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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Nos últimos anos de mandato, Obama se prepara para esmagar o grupo BRICS

5/5/2014, [*] Wayne Madsen, Strategic Culture Foundation
Traduzido por mberublue


Bases da OTAN cercando a Rússia e a China
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A acumulação de forças aéreas e terrestres pela OTAN ao longo da fronteira russa no leste europeu e a viagem de poder e influência do presidente Barack Obama à Ásia tem um único objetivo. As forças visíveis e invisíveis que comandam de fato e ditam a política aos fantoches em Washington, Londres, Paris, Bruxelas, Berlim e outras capitais vassalas decidiram esmagar o grupo BRICS – o emergente e poderoso bloco financeiro que engloba Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

As discussões bilaterais e multilaterais entre os cinco poderes econômicos emergentes, destinadas a dissociar as economias BRICS do dólar americano como moeda de reserva e comércio vão de encontro ao único poder que Washington pode reunir a favor tanto de si mesmo quanto de seus naufragantes aliados – a força militar. Os problemas entre Ucrânia e Rússia sobre Criméia e federalismo são apenas uma máscara da qual Obama se serve para disfarçar suas verdadeiras intenções, que são a pulverização do grupo BRICS como uma alternativa viável para o sistema neocolonialista do ocidente e a total submissão das economias BRICS aos caprichos de Washington e de seus cambaleantes vassalos da União Européia.

O G8, que suspendeu a Rússia de seu quadro de membros e a Organização Mundial do Comércio, da qual a Rússia atualmente é membro, nunca tiveram interesse em livre comércio e políticas econômicas comuns. Pelo contrário, sempre engendraram trapaças nas salas dos fundos, com banqueiros e membros da Comissão Trilateral (Troika) e Bilderberg Group [1] que sempre quiseram e pensaram a dominação do mundo por uma única superpotência. Desde o colapso do Império Britânico depois do fim da Segunda Grande Guerra Mundial, essa superpotência tem sido os Estados Unidos.


O grupo BRICS está se livrando de sua dependência em relação ao dólar como moeda de comércio e reserva, mas não se trata apenas disso: essa atitude torna o dólar americano, já inútil devido às práticas de manipulação financeira do Federal Reserve Bank dos Estados Unidos ainda mais fraco, dado que a Rússia e China estão negociando e fazendo reservas em suas próprias moedas, respectivamente o rublo e o Yuan. Fazem planos para futuramente tornar realidade a embrionária União Econômica da Eurásia, um contraponto à superdimensionada e corrupta União Européia, para adotar, por volta de 2025, uma unidade monetária, que se chamará “altyn” independente do dólar e do euro. Tais planos deixaram banqueiros e globalistas do ocidente extremamente nervosos e o resultado foi vermos o aumento das forças militares dos Estados Unidos e do Ocidente nas fronteiras russas na Europa e nas águas territoriais da China no extremo oriente.

Os neoconservadores que dominam o aparato político em Washington, Bruxelas, Londres, Paris e Berlim, elaboraram um método arriscado para provocar a queda do grupo BRICS. O que o serviço de inteligência dos Estados Unidos e seus pares ocidentais planejam contra o grupo BRICS é exatamente a mesma coisa da qual acusam a Rússia de fazer na Ucrânia: o financiamento de grupos separatistas com a intenção de desintegrar a unidade nacional das nações BRICS. No que concerne às agências de inteligência, o grupo BRICS tem duas escolhas: continuar empenhado na incrementação do coletivo como alternativa à dominação ocidental e ver a possibilidade de dissolução de suas nações ou jogar a toalha e render-se às imposições da CIA, aos centuriões de Wall Street e aos juniores das “parceiras” em Londres, Paris e Berlim.

Ao mesmo tempo em que o G7 e a União Européia apertam cada vez mais as sanções impostas à Rússia, volta-se a falar sobre o status do enclave báltico da Rússia em Kaliningrado, uma zona de economia especial da Rússia, encravada entre duas nações da OTAN, Polônia e Lituânia. Kaliningrado, que já fez parte da província germânica da Prússia Oriental, é a sede da frota russa do Báltico. Na Alemanha e na OTAN, há elementos que gostariam de ver a Rússia não apenas perder seu Quartel General da frota do Mar Negro na Criméia como da sua frota do Mar Báltico em Kaliningrado.

The Baltic Times, que segue a linha de pensamento da Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade /George Soros/CIA, já publicou um artigo onde sugere o bloqueio de Kaliningrado pela OTAN, ou Konigsberg (antigo nome de Kaliningrado quando do domínio da Prússia Oriental) como é cada vez mais chamado pela propaganda ocidental midiática, a menos que a Rússia se retire da Criméia. Em 28 de abril foi publicado o seguinte texto no web site do jornal The Baltic Times:

Por que não bloquear Kaliningrado pelo Mar Báltico e assentar tropas em toda a sua fronteira? Isso retiraria Kaliningrado da esfera russa, dando à OTAN uma forte carta a ser jogada na demanda do retorno da Criméia à Ucrânia e deteria todos os esforços da Rússia para a invasão do leste do país.

Enclave da Russia de Kaliningrado entre a Polônia e a Lituânia
(clique na imagemm para aumentar)
A Al Jazeera, rede de “notícias” dominada pelo principado da aristocracia do Qatar, insinuou a noção de que o ocidente poderia tentar a reintegração de Kaliningrado à Alemanha, pela simples invalidação dos termos do Tratado de Potsdam, que em 1945 foi assinado pelos líderes da URSS, dos Estados Unidos e da Grã Bretanha.

Kaliningrado não é a única porção da Rússia para a qual o imperialismo da OTAN e seus companheiros de aventuras, países como a Finlândia e a Turquia lançam olhares cobiçosos. Os finlandeses estão de olho na Karelia (região fronteiriça entre Rússia e Finlândia), perdida para a URSS depois que a Finlândia se aliou aos nazistas alemães na Segunda Grande Guerra. Os nacionalistas da Pan-Turquia estão atentos ao que acontece nas repúblicas muçulmanas autônomas no Cáucaso, assim como ao interior de repúblicas como o Tartaristão e Bascortostão. Não há nenhuma dúvida de que há longo tempo a Turquia provê armas e outros tipos de apoio aos chechenos, daguestãos, inguches e outros grupos terroristas em ação na região do Cáucaso russo.

Entretanto, na Ásia, não se trata de coincidência que a dança da guerra de Obama através do Japão, Coréia do Sul, Filipinas e Malásia tenha se associado a mais um ataque terrorista dos fundamentalistas uigures na Região Autônoma de Xinjiang-Uigur, território chinês de maioria muçulmana. Os terroristas uigures, que recebem financiamento da CIA e apoio propagandístico através do Serviço Uigur da Rádio Ásia Livre, esfaquearam passageiros de trens numa estação da Capital da região de Urumqi. Os terroristas explodiram uma bomba entre a estação de trens e um ponto de ônibus, matando três e ferindo pelo menos 80 pessoas. Em março, um atentado similar numa estação ferroviária na província de Yunam, no sul da China, matou 29. O ataque de Urumqi seguiu-se a poucas horas da visita do presidente Xi Jinping à região de Xinjiang.

Presidente Xi Jinping em sua visita a província de Xinjiang em 3/5/2014
Não há dúvida que a CIA, e Obama, que para a agência de inteligência é um mero fantoche, assim como sua mãe, seu padrasto e seus avós maternos, está executando um esquema prévio para brecar os membros do grupo BRICS através do apoio a separatistas e irredentistas em cada estado membro dos países BRICS.

A índia, com a multiplicidade de seus grupos étnicos, línguas e religiões, talvez seja hoje o alvo favorito para as operações da CIA de apoio a secessionistas. As operações da CIA se concentram nos Sikhs do Punjab, muçulmanos na Cashemira e Tâmeis no Sul.

O Partido do Cabo, um sombrio novo partido ao qual não se sabe quem financia, exige que a província sul africana de Western Cape (Cabo Ocidental, província situada no extremo sul da áfrica do Sul) se torne a República do Cabo. O partido já peticionou às Nações Unidas para que declare a província como um território sem governo autônomo da África do Sul, passível de eleições para a independência. Caso o Serviço de Inteligência da África do Sul rastreie o financiamento do partido, identificará de maneira clara as impressões digitais da CIA.

Depois que as relações entre o Brasil e Estados Unidos azedaram em conseqüência das revelações da espionagem efetuada pela NSA sobre a Presidenta Dilma Rousseff e altos funcionários brasileiros, houve novos incentivos para a independência de três estados do sul do Brasil: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná tornar-se-iam a “República dos Pampas”. O movimento separatista ganhou popularidade entre europeus brancos nos três estados nos idos de 1990, particularmente entre descendentes de alemães e judeus com idéias anti-racistas, mas feneceu depois que lideranças realmente oposicionistas assumiram o poder no Brasil.

Espionagem dos EUA sobre o Brasil e até  contra a presidenta Dilma Rousseff
No entanto, com as relações entre Brasil e Estados Unidos no seu ponto historicamente mais baixo e com a hostilidade manifesta dos EUA contra o grupo BRICS, os secessionistas reapareceram com novo ímpeto.

Ao tentar esmagar o grupo BRICS, Washington e seus lacaios estão brincando com fogo. Tendo em mente que China, Rússia e Índia são potências nucleares, e com o Brasil emergindo de forma poderosa, o ocidente está brincando de roleta russa com uma arma cujo gatilho é nuclear.
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Nota do tradutor
[1] Grupo não oficial que se reúne anualmente, composto de 130 convidados, geralmente grandes personalidades empresariais, acadêmicas, políticas ou midiáticas. Criticado por ser aético, elitista e por práticas antidemocráticas.
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[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al Jazeera, Strategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.

terça-feira, 2 de julho de 2013

De Bilderberg a Google-Berg: Reestruturação tecnocrática da elite global

2/7/2013, Olga CHETVERIKOVA, Strategic Culture [excertos]
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ver também:
16/3/2010, redecastorphoto, Matteo Pasquinelli: O algoritmo do PageRank do Google. Um diagrama do capitalismo cognitivo e da exploração da inteligência social geral  

 Olga Chetverikova
Os eventos em curso em todo o mundo mostram cada vez mais claramente que os mais importantes objetivos da elite mundial concentram-se em torno do projeto de uma total re-estruturação da consciência humana (...). De fato, esses objetivos são simultaneamente os fins e os meios de uma “nova ordem mundial”. A mais recente reunião do Grupo Bilderberg, realizada nos dias 6-9/6/2013 no Grove Hotel, num subúrbio de Londres, é especialmente eloquente quanto a isso...

Pela primeira vez, houve informação abundante sobre o local da reunião, agenda e lista de participantes, desde muito antes da data marcada, tanto nos grandes veículos comerciais de informação e noticiário quanto nas mídias alternativas. 

Por exemplo, o jornal The Telegraph escreveu sobre a reunião, em artigo intitulado Bilderberg Group? No conspiracy, just the most influential group in the world[port.:“Grupo Bilderberg? Não são conspiradores. São só o grupo mais influente do mundo”]. 

Min. da Fazenda George Osborne, UK (E) e a Chefe do FMI, Christine Lagarde (D)
Participantes do Grupo de Bilderberg
No jornal do dia seguinte, o mesmo Telegraph apresentava: Bilderberg Group 2013: guest list and agenda, [port.:“Grupo Bilderberg 2013: lista de convidados e agenda”], com as questões a serem discutidas na reunião. A lista dos temas a ser discutidos em 2013 é a seguinte:

  • Os EUA e a Europa podem crescer mais depressa e criar empregos?
  • Empregos, entitlement e dívida.
  • Como big data estão mudando praticamente tudo.
  • Nacionalismo e populismo.
  • Política externa dos EUA.
  • Desafios da África.
  • Ciberguerra e a proliferação de ameaças assimétricas.
  • Principais tendências na pesquisa médica.
  • Educação Online: promessa e impactos.
  • Política da União Europeia.
  • Desenvolvimentos no Oriente Médio.
  • Temas da atualidade.
Fonte interna deu informação ainda mais detalhada sobre a agenda ao site Infowars.com demarcando dois grandes blocos de questões que seriam discutidas.

No primeiro, os assuntos econômicos:

  • aumentar os poderes dos bancos centrais (o que ali se chama “reformas bancárias”); resgatar bancos para manter o suporte ao euro e preservar a eurozona;
  • criar sistemas mais efetivos de arrecadação de impostos; impedir que a Grã-Bretanha separe-se da União Europeia; disseminar protestos sociais induzidos por medidas de austeridade;
  • manter mínimo o crescimento econômico em 2013; e concentrar a riqueza das populações em mãos de empresas gigantes e dos super ricos.
No segundo bloco, reúnem-se questões militares, políticas e de controle psicossocial:

  • atacar instalações nucleares no Irã, se não suspender todos os programas nucleares no prazo de três anos;
  • armar a oposição, para manter e prolongar a guerra na Síria;
  • considerar o risco de pandemias planetárias;
  • controlar a produção de impressoras 3D;
  • controle estatal sobre a Internet, para gerar “ciber-resiliência;
  • controle sobre a disseminação de informação, mediante um “Ministério da Verdade” (antiga ideia sempre acalentada por Bill Clinton);
  • criar “cidades inteligentes” capazes de observar todos os aspectos da vida e do comportamento humano, para desenvolver tecnologias, métodos, técnicas e táticas de total supervisão das populações.
Para dar conta dessas tarefas, a esfera tecnocrática tem de ser rapidamente estruturada. Isso já está sendo feito, bem diante de nossos olhos. Como Paul Joseph Watson e Alex Jones, editores do site Infowars.com, observaram bem, o Grupo Bilderberg, como outras organizações-sombra, estão em período de importante transformação. No caso do Grupo Bilderberg, forjaram uma associação com a empresa Google; Eric Emerson Schmidt, presidente executivo da Google e presença regular nas reuniões do grupo, é o elemento de ligação.

Grove Hotel em Wattford, Londres
O local onde o Grupo Bilderberg reuniu-se esse ano, o Grove Hotel, em Londres, foi escolhido por uma razão: ali, desde o início de 2007, realizam-se as conferências Google conhecidas como Google Zeitgeist [O espírito Google do tempo]; nessas reuniões, analisam-se resultados de pesquisas feitas no universo de bilhões de usuários do sistema e estruturam-se resumos e resultados. Em 2013, a conferência Google aconteceu literalmente na véspera da reunião do Grupo Bilderberg, no mesmo local.

É o mesmo que dizer que o Grove Hotel britânico está convertido em uma espécie de “base doméstica” para o desenvolvimento da agenda da empresa Google, no campo da política tecnológica mundial. A empresa Google trabalha hoje como uma versão “mais íntimo-amigável” [orig.“cuddlier”] do Grupo de Bilderberg, como disse o jornal Independent, o qual, por sua vez, passa por total reestruturação tecnocrática.

O espírito Google do tempo

Cerca de 400 delegados reúnem-se anualmente nessas conferências Google, para discutir tópicos chaves na política e na cultura mundiais, e para desenvolver planos de ação que visam a prevenir e impedir os efeitos mais graves da reação contra a globalização. Dentre os presentes, há jornalistas, comentaristas e “especialistas” de jornais e televisão, além de celebridades consagradas e em ascensão. Esse ano, lá estiveram Jim O’Neill, de Goldman Sachs; Bill Clinton; e a cantora Annie Lennox. Os lucros da empresa cresceram, em 2012, 60% - 2,89 bilhões de dólares.


As conferências Google Zeitgeist são uma forma de governo mais efetiva que a tradicional. O Grupo Bilderberg tem péssima reputação, são vistos como conspiradores; mas a empresa Google pode controlar tudo abertamente, uma vez que é pressuposto, na sua simples definição como empresa prestadora de serviços de informação, que ela, ao mesmo tempo em que distribui informação, também recolha informação, sem as quais não pode(ria) prestar serviços... de informação! Em outras palavras: sob o disfarce de empresa democrática, até filantrópica, é organização totalitária, que jornalistas independentes já chamam de “Google-Berg” (“Bilderberg reformatado: um Google-Berg”).

Wael Ghonim
Google, como já se vê bem claramente, é modo altamente conveniente de mascarar a operação das agências de inteligência. Como os mesmos investigadores independentes já sabem, os primeiros arregimentadores do que se conhece como “Primavera Árabe”, que assumiu o formato de agitações de civis, foram recrutados pela empresa Google e participaram de Conferências Zeitgeist no hotel Grove. Há farta documentação, por exemplo, que comprova que o egípcio Wael Ghonim, que iniciou a “revolução” no Egito que levou à ditadura da Fraternidade Muçulmana [hoje ameaçada de golpe pelo exército egípcio (NTs)], era empregado da Google, gerente-geral de marketing para o Oriente Médio e Norte da África. Eric Schmidt declarou-se orgulhoso do que Ghonim fez; e repetiu que o uso de Facebook, Twitter e ferramentas de Internet para disparar protestos populares no Egito é bom exemplo de transparência. 
Google exerce influência cada vez maior sobre os governos dos EUA e da Grã-Bretanha. Não que seja trabalho muito difícil de fazer, dado que Eric Schmidt é membro do Conselho de Assessores do presidente Obama para questões de Ciência e Tecnologia; e preside a [Fundação] New America Foundation, sem finalidades de lucro e patrocinadora da campanha eleitoral de Barack Obama. Foi-lhe oferecido, até, o cargo de Secretário do Tesouro dos EUA.

Na Grã-Bretanha, representantes da empresa Google reuniram-se, desde as eleições gerais de 2010, só até agora, nada menos que 23 vezes com membros do Partido Conservador. David Cameron foi convidado-palestrante na Conferência Espírito Google do Tempo de 2006, quatro anos antes de tornar-se primeiro-ministro. (...)

As Conferências Google reúnem as cabeças que a empresa considera capazes de “modelar o futuro global”. E a própria empresa posiciona-se para acumular mais força que os governos, no monitoramento e controle do comportamento das pessoas – como parecem ter conseguido fazer no Egito e na Tunísia. A interferência da empresa Google em assuntos internos de países europeus já é tão ativa, que, recentemente, a Comissão Europeia iniciou uma investigação do que considera abuso, por aquela empresa, da posição de líder do mercado de serviços de informação.

O presidente da empresa Google jamais escondeu sua ambição de controlar a sociedade; falou disso inúmeras vezes, sempre enfatizando que a privacidade é relíquia do passado; e de seus planos para converter a empresa Google num “Grande Irmão” [orig. Big Brother] que faça o 1984 de George Orwell parecer conto de fadas.

Numa de suas palestras, Eric Schmidt disse  

Eric Schmidt
Já nem precisamos que você digite. Sabemos onde você está. Sabemos onde esteve antes. Sabemos mais ou menos o que você está pensando. Acho que, de fato, as pessoas não usam a Google para responder perguntas (...) Querem, isso sim, que a Google lhes diga o que estarão fazendo dentro de meia hora, quinze minutos (...) Sabemos tudo que vocês fazem e o governo não perde o rastro de ninguém. Com o tempo, saberemos marcar sua posição, com precisão de milímetros, ao longo do tempo. Seu carro se dirigirá sozinho. Não é verdade que os carros tenham sido inventados antes dos computadores… Você nunca fica sozinhos... Você nunca se entedia. (...)

O que se vê é que os métodos pelos quais a elite do dinheiro governa os governos está passando por mudanças: antes, as elites governavam clandestinamente; agora, governam à vista de todos. Nesse quadro, tudo muda: mudam as conferências, as reuniões de cúpula e até as negociações secretas. Foi o que se viu na mais recente reunião do Grupo de Bilderberg, a primeira que pode ser descrita como “anticonspirológica”: agenda divulgada, lista de autoridades presentes divulgada, tudo “público”, tudo, tudo muito “transparente”. (...)