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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Paris - mais um ato na Guerra Global ao Terror, o show

11/1/2015, [*] Wayne Madsen, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Os ataques, em Paris, contra a redação e os jornalistas do semanário satírico Charlie Hebdo e num supermercado kosher (vídeos acima) conseguiram, mais uma vez, afastar convenientemente a atenção do mundo para bem longe do torvelinho econômico em que gira a União Europeia e a extrema impopularidade de seus principais líderes nessa infindável “guerra global ao terror”.

Dia 11/1/2015, o presidente francês François Hollande anunciou que marcharia em solidariedade pelas ruas de Paris, com a Chanceler alemã, Angela Merkel, o Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, o Primeiro-Ministro italiano, Matteo Renzi, o Primeiro-Ministro da Espanha, Mariano Rajoy, o Primeiro-Ministro da Bélgica, Charles Michel, o Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, o Primeiro-Ministro irlandês, Enda Kenny, e o Primeiro-Ministro turco e apoiador do ISIS/ISIL, Ahmet Davutoglu. Todos esses líderes, que enfrentam graves crises de impopularidade nos respectivos países, rapidamente usaram os ataques terroristas em Paris para aplicar um lustro aos respectivos obscurecidos perfis eleitorais. Além dos líderes impopulares, foram escalados para marchar em Paris o Secretário-Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk e o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para a grandiosa “fotomontagem” em homenagem aos cartunistas assassinados, os mesmos que, seguidamente, ridicularizavam exatamente aqueles mesmos líderes com charges que, quase sempre, tinham conteúdo sexual.

Marcha dos Chefes de Estado - Paris, 11/1/2015

Mais uma vez, os acusados de terem cometido os ataques recentes, os irmãos franco-argelinos Said e Cherif Kouachi, que teriam assassinado 12 pessoas, inclusive o editor-chefe de Charlie Hebdo, e o franco-senegalês Amedy Coulibaly, acusado de ter matado reféns no supermercado eram, todos eles, bem conhecidos da polícia francesa e dos serviços de inteligência. Um dos fregueses do supermercado disse que Coulibaly teria dito que era original do Mali e que apoiava o ISIL e a Palestina. Os nomes dos irmãos Kouachis estavam incluídos, até, na lista norte-americana dos “proibidos de embarcar em avião”.

O fato de que os irmãos Kouachis tenham estado envolvidos no recrutamento e treinamento de jihadistas voluntários para combater na Síria pelo Estado Islâmico do Iraque e Levante, ISIS/ISIL (ing.) e de que tenham também trabalhado no recrutamento de exércitos de jihadistas no Iraque e Iêmen já bastaria para que ambos estivessem em listas de vigilância. Mas, como em caso anterior na França que envolveu supostos terroristas jihadistas que teriam matado pessoas ao acaso, os irmãos Kouachi, como Coulibaly, também bem conhecido da Polícia, foram autorizados a portar armas e outros materiais.

Coulibaly foi convidado, mesmo, do Presidente francês Nicolas Sarkozy em 2009. Coulibaly trabalhava numa fábrica da Coca Cola na periferia pobre de Grigny, arredores de Paris. Coulibaly foi um dos dez operários selecionados para encontrar-se pessoalmente com o Presidente Sarkozy no Palácio do Eliseu, para discutir questões de empregos para jovens. Como faz o serviço secreto dos EUA, a segurança do presidente francês também examina detalhadamente o passado de qualquer pessoa que receba convite para reunião com o presidente, é claro. Basta isso para que o fato de Coulibaly ter sido selecionado para reunião com Sarkozy cause a mais total perplexidade. O jornal Le Parisien citava Coulibaly, excitado com a reunião com o presidente, e que esperava que Sarkozy o ajudasse a encontrar um bom emprego. Diz-se que Coulibaly encontrou Cherif Kouachi pela primeira vez em 2010.

Amedy Coulibaly esteve com Sarkozy em 2005

Mas o que se sabe é que Coulibaly converteu-se ao Islã radical quando esteve preso em 2005, por assalto a mão armada. E teria sido na prisão que Coulibaly tornou-se seguidor de Djamel Beghal, suspeito de ser o membro franco-argelino da Al-Qaeda que, em 2001, tentou explodir a embaixada dos EUA em Paris.

De todos os jovens desempregados e subempregados na França, a segurança do presidente francês resolveu aprovar um conhecido membro da Al-Qaeda, autorizado a entrar no Palácio presidencial e reunir-se com o presidente Sarkozy. Como diriam os franceses: incroyable!

Não há dúvida alguma de que as autoridades conheciam o envolvido no affair Merah, em março de 2012, quando Mohammed Merah, cidadão francês, foi morto pela polícia francesa. Merah foi acusado de assassinar três paraquedistas franceses em Montauban e três alunos e um professor numa escola hebraica em Toulouse. Adiante se descobriu que não só o Diretorado Central da Inteligência Francesa Interna [orig. French Central Directorate of Internal Intelligence (DCRI)] tinha gordo dossiê sobre Merah, mas, também, que a inteligência francesa tentara recrutá-lo. Merah viajou sem ser perturbado ao Afeganistão, com pleno conhecimento da inteligência francesa. Os conservadores pró-Sarkozy e o Partido Socialista, então na oposição, hoje na presidência, conspiraram para acobertar todos os laços que ligavam Merah à inteligência francesa.

O que se diz é que os irmãos Kouachi teriam voltado da Síria no verão passado, a mesma Síria onde a CIA e a inteligência francesa apoiam grupos da guerrilha islamista radical que combatem contra o governo do presidente Bashar al-Assad. As semelhanças entre os Kouachis e Coulibaly, e Merah, são grandes demais para não chamarem a atenção. Todos esses eram bem conhecidos da inteligência francesa antes de aparecerem como supostos autores de ataques terroristas; e todos tinham conexões com grupos afiliados da Al-Qaeda.

Identidade de Cherif Kouachi, "esquecida" no auto de fuga

Desde a bomba-relógio na estação de trem de Bolonha em 1980, que matou 85 e feriu mais de 200, as operações “de falsa bandeira” na Europa Ocidental tornaram-se, pode-se dizer, uma espécie de “operação padrão”, que sempre se poderia repetir quase sem modificações [orig.“boiler plate” operations]. Foi sem dúvida o que aconteceu no caso do assalto realizado por três homens, atuando de modo militar e profissional, sem vacilações “amadorísticas”, os supostos terroristas islamistas, contra a redação do semanário satírico Charlie Hebdo.Embora os dois irmãos Kouachi, mortos pela polícia num armazém ao norte de Paris, estejam sendo acusados por todas as ações que levaram aos ataques contra o jornal, não há ainda nenhuma explicação sobre um terceiro atacante. Um terceiro homem, cunhado dos Kouachis, de nome Mourad Hamyd, apresentou-se voluntariamente à polícia, depois que ouviu seu nome divulgado pela imprensa. Mas Hamyd, 18 anos, estava na escola, no momento do ataque contra Charlie Hebdo.

O ataque na estação de trem de Bolonha inaugurou a era dos ataques “sob falsa bandeira” dos tempos modernos. Embora, em 1980, o governo e a imprensa-empresa italianos tenham atribuído a responsabilidade por aquele ataque a guerrilheiros da esquerda radical italiana, já se sabe que o ataque foi executado por uma célula clandestina de fascistas radicais que conseguiram os materiais para a bomba em depósitos secretos pertencentes a uma unidade paramilitar clandestina da OTAN conhecida como “Gladio”.

A unidade conhecida como “Gladio” foi criada para mobilizar forças de guerrilha para combaterem contra os soviéticos, no caso de guerra em solo europeu. Armas e materiais foram enterrados e escondidos em cavernas por toda a Europa Ocidental, para uso futuro pelos guerrilheiros que lutassem contra possíveis tropas soviéticas de ocupação. Não demorou contudo para que a direita italiana e grupos armados sionistas tentassem usar o desacreditado Dossiê Mitrokhin, que teria sido extraído de arquivos da KGB, para atribuir a culpa pelo ataque em Bolonha aos soviéticos, que teriam atuado em conluio com árabes radicais, incluindo palestinos. A farsa durou pouco.

Atentado de Bolonha,  parte da Operação Gladio, uma série de atentados de "falsa bandeira" praticados por EUA (CIA) e Israel (Mossad)

Mais tarde descobriu-se que a CIA criara e distribuíra todas essas histórias, como parte de uma operação de guerra psicológica contra os soviéticos e os países árabes. De sua cela em Paris, em 2005, Ilich Ramirez Sanchez, conhecido terrorista conhecido como “Carlos”, revelou que os responsáveis pelas mortes em Bolonha foram CIA e Mossad, e que o tal “Dossiê Mitrokhin” estava sendo usado para “falsificar a história”. Fontes independentes confirmaram a veracidade do que Carlos dizia.

Desde Bolonha, as “pegadas” da inteligência ocidental em operações sob falsa bandeira são sempre muito evidentes, ataque após ataque. 40 anos de apego sempre à mesma doutrina, já fazem ver sempre, claras como o dia, as pegadas da inteligência ocidental.

Uma dessas “pegadas” que indicam a operação sob falsa bandeira é que a Polícia, muito convenientemente, sempre encontra “provas” que conectam os suspeitos ao crime – sejam agentes duplos que não sabem para quem trabalham, ou crentes que creem em qualquer história mal contada que lhes apareça pela frente.

Se logo aparece a tal “prova” que liga o suposto criminoso à cena do crime, já não há quem não pense em operação sob falsa bandeira. A Polícia francesa diz que ligou os Kouachis ao crime, porque Said, o irmão mais velho, esqueceu um documento francês de identidade num Citroen preto usado para a fuga. A Polícia não informou a qual dos dois irmãos pertenceria o documento. Vários especialistas franceses logo alertaram que o documento poderia ter sido plantado na cena, para confundir a Polícia. Também convenientemente, a Polícia encontrou coquetéis Molotov e bandeiras jihadistas islamistas no mesmo carro. O passaporte do suposto sequestrador de um dos aviões usados no 11/9, Mohammed Atta, também teria sido encontrado intacto, em perfeitas condições, no meio dos restos do World Trade Center.

WTC em 11/9/2001 (atentado de falsa bandeira)
Praticamente sempre, os verdadeiros assassinos em ataques sob falsa bandeira aparecem mascarados – como os três pistoleiros que assassinaram os cartunistas na redação de Charlie Hebdo.

Sempre há outros ataques na região, para confundir a Polícia. Por exemplo, enquanto a Polícia francesa concentrava suas buscas pelos pistoleiros do norte de Paris até a fronteira da Bélgica, uma policial feminina francesa foi atacada e morta em Montrouge, sul de Paris. As autoridades francesas apressaram-se a informar que os eventos no sul de Paris e na redação de Charlie Hebdo não estavam conectados. Depois se soube que, sim, havia conexão entre os dois crimes.

Algumas testemunhas no supermercado e no prédio do jornal estavam certas de que os mascarados que se revelaram como terroristas eram, de fato, soldados de forças especiais antiterrorismo. No supermercado, um homem que não foi ferido disse que apertou a mão de um dos mascarados, que ele supunha que fosse policial de forças especiais. Ao mesmo tempo em que a polícia francesa lançava suas operações para libertar reféns no supermercado kosher, era divulgada outra situação com refém numa joalheria em Montpellier, no sul da França. A Polícia apressou-se a informar que a situação nada tinha a ver com os eventos na região de Paris. Claro que o caso em Montpellier contribuiu convenientemente para reforçar a ação do fator medo.

PEGIDA - manifestação anti-imigrantes
Os eventos na França também deram forte impulso aos movimentos anti-imigrantes islâmicos que crescem por toda a Europa, desde o movimento PEGIDA (sigla em alemão para “Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente”) e o partido “Alternativa para a Alemanha”, até a “Frente Nacional” na França e o “Partido Independente” na Grã-Bretanha.

Acontecido tão imediatamente depois de a França ter votado no Conselho de Segurança da ONU a favor do reconhecimento da Palestina como estado, e se se considera o crescimento político, na França, da “Frente Nacional” pró-Israel, não se deve descartar a possibilidade de que a operação terrorista contra Charlie Hebdo seja ataque “olho-por-olho” [orig. a “price tag” attack] dos sionistas contra a França, mascarado como operação terrorista jihadista.
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[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al Jazeera, Strategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Paul Craig Roberts – “Tantos anos de mentiras: de Mossadeq ao 11/9”

10/9/2013, [*] Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Joseph Stiglitz e Linda Bilmes
Washington está em guerra há 12 anos. Segundo especialistas como Joseph Stiglitz e Linda Bilmes, essas guerras já custaram cerca de 6 trilhões de dólares aos norte-americanos, o suficiente para manter sólidos, por anos, a Seguridade Social e Medicare. 

Erik Shinseki
E depois de 12 anos de guerra, os EUA só têm a exibir gordos saldos bancários para a indústria de armamento e uma lista de países destruídos, com milhões de mortos e deslocados que jamais levantaram um dedo contra os EUA.

O custo pago pelos soldados e pelos contribuintes norte-americanos é extremo. O Secretário para Assuntos dos Veteranos, Erik Shinseki, relatou em novembro de 2009, que:

(...) morreram mais veteranos por suicídio desde 2001 que o número de soldados que perdemos nos combates no Iraque e no Afeganistão.

 Jim Lacey
Temos muitos milhares de soldados amputados e com lesões cerebrais traumáticas. Na Academia Militar do Corpo de Marines, Jim Lacey calculou um custo de $1,5 bilhão, por membro da al-Qaeda no Afeganistão. Muitos soldados dos EUA e da coalizão pagaram com a vida por cada membro morto da al-Qaeda. Aquela guerra jamais fez sentido algum, em nenhum campo.

As guerras de Washington destruíram a imagem favorável que os EUA construíram ao longo das décadas da guerra fria. Já ninguém fala da “esperança da humanidade”; hoje os EUA são vistos como ameaça, país em cujo governo ninguém pode confiar.  

As guerras que deixaram em farrapos a reputação dos EUA são consequência do 11/9. 

Norman Podhoretz
Os neoconservadores que pregam a hegemonia dos EUA sobre o mundo exigiram “um novo Pearl Harbor” que lhes permitiria lançar suas guerras de conquista. O plano deles para conquistar o Oriente Médio como ponto de partida está contido no documento “Projeto para o Novo Século Americano” [orig. Project for the New American Century] dos conservadores. Foi o que disseram claramente Norman Podhoretz, editor da revista Commentary, e também muitos neoconservadores.

O argumento dos neoconservadores resume-se a declararem que a história escolheu o “capitalismo democrático”, não Karl Marx, como futuro. Para acompanhar essa escolha da história, os EUA têm de engordar seus militares e impor a Via Americana a todo o planeta.
Em outras palavras, como escreveu Claes Ryn, os neoconservadores norte-americanos são os “novos jacobinos”, referência à Revolução Francesa de 1789 que tentou derrubar a Europa aristocrática e substituí-la por “Liberdade, igualdade, fraternidade”, mas, em vez disso, deu à Europa 25 anos de guerra, morte e destruição.

Ideologias são perigosas porque são imunes a fatos. Agora, quando os EUA já não são governados pela Constituição dos EUA, mas por uma ideologia alucinada que gerou um estado policial doméstico muito mais fechado que o da Alemanha Oriental Comunista e um estado de guerra que ataca países soberanos “por causa” de um monte de mentiras, os EUA têm de tentar sobreviver à ironia de Rússia e China terem de agir para limitar a capacidade de Washington para impor o mal, a morte e a destruição pelo mundo inteiro.
Os dois “estados párias” do século 20, são hoje a esperança da humanidade para o século 21!

Como Oliver Stone e Peter Kuznick provam em seu livro The Untold History of the United States [1] [História Não Contada dos EUA], o governo dos EUA jamais fez por merecer a boa reputação que teve. Washington conseguiu com muito sucesso encobrir seus crimes sob muitas camadas de linguajar moralizante e ocultando-os sob sete chaves de segredo. Só décadas depois dos eventos é que a verdade surge à tona.

Por exemplo, dia 19/8/1953, o governo democraticamente eleito no Irã foi derrubado por golpe instigado pelo governo dos EUA. 60 anos depois do ocorrido, documentos da CIA afinal liberados para o público detalham a operação secreta da CIA que derrubou aquele governo democrático e instalou no Irã, impondo-o ao povo iraniano, como governante, um fantoche de Washington.


O golpe militar que derrubou Mossadeq e seu gabinete da Frente Nacional foi executado sob direção da CIA, como ato de política externa dos EUA, concebido e aprovado nos mais altos escalões do governo.

No século 21, Washington tentou repetir o feito de 1953 e derrubar o governo do Irã, daquela vez usando uma falsa “revolução verde” paga por Washington. Fracassou. Então, Washington tentará ação militar.

Se 60 anos é o tempo necessário para que se conheçam os crimes de Washington, o governo dos EUA só admitirá a verdade sobre o 11/9/2001 no dia 11/9/2061. Hoje, em 2013, 12º aniversário do 11/9, só faltam 48 anos para que Washington admita a verdade. Infelizmente os membros do “Movimento Verdade sobre o 11/9” não estarão vivos para saborear a revanche.

Mas, do mesmo modo como há décadas já se sabe que Washington derrubou Mossadeq, nós também já sabemos que a história oficial do 11/9 é um amontoado de sandices.

O ataque ao World Trade Center em 11/9/2001

Não há prova alguma que confirme a história que o governo insiste em repetir. A Comissão 11/9 nunca passou de grupo conservador operado por um agente neoconservador da Casa Branca. Os membros da Comissão sentaram-se, ouviram a história que o governo contou e escreveram o “relatório”. Não se fez nenhuma investigação, de nenhum tipo. Um dos membros da Comissão renunciou, dizendo que nada, ali, era confiável. Depois que o relatório foi publicado, ambos, o presidente e o principal assessor jurídico da Comissão escreveram um livro para oficial e cabalmente se desassociarem do relatório. A Comissão 11/9 foi “montada para fracassar”, escreveram.

O relatório do National Institute of Science and Technology (NIST) sobre o colapso estrutural das torres gêmeas não passa de simulação construída em computador, a partir de dados selecionados para produzir aquele resultado. O NIST recusa-se a distribuir sua explicação-fraude para ser avaliada por especialistas. A razão é óbvia: a explicação-fraude para o colapso estrutural das torres não sobreviverá a nenhum exame especializado.

Há muitas Organizações da Verdade sobre o 11/9, cujos membros são arquitetos, engenheiros, físicos, químicos e nanoquímicos, pilotos militares e civis, bombeiros e primeiros-socorristas todos altamente qualificados, e as famílias do 11/9. Esses especialistas já recolheram provas que desmascaram os relatórios oficiais.

Já está provado conclusivamente que o Prédio 7 do World Trade Center caiu em queda livre, o que só é possível em ambiente de demolição controlada que remova a resistência abaixo, de modo que o prédio cai de cima para baixo, e as partes inferiores não oferecem qualquer resistência que se tem de esperar em estruturas intactas. O NIST já reconheceu isso. Mas não alterou o relatório.

Em outras palavras, nos EUA de hoje, as negativas oficiais têm precedência sobre os cientistas e, até, sobre fatos comprovados.

Nesse 12º aniversário de evento criminoso, não me parece desnecessário relatar a imensa quantidade de provas que provam que a história oficial é uma mentira. Você mesmo pode ler. Tudo é acessível online. Leiam o que arquitetos e engenheiros têm a dizer. Leiam relatos dos cientistas. Ouçam o que dizem os primeiros socorristas que chegaram às torres do WTC. Pode-se ler o que os pilotos dizem das manobras associadas ao avião que supostamente teria atingido o Pentágono, e que com absoluta certeza não foram executadas por pilotos inexperientes.

Há os vários livros de David Griffin. Pode-se assistir ao filme produzido pelos arquitetos do grupo “Richard Gage and Architects & Engineers para a verdade sobre o 11/9”. Pode-se ler o 9/11 Toronto Report, International Hearings on 9/11.

Na verdade, ninguém precisa de nenhuma prova construída por especialista para saber que a história contada pelo governo dos EUA é falsa. Como já disse antes, se um pequeno grupo de jovens nativos da Arábia Saudita, os supostos sequestradores dos aviões do 11/9, tivessem feito o que fizeram, sem apoio do governo e de nenhuma agência de inteligência (não só a CIA e o FBI, mas todas as 16 agências de inteligência dos EUA, os serviços de inteligência dos aliados de Washington na OTAN, o Mossad israelense, o Conselho de Segurança Nacional, NORAD, o Estado-Maior, o Controle do Tráfico Aéreo e a Segurança dos Aeroportos – que foram burladas quatro vezes em uma hora, na mesma manhã) – a Casa Branca, o Congresso e a mídia estariam obrigados a investigar muito, até saber como todas essas agências e todo o Estado de Segurança, pode-se dizer, mundial, teriam fracassado tão completamente, no mesmo momento. E, nesse caso, movidos por interesse que todos esses prezam muito: a própria segurança deles.

Em vez disso, o presidente dos EUA e todos os funcionários de seu governo resistiram furiosamente a qualquer investigação. Só depois de um ano de demandas, com a crescente pressão das famílias das vítimas, é que se constituiu a Comissão 11/9, e para nada investigar.

Ninguém no governo foi responsabilizado pelo fracasso espantoso. O estado de segurança nacional deu-se por derrotado por um punhado de muçulmanos esfarrapados, armados com facas de cozinha, e por um velho doente, fragilizado por doença renal grave, escondido numa caverna no Afeganistão. Nenhuma cabeça governamental rolou.

A evidência mais clara, visível, de que 11/9 não é o que o governo diz que seria é a obcecada resistência do governo, que absolutamente não acolhe nenhuma demanda para que investigue o evento que é o maior embaraço imposto a uma “superpotência” na história do mundo. O governo dos EUA não quis nenhuma investigação, porque a história inventada para encobrir a verdade não resistirá, se for investigada.

O governo norte-americano confiou nas megacorporações da empresa-imprensa, em cujas mãos o corrupto governo Clinton entregou a mídia norte-americana. Ao apoiar, em vez de investigar, a falsa história que o governo contava, a mídia abandonou a maioria dos norte-americanos, que são sensíveis à influência “dos meios”, deixou-os sem qualquer apoio para as próprias dúvidas. A verdade é que o Ministério da Propaganda dos EUA validou a falsa história que o governo contou.

Fatos corriqueiros da vida diária dos norte-americanos bastam, para refutar a história oficial. Seu forno autolimpante, por exemplo. Quantos norte-americanos temos fornos autolimpantes? 30 milhões? Mais? Você, leitor, tem forno autolimpante?

Sabe que temperatura alcançam os fornos autolimpantes? O ciclo de autolimpeza opera por várias horas à temperatura de 482 graus Celsius. O seu forno autolimpante, por acaso, derrete ao alcançar 482 graus Celsius? Claro que não. O aço de 1/8 de polegada, fino, do seu forno amolece, e o forno desaba? Não. Nem amolece nem desaba.

Com essa informação em mente, leia o seguinte:

Conforme testes realizados pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), só 2% de todo o aço do WTC testado fora submetido a temperaturas de, no máximo 250 graus Celsius; cerca de metade da temperatura de seu forno autolimpante. É possível acreditar que temperaturas assim tão baixas, em áreas tão pequenas da superfície das torres, amoleceriam grossas colunas de aço denso, que se curvariam e assim provocariam o colapso do prédio? Se você responder que sim, então, por favor, me diga por que o seu forno autolimpante não amolece e desaba cada vez que você o faz autolimpar-se.


Foi desenvolvido um método que usa observações microscópicas de rachaduras no revestimento de tinta para determinar se os elementos de aço receberam temperaturas acima de 250 graus C. Examinaram-se mais de 170 áreas (...). Só três pontos apresentaram resultados que indicam que o aço e a cobertura de tinta alcançaram temperaturas superiores a 250 graus C.

A análise de microestruturas de aço não observou evidências de exposição a temperaturas superiores a 600 graus por tempo significativo.


O NIST crê que essa amostra de aço das torres do WTC é adequada para os objetivos da investigação.

Vista aérea do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST)
(clique na imagem para aumentar)
Como é possível que tenham escrito tais coisas? Minha explicação é que os cientistas do NIST, temerosos ante a ameaça contra seus empregos e empregabilidade futura, e em pânico ante a ordem para produzir relatório falso, deram jeito de incluir informação que seus chefões políticos não compreenderiam. Ao declarar inequivocamente as temperaturas reais, os cientistas do NIST espalharam pistas de que todo o relatório era mentiroso e o relatório havia sido produzido sob coerção.

O ponto de fusão do aço é próximo de 1.500 graus Celsius. O aço perde força a temperaturas inferiores, mas os cientistas do NIST relataram que só pequena porção do aço chegou a ser submetido a temperaturas moderadas, inferiores à temperatura sob as quais operam normalmente os nossos fornos autolimpantes domésticos.

Quem queira pensar um pouco mais sobre isso, arranje um exemplar do livro The Making of the Atomic Bomb [A produção da bomba atômica] de Richard Rhodes. Dê uma olhada no bonde da foto n. 108. A legenda diz:

A bola de fogo de Hiroshima fez a temperatura de superfície alcançar instantaneamente, em toda a área até uma milha do hipocentro, bem mais de 1.000 graus F.

O bonde está convertido num monte de aço? Não. Está estruturalmente intacto; está preto, porque a tinta queimou.

Cogumelos formados pelas bombas atômicas de Hiroshima (E) e Nagasaki (D)
Washington quer que você acredite que aço que sobreviveu intacto à bomba atômica derreteria em exposição rápida a baixa temperatura, e em incêndios em escritórios isolados. O que pensar de governo para o qual todos somos perfeitos idiotas?

Por que apoiar governo que mente cada vez que abre a boca?

Minha opinião é que o fogo no WTC, limitado, de curta duração e baixa temperatura, sequer, aqueceu as massivas estruturas de aço ao ponto de elas parecerem mornas ao tato. Além do mais, nenhuma coluna derreteu ou deformou-se pelo amolecimento. As colunas foram partidas em pontos específicos por cargas de altíssima temperatura colocadas nas próprias colunas.

Nesse 12º aniversário do 11/9, pergunte a você mesmo se você deseja acreditar que temperaturas que não chegaram nem à metade das temperaturas que você opera em casa, no seu forno autolimpante, teriam sido a causa do desmoronamento de três torres gigantes de aço, e as reduziram a poeira.

Em seguida pergunte a você mesmo por que o governo dos EUA supõe que você seria tão totalmente estúpido, a ponto de acreditar no conto de fadas que o governo dos EUA contou a você sobre o 11/9.


Nota dos tradutores
[1] Há também um documentário Oliver Stone’s Untold History Of The United States (A História Não Contada dos Estados Unidos). Ver também, em português, entrevista com Oliver Stone sobre o documentário.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica.

Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.