Os atropelamentos
propositais, que antes aconteciam vez ou outra, estão se tornando cada vez mais
comuns
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| Baby Siqueira Abrão |
13/01/2012 - Baby
Siqueira Abrão -
Correspondente
no Oriente Médio
No dia 12 de
janeiro, como faz todos os dias, Hiba Abdul Ghaffar, 13 anos, moradora da cidade
de Hebron, saiu de casa, em sua cadeira de rodas, para ir à escola. Perto da
mesquita Ibrahimi, um carro aproximou-se e avançou, batendo na cadeira e
derrubando-a. Hiba foi levada ao hospital. O motorista
fugiu.
No mesmo dia, na
vila de EinaBous, perto de Nablus, Angham Omram, 17 anos, também estava a
caminho da escola. De repente, foi surpreendida por um carro, que avançou em sua
direção e a atropelou. A motorista acelerou e desapareceu. Angham está
hospitalizada.
Não, não se trata de
mero acaso. As duas garotas foram vítimas de colonos israelenses, que há algum
tempo vêm usando seus carros como arma para ferir a população palestina. Os
atropelamentos propositais, que antes aconteciam vez ou outra, estão se tornando
cada vez mais comuns.
Na terça-feira, 10
de janeiro, Sara Al Ja’bari, de apenas 3 anos, foi atropelada perto da colônia
israelense de Kiryat Arba, em Hebron. Dias antes, em 6 de janeiro, um jipe do
exército israelense avançou sobre Mahmoud Al-Aw’ar, em Silwan, Jerusalém
oriental. Sara e Mahmoud foram levados a hospitais, ela com ferimentos
moderados, ele com fraturas em várias partes do corpo.
“Os soldados não
permitiram que os médicos locais prestassem os primeiros-socorros a Mahmoud”,
denunciou Jawad Siyam, diretor do Wadi Hilweh Information Center, de Silwan. Ele
foi levado ao hospital Al Makasid depois de algum tempo, sofrendo dores fortes
em consequência da falta de cuidados.
Segundo Ghassan
Khatib, diretor do Ministério da Informação da Autoridade Nacional Palestina
(ANP), o governo israelense pouco tem feito para evitar que os colonos continuem
a cometer esses crimes. “Esses incidentes são parte da violência crescente dos
colonos contra o povo palestino, tolerada pelas autoridades de Israel”, diz
Khatib.
Os atropelamentos
ocorrem nas áreas A e B da Cisjordânia – conforme os acordos de Oslo, a área A é
de responsabilidade do governo palestino, ao passo que na B essa
responsabilidade é compartilhada com os israelenses – o que significa que a
polícia e o governo palestinos poderiam ao menos tentar proteger seus cidadãos.
Não estariam, porém, livres de represálias caso fizessem isso, pois, na prática,
os acordos de Oslo não são respeitados por Israel, que detém o controle efetivo
da Palestina.
Por isso, a
Autoridade Nacional Palestina limita-se a anunciar que questionará oficialmente
as autoridades israelenses para saber que esforços estão sendo feitos para
investigar esses e outros ataques contra palestinos. “As autoridades de Israel
precisam mostrar que nenhuma violência envolvendo colonos será tolerada”,
acrescenta Khatib, numa clara referência às rápidas medidas tomadas pelo governo
sionista contra os colonos que atacaram bases militares israelenses. Eles logo
foram identificados e responsabilizados.
Enviado por Baby Siqueira
Abrão
Direto de Ramallah
p/Brasil de
Fato




