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domingo, 8 de fevereiro de 2015

União Europeia deve ficar atenta à armadilha de Washington para a Ucrânia

Fala a (sábia!) China...

8/2/2015, Li LiXinhua.net, Pequim, China
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Putin recebe Merkel e Hollande no Kremlin em 6/2/2015
Ainda com as duras críticas que fez à proposta dos EUA de fornecer armas à Ucrânia a soar nos ouvidos, a chanceler alemã viaja a Washington amanhã, 2ª-feira (9/2/2015), para uma viagem que muito provavelmente será carregada de amargura e embaraços.

A rápida e surpreendente visita que fez a Moscou na 6ª-feira (6/2/2015), com o presidente francês François Hollande, expôs uma fissura no alinhamento das potências ocidentais na oposição à Rússia, em torno da questão da Ucrânia.

A União Europeia (UE) deve firmar posição. A busca de contato com a Rússia para construir solução pacífica para a crise na Ucrânia é o caminho correto a seguir. A ideia de Washington de armar a Ucrânia é só contraproducente e perigosa.

Como disse Merkel, ao admitir que as negociações com os russos foram duríssimas, a proposta dos EUA não levará “ao progresso de que a Ucrânia carece”, e é como disparar um ciclo vicioso no país do leste europeu que eventualmente ameaça a segurança regional e, mesmo, toda a estabilidade global.

De fato, há boas razões para que a União Europeia – e a Rússia – mantenham-se em alerta contra a agenda oculta de Washington, por mais que essa atitude tenha provocado acusações dos EUA de que a UE estaria dando as costas a um aliado.

Dificilmente seria coincidência que os poucos esforços para encontrar solução pacífica para a crise, como os acordos de Minsk e o diálogo da Normandia, não tenham contado com a participação nem com o apoio dos EUA.

Se persistir a crise na Ucrânia e se deteriorar, e se eclodir um novo round de “Guerra Fria” como temem alguns, os EUA serão os únicos a lucrar – e o resto do mundo estará condenado a perder.

Revista satírica Puck, EUA, 1902
Para começar, é altamente improvável que as chamas que incendeiam e devoram a Ucrânia cruzem o Oceano Atlântico e alcancem o território dos EUA. Mas é altamente provável que se alastrem pelos países da União Europeia e pela Rússia, se não forem controladas.

Essa é a razão pela qual Washington pode expor-se ao risco temerário de oferecer armamento letal para uma Ucrânia já devastada pela guerra, onde a violência já matou milhares de pessoas, mas outros países, cujos interesses estão diretamente em jogo, como a União Europeia e a Rússia, não podem.

Além disso, ao jogar gasolina sobre as chamas da guerra, Washington pode reforçar seu papel no comando da segurança de toda a Europa e, possivelmente, conseguirá dar novo alento à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), aliança militar liderada pelos EUA, cujo glamour decai a olhos vistos.

Mas os EUA parecem ter esquecido que os tempos mudaram. Hoje, o tema principal é paz e desenvolvimento, não mais guerra e confrontação.

Será atitude extremamente imprudente se a União Europeia, que já criou fortes laços econômicos com a Rússia, puser em risco o próprio futuro e alinhar-se com Washington, apenas para servir o interesse dos EUA, à custa do interesse da própria União Europeia.

Quanto à crise ucraniana, a tarefa mais imperativa no momento é pôr fim imediato a toda a violência e retomar o diálogo pacífico entre o governo e os insurgentes que querem ser independentes do governo de Kiev.

E toda a comunidade internacional deve colher todas as oportunidades que surjam para desempenhar papel construtivo e encontrar solução imediata para a crise, em vez de insistir em atitudes autistas, que visam exclusivamente a complicar e a prolongar o conflito. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Manobras conjuntas da Organização de Cooperação de Xangai

Te cuida, OTAN! 
Contraterrorismo à moda chinesa!

24/8/2014, Xinhuanet.com (da Mongólia Interior), China
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Organização de Cooperação de Xangai (OCX)
ZHURIHE, Mongólia Interior – Teve início no domingo uma manobra multinacional antiterrorismo conduzida pela Organização de Cooperação de Xangai (OCX) na região autônoma da Mongólia Interior, no norte da China.

Os vice-comandantes do estado-maior chinês, cazaque, quirguis e tadjique, além do comandante adjunto do Comando Militar do Leste da Rússia participaram da cerimônia de lançamento da manobra, na base de treinamento de Zhurihe.

Os exercícios conjuntos batizados “Missão de Paz 2014” desenrolam-se na semana de 24 a 29 de agosto de 2014 e visam a enfrentar “as três forças do mal”, a saber: o terrorismo, o separatismo e o extremismo, anunciou Wang Ning, diretor-em-chefe da manobra e vice-chefe do Estado-Maior do Exército Popular de Libertação.

Os exercícios militares visam à preparação para tomada de decisão multilateral conjunta, com trocas de informações antiterroristas entre os países membros da OCX, de modo a reforçar a coordenação dos exércitos na luta contra o terrorismo – disse o comandante Wang.

Guarnição do Tadjiquistão
Um total de 7 mil militares chineses, russos, cazaques, quirquizes e tadjiques de forças aéreas e terrestres, de operações especiais e tropas aerotransportadas foram enviados para a base de treinamento de Zhurihe para participar da manobra.

As relações entre os estados membros da OCX são “inquebráveis”, e a manobra conjunta reforçará com certeza a resolução e a capacidade conjunta para lutar contra o terrorismo, disse o comandante adjunto Tselko, do Comando Militar do Leste, da Rússia.

Guarnição do Cazaquistão
O cenário do exercício implica um grupo terrorista mantido por organização terrorista internacional que organiza incidentes e prepara um golpe de Estado para dividir o país. Na sequência, a Organização de Cooperação de Xangai envia forças militares para pôr fim à insurreição e restaurar a estabilidade, a pedido do governo de um país membro.

Criada em 2001 em Xangai, a OCX reúne China, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão. Afeganistão, Índia, Irã, Mongólia e Paquistão são países observadores; e Bielorrússia, Turquia e Sri Lanka são estados parceiros de diálogo.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Primeiros cinco jatos russos chegam ao Iraque

29/6/2014, Xinhuanet, Pequim
Excerto traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido no Bar do Guegué na Vila Vudu: na redecastorphoto em IRAQUE: Relatório de Situação, SITREP − 30/6/2014, Mindfriedo, entre outras,  lê-se a seguinte notícia:

● − 30/6/2014: O contra-almirante John Kirby do Pentágono declarou que os jatos americanos não estão demorando para serem entregues; e que os primeiros dois jatos que ainda não foram entregues terão fraco impacto em solo. (Pelo visto, os oficiais russos têm os SU-25 em muito mais alta conta, que os militares dos EUA, os seus F-16.)

O pessoal aqui na Vila não entendeu nada. Agora, a notícia que aí vai, de Xinhuanet, China, explica TUDO.


1.      Iraque comprou jatos de combate russos para apoiar as forças de segurança na luta contra militantes sunitas.
2.     Os recém chegados jatos Su-25 contribuirão para aumentar a capacidade de combate da Força Aérea do Iraque.
3.      Iraque também receberá jatos F-16 dos EUA, mas o negócio exige mais tempo até ser concluído.

Sukhoi Su-25
Bagdá, 29/6/2014 (Xinhua) – O Iraque já recebeu os primeiros cinco jatos de combate russos Sukhoi-25 destinados a dar apoio à segurança do Iraque, na luta contra militantes sunitas que controlam grandes áreas em várias províncias sunitas no país, disse no domingo o Ministério de Defesa.

“Os primeiros cinco jatos de combate russos Sukhoi 25 foram entregues ao Iraque, conforme contrato entre a Rússia e o Ministério da Defesa” – informou o Ministério em declaração enviada por e-mail à redação de Xinhua. – “Os recém comprados Su-25 contribuirão para aumentar a capacidade de combate da Força Aérea do Iraque e dar suporte às forças de segurança na sua missão de eliminar o terrorismo” – diz a mesma declaração.

Durante o governo de Saddam Hussein, o Iraque manteve Su-25s na sua Força Aérea.

Antes, na 5ª-feira (25/6/2014), o primeiro-ministro Nouri al-Maliki dissera, em entrevista à editoria em árabe da BBC que o Iraque está comprando da Rússia mais de uma dúzia de jatos de segunda mão.

F-16  Desert Falcon (armado)
O Iraque também comprou jatos F-16 dos EUA, mas esse negócio está demorando mais tempo para ser concluído.

“Deveríamos ter procurado comprar outros jatos de combate, talvez britânicos, franceses e russos para garantir cobertura aérea para nossas forças; tivéssemos melhor cobertura aérea, poderíamos ter evitado o que aconteceu” – disse Maliki.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dinamismo da Ásia exige que EUA reformatem suas políticas anacrônicas

23/4/2014, Deng Yushan, Xinhua, Pequim
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Barack Obama ladeado pelo PM Shinzo Abe do Japão e Park Geun-hye, Pres. da Coreia do Sul em 25/3/2014 (foto:  Pablo Martinez Monsivais)
Seis meses depois que um “fechamento” [1] forçado do Executivo dos EUA obrigou-o a improvisar uma visita à Ásia, o Presidente dos EUA, Barack Obama, volta ao continente que cresce, para consolidar o engajamento de Washington com a região do Pacífico Asiático.

A visita a quatro países acontece no contexto da política chamada de “reequilibramento [pivoteamento] para a Ásia” do governo Obama, que sugere uma disposição dos EUA para redirecionar prioridades e recursos para o outro lado do Oceano Pacífico.

Washington tem boa razão para pivotear-se na direção da Ásia. A Ásia é hoje a usina de energia da economia mundial; ali estão importantes aliados dos EUA e grande quantidade de significativos interesses dos EUA. País que não veja ou, mesmo, que desconsidere o papel da Ásia, sabe que as consequências pesarão sobre ele mesmo.

Mas isso não é tudo. Por trás da fachada de pragmatismo, há o fator China. Por mais que Washington repetidamente negue, a estratégia de pivoteamento/“reequilibramento” encobre esquema cuidadosamente calculado para engaiolar o gigante asiático que não para de crescer, reconvocando os aliados dos EUA e reforçando a presença norte-americana.

Se, por fora, a lógica de Washington sugere uma potência adaptável e de visão ampla, o que se vê por dentro é uma superpotência míope e esclerosada que deixou, ela mesma, se aprisionar pela história recente, numa posição de confrontação belicista, obnubliada por pseudo realismo falsificado e ultrapassado, que a impede de ver que a China orienta-se necessariamente para a paz, não para a guerra.

Esse traço de duas caras é perigoso e insustentável. Com a paisagem asiática já dramaticamente transformada, os EUA têm de libertar-se de suas algemas históricas e filosóficas e atualizar sua política para a Ásia; têm de alinhá-la com as novas realidades, seja para benefícios dos próprios EUA, seja para benefício da região e de todo o planeta.

Como primeiro e mais importante item dessa reformatação, que já virá atrasada, Washington que trate de respeitar os interesses centrais e legítimos da China; e que se dedique a trabalhar séria e genuinamente com Pequim para construir confiança mútua e melhorar nossas relações bilaterais.

A interação entre as duas maiores economias é o relacionamento bilateral mais importante, hoje, no mundo. Por isso, apesar de Obama ter ignorado a China nessa sua viagem, a China não ignora Obama em suas andanças com anfitriões japoneses, sul-coreanos, malaios e filipinos.

A dedicação dos dois pesos-pesados, para cultivar um novo tipo de relacionamento entre grandes potências, é estrategicamente estimulante. Mas Washington tem de fazer, em vez de só prometer.

O mínimo que Washington tem de fazer é parar de inflar a teoria lá mesmo inventada de que haveria uma “ameaça chinesa”; e que deixe de se imiscuir, sem qualquer direito ou legitimidade, em disputas marítimas e territoriais legítimas entre a China e alguns de seus vizinhos.

Paralelamente, os EUA que reavaliem seu sistema de hegemonia anacrônica de alianças; e que parem de insuflar parceiros seus, como Japão e Filipinas – que têm inflado as tensões regionais com movimentos de provocação.

Reforçadas pelo – ou, pelo menos, aproveitando-se do – pivoteamento dos EUA para a Ásia, Tóquio e Manila tornam-se mais agressivas e mais beligerantes nos contatos com Pequim nos mares do Leste e do Sul da China.

Em claro sinal do atraso desses malfadados aliados de Washington, o Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe e número alarmante de altas autoridades japonesas prestaram homenagens, nos últimos dias, no Santuário Yasukuni, à memória de 14 criminosos de guerra japoneses, julgados e condenados depois da IIª. Guerra Mundial.

Essas visitas e as homenagens, que ofendem China, Coreia do Sul e outras vítimas do Japão militarista, aconteceram na véspera da visita de Obama – e apesar de o governo dos EUA ter explicitamente suplicado a Tóquio que mantivesse as coisas bem separadas.

A bofetada que o Japão aplicou a Obama deve bastar para arrancar Washington das ilusões em que vive e trazer os EUA de volta à realidade. Esses efeitos colaterais de seu modus operandi na Ásia é que são a ameaça real; e devem ser o principal objetivo das preocupações dos EUA, a serem contidos.

É mais que hora de Obama enviar mensagem clara à Ásia e ao mundo: ele só terá feito por merecer o autoatribuído título de “Primeiro Presidente pacífico/do Pacífico dos EUA”, se reformatar seu país e o transformar em ator construtivo e responsável na região do Pacífico Asiático.




Notas dos tradutores

[1] Orig. government shutdown [lit. “trancamento” do Executivo, pelo Congresso]. Acontece quando o Congresso decide não aprovar ou rejeitar as leis necessárias para que as operações e agências do Executivo recebam os fundos necessários para operar. A Constituição dos EUA determina que, em caso de as leis do Orçamento não serem aprovadas no prazo fixado, o Executivo Federal tem de “trancar”, ou providenciar a extinção, das unidades/atividades afetadas.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Xi e Putin saúdam marinheiros chineses e russos que fazem a escolta do transporte das armas químicas sírias

7/2/2014, Xinhuanet, China (de Sochi)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Os presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin participam de videoconferência com os comandantes dos navios russos e chineses que fazem a escolta do transporte de armas químicas sírias (6/2/2014, Sochi, Rússia).
SOCHI, Rússia – O presidente chinês, Xi Jinping e o presidente russo, Vladimir Putin participaram, na 5ª-feira (6/2/2014), de videoconferência com os comandantes a bordo dos navios de seus respectivos países que estão fazendo a escolta das armas químicas da Síria, que estão sendo transportadas.

Comentando com Xi e Putin a missão que cumprem no Mar Mediterrâneo, os comandantes disseram que já completaram duas missões de escolta, em íntima colaboração, e que estão a postos e preparados para a próxima missão.

Xi cumprimentos os comandantes pelo sucesso de seu trabalho e encorajou-os a completar a missão a eles atribuída pela ONU e assim contribuir para a remoção dos estoques químicos da Síria, sempre com vistas a uma solução pacífica para a crise na Síria.

Na ocasião dos eventos festivos dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi e do Festival da Primavera na China, Xi apresentou votos de boas festas a todos os membros das tripulações e suas famílias, em nome do governo e do povo da China.

Marinhas russa e chinesa escoltam porta-conteiners noruegueses e dinamarqueses com armas químicas colhidas na Síria.
Putin, por sua vez, também enviou votos de sucesso às tripulações embarcadas, lembrando que muitos confiam neles para a grande tarefa de salvaguardar o processo de destruição das armas químicas sírias.

Ambos os países, Rússia e China são ativos defensores de um acordo político para superar a crise síria – disse Putin – que manifestou a confiança de que os navios de guerra envolvidos levarão a bom termo a missão e assim colaborarão para manter a segurança global e regional.

Para viabilizar a implementação da Resolução n. 2.118 da Organização para a Proibição de Armas Químicas, que tem a aprovação do governo sírio, para destruição das armas químicas sírias, China, Dinamarca, Noruega e Rússia constituíram uma escolta naval para proteger o transporte das armas químicas. Nessa escolta, as naves chinesas e russas estão agrupadas num único bloco.
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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A China mete o mercado no meio

14/11/2013, Xinhuanet
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


PEQUIM – O papel do mercado na China passou oficialmente de “básico” para “decisivo”, e é chave para entender a agenda da reforma.

O Comunicado da 3ª-feira, depois da 3ª Plenária do 18º Comitê Central do PartidoComunista da China (PCC) destaca a profunda reforma econômica, com o mercado a desempenhar o papel decisivo para a alocação de recursos.

Na economia socialista de mercado anterior – que foi a política oficial da China desde 1992 – o mercado recebera apenas um papel “básico”.

Porcentagens de Investimento e Consumo em relação ao PIB  de 1989 até 2012
O sinal semântico aplica-se em vários setores, dentre os quais energia, finanças, terra e serviços e visa a revigorar os negócios.

Zhang Liqun, analista do Centro de Pesquisas do Desenvolvimento do Conselho de Estado, disse que o papel “básico” do mercado, antes, não excluía coisa alguma que pudesse estar envolvida no fluxo dos fatores de produção e na alocação de recursos.

Zhang Liqun
O Comunicado da 3ª-feira sugere que o papel do mercado na economia chinesa será reforçado – disse Liqun.

Um dos pré-requisitos para que a procura e a demanda aloquem recursos é um mercado aberto, unificado, com concorrência organizada, nos termos do Comunicado. Devem ser removidas as barreiras que haja no mercado, e todo o protecionismo regional e a intervenção do governo devem ser cortados. Os preços dos fatores de produção, como capital, energia e câmbio também serão decididos pelo mercado – continuou Zhang Liqun.

Fazendo eco às palavras de Zhang, o economista-chefe do Banco HSBC para a China, Qu Hongbin, acredita que os mecanismos para os preços da energia, taxas de câmbio, taxas de juros, preços da terra e preços dos serviços podem estar todos à beira de mudanças.

Qu Hongbin
Ainda não há detalhes específicos, mas um mercado unificado para construções sejam urbanas ou rurais, e um sistema financeiro aprimorado estão, com certeza, a caminho. A equipe central de trabalho anunciada na 3ª-feira encaminhará a reforma de modo coordenado e cuidará das dificuldades – disse Qu.

Quanto as empresas estatais [ing. state-owned enterprises (SOEs)], área que apareceu pouco no Comunicado, analistas sugerem que um ambiente que favoreça mais os negócios privados ajudará a arrancar as grandes estatais de sua zona de conforto.

O Comunicado, que define os dois setores, o público e o privado, como componentes importantes da economia socialista de mercado, prometeu que as empresas privadas serão “encorajadas, apoiadas e orientadas”.

Peng Wensheng
Peng Wensheng, da empresa China International Capital, acredita que a ênfase no mercado e na concorrência sugere que as estatais estarão operando num ambiente aprimorado de mercado, e ele espera que outros passos virão para quebrar os monopólios do Estado e modernizar as empresas estatais.

Lin Caiyi, da Seguradora Guotai Junan, também espera mais facilidades de acesso ao mercado para os investidores privados. Para ele, os monopólios estatais nas telecomunicações e no setor financeiro serão os primeiros a acabar.

A reorientação para o mercado já está em andamento. Em julho, o banco central chancelou o piso das taxas de empréstimo, e em setembro, foi lançada a Zona Piloto de Livre Comércio da China (Xangai).

Paralelamente ao papel do mercado, o Comunicado também deixou claro que há espaço para melhorar o modo como o governo faz seu trabalho, e declarou abertamente que o núcleo da reforma econômica é o relacionamento entre governo e mercado.

Zhang Zhuoyuan
Zhang Zhuoyuan, economista e membro da Academia Chinesa de Ciências Sociais [orig. Chinese Academy of Social Sciences (CASS)], observou que a ênfase no mercado não implica automaticamente redução no papel do governo. “Significa que as funções do governo devem ser executadas de modo melhor, mais adequado”.

Melhor orientação pelo governo no macrocontrole, na regulação, nos serviços públicos e na governança social é crucialmente importante para uma economia socialista de mercado e para um saudável desenvolvimento econômico – disse o economista da CASS.

A liderança central trabalha já na reforma da administração, abrindo e descentralizando o poder, e já aboliu mais de 200 procedimentos administrativos ou transferiu-os para governos locais.

No final de outubro, o Conselho de Estado racionalizou o sistema de registro de empresas, para abrir o mercado e mobilizar os recursos sociais, passo concreto para melhorar o ambiente de negócios.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

35 anos depois, China prepara-se para outra rodada de reformas

7/11/2013, “Xinhua Insight”, Xinhuanet, Pequim
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A fachada iluminada do Grande Salão do Povo, em Pequim onde está se realizando a
3ª Sessão Plenária do 18º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC)
PEQUIM – Com os movimentos de reforma e abertura da China chegando ao 35º ano, a política que levou a economia dominantemente rural e empobrecida da China, ao lugar de segunda maior economia do mundo navega agora em “águas profundas”, o que leva a sociedade chinesa e o resto do mundo a refletir sobre como avançará essa reforma.

O presidente da China, Xi Jinping disse sábado a um grupo de estrangeiros membros do Conselho para o Século 21 em Pequim que a China continuará a avançar firmemente no movimento de reforma e abertura.

Quanto mais desenvolvida a China for, mais aberta será. É impossível para a China fechar uma porta que já foi aberta. Reforma e abertura não terão fim, disse Xi.

Xi, que é também secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, disse ao think-tank global que uma primeira versão de projeto amplo de reformas será apresentado à 3ª Sessão Plenária do 18º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC), reunido nos dias 9-12/11/2013.

As 3as. Plenárias dos Comitês Centrais anteriores demarcaram a trilha

Palco e plenário do Grande Salão do Povo em Pequim
Desde que a China embarcou no processo de reformas e abertura em 1978, as 3as. Plenárias do PCC sempre assumiram a mesma importante tarefa de apresentar grandes reformas econômicas, ao mesmo tempo em que deixavam ver as características que teria a liderança do governo chinês.

O professor Xie Chuntao da Escola do Partido do Comitê Central do PCC explica que a 1ª e a 2ª Plenárias (ou “Plenos”) dedicam-se a questões pessoais, de nomes e cargos; e a 3ª Plenária é, tradicionalmente, o momento dos grandes movimentos e das grandes questões.

A decisão de abrir o país até então fechado para o mundo e de promover reformas na economia que então definhava foi trabalho da 3ª Plenária de 1978. Entre 18-22 de dezembro daquele ano, o 11º Comitê Central reuniu sua 3ª Plenária e adotou uma decisão histórica de restaurar a ordem mediante um movimento de se distanciar de uma luta de classes caótica e focar-se no desenvolvimento econômico, pela adoção da política de abertura e reformas. Essa reunião é considerada o momento de uma virada histórica para a China.

Deng Xiaoping
A 3ª Plenária seguinte reuniu-se em outubro de 1984 e ampliou a reforma para as cidades.

A 3ª Plenária do 13º Comitê Central do Partido Comunista Chinês, em 1988, decidiu retificar o ambiente econômico e a ordem econômica.

O ano de 1992 marcou o início de uma fase nova, na reforma. Durante uma inspeção histórica, em 1992, nas zonas econômicas no sul da China, Deng Xiaoping, o principal arquiteto da reforma na China, anunciou que a reforma econômica entraria em fase acelerada.

Adiante, no mesmo ano, foi convocado o 14º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês, no qual se anunciou, como passo seguinte da mesma reforma, o estabelecimento, na China, de uma economia socialista de mercado.

Em 1993, a 3ª Plenária do 14º Comitê Central do Partido Comunista Chinês delineou o quadro básico do sistema de uma economia socialista de mercado, sob controle macroeconômico do estado; e decidiu que, por esse sistema, se alocariam os recursos na economia chinesa.

Praça da Paz Celestial (Tian'anmen) onde a população está
assistindo todos os debates por telões.

(Clique na imagem para visualizar melhor) 
Nas três 3as Plenárias seguintes, a reforma econômica continuou no topo da agenda. A 3ª Plenária em 1998 fixou o objetivo de construir um interior-do-país socialista; e a 3ª Plenária em 2003 especificou com mais detalhe o mapa do caminho para aprofundar a reforma. A mais recente 3ª Plenária, em 2008, focou as reformas nas áreas rurais.

Zheng Yongnian, diretor do Instituto Leste-Asiático na Universidade Nacional de Singapura disse, em entrevista à rede Xinhua, que a próxima 3ª Plenária está sendo muito atentamente observada por todo o planeta. Cada 3ª Plenária desde 1978 tem gerado expectativas crescentes, porque determina as prioridades do Partido Comunista Chinês para os anos seguintes.

O 18º Congresso Nacional do PCC (em 2012) foi claramente sobre que tipos de reforma e de desenvolvimento a China estaria buscando no período subsequente. A direção já é clara. A próxima 3ª Plenária tem a tarefa de apresentar um programa de ação baseado no que ficou decidido em 2012, disse o professor Zheng.

A via da reforma demonstra a decisão de reformar

Em dezembro de 2012, Xi Jinping chegou à Província Guangdong, fronteira da reforma, e iniciou sua primeira visita de inspeção como novo chefe do Partido.

Xi Jinping visitando a província de Guangdong em dezembro de 2012
Dia 8/12/2012, Xi depôs um ramo de flores junto à estátua de bronze de Deng Xiaoping. Em sua fala, Xi disse que:

Viemos até aqui prestar essa homenagem a Deng Xiaoping para mostrar que perseveramos incansavelmente no trabalho de fazer avançar a reforma e a abertura e lutar para alcançar novos progressos, novos avanços significativos e novos passos na direção de reformar, abrir o país e prosseguir na trilha da modernização.

No final de 2012, a Comissão Política do Comitê Central do Partido Comunista Chinês criou um grupo de estudos com a missão de “fazer avançar a reforma e a abertura”, e Xi insistiu que o partido deveria melhorar as políticas da reforma ouvindo o povo; e exigiu que os objetivos a serem definidos visassem mais a atender com mais justiça as demandas do povo chinês.

Em julho de 2013, Xi passou três dias em visita de supervisão, para conhecer o aprofundamento das reformas na Província Hubei. Ali, disse que a China tem de aprofundar as reformas em grandes áreas com “cada vez mais coragem e sabedoria política” para suplantar as barreiras institucionais que estão limitando o crescimento.

Não há saída, se ficarmos parados ou se retrocedermos – disse ele.

O novo governo central, formado em março, já aboliu ou transferiu a aprovação administrativa de 221 itens, para os governos locais.

Em julho, o Banco Central da China cancelou o piso das taxas sobre empréstimos; e em setembro começou a operar a Zona Comercial Franca Piloto da China (Xangai), para servir como campo de testes para a desregulação das taxas de juros na China.

No terceiro quadrimestre, o PIB chinês aumentou, de 7,5% no segundo quadrimestre, para 7,8%, mostrando nova tendência, depois dos baixos números de crescimento na primeira metade do ano.

Analistas dizem que, iniciada esse ano, a reforma institucional na China, que visa a organizar a administração e descentralizar o poder, produziu mais e mais “dividendos”, com importante influência na melhoria e na aceleração da economia chinesa.

Nova temporada de reformas na China, nova oportunidade para o mundo

Depois de 35 anos de reforma e abertura, a China, que começou o período como país agrícola, é hoje a segunda economia do mundo e maior detentora de reservas de outros países.

Com crescimento continuado e rápido no país, milhões de chineses foram arrancados da pobreza. Metade da população chinesa vive hoje em cidades, e os agricultores e fazendeiros já não pagam imposto agrícola, que foi recentemente abolido, e um sistema de seguridade social está implantado e cobre 1,3 bilhão de pessoas.

Qin Gang
Apesar dessas mudanças, a China enfrenta graves problemas, como a diferença de nível de vida entre campo e cidade e a disparidade de renda. O país está dedicado a melhorar a assistência pública à saúde, a educação, a moradia e as condições do meio ambiente em que vive sua população.

Analistas concordam que a reforma da China alcançou “águas profundas” nas quais tem de dar atenção a problemas que se alastram numa sociedade com interesses diversos e conflitantes.

E os analistas também concordam que, hoje, há um forte consenso a favor de reformas na China.

Qin Gang, professor da Escola do Partido do Comitê Central do PCC, diz que a sociedade diversificou-se e que diferentes grupos esperam coisas diferentes da reforma. Portanto, é normal que a reforma seja debatida. Acredita que a reforma terá de dar atenção às expectativas e demandas da população, como a redução da desigualdade de renda, e o fim da corrupção, mediante mudança institucionais.

Li Shenming
O professor Wang Huaichao, também da Escola do Partido, diz que não há discordância sobre o fato de que a China precisa aprofundar a reforma; o que se debate é a sequência, o grau e as medidas da reforma.

As prioridades da reforma foram definidas no 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China em 2012, disse o professor Xie Chuntao, e incluíram o modo como ajustar a economia de mercado e as relações governo-sociedade e como aprimorar a supervisão pelo Estado

Li Shenming, vice-presidente da Academia Chinesa de Ciências Sociais, prevê que, assim como 3as Plenárias anteriores enfatizaram a reforma econômica, a reunião em curso cuidará da “amplidão, de ampliar e tornar realmente compreensivas” as reformar, demonstrando que Pequim confia na via que escolheu, em seu sistema e em suas teorias. 

A palavra chave, palavra-isca, que, para os especialistas chineses entrevistados, a reforma na China trará ao mundo, é “oportunidade”.

Zheng Gongcheng
O professor Zheng Gongcheng, da Universidade Renmin da China, em Pequim, disse que a reforma na China não trouxe só imensas mudanças internas, mas também partilhou a experiência do desenvolvimento chinês, no palco mundial. 

Ao longo dos últimos mais de 30 anos, a reforma na China operou sobre a experiência internacional, ao mesmo tempo em que criou e acrescentou ao mundo o saber da própria reforma. Esse processo acrescentou uma perspectiva chinesa aos desafios globais comuns, disse Zheng.

Numa atmosfera de recuperação global estagnada, disse Zheng Yongnian, o desempenho da economia chinesa é objeto de atenção concentrada, como num microscópio, de todos, em todo o mundo. Não há absurdo algum em supor – e esperar – que a vitalidade interna da economia chinesa consiga arrastar o mundo por uma via de desenvolvimento similar, igualmente vital.