos. Apesar do alto nível de treinamento demonstrado pelo soldado inimigo, os guerrilheiros conseguiram escapar ao cerco e partir sem baixas.

2º briefing, 23/6/2014, 13h24
(Orig. Icorpus.ru, traduzido do russo por Gleb Bazov)

Noite passada, nossa unidade separada de guerrilha atacou o inimigo na área do acampamento Dolina. Dois APCs foram atingidos com lançadores de granadas e fogo de armas automáticas; atingimos o miliciano spetsnaz que estava sob o blindado. Apesar de tentativas desesperadas pelo inimigo (que demonstra resiliência não característica da infantaria Ukie comum) para derrubar e destruir nosso esquadrão, a unidade conseguiu regressar sem baixas.

Além dos dois veículos blindados já mencionados, essa brava unidade também destruiu um veículo blindado “BMP” (atingido num ponto de controle perto do acampamento de Yatskoye); um caminhão “Ural” (destruído em uma emboscada) e um Hummer (explodido por mina terrestre na mesma estrada).

Hummer semelhante ao do Exército da Ucrânia
O inimigo continua a concentrar forças na região de Krivaya Luka – Ilyichevka. As colunas do inimigo mantêm-se em manobras continuadas, tentativa para ocultar a transferência aqui de equipamento e homens, destinados a algum ataque, seja na direção de Slavyansk ou de Severesk-Lisichansk (ou contra ambos os alvos, se a força for suficiente).

Chegaram “novos” Su-25 para ataque em terra e bombas FAB-500SH “novas”, ao aeroporto de Mariupol. Aparentemente, são destinados à “pacificação definitiva”do Donbass, que começará depois de 27/6/2014. Em torno de Slavyansk (nas direções oeste e norte, aparentemente, não haverá ataque decisivo) o inimigo instalou combinações de minas, feitas de minas antipessoais não controladas de várias modificações (basicamente OZM-72). Já há mortos entre a população local.

3º briefing, 23/6/2014, 13h30
(Orig. Icorpus.ru, traduzido do russo por Gleb Bazov)

Pulsar HD38S
Confirmo aqui a entrega em Slavyansk e Kramatorsk da carga enviada pelo Movimento Social “A Batalha pelo Donbass” e uma publicação de internet “Angry Russians” [Russos Zangados]:

− óculos para imagens térmicas [orig. heat imagers Pulsar HD38S] – 10 itens (com as fontes externas de energia EPS3, 10 itens)

− binóculos Pulsar Expert LRF 8x40 – 10 itens

− vestimenta camuflada “atirador Wood Ghillie” [1] – 6 itens

− fones de cabeça – 27 itens

− mochilas (diferentes tipos) – 3 itens

− tinta para pintura facial (camuflagem), para atiradores – 2 itens

Trajes de Camuflagem
“Berezka”
− sacos de dormir para atiradores – 8 itens

− casquetes de aço, fabricados na URSS – 200 itens

− trajes de camuflagem “Berezka” – 200 itens

− coldres para rifles automáticos – 500 itens

Em meu nome pessoal e em nome da Milícia da RPD [República Popular de Donetsk] – nossa mais profunda e mais sincera gratidão! O despacho e a entrega foram feitos por “Spetsnaz de Strelkov” (pessoalmente, Camarada Zmey).

4º briefing, 23/6/2014, 17h21
(Orig. Strelkov Info, traduzido do russo por Gleb Bazov)

Aconteceu hoje uma troca de artilharia na área de Staraya Krasnyanka (entre Rubzhnoye e Kremennaya). De um lado, eram as unidades de morteiro de Mozgovoi; do outro, a artilharia Ukie. Não houve baixas do nosso lado; baixas do inimigo estão sendo confirmadas.

Todos os demais fronts permaneceram calmos. O inimigo parou. Os dois lados continuam a firmar posições intensamente [orig. intensively entrenching positions] e a preparar-se para futuras batalhas.

5º briefing, 23/6/2014, 19h28
(Orig. Strelkov Info, traduzido do russo por Gleb Bazov)

Igor Strelkov
PERGUNTA: Igor Ivanovich (Strelkov), entendo que todos se mantêm conforme a abordagem de Kutuzov [2]. Não será hora de começar a agir como Zhukov [3]?

RESPOSTA: Você fala da tática que ele [Zhukov] usou em Rzhev, quando morreram centenas de milhares de soldados nossos, em 1942? Não, não. Não temos as mesmas reservas de força humana.

PERGUNTA: Igor Ivanovich (Strelkov), como você acha que terminarão as negociações atualmente em curso em Donetsk? Nenhum resultado, como sempre?

RESPOSTA: Não sei. Estou à espera de informação. Nós não capitularemos. Acho que eles também não: eles se meteram num córner, ao mentir demais; agora, estão presos na própria armadilha da própria propaganda (como Goebbels). Parar a guerra agora implica que eles terão de enfrentar uma nova “Maidan”. E, nesse quadro, é pouco provável que consigam preservar o poder. Em outras palavras, estão numa clássica posição de “zugzwang” [4] – qualquer movimento que façam piora a posição deles e leva à derrota. O problema deles é que, agora, é a vez de eles jogarem... Espero que nossos diplomatas compreendam isso. Exceto Zurabov, [5] claro – esse é um cérebro-total [orig. a real “braniac”], capaz de fazer assim e também assado, como for preciso fazer.



Notas dos tradutores

[1] Imagens em Condor Ghillie Suit

Gueorgui Jukov
[2] General que comandou as tropas russas que derrotaram Napoleão. A metáfora faz referência à tática de Kutuzok, que atraiu Napoleão para dentro da Rússia, até para dentro de Moscou e até para dentro do Kremlin, antes de atacá-lo, e só atacou quando o inimigo está totalmente cercado, inclusive, pelo “general inverno”; “fazer como Kutuzov” sempre significa “atrair o inimigo sempre para mais perto” com paciência infinita.

[3] General Gueorgui Jukov (ou George Zhukov) que comandou as tropas russas que derrotaram Hitler.

[4] Zugzwang, no xadrez, se refere a uma situação na qual o jogador é obrigado a fazer jogada sempre perdedora. A expressão vem do alemão, zug (jogada) e zwang (forçada). A maioria das posições de zugzwang ocorrem nos finais das partidas (de xadrez))

[5] Mikhail Zubarov − Embaixador da Rússia na Ucrânia.

ATENÇÃO: A tradução dessa frase final é tradução tentativa. O orig. diz “Except, of course, Zurabov – that one is a real “braniac” … he could do everything strictly in reverse”: impossível saber o que significa, sem muita informação sobre a situação local e os personagens. Nos ARRISCAMOS numa interpretação, que talvez tenha de ser corrigida. Nos Comentários ao postado, outros leitores também não entenderam essa frase final. É possível que, na sequência, o Saker ofereça melhor explicação.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Operação “Ponto” [no teatro]

28/8/2013, [*] Qifa Nabki, The Qnion, Líbano
Sátira traduzida pelo pessoal da Vila Vudu

Abkar Palace (comentário na página) Essa “operação” parece mais absurda, a cada hora que passa. O governo Obama vaza feito peneira e aparentemente quer que você acredite que o alvo não seria Assad e seu governo. Essa medida “punitiva” é só o espetáculo. Assad será atingido com a força total de um buscapé. Só precisará de um lencinho para limpar o estrago desse terrível golpe...

Com os EUA preparando-se para um quase ataque militar contra a Síria, a especulação sobre o momento e a extensão da operação corre solta e é o assunto da hora. Para felicidade de nossos leitores, nossa redação de The Qnion recebeu a transcrição de um briefing para a imprensa, a portas fechadas, do qual participaram o Secretário de Imprensa da Casa Branca, Jay Carney, e seleto grupo de jornalistas dos grandes veículos da imprensa-empresa.

**

Jay Carney no briefing de hoje, 28/8/2013
[Sigiloso: não oficial e vedado ao público externo]

Secretário Carney (Secretário de Imprensa da Casa Branca): Certo, pessoal... Acho que estamos prontos para começar [inaudível. Risos e ruídos na sala.] Obrigado a todos por terem vindo tão rapidamente. Obviamente a situação desenrola-se muito depressa, e queremos passar informação sempre atualizada para vocês. Estou saindo de uma reunião na Sala de Situação, e tenho algumas atualizações importantes.

Primeiro; como já dissemos em múltiplas ocasiões, o governo dos EUA condena, nos termos mais fortes, o uso de armas químicas pelo regime de Assad. Consideramos que seja violação de leis internacionais e continuamos apoiando os esforços da ONU, em campo, na Síria. Como vocês sabem, o presidente decidiu que aqueles esforços não são suficientes e agora analisa opções para ação militar decisiva, sem concessões.

[Vozes altas, várias perguntas inaudíveis]

Repórter: Que tipo de opções militares?

Jay Carney: Alegra-me que você tenha perguntado, Jim. Obviamente, não é do interesse dos EUA partilhar detalhes sensíveis de operações militares. Nos reservamos o direito de atacar qualquer ponto da Síria para punir o regime por seus ataques repreensíveis e brutais contra o próprio povo.

Isso posto, consideramos primeiramente dois conjuntos de ataques com mísseis Tomahawk (entre oito e 11) a serem disparados pelos navios de guerra USS Mahan e USS Gravely contra um conjunto de bases militares no deserto sírio, inclusive, mas não limitados a [ruídos de folhas de blocos de anotação sendo viradas]… E... deixem-me ver se digo os nomes certos: Marj Ruhayyil, Base Aérea Militar; Al-Nayrab, Base Aérea Militar; Suwayda Base do Exército; Marj al-Sultan Heliporto Militar... 

Não, não! Desculpem. Risquem isso. Errei. O heliporto não será atacado. Quero dizer, talvez esteja, talvez não esteja sendo considerado. Vejamos, onde paramos? Ah, também Shayrat Base Aérea Militar e a Khalkh… Não, não! Esse nome eu nem vou tentar pronunciar.

Preparamos uma lista impressa e um mapa de alvos potenciais, e vocês podem pegar na passagem, ao sair, com as coordenadas geográficas e grafia certinha e tal, só para facilitar as coisas.

Mapa da Síria com as bases da Força Aérea da Síria e os postos de
controle de fronteira distribuído durante o briefing de hoje
(28/8/2013) para a imprensa-empresa dos EUA
(Clique no mapa para visualizar melhor)
Repórter: E qual o prazo para o início dos ataques?

Jay Carney: Outra vez, nosso negócio não é revelar informação sensível, Judy. Só posso lhe adiantar que nós talvez ataquemos, talvez não, entre as 21h e as 23h da 6ª-feira, 30 de agosto; e depois, novamente, entre 15h e 17h do sábado, 31. Por favor, prestem atenção: é hora de Damasco, GMT +2. Esses horários são difíceis, eu reconheço.

Seja como for, depois dos ataques que podem acontecer, ou não, nesses horários, talvez ataquemos, ou não, ataque surpresa de saturação, na outra semana, 2ª-feira de manhã, entre 10h30-11h, dependendo da situação em campo.

[Irrompem várias perguntas]

Jay Carney: Não, lamento, mas não podemos discutir detalhes. Mas o governo Obama gostaria de enfatizar e assegurar ao bravo povo sírio que eles não são os alvos visados nesses ataques altamente cirúrgicos. Só pessoal e equipamento militar que por acaso haja na vizinhança daquelas áreas durante aqueles períodos demarcados de tempo a que me referi e que podem ser, ou não ser, potencialmente, atacados. 

O governo Assad deve considerar-se avisado.

Repórter: Os senhores esperam que esses ataques derrubem o regime de Assad?

Jay Carney: É realmente ótimo que você tenha perguntado isso, Bill. Talvez seja surpresa para vocês, mas nós não estamos, eu repito, não estamos considerando qualquer cenário de mudança de regime, apesar da decisão e firmeza com que podemos atacar, ou não atacar. De fato, temos decididas várias contingências para modificar a operação proposta, caso o colapso do regime pareça iminente. Por isso estamos deliberando tanto, tão cuidadosamente.

[Mais perguntas]


Jay Carney: Vejo muitas mãos erguidas, mas não tenho liberdade para falar mais, porque não podemos comprometer a integridade da missão. Muito obrigado, pessoal, por ter vindo. Ao saírem, não se esqueçam de pegar o resumo impresso, com as informações que dei a vocês e mais alguns detalhes, como os alvos militares e locais a serem atacados, como já disse. 

Repito, porque é importante: o horário de Damasco é sete horas à frente de Washington. GMT +2. Sei que já disse, mas é detalhe que pode passar despercebido. OK, rapazes. Em breve, mais informações. 


[*] Qifa Nabki é o blog de Elias I. Muhanna, professor de Literatura Comparada na Brown University. É ávido escritor, pesquisador e compilador. Qifa Nabki, um blog muito lido na política libanesa contemporânea. Escreve frequentemente sobre temas políticos e culturais para o New York Times, The Nation, The Guardian, entre outras publicações.