Mostrando postagens com marcador Maurício Dias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maurício Dias. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de agosto de 2010

Fatos e Factóides – a oposição, sem programa consistente, tenta criar um “fato novo” para evitar a derrota de Serra

Para tentar virar o resultado da eleição de outubro, que até agora aponta Dilma Rousseff como provável vencedora já no primeiro turno, a oposição busca desesperadamente o que chama de “fato novo”.


Este é o único produto em alta na campanha tucana no momento.


Com o “fato novo” procura-se um acontecimento que, usado calculadamente, poderia provocar impacto suficientemente forte para mudar o rumo da eleição, ou que, pelo menos, teria força para frear Dilma e manter a chance de levar Serra ao segundo turno.


Chama a atenção pergunta sugerida no ex-blog do ex-prefeito carioca Cesar Maia, tutor de Índio da Costa, candidato a vice na chapa de Serra: “Drew Westen dizia, dois meses antes das eleições de 2008 nos EUA, que Obama precisava criar um fato novo. A quebra do Lehman Brothers encarregou-se disso. Aqui, isso não deve ocorrer. Então, o quê?”


Maia é o introdutor do factóide na cena brasileira. Mas factóide não é uma mentira. É um fato inexistente até ser usado como ato de manipulação política. Factóide é uma criação do jornalista e escritor norte-americano Norman Mailer, que deu esse sentido à expressão.


Factóides são os únicos recursos existentes no arsenal da oposição brasileira na campanha eleitoral. A força do factóide não está no fato em si, mas na forma com que é usado.


Nos últimos dias, mais uma vez, os fatos foram usados como factóides. Sempre com a obsequiosa ajuda da imprensa dita isenta e imparcial.


Simultaneamente à divulgação de novas pesquisas que ampliam a vantagem de Dilma Rousseff, reapareceu o episódio da quebra do sigilo fiscal de Eduardo Jorge, da direção do PSDB. É um fato grave. A Receita Federal fez o que devia. Abriu sindicância interna e descobriu que houve três acessos irregulares e dados pessoais de outros contribuintes tucanos. Os funcionários responsáveis devem pagar por isso.


Eis aí o exemplo de um fato transformado em factóide.


Atribuíram a responsabilidade do ato irregular a Dilma Rousseff ou à equipe de campanha dela sem que haja provas. É um factoide de uma leviandade sem par, como atestam as duas declarações abaixo:


“Não é a primeira vez, isso vem de muitos anos. Lembram do dossiê dos aloprados do qual fui vítima?”, disse Serra.

“Dilma Rousseff tem de dar uma satisfação. Ela é a candidata dessa turma que praticou o ato ilegal”, atacou o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB.


Serra, hoje, é o candidato preferido pelos militares que apoiaram a tortura durante a ditadura militar. Seria, então, o caso de se perguntar: qual é a responsabilidade do candidato tucano com aquelas atrocidades? Honestamente, nenhuma.


Serra e aliados erraram desde o início. Apostaram sempre na desconstrução de Dilma Rousseff. Em consequência, nos palanques e no horário eleitoral de rádio e tevê, a oposição não tem o que dizer.


De qualquer forma, ainda há tempo de Serra reconstruir a campanha. Talvez, não mais para ganhar, mas somente para perder dignamente e, assim, poder contar aos netos do início ao fim da história de sua trajetória política.


enviado por Jotamorim

CartaCapital n˚611

Coluna Rosa dos Ventos – Mauricio Dias

domingo, 15 de agosto de 2010

O Fator PT

O fator PT – Pesquisa Ibope: 47% dos eleitores manifestam preferência partidária, com larga vantagem para o Partido dos Trabalhadores

Como numa viagem redonda, os eleitores brasileiros são bombardeados, em 2010, com a mesma questão de 2002, quando a oposição usava medonhos artifícios para tentar afugentar eleitores de Lula para Serra. Está gravada no dicionário das afirmações precipitadas a frase do especulador George Soros, de que, se o Partido dos Trabalhadores ganhasse, seria “o caos”.

Arminio Fraga, pupilo, ex-empregado de Soros e ex-presidente do Banco Central do Brasil no governo FHC, reaparece agora na imprensa e dá continuidade à farsa. Segundo ele, “a crise em 2002 foi baseada no medo do projeto do PT”.

Nascido da mobilização de movimentos sociais com diversas visões políticas do mundo, o PT, com suas contradições e conflitos internos, estabilizou-se politicamente com uma folgada maioria moderada. Na última disputa para a direção do partido, dois candidatos moderados de esquerda arrastaram 65% dos votos. As chapas mais à esquerda, somadas, levaram 23,9% dos votos. Mais de 500 mil filiados participaram da eleição.

Certamente, haverá, e haverá sempre, os que acham possível ganhar a eleição para fazer a revolução. Eles animam o debate. Salgam a Terra, de certa forma. Esses anseios de radicalização são travados, no entanto, exatamente pelo enraizamento do PT na sociedade.

À margem dos números sobre a corrida presidencial, a pesquisa Ibope, divulgada dia 6, apresenta informações preciosas sobre o quadro partidário brasileiro: o PT aparece disparado, com 26%, na preferência partidária dos eleitores, seguido longinquamente pelo PSDB e pelo PMDB, ambos com 6% cada. Talvez pela filiação e pela candidatura de Marina, o Partido Verde parece ter germinado. Pela primeira vez obteve 2% das preferências. Outros 26 partidos com registro no TSE alcançaram 1% ou menos.

Isso derruba o argumento da inflação de partidos no País. Não passam de três ou quatro os que conseguem expressão nacional. Partidos para valer.

Essa forte preferência pelo PT pode ter sido o agente provocador de um impacto positivo no comportamento político da sociedade: 47% da população manifesta preferência partidária, ante uma apertada maioria de 49% que afirmam não ter simpatia por partido nenhum.

O argumento de que essa força petista refletida na pesquisa está inflada pelo sucesso do governo Lula não desqualifica o resultado. De fato, durante os dois governos de Lula, a filiação ao PT aumentou em 45%. Isso, por outro lado, mostra a solidez dos números que apontam para a consistência da votação de Dilma na eleição presidencial.

O PT não só não acabou, como “essa raça” parece que terá vida longa para desgosto de políticos como o ex-senador Jorge Bornhausen, autor da expressão preconceituosa. Isso porque 62% dos eleitores que demonstram preferência pelo partido estão na faixa dos 16 aos 29 anos.

Diversos itens da pesquisa apontam uma distribuição homogênea nos percentuais de simpatizantes do PT, como, por exemplo, na categoria sexo, com 27% de homens e 25% de mulheres. O mesmo ocorre com a distribuição do simpatizante pela condição do município: 32% estão na capital, 26% na periferia e 23% no interior.

A preferência pelo PT demonstrada por essa parte da população pode ter variadas motivações. Mas talvez seja, também, reação à noção elitista que sempre governou para 20 milhões de pessoas este país, que hoje alcança 190 milhões de habitantes.

CartaCapital n˚ 609 – Coluna Rosa dos Ventos – por Maurício Dias

enviado por Jotamorim