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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Porque os credores públicos não podem – e não devem – ser pagos


A guerra de Wall Street contra municípios, distritos e estados dos EUA

Michael Hudson
por Michael Hudson [*]

O ritmo da guerra da Wall Street contra os 99% está se acelerando na preparação para a matança. Tendo demonizado os trabalhadores da função pública por estarem destinados a receber pensões pelo seu tempo de vida no serviço ativo, os credores públicos estão insistindo em que, ao invés disso, devem receber seu dinheiro aplicado. Trata-se da mesma filosofia de austeridade que foi imposta à Grécia e à Espanha – e a mesma que está incitando o presidente Obama e Mitt Romney a cortar na Segurança Social e no Medicare.  

Ao contrário do governo federal dos EUA, a maior parte dos estados e cidades têm constituições que os impedem de incidir em déficits orçamentários. Isto significa que quando cortam impostos sobre a propriedade, eles devem ou tomar emprestado dos ricos ou cortar nos empregos e serviços públicos.

Durante muitos anos eles contraíram empréstimos, pagando aos ricos possuidores de títulos, juros isentos de impostos. Mas os encargos dos juros subiram a um ponto que parece arriscado, no momento em que a economia afunda na deflação da dívida.

As cidades estão entrando em inadimplência, desde a Califórnia até o Alabama. Elas não podem inverter a rota e restaurar impostos sobre os donos de propriedades sem provocar mais inadimplência de hipotecas e abandonos.

Algo tem de ceder – de modo que as cidades estão reduzindo despesas públicas, degradando seus sistemas escolares e forças policiais, e liquidando os seus ativos para pagar aos possuidores de títulos. 

Isto já se tornou a causa principal do aumento do desemprego na América, contribuindo para reduzir a procura do consumidor num pesadelo keynesiano.

Menos óbvios são os cortes devastadores que estão se verificando nos cuidados de saúde, treinamento de profissionais e outros serviços, enquanto as mensalidades das universidades públicas e “taxas de participação” em escolas secundárias estão subindo vertiginosamente.

Os sistemas escolares estão em total desintegração, tal como nossas estradas, enquanto professores são despedidos numa escala nunca vista desde a Grande Depressão. 

Mas estrategistas da Wall Street vêem este esmagamento dos orçamentos estaduais e locais como uma dádiva dos céus.

Rahm Emanuel
Como Rahm Emanuel colocou o assunto, uma crise é uma oportunidade demasiado boa para desperdiçar – e a crise fiscal dá aos credores alavancagem financeira para pressionar políticas anti-trabalho e promover privatizações.

O terreno está preparado para uma “cura” neoliberal: cortar pensões e cuidados de saúde, descumprir aposentadorias e liquidar o setor público, deixando os novos proprietários estabelecerem novos valores (de uso e mensais) sobre tudo, desde estradas até escolas. A nova expressão do momento é “extração de renda”. 

Assim, tendo provocado a crise fiscal, o legado de décadas de cortes de impostos sobre a propriedade financiados pelo aprofundamento na dívida, agora está sendo pago pelo arrendamento ou liquidação de ativos públicos.

Chicago arrendou sua [ponte] Skyway por 99 anos a empresas de pedágios, e os seus parquímetros por 75 anos. O prefeito municipal, Emanuel, contratou a J.P.Morgan Asset Management para “aconselhá-lo” sobre como vender a iniciativa privada o direito de cobrar por serviços públicos que anteriormente eram gratuitos ou subsidiados. Isto é o moderno equivalente americano dos Enclosure Movements da Inglaterra do século XVI a XVIII. 

Ao retratar os funcionários locais como o inimigo público nº 1, a crise urbana está ajudando a por a luta de classes mais uma vez em ação.

O setor financeiro argumenta que pagar pensões (ou mesmo salário mínimo) absorve receita fiscal que de outra forma pode ser utilizada para pagar possuidores de títulos.

[O município] de Scranton, Pennsylvania, reduziu os salários do setor público “temporariamente” para o mínimo legal, ao passo que outras cidades tentam romper planos de pensão e adiar contratos salariais – e irá ao cassino da Wall Street a fim de arriscar em jogos perdedores numa tentativa desesperada para cobrir seus passivos de pensões não financiadas.

Estes foram estimados recentemente serem um total de US$3 trilhões (trillion), mais outro US$1 trilhão de benefícios em assistência à saúde não financiados. 

Embora seja Wall Street quem engendrou a bolha econômica cujo estouro disparou a crise fiscal urbana, seus lobistas e suas teorias de Ciência Econômica Lixo não estão sendo responsabilizadas.

Ao invés de culpar os cortadores de impostos que deram aos banqueiros e grandes proprietários imobiliários uma benesse inesperada, é aos professores e outros funcionários públicos que dizem para desistir dos seus salários adiados, que é o que são fundos de pensão. Nada de tais restituições (clawbacks) aguardam os predadores financeiros. 

Ao invés disso, chegou o tempo dos arrestos. Chegou a fim de proporcionar um novo saco de “facilidades”, pois muitas cidades são forçadas a fazer o que a Cidade de Nova York fez em 1974 para impedir a bancarrota: transferir a administração para nomeados pela Wall Street. Tal como na Grécia e na Itália, políticos eleitos são substituídos por “tecnocratas” nomeados para fazer o que Margaret Thatcher e Tony Blair fizeram à Inglaterra: liquidar o que resta do setor público e transformar todo programa social num centro de lucro. 

O plano destina-se a atingir três objetivos principais.

Primeiro, dar aos compradores privados o direito de transformar infraestrutura pública em fontes de lucro. A ideia é forçar cidades equilibrar orçamentos pelo arrendamento ou venda a preço vil de suas estradas e sistemas viários, escolas, prisões, imóveis e outros bens. No processo, isto promete criar um novo mercado para bancos: conceder a investidores abutres para comprar direitos de instalar pedágios e mensalidades na infraestrutura básica da economia. 

Responsáveis públicos eleitos não poderiam empenhar-se em tais políticas predatórias e anti-trabalho. Só a “magia do mercado” pode romper sindicatos de trabalhadores da função pública, reduzir serviços públicos e instalar pedágios em estradas e serviço medido em sistemas de águas e esgotos enquanto corta ferrovias e/ou aumenta tarifas.

Para alcançar este plano financeiro, é necessário estruturar o problema de um modo que exclua alternativas menos anti-sociais. Como dizia Margaret Thatcher, TINA: Não há alternativa (There Is No Alternative) à venda por preço vil do transporte púbico, imóveis e mesmo os complexos escolares de todos os níveis e até o Sistema Prisional.

Desmantelar a educação pública e departamentos de polícia para pagar credores  

A tributação local costumava ser utilizada para a educação. Os Estados Unidos estavam divididos em grades fiscais a fim de financiar escolas, estradas vicinais, ferrovias, sistemas de água e esgoto. Municipalidades com melhores escolas tributavam mais a sua propriedade, mas isto tornava mais desejável viver em tais distritos e portanto elevava ao invés de baixar os preços dos imóve. Isto tornava a melhoria urbana auto-alimentada. Distritos menos tributados eram menos valorizados. 

Howard Jarvis
Isto já não é mais o caminho americano. A educação, em particular, foi demonizada. O antes notável sistema escolar da Califórnia é a baixa mais visível da Proposta 13 do estado; o congelamento do imposto sobre a propriedade aprovado em 1978. A Associação dos Proprietários de Apartamentos de Los Angeles utilizou o seu homem da frente política, Howard Jarvis, como lobista para prometer aos eleitores que pouco mudaria com cortes na educação e bibliotecas. Ele afirmou que “63 por cento dos diplomados são analfabetos, de qualquer forma”, de modo que não precisam de livros. A educação e outras partes das despesas públicas foram congeladas quando os impostos sobre a propriedade foram “reavaliados” em 57% – de 2,5 ou 3% para apenas 1% do valor avaliado – e foram congelados aos níveis de preços de 1978 para proprietários que mantiveram a sua propriedade. O resultado é que o sistema escolar da Califórnia afundou para o 47º lugar na classificação nacional. 

Para os neoliberais, o raio de esperança é que a degradação da educação torne os cidadãos mais vulneráveis à falsa consciência do Tea Party quando votam por interesse econômico. No passado, quando, por exemplo, a Proposta 12 foi aprovada, investidores comerciais prometiam aos proprietários de casa que de modo geral os cortes fiscais fariam a habitação mais acessível e que as rendas cairiam. Mas elas subiram, juntamente os preços dos imóveis. Isto é a Grande Mentira dos cortadores fiscais neoliberais: a promessa de que cortar impostos reduzirá custos ao invés de proporcionar um ganho inesperado para donos de propriedades – e também para bancos pois as ascensões dos valores de arrendamento são “livres” para serem capitalizadas em empréstimos hipotecários maiores. Os novos compradores precisam pagar mais, aumentando o custo de vida e o custo de fazer negócio. 

Remontando a 1978, antes da Proposta 13, os proprietários comerciais pagavam a metade dos impostos imobiliários e os de casas a outra metade. Mas agora a fatia dos proprietários de casas subiu para dois terços, ao passo que os impostos sobre a propriedade comercial caíram para um terço. Responsáveis por empréstimos bancários capitalizaram os cortes fiscais em hipotecas ainda maiores, de modo que os preços da habitação subiram ao invés de cair. O prefeito municipal de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, no ano passado exclamou melancolicamente que “é tempo agora de tratar da iniquidade da Proposta 13 que permite a grandes interesses corporativos obterem uma benesse inesperada destinada a proprietários de casas. Não estamos financiando o governo. Estamos apenas dizimando o governo e os serviços que ele proporciona”. [1] 

Ele propôs um imposto sobre a propriedade em dois níveis, restaurando taxas mais altas para investidores comerciais e caloteiros. 

O ensino é uma ocupação exaustiva. Essa é uma das razões porque os professores têm um dos sindicatos mais fortes da América. Os seus salários não têm subido tão rápido quanto as suas despesas, porque eles fizeram um acordo para ficarem com menor rendimento no curto prazo a fim de obterem pensões quando se aposentarem. Estes contratos agora estão sob ataque – para pagar a possuidores de títulos. Estados e cidades estão agora insistindo em que possuidores de títulos não podem ser pagos sem matar (stiffing) a força do trabalho docente.

Assim, agora estamos vendo a loucura de reduzir a tributação sobre a propriedade e de substituir receitas fiscais pela obtenção de empréstimos – pagando juros isentos de impostos aos mais ricos possuidores de títulos do país. Cortar a propriedade da base fiscal encontra, portanto, a sua alma gêmea na onda de descumprimentos de pagamentos de aposentadoria.

Os impostos prediais afundaram de dois terços das receitas urbanas na década de 1920 para apenas um sexto hoje nos Estados Unidos como um todo. Concessões de ajudas federais também estão sendo reduzidas e a ajuda dos estados às cidades faz o mesmo. Mas ao invés de tornar a habitação mais acessível, estes cortes fiscais “libertaram” valores de rendas dos arrecadadores fiscais só para que acabassem por serem pagos aos bancos. 

Também aqui, a Califórnia abriu o caminho. Em 1996 seus eleitores aprovaram a Proposta 218, exigindo que qualquer novo imposto, comissão ou avaliação de propriedade fosse aprovado por dois terços dos eleitores. (Foram feitas umas poucas isenções para manter viável os sistemas de água e esgotos). Este estratagema “priva de alimento o animal”, com o “animal” sendo a infraestrutura pública e os serviços sociais. As forças policiais estão sendo reduzidas e os programas sociais sendo cortados. E quando a pobreza urbana aumenta, as taxas de crime sobem, impondo um custo de vida “invisível”. 

Portanto, o mais importante fato econômico a se reconhecer é que qualquer que seja o montante fiscal que o arrecadador prescinda ele tende a ser capitalizado em empréstimos hipotecários. E ao deixar mais renda disponível para ser paga como juro, cortar impostos sobre a propriedade obriga os compradores de casas a incidirem mais profundamente em dívidas. Assim, impostos mais baixos sobre a propriedade significam preços de habitação mais elevados – a crédito, porque uma casa ou outra propriedade imobiliária vale aquilo que um banco emprestará a novos compradores. Assim, ao capitalizarem o valor das rendas após impostos num fluxo de juros, os banqueiros acabam com as rendas – e portanto com os cortes fiscais sobre a propriedade.  

É isto que significa o mercado livre hoje em dia – rendimento criado pelo investimento do setor público, “libertado” para ser pago a bancos como juros ao invés de ser recapturado pelo governo. 

A maior parte da receita urbana é um almoço gratuito criado pelas estradas, escolas, sistemas de águas e esgotos financiados pelo contribuinte. Mas nem os especuladores imobiliários nem os seus banqueiros acreditam que este investimento dos contribuintes deveria ser recuperado pela tributação dos valores acrescidos dos sítios criados ao proporcionar estes serviços públicos. Ao invés de tornar o setor público auto-financiado quando ele expande serviços para criar riqueza, proprietários privados obtêm os benefícios – enquanto bancos capitalizam os ganhos em empréstimos hipotecários maiores, os quais agora representam cerca de 80% do crédito bancário. 

O núcleo da “falsa consciência” dos banqueiros – a história de encobrimento com a qual os lobistas do Tea Party procuram doutrinar os eleitores dos EUA – é que impostos sobre a terra e ativos financeiros punem os “criadores de emprego”.

Continuando o ataque, os beneficiários desta despesa pública afirmam que precisam ser mimados com preferências fiscais para investirem e empregarem o trabalho, enquanto os 99% precisam ser chutados e chicoteados para trabalharem mais arduamente por lhes serem pagos salários mais baixos.

Esta falsa narrativa ignora o fato de que os nossos maiores períodos de crescimento são aqueles em que as taxas fiscais sobre indivíduos e corporações dos EUA foram mais altas.

O mesmo é verdadeiro na maior parte dos países. O que está sufocando o crescimento econômico é o encargo da dívida – devida aos 1% – e os cortes fiscais sobre riqueza gratuita. 

O esmagamento das aposentadorias faz parte da crise geral da dívida  

O candidato republicano à vice-presidência, Paul Ryan e o governador do Texas, Rick Perry caracterizaram a Segurança Social como um esquema Ponzi. Isto é verdadeiro no sentido óbvio de que se supõe que os reformados sejam pagos com as contribuições dos novos que começam a contribuir. É assim que qualquer sistema pague-como-puder funciona. O problema não é que o sistema precisa ser pré-financiado para proporcionar ao governo receita para cortar impostos sobre os 1%. O problema é que novas contribuições estão secando quando a economia rende-se sob o seu encargo de dívida acrescido. 

A Segurança Social pode ser paga facilmente. Após o crash de 2007 o Fed imprimiu US 13 trilhões nos seus computadores para dá-los aos banqueiros. Ele pode fazer o mesmo para a Segurança Social – e para concessões de ajuda federal a estados e cidades da América. Pode pagar obrigações de aposentadorias estaduais e municipais do mesmo modo como pagou aos 1% da Wall Street. O problema é que o Fed só deseja fazer aquilo que os bancos centrais foram criados para fazer – financiar déficits do governo – para dar aos bancos.

O objetivo é salvar credores e as ambiciosas contrapartidas dos bancos, não os 99%. 

O problema é que o próprio sistema financeiro está podre. Isto transformou a luta de classes de hoje numa guerra financeira, sendo a grande tática moldar a percepção do problema entre os eleitores. O truque é fazê-los pensar que cortar impostos reduzirá o seu custo de vida e tornará a habitação mais barata, ao invés de permitir que os bancos tomem o que os fiscais de impostos costumavam tomar. Esta é a percepção chave que precisa ser difundida: cortar impostos deixa mais “almoço gratuito” de rendimento disponível para bancos darem emprestado, sobrecarregando a economia ainda mais profundamente com dívida. 

Aqui está a razão porque o atual caminho pode possivelmente não funcionar. Os fundos de pensão estaduais e municipais estão com um “rombo” de US$3 trilhões porque eles estão tendo apenas retornos de 1% nestes dias (o único retorno seguro), não os 8% que lhes disseram para ter a fim de pagar pensões por ganhos de “capital” (isto é, o almoço gratuito financiado dos bancos).

O Fed está mantendo taxas de juro baixas numa tentativa de reinflacionar os preços dos imóveis e de outros ativos de volta à década feliz do “Mestre da Bolha” Greenspan. Se as taxas de juros sobem – o suficiente para permitir à Califórnia, Chicago e outras localidades obterem juros suficientes para pagar aos aposentados o que prometeram – então os bancos verão cair por terra o efeito colateral dos seus empréstimos hipotecários. 

De modo que o Fed trancou a economia dentro dos baixos retornos. Nem os políticos democratas nem os republicanos estão desejosos de aumentar impostos sobre as finanças, seguros e o setor imobiliário. Eles votam de acordo com o aquilo que os seus contribuidores de campanha estão pagando – tornar Wall Street  mais rica. 

A questão é a velha opção do Quem/A quem. Dado o fato matemático de que dívidas que não podem ser pagas não o serão, a pergunta é que deveria obter prioridade: os 1% ou os 99%? 

A austeridade infestada de dívida e a redução do governo estão sendo pressionados como se isto fosse inevitável, não uma opção política para colocar os possuidores de títulos e os 1% por cima dos 99% – um prêmio para o lobbying monetário que têm gasto para comprar políticos e enganar eleitores levando-os a acreditar que cortar impostos sobre a propriedade e cortar impostos sobre os ricos ajudará a economia.

Mas se a América deixa os 1% escreverem as leis – ou, o que é a mesma coisa nestes dias, contribuir para as campanhas políticas dos que fazem as leis – então a economia ficará muito mais pobre, rapidamente. A era do crescimento da América estará ultrapassada. 

Alguma coisa tem de ceder: Se os possuidores de títulos não vierem a ser pagos, os estados não podem pagar salários adiados do trabalho na forma de pensões, e terão de reduzir serviços públicos. 

A transformação dos EUA numa Grécia

Assim, já é tempo de descumprir. Do contrário Wall Street nos transformará numa Grécia. É este o plano financeiro, sem dúvida. É a estratégia para a guerra financeira de hoje contra a sociedade como um todo. Na Letônia, falei com o principal banqueiro central, o qual explicou que os salários no setor público haviam caído 30 por cento, ajudando a empurrar para baixo os salários do setor privado aproximadamente outro tanto. Os neoliberais chamam a isto “desvalorização interna” e prometem que tornará as economias mais competitivas. A realidade é que os preços subirão no mercado interno e isso levará os trabalhadores a abandoná-lo.

____________________
[1] The New York Times, 09/Janeiro/2011. Adam Nagourney, em: Tax Cuts From '70s Confront Brown Again in California.

[*] Professor de Teoria Econômica na Universidade de Missouri – Kansas City. O seu último livro é The Bubble and Beyond, ISLET, Dresden, 2012, 482 p., ISBN 13:978-3-9814842-0-5 

O artigo original, em inglês, encontra-se em: Counterpunch Week, 31/8 - 2/9/2012 em: Why Bondholders Can’t – and Shouldn’t – be Paid, Wall Street’s War on the Cities
Esta tradução foi extraída de Resistir e modificada pela redecastorphoto 

sábado, 19 de maio de 2012

Apoiem a Rede Tlaxcala de tradutores assinando esta carta


Traduzida pelo pessoal da Vila Vudu

Various Authors - Verschiedene Autoren - AA.VV. - Auteurs divers –
Από διάφορους συντάκτες - Olika skribenter - مؤلفون مختلفين

“E depois de tanto esperar é chegada a hora de levantar âncora”

Caro camarada Alexis Tsipras,

Escrevemos a você como cidadãos de países europeus que, como na Grécia, somos hoje atingidos pela ofensiva “dívidocrática” dos poderes financeiros e oligárquicos na Europa.

Dirigimo-nos a você e, por seu intermédio, aos milhares de cidadãos e cidadãs gregos e gregas que ofereceram suas vozes à sua organização política, para manifestar nossa gratidão, nossa solidariedade e nosso apoio à resistência que vocês estão impondo contra a devastação neoliberal das condições materiais, dos quadros políticos e da vida na sociedade grega.

Contem conosco na luta de vocês por uma alternativa de justiça, de dignidade e de democracia para o povo grego e para todos os povos que compõem a União Europeia.

Alexis Tsipras
Saudamos com entusiasmo o sucesso que alcançaram nas recentes eleições gregas, e aplaudimos também a gestão de resultados que vocês estão fazendo; encorajamos vocês a perseverar nessa linha de ação, que já é exemplo e esperança para milhões de homens e mulheres em toda a Europa.

Queremos que saibam, você, os membros de sua organização e todos os cidadãos e cidadãs gregos e gregas, que outros grupos políticos de outras orientações, sindicais e da sociedade em geral, partilhamos com vocês o projeto de uma vida comum verdadeiramente livre e solidária, esperança viva que acalentamos para toda a Europa, de que um novo governo grego de unidade popular derrote a ditadura dos burocratas e vendilhões dessa Europa sequestrada.

Interpretamos a conjuntura grega atual como um ponto de inflexão que pode levar a transformação radical da ordem política e econômica europeia. Precisamos todos de uma nova Europa, dos seus cidadãos e cidadãs, não dessas brutais políticas de austeridade, que dão prioridade ao pagamento de uma dívida odiosa, ilegal e ilegítima, que impede o desenvolvimento humano de nossas comunidades. Esse é o apelo que fazemos hoje, nas praças da Europa, da Puerta del Sol madrileña à Praça Syntagma de Atenas, e em tantos outros pontos dispersos por toda a geografia europeia, de praças libertadas que são como os grãos dos quais germina a democracia real que nós, homens e mulheres da Europa, sonhamos cultivar em comum.

A luta contra o autoritarismo neoliberal que prende sob hipoteca temerária o presente e o futuro de nossos povos só pode ser vencida no nível europeu. É indispensável, também no nível europeu, que tenhamos instituições verdadeiramente democráticas, que contribuam para a liberdade e a solidariedade entre todos os povos da Europa, face ao diretório oligárquico neoliberal e ao seu estado permanente de exceção econômica e política.

“E depois de tanto esperar, é chegada a hora de levantar âncora”, dizia o poeta cidadão grego, de vocês e nosso, Alexandros Panagoulis.

Nós, homens e mulheres da Europa, já esperamos por tempo demais e já aguentamos demais. Mais uma vez, caberá ao povo grego, tão requintado conhecedor dos segredos do mar, mas também da liberdade, a responsabilidade de apontar o rumo até essa nova Europa que já se entrevê pelas praças e nas nossas vozes rebeldes.

Nos alinhamos com vocês, ombro a ombro, para fazermos juntos, como numa grande assembleia de povos irmãos, essa travessia perigosa e grávida de esperanças.

Saudações fraternais e agradecidas.

Para assinar essa carta, escreva para cartatsipras@gmail.com (escreva nome, sobrenome, cidade onde vive, atividades e afiliações)

Essa carta será publicada nos jornais gregos, com as assinaturas recebidas até o dia 1/6/2012.

Primeiras assinaturas

Abraham Herrero. Logística y márketing. Madrid.
Agustín Velloso Santisteban. Profesor. Madrid
Alberto Fernández Liria. Psiquiatra. Madrid
Alberto Hidalgo Hermoso. Estudiante. Izquierda Unida. Madrid
Alejandro Álvarez García. Asamblea 15-M de Merida (Badajoz)
Ana Domínguez Rama. Ciudadana. Madrid
Ana Isabel Gómez. Trabajadora de la Administración Local. Madrid
Ander Gutiérrez-Solana. Profesor. Bilbao
Andrés Villena Oliver. Economista. Málaga
Antoni Lluís Trobat Alemany. Parado. Activista social y político. Joves d'Esquerra Nacionalista - Partit Socialista de Mallorca. Palma (Mallorca)-Barcelona
Antonio Mata Lozano. Fotografo e informatico. Badajoz
Artegalia Radio. Alicante
Blanca Cambronero Manzano. Periodista. Madrid
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Carlos Delclós. Sociologo. Barcelona
Carlos Fernández Liria. Profesor. Madrid
Carlos Lechado García. Funcionario. Madrid
Cristina Regueira. Actriz. Ciudadana. Madrid
Eduardo Fernández Rubiño. Estudiante. Madrid
Elda Maganto. Profesora. Zaragoza
Elena Albajar. Arquitecta. Alicante
Francisco Manuel Parejo Moruno. Profesor. Don Benito (Badajoz)
Francisco Moriche Mateos. Docente y escritor. Hervás (Cáceres)
Franz Biberkopff. Ciudadano. Trabajador de la Sanidad Pública. Madrid
Gaëlle Suñer. Colectivo Artefakte. Barcelona
Ginés Fernández González. Director de Mundo Obrero y Secretario de Comunicación del PCE. Madrid
Gorka Castillo. Periodista. Bilbao
Hugo Martínez Abarca. Izquierda Unida. Madrid
Isabel Cánovas Sánchez. Dependienta. IU. Totana (Murcia)
Israel Morales Benito. Técnico en Cooperación al Desarrollo. ATTAC, ENTREPOBLES. Alacant
Iñigo Errejón. Investigador Universitario. Fundación CEPS. Madrid
Jaime Pastor. Profesor. Madrid
Javier Navascués. Profesor. Sevilla
Jesús Taboada Ferrer. Escritor y profesor de griego. Madrid
Joan Antón García Carrera. Funcionario. IU / PCE. Madrid
Joan M. Gual. Universidad Nómada. Barcelona
Jorge García Castaño. Concejal de IU en el Ayuntamiento de Madrid
Jorge Rodríguez Seguín. Funcionario. Izquierda Unida y Asamblea 15-M de Girona
Jorge Ruiz Morales. Editor. Madrid
Jose Javier Lop. Analista informático. Zaragoza
Jose Manuel Martinez Gomez. Dependiente. ATTAC. Alacant
Joseba Fernández González. Politólogo y activista social. Bizkaia
José Carlos Herrero Lucas. Geógrafo. Hervás Toma la Plaza. Hervás (Cáceres)
José Luis Carretero Miramar. Profesor. Madrid
José Luis Úriz Iglesias. Jubilado. Ex-parlamentario y ex-concejal del PSN-PSOE. Villava-Atarrabia (Navarra)
Juan Antonio Gascón Sorribas. Profesor. Concejal de Izquierda Unida. Palencia
Juan Domingo Sánchez Estop. Escritor y traductor. Asamblea 15-M de Madrid / Bruselas.
Juan Pedro García del Campo. Profesor. Asamblea 15-M de Ciempozuelos y Titulcia (Madrid)
Julián Sanz Hoya. Profesor. Izquierda Unida-EUPV. Valencia
Jérôme Duval. CADTM-España
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Lola Matamala Oporto. Ciudadana. Madrid
Lorena Pérez Del Postigo Pareja. Camarera. ATTAC. Alicante
Luis Alegre Zahonero. Profesor. Izquierda Anticapitalista. Madrid
Luis Angel Sanchez de Lachina. Técnico en Prevención de riesgos laborales. Antikapitalistak. Basauri (EH)
Luis Carlos López Pérez. Ciudadano. Málaga
Manuel Tapial. Activista social. León (Nicaragua)
Maricarmen Muñoz Donoso. Ama de casa. Concejala de Izquierda Unida. Jaraíz de la Vera (Cáceres)
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María Mandalou. Escritora y traductora. Hervás (Cáceres)
María Maza Brualla. Artista plástica. Barbastro (Huesca)
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Miguel de Lucas. Desempleado y activista. ATTAC
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Miguel Manzanera Salavert. Escritor y docente. Izquierda Unida. Zafra (Badajoz)
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Pablo Castaño Tierno. Estudiante. Badajoz
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Pablo Paz Corbelle. Economista. Izquierda Unida. Badajoz
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Pedro Natalio Rodríguez Martín. Sociólogo. Asamblea 15-M de Badajoz
Rafael Pla López. Profesor jubilado y periodista. Meliana (València)
Raimundo Viejo Viñas. Profesor. Colectivo Artefakte. Barcelona
Ramon Rodriguez Torres. Estudiante.
Ramón Espinar Merino. Investigador universitario. Madrid
Raquel Palacio. Ciudadana. Izquierda Unida. Zaragoza
Ruth Sáez Buedo. Estudiante. Activista Rumbo a Gaza. Elche (Alicante)
Samuel Pulido. Ciudadano. Santa Cruz de Tenerife/Bruselas
Santiago Alba Rico. Escritor y docente. Túnez
Santiago Arellano Borrajo. Docente y músico. Asamblea 15-M de Jérez de la Frontera (Cádiz)
Sergio Diestro Menacho. Politólogo. Vivares (Badajoz)
Silvia Casado Arenas. Profesora. Madrid
Sylvia Martín Sánchez, Activista social. Alicante
Tony Vargas Aparicio. Granjero. PCA/IU. Dehesas Viejas (Granada)
Víctor J. Sanz. Escritor. Pilar de la Horadada (Alicante)
Víctor Manuel Casco Ruiz. Diputado Autonómico de Izquierda Unida. Cáceres
Xavi Tello. Músico y Realizador Audiovisual Independiente. Alicante

Apoios

Alejandro Rofman. Profesor e investigador. Socialistas para la Victoria. Entre Ríos, Argentina
Benjamin Noys. Academic. Reino Unido
Castor Filho. Engenheiro/fotógrafo. redecastorphoto. São Paulo, Brasil
Cecilia Hopen. Psicoanalista. Argentina
Renaud Vivien. Jurista. CADTM (Comité pour l'Annulation de la Dette du Tiers Monde). Bélgica
Robert Leston. Profesor. Nueva York. EEUU
Rodrigo Sepúlveda Montero. Sociólogo. Colectivo Grita. Chile
Sonia Estela Durand. Ciudadana. Argentina
Vittorio Morfino. Profesor. Milan
Warren Montag. Profesor. Los Angeles, California, EEUU

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Catastroika (legendado em português)


Este é o novo documentário da equipe responsável por Dividocracia. 

Chama-se Castastroika e faz um relato avassalador sobre o impacto da privatização massiva de bens materiais e serviços públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás.

Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Brasil, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em setores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy.

De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, repassaram emrepassam bens materiais a preço vil, alienaram e alienam riquezas do subssolo e “off-shore” com contrapartida ínfima e criminosamente elegeram os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável.

Sacrifica-se e sacrificaram a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.

As consequências mais devastadores registam-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika – FMI, BCE e CE), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de «resgate».

Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para acabar com a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia.

O objetivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos.

Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como está se vendo na Grécia, Espanha, Portugal, Itália e outros a tentativa e prática do total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, notadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão do tecido social e níveis de vida condignos.

Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro.

Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemônico omnipresente na mídia-de-mercado, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta pela democracia ou a barbárie neoliberal.