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quarta-feira, 4 de março de 2015

Três diabos-velhos senis & o fascismo de Vestfália

1/3/2015, [*] Wayne MADSENStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Nunca houve, não há hoje nem jamais haverá posição neutra da OTAN ou da União Europeia, sobre nenhuma questão na qual forças antiunipolares – como Rússia, China, Irã, Venezuela, Brasil e outras – se oponham às elites militares-bancárias de inteligência da aliança ocidental.


John McCain... 
O falcão-de-guerra-em-chefe Republicano e presidente da Comissão das Forças Armadas no Senado dos EUA, senador John McCain do Arizona, deu, numa única semana, extensivo mau uso à sua posição, para arregimentar opiniões de duvidosa validade de três agentes decrépitos da política de poder dos EUA.

Em rápida sucessão, o ex-Secretário de Estado Henry Kissinger; o general (aposentado) Brent Scowcroft, Conselheiro de Segurança Nacional dos presidentes Gerald Ford e George H. W. Bush; e Zbiginiew Brzezinski, Conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter, falaram à Comissão presidida por um radiante McCain, sobre a necessidade de manter-se o sistema do Tratado de Vestfália, numa era em que as redes sociais e a internet ameaçam diretamente o sistema do estado-nação westfaliano concebido em 1648, depois da Guerra dos Trinta Anos.

É claro que o que McCain, Kissinger, Scowcroft e Brzezinski querem ver mantida é uma União Europeia federalizada e sempre em expansão, que agora está absorvendo lentamente como seus mais novos estados-nação westfalianos a Ucrânia, a Geórgia e a Moldávia.

Tratado da Westfália - Europa em 1648
(clique na imagem para aumentar)
A União Europeia, que mistura federalismo secular westfaliano com dogma do neo-Sacro-Império Romano, é militarmente apoiada por uma Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que age como os centuriões dos corretores do poder atlanticista de Washington, Londres e Berlim. Esse status quo tem de ser mantido a qualquer custo, segundo Kissinger, Scowcroft e Brzezinski – precisamente os três responsáveis pela conversão da Guerra Fria bloco-soviético vs OTAN do passado, na neo-Guerra Fria que hoje pôs a Rússia à beira da guerra contra a OTAN.

Embora não se possa adivinhar o que os três diabos-velhos senis da política de poder ocidental teriam em mente no apoio que dão ao sistema westfaliano, pode-se presumir com razoável certeza que estão defendendo um sistema mundial no qual uns poucos regimes elitistas ditam a política internacional para o resto do mundo.

Kissinger disse à comissão do Senado que vê a Europa do início dos anos 1600s e a Europa de hoje como entidades semelhantes, porque, nesses dois casos vê-se “uma multiplicidade de unidades políticas, nenhuma suficientemente poderosa para derrotar as demais, muitas aderidas a filosofias contraditórias com suas práticas internas, em busca de regras de neutralidade para regular as condutas e mitigar o conflito”. É claro que Kissinger trabalha para fazer-crer que a União Europeia e a OTAN fornecem “regras neutras” para que países em competição mitiguem seus conflitos.

É bem possível que Kissinger, que sofre de demência senil em estado avançado, realmente creia na panaceia da “governança” internacional que se discute naqueles conclaves elitistas tipo Grupo de Bilderberg, Conselho de Relações Exteriores e Fórum Econômico Mundial de Davos. 

PROCURADO
por crimes
contra a humanidade
Henry A. Kissinger
Nunca houve, não há hoje nem jamais haverá posição neutra da OTAN ou da União Europeia, sobre nenhuma questão na qual forças antiunipolares – como Rússia, China, Irã, Venezuela, Brasil e outras – se oponham às elites militares-bancárias-de-inteligência da aliança ocidental.

Mr. Kissinger destacou principalmente a necessidade de “construir o bloco da ordem europeia”, coisa que, disse ele, foi tão necessária depois da Guerra dos Trinta Anos quanto é necessária hoje. Kissinger defendeu o sistema de Vestfália como “injustamente atacado como sistema de manipulação cínica do poder, indiferente a requisitos morais”. Até parece que a longa história de Mr. Kissinger sempre apoiando ditaduras fascistas teria feito dele autoridade qualificada para falar sobre “moralidade” nas relações internacionais.

Para não ficar para trás, atropelado por Kissinger e seu elogio da ordem westfaliana, o general Scowcroft declarou que duas ameaças gêmeas – a sociedade da informação (especialmente o uso das mídias sociais para organizar a massa contra o status quopolítico) e a mudança climática – trazem o máximo perigo para a manutenção do Tratado de Vestfália. Scowcroft defendeu aplicadamente o sistema do estado-nação westfaliano, para delícia de McCain que o ouvia sorridente.

É o mesmo McCain que trabalhou para que houvesse guerras na Líbia, no Iraque e na Ucrânia – as quais realmente levaram à destruição desses três legítimos e bem constituídos estados-nação. Mas coerência nunca foi qualidade que se encontre em neoconservadores do tipo de McCain e outros, os mesmos que apoiam a ala do intervencionismo norte-americano que McCain coordena (?!) em todo o planeta.

Para Brzezinski, a ideia de Vestfália é unir a Europa contra a “ameaça” russa. Brzezinski, nacionalista polonês nada mitigado, que partilha a mesma filosofia com outro polonês nacionalista de direita, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, nunca perdeu chance de culpar a Rússia, de acusá-la de crimes e ardis, e de ‘'exigir'’ a subjugação política, econômica e militar da Rússia à OTAN e à União Europeia.

Zbigniew Brzezinski
Na mente de Kissinger, Scowcroft e Brzezinski, a Europa hoje não é muito diferente da Europa do século XVII do Sacro Imperador Romano, Ferdinando III de Habsburgo; do cardeal Richelieu da França; do cardeal Mazarin, regente do rei infante Luiz XIV de França; e os diplomatas foram enviados pelos líderes de Espanha, Suécia, Países Baixos, Suíça e outros ducados e reinos menores, para Osnabruck e Munster, na Vestfália, com ordens de não sair de lá sem o Tratado de Vestfália firmado.

Em outras palavras – igualmente senis – diplomacia e destinos de nações sempre estarão em boas mãos, se entregues a elites não eleitas, como se fazia no século XVII. Os “três decrépitos” – Kissinger, Scowcroft e Brzezinski – não mudariam uma linha naquele século XVII. De fato, as políticas desses três foram, durante décadas, determinar o futuro do mundo em conclaves como os de Bilderberg, de Davos e outros desses encontros secretos.

O objetivo dos que montaram a marteladas o sistema westfaliano em 1648 era a continuação do feudalismo e do regime de servos-da-gleba na Europa. Depois que Vestfália reconheceu a independência da Holanda e da Suíça, com os direitos dos judeus holandeses perfeitamente preservados, Holanda e Suíça rapidamente se converteram em quartel-general do mercantilismo internacional mais livre-mercadista – que incluía o tráfico de escravos e os serviços internacionalizados de banking; na Holanda, o primeiro; na Suíça, os segundos.

Vestfália em 1648 e suas derivações de hoje são ardis montados para proteger os interesses das elites e da classe rica. Murmúrios de privilégio real ainda se ouvem hoje, na Europa, com o príncipe Henrik da Dinamarca, marido francês da rainha dinamarquesa, reclamando para si o direito de ser chamado de “Rei Consorte”, não “Príncipe Consorte”, título inferior.

Críticas contra o envolvimento da monarquia espanhola em negócios fraudulentos, e em torno de acusações de que a monarquia belga teria acobertado escândalos de pedofilia resultaram, de fato, em as “realezas’”se porem a atacar quem as criticasse, porque teriam incorrido no crime ancestral de lèse-majesté, que define como violação da lei qualquer crítica contra a realeza e a monarquia.

Os que advogam a favor de Vestfália tentam proteger uma plutocracia corrupta composta de monarquistas, militaristas, magnatas, inescrupulosos em geral na Europa, que trabalham em falange com fantoches neocolonialistas nos países em desenvolvimentos que devem para o FMI e o Banco Mundial. Como se viu com a manipulação das mídias sociais operada pela CIAe por George Soros para alcançar seus objetivos vestfalianos, a mídia social pode também ser usada contra as elites do poder que se agarram ao conceito de moderno estado-nação como seu único meio de sobrevivência.

Brent Scowcroft
Os defensores dos arranjos vestfalianos pretendem que o sistema deles advogaria sempre a favor de três princípios centrais:

(1) soberania do estado;
(2) igualdade dos estados; e
(3) não intervenção de um estado nos assuntos de outro.

Mas a subjugação da soberania de Grécia, Irlanda, Espanha, Itália e Portugal aos desígnios de eurobanqueiros e empresas financeiras globalistas obriga a descartar qualquer ideia de que respeitem alguma soberania de algum estado.

A aliança ocidental interveio nos assuntos internos da Sérvia, do Iraque, da Líbia, da Síria e, mais recentemente, também da Macedônia – o que mostra a falta de consideração à cláusula da não intervenção – que, para os vestfalianos, seria sua mais importante marca.

As potências da OTAN, sempre a ameaçarem a independência de Abkhazia, Ossetia do Sul, Transdnistria e Nagorno-Karabakh e a autodeterminação da Crimeia e do Donbass, mostram que o princípio vestfaliano da igualdade entre os estados não passa de amontoado de palavras vazias.

O mundo está mudando e deriva, em velocidade vertiginosa, para bem longe do grotesco pensamento de Vestfália.

Os únicos seres humanos que clamam ainda por governo vestfaliano são três diabos-velhos senis – Kissinger, Scowcroft e Brzezinsk – que deveriam estar cuidando, isso sim, de envelhecer com, afinal, alguma decência.

[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al JazeeraStrategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Putin e seu negócio-surpresa de gás atordoam Obama e “eurolíderes”

5/12/2014, [*] Mike WhitneyCounterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


O gasoduto Nabucco deles fracassou. O de Putin ganhou. Ponto final. Chama-se “capitalismo”. O “ocidente” que aprenda: capitalismo dói.


Erdogan e Putin facham acordo de gás em 1/12/2014 em Ancara (Turquia)
Na 2ª-feira (1/12/2014), o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, fechou um negócio, com o Presidente Recep Tayyip Erdoğan da Turquia, que reforça os laços econômicos entre os dois países e converte a Turquia em principal eixo de distribuição do gás russo na região. Nos termos do acordo assinado, a Rússia bombeará mais gás natural para locações na Turquia central e para uma “central de distribuição na fronteira turco-grega”, que praticamente garantirá a Putin livre acesso pela porta dos fundos ao lucrativo mercado da União Europeia, com a Turquia operando como intermediário criticamente decisivo. O movimento cria uma aliança Rússia-Turquia de fato, que altera todo o equilíbrio de poder regional a favor de Moscou, erguendo mais um formidável obstáculo contra a estratégia de “pivô para a Ásia”, de Washington.

Enquanto a imprensa-empresa ocidental dedica-se a “noticiar” a mudança no projeto (“Putin abandonou o projeto de construção do gasoduto Ramo Sul que levaria gás para o sul da Europa” [1]) como se fosse “fracasso diplomático” para a Rússia, a verdade parece ser exatamente o oposto de qualquer tipo de fracasso.

Putin mais uma vez passou a perna nos EUA, tanto no front “energético” quanto no front geopolítico, acrescentando duas marcas em sua longa lista de triunfos políticos. Adiante, um breve resumo escrito por Andrew Korybko, no blog Sputnik News:

A Rússia deixou para trás o conturbado projeto Ramo Sul e passará a construir com a Turquia o gasoduto que o substituirá, noutra direção. É decisão monumental, que assinala que Ancara também decidiu rejeitar o euroatlanticismo e abraçar a integração eurasiana.

No movimento que pode ser o maior, até agora, na direção da multipolaridade, (...) a Turquia mudou de campo e deixou para trás as velhas ambições euroatlânticas. Há um ano, nada disso seria sequer imaginável. Mas o retumbante fracasso da política dos EUA para o Oriente Médio e para a energia da União Europeia tornou possível essa reversão completamente surpreendente, em menos de um ano. A Turquia já gozava de algumas relações privilegiadas com o ocidente, mas toda a natureza do relacionamento foi para sempre alterado, com o país, agora, oficialmente engajado numa multipolaridade pragmática.

O governo da Turquia completou movimento importantíssimo ao firmar esse negócio colossal com a Rússia, em ambiente político tão altamente sensível; e a velha amizade não poderá ser restaurada. (...) As reverberações disso tudo são globais, no mais pleno sentido da palavra. (“Cold Turkey [2]: Ancara dá as costas à pressão ocidental e volta-se para a Rússia”, Sputnik News)

Projetos South Stream e Nabucco - CANCELADOS
Korybko parece ser o único a perceber a magnitude do que aconteceu em Ancara na 2ª-feira (1/12/2014), embora – a julgar pelo silêncio sepulcral do governo Obama – tudo leve a crer que a gravidade do quadro começa a se tornar visível para muitos. Vlad, o Grande-Mestre, atropelou os “únicos supernegociadores indispensáveis da única superpotência idem”, deixou-os sem fala. É cenário que ninguém previra e que, se não for corretamente administrado pode vir a transformar-se em pesadelo, esse sim, excepcionalíssimo. Adiante, um pouco mais, de uma conferência de imprensa, em RT:

Putin disse que a Rússia está pronta para construir novo gasoduto para suprir a crescente demanda da Turquia por gás, que pode incluir uma central especial de redistribuição, sobre a fronteira turco-grega, para consumidores no sul da Europa.

Por hora, o suprimento de gás russo para a Turquia aumentará cerca de 3 bilhões de metros cúbicos, pelo gasoduto Ramo Azul [orig. Blue Stream] já operante (...). Moscou também garantirá desconto de 6% no preço do gás para consumidores turcos, a partir de 1/1/2015 – disse Putin.

Estamos preparados para aumentar esses descontos no preço do gás, conforme avance a implementação de nossos projetos conjuntos em larga escala – explicou o presidente da Rússia. (“Putin: Russia forced to withdraw from S. Stream project due to UE stance”, RT)

O Projeto Blue Stream deverá ser estendido
de Ancara até a fronteira da Grécia
Como foi possível? Como Putin pôde chegar valsando a Ancara, assinar o próprio nome em algumas folhas de papel e capturar um dos aliados chaves de Washington, bem ali, sob o nariz de Washington? Não havia ninguém ali suficientemente sensível para prever cenário semelhante e evitá-lo a tempo? Ou todos os seres competentes no governo do EUA foram substituídos por doidas doentiamente viciadas em guerra, como Susan Rice e Samantha Powers?

O governo Obama estava fazendo tudo que podia para controlar o fluxo de gás do oriente para o ocidente e assim minar a integração econômica russo-europeia. E, de repente, ágil como gato, Putin encontra via para evitar as sanções econômicas (Turquia rejeitara as sanções contra a Rússia), para evitar a coerção e a chantagem pelos EUA (que foram aplicadas contra a Bulgária, a Hungria e a Sérvia), e evita as infindáveis hostilidade e beligerância de Washington, e, simultaneamente, posiciona a Rússia exatamente onde a Rússia desejava estar. Mas, ora... Afinal de contas, o que se deveria esperar de Mestre de alto nível em artes marciais, como Putin?

“Não estou batendo em ninguém”, diz Vlad, a Marreta. “Você é que vai autoespancar-se”. E se bem o disse, melhor o fez. Pergunte ao embasbacado Obama que, até agora, não levou a melhor em nenhum dos vários encontros que teve com Putin.

Mas... E por que o silêncio? Por que a Casa Branca não emitiu declaração sobre o grande negócio de gás entre russos e turcos, sobre o qual todos estão falando?

Explico-lhes por quê. Porque ainda não sabem o que desabou sobre eles, de que lado veio, nem por quê. Estão completamente abobalhados pelo anúncio do acordo e não conseguiram nem perceber o que significa para as questões que, sim, são as principais da agenda de política externa deles mesmos! Como o “pivô para a Ásia”, ou as guerras na Síria e Ucrânia, ou o muito eternamente inflado gasoduto do Qatar para a União Europeia que se esperava que cruzasse o território da – adivinharam?! – Turquia. Será que aquele plano ainda é plano, ou a aliança Putin−Erdogan bateu o último prego do esquife também dele? Verdade seja dita, Putin, dessa vez, mandou o adversário para fora do ringue. A equipe de Obama está claramente sem chão, sem nem ideia do que está acontecendo. Se a Turquia vira-se na direção do leste e une-se ao crescente bloco russo, os políticos norte-americanos terão de rasurar a melhor parte de seus planos estratégicos para o próximo século e voltar ao primeiro quadrinho do jogo. Que trabalheira!

O trecho do Blue Stream, Ancara- Grécia
(a ser construído)
Na 4ª-feira (3/12/2014), o New York Times publicou artigo interessante, que expõe perfeitamente a ambivalência de Washington em relação ao Ramo Sul. Aqui, um excerto:

Moscou apresentou o projeto há muito tempo, em 2007, como projeto que fazia sentido comercial, porque criava nova rota para o gás russo chegar à Europa. Washington e Bruxelas opuseram-se, porque o projeto seria instrumento para reforçar a influência russa sobre o sul da Europa, e porque deixava de lado a Ucrânia, cujas disputas de preços com a Gazprom interromperam por duas vezes o fornecimento de gás à Europa, em anos recentes (“Decisão de Putin, de não construir o gasoduto Ramo Sul, deixa a Europa embasbacada”, New York Times).

Aquele foi o argumento do vai-e-vem: vender gás ao povo na União Europeia reforçaria, sabe-se lá como, o poderio tirânico maníaco que Putin insistiria em impor ao continente. É piada. É conversa de doidos. Você, caro leitor: está disposto a desligar o aquecimento e o fogão de cozinha, rasgar sem pagar sua conta de energia elétrica, para protestar, e deixar-se morrer congelado no escuro... só para “fazer-ver” à empresa fornecedora de gás que você jamais capitulará ante o poderio tirânico maníaco... de uma empresa de gás?!

Claro que não, porque toda essa ideia é ridícula. Assim como é ridículo pensar em bloquear o Ramo Sul também sempre foi ridícula. Putin é vendedor de gás. Não é vendedor de tirania. Não tem planos de fazer as pessoas bater queixo, bater pés e viverem arrepiados de frio, em casa e no trabalho, dia e noite, no escuro.

Toda essa conversa não passa de propaganda do pessoal da indústria do petróleo, que perdeu a disputa comercial pelo fornecimento de petróleo para a União Europeia. Reclamem o quanto queiram das uvas amargas, porque, volta e meia, as uvas amargam, sim, para um lado ou para o outro. O gasoduto (Nabucco) deles fracassou. O de Putin ganhou. Ponto final. Chama-se “capitalismo”. O “ocidente” que aprenda: capitalismo dói. 

E há mais uma coisa: os países que aquele Ramo Sul atenderia não têm fornecedor alternativo que atenda sua demanda crescente por gás. Assim sendo, aqueles países, ao acompanharem a “liderança” de Washington, o que fizeram foi, basicamente, atirar contra o próprio pé. Analistas estimam que qualquer substituição para o gás russo custará provavelmente 30% a mais que o preço que a Gazprom lhes ofereceria.

O xadrez ESTÚPIDO dos EUA

Viva os EUA! Viva a estupidez!

Os EUA estavam determinados a sabotar o Ramo Sul, desde o começo, sobretudo porque Washington quer que suas empresas e bancos controlem o fluxo de gás para o mercado da União Europeia  através de gasodutos privados na Ucrânia. Assim, podem arrancar lucros maiores para os oligarcas acionistas do governo dos EUA. Sem entrar em muitos detalhes sobre os variados métodos que os EUA usaram para torpedear o projeto, vai aqui uma história que vale a pena conhecer. Esse excerto é de Zero Hedge (trad. completo em redecastorphoto):

(...) dois meses antes de o governo ucraniano ser derrubado: o Primeiro-Ministro da Bulgária – país que mantém relação especialíssima de amor & ódio com a Rússia, e relação na qual os EUA adorariam injetar mais ódio – Plamen Oresharski, surpreendentemente ordenou a suspensão dos trabalhos no gasoduto Ramo Sul, por recomendação da União Europeia. A decisão foi anunciada depois de conversações entre Oresharski e senadores norte-americanos.

Há agora um pedido, da Comissão Europeia, depois do qual suspendemos os trabalhos que estavam em andamento. Eu mesmo ordenei a suspensão. Outros procedimentos serão decididos depois de novas consultas com Bruxelas – Oresharski disse a jornalistas, depois de conversar com John McCain, Chris Murphy e Ron Johnson durante visita que fizeram à Bulgária.

Naquela ocasião, McCain, comentando a situação, disse que: a Bulgária deve resolver os problemas do [gasoduto] Ramo Sul, em colaboração com colegas europeus. E acrescentou que, na atual situação, queriam menos envolvimento russo.

Os EUA decidiram que querem pôr-se em posição de excluir todos os que querem excluir países nos quais os EUA tenham algum interesse; não há absolutamente nenhuma racionalidade econômica nisso. Os europeus são muito pragmáticos, estão procurando fontes de energia – recursos de energia limpa, que a Rússia pode fornecer. Mas o problema com o [gasoduto] Ramo Sul é que ele não se encaixa na política da situação, disse Ben Aris, editor de Business New Europa, à RT (Zero Hedge).

John McCain e Barack Obama
Digamos logo, sem meias palavras: McCain, o Louco, chega à cidade e imediatamente se põe a mandar em todos à sua volta, dizendo que quer “menor envolvimento russo”, e basta essa bobagem para fazer o Ramo Sul brecar, queimando pneu? É isso que estou ouvindo?

É. Ou pelo menos é o que parece, com certeza parece.

Será que tudo isso afinal ajudou o leitor a ver o que está realmente acontecendo aqui? Não se trata de Putin. Trata-se de negócios de gás, e de quem vai lucrar desse gás e em que moeda esse gás será denominado. É disso que se trata. O resto da patacoada sobre “envolvimento russo” ou terrorismo ou direitos humanos ou soberania nacional é só conversa fiada. A turma que governa os EUA (gente como McCain) não dá nenhuma importância a nada daquilo. Aquela turma só pensa em dinheiro; dinheiro e poder. Só. Nada mais.

Assim sendo, o que farão agora? Como os gatos gordos no poder em Washington expressarão sua fúria contra a nova ameaça que Putin e Erdogan criaram?

Não é preciso um gênio para entender o que virá. Será exatamente o que todos já vimos acontecer, um milhão de vezes.

Vão à caça da cabeça de Erdogan com unhas e dentes. É o que sempre fazem, não é?

A única razão pela qual ainda não começaram a caçada é porque estão pondo em ordem as suas hordas de propaganda, o que em geral toma um dia ou dois. Mas tão logo os “jornalistas” e “especialistas midiáticos” estejam organizados, começará o desmantelamento do velho Recep, paulada-manchete a paulada-manchete. Erdogan será o novo Hitler e maior ameaça à humanidade que o mundo jamais viu. Podem apostar.

A CIA vinha construindo a desgraça de Erdogan...
Sibel Edmonds [3] acha que Washington já estava cozinhando a desgraça de Erdogan há muito tempo, desde o tempo de um arranca-rabo que ele teve com a CIA, há alguns anos. Seja como for, ela oferece bom prognóstico do que esperar, agora que Erdogan entrou na lista dos inimigos de Washington. Eis um recorte do que ela postou em Boiling Frogs, dia 18/1/2014:

Todos sabemos o que acontece a esses fantoches quando se desentendem com a CIA. O fantoche passa a ser visto como se seu prazo de validade estivesse vencido. Depois de o fantoche ser considerado expirado começa, sem mais nem menos, do nada, a reversão da respectiva marca, que se pode chamar de marketing reverso: todos os velhos esqueletos são desenterrados do mais fundo dos armários e “vazados” para a imprensa-empresa. Todas as violações de direitos humanos que, antes, nada haviam violado, são examinadas novamente para constatar que, sim, violaram. A carta terrorista rapidamente aparece na equação. E a lista vai longe.

(...) Todos os fantoches e palhaços e respectivos regimes que o Império pôs no poder têm de obedecer cegamente todas as ordens do Império (...). Não violarás as ordens do Império. Porque se as violares, estarás desgraçado, ferrado, exposto, derrubado do poder e pode acontecer até de morreres. Para ter certeza, basta examinar a história do último século. E ver o que acontece quanto fantoches e palhaços postos no poder ficam confiantes demais e se deixam dominar pela húbris, e ignoram um ou mais dos mandamentos. É quando qualquer fantoche ou palhaço pode ganhar reencarnação como ditador, déspota, torturador e, claro, claro: como terrorista. É quando o quintal deles é cavado incansavelmente, até acharem lá qualquer grama de armas de destruição em massa...

Não importa como se analise a questão, os dias de Erdogan estão contados... Todos os que algum dia se atreveram a fazer o que ele fez foram punidos e exibidos em praça pública, como exemplo a todos os demais fantoches−palhaços postos no poder pelos EUA−CIA. (“Primeiro-ministro turco Erdogan: A rápida transformação de um fantoche do Império”, BFP).

Então... aí está. Podem todos esperar o que virá lá pelo fim da semana, quando a imprensa já estiver “reorganizada” para fazer a demonização de Erdogan, o homem que se atreveu a desobedecer os chefões da gangue-Washington. Como todos que acompanham a política externa dos EUA nos últimos 60 anos sabem: quanto a desobedecer, a coisa é absolutamente proibida, é não e não. [4]
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Notas dos tradutores

[1] Essa era PRECISAMENTE a manchete que se lia na revista Exame, da ed. Abril e no Correio Braziliensequando suspendemos a pesquisa e decidimos que não valia a pena perder tempo com esse tipo de “demonstração-denúncia”. O “jornalismo” brasileiro, as empresas-imprensa, os jornalistas empregados e os cursos de “cumunicação” que os “formam” [só rindo] são os piores do mundo, cada um na sua área, e já sabemos disso. Agora já não se trata de explicar-denunciar; agora se trata de transformar, fazer melhor e acabáááááá cun eles.

[2] Lit. “Peru frio”; trocadilho com Turkey, “Turquia”; e com uma expressão de gíria “cold turkey” aprox. “a ferro e fogo”, “doa a quem doer”.

[3] Sibel Edmonds, ex-tradutora do FBI; demitida depois de acusar oficiais do FBI de terem ignorado toda a inteligência que já havia e que apontava para os ataques da Al-Qaeda contra os EUA. Anima um blog interessante: Boiling Frogs.

[4] Alteramos ligeiramente a tradução das linhas finais do artigo. Mais do que um Erdogan que estaria “considerando o interesse do próprio país” (como se lê no original) e que disso teria extraído coragem para desertar o campo dos EUA e juntar-se a Putin, o que nós vemos aí é um Erdogan que, já sabendo que a CIA o “marcou” (o artigo acima citado, sobre a desconstrução de Erdogan foi escrito há exatamente um ano), alia-se a Putin, para ter alguma proteção. Isso, sim, no nosso modo de ver, explica a mudança de Erdogan (supondo que tenha havido alguma), muito mais do que alguma “bondade” essencial, ou genuíno interesse pelo destino do povo turco que tivesse repentinamente brotado nele.
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[*] Mike Whitney é um escritor e jornalista norte-americano que dirige sua própria empresa de paisagismo em Snohomish (área de Seattle), WA, EUA. Trabalha regulamente como articulista freelancenos últimos 7 anos. Em 2006 recebeu o premio Project Censored por uma reportagem investigativa sobre a Operation FALCON, um massiva, silenciosa e criminosa operação articulada pela administração Bush (filho) que visava concentrar mais poder na presidência dos EUA. Escreve regularmente emCounterpunche vários outros sites. É co-autor do livro Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press) o qual também está disponível em Kindle edition.
Recebe e-mails por: fergiewhitney@msn.com

sábado, 15 de novembro de 2014

Ucrânia: As altas esperanças de Kiev nos Republicanos darão em nada

14/11/2014, Dmitry MININStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


O senador John McCain (no círculo) discursa entre o senador democrata do estado de Connecticut, Chris Murphy (E), e um dos golpistas, Oleh Tyahnybok (D), num comício pró EUA-União Europeia na Praça Maidan em Kiev - 15/12/2013.
A vitória dos Republicanos nas eleições de meio de mandato nos EUA – os quais controlam hoje as duas casas do Congresso – incendiou esperanças em Kiev.

A ideia geral foi que, então, afinal, começariam a chegar os gordos pacotes de ajuda que “a América” prometeu-lhes durante os protestos na Praça Maidan, mas que ainda não apareceram, o que ajudaria a tirar o regime de Kiev no buraco que cavou para ele mesmo.

O ex-ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Volodymyr Ohryzko, anunciou que a vitória dos Republicanos seria excelente sinal para a Ucrânia. Afinal, o senador Republicano John McCain, que deverá presidir a Comissão das Forças Armadas do Senado dos EUA, várias vezes manifestou entusiasmo pela ideia de embarcar armas por mar, diretamente dos EUA para a Ucrânia. E outros Republicanos afamados fizeram promessas assemelhadas.

Um grupo de senadores Republicanos garantiu também que, em breve, as duas casas do Congresso poderão debater o projeto da “Lei para Impedir Agressão Russa”, de 2014. Esse projeto de lei, que foi proposto ao Congresso na primavera passada, imporia novas sanções contra a Rússia e asseguraria assistência militar e técnica imediata ao governo de Kiev. Mas, até agora, o governo Obama sempre arranjou meios para adiar a votação do projeto de lei.

A verdade é que os “planos” de Kiev foram construídos sobre terreno instável, pantanoso.

Afinal de contas, quem decide sobre a política externa dos EUA é o presidente e, enquanto Obama tiver mandato, é altamente improvável que alguma coisa mude no curso que já está traçado. Como observou Daniel Wagner do Huffington Post, aqueles senadores sempre tão simpáticos ao governo de Kiev acabarão provavelmente frustrados, porque têm bem pouco poder para cumprir quaisquer de suas promessas sem “resposta mais significativa e coordenada com e da Europa, a qual claramente não está a caminho”.

Petro Poroshenko (E) e Joe Biden em 7/6/2014
Ainda mais importante, os Republicanos não são força unificada, e não há qualquer garantia de que o candidato Republicano à presidência seja representante da ala mais à direita do partido. Por exemplo, um dos mais fortes candidatos à indicação como candidato é o senador Republicano, Rand Paul – que faz oposição consistente ao intervencionismo norte-americano.

Os Republicanos não se sentem responsáveis pelo caos na Ucrânia, que os Democratas inflaram o mais que puderam, e não dão sinais de querer ajudar o atual governo Obama a arrancar-se daquele caos. Os Republicanos nada têm a ganhar por ajudar Obama a salvar a própria cara. O principal problema de Kiev não é como obter novos armamentos, que o exército ucraniano – que só sabe operar o velho equipamento herdado dos soviéticos – ainda teria de aprender a usar. O maior problema deles é como deter o rápido deslizamento da economia ucraniana rumo ao abismo. Quem controla a rédea na boca dos lacaios do ocidente que estão saqueando a Ucrânia? Além do mais, os Republicanos norte-americanos são sempre muito mais mão-fechada, que os Democratas, no que tenha a ver com distribuir ajuda financeira. E muito se orgulham disso. Se o dinheiro não apareceu durante o governo Obama, menos ainda aparecerá em governo dos Republicanos.

A vasta experiência de Henry Kissinger ajudou a localizar a exata causa da crise ucraniana: quando começou a encorajar os tumultos de rua na Ucrânia, Washington esqueceu-se de considerar a importância que a Ucrânia sempre teve para a Rússia. Ouvem-se ecos da teoria dos “desafios-e-respostas”, de Arnold Toynbee, nas palavras desse arcano da diplomacia dos EUA.

Henry Kissinger eating...
Quando se lança um desafio, na disputa por algo que não tem grande importância para o desafiante, mas é extremamente importante para o desafiado, o desafiante expõe-se ao risco de receber do desafiado uma resposta de tal modo forte e poderosa, que o desafiante logo se verá sem condições de manter o desafio, mesmo que continue em posição inerentemente mais forte.

Kissinger tem dito que a Casa Branca está agindo como se não compreendesse que a relação entre EUA e Rússia é muito mais criticamente importante para os EUA que a relação entre EUA e Ucrânia.

Richard Pipes, que foi principal conselheiro sobre questões russas no governo Reagan e que ajudou a criar a marca ideológica do “império do mal”, tem a oferecer, agora, argumento bastante mais sensível e inteligente, observando que já se impuseram sanções muito pesadas à Rússia – que praticamente não tiveram efeito algum. Para ele, o ocidente não tem meios ou poderes para manter essa política contra a Rússia, e que insistir em medidas ativas pode levar à guerra. Pipes prevê que Washington está preparada para deixar a Ucrânia onde está, dentro da esfera de influência russa. Mas, de um ponto de vista norte-americano, é absolutamente inaceitável que a Rússia use soldados para “capturar” parte da Ucrânia. Enquanto isso não acontecer, os EUA não se envolverão mais ativamente na Ucrânia. Disse também que não consegue sequer imaginar uma situação na qual o governo dos EUA comece a exportar armas para a Ucrânia.

Para Pipes, o problema mais profundo da Ucrânia é que o país jamais foi independente e não tem experiência alguma do processo de construir um estado. Explica que Kiev tem de encontrar um meio para controlar o próprio território, combater a corrupção e criar um exército poderoso. Pipes acredita que as autoridades ucranianas têm muito trabalho pela frente, mas podem alcançar seus objetivos. Alerta que, embora a Ucrânia possa vir a incorporar-se ao ocidente, o processo exigirá tempo; mais para 50 anos, que para 10 ou 20. Aqui, ou Pipes está sendo complacente ou seu “argumento” é que cabe(ria) ao afogado salvar-se do afogamento, porque não há quem não saiba que os que estão hoje no poder na Ucrânia não têm nem 10 meses de tempo, muito menos teriam nem 50 e nem 10 anos.

Mikhail Pogrebinsky
Mikhail Pogrebinsky, diretor do Centro Kiev para Estudos Políticos e de Conflitos, também entende que as mudanças no Congresso dos EUA não determinarão nenhuma mudança decisiva nas políticas dos EUA para a Ucrânia. Não, pelo menos, enquanto Barack Obama permanecer no governo. Mas, para ele, o curso de ação que Obama escolheu está sendo causa de crescente instabilidade na Ucrânia.

Não compreendo a lógica dos norte-americanos – diz Pogrebinsky. A Ucrânia já tem governo pró-EUA. Os EUA deveriam estar fazendo o possível para preservar o governo de Kiev. Mas, em vez disso, não param de sacudir o bote, o que não faz sentido algum. Nunca qualquer governo norte-americano manteve, por tanto tempo, política tão alucinada.

Quanto a essa “política alucinada” – faz lembrar as ações do embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, que está “exigindo” que Kiev imponha sanções contra o Donbass e rompa todos os laços econômicos com a Rússia. Mas ninguém, no ocidente, sequer pensou em, por exemplo, perdoar a dívida da Ucrânia. Ou em assegurar pedidos europeus ou norte-americanos, às fábricas ucranianas, que substituíssem os pedidos russos que o país perdeu.

Querem é sangrar até a morte a economia ucraniana. O que o embaixador dos EUA está propondo só pode gerar agitação social e tumultos por todo o país – concluiu um especialista ucraniano.

Geoffrey Pyatt
Depois que o experimento de “democratização” da Ucrânia terminar em total fracasso, o próximo governo dos EUA, como acontece sempre, se declarará “não culpado” e “não responsável” pelos resultados da débâcle dessa política externa.

Toda a culpa será do governo anterior e dos erros que cometeu; ou tudo terá sido, só, efeito de intrigas urdidas em Moscou; ou o que aconteceu só aconteceu, mesmo, porque a matéria prima era de má qualidade.

O único real problema é quanto tempo ainda falta para que se conheçam os frutos dessa política norte-americana intervencionista “alucinada”; se amadurecerão ainda durante os estágios finais do governo Obama – o que levará ao colapso total da Ucrânia. E que preço o povo ucraniano terá ainda de pagar, por todo esse alucinamento.