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terça-feira, 30 de junho de 2015

Anel Leste versus Ramo Bálcãs: A batalha pela Grécia

28/6/2015, [*] Andrew Korybko, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Gasoduto Anel Leste
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A Rússia não estava blefando quando disse que o gasoduto Ramo Turco será, depois de 2019, a única rota para o gás que deixaria de passar pela Ucrânia. Depois de decorridos mais de seis meses críticos, durante os quais só perdeu tempo, dedicada a não acreditar, a União Europeia (UE) começa agora a cair em si. E está tentando desesperadamente armar uma alternativa geopolítica.
Ao se dar conta de que sua demanda por gás terá de continuar a ser suprida de modo absoluto pela Rússia ao longo de ainda muitas décadas futuras com certeza (e diga a retórica trans-Atlântica o que disser), a UE quer mitigar as consequências multipolares dos planos de gasodutos russos, seja como for e como puder.
A Rússia quer estender o Ramo Turco através de Grécia, Macedônia e Sérvia, num projeto que o autor já batizara previamente de Ramo Bálcãs, e quer apagar a rota pelo centro dos Bálcãs e substituí-la por outro pelo leste dos Bálcãs, via Bulgária e Romênia, a chamada linha “Anel Leste”.
Embora o gás cáspio embarcado pelo gasoduto Trans-Adriático (TAP) possa teoricamente transitar pelo Anel Leste, a proposta que tem circulado mais recentemente é para ligá-lo, em vez disso, ao Ramo Turco, provavelmente porque os projetados 10-20 bilhões de metros cúbicos/ano do projeto anterior (as reservas do Azerbaijão podem não bastar para atender à demanda, sem ajuda turcomena, a qual, hoje, está muito longe de garantida) podem parecer pouco, ante os 49 bilhões de metros cúbicos do novo traçado. Se a Europa realmente planeja que o Anel Leste conecte-se ao Ramo Turco, o gás fornecido pela Rússia alcançará o continente, não importa por qual rota (pelos Bálcãs Centrais ou pelos Bálcãs Orientais), o que significa que, hipoteticamente, é jogo de ganha-ganha para a Rússia.
As diferenças estratégicas entre o Anel Leste e o Ramo Bálcãs são realmente muito agudas, e associadas, em primeiro lugar, ao ímpeto motivacional implícito revelado pela proposta conectiva Anel Leste-Ramo Turco da UE, significa que é preciso analisá-las em profundidade, antes que alguém salte para uma “conclusão” predeterminada sobre a natureza “mutuamente benéfica” do Anel Leste.
Nesse artigo, identificam-se, de início, as diferenças estratégicas subjacentes entre o Anel Leste e o Ramo Bálcãs. Estabelecido isso, usam-se as informações reunidas para interpretar as motivações de Bruxelas e a previsão regional aí implicada, para os Bálcãs.

Gasoduto Trans Balcãs

Por fim, comenta-se a prolongada crise da dívida grega, para ilustrar como o atual torvelinho pelo qual passa a República Helênica já evoluiu para, de fato, um atentado: o ocidente tenta derrubar indiretamente o governo de Tsipras, como castigo pela cooperação com a Rússia no campo da energia.
Diferenças Estratégicas
Erra completamente quem assumir que o Anel Leste e o Ramo Bálcãs são projetos estrategicamente semelhantes; embora nos dois casos se trate de levar gás russo até a Europa, cada um desses projetos promove visão de longo prazo completamente diferentes uma da outra, ou a favor dos patrocinadores europeus ou a favor dos patrocinadores russos, respectivamente.
Anel Leste:
Para a União Europeia, essa sua rota proposta eliminará qualquer vantagem geopolítica que a Rússia possa potencialmente colher do Ramo Bálcãs (tema ao qual chegaremos, na sequência), reduzindo o gasoduto a nada além de um tubo de gás natural sem qualquer impacto ou influência. O objetivo será alcançado simplesmente porque o gasoduto viajará por território da Bulgária e da Romênia, dois confiáveis estados-membros da UE e da OTAN, cujas elites políticas estão firmemente na órbita unipolar.
Como uma garantia a mais de que a Rússia não possa jamais usar o Anel Leste para qualquer objetivo multipolar indesejável, os EUA planejam preposicionar suficientes armamentos pesados e equipamentos para 750 soldados nos dois países dos Bálcãs, reforçando ainda mais o Bloco sub-OTAN no Mar Negro que vem sendo construído já há alguns anos. Se os EUA conseguirem sabotar o Ramo Bálcãs e assim forçar a Rússia a, de fato, ceder ao Anel Leste como única alternativa realista no sudeste da Europa para mandar gás para a Europa, nesse caso Moscou em posição estratégica tão miserável para suas vendas de energia quanto estava antes, quando confiava numa Ucrânia controlada pelos EUA, renegando, para começar, todo o objetivo do pivô para os Bálcãs.

Gasodutos atuais, via Ucrânia, que abastecem a Europa
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Ramo Bálcãs:
A abordagem dos russos, quantos aos gasodutos, caminha na direção absolutamente contrária à dos europeus, porque entendem a utilidade geopolítica que há por trás dos gasodutos e os russos procuram usar esses investimentos em infraestrutura como ferramentas estratégicas.
Pode-se entender o Ramo Bálcãs como uma contraofensiva multipolar na direção do coração da Europa, e é precisamente por essas razões que a Rússia é completamente contrária a reverter ao Anel Leste como sua única rota de energia para a UE no sudeste da Europa. Moscou planeja usar o Ramo Bálcãs como ímã, para atrair investimentos dos BRICS nos Bálcãs e complementar a Rota da Seda dos Bálcãs da China, do porto de Pireus, na Grécia, até a Hungria.
Não é portanto coincidência que o terrorismo albanês apoiado pelos EUA tenha voltado à região, depois de hiato de dez anos, e tenha tomado como alvo especificamente a República da Macedônia, o gargalo do Ramo Bálcãs.
A Rússia está apostando no trânsito pelos Bálcãs Centrais para sua proposta rota de energia, porque sabe que Sérvia e Macedônia – que não são membros nem da UE nem da OTAN – não podem ser diretamente dominadas pelo mundo unipolar como Bulgária e Romênia que são satélites dos EUA; e também vê a Grécia como um “coringa”, hoje à beira de fracassar a favor de seus patrões ocidentais.
Todos esses fatores tornam o Ramo Bálcãs excepcionalmente atraente para os geoestrategistas russos, que reconhecem corretamente que os três estados no percurso do gasoduto (Grécia, Macedônia e Sérvia) representam o calcanhar de Aquiles do unipolarismo na Eurásia Ocidental, o qual, se receber empurrão adequado, pode levar ao colapso de toda a estrutura.
Por dentro da mente de Bruxelas
O simples fato de que a UE está propondo o Anel Leste como possível componente do Ramo Turco revela muito sobre como Bruxelas está pensando no momento. Examinemos o que aparece nas entrelinhas:
●– Gás russo é artigo de primeira necessidade
Bruxelas reconhece que tem de receber gás russo, de um modo ou de outro, e que o Corredor Gás Sul (Southern Gas Corridor) bem pouco provavelmente cobrirá sozinho a demanda futura de consumo da UE (para ambas, a União Europeia como um todo, e a região dos Bálcãs em particular). Os EUA também compreendem que é exatamente assim. Por isso, os EUA têm de inventar um cenário do qual a Rússia seja obrigada a depender na rota dominada pelo pensamento [e as armas] unipolar(es) através dos Bálcãs Orientais, de tal modo que o projeto seja “saneado” de qualquer influência multipolar residual, e Washington possa continuar a controlar o trânsito do gás russo para a Europa ao longo de futuro indefinido.
Ramo Turco via Mar Negro
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●– Nos Bálcãs Centrais o mundo unipolar é vulnerável
A sugestão proativa de que os Bálcãs Orientais possam substituir, como traçado alternativo, o gasoduto do Ramo Bálcãs implica que o ocidente admite uma vulnerabilidade dos unipolares na relação com uma rota russa que atravesse os Bálcãs Centrais.
Isso, porque a construção bem-sucedida do Ramo Bálcãs levará a um fortalecimento da posição geoestratégica da Sérvia, que emergirá como um nodo regional estratégico de energia. Belgrado pode assim capitalizar essa vantagem para lentamente e estrategicamente (não politicamente) reintegrar as terras da ex-Iugoslávia, embora sob influência russa multipolar indireta.
Como resultado, os Bálcãs, a região da Europa que com certeza sempre recebeu o cabo mais curto do porrete euro-atlântico, seria presenteada com uma atraente oportunidade não ocidental para co-desenvolvimento com os países BRICS. O Ramo Bálcãs da Rússia lhes garantiria suprimento seguro de energia, com a Rota da Seda dos Bálcãs da China lhes garantirá acesso ao maior mercado global, o que ameaçará o domínio econômico que a UE tem atualmente sobre a península.
Se a Europa já não for economicamente atraente para os estados dos Bálcãs (a atratividade cultural e política já é coisa do passado, por causa do “casamento gay” e dos excessos de Bruxelas contra aqueles países, nos anos recentes), nesse caso a Europa perde o resto de seu soft Power e o único modelo alternativo passam a ser os BRICS, os quais usariam a região para criar uma cabeça de praia multipolar diretamente rumo ao coração do continente, antes mesmo de alguém perceber o que aconteceu.
●– A Grécia não é confiável
A União Europeia claramente não vê a Grécia, pelos menos hoje, sob o atual governo [da coligação Syriza], como ferramenta geopolítica confiável para seus interesses. Um oleogasoduto financiado pelo Azerbaijão através do país pouco confiável é aceitável, mas se for financiado pela Rússia, não é, porque pode ser usado como porta de entrada para outras incursões multipolares para dentro dos Bálcãs Centrais que podem abalar rapidamente a influência de Bruxelas nos Bálcãs (como já se comentou no grande cenário estratégico acima).
Se a Grécia estivesse sob total controle do mundo unipolar, ou se o ocidente sentisse fortemente que esse seria o caso em 2019, nesse caso não seria preciso excluir desse bolo, a Grécia. Embora ainda se mantenha a possibilidade de que uma fatia do território grego seja usada para construir um interconector com a Bulgária para facilitar o Anel Leste, não é a mesma coisa que um gasoduto que atravessa metade do território no norte do país e continua por uma trilha que o grupo unipolar não controla (diferente da alternativa búlgara proposta).
Corredor de gás TAP-TANAP 
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Assim sendo, a proposta do Anel Leste diz muito sobre a fraca expectativa geopolítica que Bruxelas alimenta em relação aos próximos cinco anos da Grécia – embora aquela proposta também possa ser lida como uma confirmação da oportunidade pró multipolares que a Rússia já identificara, antes, na Grécia.
As guerras por procuração, nos Bálcãs
Mais que qualquer outra coisa, a proposta do Anel Leste, de Bruxelas, pode ser lida como desesperado “Plano B” para garantir o indispensável fornecimento de gás russo, no caso de os EUA conseguirem tornar irrealizável a rota pela península central do Ramo Bálcãs, servindo-se de séries de guerras de desestabilização “por procuração”. Como já se explicou acima, a UE precisa do gás russo em todos os casos e circunstâncias (coisa que até os EUA, mesmo com extrema má vontade, reconhecem); assim sendo, tem absoluta necessidade de ter um Plano B, de contingência, sobre a mesa, para o caso de alguma coisa acontecer ao Ramo Bálcãs.
Os cofres russos precisam do dinheiro, e as fábricas europeias precisam do gás; é um relacionamento natural de mútuo interesse para as duas partes cooperar seja por uma via, seja pela outra.
A contenção tem a ver, claro, com qual a específica via pela qual viajará o gás russo, e os EUA farão qualquer coisa que esteja ao seu alcance para assegurar que haja Bálcãs Orientais controlados por interesses unipolares, não os Bálcãs Centrais sensíveis a interesses multipolares.
Por tudo isso, a “Batalha pela Grécia” é o último episódio dessa saga, e a rota futura das entregas de gás russo à Europa oscila hoje, ainda, na balança.
A estrada (grega) chega a uma bifurcação
Embora a questão da dívida fosse questão antiga, de antes, mesmo, de o Ramo Bálcãs ter sido pensado, ela está hoje intimamente entretecida no drama da energia na Nova Guerra Fria que se desenrola nos Bálcãs.
A troika quer forçar Tsipras a capitular ante um acordo impopular para a dívida, que com certeza levaria ao rápido fim de seu governo como Primeiro-Ministro. Nesse instante, o principal fator que liga o Ramo Bálcãs à Grécia é o governo Tsipras. E é do mais alto interesse da Rússia e de todo o mundo multipolar vê-lo permanecer no governo da Grécia, até que o gasoduto possa ser fisicamente construído e implantado.
Alexis Tsipras e Vladimir Putin (4/6/2015)

Qualquer repentina ou inesperada mudança de liderança na Grécia pode muito facilmente comprometer a viabilidade política do Ramo Bálcãs e forçar a Rússia a ter de depender do Anel Leste. E é precisamente por essas razões que a Troika quer empurrar Tsipras para os cornos de inextrincável dilema.
Se ele aceita as atuais condições da dívida, perde o apoio de sua base, não será eleito em eleições que terão de ser convocadas imediatamente ou cai, vítima de revolta brotada de dentro do próprio partido. Por outro lado, se ele rejeita a proposta e deixa que a Grécia seja declarada inadimplente, nesse caso a catástrofe econômica resultante pode matar todo o apoio que lhe dão os movimentos de base e camadas mais pobres, o que pode determinar o fim prematuro de sua carreira.
Por isso a decisão de realizar um referendum nacional sobre a dívida é movimento tão genial: porque dá a Tsipras uma chance de sobreviver a próxima tempestade político-econômica que se abaterá sobre os resultados que venham (que se supõe que venham a ser de rejeitar a dívida e assumir a situação de inadimplência). Com o povo ao seu lado (não importa por que pequena diferença a seu favor), Tsipras pode continuar a governar a Grécia, enquanto o país nada nas águas revoltas do período incerto que se avizinha. Além disso, seu cuidado continuado com o país, e a química pessoal que o aproxima dos governantes BRICS ( especialmente Vladimir Putin) pode levá-los a criar alguma espécie de assistência econômica (talvez com os US$ 100 bilhões do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e igualmente gordo pool de moedas de reserva) para a Grécia, depois da próxima reunião da cúpula do grupo, que acontecerá em Ufa, no início de julho/2015– desde que, é claro, Tsipras aguente-se no governo até lá.
Por tudo isso, o futuro da geopolítica da energia nos Bálcãs resume-se atualmente ao que acontecer na Grécia em futuro próximo. Embora seja possível que outro Primeiro-Ministro grego, que não seja Tsipras, continue a fazer avançar o Ramo Bálcãs, é menor a possibilidade do que se Tsipras se mantiver lá.
Criar condições para tirá-lo do governo é a via indireta pela qual os EUA e a UE preferem influenciar o curso da energia a ser futuramente entregue pela Rússia através dos Bálcãs – por isso Tsipras está sob pressão tão gigantesca nesse momento. Sua proposta de referendum com certeza apanhou todos de surpresa, porque atualmente já praticamente não se ouve falar de verdadeira democracia na Europa, e ninguém esperava que o Primeiro-Ministro recorresse diretamente aos eleitores, antes de tomar uma das decisões mais cruciais do país em décadas.




Mas é o meio pelo qual pode ainda tentar escapar da armadilha Catch-22 que a Troika armou para ele. Ao fazê-lo, luta também pelo Ramo Bálcãs do mundo multipolar.
À guisa de conclusão
Há mais, na proposta do gasoduto Anel Leste do que se vê à primeira vista, daí a necessidade de expor as motivações estratégicas por trás dele, para que melhor se possa avaliar seu impacto assimétrico. É claro que EUA e UE querem neutralizar a aplicabilidade geopolítica que o Ramo Bálcãs terá na difusão do pensamento multipolar pela região, o que explica a ação pareada dos dois lados, para tentar detê-lo.
Os EUA já estão soprando as chamas do violento nacionalismo albanês na Macedônia, para obstruir o traçado previsto do Ramo Bálcãs, enquanto a UE propõe rota alternativa através dos Bálcãs Orientais, como via predeterminada para excluir a Rússia. As duas forças euro-atlânticas conspiram juntas, indiretamente, para derrubar o governo grego, seja por uma eleição “pré-programada” ou golpe interno que tire Tsipras do governo, sabendo que esse movimento singular implicará golpe forte e quase imediato contra o Ramo Bálcãs.
Embora ainda não se saiba o que eventualmente acontecerá com Tsipras ou com o gasoduto russo em geral, é indiscutível que os Bálcãs tornaram-se um dos principais e repetidos nodos de confrontação na Nova Guerra Fria, e que a competição entre o mundo unipolar e o mundo multipolar nesse teatro geoestratégico está só começando.
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[*] Andrew Korybko é Analista Político e escreve extensivamente sobre as relações internacionais da Rússia. É especialista em política do Oriente Médio, Ásia Central e Europa Oriental. Freqüente comentarista de TV e rádio. Originário de Cleveland, Ohio, está concluindo estudos de pós-graduação em Relações Internacionais na Universidade Federal de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO).

sábado, 27 de junho de 2015

ONGs “éticas” & “moralizantes”: Desconfie MUITO dessa gente!


15/6/2015, [*] Andrew Korybko, The Vineyard of the Saker
Excertos traduzidos pelo pessoal da Vila Vudu



Ler também:

31/5/2015, redecastorphoto, F. William Engdahl, New Eastern Outlook em: Rússia: soberania, sedição e as velhas e detestáveis ONGs

22/11/2014, redecastorphoto (via Juntos Somos Fortes), Aeneas GeorgGlobal Research em: Táticas de “mudança de regime” aplicadas pelos EUA


The Saker

ONGs ligadas a serviços secretos estrangeiros de inteligência tornaram-se grave ameaça à segurança e à soberania de estados multipolares, e podem ser responsabilizadas diretamente pela montagem e operação das estruturas que levam às “revoluções coloridas” e lhes garantem manutenção e logística nas operações para “mudança de regime”.
Depois da primeira onda (logo depois da autodissolução da União Soviética) e da segunda onda (“Primavera Árabe”) das chamadas “Revoluções Coloridas”, os estados-alvos finalmente acordaram para o jogo do Ocidente e, agora, já trabalham ativamente para defender-se de modo criativo e inovador contra essa grave agressão premeditada contra sua estabilidade interna.
A Rússia sempre esteve na vanguarda desse movimento e ordenou que essas chamadas “Organizações Não Governamentais” mantidas na Rússia com fundos recebidos de fora do país se registrassem ante as autoridades russas como “agentes de interesses estrangeiros”. A mesma lei recentemente aprovada na Rússia também dá aos procuradores de Justiça o direito de ordenar o fechamento de ONGs indesejáveis, o que é mais um passo na direção certa para fortalecer a soberania do estado democrático de direito.
Com o objetivo de completar o processo de defender o estado contra a mais recente arma assimétrica que os EUA têm usado para promover “mudança de regime”, e para varrer as forças hostis ainda ativas contra o voto dos cidadãos, é hora de a Rússia e seus aliados multipolares iniciarem campanha para estimular militantes e ex-militantes daquelas ONGs de desdemocratização a procurar autoridades e denunciar as reais atividades ilegais daquelas organizações.
Começamos aqui por discutir a natureza estratégica de ONGs norte-americanas e outras, ativas fora de seus países de origem e sempre na oposição a governos eleitos; na sequência, mostramos como elas se disseminaram muito rapidamente pelo mundo. Depois documentamos a distribuição padronizada dessas organizações; e expomos essas novas táticas de guerra híbrida que os EUA usaram e continuam a usar na Síria e na Ucrânia. Bem demonstrado o perigo que essas ONGs (a maioria das quais são norte-americanas) impõem à estabilidade global, propomos, para combater essas organizações, uma abordagem “de dentro para fora”. E na conclusão explicamos como tudo isso funcionará na prática.
Perigo infiltrado
As ONGs operam na linha de frente dos golpes para mudança de regime, e praticamente sempre se “internam” e “integram-se” no próprio tecido social dos estados-alvos, muito antes que recebam as primeiras instruções diretas para dar início à tentativa de golpe de Estado. Muito frequentemente, as ONGs não operam explicitamente para forçar atividade antigoverno.
O mais comum é que escolham nomes que se associam, como marca [orig. brand], mais ao serviço social [sempre ostensivamente apresentado como “sem política” (NTs)], que à agitação diretamente política golpista. É o que se observa também nas atividades que promovem, que visam sempre a manifestar posições “neutras” – como oferecer comida a desempregados [desde que não haja “contaminação” entre o que a ONG faz e o que os sindicatos fazem (NTs)]; ou dar pseudo-abrigo a sem-tetos [desde que os sem-tetos ajudados não estejam organizados para promover ocupações (NTs)]; ou divulgar dados pseudo-estatísticos sobre “kurrupção” (nunca a corrupção dos mantenedores daquelas ONGs, sempre só dos seus inimigos políticos).
Servindo-se desses mecanismos para desmobilizar qualquer sociedade democrática, as ONGs conseguem expandir sua rede de apoio, repetindo incansavelmente que não têm qualquer interesse ou militância política em suas atividades. Em si e por si mesmo, não há necessariamente qualquer ilegalidade nesse processo – mas sem dúvida é gravemente suspeito e nada tem de boa moralidade pública que uma organização política esconda da sociedade os seus objetivos políticos e apresente-se não apenas como “apolítica”, mas como ativamente “antipolítica”, contra todos os partidos políticos e contra todos os políticos (exceto uns poucos) e contra governos eleitos que não seja dos próprios amigos.

ONGs dos EUA que corroem a Democracia (clique na imagem para aumentar)

Mas todos esses problemas tornam-se exponencialmente mais graves, quando essa organização “mascarada” oculta atividade a favor de interesses políticos de outros países e contra cidadãos locais nos locais onde elas atuam. Em outras palavras: tudo se torna muitíssimo mais grave quando a tal Organização Não Governamental é apenas a fachada atrás da qual se esconde organização violentamente “Pró-Governo” e “Pró-Empresas”, só que governos e empresas que vivem, produzem, lucram e prosperam bem longe do local da intervenção ongueira/onguística.
ONGs mantidas com fundos que lhes vêm de fora do país onde elas operam, e que se ocultam por trás de máscaras de assistência social têm, é claro, outras motivações, e já há muito tempo muitas autoridades governamentais em todo o mundo preocupam-se com o caráter secretivo desses grupos, as intenções não expostas e as conexões com diferentes agências de inteligência.
Não há quem não saiba que uma ONG social, com boa reputação e griffe prestigiadas em todo o mundo pode ter impacto poderoso sobre a opinião pública (sobretudo no caso de ONGs que são muito ativamente promovidas e propagandeadas pelos veículos da imprensa-empresa comercial liberal, dos quais muitas ONGs e/ou seus patrocinadores são ricos anunciantes [NTs]). E se a tal organização repentinamente decide assumir “um lado” em disputas políticas locais, o mais provável é que consiga carregar consigo seus “recrutas” e toda sua rede de sustentação social, o que pode criar movimento de consideráveis dimensões, saído, supostamente naturalmente, do “seio da sociedade”.
Na realidade, esse sempre foi o objetivo de todas as ONGs – politizar uma rede dispersa de grupos de pessoas operantes em outras ONGs aparentemente sem contato entre elas, e converter a tal nova rede em força política unificada para “mudança de regime”, em todos os casos em que algum governo local não esteja governando localmente na direção dos desejos do dinheiro que, de fora, mantém planetariamente as ONGs.
Mas se a opinião pública democrática e governos locais democraticamente eleitos não dão atenção em tempo oportuno a esse processo, o buraco negro resultante do caos social pode ser suficientemente potente para capturar mais e mais apoiadores, ao mesmo tempo em que faz colapsar o centro de gravidade do poder do Estado.
Crescimento metastático das “revoluções coloridas”
Esse processo foi desencadeado planejadamente com sucesso devastador na Sérvia, Geórgia, Ucrânia e Quirguistão na primeira onda de choque; e todo o Oriente Médio viu-se envolvido depois que as Revoluções Coloridas da “Primavera Árabe” começaram por lá, no segundo tsunami de agitações de rua.
Resultado de haver testemunhado a carnificina destrutiva da mais recente maré de agitações, a Rússia e seus corpos de tomada de decisão política afinal acordaram para essa superarma de desestabilização social que os EUA construíram bem diante do nariz deles.
Desde o final da Guerra Fria, os EUA trabalham no processo de converter movimentos sociais em armas de intervenção na sociedade, criando uma espécie de 5ª Coluna [hoje já fala em “criar e manter células dormentes em território inimigo”, como grupos de terroristas internacionais fazem hoje, e aprenderam a fazer, ao que parece, com os EUA (NTs)] a ser rapidamente mobilizada contra estados-alvos.
Apanhados na ingenuidade da “nova ordem mundial” dos “liberal-democratas” dos anos 1990s, muitos estados e seus cidadãos não deram qualquer atenção à possibilidade de as ONGs serem manipuladas por agências da inteligência unipolar. Assim, ficaram sem defesas contra a lavagem cerebral que viria e veio, persuadidos de que a griffe “não governamental” carregaria alguma espécie de conotação santificada de “liberdade” que governo algum se atreveria a contestar.
Algumas das ONGs internacionais na Rússia

Os EUA exploraram amplamente essa convicção simplória [que a imprensa-empresa comercial liberal e a respectiva universidade liberal comercial trataram de converter em “conhecimento certo e indiscutível” (NTs)], para fazer proliferar enormemente a rede de suas ONGs pressupostas benignas para quase todos os cantos do planeta que a Guerra Fria abriu; e, sempre, preparando cenários nos quais fosse possível testar o recurso de militarizar as tais ONGs.
Soltar A Besta
A oportunidade perfeita surgiu quando a rede CNN, instrumento “midiático” da propaganda dos EUA, declarou em 1999, retoricamente (e ridiculamente) que Slobodan Milosevic [1] era o novo Adolf Hitler.
Essa óbvia “senha” para o início da operação para mudança de regime condicionou o psiquismo ocidental e o induziu a aceitar a eventual derrubada do presidente, que aconteceu, em operação ilegal, na “Revolução Escavadeira” [orig. Bulldozer Revolution’], uma espécie revolução mãe de todas as “revoluções coloridas”.
Depois de recolher todos os tipos de dados de inteligência aos quais tiveram acesso graças a essa operação de intervenção violenta, os EUA decidiram expandir o objetivo de sua ação e introduzir-se diretamente nos territórios da Geórgia, Ucrânia e Quirguistão pós-soviéticas, com o objetivo de levar adiante sua ação de mudança de regimes, fazendo-a avançar, por inércia, até a Rússia.
A ação integral, como foi inicialmente planejada, jamais pôde ser levada a efeito (agora já é conhecida e é preciso desmontá-la), mas os EUA conseguiram derrubar os governos daqueles três países; e, enquanto isso ia acontecendo, os EUA acumularam grande experiência dessa sua nova superarma, ao vivo.
Os especialistas norte-americanos aperfeiçoaram a própria tecnologia para mudar regimes “não amigáveis”, e a aplicaram no contexto de uma grande “revolução colorida”, sobre território amplíssimo, em movimento que foi promovido pela “comunicação” do império, para todo o mundo, como a “Primavera Árabe”.
Guerra híbrida à maneira ocidental
A inovação chave aqui foi uma estratégia híbrida, de usar uma Revolução Colorida como base para lançar Guerra Não Convencional, como se viu na Líbia e prossegue até hoje na Síria. O mesmo foi tentado na Ucrânia, pouco antes do golpe de fevereiro de 2014, quando as forças ocidentais no país chegaram a confrontar Kiev, em rebelião armada de grande escala.
Os EUA já haviam doutrinado as massas globais a aceitarem o golpe, o que fizeram com o anúncio, distribuído pela Newsweek de que a Ucrânia estaria à beira de uma guerra civil. Mas, numa dupla inovação no modus operandi do golpe para “mudança de regime”, atiradores “pró-golpe’” com armas de precisão foram deslocados para a capital do país, ao mesmo tempo em que o país era incendiado em direção a revolta total. Essa super onda dupla de pressão quebrou a decisão pessoal de Yanukovich, que chegara a começar a resistir contra a operação de mudança de regime. Mas capitulou inesperadamente ante os “revolucionários coloridos”, movimento que, em tese, deveria ter “resolvido” tudo e posto fim à agitação no país. Não aconteceu assim.
Uma oposição local ao governo de Yanukovich fez acontecer um “golpe” menos de 24 horas depois da derrubada do presidente eleito.
O sucesso dessa mudança “surpresa” de regime cancelou os planos dos EUA para Guerra Não Convencional no oeste da Ucrânia, que começavam a ser traçados. O que não se deve deixar de observar, contudo, é que não fossem os atiradores de armas de precisão que foram dispostos ao redor da praça e atiraram contra a multidão na rua [e também contra policiais leais ao governo regular já então deposto], os EUA estavam prontos para converter a Ucrânia numa outra Síria. Para tanto, mais uma vez, contavam com o seu modelo de guerra híbrida para mudança de regime, cuja primeira linha de ataque haviam sido as ONGs que trabalhavam na oposição ao governo de Yanukovich, mantidas com dinheiro que lhes vinha de fora do país.
A nova abordagem “de dentro para fora”
Confrontada com o indubitável perigo que são as ONGs mantidas com dinheiro externo, para a segurança do Estado e para a estabilidade regional, a Rússia iniciou os passos legais que lhe permitem, hoje, combater em melhores condições contra essa superarma, e neutralizar-lhe a potência.
Apesar do muito que demoraram a ser tomadas, a importância dessas medidas está no fato de que o establishment russo, afinal, dá sinais de ter visto o problema que há anos cresce na clandestinidade, e tomou providências firmes para impedir que avance aquele tipo de ação. Agora, o governo russo está planejando os passos necessários para extinguir e desmontar definitivamente essas verdadeiras “máquinas” para promover golpes de “mudança de regime” – o que está sendo organizado para ser feito “de dentro para fora”: o governo pode organizar uma campanha dirigida aos próprios ongo-ativistas, que em muitos casos sabem mais sobre o funcionamento tortuoso dessas organizações do que supõe a “cúpula”. Alguma coisa como um “disque-ONG”, que assegure proteção ao anonimato do ongueiro desiludido arrependido.

A NED (mantida pelo governo dos EUA)
comanda 4 principais ONGs-satélites

As ONGs orientadas para golpes de “mudança de regime” são especialistas em construir e insuflar insurgências assimétricas contra governos-alvos, mas sua principal vulnerabilidade é que as ONGs não têm meios para se autoprotegerem contra exatamente a mesma estratégia que elas usam.
A ação Estado-contra-ONGs, usando a dinâmica dessa campanha de fora-para-dentro para atrair ongueiros desiludidos pode disparar também um movimento interno, criando um conflito dentro-dentro que minará muito seriamente a coesão interna e, portanto, a serventia da organização como arma para disparar golpes. É como se o estado russo estivesse empurrando uma “revolução colorida” para dentro das organizações de “revolucionários coloridos”, forçando as organizações a ter mais de se autodefender, do que agredir e atacar a sociedade em geral.
A ideia básica é que essas organizações perdem a força de coesão interna que as mantém prestáveis – e nunca mais conseguem se recuperar – se expusermos como mentirosas as fachadas de organizações “éticas”, “boas”, “do bem”, “sérias” (sempre “sem política”) atrás da qual se ocultam as piores intenções golpistas antidemocráticas, quando não são ativamente fascistizantes, desses grupos.
Revolução Colorida Reversa
A Revolução Colorida Reversa pode ser definida como campanha “de dentro para fora”, pela qual elementos internos, mas manobrados pelo lado de fora, operam contra a estrutura interna prefixada, até fazê-la colapsar. Com isso em mente, incentivar ongueiros a falar sobre o que só eles sabem sobre ações ilegais ou antidemocráticas dessas organizações das quais participam ou tenham participado, joga os próprios golpistas uns contra os outros, e todos contra a administração central da ONG: esse, precisamente, é o modus operandi de uma “revolução colorida”.
A “revolução colorida” que temos visto pelo mundo joga cidadão contra cidadão, e cidadão contra governos eleitos. ONGs para mudança de regime mantidas com dinheiro que lhes chega do exterior já estão sob forte pressão na Rússia, graças às novas leis recentemente aprovadas. Inserir um vírus, um “cavalo-de-Troia”, dentro dos muros das últimas organizações não governamentais que ainda resistem pode, sim, acabar com elas de uma vez por todas.
(...)
Como fazer funcionar
Se a Rússia ou qualquer de seus parceiros de orientação multipolar decidirem impedir o funcionamento de organizações mantidas por dinheiro que recebam do exterior e que trabalham contra governos locais eleitos, aqui vão algumas ideias de como a campanha pode ser concebida.
Campanha de Informação para a Opinião Pública
O estado e o governo democráticos, pelos veículos de difusão de informação social, divulgarão a nova política antigolpismo, focando na atividade golpista das ONGs que existem para promover “mudança de regime”.


ATENÇÃO: 

No Brasil será impossível essa campanha ou, no mínimo, muito difícil de montar e executar porque no Brasil NÃO HÁ veículos de informação social de democratização.

Os veículos de informação de massa (redes de jornais, televisão e internet) operam no Brasil EXATAMENTE como operam as ONGs pró golpe.
No Brasil a amplíssima maioria dos jornalistas empregados são fascistas sinceros: eles acreditam firmemente que o fascismo individual capitalista bom-mocista & udenista deles seria alguma espécie de variante da democracia, algo como uma “democracia de fascistização”...

É impossível e incompreensível e não faz sentido algum, mas, no Brasil, as redações estão cheias desse tipo de zumbi que sai semizumbificado dos colégios de ricos, e totalmente zumbificado dos cursos de “jornalismo [NTs].

Gestão da Ação Policial Legal
A luta de um estado democrático contra ONGs golpistas mantidas com dinheiro que recebam do exterior não é caça às bruxas, mas ação policial tão legal e legítima quanto campanhas públicas que se organizem contra o preconceito racista ou qualquer outro preconceito de discriminação elitizante. Portanto, a campanha de divulgação deve enfatizar os princípios legais e democráticos em que a campanha se fundamenta, indicando o quanto se relacionam à defesa da sociedade democrática e dos direitos democráticos dos cidadãos.
ONG internacional = espionagem

Por isso, toda a operação tem de ser construída e gerenciada com a direta colaboração dos corpos de manutenção da ordem social e de segurança do Estado, para que seja efetiva e não se desencaminhe em retórica de suposta ‘oposição’, sobre supostas motivações partidárias ou eleitorais.
Incentivos para ongueiros desiludidos, que se interessem por cooperar com governos democráticos
Sem recompensas que encorajem ongueiros desiludidos a informar o que saibam sobre crimes cometidos pelas ONGs das quais participaram, o mais provável é que a campanha consiga sucesso apenas retórico. Dada a natureza das denúncias que se pode esperar que surjam, é preciso instituir, além de recompensas financeiras, outros tipos de estímulos, como imunidades, perdão no caso de cumplicidade em ações criminosas cometidas pela ONG e afinal denunciadas – desde que, evidentemente, as denúncias se comprovem legítimas e gerem condenação de membros dirigentes responsáveis pela ONG denunciada.
Dada a natureza criminosa da ação de algumas ONGs que se espera conseguir provar, deve-se inclusive prever um programa de proteção a testemunhas, que assegure a segurança pessoal dos ex-ongueiros denunciantes.
À guisa de conclusão
Várias ONGs internacionais gigantes conhecidas em todo o planeta pela ação golpista, estão afinal da defensiva, pela primeira vez na história delas, e a Rússia está tendo atuação exemplar no trabalho de neutralizá-las e erradicá-las.
Mas essas organizações são cheias de ardis e deve-se pressupor que tenham recursos adaptativos que tentarão perpetuá-las.
Por mais que o Estado faça para impedir que operem à vista de todos, elas não estarão completamente destruídas enquanto não se desconstruir na sociedade a ideia hoje prevalente de que organizações privadas de fachada “social” seriam necessariamente instrumentos de serviço social de democratização. Isso é falso, como o provam todas as organizações não governamentais privadas que, em todo o planeta, existem para promover a des-democratização de sociedades que já estejam avançadas no processo democrático.
A campanha pública para estimular ongueiros arrependidos a denunciar às autoridades crimes que eles saibam que foram cometidos pelas ONGs das quais participaram deve ser ampla e destacada, para promover, precisamente, a ideia de que ONG que trabalhe contra governo democrático é organização criminosa, não é organização “ética” nem “legítima”, nem por ela se manifesta(ria) qualquer “liberdade de manifestação”.

ONGs internacionais atuando no Brasil (algumas)

Em estado democrático, pretender que uma organização privada que visa a atacar a democracia e a derrubar governo eleito mereceria tanta liberdade de manifestação e/ou de expressão dos próprios desejos e objetivos e planos quanto um pedófilo ou um assassino serial compulsivo: nenhuma.
Com a campanha para estimular que a própria sociedade denuncie crimes cometidos por ONGs, completa-se o plano em três etapas: legislação (criar as necessárias leis) e identificação (já há lei que define as ONGs mantidas por dinheiro que lhes venha do exterior como agentes estrangeiros); definição do alvo (apenas as ONGs que sejam denunciadas por ex-membros arrependidos); e desmantelamento (das ONGs denunciadas pela sociedade, em resposta a campanha de esclarecimento sobre a operação de ONGs indesejáveis).
Se a Rússia conseguir livrar-se completamente da ação desse tipo de organização que existe para promover “mudança de regime”, terá fixado um precedente libertador, que poderá ser seguido por outros estados da constelação de estados multipolares, hoje atacados por essa ameaça infiltrada, o que talvez, por efeito dominó, venha a eliminar, de uma vez por todas, para todos esses estados multipolares, o perigo das ONGs golpistas armadas.
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Nota dos tradutores
[1] Slobodan Milosevic foi presidente da Sérvia de 1989 a 1997 e da República Federal da Jugoslávia de 1997 a 2000. E principal líder do Partido Socialista da Sérvia desde a sua fundação, em 1990.
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[*] Andrew Korybko é Analista Político e escreve extensivamente sobre as relações internacionais da Rússia. É especialista em política do Oriente Médio, Ásia Central e Europa Oriental. Freqüente comentarista de TV e rádio. Originário de Cleveland, Ohio, está concluindo estudos de pós-graduação em Relações Internacionais na Universidade Federal de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO).