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domingo, 26 de abril de 2015

Doutrina Hillary: “Viemos, vimos, todos morreram”

16/4/2015, [*] Wayne MadsenStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Os que dizem que a chamada “Doutrina Obama” de política exterior foi, na melhor das hipóteses, amorfa e conflitante, veem a possibilidade de um governo Hillary Clinton, como ainda mais danosa para a política exterior dos EUA. Agora que a ex-Secretária de Estado já anunciou formalmente que é candidata à presidência dos EUA, especialistas dedicam-se a dissecar as decisões dela enquanto comandava a diplomacia dos EUA. Entre aquelas decisões estão não só os mais gritantes fracassos da política exterior de Obama, como resultado direto do agitar de sabres e da diplomacia temerária da Sra. Clinton, mas também sinais gritantes da avidez com que ela sempre quis engajar-se em operações, assemelhada à conhecia obsessão por revoluções de George Soros. Tudo isso preocupa muitos diplomatas, temerosos de que um governo Hillary Clinton – com o marido como “embaixador itinerante” – venha a castigar ainda mais o mundo, com mais desse mesmo aventureirismo intervencionista norte-americano.

Quando Obama já quase havia sido convencido a envolver militarmente os EUA na guerra na Síria, empurrado pela doutrina da “Responsabilidade de Proteger”, R2P, de Hillary, e desenvolvida com a assistência da embaixadora dos EUA à ONU, Susan Rice, e da encarregada de Assuntos Multilaterais e Direitos Humanos do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Samantha Power, Obama, parece, deu-se conta de que a tal Responsabilidade de Proteger era caminho certo para embrulhar os EUA em mais uma guerra sangrenta no Oriente Médio.

Se Obama tivesse desconsiderado ‘'conselhos'’ das mesmas Clinton, Rice & Power quanto a operações anteriores de “R2P” na Tunísia, Líbia, Egito e Iêmen, não haveria hoje o Estado Islâmico no Iraque e Levante (ISIL) na Síria e Iraque, nem seus muitos ramos na Líbia, Tunísia, Iêmen e Egito.

Hillary Clinton apoiou terrotistas na Líbia
Hillary Clinton na presidência não apenas promoverá mais causas de R2P e trará mais instabilidade para o mundo, mas, também, sem dúvida, ela também promoverá sua secretária de estado assistente, que a própria Hillary selecionou a dedo, Victoria Nuland, o cérebro (?) por trás do golpe de estado da Praça Maidan na Ucrânia, que fez mais para desestabilizar a Europa do que qualquer outra pessoa, desde quando Ronald Reagan introduziu mísseis cruzadores com ogivas nucleares na Europa Ocidental, nos anos 1980s.

A Sra. Clinton pode, inclusive, encontrar algum trabalho de alta política externa para o marido da Nuland, Robert Kagan da Brookings Institution, um dos arquitetos neoconservadores da invasão e ocupação do Iraque pelos EUA, redator da autorização para guerra, que o senado aprovou em 2002, e a favor da qual a Sra. Clinton votou, quando senadora por New York.

Outras das acólitas de Hillary no Departamento de Estado, que se empenhou para conseguir que a política externa dos EUA retrocedesse décadas, por causa das ações de intervencionismo agressivo, é Roberta Jacobson, secretária de Estado assistente para questões do Hemisfério Ocidental, que irritou a Venezuela ao chamar o país de “ameaça” à segurança nacional dos EUA, na véspera da chegada de Obama para participar da Cúpula das Américas no Panamá. Obama e Jacobson foram forçados a voltar atrás na posição dos EUA sobre a Venezuela, por causa do coro de críticas que receberam de vários presidentes latino-americanos e do Caribe.

Hillary Hitler
Claro que o reinado da Sra. Clinton no Departamento de Estado incluiu também o apoio que ela deu a um golpe militar que depôs o presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, em 2009.

Então secretária de Estado, Clinton apoiou apaixonadamente o golpe contra Zelaya que foi coordenado até pelo embaixador que ela pusera em Tegucigalpa, Hugo Llorens, cubano-americano e diplomata de carreira com laços com a extrema direita da comunidade de cubanos no sul da Flórida. Apesar de o próprio embaixador dos EUA ter dito, depois do golpe, em telegrama a Clinton, que a ação era ilegal, nos termos da constituição de Honduras, Clinton recusou-se a cortar a ajuda financeira à junta que tomara o poder em Honduras. A Sra. Clinton sempre se recusou a chamar de golpe o golpe que derrubou Zelaya, porque esse ‘reconhecimento’ obrigaria os EUA a cortar a assistência à junta militar. Llorens não poderia ter sido mais claro em telegrama confidencial, depois do golpe, que enviou a Clinton, e que adiante WikiLeaks divulgou para conhecimento público:

“Independente dos méritos das alegadas violações que Zelaya tivesse cometido, é perfeitamente claro, mesmo com leitura [da Constituição de Honduras] apenas superficial, que a remoção do presidente por força militar foi ilegal, e até os mais fervorosos defensores do golpe não conseguiram encontrar argumento para preencher o vácuo que há entre ‘Zelaya infringiu a lei’ e ‘portanto foi despachado pelos militares para a Costa Rica, sem qualquer julgamento’.”

Hillary Clinton
Apenas poucos dias antes de Clinton anunciar sua candidatura à presidência, por vídeo distribuído pela Internet, Obama disse a líderes americanos que estavam acabados os “dias de intromissão” dos EUA em assuntos da América Latina. Mas apenas seis anos antes, a secretária de Estado de Obama muito se intrometera em Honduras, aprovando e promovendo um golpe contra o presidente legítimo. Depois, veio um “golpe constitucional” (sic) contra Fernando Lugo presidente eleito do Paraguai em 2012, com a Sra. Clinton no posto de secretária de Estado. E também houve tentativas de golpe, durante o mandato da Sra. Clinton, contra os presidentes da Bolívia e do Equador, além, das várias tentativas de golpe contra o presidente Nicolas Maduro da Venezuela.

Clinton sempre tentará encobrir o papel que ela teve no golpe em Honduras, mas foi papel muito significativo. Ela encontrara-se com Zelaya na cúpula da Organização dos Estados Americanos em San Pedro Sula, Honduras, apenas poucas semanas antes do golpe. O falecido presidente Hugo Chávez da Venezuela e Evo Morales, presidente da Bolívia, disseram que o golpe jamais teria acontecido sem apoio ativo do Comando Sul dos EUA em Miami, bem como dos militares norte-americanos estacionados na base aérea Soto Cano-Palmerola em Honduras. Zelaya incomodou o Pentágono, quando anunciou planos para transformar aquela base aérea em um aeroporto internacional. Muitos dos altos comandantes militares de Honduras, inclusive todos os que organizaram e desencadearam o golpe, foram treinados no conhecido Western Hemisphere Institute for Security Cooperationem Fort Benning, Georgia, a antiga “Escola das Américas”, e claramente obedeceram ordens do Pentágono, como cachorros que esperam por um osso.

Clinton riu: “Nós viemos, nós vimos, ele morreu”
Nada provavelmente ilustra melhor a perfídia de Hillary Clinton, que o noticiário de outubro de 2011. Todas as redes de TV do mundo mostraram que, ao comentar o assassinato brutal do líder líbio Muammar Gaddafi, Clinton riu: “Nós viemos, nos vimos, ele morreu”.

Durante a campanha presidencial de 2007, a Sra. Clinton voou várias vezes em atividades de campanha num avião Air Rutter International Gulfstream II (número na cauda N216RR). O Air Rutter pertencia a um doador da campanha da Clinton, Arik Kislin, filho de Sam (Semyon) Kislin, rico emigrado de Odessa, Ucrânia, instalado em New York. A INTERPOL noticiou que a empresa Trans Commodities, Inc. de Sam Kislin tinha ligações com dois conhecidos gângsteres uzbeques, Lev e Mikhail Chernoy, israelenses. Sam Kislin é conhecido apoiador da organização United Jewish Appeal e de Israel. Um dos problemas com a candidatura de Hillary Clinton é que ela, como seu marido mulherengo leviano, sempre estão a um passo de algum escândalo.

Por exemplo, dia 1/10/2007, o New York Post noticiou que um ex-empregado da Air Rutter, Mark Billey, que depois seria preso acusado de abusar de crianças, declarara que vira vários policiais federais norte-americanos, armados, circulando pelas instalações da empresa Air Rutter, em Long Beach. Isso, precisamente quando o avião da mesma empresa levava a candidata Clinton por todo o país. (...)

Claro que, na próxima campanha, continuarão as ‘solicitações’ do casal Clinton, a governantes de outros países, para que doem dinheiro à “Clinton Foundation”, que o casal mantém –, se os Clintons querem mesmo voltar a morar no número 1.600 da Avenida Pennsylvania.

Os Clintons nomearam mais um FANTOCHE
no Haiti e continuam no LUCRO.
Bill Clinton construiu negócio muito lucrativo, de receber massivas quantidades de dinheiro doado a países devastados por terremotos e tsunamis, como Indonésia e Haiti. Pelo que se sabe do caso do Haiti, bem pouco do dinheiro destinado aos sobreviventes do terremoto chegou algum dia aos destinatários.

Se Hillary Clinton for eleita “a primeira mulher a presidir os EUA”, muitas das crianças que estão nascendo hoje em todo o mundo talvez não estejam vivas para festejar o quarto ou quinto aniversário. Os inocentes serão os que mais sofrerão com a doutrina Hillary na presidência: “Viemos, vimos, todos morreram”.

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[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al JazeeraStrategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC

quarta-feira, 4 de março de 2015

Três diabos-velhos senis & o fascismo de Vestfália

1/3/2015, [*] Wayne MADSENStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Nunca houve, não há hoje nem jamais haverá posição neutra da OTAN ou da União Europeia, sobre nenhuma questão na qual forças antiunipolares – como Rússia, China, Irã, Venezuela, Brasil e outras – se oponham às elites militares-bancárias de inteligência da aliança ocidental.


John McCain... 
O falcão-de-guerra-em-chefe Republicano e presidente da Comissão das Forças Armadas no Senado dos EUA, senador John McCain do Arizona, deu, numa única semana, extensivo mau uso à sua posição, para arregimentar opiniões de duvidosa validade de três agentes decrépitos da política de poder dos EUA.

Em rápida sucessão, o ex-Secretário de Estado Henry Kissinger; o general (aposentado) Brent Scowcroft, Conselheiro de Segurança Nacional dos presidentes Gerald Ford e George H. W. Bush; e Zbiginiew Brzezinski, Conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter, falaram à Comissão presidida por um radiante McCain, sobre a necessidade de manter-se o sistema do Tratado de Vestfália, numa era em que as redes sociais e a internet ameaçam diretamente o sistema do estado-nação westfaliano concebido em 1648, depois da Guerra dos Trinta Anos.

É claro que o que McCain, Kissinger, Scowcroft e Brzezinski querem ver mantida é uma União Europeia federalizada e sempre em expansão, que agora está absorvendo lentamente como seus mais novos estados-nação westfalianos a Ucrânia, a Geórgia e a Moldávia.

Tratado da Westfália - Europa em 1648
(clique na imagem para aumentar)
A União Europeia, que mistura federalismo secular westfaliano com dogma do neo-Sacro-Império Romano, é militarmente apoiada por uma Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que age como os centuriões dos corretores do poder atlanticista de Washington, Londres e Berlim. Esse status quo tem de ser mantido a qualquer custo, segundo Kissinger, Scowcroft e Brzezinski – precisamente os três responsáveis pela conversão da Guerra Fria bloco-soviético vs OTAN do passado, na neo-Guerra Fria que hoje pôs a Rússia à beira da guerra contra a OTAN.

Embora não se possa adivinhar o que os três diabos-velhos senis da política de poder ocidental teriam em mente no apoio que dão ao sistema westfaliano, pode-se presumir com razoável certeza que estão defendendo um sistema mundial no qual uns poucos regimes elitistas ditam a política internacional para o resto do mundo.

Kissinger disse à comissão do Senado que vê a Europa do início dos anos 1600s e a Europa de hoje como entidades semelhantes, porque, nesses dois casos vê-se “uma multiplicidade de unidades políticas, nenhuma suficientemente poderosa para derrotar as demais, muitas aderidas a filosofias contraditórias com suas práticas internas, em busca de regras de neutralidade para regular as condutas e mitigar o conflito”. É claro que Kissinger trabalha para fazer-crer que a União Europeia e a OTAN fornecem “regras neutras” para que países em competição mitiguem seus conflitos.

É bem possível que Kissinger, que sofre de demência senil em estado avançado, realmente creia na panaceia da “governança” internacional que se discute naqueles conclaves elitistas tipo Grupo de Bilderberg, Conselho de Relações Exteriores e Fórum Econômico Mundial de Davos. 

PROCURADO
por crimes
contra a humanidade
Henry A. Kissinger
Nunca houve, não há hoje nem jamais haverá posição neutra da OTAN ou da União Europeia, sobre nenhuma questão na qual forças antiunipolares – como Rússia, China, Irã, Venezuela, Brasil e outras – se oponham às elites militares-bancárias-de-inteligência da aliança ocidental.

Mr. Kissinger destacou principalmente a necessidade de “construir o bloco da ordem europeia”, coisa que, disse ele, foi tão necessária depois da Guerra dos Trinta Anos quanto é necessária hoje. Kissinger defendeu o sistema de Vestfália como “injustamente atacado como sistema de manipulação cínica do poder, indiferente a requisitos morais”. Até parece que a longa história de Mr. Kissinger sempre apoiando ditaduras fascistas teria feito dele autoridade qualificada para falar sobre “moralidade” nas relações internacionais.

Para não ficar para trás, atropelado por Kissinger e seu elogio da ordem westfaliana, o general Scowcroft declarou que duas ameaças gêmeas – a sociedade da informação (especialmente o uso das mídias sociais para organizar a massa contra o status quopolítico) e a mudança climática – trazem o máximo perigo para a manutenção do Tratado de Vestfália. Scowcroft defendeu aplicadamente o sistema do estado-nação westfaliano, para delícia de McCain que o ouvia sorridente.

É o mesmo McCain que trabalhou para que houvesse guerras na Líbia, no Iraque e na Ucrânia – as quais realmente levaram à destruição desses três legítimos e bem constituídos estados-nação. Mas coerência nunca foi qualidade que se encontre em neoconservadores do tipo de McCain e outros, os mesmos que apoiam a ala do intervencionismo norte-americano que McCain coordena (?!) em todo o planeta.

Para Brzezinski, a ideia de Vestfália é unir a Europa contra a “ameaça” russa. Brzezinski, nacionalista polonês nada mitigado, que partilha a mesma filosofia com outro polonês nacionalista de direita, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, nunca perdeu chance de culpar a Rússia, de acusá-la de crimes e ardis, e de ‘'exigir'’ a subjugação política, econômica e militar da Rússia à OTAN e à União Europeia.

Zbigniew Brzezinski
Na mente de Kissinger, Scowcroft e Brzezinski, a Europa hoje não é muito diferente da Europa do século XVII do Sacro Imperador Romano, Ferdinando III de Habsburgo; do cardeal Richelieu da França; do cardeal Mazarin, regente do rei infante Luiz XIV de França; e os diplomatas foram enviados pelos líderes de Espanha, Suécia, Países Baixos, Suíça e outros ducados e reinos menores, para Osnabruck e Munster, na Vestfália, com ordens de não sair de lá sem o Tratado de Vestfália firmado.

Em outras palavras – igualmente senis – diplomacia e destinos de nações sempre estarão em boas mãos, se entregues a elites não eleitas, como se fazia no século XVII. Os “três decrépitos” – Kissinger, Scowcroft e Brzezinski – não mudariam uma linha naquele século XVII. De fato, as políticas desses três foram, durante décadas, determinar o futuro do mundo em conclaves como os de Bilderberg, de Davos e outros desses encontros secretos.

O objetivo dos que montaram a marteladas o sistema westfaliano em 1648 era a continuação do feudalismo e do regime de servos-da-gleba na Europa. Depois que Vestfália reconheceu a independência da Holanda e da Suíça, com os direitos dos judeus holandeses perfeitamente preservados, Holanda e Suíça rapidamente se converteram em quartel-general do mercantilismo internacional mais livre-mercadista – que incluía o tráfico de escravos e os serviços internacionalizados de banking; na Holanda, o primeiro; na Suíça, os segundos.

Vestfália em 1648 e suas derivações de hoje são ardis montados para proteger os interesses das elites e da classe rica. Murmúrios de privilégio real ainda se ouvem hoje, na Europa, com o príncipe Henrik da Dinamarca, marido francês da rainha dinamarquesa, reclamando para si o direito de ser chamado de “Rei Consorte”, não “Príncipe Consorte”, título inferior.

Críticas contra o envolvimento da monarquia espanhola em negócios fraudulentos, e em torno de acusações de que a monarquia belga teria acobertado escândalos de pedofilia resultaram, de fato, em as “realezas’”se porem a atacar quem as criticasse, porque teriam incorrido no crime ancestral de lèse-majesté, que define como violação da lei qualquer crítica contra a realeza e a monarquia.

Os que advogam a favor de Vestfália tentam proteger uma plutocracia corrupta composta de monarquistas, militaristas, magnatas, inescrupulosos em geral na Europa, que trabalham em falange com fantoches neocolonialistas nos países em desenvolvimentos que devem para o FMI e o Banco Mundial. Como se viu com a manipulação das mídias sociais operada pela CIAe por George Soros para alcançar seus objetivos vestfalianos, a mídia social pode também ser usada contra as elites do poder que se agarram ao conceito de moderno estado-nação como seu único meio de sobrevivência.

Brent Scowcroft
Os defensores dos arranjos vestfalianos pretendem que o sistema deles advogaria sempre a favor de três princípios centrais:

(1) soberania do estado;
(2) igualdade dos estados; e
(3) não intervenção de um estado nos assuntos de outro.

Mas a subjugação da soberania de Grécia, Irlanda, Espanha, Itália e Portugal aos desígnios de eurobanqueiros e empresas financeiras globalistas obriga a descartar qualquer ideia de que respeitem alguma soberania de algum estado.

A aliança ocidental interveio nos assuntos internos da Sérvia, do Iraque, da Líbia, da Síria e, mais recentemente, também da Macedônia – o que mostra a falta de consideração à cláusula da não intervenção – que, para os vestfalianos, seria sua mais importante marca.

As potências da OTAN, sempre a ameaçarem a independência de Abkhazia, Ossetia do Sul, Transdnistria e Nagorno-Karabakh e a autodeterminação da Crimeia e do Donbass, mostram que o princípio vestfaliano da igualdade entre os estados não passa de amontoado de palavras vazias.

O mundo está mudando e deriva, em velocidade vertiginosa, para bem longe do grotesco pensamento de Vestfália.

Os únicos seres humanos que clamam ainda por governo vestfaliano são três diabos-velhos senis – Kissinger, Scowcroft e Brzezinsk – que deveriam estar cuidando, isso sim, de envelhecer com, afinal, alguma decência.

[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al JazeeraStrategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Paris - mais um ato na Guerra Global ao Terror, o show

11/1/2015, [*] Wayne MadsenStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Os ataques, em Paris, contra a redação e os jornalistas do semanário satírico Charlie Hebdo e num supermercado kosher (vídeos acima) conseguiram, mais uma vez, afastar convenientemente a atenção do mundo para bem longe do torvelinho econômico em que gira a União Europeia e a extrema impopularidade de seus principais líderes nessa infindável “guerra global ao terror”.

Dia 11/1/2015, o presidente francês François Hollande anunciou que marcharia em solidariedade pelas ruas de Paris, com a Chanceler alemã, Angela Merkel, o Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, o Primeiro-Ministro italiano, Matteo Renzi, o Primeiro-Ministro da Espanha, Mariano Rajoy, o Primeiro-Ministro da Bélgica, Charles Michel, o Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, o Primeiro-Ministro irlandês, Enda Kenny, e o Primeiro-Ministro turco e apoiador do ISIS/ISIL, Ahmet Davutoglu. Todos esses líderes, que enfrentam graves crises de impopularidade nos respectivos países, rapidamente usaram os ataques terroristas em Paris para aplicar um lustro aos respectivos obscurecidos perfis eleitorais. Além dos líderes impopulares, foram escalados para marchar em Paris o Secretário-Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk e o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para a grandiosa “fotomontagem” em homenagem aos cartunistas assassinados, os mesmos que, seguidamente, ridicularizavam exatamente aqueles mesmos líderes com charges que, quase sempre, tinham conteúdo sexual.

Marcha dos Chefes de Estado - Paris, 11/1/2015

Mais uma vez, os acusados de terem cometido os ataques recentes, os irmãos franco-argelinos Said e Cherif Kouachi, que teriam assassinado 12 pessoas, inclusive o editor-chefe de Charlie Hebdo, e o franco-senegalês Amedy Coulibaly, acusado de ter matado reféns no supermercado eram, todos eles, bem conhecidos da polícia francesa e dos serviços de inteligência. Um dos fregueses do supermercado disse que Coulibaly teria dito que era original do Mali e que apoiava o ISIL e a Palestina. Os nomes dos irmãos Kouachis estavam incluídos, até, na lista norte-americana dos “proibidos de embarcar em avião”.

O fato de que os irmãos Kouachis tenham estado envolvidos no recrutamento e treinamento de jihadistas voluntários para combater na Síria pelo Estado Islâmico do Iraque e Levante, ISIS/ISIL (ing.) e de que tenham também trabalhado no recrutamento de exércitos de jihadistas no Iraque e Iêmen já bastaria para que ambos estivessem em listas de vigilância. Mas, como em caso anterior na França que envolveu supostos terroristas jihadistas que teriam matado pessoas ao acaso, os irmãos Kouachi, como Coulibaly, também bem conhecido da Polícia, foram autorizados a portar armas e outros materiais.

Coulibaly foi convidado, mesmo, do Presidente francês Nicolas Sarkozy em 2009. Coulibaly trabalhava numa fábrica da Coca Cola na periferia pobre de Grigny, arredores de Paris. Coulibaly foi um dos dez operários selecionados para encontrar-se pessoalmente com o Presidente Sarkozy no Palácio do Eliseu, para discutir questões de empregos para jovens. Como faz o serviço secreto dos EUA, a segurança do presidente francês também examina detalhadamente o passado de qualquer pessoa que receba convite para reunião com o presidente, é claro. Basta isso para que o fato de Coulibaly ter sido selecionado para reunião com Sarkozy cause a mais total perplexidade. O jornal Le Parisien citava Coulibaly, excitado com a reunião com o presidente, e que esperava que Sarkozy o ajudasse a encontrar um bom emprego. Diz-se que Coulibaly encontrou Cherif Kouachi pela primeira vez em 2010.

Amedy Coulibaly esteve com Sarkozy em 2005

Mas o que se sabe é que Coulibaly converteu-se ao Islã radical quando esteve preso em 2005, por assalto a mão armada. E teria sido na prisão que Coulibaly tornou-se seguidor de Djamel Beghal, suspeito de ser o membro franco-argelino da Al-Qaeda que, em 2001, tentou explodir a embaixada dos EUA em Paris.

De todos os jovens desempregados e subempregados na França, a segurança do presidente francês resolveu aprovar um conhecido membro da Al-Qaeda, autorizado a entrar no Palácio presidencial e reunir-se com o presidente Sarkozy. Como diriam os franceses: incroyable!

Não há dúvida alguma de que as autoridades conheciam o envolvido no affair Merah, em março de 2012, quando Mohammed Merah, cidadão francês, foi morto pela polícia francesa. Merah foi acusado de assassinar três paraquedistas franceses em Montauban e três alunos e um professor numa escola hebraica em Toulouse. Adiante se descobriu que não só o Diretorado Central da Inteligência Francesa Interna [orig. French Central Directorate of Internal Intelligence (DCRI)] tinha gordo dossiê sobre Merah, mas, também, que a inteligência francesa tentara recrutá-lo. Merah viajou sem ser perturbado ao Afeganistão, com pleno conhecimento da inteligência francesa. Os conservadores pró-Sarkozy e o Partido Socialista, então na oposição, hoje na presidência, conspiraram para acobertar todos os laços que ligavam Merah à inteligência francesa.

O que se diz é que os irmãos Kouachi teriam voltado da Síria no verão passado, a mesma Síria onde a CIA e a inteligência francesa apoiam grupos da guerrilha islamista radical que combatem contra o governo do presidente Bashar al-Assad. As semelhanças entre os Kouachis e Coulibaly, e Merah, são grandes demais para não chamarem a atenção. Todos esses eram bem conhecidos da inteligência francesa antes de aparecerem como supostos autores de ataques terroristas; e todos tinham conexões com grupos afiliados da Al-Qaeda.

Identidade de Cherif Kouachi, "esquecida" no auto de fuga

Desde a bomba-relógio na estação de trem de Bolonha em 1980, que matou 85 e feriu mais de 200, as operações “de falsa bandeira” na Europa Ocidental tornaram-se, pode-se dizer, uma espécie de “operação padrão”, que sempre se poderia repetir quase sem modificações [orig.boiler plate” operations]. Foi sem dúvida o que aconteceu no caso do assalto realizado por três homens, atuando de modo militar e profissional, sem vacilações “amadorísticas”, os supostos terroristas islamistas, contra a redação do semanário satírico Charlie Hebdo.Embora os dois irmãos Kouachi, mortos pela polícia num armazém ao norte de Paris, estejam sendo acusados por todas as ações que levaram aos ataques contra o jornal, não há ainda nenhuma explicação sobre um terceiro atacante. Um terceiro homem, cunhado dos Kouachis, de nome Mourad Hamyd, apresentou-se voluntariamente à polícia, depois que ouviu seu nome divulgado pela imprensa. Mas Hamyd, 18 anos, estava na escola, no momento do ataque contra Charlie Hebdo.

O ataque na estação de trem de Bolonha inaugurou a era dos ataques “sob falsa bandeira” dos tempos modernos. Embora, em 1980, o governo e a imprensa-empresa italianos tenham atribuído a responsabilidade por aquele ataque a guerrilheiros da esquerda radical italiana, já se sabe que o ataque foi executado por uma célula clandestina de fascistas radicais que conseguiram os materiais para a bomba em depósitos secretos pertencentes a uma unidade paramilitar clandestina da OTAN conhecida como “Gladio”.

A unidade conhecida como “Gladio” foi criada para mobilizar forças de guerrilha para combaterem contra os soviéticos, no caso de guerra em solo europeu. Armas e materiais foram enterrados e escondidos em cavernas por toda a Europa Ocidental, para uso futuro pelos guerrilheiros que lutassem contra possíveis tropas soviéticas de ocupação. Não demorou contudo para que a direita italiana e grupos armados sionistas tentassem usar o desacreditado Dossiê Mitrokhin, que teria sido extraído de arquivos da KGB, para atribuir a culpa pelo ataque em Bolonha aos soviéticos, que teriam atuado em conluio com árabes radicais, incluindo palestinos. A farsa durou pouco.

Atentado de Bolonha,  parte da Operação Gladio, uma série de atentados de "falsa bandeira" praticados por EUA (CIA) e Israel (Mossad)

Mais tarde descobriu-se que a CIA criara e distribuíra todas essas histórias, como parte de uma operação de guerra psicológica contra os soviéticos e os países árabes. De sua cela em Paris, em 2005, Ilich Ramirez Sanchez, conhecido terrorista conhecido como “Carlos”, revelou que os responsáveis pelas mortes em Bolonha foram CIA e Mossad, e que o tal “Dossiê Mitrokhin” estava sendo usado para “falsificar a história”. Fontes independentes confirmaram a veracidade do que Carlos dizia.

Desde Bolonha, as “pegadas” da inteligência ocidental em operações sob falsa bandeira são sempre muito evidentes, ataque após ataque. 40 anos de apego sempre à mesma doutrina, já fazem ver sempre, claras como o dia, as pegadas da inteligência ocidental.

Uma dessas “pegadas” que indicam a operação sob falsa bandeira é que a Polícia, muito convenientemente, sempre encontra “provas” que conectam os suspeitos ao crime – sejam agentes duplos que não sabem para quem trabalham, ou crentes que creem em qualquer história mal contada que lhes apareça pela frente.

Se logo aparece a tal “prova” que liga o suposto criminoso à cena do crime, já não há quem não pense em operação sob falsa bandeira. A Polícia francesa diz que ligou os Kouachis ao crime, porque Said, o irmão mais velho, esqueceu um documento francês de identidade num Citroen preto usado para a fuga. A Polícia não informou a qual dos dois irmãos pertenceria o documento. Vários especialistas franceses logo alertaram que o documento poderia ter sido plantado na cena, para confundir a Polícia. Também convenientemente, a Polícia encontrou coquetéis Molotov e bandeiras jihadistas islamistas no mesmo carro. O passaporte do suposto sequestrador de um dos aviões usados no 11/9, Mohammed Atta, também teria sido encontrado intacto, em perfeitas condições, no meio dos restos do World Trade Center.

WTC em 11/9/2001 (atentado de falsa bandeira)
Praticamente sempre, os verdadeiros assassinos em ataques sob falsa bandeira aparecem mascarados – como os três pistoleiros que assassinaram os cartunistas na redação de Charlie Hebdo.

Sempre há outros ataques na região, para confundir a Polícia. Por exemplo, enquanto a Polícia francesa concentrava suas buscas pelos pistoleiros do norte de Paris até a fronteira da Bélgica, uma policial feminina francesa foi atacada e morta em Montrouge, sul de Paris. As autoridades francesas apressaram-se a informar que os eventos no sul de Paris e na redação de Charlie Hebdo não estavam conectados. Depois se soube que, sim, havia conexão entre os dois crimes.

Algumas testemunhas no supermercado e no prédio do jornal estavam certas de que os mascarados que se revelaram como terroristas eram, de fato, soldados de forças especiais antiterrorismo. No supermercado, um homem que não foi ferido disse que apertou a mão de um dos mascarados, que ele supunha que fosse policial de forças especiais. Ao mesmo tempo em que a polícia francesa lançava suas operações para libertar reféns no supermercado kosher, era divulgada outra situação com refém numa joalheria em Montpellier, no sul da França. A Polícia apressou-se a informar que a situação nada tinha a ver com os eventos na região de Paris. Claro que o caso em Montpellier contribuiu convenientemente para reforçar a ação do fator medo.

PEGIDA - manifestação anti-imigrantes
Os eventos na França também deram forte impulso aos movimentos anti-imigrantes islâmicos que crescem por toda a Europa, desde o movimento PEGIDA (sigla em alemão para “Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente”) e o partido “Alternativa para a Alemanha”, até a “Frente Nacional” na França e o “Partido Independente” na Grã-Bretanha.

Acontecido tão imediatamente depois de a França ter votado no Conselho de Segurança da ONU a favor do reconhecimento da Palestina como estado, e se se considera o crescimento político, na França, da “Frente Nacional” pró-Israel, não se deve descartar a possibilidade de que a operação terrorista contra Charlie Hebdo seja ataque “olho-por-olho” [orig. a “price tag” attack] dos sionistas contra a França, mascarado como operação terrorista jihadista.
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[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al JazeeraStrategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.

sábado, 29 de novembro de 2014

Obama: só placebo, na violência contra as liberdades civis


27/11/2014, [*] Wayne MADSENStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


O policial Wilson atirou várias vezes contra Brown, inclusive um tiro mortal na testa, porque se sentiu “ameaçado” por um negro jovem desarmado. Nas palavras do próprio Wilson: “O único modo que encontro para descrever é... como um demônio, de tão furioso que aquilo parecia!”, referindo-se a Brown. Reencontrado com os tempos da escravidão, Wilson, como tantos dos seus apoiadores racistas, veem os negros como “coisas”. Por isso disse “aquilo”, falando de um homem.


Michael Brown desarmado e assassinado...
Pelo estado policial dos EUA! 
Barack Obama operou como placebo na situação de erosão continuada das liberdades civis nos EUA. O governo que chegou a ser antecipado como o “mais transparente” da história dos EUA, acabou sendo o mais opaco, com Obama processando número maior de funcionários públicos por violação da Lei Antiespionagem de 1917, que todos os seus antecessores somados. Os que estão sendo processados são pressupostos “criminosos” por terem informado jornalistas sobre os malfeitos e crimes do próprio governo de Obama.

Obama também foi propagandeado como o primeiro presidente afro-americano dos EUA ‘pós-racismo’. Em vez disso, o primeiro mandato de Obama assistiu à volta dos EUA aos tempos sinistros dos EUA de Jim Crow, quando adultos jovens e adolescentes negros correm alto risco de morrerem baleados na rua – ou de serem espancados até a morte – por policiais brancos racistas. Esses EUA apareceram à vista de todos, quando um Tribunal Federal no Condado de St. Louis, Missouri, absolveu o policial Darren Wilson, de Ferguson, que matou a tiros um jovem negro de 18 anos, Michael Brown. Wilson disse ao tribunal que Brown, que media 1,93m de altura, “parecia um demônio”, quando Wilson, que também mede 1,93m, o encontrou, numa batida policial que, como adiante se viu, nada absolutamente teve de normal.

Darren Wilson, o policial assassino
Wilson atirou várias vezes contra Brown, inclusive um tiro mortal na testa, porque se sentiu “ameaçado” por um negro jovem desarmado. Nas palavras do próprio Wilson:

O único modo que encontro para descrever é... como um demônio, de tão furioso que aquilo parecia... − referindo-se a Brown.

Reencontrado com os tempos da escravidão, Wilson, como tantos dos seus apoiadores racistas, veem os negros como ‘'coisas'’. Por isso disse “aquilo”, falando de um homem.

Não se deve esquecer que no debate presidencial em 2008 com o então candidato Obama, o senador John McCain apontou para Obama, no palco e disse “aquele ali”, referindo-se ao adversário.

Quando atirou em Brown, Wilson sabia que o “sistema” se ergueria a seu favor. Raramente oficiais de polícia são condenados por assassinato ou crime doloso. É o que se chama “paredão azul” [referência à cor dos uniformes dos policiais], de policiais, advogados, procuradores, juízes de um lado; e os cidadãos, do lado oposto. Na verdade, Wilson lucrou bastante, pessoalmente, por ter assassinado Brown. Ele leiloou a primeira entrevista depois de absolvido, entre vários “jornalistas” de uma “mídia” que salivava, e pode ter acertado na roleta, se forem verdadeiros os insistentes boatos segundo os quais a rede ABC News, que pertence aos estúdios Disney, comprou, por gorda quantia de seis dígitos, os direitos àquela primeira entrevista da “celebridade”, depois de absolvido.

Robert McCulloch, o promotor que "acusou"
o assassino...
Em vez de questionar os jurados que lá estavam no tribunal de St. Louis County, o procurador Robert McCulloch, nascido em família de policiais; cujo pai foi morto em serviço por um negro, e que tem longa história de mentir em tribunais, decidiu só apresentar “provas” que apresentavam o “acusado” sob a luz mais favorável. Fotos de supostos “ferimentos” que Wilson teria recebido foram distribuídas para os jurados, embora parecessem, de fato, microcortes autoinfligidos com navalha, pelo próprio Wilson, ao barbear-se. Nenhuma das testemunhas que assistiram aos tiros foi interrogada. Na verdade, as declarações desse procurador à mídia, ao informar os jornalistas sobre a absolvição, incluíam várias referências a testemunhas que mudaram seus depoimentos ante o juiz. McCulloch parecia culpar mais a imprensa que Wilson, pela reação que o assassinato de Brown provocou nos EUA.

Em vez de enfrentar um estado policial nos EUA, cujos procuradores de Justiça e senadores são autorizados a desqualificar os cidadãos negros e mestiços, Obama delicia-se agora antecipando a luxuosa aposentadoria de ex-presidente que o espera.

Obama nada fez para mudar o curso e restaurar os direitos constitucionais dos norte-americanos, ou para livrá-los de serem perpetuamente vigiados pela Agência de Segurança Nacional, FBITransportation Security Administration e centenas de agências e departamentos pelo país. As polícias locais e até as escolas públicas já são armadas com equipamento militar potencialmente letal, fornecido pelo Departamento de Defesa para ser usado por civis para autodefesa. São rifles de assalto, morteiros, veículos blindados e granadas de mão.

A segunda morte de Michael Brown...
Memorial incendiado!
A empresa-imprensa só fala da agitação e das depredações em Ferguson, que começaram depois da decisão do tribunal. Houve sugestões de que as polícias estadual e local saíssem de cena contra os provocadores de ações violentas. Assim o governador do Missouri, Jay Nixon, encontrou pretexto para convocar a Guarda Nacional do Missouri para restabelecer a ordem nas ruas. Os EUA de Obama, pelo menos para quem leia jornais, parecem os EUA dos anos 1970s: Nixon ordena deslocamento de mais soldados da Guarda Nacional.

Zeid Ra’ad Al Hussein
O Departamento de Estado dos EUA edita “relatório” anual da situação dos Direitos Humanos pelo mundo. O relatório cobre todos os direitos, dos direitos de gays, a questões de antissemitismo. Contudo, por mais que se procure, não se encontra no tal “relatório” nenhuma referência ao maior violador de direitos humanos no planeta – os EUA.

Depois da decisão do tribunal do Missouri que absolveu Wilson da acusação de assassinato doloso e também da acusação de assassinato sem intenção de matar, outro policial, em Cleveland, matou um menino afro-americano de 12 anos que carregava uma arma de brinquedo.

O Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, acusou os EUA por violação sistemática dos direitos humanos de afro-americanos e de outras minorias. Disse que em muitos setores da população dos EUA, há “profunda e crescente desconfiança contra os sistemas de distribuição e de aplicação da lei e da justiça”.

Konstantin Dolgov, Comissário no Ministério de Relações Exteriores da Rússia para Direitos Humanos, Democracia e Estado de Direito, escreveu pelo Twitter: “

Konstantin Dolgov
Continuam a crescer as tensões étnicas na sociedade norte-americana. É hora de as autoridades norte-americanas darem atenção ao que se passa por lá, em vez de tanto se ocuparem com aplicar sermões ao resto do mundo, sobre direitos humanos.

O ministro de Relações Exteriores do Egito, antes, pedira que os EUA mostrassem contenção e moderação, no modo de enfrentar as manifestações de rua em Ferguson. Porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China também conclamou os EUA a melhorarem seus registros no campo dos direitos humanos. A China tem sido alvo de insistentes “protestos”, por autoridades norte-americanas, por causa de políticas chinesas para os direitos humanos.

O único fator que nunca muda nos repetidos fracassos dos EUA no campo dos direitos humanos, como se comprova com os assassinatos de civis na área de St. Louis, em Cleveland, em New York e em outras cidades, é que os EUA recusam-se sempre a reconhecer que vivem uma catástrofe humanitária no campo das liberdades civis, o que faz do país alvo de condenações, ao mesmo tempo em que as autoridades norte-americanas, ensandecidamente, só fazem apresentar os EUA como exemplo a seguir, para todo o mundo.

Enquanto Ferguson queimava e soldados da Guarda Nacional eram mandados para o condado de St. Louis, Obama decidiu mudar-se para território familiar, em Chicago, onde começou sua carreira política. O dito “organizador comunitário” e “ativista social” foi vaiado por manifestantes em sua própria cidade, quando tentava inflar sua nova política para a imigração.

Obama surdo?
Obama sempre foi seletivamente surdo para todas as reclamações de norte-americanos médios, fosse um adolescente negro em ambiente racista, como em Ferguson, Missouri ou Sanford, Florida, ou um operário que vive de salário mínimo e não pode pagar para receber a assistência médica do “Obamacare”.

Obama meteu-se em golpes para “mudança de regime” na Ucrânia, na Síria, na Líbia, no Egito, na Tunísia e em outros países, ao mesmo tempo em que só frustrou os clamores legítimos por mudança de regime ali dentro dos EUA, em Ferguson, no estado do Missouri, em Cleveland, Detroit, Oakland e em outras cidades.

Para os EUA, o slogan de campanha de Obama “Esperança e Mudança” converteu-se em piada macabra, com Obama sempre rindo para o lado de Wall Street, já antevendo a luxuosa aposentadoria que o espera, enquanto embolsa as gordas doações que lhe fazem empresas agradecidas, para os seus Museu e Biblioteca Presidenciais Barack Obama.
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[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al JazeeraStrategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.