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sábado, 29 de março de 2014

Resposta (russa), na lata, ao “jornalismo” imundo da imprensa-empresa

Te cuida, Tacanhêde! 8-)

21/3/2014, Russia Today (em espanhol)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Vitaly Churkin, Embaixador da Rússia na ONU
Christiane Amanpour, na 5ª-feira (20/3/2014), em seu programa na CNN:

Continuamos tentando fazer contato com o governo russo para que comente [o que acontece na Ucrânia], incluindo com ocupantes de altos cargos, como o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin. Até agora não tivemos sorte, mas talvez pessoas como Churkin sintam que não devam abandonar sua zona de conforto.

Christiane Amanpour
Amanpour também mencionou a filha de Churkin, jornalista, que trabalha em Russia Today e, há poucos dias, fez perguntas incômodas à porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, sobre suas declarações sobre a crise da Ucrânia.

No passado, ela informou até sobre o próprio pai – disse a apresentadora da CNN.

Pelo visto, os mesmos valores éticos aos quais se refere a jornalista norte-americana não se aplicariam à própria Amanpour que, certa vez, entrevistou o próprio marido, James Rubin, então assistente da ex-Secretária de Estado, Madeleine Albright. Da mesma “entrevista” também participou o marido de Victoria Nuland, Robert Kagan, membro da direção da Iniciativa de Política Exterior (Foreign Policy Initiative, FPI), e, coincidentemente, agente ativo no caso da recente história de autodemissão, no ar, de Liz Wahl, apresentadora de Russia Today

Em resposta ao que disse Amanpour, o representante permanente da Rússia na ONU resolveu escrever-lhe uma Carta Aberta, para apresentar sua própria visão da situação:

Estimada Sra. Amanpour,

Fui surpreendido pelos ataques pessoais aos quais a senhora recorreu em seu programa do dia 20/3. Conheço seu programa há muitos anos (inclusive de várias entrevistas) e em geral respeito seu trabalho. Por isso me surpreendeu um pouco que minha total impossibilidade de lhe conceder outra entrevista tenha provocado aquele surto.

Quanto à minha falta de vontade para deixar, como disse a senhora, “minha zona de conforto”, tem toda a razão. Depois de oito reuniões do Conselho de Segurança sobre a situação na Ucrânia e Crimeia (seis delas realizadas diante das câmeras de televisão), sinto-me muito confortável, ao ver que se começa, afinal, a compreender a situação real.

Se, ainda assim, a senhora insinua que eu não quereria responder perguntas difíceis, é porque não é suficientemente madura para saber que falei para recinto apinhado de gente, na Catedral Nacional de Washington, em outubro de 1983, duas semanas depois que o avião de passageiros da Coreia do Sul fora derrubado; e que em maio de 1986 testemunhei no Congresso dos EUA, depois do desastre nuclear de Chernobyl; para nem falar de centenas de entrevistas em centenas de outros veículos, e das entrevistas “ao vivo”. Sou homem que pode dar aulas a muita gente sobre deixar “zonas de conforto”.

Mas não estaria escrevendo à senhora, se a senhora não tivesse resolvido atacar pessoalmente também minha filha, sua colega de profissão, mais jovem que a senhora, jornalista de uma rede russa de televisão. Sou muito orgulhoso de minha filha, não só porque é boa jornalista, mas porque sabe manter estritamente a distância profissional em relação a mim.

Lembro-lhe, sobre esse tipo de comportamento, que a senhora está casada com o porta-voz do Departamento de Estado. Como ficou sua credibilidade durante o noivado?

Não se dê o trabalho de responder. Sua resposta não me interessa.

Vitali Churkin. 


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Tempos difíceis para os EUA! Quando a maré vira, VIRA!

(muuuito engraçado)

Hoje (19/9/2013), deu no The Guardian – UK em: John McCain aims broadside at Vladimir Putin with reply editorial (Excerto)
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu

John McCain

O senador McCain resolveu “responder” à coluna que Putin fez publicar no New York Times, na qual Putin DETONOU o tal de “excepcionalismo” de que Obama falara (e que já foi chamado de onanismo nacional norte-americano). Então McCain mandou sua “resposta” para o portal Pravda, que publicou.

Dmitry Peskov
O secretário de imprensa de Putin, Dmitry Peskov, disse que o presidente russo lerá, logo que possa, mas que não responderá. Claro que leremos – disse Peskov à imprensa russa. – O senador McCain tem fama de não gostar muito do presidente Putin. Mas não haverá polêmica, é claro, em torno da opinião de uma única pessoa, que vive do outro lado do mundo.

A escolha de McCain pelo portal Pravda tem ressonância histórica. O Pravda foi o jornal oficial da União Soviética, mas o portal de notícias Pravda.ru na Internet só foi criado depois de o famoso jornal russo já não existir, vendido que foi nos primeiros anos do colapso da URSS.

Há hoje, na Rússia, feroz disputa sobre qual seria o Pravda “real”, porque o Pravda impresso é hoje o jornal oficial do Partido Comunista da Rússia.

Nem o Pravda impresso, nem o portal Pravda têm grande número de leitores, e analistas russos observaram que há inúmeras outras páginas de internet e jornais impressos na Rússia, hoje, que teriam publicado a coluna de McCain.

McCain “respondeu” a Putin pelo Pravda?! Morreu nos anos 1980s e nem sabe. Só descobri que ainda existe Pravda, quando aceitaram a coluna que McCain ofereceu. – escreveu Dmitry Trenin, Diretor do Centro Carnegie de Moscou, pelo Twitter. [pano rápido] 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A carta de Putin ao povo dos Estados Unidos

Vladimir Putin cumprimenta Barack Obama durante o G20 de São Petersburgo
O presidente russo estende a mão – de novo – a Barack Obama, dessa vez para tirá-lo da areia movediça constituída pela máfia que o cerca, lhe dá ordens e age contra os interesses dos cidadãos estadunidenses

Baby Siqueira Abrão - 11/9/2013

Vladimir Putin, presidente da Rússia, está usando (quase) todas as suas cartas para evitar um ataque militar dos Estados Unidos à Síria – ataque que, os serviços diplomáticos e de inteligência bem sabem, vai se transformar num conflito muito maior, dominando o Oriente Médio e grande parte do mundo. E vai respingar feio na América Latina, que além de óleo e gás tem um recurso valioso que a Ásia ocidental não tem: a rica biodiversidade.

O mais recente movimento de Putin foi publicar um artigo assinado no New York Times de 11 de setembro (que traduzo a seguir). Pelo conteúdo, percebe-se que ele se dirige não apenas à opinião pública dos Estados Unidos, mas principalmente ao Congresso e ao presidente Barack Obama. O tom conciliador muito provavelmente fará aumentar o número de cidadãos estadunidenses que se opõem à guerra à Síria e, consequentemente, fará crescer a pressão que eles vêm exercendo nos congressistas para que votem contra o ataque militar ao país árabe. O principal objetivo de Putin, claro nas entrelinhas da carta, foi estender mais uma vez a mão a Obama, agora para ajudá-lo a sair de um lamaçal onde se misturam interesses sorrateiros e grupos idem, dispostos a provocar uma conflagração mundial para impor suas agendas sinistras a todos nós.

Esses grupos vêm agindo em países poderosos – e naqueles com algum poder regional, como o Brasil – há muito tempo, mas só recentemente passaram a exercer pressões mais intensas e mais urgentes. Tem-se a impressão de que eles se cansaram de estratégias graduais de convencimento da opinião pública e decidiram agir sem se importar mais com isso.

Basta, como se diz, “ter olhos para ver” a fim de descobrir, por meio das ações desses grupos, o que eles têm em mente. O direito internacional foi substituído pela força bruta, os direitos humanos foram atirados no lixo e as organizações terroristas vêm sendo apoiadas e armadas abertamente por aqueles que as criam. A manipulação de crenças e de emoções mantidas à flor da pele em treinamentos militares extenuantes e pela administração de drogas as mais diversas está formando exércitos compostos de monstros que hoje possuem e sabem manejar armas pesadas, além de substâncias químicas e biológicas capazes de exterminar populações inteiras em segundos.

Esse risco à humanidade ficou claríssimo quando o príncipe saudita Bandar bin Sultan visitou a Rússia, em agosto, para oferecer a Putin um acordo vantajoso no controle do óleo e do gás do Oriente Médio em troca de abandonar a Síria à própria sorte. Essa oferta não surpreende no cenário da política internacional. O que realmente surpreendeu foi a segunda oferta de Bin Sultan: impedir que terroristas chechenos realizem operações criminosas nas próximas Olimpíadas de Inverno da Rússia.

“Os grupos chechenos que ameaçam a segurança dos jogos são controlados por nós”, afirmou Bin Sultan, segundo The Telegraph.

Madre Agnes Maria da Cruz, em entrevista ao jornal israelense Haaretz, denunciou os chechenos como os “mais cruéis” dos mercenários em ação na Síria. Mas sabemos todos que qualquer ser humano, adequadamente “azeitado” – incentivado em suas emoções e crenças mais profundas, com a consciência alterada por drogas e levado pelo chamado “espírito de grupo” (que nos leva a seguir as ações da maioria) – é capaz de torturar e matar sem nem mesmo se dar conta do que está fazendo.

São monstros assim que as grandes potências estão criando para desestabilizar países, em nome dos interesses de uma minoria que saliva diante da possibilidade de conquistar, a qualquer preço, as reservas de óleo, gás, pedras preciosas e matérias-primas para o fabrico de entorpecentes vendidos a preços altíssimos. Não importa quem mate ou quem morra, e em que número. Não importa se mulheres ou crianças – é até melhor que sejam mulheres, porque assim não darão à luz outros seres humanos, e crianças, que amanhã engrossarão as fileiras de desempregados e desesperançados, podendo virar-se contra os responsáveis por sua miséria pessoal, cultural, econômica, social. Não é outro o motivo, por exemplo, pelo qual os ataques do Exército de Israel a Gaza, e os mísseis lançados por drones estadunidenses no Afeganistão e no Paquistão, vitimam tantas mulheres e tantas crianças.

Obama é presa desses grupos. Eles sabiam que para executar seus planos de domínio mundial era preciso sobretudo controlar o país militarmente mais poderoso do planeta. Conseguiram, depois de muitas ameaças, corrupção e assassinatos. Financeiramente poderosos, mandam no Congresso dos Estados Unidos. Agrados econômicos e ameaças políticas e pessoais levam esses grupos a aprovar as leis que seus assessores elaboram e entregam, prontas, para uma votação de cartas marcadas. Os mesmos métodos são empregados para convencer presidentes a agir segundo os interesses desses grupos. Eles sequestraram o mundo, com algumas raras exceções. Cuba, Venezuela, Irã, Rússia, China estão entre essas exceções, e por isso são países muito visados.

O que Vladimir Putin fez, com sua carta ao povo estadunidense, foi garantir a Obama que ele não está só e que pode virar o jogo, porque terá o apoio da Rússia e de seus aliados. Não foi ao acaso a crítica ao suposto “excepcionalismo” dos Estados Unidos, presente no discurso que Obama fez à nação na terça-feira, dia 10. Essa retórica é parte da retórica sionista sobre a própria “excepcionalidade”, que supostamente lhe daria o direito de se colocar acima de todos os povos e do direito internacional.

Esse recado de Putin também foi dirigido ao Congresso dos EUA, sempre subserviente à “excepcionalidade” alheia e própria. Agora é ver se os parlamentares vão se interessar mais pelo destino da humanidade, nas mãos de uma quadrilha perigosa, ou pelos milhares de dólares que tilintarão em suas contas bancárias caso aprovem o ataque à Síria.

Se Obama aceitar a mão estendida de Putin e se aliar a ele, grupos que dão retaguarda a pessoas como Bin Sultan e os voluntários do AIPAC, lobby sionista pró-guerra atuante no Congresso dos Estados Unidos, que vem visitando os políticos para garantir que a ação militar contra a Síria seja aprovada, começarão a perder espaço. Para alívio de todos nós.

Um apelo vindo da Rússia: o que Putin tem a dizer aos EUA sobre a Síria

Por Vladimir V. Putin
11 de setembro de 2013

Fatos recentes envolvendo a Síria me levam a falar diretamente com o povo dos Estados Unidos e com seus líderes políticos. É importante fazer isso numa época de comunicação insuficiente entre nossas sociedades.

As relações entre nós têm passado por diferentes estágios. Estivemos uns contra os outros durante a guerra fria. Mas já fomos aliados, e juntos vencemos os nazistas. Naquela época foi criada uma organização internacional universal – as Nações Unidas – para impedir que outra devastação como aquela voltasse a ocorrer.

Os fundadores das Nações Unidas entenderam que as decisões concernentes à guerra e à paz devem ser tomadas apenas por consenso, e foi com o consentimento dos Estados Unidos que o veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança foi incluído na Carta das Nações Unidas. A profunda sabedoria dessa decisão deu sustentação à estabilidade das relações internacionais durante décadas.

Ninguém deseja que a ONU tenha o mesmo destino da Liga das Nações, que desmoronou porque lhe faltou poder real. Isso é possível se países influentes, desviando-se das [regras das] Nações Unidas, realizarem ações militares sem autorização do Conselho de Segurança.

O ataque potencial dos Estados Unidos contra a Síria, a despeito da oposição de muitos países e dos maiores líderes políticos e religiosos, incluindo o papa, resultará em mais vítimas inocentes e numa escalada que espalhará potencialmente o conflito muito além das fronteiras da Síria. Um ataque intensificará a violência e desencadeará uma nova onda de terrorismo. Isso pode minar os esforços multilaterais para resolver a questão nuclear iraniana e o conflito israelo-palestino, além de desestabilizar o Oriente Médio e o Norte da África. Pode desequilibrar todo o sistema da lei e da ordem internacional.

A Síria não está testemunhando uma batalha por democracia, mas um conflito armado entre o governo e a oposição dentro de uma nação multirreligiosa. Há poucos campeões da democracia na Síria. Mas há combatentes da Al-Qaeda e extremistas de todas as cores mais do que suficientes lutando contra o governo. O Departamento de Estado dos Estados Unidos designou a Frente Al-Nusra, o Estado Islâmico do Iraque e o Levante, que lutam ao lado da oposição [da Síria], como organizações terroristas. Esse conflito interno, sustentado por armas estrangeiras fornecidas à oposição, é um dos mais sangrentos do mundo.

Os mercenários dos países árabes, as centenas de militantes de países ocidentais e até mesmo da Rússia que lá combatem são objeto de preocupação profunda. Eles não devem retornar a nossos países com a experiência adquirida na Síria? Afinal, depois de lutar na Líbia, os extremistas foram para o Mali. Isso nos ameaça a todos.

Desde o princípio a Rússia tem advogado um diálogo pacífico que permita aos sírios desenvolver um plano de compromisso com seu próprio futuro. Não estamos protegendo o governo sírio, mas o direito internacional. Precisamos utilizar o Conselho de Segurança da ONU e acreditar que a preservação da lei e da ordem no mundo complexo e turbulento de hoje é um dos poucos meios de impedir que as relações internacionais escorreguem para o caos. A lei ainda é a lei, e devemos segui-la, quer gostemos, quer não. De acordo com o direito internacional, a força somente é permitida em caso de defesa própria ou por decisão do Conselho de Segurança. Tudo o mais é inaceitável, segundo a Carta das Nações Unidas, e constitui ato de agressão.

Ninguém duvida de que o gás venenoso foi usado na Síria. Mas existem todas as razões para acreditar que não foram utilizados pelo Exército sírio e sim pelas forças de oposição, para provocar uma intervenção de seus poderosos patrões estrangeiros, que se mantêm ao lado dos fundamentalistas. Relatos de que os militantes preparam outro ataque – dessa vez contra Israel – não podem ser ignorados. 


É alarmante que intervenções militares em conflitos internos de países estrangeiros tenham se tornado um lugar-comum nos Estados Unidos. Elas interessam, a longo prazo, aos Estados Unidos? Duvido. Milhões de pessoas no mundo inteiro cada vez mais veem os Estados Unidos não como modelo de democracia, mas como um país que confia apenas na força bruta, pavimentando  coalizões sob o slogan “ou vocês estão conosco ou estão contra nós”.

Mas a força tem se provado ineficaz e inútil. O Afeganistão está descarrilhando, e ninguém é capaz de dizer o que acontecerá depois que as forças internacionais se retirarem do país. A Líbia está dividida em tribos e clãs. A guerra civil continua no Iraque, com montes de mortos a cada dia. Nos Estados Unidos, muitos fazem a analogia entre Iraque e Síria, e perguntam por que seu governo quer repetir erros recentes.

Não importa quão dirigidos sejam os ataques ou quão sofisticadas sejam as armas as baixas de civis são inevitáveis, incluindo idosos e crianças, aos quais os ataques supostamente deveriam proteger.

O mundo reage perguntando: se você não pode contar com o direito internacional, então deve encontrar outros meios de garantir sua segurança. Por isso um número crescente de nações vem procurando adquirir armas de destruição em massa. É uma questão de lógica: ninguém vai mexer com quem tem a bomba em seu arsenal. Somos iludidos com a conversa da necessidade de fortalecer a não proliferação quando, na verdade, a não proliferação vem sendo corroída.

Precisamos parar de usar a linguagem da força e voltar à via dos acordos civilizados, diplomáticos e políticos.

Uma nova oportunidade de evitar a ação surgiu há poucos dias. Os Estados Unidos, a Rússia e todos os membros da comunidade internacional devem aproveitar a boa vontade do governo da Síria de colocar seu arsenal químico sob controle internacional, para subsequente destruição. A julgar pelas declarações do presidente Obama, os Estados Unidos veem essa possibilidade como uma alternativa à ação militar.

Saúdo o interesse do presidente no sentido de dialogar com a Rússia e a Síria. Devemos trabalhar juntos para manter essa esperança acesa, como concordamos na reunião do G8 em Lough Erne, na Irlanda do Norte, em junho, e levar a discussão de volta à mesa de negociações.

Evitar o uso da força contra a Síria vai melhorar a atmosfera para os negócios internacionais e reforçar a confiança mútua. Será nosso sucesso compartilhado e abrirá as portas para a cooperação e outros assuntos decisivos.

Meu trabalho e meu relacionamento pessoal com o presidente Obama são marcados por uma confiança crescente. Analisei atentamente seu pronunciamento à nação na terça-feira. E gostaria de discordar do que ele disse sobre o excepcionalismo dos Estados Unidos, ao declarar que a política do país é “o que torna os EUA diferentes. É o que nos torna excepcionais”. É extremamente perigoso encorajar as pessoas a considerar a si mesmas excepcionais, seja qual for a intenção.

Existem países grandes e pequenos, ricos e pobres, com tradições democráticas antigas e aqueles que ainda procuram seu caminho rumo à democracia. Suas políticas também diferem. Somos todos diferentes, mas, quando pedimos as bênçãos de Deus, devemos nos lembrar de que Ele criou a todos nós como iguais.

(Tradução sem valor oficial de Baby Siqueira Abrão)

__________________________


[*] Baby Siqueira Abrão é jornalista, tradutora, escritora e pós-graduada em filosofia, é correspondente dos veículos Brasil de Fato e Carta Maior no Oriente Médio, além de ativista por direitos humanos e justiça social. É autora de dois livros sobre história da filosofia, para as editoras Moderna e Ática. Eventualmente colabora com a redecastorphoto.

sábado, 7 de setembro de 2013

CARTA ABERTA DO PRESIDENTE DO PARLAMENTO SÍRIO AO PRESIDENTE DO PARLAMENTO DOS EUA

República Árabe da Síria – Assembleia Popular – Porta-Voz
[tradução de trabalho da Vila Vudu, para simples leitura, sem valor oficial]

N. 393
Damasco, 4 de setembro de 2013
Representante John Boehner
Presidente da Câmara de Representates
Câmara de Representantes Washington, DC 20515

Saudações.

Anexo a essa carta uma CARTA ABERTA formal urgente assinada por mim, Presidente do Parlamento Sírio. Escrevo e envio em nome dos Membros da Assembleia do Povo Sírio. Essa instituição funciona sem interrupção desde que foi fundada em 1919.

Com vistas ao debate crucial de hoje, sobre possível ataque pelos EUA ao nosso país, é vital que a carta anexa circule imediatamente entre todos os Membros do Congresso, antes do debate.

Além disso, solicitamos, por favor, que leia a carta anexa nas etapas de abertura dos debates, para que se assegure que os Ilustres Membros possam avaliar com precisão a situação na Síria e as propostas incluídas na carta anexa, e para que o texto completo dessa carta seja registrado em seus arquivos.

Importante observar que enviamos carta explanatória sobre a situação na Síria aos nossos colegas do Parlamento Britânico que tiveram a responsabilidade de exaurir todas as vias da diplomacia antes de envolver em guerra a nação britânica.

Esperamos que os Ilustres Membros dessa Casa de Representantes adote abordagem similar.

Atenciosamente,
Presidente da Assembleia do Povo Sírio
MHD. Jihad AL-LAHHAM
_____________________

N. 394
Damasco 4 Setembro 2013
Representante John Boehner
Presidente da Câmara de Representates
Câmara de Representantes Washington, DC 20515

Senhoras e senhores

Para que a civilização sobreviva, temos de cultivar a ciência das relações humanas, a habilidade de todos os povos para viverem juntos, num mesmo mundo de paz. Franklin D. Roosevelt

Escrevemos aos senhores com urgência, quando debatem o processo para lançar um ataque à Síria. Adicionalmente, escrevemos aos senhores como deputados como nós, representantes de nossos povos.

Importante também, escrevemos aos senhores como pais e mães, homens e mulheres membros de famílias e comunidades que não são, realmente, diferentes das suas. Acima de tudo, escrevermos como seres humanos. Se nos bombardeiam, não sangramos? Muita gente inocente será ferida.

Tragédias locais convertem-se em guerras que levam a conflitos gerais, por causa da falta de comunicação entre as nações. Pedimos encarecidamente que se comuniquem conosco mediante diálogo civilizado, não pela linguagem do fogo e do sangue.

Na Síria, temos ainda em mente o sonho norte-americano dos valores da família, das oportunidades de sucesso, em ambiente de paz. James Truslow Adams disse em 1931, “a vida deve ser melhor, mais rica e plena para todos, com oportunidade para cada um conforme sua habilidade ou realização”, independente de classe social, religião ou circunstâncias de nascimento.

Antes do debate que terão no Congresso, relembremos o seguinte:

Fatos comuns:

– O principal fator dos ataques do 11/9 foi a odiada ideologia wahhabista jihadista adotada e financiada pelos sauditas. Essa odiada ideologia wahhabista jihadista nasceu da doutrina jihadista da Fraternidade Muçulmana. Exemplo vivo disso é Omar Abdel Rahman, atualmente prisioneiro nos EUA, de onde muitos que se dizem aliados dos EUA tentam libertá-lo.

– Mais de três trilhões de dólares norte-americanos, centenas de milhares de norte-americanos e iraquianos mortos e feridos e milhões de refugiados iraquianos são o custo da guerra em curso, contra o terrorismo.

– Graças ao dinheiro saudita, diferentes “Madrassas” jihadistas dos salafistas wahhibistas continuam a operar. Esses centros terroristas continuam a formar milhares de jovens todos os anos.

– Objetos de cozinha e ideologia wahhabista foram os principais ingredientes de horríveis ataques terroristas por todo o mundo, e o crime de Boston é exemplo vivo e para o futuro, do modelo de células adormecidas.

– Desde o final dos anos 70s, a Síria foi o primeiro país que enfrentou o terrorismo fundamentalista fanático.

– Agora, a Síria combate muitos milhares de jihadistas não sírios.
– A Síria é o ultimo estado genuinamente secular que sobrevive no Oriente Médio.

– Os EUA e a Síria, ambos, sofreram e ainda sofrem por causa do terror que lhes vem do mesmo inimigo: a sempre odiada ideologia wahhabista adotada e financiada pelos sauditas.
– Nossos dois países aprovaram e apoiam as resoluções n. 1.373 e n. 1.624 para combater o terrorismo.

“Peço que me julguem pelos inimigos que fiz”
Franklin D. Roosevelt

O principal inimigo comum de nossas duas nações é a odiada ideologia wahhabista jihadista representada pela Al-Qaeda, pela Frente Al-Nusra e seus afiliados.

2 – Sobre os ataques químicos:

2.1 – Provas de que os grupos de terroristas fanáticos possuem armas químicas:

– Dia 19/3/2013, houve ataques químicos em Khan Al-Asal e Aleppo, contra civis e pessoal militar.

– Dia 20/3/2013, o governo sírio solicitou imediata investigação pela ONU. A visita da equipe de investigadores da ONU foi adiada por mais de cinco meses, por intervenção de EUA, França e Grã-Bretanha.

– Dia 30/5/2013, a Turquia anunciou a captura de um grupo islamista terrorista fanático que estava em posse de dois litros de gás sarin. Por isso, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, exigiu, dia 31/5/2013, que o governo turco cooperasse para que se evitasse a possibilidade de futures ataques químicos no Oriente Médio e na Europa.

– Dia 1/6/2013, o Exército Iraquiano anunciou a captura de um grupo islamista fundamentalista terrorista fanático no Iraque, próximo da fronteira síria, e encontrou com eles armas químicas e o controle remoto de um helicóptero pequeno.

– Dia 28/7/2013, as autoridades sírias entregaram às missões diplomáticas da Rússia e da China em Damasco a prova de que a Frente al-Nusra tinha armas químicas e tinha intenção de usá-las para atacar Muaaret al Numan e o subúrbio de Aleppo.

CONCLUSÃO: Os fatos acima provam que os grupos de fundamentalistas jihadistas terroristas possuíam e já usaram armas químicas em ocasiões prévias.

2.2 – PERGUNTA: Em termos lógicos, qual seria o benefício para o governo sírio, de cometer um crime de ataque químico durante a visita da Comissão Independente de Investigação sobre a Síria, da ONU, em local que dista 4 milhas do Hotel Four Seasons, onde a Comissão estava hospedada?

3 – Por essa razão, insistimos que venham à Síria, que enviem uma delegação com a máxima urgência possível, para que vejam e descubram diretamente o que se passa aqui.

Convidamos os senhores e senhoras a vir à Síria e avaliar a situação, antes de começarem a cortar – sobretudo porque o tecido a ser cortado é carne humana. Assim será possível que, juntos, tracemos um mapa do caminho para esforço conjunto e efetivo contra o terrorismo.

Cremos que ato de guerra, agressivo e injustificado, será ato injusto e ilegal, pelas seguintes razões:

- A Síria é estado soberano que não representa qualquer tipo de ameaça aos EUA.

– O Conselho de Segurança da ONU não aprovou essa ação.

– O Relatório da ONU sobre o terrível incidente nos arredores de Damasco, em Ghotta, ainda não foi redigido. Ninguém pode sequer saber se incluirá algum tipo de prova de qualquer alegação.

- Ao contrário, a ONU já concluiu que há fortes provas de que os terroristas fundamentalistas da Frente al-Nusrah – organização terrorista afiliada da al-Qaeda – já usaram algum gás venenoso contra soldados sírios e civis inocentes.

Consequentemente, qualquer ato agressivo contra povo inocente e soberano será ato criminoso, que agredirá os princípios da Lei Internacional.

Ao mesmo tempo, alguns círculos ocidentais oferecem todo o apoio possível aos rebeldes wahhabistas fanáticos, que a ONU já acusou de vários crimes – o que é com certeza quebra dos declarados princípios básicos de justiça dos EUA.

Muito nos emocionou o sentimento moral de lástima que manifestaram à vista das imagens das vítimas do ataque químico.

Nós, sírios, estamos colaborando intensamente com a equipe de Investigadores da ONU e especialistas sírios que também investigam a questão de quem cometeu aquela atrocidade, e partilhamos nossos resultados com a equipe da ONU. Nós, parlamentares sírios, estamos determinados a encontrar a verdade e a levar a julgamento os criminosos envolvidos, sejam quem forem.

Até lá, conclamamos os deputados norte-americanos a não empreender qualquer tipo de ação irresponsável e temerária.

Cabe aos senhores, hoje, a responsabilidade de afastar os EUA da trilha da guerra e de conduzir os EUA para a trilha democrática. Esperamos encontrá-los nessa trilha democrática, e discutir e falar e ouvir, como fazem os povos civilizados. Adotamos uma solução diplomática, porque sabemos que a guerra será via catastrófica, destrutiva e sangrenta, que não trará qualquer benefício para todas as nações.

Na verdade, a questão mais importante é que todas as nações enfrentam a mesma ameaça terrorista. Atacar a Síria e enfraquecer o governo e a infraestrutura síria automaticamente fortalecerá nosso inimigo comum de todos, a Al-Qaeda e as organizações terroristas ligadas a ela.

Em vez de combater uns os outros, todos temos de trabalhar juntos para implementar plenamente as Resoluções do Conselho de Segurança da ONU n. 1373 e n. 1.624 contra o terror. Em vez de inimigos, todos devemos trilhar juntos a via da paz e da verdade.

Atenciosamente,
Em nome da Assembleia do Povo Sírio
Deputado Jihad AL-LAHHAM, Presidente