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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Paris - mais um ato na Guerra Global ao Terror, o show

11/1/2015, [*] Wayne MadsenStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Os ataques, em Paris, contra a redação e os jornalistas do semanário satírico Charlie Hebdo e num supermercado kosher (vídeos acima) conseguiram, mais uma vez, afastar convenientemente a atenção do mundo para bem longe do torvelinho econômico em que gira a União Europeia e a extrema impopularidade de seus principais líderes nessa infindável “guerra global ao terror”.

Dia 11/1/2015, o presidente francês François Hollande anunciou que marcharia em solidariedade pelas ruas de Paris, com a Chanceler alemã, Angela Merkel, o Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, o Primeiro-Ministro italiano, Matteo Renzi, o Primeiro-Ministro da Espanha, Mariano Rajoy, o Primeiro-Ministro da Bélgica, Charles Michel, o Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, o Primeiro-Ministro irlandês, Enda Kenny, e o Primeiro-Ministro turco e apoiador do ISIS/ISIL, Ahmet Davutoglu. Todos esses líderes, que enfrentam graves crises de impopularidade nos respectivos países, rapidamente usaram os ataques terroristas em Paris para aplicar um lustro aos respectivos obscurecidos perfis eleitorais. Além dos líderes impopulares, foram escalados para marchar em Paris o Secretário-Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk e o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para a grandiosa “fotomontagem” em homenagem aos cartunistas assassinados, os mesmos que, seguidamente, ridicularizavam exatamente aqueles mesmos líderes com charges que, quase sempre, tinham conteúdo sexual.

Marcha dos Chefes de Estado - Paris, 11/1/2015

Mais uma vez, os acusados de terem cometido os ataques recentes, os irmãos franco-argelinos Said e Cherif Kouachi, que teriam assassinado 12 pessoas, inclusive o editor-chefe de Charlie Hebdo, e o franco-senegalês Amedy Coulibaly, acusado de ter matado reféns no supermercado eram, todos eles, bem conhecidos da polícia francesa e dos serviços de inteligência. Um dos fregueses do supermercado disse que Coulibaly teria dito que era original do Mali e que apoiava o ISIL e a Palestina. Os nomes dos irmãos Kouachis estavam incluídos, até, na lista norte-americana dos “proibidos de embarcar em avião”.

O fato de que os irmãos Kouachis tenham estado envolvidos no recrutamento e treinamento de jihadistas voluntários para combater na Síria pelo Estado Islâmico do Iraque e Levante, ISIS/ISIL (ing.) e de que tenham também trabalhado no recrutamento de exércitos de jihadistas no Iraque e Iêmen já bastaria para que ambos estivessem em listas de vigilância. Mas, como em caso anterior na França que envolveu supostos terroristas jihadistas que teriam matado pessoas ao acaso, os irmãos Kouachi, como Coulibaly, também bem conhecido da Polícia, foram autorizados a portar armas e outros materiais.

Coulibaly foi convidado, mesmo, do Presidente francês Nicolas Sarkozy em 2009. Coulibaly trabalhava numa fábrica da Coca Cola na periferia pobre de Grigny, arredores de Paris. Coulibaly foi um dos dez operários selecionados para encontrar-se pessoalmente com o Presidente Sarkozy no Palácio do Eliseu, para discutir questões de empregos para jovens. Como faz o serviço secreto dos EUA, a segurança do presidente francês também examina detalhadamente o passado de qualquer pessoa que receba convite para reunião com o presidente, é claro. Basta isso para que o fato de Coulibaly ter sido selecionado para reunião com Sarkozy cause a mais total perplexidade. O jornal Le Parisien citava Coulibaly, excitado com a reunião com o presidente, e que esperava que Sarkozy o ajudasse a encontrar um bom emprego. Diz-se que Coulibaly encontrou Cherif Kouachi pela primeira vez em 2010.

Amedy Coulibaly esteve com Sarkozy em 2005

Mas o que se sabe é que Coulibaly converteu-se ao Islã radical quando esteve preso em 2005, por assalto a mão armada. E teria sido na prisão que Coulibaly tornou-se seguidor de Djamel Beghal, suspeito de ser o membro franco-argelino da Al-Qaeda que, em 2001, tentou explodir a embaixada dos EUA em Paris.

De todos os jovens desempregados e subempregados na França, a segurança do presidente francês resolveu aprovar um conhecido membro da Al-Qaeda, autorizado a entrar no Palácio presidencial e reunir-se com o presidente Sarkozy. Como diriam os franceses: incroyable!

Não há dúvida alguma de que as autoridades conheciam o envolvido no affair Merah, em março de 2012, quando Mohammed Merah, cidadão francês, foi morto pela polícia francesa. Merah foi acusado de assassinar três paraquedistas franceses em Montauban e três alunos e um professor numa escola hebraica em Toulouse. Adiante se descobriu que não só o Diretorado Central da Inteligência Francesa Interna [orig. French Central Directorate of Internal Intelligence (DCRI)] tinha gordo dossiê sobre Merah, mas, também, que a inteligência francesa tentara recrutá-lo. Merah viajou sem ser perturbado ao Afeganistão, com pleno conhecimento da inteligência francesa. Os conservadores pró-Sarkozy e o Partido Socialista, então na oposição, hoje na presidência, conspiraram para acobertar todos os laços que ligavam Merah à inteligência francesa.

O que se diz é que os irmãos Kouachi teriam voltado da Síria no verão passado, a mesma Síria onde a CIA e a inteligência francesa apoiam grupos da guerrilha islamista radical que combatem contra o governo do presidente Bashar al-Assad. As semelhanças entre os Kouachis e Coulibaly, e Merah, são grandes demais para não chamarem a atenção. Todos esses eram bem conhecidos da inteligência francesa antes de aparecerem como supostos autores de ataques terroristas; e todos tinham conexões com grupos afiliados da Al-Qaeda.

Identidade de Cherif Kouachi, "esquecida" no auto de fuga

Desde a bomba-relógio na estação de trem de Bolonha em 1980, que matou 85 e feriu mais de 200, as operações “de falsa bandeira” na Europa Ocidental tornaram-se, pode-se dizer, uma espécie de “operação padrão”, que sempre se poderia repetir quase sem modificações [orig.boiler plate” operations]. Foi sem dúvida o que aconteceu no caso do assalto realizado por três homens, atuando de modo militar e profissional, sem vacilações “amadorísticas”, os supostos terroristas islamistas, contra a redação do semanário satírico Charlie Hebdo.Embora os dois irmãos Kouachi, mortos pela polícia num armazém ao norte de Paris, estejam sendo acusados por todas as ações que levaram aos ataques contra o jornal, não há ainda nenhuma explicação sobre um terceiro atacante. Um terceiro homem, cunhado dos Kouachis, de nome Mourad Hamyd, apresentou-se voluntariamente à polícia, depois que ouviu seu nome divulgado pela imprensa. Mas Hamyd, 18 anos, estava na escola, no momento do ataque contra Charlie Hebdo.

O ataque na estação de trem de Bolonha inaugurou a era dos ataques “sob falsa bandeira” dos tempos modernos. Embora, em 1980, o governo e a imprensa-empresa italianos tenham atribuído a responsabilidade por aquele ataque a guerrilheiros da esquerda radical italiana, já se sabe que o ataque foi executado por uma célula clandestina de fascistas radicais que conseguiram os materiais para a bomba em depósitos secretos pertencentes a uma unidade paramilitar clandestina da OTAN conhecida como “Gladio”.

A unidade conhecida como “Gladio” foi criada para mobilizar forças de guerrilha para combaterem contra os soviéticos, no caso de guerra em solo europeu. Armas e materiais foram enterrados e escondidos em cavernas por toda a Europa Ocidental, para uso futuro pelos guerrilheiros que lutassem contra possíveis tropas soviéticas de ocupação. Não demorou contudo para que a direita italiana e grupos armados sionistas tentassem usar o desacreditado Dossiê Mitrokhin, que teria sido extraído de arquivos da KGB, para atribuir a culpa pelo ataque em Bolonha aos soviéticos, que teriam atuado em conluio com árabes radicais, incluindo palestinos. A farsa durou pouco.

Atentado de Bolonha,  parte da Operação Gladio, uma série de atentados de "falsa bandeira" praticados por EUA (CIA) e Israel (Mossad)

Mais tarde descobriu-se que a CIA criara e distribuíra todas essas histórias, como parte de uma operação de guerra psicológica contra os soviéticos e os países árabes. De sua cela em Paris, em 2005, Ilich Ramirez Sanchez, conhecido terrorista conhecido como “Carlos”, revelou que os responsáveis pelas mortes em Bolonha foram CIA e Mossad, e que o tal “Dossiê Mitrokhin” estava sendo usado para “falsificar a história”. Fontes independentes confirmaram a veracidade do que Carlos dizia.

Desde Bolonha, as “pegadas” da inteligência ocidental em operações sob falsa bandeira são sempre muito evidentes, ataque após ataque. 40 anos de apego sempre à mesma doutrina, já fazem ver sempre, claras como o dia, as pegadas da inteligência ocidental.

Uma dessas “pegadas” que indicam a operação sob falsa bandeira é que a Polícia, muito convenientemente, sempre encontra “provas” que conectam os suspeitos ao crime – sejam agentes duplos que não sabem para quem trabalham, ou crentes que creem em qualquer história mal contada que lhes apareça pela frente.

Se logo aparece a tal “prova” que liga o suposto criminoso à cena do crime, já não há quem não pense em operação sob falsa bandeira. A Polícia francesa diz que ligou os Kouachis ao crime, porque Said, o irmão mais velho, esqueceu um documento francês de identidade num Citroen preto usado para a fuga. A Polícia não informou a qual dos dois irmãos pertenceria o documento. Vários especialistas franceses logo alertaram que o documento poderia ter sido plantado na cena, para confundir a Polícia. Também convenientemente, a Polícia encontrou coquetéis Molotov e bandeiras jihadistas islamistas no mesmo carro. O passaporte do suposto sequestrador de um dos aviões usados no 11/9, Mohammed Atta, também teria sido encontrado intacto, em perfeitas condições, no meio dos restos do World Trade Center.

WTC em 11/9/2001 (atentado de falsa bandeira)
Praticamente sempre, os verdadeiros assassinos em ataques sob falsa bandeira aparecem mascarados – como os três pistoleiros que assassinaram os cartunistas na redação de Charlie Hebdo.

Sempre há outros ataques na região, para confundir a Polícia. Por exemplo, enquanto a Polícia francesa concentrava suas buscas pelos pistoleiros do norte de Paris até a fronteira da Bélgica, uma policial feminina francesa foi atacada e morta em Montrouge, sul de Paris. As autoridades francesas apressaram-se a informar que os eventos no sul de Paris e na redação de Charlie Hebdo não estavam conectados. Depois se soube que, sim, havia conexão entre os dois crimes.

Algumas testemunhas no supermercado e no prédio do jornal estavam certas de que os mascarados que se revelaram como terroristas eram, de fato, soldados de forças especiais antiterrorismo. No supermercado, um homem que não foi ferido disse que apertou a mão de um dos mascarados, que ele supunha que fosse policial de forças especiais. Ao mesmo tempo em que a polícia francesa lançava suas operações para libertar reféns no supermercado kosher, era divulgada outra situação com refém numa joalheria em Montpellier, no sul da França. A Polícia apressou-se a informar que a situação nada tinha a ver com os eventos na região de Paris. Claro que o caso em Montpellier contribuiu convenientemente para reforçar a ação do fator medo.

PEGIDA - manifestação anti-imigrantes
Os eventos na França também deram forte impulso aos movimentos anti-imigrantes islâmicos que crescem por toda a Europa, desde o movimento PEGIDA (sigla em alemão para “Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente”) e o partido “Alternativa para a Alemanha”, até a “Frente Nacional” na França e o “Partido Independente” na Grã-Bretanha.

Acontecido tão imediatamente depois de a França ter votado no Conselho de Segurança da ONU a favor do reconhecimento da Palestina como estado, e se se considera o crescimento político, na França, da “Frente Nacional” pró-Israel, não se deve descartar a possibilidade de que a operação terrorista contra Charlie Hebdo seja ataque “olho-por-olho” [orig. a “price tag” attack] dos sionistas contra a França, mascarado como operação terrorista jihadista.
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[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al JazeeraStrategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Terroristas armados pela França atacam Paris

7/1/2015, [*] Tony CartalucciLand Destroyer
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte
A França, parte de uma coalizão comandada pela OTAN, armou, financiou, ajudou e, por esses e outros meios, perpetua, há anos, os terroristas da Al Qaeda, a começar oficialmente na Líbia, com a derrubada do coronel Muammar Gaddafi; e prossegue há anos, até hoje, com a OTAN, que arma e protege e garante apoio aos terroristas da Al-Qaeda inclusive ao chamado “Estado Islâmico” (ISIS/ISILem território sírio e ao longo das fronteiras sírias.

No recente ataque em Paris, como no trabalho dos próprios terroristas que a França armou e apoiou no norte da África e no Oriente Médio, o responsável pela violência é o próprio governo francês, culpado de manter apoio material a uma organização terrorista que já assassinou cidadãos franceses, inclusive dois oficiais de Polícia, não apenas em solo francês, mas dentro da própria capital da França.

Artigo no New York TimesTerror Attack on Charlie Hebdo Newspaper in Paris Kills 12, noticia que:

Homens mascarados e armados com armas automáticas abriram fogo no escritório de um jornal satírico francês na 4ª-feira, em Paris, segundo informação da Polícia, matando 12 pessoas e, na sequência, escapando num carro.

O presidente François Hollande disse que o ataque contra o semanário Charlie Hebdo foi “sem dúvida” ato de terrorismo e obriga a subir ao nível máximo o nível do alerta nacional contra terroristas. Disse também que vários ataques terroristas foram abortados nas últimas semanas.

Atacantes usaram um Citroen bem francês
De fato, apesar da preocupação “cenográfica” e do fingido sentimento de ultraje que Hollande exibia, fato é que o governo francês nunca parou de pregar e defender ataques terroristas e de armar grupos terroristas em todo o Mundo Árabe, acompanhando o empenho do “ocidente” para derrubar governos, um depois do outro, tentando reordenar toda a região segundo os seus próprios interesses geopolíticos e econômicos, e desde a “Primavera Árabe” em 2011.

Washington Post noticiou em 2011, em artigo que levava o título de França enviou armas a rebeldes líbios, que:

Enquanto o antecessor de Hollande, Nicolas Sarkozy, foi o homem que pôs coturnos franceses em solo na Líbia já dizimada, no início da intervenção da OTAN naquele país – ação que incluiu entregar armas francesas a terroristas, com aviões franceses garantindo cobertura àqueles terroristas enquanto cometiam genocídio e outras atrocidades –, Hollande deu continuidade às mesmas políticas iniciadas por Sarkozy, primeiro na Líbia, agora também na Síria. Funcionários franceses anunciaram na 4ª-feira que entregaram armas a rebeldes na Líbia, marcando a primeira vez que um país da OTAN ofereceu ajuda militar direta a opositores do governo, em conflito que durou mais tempo do que muitos políticos esperavam que durasse.(30/6/2011).

O ataque foi executado por operadores profissionais, estilo “Gladio

O vídeo que já se conhece do recente ataque em Paris mostra militantes pesadamente armados, manejando com perfeita intimidade e disciplina suas armas de nível militar: não há dúvidas de que são agentes que receberam treinamento militar. Digam o que disserem sobre os terroristas terem “informado” os presentes, que “Somos a Al-Qaeda”, a verdade é que são produto da rede de terrorismo que o ocidente criou e perpetua até hoje, para conseguir manter uma guerra de terror contra seus próprios cidadãos, além de várias guerras “por procuração”, em terras distantes, contra inimigos do outro lado do mundo.

Massacre de Bolonha, um dos atentados da Operação Gladio
A cumplicidade dos franceses ao armarem inimigos do estado sírio, tem sido ponto de discussão e causa de temor entre críticos e especialistas, que há anos alertam para o risco de “revide”. É, portanto, bem pouco crível que a França e seus parceiros nessa vasta rede de terror global patrocinado por estados nunca tivessem previsto que o “revide” viria.

Parece simplesmente inacreditável que não teriam conseguido impedir esses atentados terroristas, se desejassem impedi-los.

Em outras palavras, os ataques em Paris parecem ser novos ataques contra a população europeia, ao estilo da “Operação Gladio” da OTAN, ação insidiosa para manipular as percepções públicas, tanto quanto a paisagem política regional.

Financiados pelos EUA, treinados na Grã-Bretanha e mantidos como grupos extremistas paramilitares por toda a Europa durante a Guerra Fria, as “redes de retaguarda” da OTAN, como eram chamadas, foram criadas, supostamente, para serem ativadas no caso de invasão massiva da Europa Ocidental, pelos soviéticos. Mas sempre foram usadas para ataques a serem atribuídos a outros agentes, e que sempre matavam e feriam centenas de europeus. – Imediatamente, as atrocidades eram atribuídas à União Soviética ou a seus simpatizantes na Europa. A OTAN usava os ataques e assassinatos para manipular as percepções entre os cidadãos e gerar ganhos políticos para grupos que operavam sob controle da OTAN.

Assim também, a Al-Qaeda e suas várias franquias, inclusive a mais recente e famosa, o ISIS, estão sendo usadas como ameaça doméstica e como força mercenária expedicionária estrangeira.

Jihadistas da al-Qaeda, armados pelos franceses e aliados, desfilam alegremente em Raqqa, Síria
Verdade é que com um canto da boca o presidente Hollande condena os ataques em Paris; e, com o outro canto da boca, continua a exigir cada vez mais armamentos e mais apoio para as próprias redes das quais saíram os mesmos ataques, com o objetivo de manter a campanha de terror e violência contra a Síria.

Independente do que se venha a descobrir em quaisquer investigações que se façam, o fato de que a OTAN já engendrou ataques exatamente iguais aos que agora se viram em Paris – e ataques contra os mesmos povos que a OTAN diz que existiria para proteger – faz da OTAN e dos vários líderes políticos que estão hoje no governo dos países-membros da OTAN os principais suspeitos dos crimes.

No mínimo, são os mesmos estados e governantes que não farão investigação imparcial sobre os ataques recentes, tanto quanto já se mostraram incapazes de impedir os ataques.

O mais provável é que os ataques não tenham sido concebidos e executados por inimigos que viveriam longe das fronteiras europeias, mas por inimigos excepcionalmente perigosos que vivem dentro daquelas fronteiras.

[*] Tony Cartalucci é pesquisador de geopolítica e escritor sediado em Bangkok, Tailândia. Seu trabalho visa cobrir os eventos mundiais a partir de uma perspectiva do Sudeste Asiático, bem como promover a auto-suficiência como uma das chaves para a verdadeira liberdade.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

OTAN e o declínio do poder imperial dos EUA

28/11/2013, [*] Chris Nineham, Counterfire, Stop the War Coalition (UK)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A marcha belicista da OTAN
Políticos britânicos estão celebrando o anúncio de que a conferência da OTAN de 2014 acontecerá em South Wales. Sem nenhum pudor ou ironia, dizem que a conferência estimulará o turismo e os empregos, além da chance de divulgar o país.

Antes das platitudes e das celebrações, deveriam considerar exatamente que tipo de organização será hospedada no “resort” e clube de golfe de Celtic Manor, perto de Newport, em setembro de 2014.

Nesse momento, a OTAN tenta lidar com uma crise de dupla identidade, porque seu princípio básico sempre foi assegurar que os EUA continuassem a controlar a política externa europeia, para mais facilmente projetar o poder mortífero dos EUA na região.

A OTAN foi criada em 1949, no início da Guerra Fria. À primeira vista, foi um pacto de mútua defesa que uniu os EUA e a Europa Ocidental, contra a ameaça de uma invasão soviética. A realidade sempre foi bem diferente.

Em primeiro lugar, foi parte de uma estratégia mais ampla para cercar, intimidar e “conter” a URSS, para levá-la à ruína. A corrida nuclear que a OTAN ajudou a montar e operar impôs tal pressão contra o estado soviético, que acelerou o colapso, no início dos anos 1990s. [1]

Segundo, unir militarmente os países ocidentais sob controle dos EUA, assegurou o domínio dos EUA sobre a Europa. Amarrou os europeus no apoio a uma política externa pós-2ª Guerra Mundial que se apresentava como pró-democracia e anticolonialista, mas, de fato, era uma política letalmente agressiva.

Até o ano 2000, os EUA bombardearam pelo menos 27 países, assassinaram ou tentaram assassinar governantes do Terceiro Mundo e tentaram derrubar 40 governos.

Esses esforços incluíram guerras abertas na Coreia de 1950-3, no Vietnã e depois no Camboja de meados dos anos 1960s até 1973 e uma das campanhas mais prolongadas de bombardeio aéreo sustentado de toda a história do mundo, pela própria OTAN, contra a Sérvia, em 1999.  

Massacre de Bolonha, um dos atentados da Operação Gladio
Terceiro, a OTAN coordenou operações secretas de forças especiais por toda a Europa para subverter a esquerda e preparar ações contra qualquer possível governo de esquerda que aparecesse. A Operação Gladio na Itália, a mais afamada dessas redes comandadas pela OTAN, foi exposta em 1990. Essa operação Gladio parece ter tido papel importante na destruição da esquerda italiana nos anos 1970s e 80s, mas depois se soube que operações semelhantes foram também montadas na Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Espanha e Turquia.

A destruição dos satélites soviéticos e, na sequência, da própria União Soviética em 1989 foi momento agridoce para a inflada burocracia da OTAN: por um lado, marcou seu triunfo sobre o principal inimigo; por outro lado gerou problemas existenciais. A OTAN ficou em perigo de tornar-se vítima da própria propaganda. Durante décadas, o “Bloco Comunista” havia sido pintado como a maior ameaça à paz e ao mundo livre. Sem ele, surgia a ameaça de já não ser necessária qualquer liderança militar norte-americana na Europa, nem a gigantesca produção de armas e exércitos que a OTAN estimulara na Europa nas décadas que se seguiram à guerra.

David Rothkopf
O fato de a OTAN ter-se mantido – de fato, até cresceu – no mundo pós-Guerra Fria provou que jamais se tratara exclusivamente de “conter” a URSS. David Rothkopf, um dos arquitetos de uma nova política para a OTAN no governo do presidente Clinton, explicou a verdadeira dinâmica por trás do intervencionismo norte-americano pós-guerra:

A Pax Americana veio com um preço implícito a ser pago pelas nações que aceitaram o guarda-chuva de segurança dos EUA. Se um país dependia dos EUA para proteger sua segurança, tinha de aceitar os EUA nas questões do comércio em geral. [2]

A rápida expansão da OTAN para a Europa Oriental depois do colapso da União Soviética confirmou que a OTAN era elemento chave do projeto imperial dos EUA. Em parte, foi concebida para garantir que os estados soviéticos olhassem para o oeste, à procura de ajuda, de mercados e de investimentos. Mas foi meio também para bloquear preventivamente qualquer possível aliança entre as potências da Europa Ocidental e a Rússia, que se debatiam no vendaval do “livre mercado”. A ampliação da OTAN para a Polônia, a República Tcheca e a Hungria deu aos EUA o papel de leão-de-chácara entre Rússia e Alemanha. Como se lê num documento de planejamento do Departamento de Defesa de 1992, “nosso primeiro objetivo e impedir a emergência de um novo rival”.

Em termos mais amplos, a OTAN foi a principal plataforma nos planos dos EUA para reorganizar a economia mundial – para abrir o mundo inteiro para as empresas norte-americanas e para atá-las, o mais possível, politicamente. O slogan da OTAN era “fora da área, fora dos negócios”.

Na ausência da ameaça comunista, os EUA tiveram de arrastar os europeus para guerras de agressão, para aumentar o poder de fogo dos europeus e manter a liderança da Aliança Ocidental. Não é surpresa, pois, que a OTAN tenha feito suas primeiras guerras nos Bálcãs nos anos 1990s, primeiro contra os sérvios na Bósnia, depois na campanha ainda mais mortífera contra os sérvios na guerra do Kosovo de 1999. Nesse momento, inauguraram-se também novos discursos: as guerras ocidentais passaram a ser apresentadas como “intervenções humanitárias”.

Atentado do World Trade Center, 11 de setembro de 2001
O 11/9 inaugurou um período de unilateralismo norte-americano. Em parte, os ataques às torres gêmeas e ao Pentágono davam aos falcões de Washington a chance de irem à guerra sozinhos. Em parte também, várias potências da OTAN sentiam-se mal ante um ataque ao Iraque. Mas logo se achou nova utilidade para a OTAN, quando a pequena coalizão “de vontades” começou a dar-se muito mal no Iraque. Em 2006, a OTAN assumiu o controle conjunto das operações na desastrada ocupação do Afeganistão, e assim assumiu o papel central na mais longa aventura colonial do planeta, desde a grande onda de descolonização que começara no final da 2ª Guerra Mundial.

Serviu também como guarda-chuva-comando para a Operação “Protetor Unificado” – a campanha de bombardeamento da Líbia, em 2011. A ideia “unificante” era falsa, e a campanha logo se viu minada por ações de França, Alemanha, Grã-Bretanha e EUA, todos tentando maximizar suas “taxas” de bombardeamento, aspirando a – como supunham que conseguiriam – aumentar a capacidade de influir na Líbia pós-Gaddafi. Essa disputa feroz levou à morte de dezenas de milhares de líbios e à total destruição do estado líbio.

As derrotas ocidentais no Iraque e no Afeganistão, combinadas ao humilhante fracasso de Obama, Cameron e Hollande, que não conseguiram consumar uma nova intervenção ocidental na Síria criaram novas e mais graves dúvidas sobre o papel da OTAN, o que só faz aumentar a incerteza nos estertores da Guerra Fria.

Robert Kaplan
Especialistas norte-americanos reclamam que os gastos militares europeus são hoje 20% do orçamento da OTAN; e eram 40% em 1980. Muitos estão indignados com o crescimento do antimilitarismo na Europa. Robert Kaplan reclama que:

(...) os europeus tendem a ver suas forças armadas como funcionários públicos metidos em uniformes ridículos. A ideia de que os militares existam para defender suas liberdades democráticas soa como piada aos ouvidos europeus.

São dúvidas que os beligerantes intelectuais de Washington muito se dedicam a dissipar, porque os EUA ainda precisam da OTAN. O próprio Kaplan insiste que “a OTAN é a hegemonia norte-americana no varejo”. A OTAN ajuda a manter a coerência na Europa, sob controle dos EUA. Diminui o risco de a Alemanha “pivotear-se” rumo a uma aliança com a Rússia; e fornece um quadro organizacional para o projeto de encurralar a riqueza mineral recentemente descoberta no continente africano. Mais importante que isso, os EUA emergiram da euforia do momento unipolar tomados de terrível ressaca. Acordaram, dia seguinte, numa nova ordem mundial de competição intensa.

Uma Rússia reenergizada cuida de reafirmar sua influência na Ásia Central, na Europa Oriental e no Oriente Médio. Mas, muito pior que isso: a China ameaça ultrapassar economicamente os EUA em poucas décadas e está construindo a própria influência política em todo o planeta. Nesse novo ambiente apavorante, a OTAN será instrumento essencial para promover o poder dos EUA. Logo se ouvirão, cada vez mais veementes, exigências de que a Europa aumente o gasto para compra de armas, para lidar com a África e o Oriente Médio – enquanto os EUA “pivoteiam-se” rumo ao leste. O ataque à Líbia e a loucura de Cameron e Hollande no esforço para fazer guerra à Síria sugerem que várias capitais ocidentais logo verão tudo isso não como ônus, mas como oportunidade para reviver gloriosas tradições colonialistas.

O pior cenário possível é que a OTAN seja usada para arrastar países europeus para guerras contra as novas forças que emergem para confrontar os EUA.

O principal objetivo estratégico de nosso grupo Stop the War Coalition [lit. “Parar a Coalizão de Guerra”, com sede na Grã-Bretanha] é quebrar o vínculo entre a política externa britânica e o “Projeto para o Novo Século Americano”. Para tanto, é crucialmente importante quebrar, antes, o vínculo entre a Grã-Bretanha e a OTAN.



Notas dos tradutores

[1] Sobre esse sempre dito “colapso”, ver, imperdível: 16/10/2013, redecastorphoto em: O longo (20 anos!) pas de deux de Rússia e EUA está chegando ao fim?, The Saker (traduzido).
[2] Apud GOWAN, Peter, The Global Gamble: Washington’s Faustian Bid for World Dominance; 1999, New York: Verso.
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[*] Chris Nineham é um dos fundadores e um dos Diretores Nacionais da Stop the War Coalition no Reino Unido. Foi um dos principais organizadores do protesto anti-guerra 15 Fevereiro 2003 contra a invasão ao Iraque. Foi um dos principais membros Globalise Resistence, a rede anti-globalização, que mobilizou milhares de protestos em Gênova e em outros lugares; desempenhou um papel importante nos Fóruns Sociais Europeus e Mundiais. Foi membro do Partido Socialista dos Trabalhadores até que renunciar em 2010.

Escreve extensamente sobre o movimento antiguerra e do movimento antineoliberal, bem como sobre os meios de comunicação, modernismo e teoria cultural.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

OPERAÇÃO GLADIO: Porque o Governo italiano quer a cabeça de Battisti

Caros

Depois de ter iniciado o desenvolvimento de um artigo que viesse a esclarecer a todos a importancia do pano de fundo do Caso Battisti, que foi a Operação Gladio no ocidente a partir da Segunda Guerra Mundial, encontrei o trabalho já feito, o que apenas me deu o trabalho de traduzi-lo à noite até ha pouco. Poderia adicionar alguns outros detalhes importantes, mas o tempo nos é exíguo para que chegue às mãos dos Ministros do Supremo e às suas para que repassem de imediato a fim de fazermos uso dessa matéria importantíssima.

Infelizmente os e-mails dos Ministros Gilmar Mendes (o principal) Ayres Britto, Cesar Peluso e Ricardo Lewandowski me foram passados errado. Se puderem chegar às suas mãos ficaríamos muito gratos.

Abraços

Marcos Rebello (analista Político, consultor e membro da comunidade de diplomatas - MRE)

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Excelentíssimos Ministros

Já há algum tempo venho participando de debates sobre esse tema, particularmente depois que o pedido de extradição de Cesare Battisti pela Itália foi submetido ao Supremo Tribunal de Justiça da nação brasileira.

Acabo de traduzir esse ensaio fartamente documentado (não só por jornais) que trata o mais sucintamente sobre a base daquilo que viemos a conhecer na realidade como a guerra fria no ocidente perpetrada por agentes do próprio estabelecimento político e de inteligência ocidentais contra as nossas sociedades.

Este é, portanto, o pano de fundo contra o qual V. Exs. estão julgando o Caso Battisti.

Conclui-se que pela extradição de Cesare Battisti a Itália, em vez de darmos início à resolução das atrocidades cometidas pelos serviços de inteligência ocidentais operando particularmente na Itália e no Brasil durante a decada de 70 em seu auge, estaremos falhando inequivocamente em darmos um claro sinal a esses agentes de que essas práticas não mais serão toleradas em nossos países por serem hediondas e monstruosas transgressões aos Direitos Humanos.

É por mantermos a dignidade humana e a soberania nacional, no que concerne os nossos Direitos Humanos, que Vossas Excelências têm a obrigação de impor e preservá-los pela simples e clara interpretação do espírito das leis no julgamento desse pedido de extradição que não procede. Porque não é um homem que está sendo julgado, mas todo um sistema de terror a que todo o mundo ocidental tem sido vítima como pretexto de, por controle estatal repressivo e violento, submeter centenas de milhões de seres humanos.

Como sabemos, por já termos conhecimento de causa, não há como Cesare Battisti ser julgado imparcialmente na Itália. Ele seria mais um bode expiatório no processo de encobrir aqueles que mantêm o mesmo esquema politico-institucional.

Atenciosamente
Marcos Rebello

Operação Gladio: Rede da CIA dos “deixados-atrás” do exército e serviços de informação secretos


O “sacrifício” de Aldo Moro
por Andrew G. Marshall

Pela OTAN, trabalhando com várias agências de inteligência européias, a CIA construiu uma rede dos que foram deixados atrás “dos serviços secretos” responsáveis por dúzias de atrocidades terroristas através de Europa ocidental por décadas. Este relatório estará focado no exército deixado atrás na Italia, porque é o mais documentado. O nome de código era Operação Gladio, a “espada”.

Uma vista geral

A finalidade das tropas “deixadas atrás”

No inicio dos anos 50, os Estados Unidos começaram a treinar redes dos “deixados atrás” dos voluntários na Europa ocidental, de modo que no caso de uma invasão soviética, “recolhessem a inteligência, abrissem vias de fuga e formassem movimentos de resistência.” A CIA financiou e educou estes grupos, trabalhando mais tarde com unidades de inteligência militar européias ocidentais sob a coordenação de um comitê da OTAN. Em 1990, os investigadores italianos e belgas começaram pesquisar as ligações entre estes “deixados atrás dos exércitos” e a ocorrência do terrorismo na Europa ocidental por um período de 20 anos. [1]

“Exércitos secretos” ou grupos terroristas?

Estes que “permaneceram atrás” dos exércitos conspiraram, financiaram e frequentemente dirigiram organizações terroristas durante toda a Europa no que foi denominado uma “estratégia de tensão” com o alvo de impedir uma ascensão da esquerda na política européia ocidental. Os “exércitos secretos” da OTAN conduziram atividades subversivas e criminais em diversos países. Na Turquia em 1960, o deixados-atrás do exército, trabalhando com o exército turco, encenou golpes de estado e matou o primeiro ministro Adnan Menderes; na Argélia em 1961, o deixados-atrás do exército francês encenou um golpe com a CIA contra o governo francês de Argel, que eventualmente malogrou; em 1967, o exército grego deixado-atrás encenou um golpe e impôs uma ditadura militar; em 1971 na Turquia, após um golpe militar, o deixados-atrás do exército organizou “o terror doméstico” e matou centenas; em 1977 na Espanha, o deixados-atrás do exército realizou um massacre em Madrid; em 1980 na Turquia, o lider do deixados-atrás do exército encenou um golpe e tomou o poder; em 1985 em Bélgica, o deixados-atrás assassinou aleatoriamente pessoas nos supermercados, matando 28; na Suiça em 1990, o anterior líder do deixados-atrás escreveu ao departamento de defesa dos E.U. que revelaria “toda a verdade” e foi encontrado morto no dia seguinte com sua própria baioneta; e em 1995, a Inglaterra revelou que o MI6 e o SAS ajudaram na instalação dos deixados-atrás dos exércitos através de toda a Europa ocidental. [2]

O nascimento da operação Gládio

Uma “estratégia de tensão”

Em 1990, o primeiro ministro italiano confirmou que os “deixados-atrás” do exército, denominado “Gladio” (espada), existiu desde 1958, com a aprovação do governo italiano. No princípio dos anos 70, o apoio comunista na Italia começou a crescer, de maneira que o governo mudou para uma “estratégia da tensão” usando a rede do Gladio. Em 1972 durante uma reunião extremamente secreta do Gladio, um oficial sugeriu que se fizesse “um ataque preventivo” nos comunistas. Como o jornal britanico The Guardian reportou, as ligações entre o Gladio na Italia, todos os três serviços secretos italianos e a ala italiana da Loja Maçonica P2 eram muito bem documentados, porque o chefe de cada unidade da inteligência eram membros da Loja P2. [3]

Preparando a rede

Em 1949, a CIA ajudou a instalação da unidade de inteligência secreta italiana das forças armadas, nomeada SIFAR, provida com parte do pessoal de antigos membros da polícia secreta de Mussolini. Mais tarde o nome mudou para SID. Na final da Segunda Guerra Mundial , um antigo colaborador nazista, Licio Gelli, estava prestes a ser executado por suas atividades durante a guerra, mas negociou pela vida juntando-se ao corpo de contra-informação do exército dos EUA. Nos anos 50, Gelli foi recrutado pela SIFAR. Gelli era tambem um dos líderes da Loja Maçonica P2 na Itália e, em 1969, desenvolveu laços intimos com o general Alexander Haig, que era então assistente do Conselheiro de Segurança Nacional Henry Kissinger. Através desta rede, Gelli transformou-se no principal intermediário entre a CIA e o Geral De Lorenzo, chefe da SID. [4]

Gladio cria a “tensão”

A Gladio foi envolvida nos silenciosos golpes de estado da Itália, quando o general Giovanni de Lorenzo forçou os ministros socialistas italianos a deixar o governo. [5] Em 12 de dezembro de 1969, uma bomba explode no banco agrário nacional, matando 17 pessoas e ferindo outras 88. Nessa mesma tarde, mais três bombas explodem em Roma e em Milão. A inteligência dos E.U. era informada com antecedencia sobre os atentados, mas não informava as autoridades italianas. [6] Em 2000, um antigo General do Serviço Secreto Italiano afirmou que a CIA “deu sua tácita aprovação a uma série de atentados à bomba na Itália nos anos 60 e nos anos 70.” [7] Estabeleceu-se que os atentados tinham ligações a dois neofascistas e a um agente do SID. [8]

Em depoimento em tribunal durante julgamento de quatro homens acusados da participação em atentados à bomba em bancos durante 1969 em Milão, o general Gianadelio Maletti, anterior líder da contra-informação militar de 1971 a 1975, indicou que sua unidade descobriu evidência de que os explosivos foram fornecidos pela Alemanha a um grupo terrorista italiano de direita, e que a inteligência dos E.U.A.pode ter ajudado na transferência dos explosivos. Foi dito que ele declarou que a CIA, “seguindo as diretrizes orientadoras de seu governo, quis criar um nacionalismo italiano capaz de sustar o que foi considerado como uma guinada à esquerda e, com esta finalidade, pode ter sido empregado terrorismo de direita,” e que, “eu acredito isso foi o que também aconteceu em outros países.” [9]

O Relatório

O governo italiano liberou um relatório de 300 páginas em operações da Gladio na Itália em 2000, documentando conexões com os Estados Unidos. Declararam que os E.U.A. eram responsáveis por inspirar uma “estratégia da tensão.” No examinar o porquê aqueles que cometeram os atentados à bomba na Itália foram raramente apreendidos, o relatório disse, “aqueles massacres, aquelas bombas, aquelas ações militares tinham sido organizadas ou promovidas ou apoiadas por homens dentro das instituições italianas do estado e, como foi descoberto, pelos homens ligados às estruturas da inteligência dos Estados Unidos. ” [10]

As Brigadas Vermelhas

As Brigadas Vermelhas eram uma organização italiana de esquerda terrorista formada em 1970. Em 1974, os fundadores das Brigadas Vermelhas, Renato Curcio e Alberto Franceschini foram apreendidos. Alberto Franceschini acusou mais tarde um membro superior das Brigadas Vermelhas, Mario Moretti, de delatá-los, e que ambos Moretti e outro membro principal das Brigadas Vermelas, Giovanni Senzani, eram espiões para os serviços secretos italiano e dos E.U.A. [11] Moretti subiu no poder das Brigadas Vermelhas em conseqüência da apreensão dos dois fundadores.

As Brigadas Vermelhas e a CIA

As Brigadas Vermelhas trabalharam em comum acordo com escola de línguas Hyperion em Paris, fundada por Corrado Simioni, por Duccio Berio e por Mario Moretti. Corrado Simoni havia trabalhado para o CIA na Radio Free Europe, Duccio Berio havia fornecido à SID italiana informações de grupos esquerdistas, e Mario Moretti, àparte de ser acusado pelos fundadores das Brigadas Vermelhas como sendo um agente da inteligência, igualmente aconteceu ser o arquiteto e o assassino do primeiro ministro italiano anterior, Aldo Moro. Em relatório policial italiano a escola de línguas Hyperion foi referida como “o escritório mais importante da CIA na Europa.” [12]

O assassinato de Aldo Moro

Moro faz inimigos poderosos

Aldo Moro, que serviu como Primeiro Ministro da Itália de 1963 até 1968 e mais tarde, de 1973 até 1976, foi sequestrado e assassinado pelas Brigadas Vermelhas em 1978, quando ainda um político proeminente no partido Democrata-Cristão. Quando foi sequestrado, Moro estava em trajeto ao Parlamento para votar na inauguração de um novo governo, que ele próprio negociou, pela primeira vez desde 1947, para ser apoiado pelo Partido Comunista Italiano (PCI). A política de Moro de trabalhar de comum acordo e de trazer os comunistas ao governo foi delatada pela URSS e pelos Estados Unidos.

A ameaça de Kissinger

Moro foi mantido sequestrado por 55 dias antes de seu assassinato. O raciocínio era para que o seu plano trouxesse o partido comunista ao governo. Quatro anos antes de sua morte, em 1974, Moro estava em uma visita como Primeiro Ministro Italiano aos Estados Unidos. Em sua visita encontrou-se com o Secretário de Estado dos E.U.A. Henry Kissinger que disse: Moro, “você deve abandonar a sua política de trazer todas as forças políticas em seu país nessa colaboração direta… ou você pagará caro por ela.” [13]

Moro “foi sacrificado”

Steve Pieczenik, um antigo negociador de reféns do Departamento de Estado e entendido gerente em crises internacionais, “afirmou que teve um papel crítico no destino de Aldo Moro.

Pieczenik disse que Moro “tinha sido sacrificado” para “a estabilidade” da Itália. Ele tinha sido enviado a Itália pelo presidente Jimmy Carter no dia do sequestro de Moro para ser parte de um comitê sobre a crise, da qual disse: “foi criada repentinamente pelo temor de que Moro revelasse segredos de estado na tentativa de se livrar.” A ação tomada pelo comitê foi a de vazar um memorando dizendo que Moro estava inoperante, e atribuir o memorando às Brigadas Vermelhas. A finalidade dessa operação era “preparar o público italiano para o pior e deixar as Brigadas Vermelhas saberem que o estado não negociaria por Moro, considerado já morto.” [14] Em um documentário no assunto, Pieczenik indica que, “A decisão foi feita na quarta semana do sequestro, quando as cartas de Moro se tornaram desesperadas e que ele estava a ponto de revelar segredos de estado,” e isso, “era uma decisão extremamente difícil, mas a pessoa que a fez no final foi o Ministro do Interior Francesco Cossiga, e, aparentemente, também o Primeiro Ministro Giulio Andreotti.” [15]

As cartas de Moro

Entre as cartas liberadas de Moro, que as escrevia quando no cativeiro, indica que temia que uma organização secreta, com “outros serviços secretos do ocidente… pudesse estar implicada na desestabilização de nosso país.” [16] Durante sua interrogação quando no cativeiro, Moro ainda se referiu à “atividades da anti-guerrilha da OTAN.” Entretanto, as Brigadas Vermelhas não usaram esta informação, [17] talvez porque, de acordo com os fundadores das Brigadas Vermelhas, o líder da organização durante o sequestro de Moro, Mario Moretti, estava trabalhando para os serviços italiano ou de inteligência dos E.U.A. [18]

Jornalista independente morto pelo presidente?

Imediatamente depois da morte de Moro, o jornalista italiano, Mino Pecorelli, um homem com “excelentes contatos no serviço secreto,” exprimiu sua suspeita em um artigo em 1978 no qual a morte de Moro estava ligada a Gladio, fato que não foi oficialmente reconhecido até 1990. Um ano após a morte de Moro, Pecorelli foi baleado em Roma. Disse que o sequestro de Moro foi orquestrado “por uma superpotência lúcida.” Em 2002, o sete vezes Primeiro Ministro anterior, Giulio Andreotti, foi condenado por ter “ordenado” o assassinato de Pecorelli. [19] Pecorelli estava prestes a publicar um livro “contendo críticas prejudiciais ao [Primeiro Ministro Giulio] Andreotti pelo assassinato do líder democrata-cristão Aldo Moro.” [20]

O atentado em Bolonha

Na manhã do 2 de agosto de 1980, a Itália experimentou seu pior ataque terrorista da historia na estação de trem de Bolonha, que matou 85 pessoas, e feriu mais de 200 outras. Foi feita uma longa e complicada investigação e, eventualmente, deu-se início a um julgamento. Em 1988, quatro terroristas de direita foram sentenciados à vida na prisão. Outros dois réus foram condenados por difamação à investigação, “Francesco Pazienza, um antigo financeiro ligado a diversos casos criminosos na Itália, e Licio Gelli, antigo grão-mestre da notória Loja Maçonica P2.” [21] Este é o mesmo Licio Gelli que passou a ser um intermediário entre a CIA e a liderança da inteligência italiana para a rede da Gladio. Entretanto, mais tarde Gelli foi absolvido dos crimes.

Notas

[1] Bruce W. Nelan, Europe Nato's Secret Armies. Time Magazine: November 26, 1990:

2] PHP, Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies. ISN:

[3] Ed Vulliamy, Secret agents, freemasons, fascists... and a top-level campaign of political 'destabilisation'. The Guardian: December 5, 1990:

[4] Arthur E. Rowse, GLADIO: THE SECRET U.S. WAR TO SUBVERT ITALIAN DEMOCRACY. Covert Action Quarterly: December 1994

[5] PHP, Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies. ISN:

[7] CBC, CIA knew, but didn't stop bombings in Italy - report. CBC News: August 5, 2000:

[8] Peter Dale Scott, The Road to 9/11: Wealth, Empire, and the Future of America. University of California Press, 2007: page 181

[9] Philip Willan, Terrorists 'helped by CIA' to stop rise of left in Italy. The Guardian: March 26, 2001:

[10] Philip Willan, US 'supported anti-left terror in Italy'. The Guardian: June 24, 2000:

[11] Philip Willan, Infiltrators blamed for murder of Italian PM. The Guardian: April 10, 1999:

[12 - 13] Arthur E. Rowse, GLADIO: THE SECRET U.S. WAR TO SUBVERT ITALIAN DEMOCRACY. Covert Action Quarterly: December 1994

[14] Malcolm Moore, US envoy admits role in Aldo Moro killing. The Telegraph: March 16, 2008:

[15] Saviona Mane, A murder still fresh. Haaretz: May 9, 2008:

[16] Ed Vulliamy, Secret agents, freemasons, fascists... and a top-level campaign of political 'destabilisation'. The Guardian: December 5, 1990:

[17] Philip Willan, Moro's ghost haunts political life. The Guardian: May 9, 2003:

[18] Philip Willan, Infiltrators blamed for murder of Italian PM. The Guardian: April 10, 1999:

[19] Philip Willan, Moro's ghost haunts political life. The Guardian: May 9, 2003:

[20] BBC News, Giulio Andreotti: Mr Italy. BBC: October 23, 1999:

[21] AP, Four Get Life in Prison In Bombing in Bologna. The New York Times: July 12, 1988:

Andrew G. Marshall contribuiu para romper o consenso das alterações climáticas em um celebrado artigo em 2006 intitulado “Aquecimento Global Uma Mentira Conveniente”, em que desafiou os resultados que são a base do documentário de Al Gore. De acordo com Marshall, “assim que os povos começarem indicar que “o debate acabou”, tomem cuidado, porque a base fundamental de todas as ciências é que o debate nunca termina”. Andrew Marshall igualmente escreveu sobre a militarização da África Central, sobre questões de segurança nacional e sobre o processo de integração de America do Norte. É igualmente um contribuinte para o GeopoliticalMonitor.com para Centre for Research on Globalization (CRG) em Montreal e está estudando ciência política e história na Simon Fraser University, British Columbia.

Este documento foi enviado à redecastorphoto por Nanda Tardin do blog Juntos Somos Fortes onde foi originalmente publicado.