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domingo, 1 de abril de 2012

OS PARAQUEDISTAS DO 1º DE ABRIL


"O QUE FAZ UM PAPA?"


Comentário da redecastorphoto: 
MILICANALHAS (Golpistas de 1964 e seus seguidores/ apoiadores atuais) NADA tem a ver com o Brasil e muito menos com o povo brasileiro. São meros jagunços corrompidos moral e materialmente além de comandados por potência estrangeira até os dias de hoje. São cânceres adestrados nos colégios e escolas militares em todo o Brasil baseados em falsa luta ideológica e em suposta TUTELA do Poder Civil. A MILICANALHICE e a MENTIRA histórica são as marcas registradas da formação dos militares latino-americanos em geral e mais evidente no nosso Brasil. Aprendem na "Escuela de las Americas".




Laerte Braga - A Semana

Dois papas foram suficientes para iniciar o processo de desconstrução de dois mil anos da Igreja Católica Apostólica Romana. João Paulo II e agora o ridículo Bento XVI. Nem os Bórgias e outros tantos complicados conseguiram tal feito. João Paulo II um mero instrumento de marketing e Bento XVI uma espécie ator fracassado que vive de algo assim como "aí que loucura", padrão Narcisa Tamborindeguy.

A diferença é o estilo solene, o que o torna mais ridículo ainda.

Fidel Castro matou a pau, ou seja, puxou aquele pininho de plástico que mantém o boneco cheio de ar. Murchou.

"O que faz um papa?". Se confrontada a pergunta de Fidel com a feita por Stalin a propósito de ameaças de excomunhão – "quantas legiões tem o papa?" – o líder cubano mostrou seu tamanho histórico diante de uma futura nota de canto de página. Bento XVI.

O tamanho de Castro é incomensurável diante do papa. Não escreverei o chavão, um gigante diante de um anão para não ofender anões.

O golpe militar de 1964, o maior primeiro de abril de toda a história do Brasil tenta mostrar-se vivo na reunião de vampiros dos porões das torturas, assassinatos, estupros, escorados na canalhice de um patriotismo canhestro – quem comandava era um general norte-americano – num patético cenário no Clube Militar.

As cortinas que escondem o sangue que ainda escorre da barbárie escondem também a covardia atrás da lei da anistia.

Chega a ser inacreditável que as forças armadas aceitem tamanha desonra a partir de "militares" sem qualquer compromisso com o País e que deveriam estar presos. Os crimes que cometeram não prescrevem, são crimes contra a humanidade.

O documentário de Camilo Tavares – link no final deste artigo – e roteiro de Camilo e Flávio Tavares mostra a valentia dessa gente, de quatro para o general Vernon Walthers comandante do golpe. Revela a participação dos EUA no processo e o patriotismo canalha dos torturadores.

Morreu Millôr Fernandes. Dentre várias frases – e um monte de outras coisas – lapidares, uma sobre militares da ditadura – "da pretensão intelectual de Castello Branco passamos à grossura paternal de Costa e Silva, que foi substituída pela algidez abúlica de Garrastazu, que deixou o lugar para a altanaria romano-prussiana de Geisel, que o entregou a seu delfim (não o neto) o ego-sum-qui-sum João Figueiredo, todos bem diferentes mas com uma identidade em comum – o absoluto desprezo pelo civilis vulgaris".

O jornalista Flávio Tavares em seu livro "1961 O GOLPE DERROTADO", mostra o tamanho político de Leonel Brizola, o único político brasileiro a enfrentar a GLOBO e seu poder de peito aberto. A coragem e a determinação de outros tantos que seguiram Brizola no Movimento da Legalidade e ficou claro que era possível resistir a 1964.

O diabo é que os norte-americanos, em sua forma normal, demoníaca, estavam às costas no comando dos golpistas e prontos para rachar o País em dois.

Essa história tem que ser contada tim por tim tim antes que as gerações futuras acreditem que fomos salvos do comunismo ateu por um bando de torturadores, estupradores, assassinos, etc e tal.

Inferno mesmo vive o senador Demóstenes Torres, do DEM, parceiro dos tucanos, neste momento às voltas com trapaças as mais porcas, mas nem por isso deixou de ser líder do partido.

Demóstenes é aquele cara que correu ao gabinete do ministro Gilmar Mendes, então presidente do STF – Supremo Tribunal Federal – onde montaram uma gravação fajuta, imputaram o fato a ABIN – Agência Brasileira de Informações – e ao delegado hoje deputado Protógenes Queiroz, para tirar o foco dos habeas corpus ao patrão Daniel Dantas, tudo posto na primeira página da revista VEJA, publicação semanal do crime organizado.

Aí pula para a Síria. A mídia continua a noticiar as versões divulgadas pelo Departamento de Estado e pela secretaria geral do complexo ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A. São dois alvos prioritários. O Líbano, ali pertinho e o Irã, na vontade de Obama, para depois das eleições.

Um dos fatos mais importantes da semana foi a conferência do embaixador do Irã no Brasil, Mohammad Ali Ghanezadeg Ezabadi na sede da ABI – Associação Brasileira de Imprensa -. Falou a um auditório lotado, respondeu a todas as perguntas feitas e foi aplaudido quando disse que no Irã a última palavra diante do que "a mulher está dizendo é sempre a dos homens: sim senhora".

A palestra foi promovida pela ASSOCIAÇÃO DE ENGENHEIROS DA PETROBRAS – AEPET – e Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro.

A verdadeira razão do conflito com os EUA foi posta às claras – "o Irã é o segundo país do mundo em gás natural e petróleo. E o primeiro em recursos de hidrocarbonetos. Certamente, haverá uma grande repercussão no mundo no momento em que o Irã passar a somar esse fato a um grande desenvolvimento tecnológico que é o nosso objetivo. No futuro a energia será o ponto final das conversas".

O embaixador negou intenções militares no programa nuclear de seu país e afirmou que isso é mais outro pretexto dos norte-americanos para justificarem suas ações contra o seu país. Segundo ele a antigo União Soviética tinha um formidável arsenal nuclear e nem por isso deixou de existir. Muito menos a África do Sul, com outro arsenal nuclear conseguiu evitar o fim do apartheid. Para o embaixador é preciso energia nuclear para todos povos e armas não, mas mais justiça social.

O objetivo dos norte-americanos é simples segundo o embaixador – "dominar o mundo". O diplomata fez menção ainda a existência de uma importante comunidade judaica em seu país, com representação no Parlamento.

O resto, deixou claro, é distorção da mídia.

É um fato que ninguém tem dúvida. Seja a intenção do complexo ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A, sejam as distorções da mídia. A mídia de mercado, no Brasil, sem exceção, é parte decisiva no esquema do crime organizado, marca registrada do capitalismo.

Que o diga o líder do DEM, ou o ministro Gilmar Mendes, ou o banqueiro Daniel Dantas, ou esse esquema que ficou sintetizado numa palavra "Privataria Tucana". Hoje é "Privataria Petista" também. Disfarçada aqui e ali, mas privataria.

O grande dilema é se vai ser permitida ou não a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa do Mundo. E o Código Florestal, obra conjunta do latifúndio com o PC do B, uma das mais importantes empresas no contexto do "capitalismo a brasileira".

Nesse vai e vem de quem governa, se a FIFA, ou Dilma, Mano Menezes, que dizem ser técnico de futebol e ainda por cima da seleção brasileira, foi pego no contrapé da lei seca. Estava chumbado. Certas convocações estão explicadas.

Guilherme Rosário Pereira era sargento do Exército e morreu na frustrada tentativa de um ato terrorista num show de primeiro de maio no Rio Centro. Era uma jogada da linha dura para culpar a esquerda e acabar com a distensão, palavra inventada no governo Geisel para por fim consentido à ditadura militar. Na agenda de Rosário os nomes dos militares – hoje se escondem atrás da saia da anistia na clássica covardia de torturadores – envolvidos em atentados que tinham exatamente o objetivo de "justificar" a volta da ditadura com todos os seus ingredientes de perversidade, dentre eles o AI-5.

Os caras não conseguiram, mas montaram firmas de vigilância, de segurança, se encheram e se enchem de dinheiro, muitos construíram poleiros em estatais e entre eles coronéis, majores, etc.

É essa turma que fala em patriotismo e defesa da democracia. Um deles, torturador, assassino, estuprador, o coronel Brilhante Ulstra, é colunista do jornal FOLHA DE SÃO PAULO. O que emprestava os caminhões para a desova de corpos e chamou a ditadura de "ditabranda".

Mas, afinal, o que faz o papa? O mesmo que fazem paraquedistas estúpidos que pularam em desafio à democracia, esquecidos dos porões sombrios da ditadura? Como se fossem super homens ou guardiões da pátria? São canalhas que estão escondidos debaixo da cama por conta de todo o horror que geraram em seu patriotismo idem.

"O dia que durou 21 anos"é um documentário co-produzido pela TV Brasil e Pequi Filmes, direção de Camilo Tavares, roteiro e entrevistas de Flávio Tavares e Camilo Tavares que mostra os reais comandantes de 1964 e a covardia dos golpistas.

Pode ser visto em:


Mostra quem manda nos bravos paraquedistas que enlameiam a história do Brasil com tortura, assassinatos, estupros, etc. e se proclamam patriotas.

Enviado por Sílvio de Barros Pinheiro
Charge do Latuff

domingo, 26 de junho de 2011

O Itamaraty na época da ditadura

Sergio Vieira de Mello

Publicado em 25/06/2011 por Rui Martins
Enviado pelo autor

Berna (Suiça) - Eu estava em São Paulo, num cyber café de uma galeria na Avenida Paulista, quando li a concessão da anistia póstuma ao ex-consul-geral do Brasil em Stuttgart, na Alemanha, Arnaldo Vieira de Mello.

E me lembrei de sua viúva, hoje com 92 anos, que encontrei no Palácio das Nações, em Genebra, quando ela ali estivera, vinda do Rio de Janeiro para participar de uma solenidade da ONU em memória e homenagem ao seu filho, Sérgio Vieira de Mello, morto num atentado em Bagdá.

E me lembrei também do jovem Sérgio, com quem fizera diversas entrevistas no Alto Comissariado da ONU, em Genebra, e que vira, pela última vez, já com a cabeleira começando a embranquecer, quando apresentava seu relatório sobre o Timor Leste, na comissão de Direitos Humanos. Ainda estava na CBN, quando, reportando noticiários internacionais, comentara sua provável escolha para secretário-geral da ONU.

Sem dúvida, Sérgio Vieira de Mello (foto) foi o maior diplomata brasileiro de todos os tempos, mas não trabalhava para o Itamaraty e sim para a ONU. Tenho aqui comigo, sobre minha mesa, um livro ao qual prestei uma modesta colaboração, escrito por Jacques Marcovitch, cujo título é Sérgio Vieira de Mello, Pensamento e Memória, no qual tantos diplomatas e acadêmicos brasileiros lhe prestam merecida homenagem.

E por que Sérgio não fizera carreira inicial no Itamaraty, onde seu pai Arnaldo Vieira de Mello trabalhou 28 anos? Alguns poderão responder por ter sido a filosofia sua primeira grande preocupação, mas outros se lembrarão que o brilhante jovem estudante do Colégio Franco-Brasileiro, no Rio, preocupado com os conceitos de justiça e de paz, viveu ali o golpe militar de 1964 e preferiu continuar seus estudos em Friburgo, na Suíça, e depois na Sorbonne, em Paris. Aquela não era a época ideal para seguir o pai e fazer o Instituto Rio Branco, como logo lhe mostraram os acontecimentos.

Com efeito, cinco anos depois do golpe, quando faltavam alguns meses para Sérgio concluir seu curso de filosofia na Sorbonne, o Itamaraty procedeu a um expurgo sem precedente na história brasileira e demitiu 44 funcionários entre eles diplomatas de carreira, como seu pai, Arnaldo Vieira de Mello. “Não vejo nenhum sentido eu fazer carreira numa instituição que cassou meu pai”, diria ele aos amigos.

Da lista dos 13 diplomatas demitidos, em abril de 69, fazia também parte o poeta e diplomata Vinicius de Moraes. Ainda pouco antes de morrer, Vinicius tentou recuperar sua condição de diplomata, mas isso lhe foi negado pelo Itamaraty.

Alguns dos colegas cassados de Arnaldo e Vinicius, abandonados por amigos temerosos da repressão militar, acusados de homossexualismo, alcoolismo ou subversão, passaram a ter vida difícil e próxima da miséria. O pai de Sérgio Vieira de Mello morreu desgostoso, seis anos depois da cassação, que o tinha privado de uma próxima nomeação como embaixador.

No ato da concessão da anistia póstuma a Arnaldo Vieira de Mello, conta o relatório da Associação Brasileira da Imprensa, que o Conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Virginius José Lianza da Franca, fez ampla e minuciosa descrição daquela época de caça às bruxas e das violências então praticadas pelo Itamaraty sob a batuta e com o aval do Ministro Magalhães Pinto, que assinava à margem dos processos despachos determinando o prosseguimento da perseguição.

Lembrou Virginius que Sérgio Vieira de Mello deixou de concorrer ao Instituto Rio Branco, onde se tornaria funcionário do Itamaraty, em protesto contra o tratamento que o governo brasileiro dera a seu pai, cortando sua carreira sem processo regular nem direito de defesa. “A ditadura é uma realidade”, disse então Sérgio Vieira de Mello.

Conta também uma reportagem publicada em O Globo, sob o título Repressão no Itamaraty – os tempos do AI-5, como agiu a ditadura militar para obter os nomes dos que seriam cassados:

“Para compor a lista, a comissão recrutou informantes civis e militares. Sua primeira medida foi despachar circular telegráfica aos chefes de missão no exterior, intimados a entregar os nomes de servidores “implicados em fatos ou ocorrências que tenham comprometido sua conduta funcional”. Arapongas das Forças Armadas cederam fichas individuais de mais de 80 diplomatas (?). Também assinam o relatório os embaixadores Carlos Sette Gomes Pereira e Manoel Emílio Pereira Guilhon, que auxiliaram Câmara Canto na missão sigilosa (?). O chefe da comissão encerrou o texto com um auto-elogio patriótico: “Tudo fizemos para atingir os objetivos colimados e preservar o bom nome do Brasil e do seu serviço exterior”.

Não se pode deixar de pensar, nestes dias de debates sobre a Comissão da Verdade, onde estão e o que aconteceu com esses delatores que arruinaram a vida de tantos colegas.

Muitos ignoram que Sérgio Vieira de Mello, combativo e dinâmico funcionário da ONU, participou, em Paris, da revolta estudantil de maio de 1968, tendo sido preso pela polícia parisiense, quando se manifestava na Sorbonne. Uma comovente biografia de Sérgio é o livro O Homem que Queria Salvar o Mundo, de Samantha Power.

Também sobre minha mesa, o livro de Jason Tércio, Segredo de Estado, no qual se reconstitui o desaparecimento, durante a ditadura militar, do deputado Rubens Paiva. Nas primeiras páginas, o relato do telex com informações fornecidas pela embaixada brasileira de Santiago do Chile ao DOI-CODI, denunciando duas passageiras do vôo Varig com mensagens de exilados que levariam ao deputado. Era uma época em que o Itamaraty trabalhava com a ditadura.

À saída do Palácio das Nações, ao cumprimentar dona Gilda e lhe contar minha admiração por seu filho, lhe perguntei se já havia recorrido à Comissão de Anistia com relação à cassação de seu marido. Se essa intervenção foi de alguma valia, sinto-me feliz. No meu texto para o jornal, depois de descrever a homenagem lembrei a injustiça ao pai de Sérgio Vieira de Mello cometida pelo Itamaraty. Não sei se foi publicada.

Nem sempre, mas geralmente as demissões arbitrárias, expurgos e perseguições de toda sorte são revistos e as nódoas ficam nos que as motivaram, agiram ou as aplicaram como ditadores, policiais ou paus-mandados.