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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Só mentiras sobre o tal Irã “nuclear”

Como foram inventadas (e por que não acabarão)

6/2/2014, [*] Gareth Porter, Asia Times Online
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


WASHINGTON – Quando agências ocidentais de inteligência começaram, no início dos anos 1990s, a interceptar telexes de uma universidade iraniana para empresas estrangeiras de alta tecnologia, os analistas de inteligência convenceram-se de que ali estariam os primeiros indícios de envolvimento dos militares no programa nuclear iraniano. Essa ideia levou à “conclusão”, pela inteligência dos EUA, ao longo de toda a década seguinte, de que o Irã estaria empenhado, secretamente, na construção de armas atômicas.

A suposta prova dos esforços militares para comprar equipamento para enriquecimento de urânio, que parecia haver nos telexes, foi também a principal base para que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) passasse a investigar o programa nuclear iraniano, de 2003 até 2007.

Mas aquela interpretação dos telexes interceptados, sobre a qual se basearam todas as “conclusões”, como depois se soube, era fundamentalmente errada. Os analistas, decididos a encontrar qualquer prova de algum programa nuclear iraniano, haviam assumido, erradamente, que a combinação de consultas sobre tecnologias só poderia ser relevante para um programa nuclear. E o suposto papel de uma instituição relacionada com os militares só poderia significar que os militares iranianos estariam por trás das consultas e contatos.

Em 2007-08, o Irã ofereceu provas sólidas de que as consultas para compra e as encomendas de tecnologias à venda haviam sido feitas por professores e pesquisadores acadêmicos.

Os telexes interceptados que puseram em marcha toda uma sequência de avaliações pela inteligência dos EUA, de que o Irã estaria trabalhando para construir bombas atômicas, foram enviados da Universidade Sharif de Tecnologia, em Teerã, a partir do final de 1990 e continuaram até 1992. As datas dos telexes, as consultas e encomendas específicas e o número do telex do Centro de Pesquisas Físicas do Irã [orig. PHRC] foram revelados em fevereiro de 2012, em artigo assinado por David Albright, diretor executivo do Institute for Science and International Security, e dois coautores. 

Localização de instalações nuclares do Irã
(clique na imagem para aumentar)
Os telexes que mobilizaram as agências de segurança depois daquilo falavam de tecnologias para duplo uso, o que implicava que tinham a ver com conversão e enriquecimento de urânio, mas podiam ser usadas para aplicações não nucleares.

Porém, o que despertou as mais terríveis suspeitas entre os analistas de inteligência foi o fato de que os pedidos de compra levavam o número do telex do Centro de Pesquisas em Física [orig. Physics Research Center (PHRC)], conhecido por ter contratos com os militares iranianos.

Agências de inteligência dos EUA, Grã-Bretanha, Alemanha e Israel partilhavam dados brutos de inteligência relacionados aos esforços dos iranianos para fazer avançar seu programa nuclear, segundo várias fontes publicadas.

Os telexes mostravam consultas e pedidos de compra de equipamento “de alto vácuo”, imãs “em anel”, uma máquina de balanceamento e cilindros de gás fluorídrico (HF) [orig. fluorine gas], todos esses itens considerados úteis para um programa de conversão e enriquecimento de urânio.

Uma Schenck balancing machine [Há máquinas a venda, hoje (NTs)] encomendada no final de 1990 ou início de 1991 chamou a atenção de analistas de proliferação, porque poderia ser usada para estabilizar as partes montáveis do rotor da centrífuga P1 para enriquecimento de urânio. Os ímãs “em anel” encomendados pela universidade, pelo que se supunha, poderiam servir para a produção de centrífugas. 

Locais de minas, reatores e enriquecimento de urânio do Irã
(clique na imagem para aumentar)
A encomenda de 45 cilindros de gás (ou ácido) fluorídrico pareceu suspeita, porque o flúor é misturado ao urânio para produzir hexa fluoreto de urânio (UF6), a forma de urânio usada para o enriquecimento.

A primeira alusão indireta à “prova” dos telexes apareceu na mídia no final de 1992, quando um funcionário do governo de George H W Bush disse ao Washington Post que o governo estava trabalhando para proibir a venda, para o Irã, de qualquer tecnologia relacionada a programas nucleares, por causa do que chamou de “um padrão de encomendas muito suspeito”.

Então, se noticiou pela primeira vez que os iranianos estavam tentando obter essas específicas tecnologias de grandes fornecedores estrangeiros, sem qualquer referência aos telexes interceptados, num documentário exibido numa edição do programa Frontlines, do Public Broadcasting System, intitulado “Iran and the Bomb” [O Irã e a bomba], em abril de 1993. Nesse documentário, as encomendas foram mostradas como clara indicação de que havia um programa iraniano para construir armas atômicas.

O produtor do documentário, Herbert Krosney, descrevia em termos semelhantes esses esforços dos iranianos também em seu livro Deadly Business [Negócios mortais] publicado também em 1993.

Em 1996, o diretor da CIA no governo do presidente Bill Clinton, John Deutch, declarou que:

(...) ampla variedade de dados indicam que Teerã determinou a organizações civis e militares que apoiem a produção de material físsil para armas atômicas.

Todas as instalações e facilidades nucleares iranianas
(clique na imagem para aumentar)
Ao longo de toda a década seguinte, os especialistas da CIA em não proliferação continuaram a apoiar naqueles telexes todas as suas análises, desenvolvendo o “tema” de que o Irã estaria, sim, desenvolvendo armas atômicas. A National Intelligence Estimate de 2001 [Relatório oficial da inteligência dos EUA, que concentra avaliações de todas as 16 agências norte-americanas de inteligência], top-secret, levava o título de “Iran Nuclear Weapons Program: Multifaceted and Poised to Succeed, but When?” [Programa iraniano de armas nucleares: multifacetado e posicionado para dar certo, mas quando?”].

O ex-vice-diretor-geral para Salvaguardas, da Agência Internacional de Energia Atômica, Olli Heinonen, escreveu, em artigo de maio de 2012, que a AIEA havia obtido “um conjunto de informações sobre encomendas [feitas pelo] Centro de Pesquisa Físicas do Irã [orig. PHRC]” – referência evidente ao conjunto de telexes – que o levara a iniciar uma investigação em 2004, a qual, adiante, seria chamada de “Atividades de compras feitas pelo ex-diretor do Centro de Pesquisa em Física do Irã [orig. PHRC]”. 

Mas depois do acordo de agosto de agosto de 2007 entre o Irã e o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, sobre um cronograma para a resolução de “todas as questões remanescentes”, o Irã forneceu plena e completa informação sobre todas as questões das compras que a AIEA havia levantado.

A informação foi distribuída pelo ex-diretor do Centro de Pesquisa em Física do Irã [orig. PHRC], Sayyed Abbas Shahmoradi-Zavareh, que era professor na Universidade Sharif naquele momento, e que recebeu solicitações de vários departamentos da Universidade para ajudar a encomendar e comprar equipamento ou material para ensino e pesquisa da própria universidade.

O Irã ofereceu provas abundantes em apoio às explicações que deu para cada consulta de compra ou encomenda que a AIEA estava investigando. Mostrou que o equipamento de alto vácuo fora solicitado pelo Departamento de Física, para experiências que os alunos estavam desenvolvendo de evaporação e técnicas de vácuo para produzir revestimentos finos de alta resistência; ofereceu os manuais de instruções redigidos para as experiências, comunicações internas e até os documentos de embarque das encomendas. 

Como Israel pode atacar o Irã
(clique na imagem para aumentar)

O Departamento de Física também comprou ímãs para experiências de “Lenz-Faraday” nos quais os alunos trabalhavam; também exibiu os manuais de instruções, os pedidos originais de fundos para a compra e a fatura enviadas pelo fornecedor, correspondentes às compras pagas em dinheiro. A balancing machine foi comprada para o Departamento de Engenharia Mecânica; toda a compra foi comprovada com documentação similar, tudo entregue à AIEA. E os inspetores da AIEA constataram que a máquina estava, sim, instalada naquele departamento da Universidade.

Os 45 cilindros de gás fluorídrico que Shahmoradi-Zavareh tentara encomendar haviam sido pedidos pelo Gabinete de Relações Industriais para pesquisas sobre a estabilidade química de polímeros de revestimento, como se comprova pela carta original da encomenda e correspondência trocada entre o ex-diretor do PHRC e o presidente da universidade.

O relatório da AIEA de fevereiro de 2008 mostra toda a documentação detalhada fornecida pelo Irã sobre cada uma dessas questões; nenhum documento foi rejeitado ou considerado não satisfatório pela AIEA. O relatório declarou que “no atual estado das investigações essa questão está resolvida”, contra toda a pressão que os EUA fizeram sobre ElBaradei para que não concluísse o relatório, nem desse por resolvida nenhuma das questões que estavam sendo investigadas. Essa pressão, exatamente, foi comprovada por telegramas diplomáticos distribuídos por WikiLeaks.

O relatório da AIEA mostrou, em 2008, que a inteligência inicial, base para todas as denúncias que os EUA fizeram contra um suposto programa nuclear iraniano, ao longo de mais de uma década, era inteligência completamente errada.

Mas esse desenvolvimento crucial, na narrativa da história “nuclear” do Irã não foi sequer registrado pela imprensa-empresa.

Naquele momento, o governo dos EUA, a AIEA e o bloco da imprensa-empresa nos EUA e no mundo já haviam arranjado outras supostas “provas”, ainda mais dramáticas: um conjunto de documentos, supostamente roubados de um laptop no Irã, associado com um suposto programa clandestino de armas atômicas iranianas, que teria sido desenvolvido de 2001 a 2003. E o relatório oficial da inteligência dos EUA [National Intelligence Estimate] de 2007 concluiu que o Irã mantivera o tal programa, sim, mas o programa fora suspenso em 2003. 

Bases de mísseis e combustíveis (produção) do Irã

O Departamento de Física também comprou ímãs para experiências de “Lenz-Faraday” nos quais os alunos trabalhavam; também exibiu os manuais de instruções, os pedidos originais de fundos para a compra e a fatura enviadas pelo fornecedor, correspondentes às compras pagas em dinheiro. A balancing machine foi comprada para o Departamento de Engenharia Mecânica; toda a compra foi comprovada com documentação similar, tudo entregue à AIEA. E os inspetores da AIEA constataram que a máquina estava, sim, instalada naquele departamento da Universidade.

Os 45 cilindros de gás fluorídrico que Shahmoradi-Zavareh tentara encomendar haviam sido pedidos pelo Gabinete de Relações Industriais para pesquisas sobre a estabilidade química de polímeros de revestimento, como se comprova pela carta original da encomenda e correspondência trocada entre o ex-diretor do PHRC e o presidente da universidade.

O relatório da AIEA de fevereiro de 2008 mostra toda a documentação detalhada fornecida pelo Irã sobre cada uma dessas questões; nenhum documento foi rejeitado ou considerado não satisfatório pela AIEA. O relatório declarou que “no atual estado das investigações essa questão está resolvida”, contra toda a pressão que os EUA fizeram sobre ElBaradei para que não concluísse o relatório, nem desse por resolvida nenhuma das questões que estavam sendo investigadas. Essa pressão, exatamente, foi comprovada por telegramas diplomáticos distribuídos por WikiLeaks.

O relatório da AIEA mostrou, em 2008, que a inteligência inicial, base para todas as denúncias que os EUA fizeram contra um suposto programa nuclear iraniano, ao longo de mais de uma década, era inteligência completamente errada.

Mas esse desenvolvimento crucial, na narrativa da história “nuclear” do Irã não foi sequer registrado pela imprensa-empresa.

Naquele momento, o governo dos EUA, a AIEA e o bloco da imprensa-empresa nos EUA e no mundo já haviam arranjado outras supostas “provas”, ainda mais dramáticas: um conjunto de documentos, supostamente roubados de um laptop no Irã, associado com um suposto programa clandestino de armas atômicas iranianas, que teria sido desenvolvido de 2001 a 2003. E o relatório oficial da inteligência dos EUA [National Intelligence Estimate] de 2007 concluiu que o Irã mantivera o tal programa, sim, mas o programa fora suspenso em 2003. 




Gareth Porter
[*] Gareth Porter (nascido em 18 junho de 1942) é um historiador americano, jornalista investigativo, autor e analista político especializado na política de segurança nacional dos EUA.Especialista em Vietnã e ativista anti-guerra durante a Guerra do Vietnã, servindo em Saigon como chefe do departamento de expedição do News Service International nos anos 1970-1971 e, mais tarde, como co-diretor do Centro de Recursos da Indochina.Foi muito criticado por seu entusiasmo pelo Khmer Rouge, partido do governo do Camboja, na época. Escreveu vários livros sobre os conflitos no Sudeste Asiático e no Oriente Médio, o mais recente dos quais é Perils of Dominance: Imbalance of Power and the Road to War in Vietnam; uma análise de como e por quê os Estados Unidos foram à guerra no Vietnã. Porter também tem escrito para Al Jazeera – em inglês, The Nation, Asia Times, Inter Press Service, The Huffington Post e Truthout. Foi vencedor em 2012 do Prêmio Martha Gellhorn de jornalismo, que é atribuído anualmente pelo Club Frontline em Londres. Porter é formado na Universidade de Illinois. Recebeu seu mestrado em Política Internacional na Universidade de Chicago e seu Ph.D. em Estudos sobre o Sudeste Asiático na Universidade de Cornell. Ministrou cursos sobre Estudos sobre Política Internacional no City College of New York e na American University. Atualmente atua como jornalista free-lancer para inúmeras publicações internacionais.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Guerra ao Irã: Cuidado! Os “especialistas” estão chegando!


31/10/2012, David Sirota, Salon
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Se você é político norte-americano, deseja começar guerra contra o Irã e também deseja ser reeleito, você tem problemas. Depois de mais uma década de guerras, pesquisas mostram [1] que dos dois lados, entre Republicanos e Democratas, os eleitores querem menos intervenção militar em terras distantes. Contudo, também há pesquisas que mostram [2] que uma mínima maioria consideraria a ideia de apoiar uma guerra contra o Irã se se descobrisse que o país estivesse construindo armas nucleares.

Essa deve ser a explicação para ainda haver tanta gente [3] favorável a mais guerras, políticos e jornalistas, [4]que não se cansam de repetir que o país está(ria) cansado de saber que, sim, o Irã está(ria) construindo armas nucleares. E, por causa dessa martelação incansável, há pesquisas que mostram que muitos norte-americanos creem piamente que, sim, o Irã está(ria) construindo as tais armas.

Nada, contudo, mais longe da verdade. Apesar de matéria, semana passada, no New York Times  [5] sobre a usina Fordo, no Irã, insistir ainda em criar o fantasma de um Irã nuclear, a verdade é que: (a) a Agência Internacional de Energia Atômica [6] e (b) todo o aparato de inteligência dos EUA já disseram que não há prova alguma, até agora, de que o Irã esteja construindo armas nucleares.

Mapa aerofotogramétrico de instalações nucleares do Irã
O próprio Times [7] informava, há alguns meses, sob a manchete “Agências da inteligência dos EUA não veem qualquer movimento na direção de o Irã construir armas nucleares”; e o jornal também informava que “avaliação feita pelas agências de espionagem dos EUA confirmam amplamente informes de 2007, segundo os quais o Irã abandonou, já, há anos, seu programa de armas nucleares”. Na sequência, o mesmo Times acrescentava que “essa avaliação foi amplamente reafirmada num [documento] 2010 National Intelligence Estimate; e permanece como avaliação consensual das 16 agências de inteligência dos EUA”.

Nos meses vindouros, à medida em que a ideia de guerra plena contra o Irã vai-se tornando mais real e mais central na política dos EUA, essas informações de inteligência provavelmente serão desmentidas. Simultaneamente, muitos começarão a perguntar-se por que os EUA estarão iniciando mais uma guerra “preventiva” no Oriente Médio, se os espiões norte-americanos são tão incompetentes e nossa inteligência tão trapalhona.

O debate, se chegar a esse ponto, conseguirá, provavelmente, corroer ainda mais o já menos que morno apoio que tem hoje a guerra com o Irã. O que nos levará de volta ao problema inicial dos políticos pró-guerra – como conseguirão continuar a defender a ideia de mais guerra?

Como já apareceu em recente entrevista com um dos principais congressistas da Comissão de Segurança Nacional, a resposta é: eles farão o diabo para convencer o país de que guerra não é guerra, recurso sempre útil quando não há argumento que ajude a promover guerra altamente impopular. É o que já se vê nesse vídeo da CNN, pouco divulgado, de entrevista com o presidente (Republicano) da Comissão de Inteligência da Câmara de Deputados Mike Rogers. [8]

Mike Rogers
Como ThinkProgress alerta [9], a única notícia, naquele vídeo, é que Rogers começa a introduzir na discussão geral um argumento vicioso, a saber: que bombardear o Irã nos levará “a um passo da guerra”.

Vê-se aí uma tendência perturbadora, porque esse linguajar orwelliano é assustadoramente semelhante ao usado pelo governo Obama, quando tentava convencer a nação de que a guerra da Líbia não seria guerra. Daquela vez, a palavra-golpe foi “ação militar cinética” [10]; agora, passaríamos a viver “a um passo da guerra”. Mas nos dois casos as palavras têm o significado que têm em discursos à moda 1984 de Orwell: guerra é paz ou, no mínimo, não é guerra-guerra-mesmo-prá valê.

O motivo superevidente desse golpe de mão é conseguir capar completamente qualquer participação democrática, nas decisões sobre segurança nacional – um dos ideais sempre presentes entre os princípios fundantes da democracia norte-americana. Afinal de contas, se a guerra já não está classificada como guerra... o presidente fica dispensado até de fingir que precisa de autorização do Congresso – que a Constituição exige – para envolver o país em conflitos militares.

A exigência de que o Congresso autorize ou não o presidente a envolver o país em guerras foi incluída na Constituição, desde o início, especificamente para assegurar que haja, pelo menos, algum debate público, nas decisões sobre guerra e paz. Mas... se já não se fala oficialmente de “guerra”, Washington pode fazer o que dê na telha de alguém lá, sem sequer ser obrigada a perguntar se o país quer o mesmo que Washington quer.



Notas de rodapé

[1] 25/10/2012, Los Angeles Times, Paul Richter em: Most Americans want less foreign involvement, polls show

[2] Idem Nota [1]

[3] 17/9/2012, ThinkProgress, Bem Ambruster em: “Misinformation On Iran’s Nuclear Program Pervades Sunday Talk Shows

[4] 12/10/2012, The Guardian, Glenn Greenwald em: “Martha Raddatz and the faux objectivity of journalists

[5] 25/10/2012, New York Times, David E. Sanger e William J. Broad  em: “Iran Said to Nearly Finish Nuclear Enrichment Plant


[7] 24/2/2012, New York Times, James Risen e Mark Mazzetti em: U.S. Agencies See No Move by Iran to Build a Bomb

[8] 24/10/2012, ThinkProgress, CNN vídeo a seguir:

[9] 24/10/2012, ThinkProgress, Bem Ambruster em: GOP Rep Says Strike On Iran’s Nuclear Facilities Would Not Be An Act Of War

[10]  24/3/2011, Político, Jonathan Allen, em: “Kinetic military action” or “war”?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Por trás da crise com o Irã (que continua a agravar-se): A história real e a “manchete de 1ª página”


21/10/2012, Mark H.  Gaffney, The Information Clearing House
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Mark H. Gaffney
Recentemente, o presidente Obama impôs novas sanções ao Irã, as quais, segundo a imprensa-empresa, teriam sido muito eficientes, causando repentina desvalorização da moeda iraniana. Os iranianos, corretamente, entendem que estão sendo atacados; e ameaçaram, em resposta, bloquear o Estreito de Ormuz, por onde tem de transitar grande parte do petróleo que flui do Oriente Médio para a economia global.

Se a crise aprofundar-se e o Irã cumprir a ameaça e fechar Ormuz, praticamente com certeza os EUA intervirão para reabrir o estreito. Isso levará a guerra pela qual o Irã será responsabilizado, mesmo que, como se sabe, as recentes sanções impostas ao país pelos EUA equivalham a ato de guerra.

Minha opinião é que os EUA explorarão a situação para atacar as instalações nucleares iranianas. Mas, mais importante que elas, os EUA atacarão também as instalações que guardam os mísseis iranianos convencionais. Entendo que essa é a causa real das sanções norte-americanas contra o Irã; como me parece ser também a causa do aumento das tensões nos últimos dias. Apesar da retórica sobre armas nucleares e do que é mostrado à opinião pública, a crise atual nada tem a ver com armas nucleares ou com algum programa iraniano para construir armas atômicas. Essa, me parece, não passa de história criada para ocupar as manchetes de primeira página; a história de capa, para encobrir a história real.

Mapa geofísico do Irã e fronteiras
A real questão está em que o Irã aprimorou muito seus mísseis convencionais de médio alcance, todos já equipados com tecnologia GPS, o que os torna armas significativamente mais precisas. Significa que o Irã já pode atingir os arsenais israelenses de armas nucleares, biológicas e químicas, todos localizados em território israelense, e já pode atingir também o reator nuclear israelense em Dimona.

Em resumo, o Irã já tem capacidade convencional para conter Israel. Nesse sentido, acredito que os oficiais iranianos não mentem quando dizem que o Irã não tem programa de armas nucleares. De fato, o Irã não precisa de armas nucleares para conter Israel. O Irã já pode conter Israel com seus mísseis de médio alcance guiados por GPS. Os israelenses, evidentemente, ficaram em posição fragilíssima, porque, nessas circunstâncias, passam a ser, eles mesmos, as primeiras vítimas mais diretamente ameaçadas pelos seus próprios arsenais de armas de destruição em massa e pelo próprio reator nuclear israelense, em Dimona – os quais já são, todos, alvos acessíveis.

Qualquer ataque direto bem-sucedido àqueles arsenais e àquele reator provocará nuvem tóxica letal, que matará, primeiro, milhares de israelenses. Em caso mais grave, de ataque mais amplo, há hoje ameaça real à sobrevivência do estado judeu.

Simultaneamente, é preciso ter em mente que o Irã não tem interesse em lançar qualquer tipo de ataque preventivo a Israel, porque o Irã sabe que a reação conjunta Israel-EUA seria devastadora. Mas, se o Irã for atacado primeiro, desaparece esse cálculo estratégico. E não cabe descartar a possibilidade da reação iraniana, porque o Irã, se for atacado, terá de defender-se. Nesse caso, o Irã, sim, atacará Israel, dado que os líderes iranianos veem com absoluta clareza (apesar de o povo norte-americano nada ver e nada entender) que toda a atual “crise” foi fabricada exclusivamente para tentar tirar Israel da posição precária em que se meteu.

Capacidade dos mísseis convencionais do Irã
Do ponto de vista dos israelenses, a capacidade de contenção que o Irã alcançou (não nuclear, como se diz ou suspeita, mas capacidade convencional) é absolutamente inaceitável. Os estrategistas militares israelenses sempre insistiram na necessidade de manterem total capacidade de movimento.

Por isso Israel recusou, há vários anos, o pacto de defesa que os EUA ofereceram: porque aquele tratado teria limitado a liberdade de movimento dos israelenses, limitação inaceitável para eles. Os líderes israelenses naquele momento optaram por manter-se independentes. Para Israel, essa independência seria crucialmente importante para que o estado judeu pudesse continuar suas políticas de intimidação contra os vizinhos regionais, qualquer deles, como melhor interessasse a Israel e sem considerar interesses estratégicos dos EUA. Israel jamais aceitou qualquer limitação a essa “liberdade” para intimidar vizinhos regionais, fossem quais fossem, e definidos por critérios do estado judeu. Os mísseis convencionais iranianos, hoje, puseram fim àquela “liberdade”. Os estrategistas israelenses muito provavelmente se preocupam, por exemplo, com a evidência de que os mísseis convencionais iranianos limitam consideravelmente a liberdade de Israel para atacar, em conflitos futuros, o Hezbollah no Líbano. O Hezbollah é íntimo aliado de Teerã.

Minha opinião é que a atual crise foi fabricada para criar o pretexto para um movimento da Força Aérea dos EUA para destruir os arsenais iranianos de mísseis convencionais. Os EUA também atacariam as instalações nucleares iranianas, mas o alvo primário seriam os mísseis convencionais. Os EUA estariam a serviço de Israel. O rabo sionista, mais uma vez, sacudindo o cachorro norte-americano subalterno.

Obviamente, é impossível obter apoio popular para esse tipo de ataque, em que os EUA estariam bombardeando nação não atacante, só porque os sionistas assim o ordenem. Então se inventou a “manchete de primeira página”: a versão segundo a qual inexistentes armas nucleares iranianas estariam ameaçando varrer Israel do mapa. As armas nucleares não existem, como até a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já constatou oficialmente. Mas funcionaram, mesmo assim, como pretexto para vasta campanha de propaganda.

O problema, do ponto de vista dos EUA, é que a tarefa de destruir a capacidade iraniana de conter Israel não é tarefa fácil; de fato, é ainda mais difícil do que destruir as instalações nucleares iranianas. É muito pouco provável que os mísseis convencionais iranianos estejam armazenados num único ponto: com toda a certeza estão disseminados por todo o território iraniano. Se o Irã for atacado por ar, a liderança iraniana – que com certeza já fez toda essa análise – rapidamente “decifrará” o objetivo do ataque.

Ante o risco de perderem a capacidade para conter Israel, é possível que os mulás optem por disparar os mísseis convencionais que não tenham sido destruídos no primeiro ataque norte-americano. Se o fizerem e se apenas alguns dos mísseis atingirem arsenais israelenses de armas nucleares, químicas ou biológicas, o efeito, em todos os casos, será desastroso. Israel responderá. E pode recorrer, inclusive à “Opção Sansão”: usar armas nucleares contra o Irã. Não há palavras para descrever a escala horrenda a que esses desenvolvimentos podem chegar. Desgraçadamente, tudo isso é rigorosamente possível.

Alcance dos mísseis convencionais do Irã
Desde o primeiro momento, além do mais, também as forças navais dos EUA no Golfo serão atacadas. E que ninguém se iluda ou se engane: o Irã tem quantidade suficiente de mísseis cruzadores terra-mar para provocar danos consideráveis na chamada “presença naval dos EUA no Golfo”. No momento em que escrevo já há milhares de marinheiros norte-americanos plantados, pode-se dizer, na linha de tiro, e sob ameaça.

É indispensável impedir qualquer ataque ao Irã. É absolutamente necessário impedir mais essa guerra.

Todos os ativistas devemos mobilizar agora todos os recursos de que disponhamos para defender e fazer avançar a paz. O povo norte-americano tem de conhecer a verdade. A ‘'crise iraniana'’ é falsa. É crise inventada. Mas o perigo de guerra é real.

É hora de gritar forte, de gritar muito a favor da paz. Amanhã talvez seja tarde demais.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Pepe Escobar: “Ardo em febre!” E a única receita é bombardear o Irã?!


7/8/2012, Pepe Escobar, Asia Times Online – The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Onde está o grande Christopher Walken, quando se precisa dele? “Ardo em febre!” [1] E a única receita é bombardear o Irã?! É o resumo da história, pelo menos em Israel. E pelo menos nos próximos seis meses, a febre subirá.

No fim de semana passado, o jornal Israel Hayom – financiado pelo magnata de cassinos e companheiro de Mitt Romney, Sheldon Adelson – dedicou um suplemento inteiro à febre. Os artigos levavam manchetes do tipo “Bombardear ou levar bomba: no pôquer, esconda as cartas junto ao peito”.

Antes, semana passada, vazamento para o diário Yediot Ahronot [2] revelou que la crème dos comandantes militares israelenses estão contra a guerra ao Irã – conhecida, em versão asséptica, como “ataque preventivo”.

O elenco de atores é impressionante: o comandante do Estado-Maior Benny Gantz; o Chefe de Operações do Exército de Israel Ya'akov Ayash; Tamir Pardo, Chefe do Mossad; Aviv Kochavi, encarregado da Aman, comando superior dos serviços de inteligência; os chefes de divisão do Mossad; o Comandante da Força Aérea de Israel Amir Eshel; para nem falar de pelo menos quatro ministros dos oito que compõem o “gabinete de cozinha” do Primeiro-Ministro Bibi Netanyahu.

Aiatolá Khamenei
Há nuances. Alguns admitem que só apoiariam ataque ao Irã, no caso de o Supremo Líder Aiatolá Khamenei – ou inspetores da Agência de Energia Atômica (AIEA) – anunciarem alguma nova hiper arma, que mude o jogo. Outros admitem que só apoiariam ataque ao Irã, se os EUA se engajassem: é o que dizem dois ex-chefes aposentados do Mossad, Meir Dagan e Efraim Halevy; e o ex-comandante do Estado-Maior, Gabi Ashkenazi.

O jogador chave aqui, é claro, é Gantz, que sempre manteve sobre a mesa a opção de ataque. Mas também fez vazar que sabe que nenhum ataque, mesmo que bem-sucedido, conseguirá destruir o programa nuclear iraniano; e, além disso, teme as repercussões geopolíticas. Quando Gantz admitiu apenas uma pequenina porção de tudo isso, num canal de televisão em Israel, o Ministro da Defesa Ehud Barak ordenou que a entrevista “desaparecesse”. [3]

Assim sendo, temos, essencialmente, só Bibi e Barak contra todos os supramencionados. O que impõe, no mínimo, duas perguntas chaves. Como Bibi ordenaria algum ataque, se as mentes mais bem informadas em Israel sabem que o ataque provocaria, no máximo, adiamento de seis meses no programa nuclear iraniano, como o demonstram os detalhados cálculos dos EUA? E que qualquer ataque levaria Teerã a abandonar de vez o “período de latência” atual, prudente, e partir, de vez, para o front bélico superarmado?

Murphy, atenda o telefone!

Negativas que nada negam saltarão de todos os cantos, mas só a população nativa de Alice no País das Maravilhas ainda crê que Israel atacaria o Irã sem ter recebido luz absolutamente verde de Washington. Rússia, China, Paquistão, todo mundo conhece em detalhe a movimentação do jogo das cadeiras de EUA-Israel, antes de algum possível ataque ao Irã. [4]

Ira Sharkansky
Ira Sharkansky, professor de Ciência Política da Universidade Hebraica, que assina um blog do jornal Jerusalem Post, menciona mais um ex-chefe do Mossad a dizer que Israel não deve – e provavelmente nem tentará – agir sem claro consentimento dos EUA.

Um novo blog coletivo de política externa  tentou responder alguns dos imponderáveis. Mas, no frigir dos ovos, é aquela velha máxima de Hollywood: ninguém sabe de nada.

Ninguém sabe se os militares israelenses arranjarão alguma espécie de rota aérea mágica (que, por exemplo, não sobrevoe o Iraque; e ninguém nem pense em atacar por terra, ou usar a bomba atômica). Embora Israel tenha meios para lançar uma operação “Mini-Choque e Pavor” contra posições do Hezbollah no Líbano; embora ainda guarde número suficiente de mísseis estoura-bunker de modelo antigo para atingir instalações iranianas escondidas em montanhas.

A Lei de Murphy aplica-se aqui. Até o Pentágono sabe que tudo que pode dar errado, pode, sim-senhor, dar muito, muito errado, mesmo. [5]

E ainda que nada disso fosse assim, permanece a pergunta de um trilhão de dólares: que tipo de jogo joga, de fato, o presidente Barack Obama dos EUA?

Tudo seria perdoado, se se tratasse de delírio causado por exposição prolongada ao sol do verão. Mas estamos falando de guerra, guerra preventiva, ação de quem finge que não vê a lei internacional – e baseada um conjunto concêntrico de hipóteses fracas, para nem falar das mentiras.

A AIEA - Agência Internacional de Energia Atômica, o “US National Intelligence Estimates (NIEs)” e até a inteligência israelense já sabem que não há programa iraniano de armas nucleares. A Rússia – que tem milhares de técnicos trabalhando no Irã – também sabe.

A noção de que o Irã seria ameaça a Israel é fantasia brotada de manifesto Dadaísta. Israel é real – não apenas suposta ou declarada – potência nuclear (e nunca assinou o Tratado de Não Proliferação). O Irã (signatário do TNP) não é potência nuclear.

John Glazer
Como John Glazer, da página Antiwar.com, resume bem: “os EUA já cercaram militarmente o Irã, já organizaram e executaram operações clandestinas, com Israel, vivem a ameaçar o Irã com ataques militares preemptivos, e impões as mais duras sanções econômicas contra o Irã”. [6] Ameaça? Quem, aqui, ameaça quem?

Pois é verdadeiramente incrível o modo como Telavive consegue perpetrar, uma depois da outra, as mais fabulosas operações de propaganda – pelo menos no que tenha a ver com manter a opinião pública nos EUA em estado permanente de lavagem cerebral – só mudando a linha vermelha. [7]

Basta ler atentamente a entrevista de Barak à CNN que se vê em 30/7/2012.

Está tudo ali. Não há qualquer tipo de programa iraniano de armas nucleares. O Irã não ameaça ninguém – nem imediatamente nem de qualquer outro modo. O que se conhece naquela entrevista é um Ministro da Defesa de um país declarando que outro país fica proibido de pôr o pé numa “zona de imunidade” dentro da qual estaria protegido e nunca seria perturbado, atacado, bombardeado, invadido.

Imagine se fosse um ministro chinês ou russo da Defesa (chinesa ou russa) que dissesse, em tom de quem discute futebol, o que Barak disse com todas as letras na televisão dos EUA.

De volta ao Grande Jogo

Todos os enroladíssimos conversa & pressupostos que garantiriam a possibilidade de um ataque de Israel ao Irã não passa disso: enrolação.

Vários países – dentre os quais Japão, Coreia do Sul e Brasil – têm toda a capacidade necessária para montar uma bomba atômica: a tecnologia é velha, de décadas. Não significa que terão bomba atômica.

A evidência de que Teerã permite as inspeções imensamente intrusivas da AIEA e de que fez várias concessões ao longo de vários anos, muito maiores do que as concessões às quais seria obrigada pelo TNP, prova que o Irã não deseja construir uma bomba amanhã (nem ontem, segundo Israel). E mesmo que desejasse, a construção sempre seria detectada a tempo.

Barack Obama
No pé em que estão as coisas, Obama parece estar apostando que Bibi, jogador de pôquer, não terá coragem para ordenar ataque contra o Irã enquanto ele, Obama, habitar o Salão Oval. É argumento bem plausível para explicar por que Obama poderia ser tentado a lançar uma surpresa de outubro; mas o mais provável é que Obama, pragmático ultracauteloso, só decida pelo ataque em situação de absoluto desespero. Quanto a Bibi, ele adoraria que Washington fizesse por ele o serviço sujo (que Israel, como Benny Gantz sabe muito bem, não tem meios para fazer). Portanto, Bibi já está operando em modo “À espera de Mitt”.

Quanto ao Grande Quadro – o Novo Grande Jogo na Eurásia – o programa nuclear iraniano é só um pretexto; de fato, o único que resta hoje no mercado. Vai muito além de Israel e sua própria febre regional.

Se se perscruta a densa neblina que envolve 33 anos de desconfianças entre Washington e Teerã, a febre de Washington nunca cedeu, desde Clinton I e II até Bush I e II e até Obama e depois: precisamos mudar aquele regime; precisamos lá de uma satrapia persa como havia antes; precisamos de todo aquele petróleo e aquele gás do Golfo Persa e do Mar Cáspio, para o Ocidente, não para o Oriente; temos de controlar esse nódulo estratégico vital na Eurásia. Essa é febre, parece, incurável.

Notas de rodapé:
1. Assista a seguir:

Diz ele (em tradução tentativa, mais literal): “Tô pegando fogo! E só me receitam chocalhinho?!”, referência a uma gravação de rock pesado, da qual o personagem reclama.
Cowbell” (lit. “chocalho de vaca”, cincerro) é um instrumento musical.

2. 31/7/2012, Jewish Daily Forward, J.J. Goldberg em: Bibi Can't OK Iran Strike As Defense Chiefs Demur.

3. Assista a seguir:

4. 6/8/2012, Russia Today, Reuters, Issei Kato em: “Israel arranging roles in Iran war theater?.
5. 16/3/2012, New York Times, Mark Mazzetti e Thom Shanker em: U.S. War Game Sees Perils of Israeli Strike Against Iran.
6. 3/8/2012, Antiwar.blog John Glazer em: Ehud Barak Admits Iran Has Defensive Posture, No Weapons Program
7. 6/8/2012, The Atlantic, Micah Zenko em: “Can We Still Tell if Iran Decides to Build a Nuclear Bomb?”