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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Twelfth anniversary of the last request of Brazilian help from the IMF

8/8/2014, Pragmatismo Político − 247
Traduzido ao inglês por John Catalinotto, para Vila Vudu


LULA-DILMA são 13! (13 anos sem pedir US$ emprestado ao FMI) PARA DIVULGAR POR AÍ PELO MUNDO: Diferente do que informa o “jornalismo” brasileiro VAGABUNDO, o Brasil é CREDOR do FMI. NADA DEVEMOS. ACORDEM.



Twelve years ago, Brazil requested aid from the IMF for the last time, exceeding the institution’s limit by 400%. Currently, Brazil has loaned 10 billion reais (US $3.5 billion) to the Fund and holds international reserves of more than US$ 379 billion.


Após ter feito dois empréstimos no Fundo Monetário Internacional, em 1998 e 2001, ultrapassando em 400% a cota do Brasil na instituição, mais uma vez, em agosto de 2002, governo FHC precisou contar com recursos do FMI (Reprodução/Folhapress)
It has been 12 years since the last time that Brazil had to resort to the International Monetary Fund. Under the management of Finance Minister Pedro Malan in the government of Fernando Henrique Cardoso, the country officially announced on Aug. 8, 2002, that it had just signed a package for a US$ 30 billion loan from the fund. It was not the first time in that administration. On Nov. 11, 1998, also under FHC-Malan, Brazil struck a deal to be able to take from the Fund the trifle of US$ 20 billion during the three years following its signing.

Another US$ 32 billion was available to be withdrawn in 1999. Though it was due to end in November 2001, the government extended its agreement with the IMF on the eve of its closure. In that way, the country borrowed another US$ 15 billion, paying interest rates of 4.5 percent for 25 percent of that money and a strong 7.5 percent for the remainder. By then, Brazil had availed itself of an amount equivalent to 400 percent of its share in the IMF itself.

Still, all loans from the Fund proved to the economic team that they were insufficient to ensure economic stability to the country. In June 2002, for example, there was a withdrawal of $10 billion from the Fund, beyond establishing a reduction of guarantees of reserves to be presented by Brazil.

Instead of needing a minimum of US$ 20 billion in cash on hand before borrowing, this was reduced to US$ 15 billion in order to facilitate new business. The dependence on the Fund's resources was explicit.

In August 2002, a final line of credit was taken, for US$ 30 billion, completing the third round of the country going to the IMF in two years of Fernando Henrique’s management as president and Pedro Malan as finance minister. Obtaining this money was presented as a necessity due to volatility magnified by the electoral contest that year, between Lula da Silva of the Workers Party (PT) and José Serra of the Brazilian Social-Democratic Party (PSDB). Soon after the signing, Brazil had to make a new withdrawal of billions.

Under the Lula government in April 2003, Brazil paid US$ 4.2 billion to the IMF, adding a portion of the discharge of resources taken in the previous year. After this movement, the country did not have to resort again to using the IMF. Quite the contrary, on precisely Oct. 6, 2009, Finance Minister Guido Mantega and the then managing director of the Fund, Dominique Strauss-Kahn, announced an important switch in bargaining positions.

Now it was Brazil that loaned US$ 10 billion to the Fund. By then, the Brazilian international reserves had already reached the sum of US$ 220 billion. In 2011, already under the government of President Dilma Rousseff, Brazil was again sought by the Fund to be on standby in relation to the need for a new loan, again, at the request of the IMF.

Twelve years after the last trip to the Fund, the country has a position considered quite solid in terms of international reserves. With all obligations paid to the IMF, Brazil had, on Aug. 6, a total of US$ 379.44 billion in reserves.

This sum rules out any conclusions that there could possibly be a request for help to close accounts, as happened on the eve of the last trip to the Fund.


domingo, 8 de junho de 2014

Eleições na União Europeia vistas por dentro

7/6/2014, [*] John Catalinotto, Workers World
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Parlamento europeu - Eleições 2014
As eleições para o Parlamento da União Europeia realizadas dia 25/5 refletiram a crescente rejeição, pelas massas, contra os partidos de centro que comandaram a maioria dos governos na Europa Ocidental e a própria União Europeia – sobretudo contra o modo como a União Europeia enfrentou a grave crise capitalista em 2008 e daí em diante, com a crise continuada, até hoje. No continente europeu, só 43% dos eleitores habilitados compareceram para votar.

Desde 1945, os partidos de centro-direita ou conservadores e a social-democracia ou partidos ditos socialistas de centro-esquerda vinham-se alternando na administração dos governos ocidentais imperialistas. A partir de 2008, partidos de centro-esquerda e de centro-direita passaram a colaborar para impor austeridade à classe trabalhadora na Europa.

A classe governante europeia – especialmente os grandes financistas capitalistas – impuseram programas impopulares de austeridade contra países individualmente endividados, para garantir que as dívidas fossem pagas aos bancos credores. Para fazer isso usaram instituições financeiras da burocracia da União Europeia, chamadas “a Troika” — a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu.

Essencialmente, a União Europeia é o instrumento da classe governante europeia para tomar mais e mais do que os trabalhadores produzem e transferi-lo para os ricos. Reduziu salários dos trabalhadores, pensões e benefícios para os desempregados, e cortou no campo do atendimento gratuito à saúde e à educação.

Combinada com a ausência em muitos países europeus, de uma alternativa eleitoral crível e efetiva pela esquerda, a repulsa popular contra os partidos de centro e contra a União Europeia levou a eleger, em muitos países, partidos nacionalistas de ultra-direita que são publicamente contrários à União Europeia e que, de rotina, apresentam programas anti-imigração e anti-imigrantes, xenófobos e, não raro, também racistas.

Partidos de extrema direita na Europa
Os ganhos da direita foram especialmente grandes em duas das principais potências imperialistas – Grã-Bretanha e França – e na Holanda e Dinamarca.

É claro que a classe trabalhadora e suas organizações têm de combater contra esses partidos direitistas e, claro, sobretudo, contra esses partidos racistas, nas ruas, como nas eleições. Mas nem por isso é o caso de se superestimar a ameaça que esses partidos direitistas ou neofascistas representariam, ou o risco de estarem à vista, hoje, por toda a Europa.

O Parlamento Europeu não passa de sala de visitas, para conversas: não é um poder executivo. A União Europeia não administra sequer qualquer aparelho de Estado ou algum exército seu, como faz Washington. Todo o poder da União Europeia está concentrado nas suas instituições burocráticas – como a Troika – não no Parlamento.

Nos países mais duramente atingidos, os partidos progressistas avançaram

A votação teve resultados diferentes em diferentes países. Considerem-se os países europeus sobre os quais a crise capitalista caiu com mais força. Para usar um indicador de crise: as taxas de desemprego foram maiores que 25% na Espanha e na Grécia; que 18% em Portugal, e que 14% na Irlanda. A Troika e as classes governantes locais impuseram cortes horrendos em todos esses países, para garantir que os grandes bancos recebessem o que os esses países lhes deviam.

Em todos esses países, o resultado das eleições para o Parlamento Europeu mostrou maior número de deputados europeus eleitos com programa mais progressista ou mais favorável à classe trabalhadora. Só na Grécia um partido de extrema direita elegeu mais deputados.

Na Espanha, os resultados impuseram pesada derrota tanto aos socialistas do PSOE como aos direitista do Partido Popular, o que sinaliza mudança a caminho. Um novo partido do movimento dos “Indignados” obteve 8% dos votos; e a Esquerda Unida também avançou.

Mas mais importante que o resultado eleitoral na Espanha foram os eventos de depois das eleições. Pessoas que protestavam contra a invasão policial, num prédio de apartamentos ocupados por grupos de sem-tetos, combateram durante quatro dias contra a polícia local em Barcelona.

Dia 2/6/2014, o rei espanhol, símbolo extremamente impopular da continuidade do regime fascista de Franco, abdicou. Imediatamente, organizações da classe trabalhadora espanhola convocaram manifestações para exigir um referendo sobre a Espanha deixar de ser monarquia e converter-se em república.

Em Portugal os comunistas, e na Irlanda o partido Sinn Fein, avançaram nas eleições para o Parlamento Europeu, ganhando votos entre os jovens. E partidos direitistas perderam espaço.

Na Grécia, o Partido Comunista teve 6% dos votos, e o partido Syriza da nova esquerda social-democrata apareceu em 1º lugar, com 26% dos votos. O partido Syriza ganhou quase todos os votos perdidos pelos social-democratas tradicionais, comprometidos pelo apoio que deram à austeridade. O partido fascista Aurora Dourada [orig. Golden Dawn] avançou, chegando a 11% dos votos.

Berlusconi "dançou"...
Na Itália, o partido direitista de Silvio Berlusconi perdeu pesadamente, e um voto de protesto, equivalente a cerca de 20% dos eleitores, foi para o Movimento 5 Estrelas, grupo antiausteridade liderado pelo comediante Beppe Grillo, astro de televisão. Na Itália o Partido Democrático, de centro-esquerda, que governa a Itália, recebeu a maioria dos votos para o Parlamento Europeu.

Na Alemanha, cuja classe governante domina a Europa, os partidos tradicionais mantiveram seus papéis de domínio. Nenhum partido, nem de esquerda nem de direita, apareceu significativamente nas urnas. O desemprego ainda é razoavelmente baixo na Alemanha – embora os salários tenham perdido poder de compra e os benefícios sociais tenham sido reduzidos, ao longo dos últimos 20 anos.

Na Grã-Bretanha, os partidos Trabalhista e Conservador perderam votos; a maioria dos eleitores encaminharam-se na direção de um voto de protesto, a favor do Partido Independente do Reino Unido [ing. Independence Party (UKIP)], de programa indefinido em vários campos, mas claramente anti-União Europeia. Esse partido – que é diferente do declaradamente racista British National Party — apareceu em primeiro lugar, com 27,5% dos votos para o Parlamento Europeu – sem ter jamais conquistado sequer um assento no Parlamento Britânico!

O pior resultado foi na França, onde o partido Front Nacional, racista, apareceu em 1º lugar nas eleições para o Parlamento Europeu, com 25% dos votos. Nenhum partido da esquerda francesa ganhou assento ao Parlamento Europeu. O Partido Socialista de Hollande, tão intimamente identificado com a austeridade e que traiu todo e qualquer vestígio de solidariedade que tivesse com a classe trabalhadora, foi detonado.
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[*] John Catalinotto nasceu em New York, USA, onde leciona matemática na City University. Foi organizador social do sindicato antiguerra e antirracista American Servicemen's Union durante a guerra dos EUA no Vietnã. Desde 1982 é diretor-gerente do semanário Workers World, um dos principais organizadores para o International Action Center do Tribunal sobre Iugoslavia (junho de 2000) e do Tribunal sobre Iraq (agosto de 2004). É colaborador de Avante, odiario.info (Portugal) e de Terra e Tempo (Galicia). É editor de dois livros: Metal of Dishonor sobre urânio baixo-enriquecido (1997) e Hidden Agenda: the U.S.-NATO Takeover of Yugoslávia (2002). É membro de Tlaxcala.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

McChrystal despedido por criticar política de guerra dos Estados Unidos

McChrystal despedido por criticar política de guerra dos Estados Unidos

John Catalinotto*
12.Jul.10 :: Colaboradores

“Tal como qualquer outra presidência americana, a atual administração está cativa da gigantesca máquina militar americana para gerir a política externa, tal como está cativa de Wall Street e dos grandes bancos no que respeita à política econômica e das grandes empresas petrolíferas no que se refere ao ambiente. O Pentágono, na prática, coagiu a administração a alargar a guerra no Outono passado quando revelou sub-repticiamente os planos de contra-insurreição aos meios de comunicação antes de apresentá-los ao presidente. Não é a demissão de um general que vai alterar este equilíbrio.”


Uma vista de olhos pelo Google News mostra-nos que dezenas de milhares de artigos noticiaram que o presidente Barack Obama exonerou o general Stanley McChrystal e substituiu-o pelo general David Petraeus. Esta exibição de confusão e de desmoralização no seio das chefias militares e civis do imperialismo dos EUA proporciona uma oportunidade em cheio para acelerar os esforços para forçar Washington e os seus aliados a recuar e a pôr fim à guerra e à ocupação ilegais do Afeganistão pelos EUA-NATO.


Não há a menor dúvida de que o crescendo da publicidade em torno da guerra no Afeganistão tem suscitado um interesse cada vez maior. O derrame de petróleo da BP e a incapacidade de a economia capitalista gerar empregos continuam na ordem do dia, mas durante uns dias sofreram forte concorrência nos meios de comunicação. O imperialismo dos EUA tem um grave problema no Afeganistão na medida em que a sua táctica atual falhou completamente. Ou a administração Obama reconhece a derrota e se retira do Afeganistão ou vai ter que reforçar a intervenção americana e impor sacrifícios muito maiores à população americana a par de maior sofrimento para os afegãos. Chegou a altura de reforçar a escrita, as palavras e as ações contra esta ocupação colonial injusta.


Então, o que é que aconteceu que levou ao alvoroço dos meios de comunicação na última semana de Junho? No início deste ano, McChrystal, o seu secretário de imprensa e os seus assessores aceitaram que o repórter free-lance e crítico de guerra Michael Hastings se juntasse ao seu círculo restrito num jantar em Paris enquanto estavam à espera que abrandassem as cinzas do vulcão islandês para poderem viajar de avião.


Durante esse jantar, os assessores fizeram alguns comentários depreciativos insultando Eikenberry, o embaixador americano no Afeganistão – um antigo general de três estrelas, o vice-presidente Joe Biden e Richard Holbrooke, o representante especial para o Afeganistão e Paquistão. Chamaram «palhaço» a James Jones, antigo general de quatro estrelas e conselheiro da Segurança Nacional. McChrystal também disse que Obama parecia pouco à vontade numa reunião que tinham tido no Outono.


A equipe de McChrystal também proferiu alguns comentários que davam a entender que a estratégia de «contra-insurreição» que tanto McChrystal como Petraeus defendem não está a surtir efeito na ocupação do Afeganistão. O próprio McChrystal referiu-se à reocupação da região de Marja como uma «úlcera sangrenta». Esta região é aquela cuja reconquista supostamente iria inverter a maré da guerra contra os talibãs no início deste ano. Marja foi muito publicitada por todos os comunicados de imprensa do Pentágono, mas a região acabou por voltar para a resistência.


Um conselheiro sênior de McChrystal acrescentou, «Se os americanos [sic] pensassem um bocadinho e começassem a prestar atenção a esta guerra, ela tornar-se-ia ainda menos popular». Este comentário desmoralizado realçava o fato real de que a população dos EUA não apoia a guerra no Afeganistão e se for chamada a fazer mais sacrifícios, pode recusar-se a isso e resistir.

Embora o artigo de Hastings abra com alguns comentários que fizeram com que ele se espalhasse rapidamente na Internet, não deixa de ser uma peça cuidadosamente escrita e documentada que examina as dificuldades da posição dos EUA no Afeganistão. Hastings não põe em causa os motivos de Washington para a ocupação ou para o papel agressivo do Pentágono em nível mundial.


Hastings conclui, «Seja qual for a natureza do novo plano [para Kandahar], o atraso realça as falhas fundamentais da contra-insurreição. Depois de nove anos de guerra, os talibãs continuam entrincheirados de forma tão profunda que os militares americanos não conseguem atacar abertamente. “A própria população que o COIN pretende atrair – a população afegã – não nos quer lá”.


A desmoralização dos assassinos treinados


Hastings inclui um elogio à ação de McChrystal, especialmente por não recear o trabalho duro e a disciplina, e afirma que “McChrystal e os seus homens dominam inquestionavelmente todos os aspectos militares da guerra”. Mas a sua descrição do grupo do general choca com isso: “A equipe do general é uma coleção cuidadosamente escolhida de assassinos, espiões, talentos, patriotas, operacionais políticos e maníacos a cem por cento. Há um antigo chefe das Forças Especiais Britânicas, dois SEALS [1] da Marinha, um comando das Forças Especiais Afegãs, um jurista, dois pilotos de caças, e pelo menos duas dúzias de veteranos de combate e especialistas da contra-insurreição. Referem-se a si próprios, de brincadeira, como a Equipe América…»


Isto é mais o estilo de McChrystal, atendendo ao seu currículo no Iraque enquanto subordinado de Petraeus, responsável pela política de contra-insurreição durante a chamada ofensiva naquele país.


O artigo apareceu na internet em 21 de Junho. Em poucas horas foi reproduzido por todos os meios de comunicação, ainda antes de chegar à imprensa e criou um tremendo conflito com a administração. Cerca de 36 horas depois de ter aparecido o artigo, Obama aceitou o pedido de demissão de McChrystal. Ao não apresentar qualquer desculpa ou desmentido, McChrystal parecia quase aliviado por se ver livre do comando. O seu rápido pedido de demissão foi consistente com a atitude desmoralizada expressa pela «Equipe América» naquele jantar. Estavam perdendo a guerra com as forças disponíveis e achavam que a administração lhes recusaria o reforço de forças e o tempo que pretendiam.


Dada a rivalidade entre os funcionários americanos que dirigem a guerra, o quase colapso da anunciada ofensiva em Kandahar, o anúncio dos holandeses e dos polacos de que iam prosseguir com a retirada das tropas, a crescente oposição à guerra na Alemanha e na Grã-Bretanha, o aumento de mortes no seio das forças EUA-NATO, a instabilidade do presidente fantoche Hamid Karzai e a inquestionável resistência da população americana a intensificar a guerra, é fácil perceber porque é que o general pode ter preferido demitir-se rapidamente em vez de ser acusado de uma derrota.


Grande parte da discussão nos meios de comunicação institucionais foi sobre os conflitos civis-militares, sobre os problemas com a ocupação afegã e sobre as estratégias discordantes para obter uma vitória dos EUA. Nenhum deles se referiu nem de longe à verdade central de que a intervenção americana no Afeganistão se baseia não em «acabar com o terrorismo», mas em alargar os interesses geopolíticos do imperialismo dos EUA.


Inicialmente, Washington apoiou grupos como a al-Qaida nos anos 80 contra as tropas soviéticas solicitadas por um governo afegão progressista. A seguir, permitiu que o regime militar paquistanês colocasse os talibãs no poder. Depois os EUA invadiram o Afeganistão em 2001 utilizando a alegada «guerra contra o terrorismo» como pretexto.


Agora a guerra já dura mais tempo do que a guerra contra o Vietnam, com mais de 1.000 efetivos americanos mortos e o que mais há de vir. Os talibãs deixaram de ser um governo reacionário e anti-popular para passarem a ser a força principal numa guerra de resistência do povo afegão.


Embora a «equipe» de McChrystal possa ser descrita, e bem, como um grupo de assassinos contratados, isso não significa que os adversários do general sejam menos perigosos. Os funcionários americanos, tanto os civis como os militares, estão apostados em defender os interesses imperialistas dos EUA. O próprio Petraeus é um general de topo e o arquiteto da «contra-insurreição» no Iraque. Eikenberry e Jones são antigos generais de topo. Biden, um funcionário civil, é o autor da estratégia de dividir o Iraque em milícias com base na etnia e na religião, uma estratégia que impôs um sofrimento indescritível a milhões de iraquianos vulgares.


Holbrooke, o «czar do Afeganistão-Paquistão,» é um funcionário sênior do Departamento de Estado e um guerreiro insensível que apadrinhou a guerra de agressão da NATO que desmantelou a Jugoslávia.


Petraeus, segundo tudo leva a crer, também está empenhado no plano de contra-insurreição e na continuação da política dos EUA no Afeganistão. Mas, nos seus últimos comentários, disse que estaria disposto a rever as «regras de combate» defendidas por McChrystal. Esta mudança levará sem dúvida a mais baixas civis.


Denúncia do alto preço da guerra


A maioria, se não todos, destes funcionários, civis e militares, seriam candidatos a acusações por crimes de guerra num mundo em que o poder militar e econômico dos EUA deixasse de decidir o que é certo ou o que é errado.


Tal como qualquer outra presidência americana, a atual administração está cativa da gigantesca máquina militar americana para gerir a política externa, tal como está cativa de Wall Street e dos grandes bancos no que respeita à política econômica e das grandes empresas petrolíferas no que se refere ao ambiente. O Pentágono, na prática, coagiu a administração a alargar a guerra no Outono passado quando revelou sub-repticiamente os planos de contra-insurreição aos meios de comunicação antes de apresentá-los ao presidente. Não é a demissão de um general que vai alterar este equilíbrio.


Numa época de cortes orçamentais sem precedentes nos serviços sociais e nos benefícios alargados para o desemprego, é mais fácil que a população, em especial os trabalhadores, os oprimidos e os jovens, percebam que uma guerra dispendiosa no Afeganistão não só é uma sangria como é, sobretudo um crime. Que as chefias da guerra estão a escancarar a porta a uma potencial luta de massas que pode fazer a diferença para acabar com a guerra no Afeganistão. Mas também pode fazer surgir o perigo de o imperialismo americano tentar expandir a guerra ou talvez mesmo começar uma guerra noutro sítio qualquer onde o seu poderio aéreo e as suas armas estratégicas lhe dêem vantagem.


A pergunta sem resposta é, como é que a população americana vai reagir?


Nota:

[1] Forças SEAL (United States Navy Sea, Air and Land) são as Forças de Operações Especiais de elite da Marinha dos EU, utilizadas na guerra não convencional, guerra de guerrilha, defesa interna, acção directa, contra-terrorismo, detecção e detenção (rapto) específica de inimigos, assassínio de inimigos específicos, salvamento de reféns e operações especiais de reconhecimento.

* John Catalinotto é amigo e colaborador de odiario.info
Este texto é baseado numa palestra proferida pelo autor em 2 de Julho num fórum do Workers World Party em Nova Iorque
Tradução
de Margarida Ferreira