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quarta-feira, 4 de março de 2015

Três diabos-velhos senis & o fascismo de Vestfália

1/3/2015, [*] Wayne MADSENStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Nunca houve, não há hoje nem jamais haverá posição neutra da OTAN ou da União Europeia, sobre nenhuma questão na qual forças antiunipolares – como Rússia, China, Irã, Venezuela, Brasil e outras – se oponham às elites militares-bancárias de inteligência da aliança ocidental.


John McCain... 
O falcão-de-guerra-em-chefe Republicano e presidente da Comissão das Forças Armadas no Senado dos EUA, senador John McCain do Arizona, deu, numa única semana, extensivo mau uso à sua posição, para arregimentar opiniões de duvidosa validade de três agentes decrépitos da política de poder dos EUA.

Em rápida sucessão, o ex-Secretário de Estado Henry Kissinger; o general (aposentado) Brent Scowcroft, Conselheiro de Segurança Nacional dos presidentes Gerald Ford e George H. W. Bush; e Zbiginiew Brzezinski, Conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter, falaram à Comissão presidida por um radiante McCain, sobre a necessidade de manter-se o sistema do Tratado de Vestfália, numa era em que as redes sociais e a internet ameaçam diretamente o sistema do estado-nação westfaliano concebido em 1648, depois da Guerra dos Trinta Anos.

É claro que o que McCain, Kissinger, Scowcroft e Brzezinski querem ver mantida é uma União Europeia federalizada e sempre em expansão, que agora está absorvendo lentamente como seus mais novos estados-nação westfalianos a Ucrânia, a Geórgia e a Moldávia.

Tratado da Westfália - Europa em 1648
(clique na imagem para aumentar)
A União Europeia, que mistura federalismo secular westfaliano com dogma do neo-Sacro-Império Romano, é militarmente apoiada por uma Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que age como os centuriões dos corretores do poder atlanticista de Washington, Londres e Berlim. Esse status quo tem de ser mantido a qualquer custo, segundo Kissinger, Scowcroft e Brzezinski – precisamente os três responsáveis pela conversão da Guerra Fria bloco-soviético vs OTAN do passado, na neo-Guerra Fria que hoje pôs a Rússia à beira da guerra contra a OTAN.

Embora não se possa adivinhar o que os três diabos-velhos senis da política de poder ocidental teriam em mente no apoio que dão ao sistema westfaliano, pode-se presumir com razoável certeza que estão defendendo um sistema mundial no qual uns poucos regimes elitistas ditam a política internacional para o resto do mundo.

Kissinger disse à comissão do Senado que vê a Europa do início dos anos 1600s e a Europa de hoje como entidades semelhantes, porque, nesses dois casos vê-se “uma multiplicidade de unidades políticas, nenhuma suficientemente poderosa para derrotar as demais, muitas aderidas a filosofias contraditórias com suas práticas internas, em busca de regras de neutralidade para regular as condutas e mitigar o conflito”. É claro que Kissinger trabalha para fazer-crer que a União Europeia e a OTAN fornecem “regras neutras” para que países em competição mitiguem seus conflitos.

É bem possível que Kissinger, que sofre de demência senil em estado avançado, realmente creia na panaceia da “governança” internacional que se discute naqueles conclaves elitistas tipo Grupo de Bilderberg, Conselho de Relações Exteriores e Fórum Econômico Mundial de Davos. 

PROCURADO
por crimes
contra a humanidade
Henry A. Kissinger
Nunca houve, não há hoje nem jamais haverá posição neutra da OTAN ou da União Europeia, sobre nenhuma questão na qual forças antiunipolares – como Rússia, China, Irã, Venezuela, Brasil e outras – se oponham às elites militares-bancárias-de-inteligência da aliança ocidental.

Mr. Kissinger destacou principalmente a necessidade de “construir o bloco da ordem europeia”, coisa que, disse ele, foi tão necessária depois da Guerra dos Trinta Anos quanto é necessária hoje. Kissinger defendeu o sistema de Vestfália como “injustamente atacado como sistema de manipulação cínica do poder, indiferente a requisitos morais”. Até parece que a longa história de Mr. Kissinger sempre apoiando ditaduras fascistas teria feito dele autoridade qualificada para falar sobre “moralidade” nas relações internacionais.

Para não ficar para trás, atropelado por Kissinger e seu elogio da ordem westfaliana, o general Scowcroft declarou que duas ameaças gêmeas – a sociedade da informação (especialmente o uso das mídias sociais para organizar a massa contra o status quopolítico) e a mudança climática – trazem o máximo perigo para a manutenção do Tratado de Vestfália. Scowcroft defendeu aplicadamente o sistema do estado-nação westfaliano, para delícia de McCain que o ouvia sorridente.

É o mesmo McCain que trabalhou para que houvesse guerras na Líbia, no Iraque e na Ucrânia – as quais realmente levaram à destruição desses três legítimos e bem constituídos estados-nação. Mas coerência nunca foi qualidade que se encontre em neoconservadores do tipo de McCain e outros, os mesmos que apoiam a ala do intervencionismo norte-americano que McCain coordena (?!) em todo o planeta.

Para Brzezinski, a ideia de Vestfália é unir a Europa contra a “ameaça” russa. Brzezinski, nacionalista polonês nada mitigado, que partilha a mesma filosofia com outro polonês nacionalista de direita, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, nunca perdeu chance de culpar a Rússia, de acusá-la de crimes e ardis, e de ‘'exigir'’ a subjugação política, econômica e militar da Rússia à OTAN e à União Europeia.

Zbigniew Brzezinski
Na mente de Kissinger, Scowcroft e Brzezinski, a Europa hoje não é muito diferente da Europa do século XVII do Sacro Imperador Romano, Ferdinando III de Habsburgo; do cardeal Richelieu da França; do cardeal Mazarin, regente do rei infante Luiz XIV de França; e os diplomatas foram enviados pelos líderes de Espanha, Suécia, Países Baixos, Suíça e outros ducados e reinos menores, para Osnabruck e Munster, na Vestfália, com ordens de não sair de lá sem o Tratado de Vestfália firmado.

Em outras palavras – igualmente senis – diplomacia e destinos de nações sempre estarão em boas mãos, se entregues a elites não eleitas, como se fazia no século XVII. Os “três decrépitos” – Kissinger, Scowcroft e Brzezinski – não mudariam uma linha naquele século XVII. De fato, as políticas desses três foram, durante décadas, determinar o futuro do mundo em conclaves como os de Bilderberg, de Davos e outros desses encontros secretos.

O objetivo dos que montaram a marteladas o sistema westfaliano em 1648 era a continuação do feudalismo e do regime de servos-da-gleba na Europa. Depois que Vestfália reconheceu a independência da Holanda e da Suíça, com os direitos dos judeus holandeses perfeitamente preservados, Holanda e Suíça rapidamente se converteram em quartel-general do mercantilismo internacional mais livre-mercadista – que incluía o tráfico de escravos e os serviços internacionalizados de banking; na Holanda, o primeiro; na Suíça, os segundos.

Vestfália em 1648 e suas derivações de hoje são ardis montados para proteger os interesses das elites e da classe rica. Murmúrios de privilégio real ainda se ouvem hoje, na Europa, com o príncipe Henrik da Dinamarca, marido francês da rainha dinamarquesa, reclamando para si o direito de ser chamado de “Rei Consorte”, não “Príncipe Consorte”, título inferior.

Críticas contra o envolvimento da monarquia espanhola em negócios fraudulentos, e em torno de acusações de que a monarquia belga teria acobertado escândalos de pedofilia resultaram, de fato, em as “realezas’”se porem a atacar quem as criticasse, porque teriam incorrido no crime ancestral de lèse-majesté, que define como violação da lei qualquer crítica contra a realeza e a monarquia.

Os que advogam a favor de Vestfália tentam proteger uma plutocracia corrupta composta de monarquistas, militaristas, magnatas, inescrupulosos em geral na Europa, que trabalham em falange com fantoches neocolonialistas nos países em desenvolvimentos que devem para o FMI e o Banco Mundial. Como se viu com a manipulação das mídias sociais operada pela CIAe por George Soros para alcançar seus objetivos vestfalianos, a mídia social pode também ser usada contra as elites do poder que se agarram ao conceito de moderno estado-nação como seu único meio de sobrevivência.

Brent Scowcroft
Os defensores dos arranjos vestfalianos pretendem que o sistema deles advogaria sempre a favor de três princípios centrais:

(1) soberania do estado;
(2) igualdade dos estados; e
(3) não intervenção de um estado nos assuntos de outro.

Mas a subjugação da soberania de Grécia, Irlanda, Espanha, Itália e Portugal aos desígnios de eurobanqueiros e empresas financeiras globalistas obriga a descartar qualquer ideia de que respeitem alguma soberania de algum estado.

A aliança ocidental interveio nos assuntos internos da Sérvia, do Iraque, da Líbia, da Síria e, mais recentemente, também da Macedônia – o que mostra a falta de consideração à cláusula da não intervenção – que, para os vestfalianos, seria sua mais importante marca.

As potências da OTAN, sempre a ameaçarem a independência de Abkhazia, Ossetia do Sul, Transdnistria e Nagorno-Karabakh e a autodeterminação da Crimeia e do Donbass, mostram que o princípio vestfaliano da igualdade entre os estados não passa de amontoado de palavras vazias.

O mundo está mudando e deriva, em velocidade vertiginosa, para bem longe do grotesco pensamento de Vestfália.

Os únicos seres humanos que clamam ainda por governo vestfaliano são três diabos-velhos senis – Kissinger, Scowcroft e Brzezinsk – que deveriam estar cuidando, isso sim, de envelhecer com, afinal, alguma decência.

[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al JazeeraStrategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

“Crise Extraordinária” é necessária para preservar a “Nova Ordem Mundial”

17/1/2014, [*] Paul Joseph Watson, Alex Jones’ Infowars.com
Traduzido pelo pessoal do IrãNews

Harlan K. Ullman, autor da doutrina “Choque e Pavor” diz que a elite está ameaçada por atores não-estatais, como Edward Snowden Foto: Atlantic
Escrevendo para o Conselho do Atlântico, um insider de destaque sediado em Washington DC, Harlan K. Ullman, adverte que uma “crise extraordinária” é necessária para preservar a “Nova Ordem Mundial”, que está sob ameaça de ser descarrilado por atores não-estatais, como Edward Snowden.

O Conselho do Atlântico é considerado uma organização altamente influente com laços estreitos com os principais decisores políticos em todo o mundo. É liderado pelo general Brent Scowcroft, ex-Conselheiro de Segurança Nacional sob Presidentes dos EUA, Gerald Ford e George HW Bush. Snowcroft também aconselha o presidente Barack Obama.

Harlan K. Ullman
Harlan K. Ullman foi o principal autor da doutrina “choque e pavor” e é agora presidente do Grupo Killowen que assessora os líderes do governo.

Em um artigo intitulado “Guerra ao Terror não é a Única Ameaça” (orig. War on Terror Is not the Only Threat), Ullman afirma que, “mudanças tectônicas estão reformulando o sistema de geo-estratégica internacional”, argumentando que não são as superpotências militares, como a China, mas "atores não estatais", como Edward Snowden, Bradley Manning e hackers anônimos que representam a maior ameaça para os “365 anos de idade do sistema de Westfália”, porque eles estão incentivando as pessoas a se tornarem auto-capacitadas e com desejo de eviscerar o controle do Estado.

“Muito poucos tomaram nota e menos ainda tem sido feito sobre essa realização”, diz Ullman, lamentando que “revolução da informação e comunicações globais instantâneas” estão frustrando a “nova ordem mundial" anunciada pelo presidente dos EUA, George HW Bush mais de duas décadas atrás.

Brent Scowcroft
“Sem uma crise extraordinária, é pouco provável que seja feito algo para reverter ou limitar, os danos impostos pelo questionamento sobre se governo falhou ou não, escreve Ullman, o que implica que apenas um outro cataclismo como 9/11 permitirá ao estado, re-afirmar o seu domínio enquanto “contém, reduz e elimina os perigos representados por atores não-estatais recém-capacitados”.

Ullman conclui que a eliminação de agentes não estatais e indivíduos capacitados “deve ser feito”, a fim de preservar a nova ordem mundial. Um resumo de seu material sugere que a definição do Conselho do Atlântico de uma “nova ordem mundial” é uma tecnocracia mundial gerida por uma fusão de grande governo e um grande negócio em que a individualidade é substituída por uma singularidade trans-humanista.

A retórica de Ullman soa um tanto semelhante ao defendido pelo participante da Comissão Trilateral e co-fundador e participante regular do grupo Bilderberg, Zbigniew Brzezinski, que em 2010 disse em uma reunião do Conselho de Relações Exteriores que um “despertar político global”, em combinação com a luta interna entre a elite, estava ameaçando descarrilar a transição para um governo mundial.

A chamada implícita de Ullman para uma “Crise Extraordinária” necessária em revigorar o suporte para o poder do Estado grande de governo, tem tons misteriosos do Projeto para um novo século americano de 1997 (orig. Project For a New American Century’s), onde lamentam que “na ausência de algum evento catastrófico catalisador - como um novo Pearl Harbor”, uma expansão do militarismo dos EUA teria sido impossível.

Patrick Clawson
Em 2012, Patrick Clawson, membro da influente insider do pró-Israel Institute for Near East Policy (WINEP), também sugeriu que os Estados Unidos devem lançar uma provocação encenada para começar uma guerra com o Irã.

A preocupação de Ullman sobre as instituições do Estado de que tenham falhado e vêem a sua influência erodida por pessoas capacitadas, principalmente através da Internet, é mais um sinal de que a elite está em pânico sobre o “despertar político global” que expressou-se, mais recentemente, através das ações de pessoas como Edward Snowden, Julian Assange e Bradley Manning além de sua crescente legião de apoiadores.
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[*] Paul Joseph Watson é o editor e articulista de Infowars.com e Prison Planet.com. É autor de Order Out Of Chãos e também é host de Infowars Nightly News.
Siga Paul Joseph Watson: https://twitter.com/PrisonPlanet