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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Grécia: Como o Império revidará



6/7/2015, The Saker, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
The Saker

OK, agora que todos já celebramos o belo “NÃO!” grego aos plutocratas da União Europeia, temos de voltar à real e examinar as opções do Império. Ou, na verdade, a opção do Império, no singular.
O Império é extremamente previsível. O exemplo da Grécia é caso exemplar, de manual, de como o Império usa bancos para estrangular um país com dívidas; criar uma classe governante comprador; fazer da imprensa-empresa nacional instrumento para a propaganda imperial; e tentar deter completamente qualquer processo democrático, negociando exclusivamente com a classe governante. Por alguma espécie de quase-milagre, no caso grego essa última fase fracassou.
Posso estar errado, mas meu instinto diz que o Império jamais levou muito a sério o SYRIZA ou, se levou, só passou a fazê-lo muito tarde demais. Quanto a Tsipras e Varoufakis, foram provavelmente tão surpreendidos como todos nós, quando repentinamente se viram “promovidos”, da liderança de um partido com 5% dos votos, à liderança legítima de toda a nação grega. Também tenho a impressão de que nem Tsipras nem Varoufakis esperavam pelo tsunami que desencadearam com esse referendum. Mas, seja qual for o caso, o que está feito está feito. Para absoluto horror dos euroburocratas, o povo grego falou e, no momento, o Império só tem uma opção: ou cooptar ou derrubar o governo grego, o que sempre funciona melhor.
Pessoalmente, sinto que é tarde demais para cooptar o governo. Além do que, Tsipras e Varoufakis tornaram-se figuras tão odiadas entre os euroburocratas, que a solução a ser provavelmente escolhida será derrubá-los.
Aparentemente, esse processo já está em andamento. Varoufakis que antes dissera que “vocês vão ter de me aguentar”, já renunciou. Quanto a Tsipras, parece estar suplicando por negociações. Espero estar errado, mas não estou muito entusiasmado com o que vi até aqui.
Então, mais uma revolução colorida?
O exemplo de Gaddafi da Líbia mostra claramente que um líder nacional pode render-se completamente e submeter-se aos anglo-sionistas e *mesmo assim* ser derrubado. Meu palpite é que não importa quantas concessões Tsipras faça, nada será suficiente para mantê-lo no poder. Tsipras humilhou os euroburocratas, e eles não o perdoarão. Agora só resta ao Império fazer da Grécia, exemplo. É a única solução lógica.
Estará Soros preparando...
Revolução Colorida para a Grécia?

Aconteça o que acontecer, a Grécia enfrentará tempos extremamente difíceis, politicamente e economicamente. Vimos recentemente como um país – nesse caso, a Armênia – pode ser facilmente “castigada” por atrever-se a desobedecer aos diktats imperiais.
Acho que a Grécia é, hoje, país muito mais fraco e frágil que a Armênia.
 
  • Para começar, porque os alemães e norte-americanos mais ou menos mandam no país; pode-se dizer até que são donos de tudo.
  • Em segundo lugar, um denso sólido 1/3 do país estava querendo aceitar os termos do ultimato da plutocracia transnacional.
  • Em terceiro, a Grécia é cercada pela OTAN e por instabilidade por todos os lados.
  • Quarto toda a imprensa-empresa do país, toda ela, é de propriedade dos anglo-sionistas.
  • Quinto, a Grécia não tem recursos naturais ou algum bom mercado fora da União Europeia.
Diferente de outros, não tenho muito medo dos militares gregos. Sim, militares quase sempre se posicionam ao lado das elites comprador, mas a última coisa que a União Europeia quer é outra junta militar fascista no governo de país no continente. E a reação do povo grego a um golpe aberto parece ser altamente imprevisível.
Acho que o cenário mais provável é que o próximo “evento” seja uma Maidan grega, seguida de acusações de brutalidade policial e todo o cenário típico de “revolução colorida”. Ao final do dia, o que acontecer dependerá muito da posição que tomem Tsipras e o seu partido:
 
  • se buscarem apaziguar os euroburocratas, se fizerem infinitas concessões, se agirem como “europatriotas” leais, nesse caso serão esmagados:
mas
  • se apelarem diretamente ao povo grego, e explicarem com clareza que aquela é a luta de libertação nacional dos gregos, e que a liderança precisa do apoio e da proteção do povo, nesse caso é altamente provável que vençam, sobretudo se optarem por romper com a Eurozona e coligar-se à União Econômica Eurasiana e à China, como suas apoiadoras.
PARE O ARROCHO - APOIE A GRÉCIA - MUDE A EUROPA

Espero estar errado, mas não vejo Tsipras ousando essa virada tão dramática. Eis por que prevejo, na sequência, uma “revolução colorida”.
Aconteça o que acontecer, não vai demorar. Logo saberemos.
The Saker


terça-feira, 30 de junho de 2015

Ucrânia: “Essa gente venderia baratinha a Novorrússia”


17/6/2015, [*] Rostislav Ishchenko, The Vineyard of the Saker
Traduzido do russo para inglês por Gideon e do inglês para português pela Vila Vudu
Novorrússia e região
(clique na imagem para aumentar)

Gente é coisa que sempre me impressiona. Por exemplo, muitos russos creem sinceramente que tipos diferentes de russos vivem na Crimeia, no Donbass, em Odessa e Carcóvia, porque a Crimeia agora é Rússia, porque há guerra no Donbass e porque Carcóvia e Odessa ainda estão ocupadas e sob repressão.
Pode-se dizer então que os cidadãos de Moscou são 1,5 vezes melhores que os de Volgogrado, 2 vezes melhores que os cidadãos de Kursk e três vezes melhores que cidadãos da Carcóvia e Rostov-on-the-Don, porque durante a 2ª Guerra Mundial os alemães capturaram Carcóvia e Rostov 3 vezes, Kursk uma, mas jamais ocuparam completamente Stalingrado e jamais puseram os pés em Moscou. Claro, Petropavlovsk-Kamchatsky é população de traidores, os quais, quando nosso país combatia, lá estavam, em segurança, por trás do front.

Operação Barbarossa – Alemanha ataca a URSS (clique na imagem para aumentar)

Não há exagero algum: aquela ideia geral é partilhada pelos russos médios, sobre os eventos em curso para desestabilizar o mundo e nosso país hoje. Mas esse tipo de confusão não é fenômeno exclusivamente russo.
Na Ucrânia, o presidente Putin apareceu consistentemente à frente dos demais “candidatos”, quando pesquisas perguntaram “Em quem você votaria, se políticos estrangeiros pudessem concorrer com políticos locais, em eleições na Ucrânia?”.
Como se não bastasse, se, na Rússia, o índice de aprovação do governo Putin subiu para 80-85% depois que a Crimeia voltou a ser russa, na Ucrânia Putin venceu no primeiro turno, com 75-80% dos votos, essas eleições hipotéticas, todos os anos, durante cinco anos.
Recentemente conversei com um sociólogo meu amigo, que ainda faz esse tipo de pesquisa sem publicar os resultados, e ele diz que em 2014 Putin venceu outra vez, logo no primeiro turno, aquelas hipotéticas eleições na Ucrânia, e mantém praticamente sem alteração o índice de aprovação de antes. O que nós ouvimos cá, “do lado de cá”, é que metade dos cidadãos ucranianos acreditam sinceramente que o país está em guerra contra a Rússia e que “Putin, o amaldiçoado” inventou aquela guerra.
Além do mais, a Ucrânia não está simplesmente em guerra. Aquela guerra é vista pela parte da população que tem orientação pró-Europa como uma luta da democracia contra o totalitarismo: de tudo que é bom, contra tudo que é mau. E Putin encarna pessoalmente o “totalitarismo russo” e tudo que não presta. Pois mesmo assim... os ucranianos “democratas” só querem saber de Putin, para ser presidente deles!
A fraternidade das redes sociais russas frequentemente zomba dos compatriotas euro-obcecados, argumentando, com razão, que eles lá atribuem a Putin traços verdadeiramente divinos. É Deus. Sem a intervenção de Putin-Deus, nada teria acontecido, nem na, nem em torno da, Ucrânia. E ninguém parece dar-se conta de que a consciência das massas russas passa por processo muito semelhante. Mas ali a divisão no pensamento das massas é outra.
Putin é visto como homem capaz de fazer absolutamente qualquer coisa. Por exemplo: pode pôr os EUA no lugar subalterno que eles bem merecem, com um erguer de sobrancelhas; pode pôr fim à crise ucraniana, pode expulsar da Síria o “Estado Islâmico” e criar um paraíso na Terra, antes do café da manhã. É só Putin querer! Mas, ninguém sabe por quê, Putin não parece querer fazer nada disso! Assim sendo, centenas de blogueiros começaram a lhe dar conselhos amigáveis do tipo “Mexa-se, Vladimir Vladimirovich! Estrangule o inimigo!”.

Surpresa...?

E há também outra dessas lendas paralelas, segundo a qual haveria uma “quinta coluna” de liberais dentro do governo, os oligarcas que Putin libertou e aos quais deu carta branca – os Rockefellers, os Morgans, os ubíquos Rothschilds, os Maçons e a conspiração sionista mundial e mais sortimento variado de forças do mal. E essas forças do mal, às quais, numa vida anterior, Putin jurou fidelidade, não permitem que o povo russo e seus verdadeiros defensores derrotem para sempre o Reich norte-americano em seu próprio terreno... E por isso aquelas forças estão fazendo de tudo para derrotar o invencível Donbass.
Segundo essa versão, Putin está(ria) em guerra com ele mesmo, e a única razão pela qual os EUA ainda não devoraram a Rússia é porque Putin, como Viiy, [1] personagem de Gogol, ainda não ergueu as pálpebras, mas já está quase começando a erguê-las.
O único sujeito mais durão que Putin é Surkov. Surkov é coisa séria. Em todas as versões, ele articula para trair o Donbass e, na sequência, destrói Putin, depois a Rússia. Para conseguir isso, forçou Putin a assinar os acordos Minsk-1 e Minsk-2. Também espremeu para fora do Donbass um aspirante a “marechal de campo” que há um ano só faz contar como tudo está vindo abaixo dada a ausência dele mesmo. Surkov indicou gente sua para todas as funções no Donbass; e essa gente já roubou tudo, receberam propinas inimagináveis e agora estão querendo que o Donbass renda-se. Nada conseguiram em um ano, mas todos os discursos públicos do “marechal de campo” terminam com a declaração de que mais cedo ou mais tarde o astuto Surkov achará seu próprio caminho.
Ocasionalmente, alguém se vê obrigado a reconhecer que a “cambada local” que está no poder no Donbass recusa-se a entregar o Donbass. Mas nem isso abala a onipotência de Surkov.
Essa versão, na verdade, dispensa a presença de Putin. Putin é redundante nesse esquema. É um custo explicar o que faz Putin, se só Surkov e suas intrigas fazem acontecer tudo que acontece. Mas quem perderia tempo com esses detalhes? A frase “Surkov enganou Putin” é o resumo da ópera. Ninguém sequer se dá o trabalho de considerar que há o FSB (Serviço Federal de Segurança da Rússia) (FSB) e o que faz; ou o Serviço de Inteligência Exterior, ou, mesmo, o Diretorato Central de Inteligência do Comando Geral (GRU), com o qual o Serviço Secreto da Ucrânia sonha todas as noites. O que fazem todos esses serviços?
Como seria possível que um assessor enganasse tão flagrantemente o presidente, o qual, em todas as ocasiões públicas sempre manifesta nível notavelmente alto de conhecimento e compreensão do que se passa no país, no mundo e nos arredores do sistema solar? Estará Putin proibido de receber informações de Ivanov, Medvedev, Fratkov e Bortnikov? Ou, quem sabe, Surkov enganou também todos esses?

Vladislav Surkov e Vladimir Putin

Posso construir aqui centenas dessas narrativas deliradas. Alguém poderia me explicar, por favor, por que gente capaz de desenhar naves espaciais, construir pontes, resolver equações complexas, curar doenças, ensinar ao mesmo tempo 30 crianças numa mesma sala, quando a maioria mal dá conta de uma ou duas crianças por vez, passaria, de repente, em plena luz do dia, a não conseguir usar o próprio pensamento racional e se poria a aceitar e repetir a mais alucinada versão de conspiração inventada... para “explicar” a situação política?
Por que os ucranianos não admitem logo que, se insistentemente “elegem” e “reelegem” Putin para a presidência da Ucrânia (mesmo que, ao fazê-lo, estejam interessados só nos talentos gerenciais do “candidato”), não pode haver dúvida alguma de que, sim, o que os ucranianos mais desejam é um sistema russo de governo? Como é possível não ver que isso significa que os ucranianos sentem e sabem que a vida é melhor na Rússia; e que, portanto, ninguém lá está lutando contra a Rússia, mas só, exclusivamente, contra os próprios preconceitos e complexos?
Os russos devem refletir realmente sobre o seguinte fato: a Crimeia, que recebeu cidadania russa em 2014 só difere do infeliz Donbass encharcado em sangue, porque a Marinha Russa está ancorada na Crimeia. Fosse o contrário, o Donbass estaria incorporado à Rússia e o povo da Crimeia estaria lutando no Perekop ou, talvez, teria sido reprimido como foram Odessa e Carcóvia.
Por que ambos, tanto os caçadores de agendas ocultas como os que só se interessam por explicações simples e erradas e que não conseguem compreender por que Putin simplesmente não manda seus soldados e canhões para resolver o caso do Donbass, não tratam de recordar que, em 2000, Putin foi eleito presidente de um país imenso em tamanho, mas mínimo em termos de influência política?
O país que Putin recebeu para governar em 2000 era comparável à Ucrânia no governo Kuchma. Naquele momento, os dois países patrocinaram o processo de paz na Transdnístria, e a Ucrânia, naquele momento, participava ativamente da resolução de conflitos na Abcássia, na Ossétia Sul e em Nagorno-Karabakh.
Depois de apenas 15 anos, a Ucrânia cai aos pedaços diante dos nossos olhos, consumida no fogo de uma guerra civil. E Putin, hoje, é presidente de uma superpotência. Sejamos bem claros nesse ponto: ninguém no mundo, hoje, discorda de que a Rússia é, sim, uma superpotência. Há cinco anos, a expressão “superpotência” era menos discutida que ridicularizada, e havia até diplomatas russos que rejeitavam a expressão.
Não será o caso, quem sabe, de Putin ser político mais hábil, mais inteligente, melhor democrata e mais bem informado que os “blogueiros” “livres” e “independentes” da “oposição” e que os grandes “marechais de campo”, que escrevem e pensam como se tudo soubessem, não só os próprios “blogueiros” “livres” mas também seus seguidores e leitores igualmente “livres”, cada um dos quais se apresenta, se não como um perfeito Aristóteles, sempre, no mínimo, como um neo-Alexandre o Grande?


É muito possível que uma equipe tenha trabalhado incansavelmente ao longo de 15 anos, com revezamentos, mas sempre preservando a dinâmica geral do grupo, e que Surkov não passe de mais um assessor, com espaço de manobra tão limitado como os demais. Nenhuma capacidade além das que se leem na descrição do cargo & funções. Se hoje se dedica a assuntos da Ucrânia absolutamente não significa que ninguém mais o faça.
Absolutamente não estou supondo que na tal equipe todos gostem muito uns dos outros. Estou, aliás, convencido, que alguns membros da equipe não são os melhores amigos, para dizê-lo com suavidade. Mas não esperamos que nos sirvam “harmonias familiares”: precisamos que nos sirvam sucessos políticos. Uma pessoa que esteja pensando que esse arranjo não é eficiente, que atire a primeira pedra em mim.
Lembro aos duvidadores que nos anos 1989-1991 toda a audiência do programa “Look” e leitores do jornal “Twinkle” compreendiam os erros do passado e como construir o luminoso futuro. Mas dessa “sabedoria” [no Brasil, foi a “sabedoria” da tucanaria uspeana udenista do ex-FHC e atual NADA [2]], surgiram os “dissolutos anos 1990s”, ao qual muitos não sobreviveram e os que sobreviveram não conseguem compreender como conseguiram fazer o que fizeram e como o país sobreviveu.
Eis por que não podemos confiar cegamente no primeiro que aparece e diz que sabe tudo antes dos demais. Yeltsin era desses, considerado infalível por muitos. É suficiente propor perguntas diretas e dar respostas plausíveis.
O mais importante de tudo: que ninguém pense que, se o primeiro acordo de Minsk (Minsk-1) foi considerado natimorto por metade dos comentaristas e que 99% deles descreveram o acordo Minsk-2 nos mesmos termos, daí se pode(ria) concluir que Putin não compreende coisas que “qualquer um” compreende perfeitamente.
Se Surkov realmente tem alguma responsabilidade pela Ucrânia, e a Ucrânia, por mais de um ano, caminha inequivocamente na direção de uma guerra, nesse caso o resultado não aconteceria contra a vontade dele. Se Surkov tivesse trabalhado pela paz a qualquer preço (mesmo ao preço de cair em desgraça), ou já teria havido alguma paz vergonhosa ou Surkov já teria sido demitido.
A vida não é roteiro de filme de suspense Hollywoodiano, com trama complexa, na qual o mal é onipresente e insidioso. A variedade de desejos pessoais, interesses, aspirações dos que têm influência pode tornar muito previsíveis as decisões políticas. A vitória depende de compreensão mais profunda da ampla gama de possibilidade de encontrar um curso de ações que o opositor não espere.




Isso é o que o governo russo faz brilhantemente. Nada tem de agradável, é claro, que o governo russo não partilhe seus planos com o grande público. Mas lembramos bem o que o velho Mueller, representado por Bronevoy, diz em “17 Moments of Spring”: “Se duas pessoas sabem, até o porco sabe”.
A conclusão é que é melhor que os russos nos preocupemos um pouco, que alertar aqueles nossos “amigos e parceiros” do ocidente; melhor nos preocuparmos um pouco, que ceder nossos trunfos às práticas miseráveis daquela gente.

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Notas dos tradutores
[1] O conto “Viiy” pode ser lido e português em O Capote e outras histórias, São Paulo: Editora 34 (trad. do russo de Paulo Bezerra). Lá se lê: “Viiy é uma criação colossal da imaginação popular. É o nome que os ucranianos dão ao rei dos gnomos, cujas pálpebras chegam ao chão. Toda essa história é lenda popular. Por não querer submetê-la a qualquer modificação, narro-a quase com a mesma simplicidade com que a ouvi contar”.


[2] “A inflação acumulada do ano de 1990 foi de 1.476,56%. [EM 1993] O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, anuncia o programa de estabilização econômica. O chamado Plano FHC cria a URV (Unidade Real de Valor), indexador que será base para a nova moeda, o Real. Nesse ano, 1993, FHC ministro da Fazenda, a inflação acumulada foi de 2.780,6%” [com informações de Almanaque].
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[*] Rostislav Shchenko é Presidente do Centro de Análise Sistemática e Previsões Políticas da Ucrânia.

sábado, 27 de junho de 2015

ONGs “éticas” & “moralizantes”: Desconfie MUITO dessa gente!


15/6/2015, [*] Andrew Korybko, The Vineyard of the Saker
Excertos traduzidos pelo pessoal da Vila Vudu



Ler também:

31/5/2015, redecastorphoto, F. William Engdahl, New Eastern Outlook em: “Rússia: soberania, sedição e as velhas e detestáveis ONGs”

22/11/2014, redecastorphoto (via Juntos Somos Fortes), Aeneas Georg – Global Research em: Táticas de “mudança de regime” aplicadas pelos EUA


The Saker

ONGs ligadas a serviços secretos estrangeiros de inteligência tornaram-se grave ameaça à segurança e à soberania de estados multipolares, e podem ser responsabilizadas diretamente pela montagem e operação das estruturas que levam às “revoluções coloridas” e lhes garantem manutenção e logística nas operações para “mudança de regime”.
Depois da primeira onda (logo depois da autodissolução da União Soviética) e da segunda onda (“Primavera Árabe”) das chamadas “Revoluções Coloridas”, os estados-alvos finalmente acordaram para o jogo do Ocidente e, agora, já trabalham ativamente para defender-se de modo criativo e inovador contra essa grave agressão premeditada contra sua estabilidade interna.
A Rússia sempre esteve na vanguarda desse movimento e ordenou que essas chamadas “Organizações Não Governamentais” mantidas na Rússia com fundos recebidos de fora do país se registrassem ante as autoridades russas como “agentes de interesses estrangeiros”. A mesma lei recentemente aprovada na Rússia também dá aos procuradores de Justiça o direito de ordenar o fechamento de ONGs indesejáveis, o que é mais um passo na direção certa para fortalecer a soberania do estado democrático de direito.
Com o objetivo de completar o processo de defender o estado contra a mais recente arma assimétrica que os EUA têm usado para promover “mudança de regime”, e para varrer as forças hostis ainda ativas contra o voto dos cidadãos, é hora de a Rússia e seus aliados multipolares iniciarem campanha para estimular militantes e ex-militantes daquelas ONGs de desdemocratização a procurar autoridades e denunciar as reais atividades ilegais daquelas organizações.
Começamos aqui por discutir a natureza estratégica de ONGs norte-americanas e outras, ativas fora de seus países de origem e sempre na oposição a governos eleitos; na sequência, mostramos como elas se disseminaram muito rapidamente pelo mundo. Depois documentamos a distribuição padronizada dessas organizações; e expomos essas novas táticas de guerra híbrida que os EUA usaram e continuam a usar na Síria e na Ucrânia. Bem demonstrado o perigo que essas ONGs (a maioria das quais são norte-americanas) impõem à estabilidade global, propomos, para combater essas organizações, uma abordagem “de dentro para fora”. E na conclusão explicamos como tudo isso funcionará na prática.
Perigo infiltrado
As ONGs operam na linha de frente dos golpes para mudança de regime, e praticamente sempre se “internam” e “integram-se” no próprio tecido social dos estados-alvos, muito antes que recebam as primeiras instruções diretas para dar início à tentativa de golpe de Estado. Muito frequentemente, as ONGs não operam explicitamente para forçar atividade antigoverno.
O mais comum é que escolham nomes que se associam, como marca [orig. brand], mais ao serviço social [sempre ostensivamente apresentado como “sem política” (NTs)], que à agitação diretamente política golpista. É o que se observa também nas atividades que promovem, que visam sempre a manifestar posições “neutras” – como oferecer comida a desempregados [desde que não haja “contaminação” entre o que a ONG faz e o que os sindicatos fazem (NTs)]; ou dar pseudo-abrigo a sem-tetos [desde que os sem-tetos ajudados não estejam organizados para promover ocupações (NTs)]; ou divulgar dados pseudo-estatísticos sobre “kurrupção” (nunca a corrupção dos mantenedores daquelas ONGs, sempre só dos seus inimigos políticos).
Servindo-se desses mecanismos para desmobilizar qualquer sociedade democrática, as ONGs conseguem expandir sua rede de apoio, repetindo incansavelmente que não têm qualquer interesse ou militância política em suas atividades. Em si e por si mesmo, não há necessariamente qualquer ilegalidade nesse processo – mas sem dúvida é gravemente suspeito e nada tem de boa moralidade pública que uma organização política esconda da sociedade os seus objetivos políticos e apresente-se não apenas como “apolítica”, mas como ativamente “antipolítica”, contra todos os partidos políticos e contra todos os políticos (exceto uns poucos) e contra governos eleitos que não seja dos próprios amigos.

ONGs dos EUA que corroem a Democracia (clique na imagem para aumentar)

Mas todos esses problemas tornam-se exponencialmente mais graves, quando essa organização “mascarada” oculta atividade a favor de interesses políticos de outros países e contra cidadãos locais nos locais onde elas atuam. Em outras palavras: tudo se torna muitíssimo mais grave quando a tal Organização Não Governamental é apenas a fachada atrás da qual se esconde organização violentamente “Pró-Governo” e “Pró-Empresas”, só que governos e empresas que vivem, produzem, lucram e prosperam bem longe do local da intervenção ongueira/onguística.
ONGs mantidas com fundos que lhes vêm de fora do país onde elas operam, e que se ocultam por trás de máscaras de assistência social têm, é claro, outras motivações, e já há muito tempo muitas autoridades governamentais em todo o mundo preocupam-se com o caráter secretivo desses grupos, as intenções não expostas e as conexões com diferentes agências de inteligência.
Não há quem não saiba que uma ONG social, com boa reputação e griffe prestigiadas em todo o mundo pode ter impacto poderoso sobre a opinião pública (sobretudo no caso de ONGs que são muito ativamente promovidas e propagandeadas pelos veículos da imprensa-empresa comercial liberal, dos quais muitas ONGs e/ou seus patrocinadores são ricos anunciantes [NTs]). E se a tal organização repentinamente decide assumir “um lado” em disputas políticas locais, o mais provável é que consiga carregar consigo seus “recrutas” e toda sua rede de sustentação social, o que pode criar movimento de consideráveis dimensões, saído, supostamente naturalmente, do “seio da sociedade”.
Na realidade, esse sempre foi o objetivo de todas as ONGs – politizar uma rede dispersa de grupos de pessoas operantes em outras ONGs aparentemente sem contato entre elas, e converter a tal nova rede em força política unificada para “mudança de regime”, em todos os casos em que algum governo local não esteja governando localmente na direção dos desejos do dinheiro que, de fora, mantém planetariamente as ONGs.
Mas se a opinião pública democrática e governos locais democraticamente eleitos não dão atenção em tempo oportuno a esse processo, o buraco negro resultante do caos social pode ser suficientemente potente para capturar mais e mais apoiadores, ao mesmo tempo em que faz colapsar o centro de gravidade do poder do Estado.
Crescimento metastático das “revoluções coloridas”
Esse processo foi desencadeado planejadamente com sucesso devastador na Sérvia, Geórgia, Ucrânia e Quirguistão na primeira onda de choque; e todo o Oriente Médio viu-se envolvido depois que as Revoluções Coloridas da “Primavera Árabe” começaram por lá, no segundo tsunami de agitações de rua.
Resultado de haver testemunhado a carnificina destrutiva da mais recente maré de agitações, a Rússia e seus corpos de tomada de decisão política afinal acordaram para essa superarma de desestabilização social que os EUA construíram bem diante do nariz deles.
Desde o final da Guerra Fria, os EUA trabalham no processo de converter movimentos sociais em armas de intervenção na sociedade, criando uma espécie de 5ª Coluna [hoje já fala em “criar e manter células dormentes em território inimigo”, como grupos de terroristas internacionais fazem hoje, e aprenderam a fazer, ao que parece, com os EUA (NTs)] a ser rapidamente mobilizada contra estados-alvos.
Apanhados na ingenuidade da “nova ordem mundial” dos “liberal-democratas” dos anos 1990s, muitos estados e seus cidadãos não deram qualquer atenção à possibilidade de as ONGs serem manipuladas por agências da inteligência unipolar. Assim, ficaram sem defesas contra a lavagem cerebral que viria e veio, persuadidos de que a griffe “não governamental” carregaria alguma espécie de conotação santificada de “liberdade” que governo algum se atreveria a contestar.
Algumas das ONGs internacionais na Rússia

Os EUA exploraram amplamente essa convicção simplória [que a imprensa-empresa comercial liberal e a respectiva universidade liberal comercial trataram de converter em “conhecimento certo e indiscutível” (NTs)], para fazer proliferar enormemente a rede de suas ONGs pressupostas benignas para quase todos os cantos do planeta que a Guerra Fria abriu; e, sempre, preparando cenários nos quais fosse possível testar o recurso de militarizar as tais ONGs.
Soltar A Besta
A oportunidade perfeita surgiu quando a rede CNN, instrumento “midiático” da propaganda dos EUA, declarou em 1999, retoricamente (e ridiculamente) que Slobodan Milosevic [1] era “o novo Adolf Hitler”.
Essa óbvia “senha” para o início da operação para mudança de regime condicionou o psiquismo ocidental e o induziu a aceitar a eventual derrubada do presidente, que aconteceu, em operação ilegal, na “Revolução Escavadeira” [orig. Bulldozer Revolution’], uma espécie revolução mãe de todas as “revoluções coloridas”.
Depois de recolher todos os tipos de dados de inteligência aos quais tiveram acesso graças a essa operação de intervenção violenta, os EUA decidiram expandir o objetivo de sua ação e introduzir-se diretamente nos territórios da Geórgia, Ucrânia e Quirguistão pós-soviéticas, com o objetivo de levar adiante sua ação de mudança de regimes, fazendo-a avançar, por inércia, até a Rússia.
A ação integral, como foi inicialmente planejada, jamais pôde ser levada a efeito (agora já é conhecida e é preciso desmontá-la), mas os EUA conseguiram derrubar os governos daqueles três países; e, enquanto isso ia acontecendo, os EUA acumularam grande experiência dessa sua nova superarma, ao vivo.
Os especialistas norte-americanos aperfeiçoaram a própria tecnologia para mudar regimes “não amigáveis”, e a aplicaram no contexto de uma grande “revolução colorida”, sobre território amplíssimo, em movimento que foi promovido pela “comunicação” do império, para todo o mundo, como a “Primavera Árabe”.
Guerra híbrida à maneira ocidental
A inovação chave aqui foi uma estratégia híbrida, de usar uma Revolução Colorida como base para lançar Guerra Não Convencional, como se viu na Líbia e prossegue até hoje na Síria. O mesmo foi tentado na Ucrânia, pouco antes do golpe de fevereiro de 2014, quando as forças ocidentais no país chegaram a confrontar Kiev, em rebelião armada de grande escala.
Os EUA já haviam doutrinado as massas globais a aceitarem o golpe, o que fizeram com o anúncio, distribuído pela Newsweek de que a Ucrânia estaria à beira de uma guerra civil. Mas, numa dupla inovação no modus operandi do golpe para “mudança de regime”, atiradores “pró-golpe’” com armas de precisão foram deslocados para a capital do país, ao mesmo tempo em que o país era incendiado em direção a revolta total. Essa super onda dupla de pressão quebrou a decisão pessoal de Yanukovich, que chegara a começar a resistir contra a operação de mudança de regime. Mas capitulou inesperadamente ante os “revolucionários coloridos”, movimento que, em tese, deveria ter “resolvido” tudo e posto fim à agitação no país. Não aconteceu assim.
Uma oposição local ao governo de Yanukovich fez acontecer um “golpe” menos de 24 horas depois da derrubada do presidente eleito.
O sucesso dessa mudança “surpresa” de regime cancelou os planos dos EUA para Guerra Não Convencional no oeste da Ucrânia, que começavam a ser traçados. O que não se deve deixar de observar, contudo, é que não fossem os atiradores de armas de precisão que foram dispostos ao redor da praça e atiraram contra a multidão na rua [e também contra policiais leais ao governo regular já então deposto], os EUA estavam prontos para converter a Ucrânia numa outra Síria. Para tanto, mais uma vez, contavam com o seu modelo de guerra híbrida para mudança de regime, cuja primeira linha de ataque haviam sido as ONGs que trabalhavam na oposição ao governo de Yanukovich, mantidas com dinheiro que lhes vinha de fora do país.
A nova abordagem “de dentro para fora”
Confrontada com o indubitável perigo que são as ONGs mantidas com dinheiro externo, para a segurança do Estado e para a estabilidade regional, a Rússia iniciou os passos legais que lhe permitem, hoje, combater em melhores condições contra essa superarma, e neutralizar-lhe a potência.
Apesar do muito que demoraram a ser tomadas, a importância dessas medidas está no fato de que o establishment russo, afinal, dá sinais de ter visto o problema que há anos cresce na clandestinidade, e tomou providências firmes para impedir que avance aquele tipo de ação. Agora, o governo russo está planejando os passos necessários para extinguir e desmontar definitivamente essas verdadeiras “máquinas” para promover golpes de “mudança de regime” – o que está sendo organizado para ser feito “de dentro para fora”: o governo pode organizar uma campanha dirigida aos próprios ongo-ativistas, que em muitos casos sabem mais sobre o funcionamento tortuoso dessas organizações do que supõe a “cúpula”. Alguma coisa como um “disque-ONG”, que assegure proteção ao anonimato do ongueiro desiludido arrependido.

A NED (mantida pelo governo dos EUA)
comanda 4 principais ONGs-satélites

As ONGs orientadas para golpes de “mudança de regime” são especialistas em construir e insuflar insurgências assimétricas contra governos-alvos, mas sua principal vulnerabilidade é que as ONGs não têm meios para se autoprotegerem contra exatamente a mesma estratégia que elas usam.
A ação Estado-contra-ONGs, usando a dinâmica dessa campanha de fora-para-dentro para atrair ongueiros desiludidos pode disparar também um movimento interno, criando um conflito dentro-dentro que minará muito seriamente a coesão interna e, portanto, a serventia da organização como arma para disparar golpes. É como se o estado russo estivesse empurrando uma “revolução colorida” para dentro das organizações de “revolucionários coloridos”, forçando as organizações a ter mais de se autodefender, do que agredir e atacar a sociedade em geral.
A ideia básica é que essas organizações perdem a força de coesão interna que as mantém prestáveis – e nunca mais conseguem se recuperar – se expusermos como mentirosas as fachadas de organizações “éticas”, “boas”, “do bem”, “sérias” (sempre “sem política”) atrás da qual se ocultam as piores intenções golpistas antidemocráticas, quando não são ativamente fascistizantes, desses grupos.
Revolução Colorida Reversa
A Revolução Colorida Reversa pode ser definida como campanha “de dentro para fora”, pela qual elementos internos, mas manobrados pelo lado de fora, operam contra a estrutura interna prefixada, até fazê-la colapsar. Com isso em mente, incentivar ongueiros a falar sobre o que só eles sabem sobre ações ilegais ou antidemocráticas dessas organizações das quais participam ou tenham participado, joga os próprios golpistas uns contra os outros, e todos contra a administração central da ONG: esse, precisamente, é o modus operandi de uma “revolução colorida”.
A “revolução colorida” que temos visto pelo mundo joga cidadão contra cidadão, e cidadão contra governos eleitos. ONGs para mudança de regime mantidas com dinheiro que lhes chega do exterior já estão sob forte pressão na Rússia, graças às novas leis recentemente aprovadas. Inserir um vírus, um “cavalo-de-Troia”, dentro dos muros das últimas organizações não governamentais que ainda resistem pode, sim, acabar com elas de uma vez por todas.
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Como fazer funcionar
Se a Rússia ou qualquer de seus parceiros de orientação multipolar decidirem impedir o funcionamento de organizações mantidas por dinheiro que recebam do exterior e que trabalham contra governos locais eleitos, aqui vão algumas ideias de como a campanha pode ser concebida.
Campanha de Informação para a Opinião Pública
O estado e o governo democráticos, pelos veículos de difusão de informação social, divulgarão a nova política antigolpismo, focando na atividade golpista das ONGs que existem para promover “mudança de regime”.


ATENÇÃO: 

No Brasil será impossível essa campanha – ou, no mínimo, muito difícil de montar e executar – porque no Brasil NÃO HÁ veículos de informação social de democratização.

Os veículos de informação de massa (redes de jornais, televisão e internet) operam no Brasil EXATAMENTE como operam as ONGs pró golpe.
No Brasil a amplíssima maioria dos jornalistas empregados são fascistas sinceros: eles acreditam firmemente que o fascismo individual capitalista bom-mocista & udenista deles seria alguma espécie de variante da democracia, algo como uma “democracia de fascistização”...

É impossível e incompreensível e não faz sentido algum, mas, no Brasil, as redações estão cheias desse tipo de zumbi que sai semizumbificado dos colégios de ricos, e totalmente zumbificado dos cursos de “jornalismo [NTs].

Gestão da Ação Policial Legal
A luta de um estado democrático contra ONGs golpistas mantidas com dinheiro que recebam do exterior não é caça às bruxas, mas ação policial tão legal e legítima quanto campanhas públicas que se organizem contra o preconceito racista ou qualquer outro preconceito de discriminação elitizante. Portanto, a campanha de divulgação deve enfatizar os princípios legais e democráticos em que a campanha se fundamenta, indicando o quanto se relacionam à defesa da sociedade democrática e dos direitos democráticos dos cidadãos.
ONG internacional = espionagem

Por isso, toda a operação tem de ser construída e gerenciada com a direta colaboração dos corpos de manutenção da ordem social e de segurança do Estado, para que seja efetiva e não se desencaminhe em retórica de suposta ‘oposição’, sobre supostas motivações partidárias ou eleitorais.
Incentivos para ongueiros desiludidos, que se interessem por cooperar com governos democráticos
Sem recompensas que encorajem ongueiros desiludidos a informar o que saibam sobre crimes cometidos pelas ONGs das quais participaram, o mais provável é que a campanha consiga sucesso apenas retórico. Dada a natureza das denúncias que se pode esperar que surjam, é preciso instituir, além de recompensas financeiras, outros tipos de estímulos, como imunidades, perdão no caso de cumplicidade em ações criminosas cometidas pela ONG e afinal denunciadas – desde que, evidentemente, as denúncias se comprovem legítimas e gerem condenação de membros dirigentes responsáveis pela ONG denunciada.
Dada a natureza criminosa da ação de algumas ONGs que se espera conseguir provar, deve-se inclusive prever um programa de proteção a testemunhas, que assegure a segurança pessoal dos ex-ongueiros denunciantes.
À guisa de conclusão
Várias ONGs internacionais gigantes conhecidas em todo o planeta pela ação golpista, estão afinal da defensiva, pela primeira vez na história delas, e a Rússia está tendo atuação exemplar no trabalho de neutralizá-las e erradicá-las.
Mas essas organizações são cheias de ardis e deve-se pressupor que tenham recursos adaptativos que tentarão perpetuá-las.
Por mais que o Estado faça para impedir que operem à vista de todos, elas não estarão completamente destruídas enquanto não se desconstruir na sociedade a ideia hoje prevalente de que organizações privadas de fachada “social” seriam necessariamente instrumentos de serviço social de democratização. Isso é falso, como o provam todas as organizações não governamentais privadas que, em todo o planeta, existem para promover a des-democratização de sociedades que já estejam avançadas no processo democrático.
A campanha pública para estimular ongueiros arrependidos a denunciar às autoridades crimes que eles saibam que foram cometidos pelas ONGs das quais participaram deve ser ampla e destacada, para promover, precisamente, a ideia de que ONG que trabalhe contra governo democrático é organização criminosa, não é organização “ética” nem “legítima”, nem por ela se manifesta(ria) qualquer “liberdade de manifestação”.

ONGs internacionais atuando no Brasil (algumas)

Em estado democrático, pretender que uma organização privada que visa a atacar a democracia e a derrubar governo eleito mereceria tanta liberdade de manifestação e/ou de expressão dos próprios desejos e objetivos e planos quanto um pedófilo ou um assassino serial compulsivo: nenhuma.
Com a campanha para estimular que a própria sociedade denuncie crimes cometidos por ONGs, completa-se o plano em três etapas: legislação (criar as necessárias leis) e identificação (já há lei que define as ONGs mantidas por dinheiro que lhes venha do exterior como agentes estrangeiros); definição do alvo (apenas as ONGs que sejam denunciadas por ex-membros arrependidos); e desmantelamento (das ONGs denunciadas pela sociedade, em resposta a campanha de esclarecimento sobre a operação de ONGs indesejáveis).
Se a Rússia conseguir livrar-se completamente da ação desse tipo de organização que existe para promover “mudança de regime”, terá fixado um precedente libertador, que poderá ser seguido por outros estados da constelação de estados multipolares, hoje atacados por essa ameaça infiltrada, o que talvez, por efeito dominó, venha a eliminar, de uma vez por todas, para todos esses estados multipolares, o perigo das ONGs golpistas armadas.
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Nota dos tradutores
[1] Slobodan Milosevic foi presidente da Sérvia de 1989 a 1997 e da República Federal da Jugoslávia de 1997 a 2000. E principal líder do Partido Socialista da Sérvia desde a sua fundação, em 1990.
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[*] Andrew Korybko é Analista Político e escreve extensivamente sobre as relações internacionais da Rússia. É especialista em política do Oriente Médio, Ásia Central e Europa Oriental. Freqüente comentarista de TV e rádio. Originário de Cleveland, Ohio, está concluindo estudos de pós-graduação em Relações Internacionais na Universidade Federal de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO).