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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Furo de reportagem! “Vazou o vídeo secreto de reunião do Comitê Central do Grupo *GAFE!”


Grupo *GAFE (Grobo, Abriu, Fôia Ditabranda, Estado de Sítio)


Participantes principais:
Irmãos Martinho (Grobo) – os três calados em frente à porta
Ropert Murdívita (Abriu) – Chefe do Comitê Central (disfarçado com bigodinho ridículo)
Otário Frescas (Fôia Ditabranda) – o magro (disfarçado de MILICANALHA cinza)
Adora Cremes (Estado de Sítio) – gorda disfarçada de farda branca que olha o relógio

Outros identificados:
Ardaldo Jabá (o que serve água ao Chefe)
Joseh Ianomami (o magrela que fala da Dilma)
Néscio Bostta (o que entra –depois – pela porta)
Gillette Lambuja (francês disfarçado de MILICANALHA austríaco)

Vários ainda não identificados pelo Brigaboa, o “keep trolling”, especialista da redecastorphoto em identificação de GAFES.
Vídeo obtido pelo serviço secreto do blog “O Cafezinho” comandado por Miguel do Rosário.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mídia em parafuso


2 January 2012

O Cafezinho inicia o ano com mudanças. Agora todos os posts têm algum conteúdo livre. A primeira análise de mídia vem mais concisa e publicada cedo, por volta das 7 horas. Os outros posts serão publicados até o meio dia.

Nas últimas semanas do ano passado, os jornais publicaram alguns textos pesadamente oposicionistas, a maior parte deles ainda refletindo as emoções despertadas com a publicação do livro A Privataria Tucana. Refiro-me, especificamente… Continue lendo…

sábado, 23 de julho de 2011

EM NOME DO ESPÍRITO SANTO BRASILEIRO!

Raul Longo
Ainda ontem me enviaram cópia de uma convocação que anda circulando por aí, para uma paralisação nacional dia desses.

Vira e mexe recebo dessas e vou às ruas todo animado em busca de diversão, mas não encontro nada nem ninguém. Sequer os que distribuem as convocatórias.

Fala-se em buzinaço, panelaço e outros tantos, mas o mais que escuto são os “me dê licença que ‘tô com pressa” do trânsito cotidiano. Perguntei a uma amiga que jurou que participaria da última convocação, se conseguira moer com as panelas velhas da casa. Disse que aproveitando as ofertas tinha trocado recente a baixela e usou colher de pau em cumbuca de madeira. Eu acreditando em sua disposição, ou indisposição, e ela só tirando uma com a minha cara.

Mas a melhor convocação que já me enviaram foi esta de ontem, de umas vizinhas sempre indignadas com o governo de um “apedeuta”. E não adianta tentar ensinar a essa gente que o adjetivo é de dois gêneros, pois assumem com tanta convicção o que consideram enorme defeito do ex presidente que agora serão capazes de dizer que temos o governo de uma “apedeuto”. Irredutíveis!

Da língua portuguesa podem entender pouco, mas estas minhas vizinhas me revelaram que além de Deus, o Espírito Santo também é brasileiro! Pois vejam lá como se inicia a convocatória que ajudam a distribuir pela internet:


“Estamos vivendo talvez a melhor oportunidade de nos tornarmos uma grande nação”


Daí pra frente fala da necessidade de se pressionar o governo para a reforma política, do judiciário, fiscal, tributária e todas aquelas que ao longo de seu governo o Presidente Lula enviou projetos ao Congresso, mas os candidatos eleitos por essas vizinhas sempre fizeram questão de trancar. Só agora que com esse novo Congresso isso tudo tem pinta de vir acontecer, é que minhas vizinhas resolveram bater lata. Mas sempre é hora pra se começar a coçar e lhes dou a maior força.  

Dou força embora usem a estupidez do auxílio-reclusão comparando-o com o valor do salário mínimo, sugerindo que todo presidiário é pago para ficar na cadeia. Não sabem que em qualquer país do mundo civilizado, filhos e dependentes de criminosos são considerados inocentes. Tão pouco sabem que há um teto máximo para o pagamento do auxílio, independentemente de quanto tenha contribuído o trabalhador.

Ignoram que o recluso não recebe coisa alguma, e somente seus dependentes têm direito ao benefício se o apenado for contribuinte do sistema previdenciário e se o familiar responsável pelo recebimento comprovar a continuidade da contribuição mensal.

Mas se ignoram tudo isso, minhas vizinhas ao menos sabem que:  


“Estamos vivendo talvez a melhor oportunidade de nos tornarmos uma grande nação”


Se até elas sabem disso e ainda assim continuam, como sempre fizeram, apontando a atual linha de governo como “a mais corrupta da história do país”, afora “o apedeuta”, ou “a apedeuto”, com que milagre saímos de país de mais alto risco econômico do mundo e chegamos “a melhor oportunidade de nos tornarmos uma grande nação?”

Entendo bem pouco de providências divinas, mas logo se me aparentou heresia considerar que por ser brasileiro o bom Deus, com tamanhas responsabilidades cósmicas por bilhões de galáxias, se desse ao desfrute de mexer seus pausinhos só pro Brasil, enfim, ficar bem na fita em meio às falências das mais sólidas economias deste mundo capitalista. Além de que, convenhamos: ainda que brasileiro até a década passada Deus nunca se demonstrou muito patriota.

Aí, conforme fiz notar às vizinhas, através das minhas parcas informações sobre a Santíssima Trindade pude chegar sozinho à uma conclusão. Decididamente foi o Espírito Santo!

Só pode ter sido o Espírito Santo, pois ainda outro dia o companheiro Plínio de Arruda Sampaio acusou o governo por basear todo o sucesso da economia brasileira em “commodities” (tal como agora é chamado o antigo “produto primário”) e com isso pautou toda a mídia. Até o Carlos Alberto Sardenberg teve de preparar às pressas aqueles seus graficozinhos para demonstrar que os “commodities” são a salvação da lavoura e a Miriam Leitão já evocou praga na soja para uma irreversível falência brasileira. À Miriam só faltou babar, se é que não o fez fora das câmeras.

Tudo gente de pouca fé e religião. Commodities coisa alguma! É conforme revelaram as minhas vizinhas e o Miguel do Rosário, do Blog Óleo do Diabo (eita embate esotérico!), comprova no gráfico abaixo mostrando que desde 2003 o Espírito Santo emprenhou o Brasil!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Blogueiros progressistas? Ou blogueiros...

Prezados e prezadas, apenas contando algo: há alguns dias, após escrever o texto respondendo a agressão da Folha a Telesur, fui surpreendido por nota no Blog Gonzum, do Miguel do Rosário, em que afirmava "Telesur se desmoralizou ao fazer cobertura pró-Kadafi".

Preocupado com o equívoco, escrevi a ele solicitando que esclarecesse em que teria se baseado, em qual notícia, em qual editorial, em que imagem, para afirmar semelhante estapafúrdio. Ele disse que teria se baseado em mensagem do Rovai, que afirmava que Kadafi estava bombardeando seu próprio povo, que os níveis de vida e o IDH da Líbia, bem como os serviços públicos de saúde e educação gratuitos não tinham tanta importância pois era um país pequeno e muito rico em petróleo.

A Arábia Saudita também é rica, nem porisso aplica sua renda petroleira na elevação do padrão de vida de seu povo. Ao contrário. É uma didtadura monárquica, carcomida, protegida pela mídia capitalista, inclusive a Folha. Lembrei ao Miguel o quanto de mentiras se estava utilizando contra a Líbia, entre elas a do "bombardeio do seu próprio povo", repetida por Hillary Clinton, por Obama, pelo Rovai, pela Fox News, pela TV Globo e pelo blog Gozun.....Miguel me aconselhou então ler o noticiário e a "não me deixar me levar pelo ódio à mídia". Percebi que por estes argumentos não era razoável insistir numa discussão política e apenas perguntei a ele se publicaria o meu artigo em resposta à agressão feita pela Folha de São Paulo a Telesur. Não publicou, não respondeu, não esclareceu.

Hoje , a própria Folha publica declarações do Secretário de Defesa dos EYA, Robert Gates, concedidas à imprensa americana, onde ele afirma:

"Não ha confirmação de que tenham ocorrido bombardeios ordenados por Kadafi contra o seu povo".

É o secretário de defesa dos EUA! Junte-se a isso uma nota da imprensa russa, na qual se informa que o Comando do Exército Russo, tendo monitorado incessantemente os satélites localizados naquela região da Líbia, afirmou que não houve nenhum bombardeio aéreo como os relatados pela mídia internacional, e, lamentavelmente, repetidos por Rovai e Miguel do Rosário.  Mando-lhes a seguir as duas notas. Mas, uma delas está na Folha de hoje, na coluna "Toda Mídia", ao alto da página. A outra mando por internet.

Telesur está com duas equipes de reportagem na Líbia, uma em Trípoli e outra em Bengazhi. Tem retratado que há apoio a Kadafi, como também que existem ações militares de rebeldes, inclusive de um setor de oposição que apela a  Otan para que lance bombardeios sobre a Líbia.

Ouvimos os dois lados, documentamos tudo, estamos no terreno desde o início. Onde está a desmoralização da Telesur? 

Há blogueiros progressistas que se deixam influenciar pelo dilúvio de notícias mentirosas... E não podem explicar em que se baseiam para suas afirmações. Mas, negam publicar o artigo que critica o comportamento da Folha de São Paulo, tal como a Folha, que também não publicou o meu artigo.

Beto

(Publicado em Patria Latina)

Líbia: teria faltado protagonismo ao Itamaraty?

A impressionante euforia de uma quase unânime campanha midiática atuando como os tambores de guerra,  tendo como alvo a Líbia,  já provocou seus estragos iniciais: uma diplomacia facciosa,  agressiva e guerreira arrancou à força uma condenação do país africano, sem sequer uma investigação concreta. Para tal foram suficientes os relatos de uma mídia controlada pela indústria bélica. Agora,  prepara-se o terreno para novos passos da máquina de guerra imperialista. O desejo de uma intervenção militar na Líbia é sonho antigo do Pentágono, nunca concretizado. Mas, agora, se de fato for lançada, pode ter como objetivo reprimir todos os povos árabes em rebelião com o intuito de assegurar a hegemonia dos interesses dos Eua na região, atualmente sob questionamento, seja pelas rebeliões populares, seja pela nova relação de forças em países como Irã, Turquia e Líbano.

 Por tudo isto, é justo perguntar se não teria havido falta de protagonismo do Itamaraty na votação do caso Líbia na ONU? Será que    todo o esforço do governo Lula em consolidar uma aliança Países Árabes e América do Sul não estaria sendo deixado um tanto de lado quando a representante do Brasil na ONU aparece posicionada ao lado de resoluções que podem facilitar a balcanização da Líbia, e, como conseqüência, trazer um grave retrocesso nas relações do Brasil com aquela região, como já se pode perceber na retirada parcial das empresas brasileiras do território líbio? Saem Queiroz Galvão, Odebrecht e Camargo Correia, e entra a Haliiburton? Seria este um dos resultados da intervenção pré-militar? Sem contar uma montanha de cadáveres....... O Artigo é de Beto Almeida.

Não foi simples para o Presidente Lula construir sua política externa. Os adversários se posicionaram prontamente, fora e dentro do território nacional. Aqui dentro toda a mídia que, naturalmente, sempre foi historicamente vassala editorial de idéias emanadas pelas grandes potências. Não há uma única mídia de grande alcance hoje no Brasil que sustente uma linha editorial contrária à manutenção do status de vulnerabilidade ideológica, política, tecnológica, econômica e até militar em que se encontra o Brasil desde o nefasto período dos privateiros. Nem mesmo  a TV Brasil conseguiu fazer uma linha editorial diferenciada, com um mínimo de sintonia, sequer exploratória,  com o que foi a política externa lulista.

Retórica itamarateca?

Entre os argumentos manipuladamente utilizados contra Lula repetia-se  -  sem diversidade informativa alguma, como se pede na Constituição -  que tudo era apenas uma retórica itamarateca. Não é preciso muitas linhas para contestar este pseudo-argumento: basta que se verifiquem os volumes do comércio, dos acordos, e das relações entre o Brasil e os países do Oriente Médio antes e depois de Lula. Lembremo-nos: neste período foi realizada, sob oposição dos EUA, a primeira Cúpula América do Sul-Países Árabes na história.

Há uma forte simbologia quando grandes empresas brasileiras retiram seus funcionários em função do evidente agravamento da crise na Líbia e a ameaça não apenas de uma guerra civil, mas de uma intervenção bélica da Otan para, quem sabe, levar novamente ao poder remanescentes da monarquia Idris, desde que concordem, obviamente, em privatizar novamente o petróleo líbio hoje estatizado, entregando-o a empresas norte-americanas, como no Iraque e na Arábia Saudita hoje.

Paralisação produtiva

A Revolução Líbia colocou a receita do petróleo para a elevação do padrão de vida de seu povo, tanto é que pertence a este país o mais elevado IDH da África, um salário mínimo dos mais elevados de todo o terceiro mundo, superior ao brasileiro,  uma renda per capta parecida à nossa, sem contar a oferta de serviços públicos e gratuitos de saúde e educação em razoável qualidade. A receita petroleira tem sido também utilizada para  a contratação de empresas e tecnologia do exterior para a realização de obras de infra-estrutura de grande porte, entre elas gigantescos canais de irrigação para alavancar a produção agrícola num território que, em 90 por cento, é desértico. A ingerência já produziu uma paralisação produtiva no País.

A construção de uma política externa brasileira enfatizando a integração latino-americana, não apenas em discursos mas, concretamente, com obras unificadoras de infra-estrutura que já não podem mais ser negadas pelo dilúvio de mentiras midiáticas, tem seu desdobramento na formatação de uma relação mais cooperativa com o mundo árabe e também com o Irã.  Além disso, a busca de uma diversificação de exportações e importações -  o que nunca agradou aos EUA  -  desdobra-se coerentemente numa relação mais protagonista a partir da relação com os países do Brics, bem como no G-20. Imagine o tamanho da crise que o Brasil enfrentaria se tivesse permanecido submetido a uma relação prioritária com os EUA...

Esta nova maneira de estar presente no mundo levou o Brasil a pelo menos duas operações de alto esforço e coragem, qual sejam, a busca de uma saída negociada e pacífica para a crise a partir do prepotente veto imperial ao programa nuclear do Irã, e também, na questão de Honduras, quando o governo Lula assumiu com arrojo a defesa da democracia diante do golpe de estado contra Zelaya, sinalizando que ela, a democracia, não é um atributo que estaria fora da agenda da cooperação e integração latino-americana, bem como do princípio da autodeterminação dos  povos, violentada nestas duas oportunidades pelos EUA.

Comissão Internacional para uma solução pacífica

Lamentavelmente, a proposta de formação de uma Comissão Internacional  para solução pacífica da crise da Líbia não partiu do Brasil, como era justo esperar, mas da Venezuela. Aliás, quando da tentativa de golpe contra a Venezuela, teria partido exatamente do Brasil, sob o governo Lula, a idéia de criar o Grupo de Amigos da Venezuela, buscando assegurar uma mesa de negociações e desencorajar qualquer aventura intervencionista. Certamente, embora justa, a proposta agora capitaneada pela Venezuela, teria muitíssimo mais abrangência e força política se oriunda do Brasil, tal como o Brasil se empenhou no caso do Irã para convencer a ONU a não dobrar-se aos tambores de guerra. Estes, vale recordar, estão sempre prontos a repicar, especialmente diante da uma crise econômica que não foi vencida ainda pelos EUA, e que pode levar sua economia marcadamente dominada pela indústria bélica, a aproveitar a crise da Líbia para dinamizar a recuperação de sua crise interna, às custas de vidas e mais vidas, como se vê hoje no Iraque e no Afeganistão, sem qualquer vislumbre de solução no horizonte. Mas, para a indústria guerreira, a expansão das encomendas é a própria solução. Sobretudo, se a intervenção militar traz nova possibilidade de privatizar petróleo público, assegurando, sob a cobertura da ONU, uma rapina que não pode ser feita sem demolir as estruturas da Revolução Líbia e transformá-la num novo Kossovo, ou seja, em mais uma base militar dos EUA, como as mais de mil espalhadas pelo mundo hoje.

A política externa brasileira não pode estar associada a qualquer idéia que facilite a concretização deste plano sinistro! Seria sim um distanciamento ou falta de continuidade daquilo que foi construído pelo Itamaraty nos oito anos de Lula. E, para um país que pretende ter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, não é recomendável deixar de zelar pelo prestígio internacional alcançado pelo Brasil exatamente por sua política externa soberana, independente, criativa e vocacionada para promoção da solução pacífica dos conflitos.

Razões propagandísticas

O passivo endosso brasileiro na ONU a esta escalada de agressividade diplomática dos EUA baseada, por sua vez, num dilúvio de informações manipuladas e jamais comprovadas, nos faz lembrar a tragédia de uma guerra lançada contra o Iraque e seu povo com base na suposta “existência de armas químicas de destruição em massa naquele país”. A semelhança com as “razões propagandísticas” utilizadas por Hitler para expandir o seu exército pela Europa é robusta. Assim como o atentado ao World Trade Center, cuja versão oficial encontra crescente contestação pelos mais eminentes cientistas norte-americanos, atuou como “razão propagandística” a la Hitler para que Bush impusesse sua guerra ao terror, inclusive contra países que mal possuem sistema de água encanada, como o Afeganistão, acusado, paradoxalmente,  de ter perpetrado tão sofisticada operação.

Com coragem, o Brasil se opôs oficialmente à ação militar no Iraque no início do governo Lula... Seria de se esperar a continuidade desta acertada política externa quando agora, contra a Líbia, também se constroem versões   -  razões propagandísticas – para que aquele território seja ocupado pelos marines. Se manipulação grosseira das teses dos direitos humanos é o que baliza a autorização diplomática para tal monstruosidade militar, é de se esperar condenação a todos que estão hoje encharcando de sangue muçulmano o solo do oriente. A começar pelos EUA que já mataram mais de um milhão de civis no Iraque e , somente nesta semana, despejou bombardeios que causaram a morte de 65 civis no Afeganistão. Por que o Itamaraty não condena tal carnificina?

Caso a intervenção militar da OTAN venha de fato a concretizar-se, nossa política externa deveria ter exigentes motivos para preocupar-se, jamais para, de algum modo, ter colaborado direta ou indiretamente com mais uma guerra. Nem na Guerra das Malvinas o Brasil deixou de reivindicar uma solução negociada e pacífica, o que não impediu de oferecer algum tipo de apoio logístico aos argentinos, seja por meio de aviões, de informações etc. conforme comprovam documentos em posse do estado brasileiro.

Lições para o futuro

Possuidor do maior tesouro de biodiversidade (Amazônia), de riquezas minerais monumentais como urânio, titânio, silício etc e também das reservas petroleiras pré-sal, além de território farto em água, o Brasil tem razões para buscar construir uma política estratégica cuidadosa, sobretudo se e quando as potências imperiais dão passos mais largos e ameaçadores no tabuleiro do xadrez mundial. Qual será o próximo? Diante deste quadro fica evidente porque os EUA impõe vetos ao Programa Nuclear Brasileiro, como ao do Irã, e também ao nosso Programa Espacial, como revelaram os telegramas divulgados pelo Wikiliekes sobre a conduta do Embaixador norte-americano em Brasília a pressionar a Ucrânia para que não  transfira tecnologia espacial ao Brasil. Os EUA, anos atrás, já havia pressionado Kadafi a abrir mão do Programa Nuclear líbio. Sem nada em troca, além de sanções, agressões,  desestabilizações e bombardeios.

O que é difícil é entender por que o Brasil não faz agora um esforço prioritário para barrar mais uma guerra, associando-se a países que também podem formatar uma resistência internacional a mais esta aventura de uma economia imperial viciada em guerra e petróleo? Será delírio imaginar que no futuro não muito longe seja o Brasil o alvo de sanções simplesmente por dar continuidade ao seu programa nuclear? Vale lembrar que a energia nuclear só é considerada insegura e perigosa quando nas mãos de países como Irã ou Brasil, nunca sob o controle dos EUA, Inglaterra ou França.

Antes mesmo de qualquer investigação ou comprovação, a Líbia já foi penalizada com o congelamento de seus recursos financeiros depositados em bancos internacionais, o que, por outro lado, recomenda acelerar a concretização do lentíssimo projeto de construção do Banco do Sul, onde os recursos dos povos do sul poderiam estar depositados com segurança, não na insegurança dos bancos norte-americanos ou ingleses ou franceses, com um histórico de instabilidade e de fraudes recentes impressionantes.

Descontinuidade com o passado recente

A política externa formatada e aplicada por Lula, que a ela se empenhou pessoalmente em inúmeras viagens, alterou sobremaneira e positivamente a presença qualitativa do Brasil no mundo. Tal política requer consolidação, continuidade e aprofundamento, seja no plano da integração latino-americana, ou com a África, ou com os países árabes e do Oriente Médio, por onde encontram-se instaladas muitas empresas, equipamentos e pessoal brasileiros; como requer também  não recuar da linha de diversificação sem se deixar prender por um ou outro grande país.

No caso da Líbia, será constrangedor contabilizar o imenso prejuízo para a economia brasileira acarretado pela retirada de empresas e trabalhadores brasileiros. Especialmente se elas vierem a ser substituídas por empresas diretamente vinculadas à indústria bélica, como a Haliburton, já que guerra e petróleo, para os EUA, são atributos de uma mesma política.

Mais constrangedor será reconhecer que a política externa brasileira não teria atuado com o protagonismo que poderia exercer e que projetou durante os 8 anos do governo Lula, deixando margem para uma constatação amarga: a de que  o endosso passivo e sem questionamento a sanções arrancadas à  base de dilúvios midiáticos manipulativos na ONU, teve também alguma participação do Itamaraty.

 Uma descontinuidade com o passado recente.

Beto Almeida, Jornalista 2, março,2011

enviado por Dani Tristão