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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A China mete o mercado no meio

14/11/2013, Xinhuanet
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


PEQUIM – O papel do mercado na China passou oficialmente de “básico” para “decisivo”, e é chave para entender a agenda da reforma.

O Comunicado da 3ª-feira, depois da 3ª Plenária do 18º Comitê Central do PartidoComunista da China (PCC) destaca a profunda reforma econômica, com o mercado a desempenhar o papel decisivo para a alocação de recursos.

Na economia socialista de mercado anterior – que foi a política oficial da China desde 1992 – o mercado recebera apenas um papel “básico”.

Porcentagens de Investimento e Consumo em relação ao PIB  de 1989 até 2012
O sinal semântico aplica-se em vários setores, dentre os quais energia, finanças, terra e serviços e visa a revigorar os negócios.

Zhang Liqun, analista do Centro de Pesquisas do Desenvolvimento do Conselho de Estado, disse que o papel “básico” do mercado, antes, não excluía coisa alguma que pudesse estar envolvida no fluxo dos fatores de produção e na alocação de recursos.

Zhang Liqun
O Comunicado da 3ª-feira sugere que o papel do mercado na economia chinesa será reforçado – disse Liqun.

Um dos pré-requisitos para que a procura e a demanda aloquem recursos é um mercado aberto, unificado, com concorrência organizada, nos termos do Comunicado. Devem ser removidas as barreiras que haja no mercado, e todo o protecionismo regional e a intervenção do governo devem ser cortados. Os preços dos fatores de produção, como capital, energia e câmbio também serão decididos pelo mercado – continuou Zhang Liqun.

Fazendo eco às palavras de Zhang, o economista-chefe do Banco HSBC para a China, Qu Hongbin, acredita que os mecanismos para os preços da energia, taxas de câmbio, taxas de juros, preços da terra e preços dos serviços podem estar todos à beira de mudanças.

Qu Hongbin
Ainda não há detalhes específicos, mas um mercado unificado para construções sejam urbanas ou rurais, e um sistema financeiro aprimorado estão, com certeza, a caminho. A equipe central de trabalho anunciada na 3ª-feira encaminhará a reforma de modo coordenado e cuidará das dificuldades – disse Qu.

Quanto as empresas estatais [ing. state-owned enterprises (SOEs)], área que apareceu pouco no Comunicado, analistas sugerem que um ambiente que favoreça mais os negócios privados ajudará a arrancar as grandes estatais de sua zona de conforto.

O Comunicado, que define os dois setores, o público e o privado, como componentes importantes da economia socialista de mercado, prometeu que as empresas privadas serão “encorajadas, apoiadas e orientadas”.

Peng Wensheng
Peng Wensheng, da empresa China International Capital, acredita que a ênfase no mercado e na concorrência sugere que as estatais estarão operando num ambiente aprimorado de mercado, e ele espera que outros passos virão para quebrar os monopólios do Estado e modernizar as empresas estatais.

Lin Caiyi, da Seguradora Guotai Junan, também espera mais facilidades de acesso ao mercado para os investidores privados. Para ele, os monopólios estatais nas telecomunicações e no setor financeiro serão os primeiros a acabar.

A reorientação para o mercado já está em andamento. Em julho, o banco central chancelou o piso das taxas de empréstimo, e em setembro, foi lançada a Zona Piloto de Livre Comércio da China (Xangai).

Paralelamente ao papel do mercado, o Comunicado também deixou claro que há espaço para melhorar o modo como o governo faz seu trabalho, e declarou abertamente que o núcleo da reforma econômica é o relacionamento entre governo e mercado.

Zhang Zhuoyuan
Zhang Zhuoyuan, economista e membro da Academia Chinesa de Ciências Sociais [orig. Chinese Academy of Social Sciences (CASS)], observou que a ênfase no mercado não implica automaticamente redução no papel do governo. “Significa que as funções do governo devem ser executadas de modo melhor, mais adequado”.

Melhor orientação pelo governo no macrocontrole, na regulação, nos serviços públicos e na governança social é crucialmente importante para uma economia socialista de mercado e para um saudável desenvolvimento econômico – disse o economista da CASS.

A liderança central trabalha já na reforma da administração, abrindo e descentralizando o poder, e já aboliu mais de 200 procedimentos administrativos ou transferiu-os para governos locais.

No final de outubro, o Conselho de Estado racionalizou o sistema de registro de empresas, para abrir o mercado e mobilizar os recursos sociais, passo concreto para melhorar o ambiente de negócios.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Pepe Escobar: “O enigma do mercado da China”

13/11/2013, [*] Pepe Escobar, Asia Times Online - The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Os 7 mais importantes líderes da China são Xi Jinping (C), Li Keqiang (3ºD), Zhang Dejiang (3ºE), Yu Zhengsheng (2ºD), Liu Yunshan (2ºE), Wang Qishan(1ºD), Zhang Gaoli (1ºE) aguardam o início da 3a. Sessão Plenária do 18o CPC Comitê Central do PCC em Pequim, capital da China

“O foco da reestruturação do sistema econômico (...) é permitir que o [as forças do] mercado tenham papel decisivo na alocação de recursos”.

É isso? O mundo espera sem respirar – e só isso aparece: um enigma, embalado num quebra-cabeças dentro de uma “caixa chinesa”, em forma de comunicado encriptado distribuído pela muito aguardada 3ª Plenária do 18º Comitê Central do Partido Comunista da China.

Para saber quem, afinal, é responsável por isso – o primeiro documento político sério que chega ao público já com a China sob governo do presidente Xi Jinping e do premiê Li Keqiang – basta olhar a foto: são os sete membros do Comitê Dirigente do Politburo, os homens que realmente governam a China. E o que está em jogo não poderia ser mais sério; nada menos que as escolhas estratégicas sobre a inevitável ascensão da China ao status de n. 1 da economia mundial.

É preciso sempre lembrar o modo como trabalha o Partido Comunista da China. A sessão Plenária (O “Pleno”) é o momento em que “se forja o consenso” dentro da elite do PCC e quando se define o tom para o próximo estágio de desenvolvimento em velocidade vertiginosa-temerária chinês.

Fato é que o anticlímax parece ter-se tornado conceito operativo por aqui. O frenesi da mídia na China, pré-Pleno, foi total, incansável – do tipo “mudança na qual se pode crer” (mas, não, nada a ver com as campanhas políticas de estilo norte-americano de um bilhão de dólares). Afinal, o n. 4 no Comitê Dirigente do Politburo, Yu Zhengsheng, prometeu publicamente reformas “sem precedentes”, levando a uma “profunda transformação na economia, na sociedade e em outras esferas”.

China reajustando suas engrenagens políticas e econômicas
O frenesi foi gerado, sobretudo, por um mapa do caminho da reforma, publicado pelo Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento do Conselho do Estado – o chamado plano 383. Na numerologia marca registrada chinesa, o mapa do caminho delineou o “trem do pensamento três em um; as oito áreas chaves; e os três principais projetos de reforma”. “O segredo de uma reforma bem-sucedida seria o manejo adequado dos laços entre o governo e o mercado”.

Um dos autores daquele trabalho, Liu He, diretor do Central Leading Group para Assuntos Financeiros e Econômicos, e vice-diretor da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional, tornou-se, de fato, um superstar. E pouco antes do Pleno, o presidente da China – e secretário-geral do PCC – Xi Jinping repetiu que “reforma e abertura são processo continuado, sem fim”.

Para mim, uma glasnost com gelo, por favor

E então? O que realmente significará essa glasnost com características chinesas? A opinião pública chinesa ainda não tem acesso aos detalhes do enigma do dragão dentro da charada – ou vice-versa – embora tudo que tenha a ver com essas reformas tenha impacto direto sobre a vida de 1,3 bilhão de pessoas. De fato, a caixa dentro da qual está o enigma escondido dentro de uma pirâmide – que reflete o processo de decisão monopolizado por uma elite partidária sábia e benigna. “Transparência”, aqui, sequer se aproxima de uma imagem no espelho.

Todos esperavam promessas, pelo partido, de aumentar a independência do sistema judiciário chinês e de manter a luta contra a corrupção e a injustiça social.

Todos esperavam um abrandamento da política do “filho único”, que já dura 33 anos – permitindo que os casais tenham um segundo filho; é natural, considerando o objetivo do PCC, de uma economia baseada no consumo, com a população chinesa já envelhecendo.

A China enrenta o problema de êxodo rural, reforma agrária e reurbanização
Todos esperavam soluções para a reforma agrária, diretamente ligada ao movimento para a nova urbanização.

E, para registrar, é a primeira vez que o PCC reconhece que:

(...) ambos os setores, o público e o privado, são igualmente importantes como componentes de uma economia socialista de mercado, e as importantes bases do desenvolvimento econômico e social de nossa nação. 

Na prática, significará que o PCC estará quebrando o monopólio estatal em umas poucas indústrias estratégicas. Será permitido investimento privado, por exemplo, em bancos, energia, infraestrutura e telecomunicações. Significará também que muitas empresas que são propriedade do Estado deixarão de operar como braços da burocracia governamental. Nesse caso, esperem furiosa oposição dos interesses entrincheirados de sempre – com elites políticas regionais contra Pequim.

O plano máster do PCC é expandir a classe média chinesa para mais de 50% da população, até 2050 (atualmente, está em 12%) – equacionando mais consumo e estabilidade social.

Hoje, o setor público é responsável por mais de 25% do PIB da China. Muitos negócios na China já são empresas público-privadas – mas 25% de todas as empresas privadas têm alguma estatal, como empresas “parentes”. Só 1,3% dos trabalhadores chineses são empresários privados. 2/3 deles trabalhavam, antes, no sistema do partido-estado. E 20% ocupam posição de liderança no seu sistema local do governo ou do partido.

O papel central do estado não deve ser alterado pelas reformas vindouras. Afinal, 40% dos empresários são membros do PCC. Ganharam bom dinheiro da privatização da moradia. Não fazem oposição política ao PCC – e com certeza lucraram com as reformas. O que mais desejam, sobretudo, é um sistema mais eficiente e mais justiça social. Não cultivam nenhuma ideia de mudança de regime.

Watch these comrades rip (Rasgando a fantasia)

No final, o problema absolutamente chave para a próxima etapa da China pode ser facilmente formulado à moda chinesa: como cutucar a economia, sem nenhuma reforma política. Até o Pequeno Timoneiro, Deng Xiaoping – possivelmente o maior estadista da segunda metade do século 20 – disse, repetidas vezes, que nenhuma reforma econômica na China iria jamais muito longe, sem uma reforma no sistema político.

Xi Jinping, Presidente do PC chinês, discursa na 3a. Sessão Plenária do 18o CPC Comitê Central
No curto e médio prazo, é difícil antever o PCC dando licença à Deusa do Mercado para que deite e role à vontade, na economia chinesa. Mais “mercado” à moda ocidental, inevitavelmente acentuará até níveis proibitivos, a desigualdade entre as regiões – exatamente quando o PCC tenta com tanto empenho acelerar o desenvolvimento das províncias mais pobres do interior.

O comunicado críptico é, é claro, só um mapa abreviado do caminho. Serão necessários dias, semanas, até meses, para que se vejam em melhor detalhes as suas implicações. Certo, mesmo, é que o “papel decisivo” das reformas do mercado implica o PCC ao timão, monitorando cada passo do processo.

É feito um ninja que tenta, em tempo integral, domar um dragão imensamente poderoso. Será o combate épico de muitas eras, assistir ao Partido Comunista Chinês – uma imensa burocracia estrutural inserida no governo da China – a cumprir essa tarefa de equilibramento; tendo de domar os próprios instintos que sempre clamam por controle cada vez mais fortemente centralizado (na internet, por exemplo, não se cogita de muita glasnost) e uma explosão de darwinismo social causado por essas forças “irracionais” que absolutamente não dão importância alguma ao emprego e à estabilidade social.

Os Gweilos – estrangeiros bárbaros em geral – que subestimem a decisão chinesa, se quiserem subestimá-la, e por conta e risco deles. Quando o Pequeno Timoneiro lançou sua própria reforma econômica – uma espécie de glasnost – em 1978, ele virou o Partido Comunista Chinês de cabeça para baixo, de fora para dentro, de um lado para o outro, quadrangulou o círculo: o crescimento econômico em velocidade vertiginosa criou a deriva necessária para gerenciar os problemas políticos, com algumas mudanças políticas permitindo aumentar ainda mais a já alucinante velocidade do crescimento econômico.

Portanto... E se Xi eLi vêm aí como Deng remix – e inventam um novo conceito de mercado com características chinesas? O céu – ou a China de volta ao ponto onde permaneceu por 18 dos 20 séculos passados – é o limite.


[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista político do blog Tom Dispatch e correspondente das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

35 anos depois, China prepara-se para outra rodada de reformas

7/11/2013, “Xinhua Insight”, Xinhuanet, Pequim
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A fachada iluminada do Grande Salão do Povo, em Pequim onde está se realizando a
3ª Sessão Plenária do 18º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC)
PEQUIM – Com os movimentos de reforma e abertura da China chegando ao 35º ano, a política que levou a economia dominantemente rural e empobrecida da China, ao lugar de segunda maior economia do mundo navega agora em “águas profundas”, o que leva a sociedade chinesa e o resto do mundo a refletir sobre como avançará essa reforma.

O presidente da China, Xi Jinping disse sábado a um grupo de estrangeiros membros do Conselho para o Século 21 em Pequim que a China continuará a avançar firmemente no movimento de reforma e abertura.

Quanto mais desenvolvida a China for, mais aberta será. É impossível para a China fechar uma porta que já foi aberta. Reforma e abertura não terão fim, disse Xi.

Xi, que é também secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, disse ao think-tank global que uma primeira versão de projeto amplo de reformas será apresentado à 3ª Sessão Plenária do 18º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC), reunido nos dias 9-12/11/2013.

As 3as. Plenárias dos Comitês Centrais anteriores demarcaram a trilha

Palco e plenário do Grande Salão do Povo em Pequim
Desde que a China embarcou no processo de reformas e abertura em 1978, as 3as. Plenárias do PCC sempre assumiram a mesma importante tarefa de apresentar grandes reformas econômicas, ao mesmo tempo em que deixavam ver as características que teria a liderança do governo chinês.

O professor Xie Chuntao da Escola do Partido do Comitê Central do PCC explica que a 1ª e a 2ª Plenárias (ou “Plenos”) dedicam-se a questões pessoais, de nomes e cargos; e a 3ª Plenária é, tradicionalmente, o momento dos grandes movimentos e das grandes questões.

A decisão de abrir o país até então fechado para o mundo e de promover reformas na economia que então definhava foi trabalho da 3ª Plenária de 1978. Entre 18-22 de dezembro daquele ano, o 11º Comitê Central reuniu sua 3ª Plenária e adotou uma decisão histórica de restaurar a ordem mediante um movimento de se distanciar de uma luta de classes caótica e focar-se no desenvolvimento econômico, pela adoção da política de abertura e reformas. Essa reunião é considerada o momento de uma virada histórica para a China.

Deng Xiaoping
A 3ª Plenária seguinte reuniu-se em outubro de 1984 e ampliou a reforma para as cidades.

A 3ª Plenária do 13º Comitê Central do Partido Comunista Chinês, em 1988, decidiu retificar o ambiente econômico e a ordem econômica.

O ano de 1992 marcou o início de uma fase nova, na reforma. Durante uma inspeção histórica, em 1992, nas zonas econômicas no sul da China, Deng Xiaoping, o principal arquiteto da reforma na China, anunciou que a reforma econômica entraria em fase acelerada.

Adiante, no mesmo ano, foi convocado o 14º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês, no qual se anunciou, como passo seguinte da mesma reforma, o estabelecimento, na China, de uma economia socialista de mercado.

Em 1993, a 3ª Plenária do 14º Comitê Central do Partido Comunista Chinês delineou o quadro básico do sistema de uma economia socialista de mercado, sob controle macroeconômico do estado; e decidiu que, por esse sistema, se alocariam os recursos na economia chinesa.

Praça da Paz Celestial (Tian'anmen) onde a população está
assistindo todos os debates por telões.

(Clique na imagem para visualizar melhor) 
Nas três 3as Plenárias seguintes, a reforma econômica continuou no topo da agenda. A 3ª Plenária em 1998 fixou o objetivo de construir um interior-do-país socialista; e a 3ª Plenária em 2003 especificou com mais detalhe o mapa do caminho para aprofundar a reforma. A mais recente 3ª Plenária, em 2008, focou as reformas nas áreas rurais.

Zheng Yongnian, diretor do Instituto Leste-Asiático na Universidade Nacional de Singapura disse, em entrevista à rede Xinhua, que a próxima 3ª Plenária está sendo muito atentamente observada por todo o planeta. Cada 3ª Plenária desde 1978 tem gerado expectativas crescentes, porque determina as prioridades do Partido Comunista Chinês para os anos seguintes.

O 18º Congresso Nacional do PCC (em 2012) foi claramente sobre que tipos de reforma e de desenvolvimento a China estaria buscando no período subsequente. A direção já é clara. A próxima 3ª Plenária tem a tarefa de apresentar um programa de ação baseado no que ficou decidido em 2012, disse o professor Zheng.

A via da reforma demonstra a decisão de reformar

Em dezembro de 2012, Xi Jinping chegou à Província Guangdong, fronteira da reforma, e iniciou sua primeira visita de inspeção como novo chefe do Partido.

Xi Jinping visitando a província de Guangdong em dezembro de 2012
Dia 8/12/2012, Xi depôs um ramo de flores junto à estátua de bronze de Deng Xiaoping. Em sua fala, Xi disse que:

Viemos até aqui prestar essa homenagem a Deng Xiaoping para mostrar que perseveramos incansavelmente no trabalho de fazer avançar a reforma e a abertura e lutar para alcançar novos progressos, novos avanços significativos e novos passos na direção de reformar, abrir o país e prosseguir na trilha da modernização.

No final de 2012, a Comissão Política do Comitê Central do Partido Comunista Chinês criou um grupo de estudos com a missão de “fazer avançar a reforma e a abertura”, e Xi insistiu que o partido deveria melhorar as políticas da reforma ouvindo o povo; e exigiu que os objetivos a serem definidos visassem mais a atender com mais justiça as demandas do povo chinês.

Em julho de 2013, Xi passou três dias em visita de supervisão, para conhecer o aprofundamento das reformas na Província Hubei. Ali, disse que a China tem de aprofundar as reformas em grandes áreas com “cada vez mais coragem e sabedoria política” para suplantar as barreiras institucionais que estão limitando o crescimento.

Não há saída, se ficarmos parados ou se retrocedermos – disse ele.

O novo governo central, formado em março, já aboliu ou transferiu a aprovação administrativa de 221 itens, para os governos locais.

Em julho, o Banco Central da China cancelou o piso das taxas sobre empréstimos; e em setembro começou a operar a Zona Comercial Franca Piloto da China (Xangai), para servir como campo de testes para a desregulação das taxas de juros na China.

No terceiro quadrimestre, o PIB chinês aumentou, de 7,5% no segundo quadrimestre, para 7,8%, mostrando nova tendência, depois dos baixos números de crescimento na primeira metade do ano.

Analistas dizem que, iniciada esse ano, a reforma institucional na China, que visa a organizar a administração e descentralizar o poder, produziu mais e mais “dividendos”, com importante influência na melhoria e na aceleração da economia chinesa.

Nova temporada de reformas na China, nova oportunidade para o mundo

Depois de 35 anos de reforma e abertura, a China, que começou o período como país agrícola, é hoje a segunda economia do mundo e maior detentora de reservas de outros países.

Com crescimento continuado e rápido no país, milhões de chineses foram arrancados da pobreza. Metade da população chinesa vive hoje em cidades, e os agricultores e fazendeiros já não pagam imposto agrícola, que foi recentemente abolido, e um sistema de seguridade social está implantado e cobre 1,3 bilhão de pessoas.

Qin Gang
Apesar dessas mudanças, a China enfrenta graves problemas, como a diferença de nível de vida entre campo e cidade e a disparidade de renda. O país está dedicado a melhorar a assistência pública à saúde, a educação, a moradia e as condições do meio ambiente em que vive sua população.

Analistas concordam que a reforma da China alcançou “águas profundas” nas quais tem de dar atenção a problemas que se alastram numa sociedade com interesses diversos e conflitantes.

E os analistas também concordam que, hoje, há um forte consenso a favor de reformas na China.

Qin Gang, professor da Escola do Partido do Comitê Central do PCC, diz que a sociedade diversificou-se e que diferentes grupos esperam coisas diferentes da reforma. Portanto, é normal que a reforma seja debatida. Acredita que a reforma terá de dar atenção às expectativas e demandas da população, como a redução da desigualdade de renda, e o fim da corrupção, mediante mudança institucionais.

Li Shenming
O professor Wang Huaichao, também da Escola do Partido, diz que não há discordância sobre o fato de que a China precisa aprofundar a reforma; o que se debate é a sequência, o grau e as medidas da reforma.

As prioridades da reforma foram definidas no 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China em 2012, disse o professor Xie Chuntao, e incluíram o modo como ajustar a economia de mercado e as relações governo-sociedade e como aprimorar a supervisão pelo Estado

Li Shenming, vice-presidente da Academia Chinesa de Ciências Sociais, prevê que, assim como 3as Plenárias anteriores enfatizaram a reforma econômica, a reunião em curso cuidará da “amplidão, de ampliar e tornar realmente compreensivas” as reformar, demonstrando que Pequim confia na via que escolheu, em seu sistema e em suas teorias. 

A palavra chave, palavra-isca, que, para os especialistas chineses entrevistados, a reforma na China trará ao mundo, é “oportunidade”.

Zheng Gongcheng
O professor Zheng Gongcheng, da Universidade Renmin da China, em Pequim, disse que a reforma na China não trouxe só imensas mudanças internas, mas também partilhou a experiência do desenvolvimento chinês, no palco mundial. 

Ao longo dos últimos mais de 30 anos, a reforma na China operou sobre a experiência internacional, ao mesmo tempo em que criou e acrescentou ao mundo o saber da própria reforma. Esse processo acrescentou uma perspectiva chinesa aos desafios globais comuns, disse Zheng.

Numa atmosfera de recuperação global estagnada, disse Zheng Yongnian, o desempenho da economia chinesa é objeto de atenção concentrada, como num microscópio, de todos, em todo o mundo. Não há absurdo algum em supor – e esperar – que a vitalidade interna da economia chinesa consiga arrastar o mundo por uma via de desenvolvimento similar, igualmente vital.