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sexta-feira, 15 de maio de 2015

EUA: economia declina, aumenta a ameaça de guerra


7/5/2015, [*] Paul Craig RobertsAnnual Conference of the Financial West Group, New Orleans – publicado por Information Clearing House
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A Economia dos EUA
Os eventos definitórios de nosso tempo foram o colapso da União Soviética, o 11/9, a exportação de postos de trabalho dos norte-americanos e a desregulação das finanças. Nesses eventos encontra-se a base dos problemas da política exterior dos EUA e de seus problemas econômicos.

Os EUA sempre tiveram boa opinião de si mesmos, mas, com o colapso da União Soviética, a autossatisfação alcançou novos píncaros. Os EUA tornaram-se o povo excepcional, o povo indispensável, o povo que a história escolheu para exercer hegemonia eterna sobre o mundo. Essa doutrina neoconservadora libera o governo dos EUA do dever de cumprir a lei internacional e autoriza Washington a usar de coerção contra estados soberanos para refazer o mundo à sua imagem e semelhança.

Paul Wolfowitz
Para proteger o status de Washington como única potência que resultara do colapso da União Soviética, Paul Wolfowitz, em 1992, escreveu a doutrina que ficaria conhecida como Doutrina Wolfowitz. Essa doutrina é a base da política externa de Washington. A doutrina declara:

Nosso primeiro objetivo é impedir a re-emergência de novo rival, no território da União Soviética [1] [orig. ex-União Soviética] ou noutro lugar, que implique ameaça do tipo da que foi a União Soviética. Essa é consideração dominante subjacente à nova estratégia regional de defesa e exige que nos dediquemos a impedir que qualquer potência hostil domine qualquer região cujos recursos sejam, sob controle consolidado, suficientes para gerar poder global.

Em março desse ano (2015), o Conselho de Relações Exteriores dos EUA estendeu essa doutrina também para a China.

Washington está agora dedicada a bloquear a ascensão de dois grandes países que têm arsenais nucleares. Essa dedicação é a razão da crise que Washington inventou na Ucrânia e de ela ser usada como propaganda anti-Rússia. A China enfrenta hoje o “Pivoteamento para a Ásia” e a construção de novas bases aéreas e marítimas dos EUA, para assegurar que Washington tenha total controle sobre o Mar do Sul da China, agora definido como Área de Interesse Nacional dos EUA.

Joseph Stiglitz
O 11/9 serviu para lançar a guerra dos neoconservadores, pela hegemonia sobre o Oriente Médio. O 11/9 também serviu para lançar o estado policial doméstico, dentro dos EUA e contra os norte-americanos. Enquanto as liberdades civis iam-se atrofiando dentro dos EUA, os EUA passaram quase todo este início do século XXI em guerra, guerras que custaram aos EUA, segundo Joseph Stiglitz e Linda Bilmes, no mínimo US$ 6 trilhões de dólares. Essas guerras, todas elas, deram péssimo resultado. Desestabilizaram os governos de uma importante área produtora de energia. E as guerras multiplicaram muitas vezes os “terroristas”, os mesmos cujo aniquilamento fora a razão oficial para as guerras.

Assim como o colapso da União Soviética deixou livre o caminho para a hegemonia dos EUA, também exportou para bem longe os empregos dos norte-americanos. O colapso da União Soviética convenceu China e Índia a abrir aos capitais norte-americanos seus massivos e subutilizados mercados de trabalho. Empresas norte-americanas, com até os mais relutantes arrastados pelos grandes varejistas e pela ameaça de retomada das propriedades pelos urubus de Wall Street, transferiram para o exterior os empregos na manufatura, na indústria e todos os tipos de serviços profissionais comercializáveis, como engenharia de programas de computação. 

Assim a classe média foi dizimada, e perderam as escadas que havia para a mobilidade social (para cima). O PIB e a base tributária dos EUA moveram-se com os empregos, para China e Índia. As rendas das famílias norte-americanas de renda média deixaram de crescer e entraram em declínio. Sem crescimento de renda para puxar a economia, Alan Greenspan recorreu à expansão da dívida dos consumidores, que se expandiu até o esgotamento. Atualmente, já nada há que puxe a economia.

Quando os bens e serviços produzidos fora, nos postos de trabalho exportados para longe, chegam aos EUA para serem vendidos, entram como importações, o que piora muito a situação da balança comercial. Estrangeiros passam então a usar seus superávits para comprar papéis, ações, empresas e propriedade imobiliária nos EUA. Consequentemente, lucros, dividendos, ganhos de capital e rendas são redirecionados, dos norte-americanos para estrangeiros. Isso piora ainda mais o déficit já existente.

Para proteger o valor de câmbio do dólar, dados os grandes déficits em conta corrente e a criação de dinheiro para dar jeito nos balanços dos “bancos grandes demais para quebrar”, Washington conta com bancos centrais, no Japão e na Europa, para que continuem a imprimir dinheiro e dinheiro sem parar. A emissão de yens e euros supera a emissão de dólares e, assim, protege o valor de compra do dólar.


Lei Glass-Steagall que separava os bancos comerciais e os bancos de investimento foi, pode-se dizer, desgastada, antes de ser completamente rejeitada durante o segundo mandato do governo Clinton. Essa rejeição da lei, somada ao fracasso para regular os derivativos, a remoção de qualquer limite a posições de especuladores, e a enorme concentração que resultou do status de letra morta das leis antitrustes, produziram, não a utopia de algum ‘livre mercado’, mas, isso sim, crise financeira grave, que perdura. A liquidez emitida para fazer frente à crise resultou em bolhas, no mercado de ações e de papéis.

Implicações, consequências, soluções:

Quando a Rússia bloqueou a invasão da Síria e o bombardeio do Irã planejados pelo governo Obama, os neoconservadores deram-se conta de que, enquanto eles, por uma década, só pensavam nas guerras que inventaram no Oriente Médio e na África, o presidente Putin havia reabilitado a economia e o exército russos.

O primeiro objetivo da doutrina Wolfowitz – impedir a re-emergência de algum novo rival – havia fracassado. Aí estava a Rússia, a dizer “não” aos EUA. O Parlamento Britânico uniu-se a ela ao vetar a participação de forças britânicas na invasão norte-americana contra a Síria. O poder da única potência fora abalado.

Com isso, a atenção dos neoconservadores saltou, do Oriente Médio, para a Rússia. Durante toda a década passada, Washington consumira US$ 5 bilhões financiando políticos atuais e potenciais na Ucrânia, além de Organização Não Governamentais (ONGs) que podiam ser postas nas ruas, em “protestos”.

Quando o presidente da Ucrânia fez um cálculo de custo-benefício da proposta de associação da Ucrânia à União Europeia, viu que era mau negócio para a Ucrânia e rejeitou a proposta. Foi quando Washington ordenou às suas ONGs que tomassem as ruas. Os neonazistas aderiram à violência, e o governo, despreparado para a violência, entrou em colapso.

Victoria Nuland e Geoffrey Pyatt
Victoria Nuland e Geoffrey Pyatt escolheram os novos governantes ucranianos e estabeleceram na Ucrânia um regime vassalo.

Washington esperava usar esse golpe de estado para expulsar os russos de sua base naval do Mar Negro, a única base russa em águas temperadas. Mas a Crimeia, que fora parte da Rússia durante séculos, votou, em plebiscito sua reintegração à Rússia. Foi terrível frustração para Washington, mas ela recobrou-se; e decretou que o ato de autodeterminação soberana dos crimeanos dever-se-ia chamar “invasão russa” e “anexação da Crimeia”. Washington usou esse golpe de propaganda para quebrar o relacionamento econômico e político entre Europa e Rússia, pressionando a Europa para que impusesse sanções contra a Rússia.

As sanções tiveram efeito muito pior sobre a Europa, que sobre a Rússia. E os europeus, hoje, já se preocupam mais com a crescente beligerância de Washington, do que com a Rússia. A Europa nada tem a ganhar de algum conflito com a Rússia, e teme estar sendo empurrada para a guerra. Há indicações de que alguns governos europeus começam a considerar avaliar, eles mesmos, política externa independente da de Washington.

A demonização e a virulenta campanha de propaganda anti-Rússia, destruiu a confiança que a Rússia tivesse no ocidente. Com o comandante Breedlove da OTAN a exigir mais dinheiro, mais soldados, mais bases próximas às fronteiras da Rússia, a situação é claramente perigosa. E num desafio militar direto contra Moscou, Washington agora inventou de incorporar à OTAN a Ucrânia e a Geórgia, dois estados que já foram províncias da Rússia.

No plano econômico, o dólar como moeda de reserva já se converteu em problema para todo o mundo. Sanções e outras formas do imperialismo financeiro norte-americano levam os países – inclusive países muito grandes – a deixar o sistema de pagamentos em dólar. Como o comércio exterior vai-se fazendo cada vez mais sem recorrer ao dólar norte-americano, a demanda por dólares diminui, mas a oferta foi muitíssimo ampliada como resultado do “Alívio Quantitativo” [orig. Quantitative Easing]. Por causa da produção deslocalizada para fora do país e da dependência dos EUA de importados, uma queda no valor do dólar resultaria em inflação doméstica, o que baixaria ainda mais os padrões de vida nos EUA e ameaçaria os já fraudados mercados de ações, de títulos e de metais preciosos.

A razão real para o Alívio Quantitativo é dar apoio aos balanços dos bancos. Mas a razão oficial é estimular a economia e sustentar a recuperação econômica. O único sinal de recuperação é o PIB real, que se mostra positivo, só porque o deflator está subvaliado.

Há clara evidência de que não houve recuperação econômica alguma. Com o PIB do primeiro trimestre negativo, e o do segundo trimestre já com sinais de que também será negativo, a segunda perna da longa virada para baixo pode já começar nesse verão.


Sobretudo, o atual alto desemprego (23%) é diferente do desemprego que havia antes. No século XX pós-guerra, o Federal Reserve enfrentou a inflação esfriando toda a economia. Vendas declinam, estoques crescem e há dispensa de empregados. Com o aumento do desemprego, o Fed invertia o curso e os trabalhadores eram novamente convocados para os empregos. Hoje, os empregos já não estão nos EUA. Foram exportados para outros países. As fábricas se foram. Não há empregos para os quais reconvocar os trabalhadores.

Restaurar a economia exigiria reverter a exportação de empregos e postos de trabalho e trazer os empregos de volta para os EUA. Pode-se fazer, se se alterar o modo como se cobram impostos das grandes corporações. A taxa de imposto a pagar sobre lucro das empresas pode ser determinada pela localização geográfica onde as empresas agregam valor aos produtos que comerciam nos EUA. Se os bens e serviços são produzidos no exterior, as taxas de impostos sobem. Se bens e serviços são produzidos domesticamente, as taxas podem ser mais baixas. Podem-se usar os impostos para criar vantagens a favor de produtos produzidos nos EUA.

Mas essa reforma é bem pouco provável, considerando-se o poder de lobbying das corporações transnacionais e de Wall Street. Concluo pois que a economia dos EUA continuará declinante.

No front de política externa, a húbris e a arrogância da autoimagem dos EUA como o país “excepcional, indispensável” com direitos hegemônicos sobre outros países significam que o mundo está condenado à guerra. Nem Rússia nem China aceitarão a posição de vassalagem que Grã-Bretanha, Alemanha, França e o resto da Europa, Canadá, Japão e Austrália aceitaram. A Doutrina Wolfowitz deixa bem claro que o preço da paz mundial é o mundo aceitar a hegemonia de Washington.

Assim sendo, a menos que o dólar e, com ele, o poder dos EUA, entrem em colapso, ou a Europa tenha afinal coragem de romper com Washington e buscar política externa independente, dizendo adeus à OTAN, o futuro que mais provavelmente nos espera é a guerra nuclear.

A agressão que Washington comete e a propaganda violenta já convenceram Rússia e China de que Washington quer guerra, e essa percepção já aproximou dos dois países numa aliança estratégica. A celebração do Dia da Vitória, 9 de maio, na Rússia, que marca os 70 anos da derrota de Hitler é ponto de virada histórica. Governantes ocidentais boicotaram a celebração, mas os chineses lá estavam, substituindo-os. Pela primeira vez, soldados chineses desfilaram ao lado de soldados russos, e o presidente da China e a esposa sentaram-se ao lado do presidente Putin da Rússia.

A matéria do Saker sobre o evento é interessante. Vejam com atenção o gráfico em que se vê o número de baixas na IIª Guerra Mundial. As baixas russas, comparadas às baixas somadas de EUA, Reino Unido e França deixam ver com perfeita clareza que quem derrotou Hitler foi a Rússia.

Nesse ocidente orwelliano, as versões mais recentemente reescritas da história deixam de fora que foi o Exército Vermelho que destruiu a Wehrmacht. Alinhado com essa história reescrita, inventada, Obama, no discurso dos 70 anos da rendição alemã só falou das forças dos EUA. Bem diferente disso, para muito melhor, Putin agradeceu aos “povos de Grã-Bretanha, França e EUA pela sua contribuição para a vitória.

A vitória em Stalingrado

Já há muitos anos o presidente Putin repete publicamente que o ocidente não ouve a Rússia. Washington e seus estados sabujos na Europa, Canadá, Austrália e Japão não ouvem quando a Rússia diz “não nos provoquem demais. Nós não somos o inimigo. Queremos ser parceiros de vocês”.

Com os anos passando sem que Washington lhes desse atenção, Rússia e China finalmente se aperceberam de que só lhes resta escolher entre vassalagem ou guerra.

Houvesse gente inteligente, qualificada, no Conselho de Segurança Nacional, no Departamento de Estado, ou no Pentágono, Washington já teria sido avisada para afastar-se da política neoconservadora de semear desconfiança. Mas com a húbris neoconservadora a ocupar todos os nichos do governo, Washington cometeu o erro que pode ser fatal para toda a humanidade.

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[1] NOTA IMPORTANTE DA VILA VUDU: Depois de demoradas discussões, votamos e decidimos que NUNCA MAIS ESCREVEREMOS “ex-União Soviética” ou “extinta União Soviética”. Os comunistas sempre dissemos/escrevemos “União Soviética” – e assim deve ser.
Concluímos que ninguém diz/pensa/escreve “extinta França Imperial”, “ex-Quilombo dos Palmares”, “ex-Brasil Colônia”, “extinto Adoniram Barbosa”.

Ninguém, no mundo do capital, diz, sequer, “extinta Alemanha Nazista”, nem ninguém diz “ex-Espanha Franquista”. Mas tooooodos os atores e agentes do mundo do capital – sobretudo os “jornalistas”! – dizem/escrevem SEMPRE “ex-URSS”. Vejam como são as coisas: tudo é sempre, luta de classes, até a lexicologia e a sintaxe.

Esse repetido “ex”/”extinta” só aparece em “ex-URSS”/“extinta URSS”, porque interessa ao capital, ao ocidente capitalista e aos papagaios de repetição que se leem/ouvem na imprensa-empresa brasileira [só rindo!], repetir sempre, sempre, sempre, que a URSS “foi extinta”. Ora! A URSS foi tão “extinta” quanto o Quilombo de Palmares ou Pixinguinha ou Adoniram ou o Palestra Itália ou o Pátio do Colégio.

Por tudo isso, doravante escreveremos/traduziremos sempre “União Soviética” ou “URSS”. É nossa decisão de gramática comunista.

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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 3/4/1939) é um economista norte-americano, colunista doCreators Syndicate. Serviu como Secretário-Assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street Journal,Business Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch  Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia,  Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Ucrânia: A verdade

Está se tornando aparente

14/5/2015, [*] Gary LeuppCounterpunch
It's Becoming Apparent - Ukraine: The Truth
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


·        Manchete da Reuters, 9/4/2015: “Ucrânia decidida a associar-se à OTAN”.
·        Manchete da Radio Free Europe/Radio Liberty, 9/4/2015: “Líder da extrema direita nomeado conselheiro militar ucraniano”.


Há mais bases navais no estado da Califórnia, que em toda a Federação Russa. (...) E, com os doidos que comandam o Departamento de Estado nos EUA sempre empenhados em promover mentiras e mais mentiras sobre o que realmente aconteceu na Ucrânia ao longo dos últimos dois anos  narrativa que uma mídia-empresa imbecilizada repete sem parar  pode bem acontecer que, um dia, se encontrem soldados norte-americanos e os nazistas do Batalhão Azov, lado a lado, combatendo contra o povo das Repúblicas Populares de Lugansk e de Donetsk.



Poroshenko e Rasmussen na REUNIÃO da OTAN (4/9/2014)
A linha oficial de Moscou sobre a Ucrânia – e não se a deve descartar só porque é o que é – é que os EUA gastaram cerca de US$ 5 bilhões apoiando uma “mudança de regime” naquele país triste e falido, o que resultou num golpe de estado (ou putsch) em Kiev em fevereiro de 2014, no qual grupos neofascistas tiveram papel chave. O golpe aconteceu porque o Departamento de Estado dos EUA e o Pentágono tinham esperança de substituir o governo eleito que lá estava, por outro que empurraria a Ucrânia para dentro da OTAN, uma aliança militar desenhada, desde que foi concebida, em 1949, para desafiar a Rússia. O objetivo máximo do golpe era expulsar a Frota Russa no Mar Negro, das bases que mantém na Península da Crimeia há mais de 230 anos.

Pessoalmente, creio que é interpretação basicamente correta e qualquer ser racional logo perceberá que sim, que é verdadeira. Victoria Nuland, a bandida neoconservadora que serve como secretária-assistente de Estado para Assuntos Europeus e Eurasiáticos e é a mais alta funcionária do governo dos EUA na modelagem da política para a Ucrânia, admitiu abertamente a uma conferência internacional comercial sobre a Ucrânia, em dezembro de 2013 que:

Washington “já investiu mais de 5 bilhões de dólares para ajudar a Ucrânia a alcançar [o desenvolvimento de instituições democráticas] e outras metas”.

Ela repetiu essas palavras numa entrevista à CNN e também a ex-secretária de Estado Madeleine Albright também repetiu a mesma coisa, com orgulho em outros noticiários. O objetivo nunca enunciado era tornar a Ucrânia membro da OTAN.

Imaginem o que aconteceria se um alto oficial do Ministério de Relações Exteriores da Rússia se pusesse a vangloriar-se de a Rússia ter investido US$ 5 bilhões para acabar com o governo eleito no México ou no Canadá, com vistas a incorporar qualquer desses países numa aliança militar liderada pelo Kremlin e em expansão. John McCain e Fox News pôr-se-iam a exigir imediato ataque atômico para aniquilar Moscou.

A Rússia, como todos sabem, tem relativamente poucas bases navais, consideradas as dimensões do país. As que têm estão de frente para os mares de Barents e Báltico ao norte, em torno da Escandinávia. Em 1904, quando as forças russas foram atacadas pela marinha japonesa em Port Arthur, na Manchúria, a Rússia teve de mandar para aquela região a frota do Báltico, numa viagem de seis meses (e que terminou na desastrosa Batalha de Tsushima). A geografia russa impõe obstáculos a que o país mantenha grandes forças navais.

Há uma base naval russa em Astrakhan, no Mar Cáspio (que, de fato, é um grande lago, pelo qual se pode velejar para o Cazaquistão, Turcomenistão, Irã ou Azerbaijão, e só, nada além disso). E há várias bases em ou perto de Vladivostok na costa do Pacífico siberiano, que permanece congelado parte do ano, além das bases na Península Kamchatka, ao norte do Japão. A Rússia mantém uma modesta base naval em Tartus no litoral sírio, e uma base logística na Baía Cam Rahn, no Vietnã. Mas as únicas bases com rápido acesso ao Mediterrâneo e portanto aos oceanos Atlântico e Índico são as localizadas em e em torno de Sebastopol na Península da Crimeia no Mar Negro.

Diáspora russa nos países fronteiriços
(clique na legenda para aumentar)
Compare aos EUA, com suas mais de 30 bases navais gigantes nas costas leste e oeste e no Hawaii, e outras – algumas delas também gigantes – no Japão, na Itália, em Cuba, Bahrain, Diego Garcia e por todos os cantos! Há mais bases navais no estado da Califórnia, que em toda a Federação Russa.

Os EUA mantém pessoal militar estacionado em cerca de 130 países pelo mundo – em dois terços dos países-membros da ONU. A Rússia, por sua vez, tem forças militantes estacionadas em, pelas minhas contas, 10 países estrangeiros, oito dos quais são fronteiriços. E mesmo assim a mídia-empresa e os políticos norte-americanos apresentam a Rússia e especificamente o presidente Vladimir Putin como monstro ameaçador.

Exatamente como já fizeram com Saddam Hussein, aquela infeliz criatura manca demonizada como se fosse “um novo Hitler” – como os doidos por guerra sempre dizem, antes de atacar e bombardear qualquer um.

Qualquer aluno de universidade nos EUA, inscrito em programa interdisciplinar de “relações internacionais” (e educado, como é norma, por cientistas políticos da escola “realista”) concluirá que – deixando-se de lado a personalidade demonizada e vilanizada de Putin – qualquer líder russo sempre insistirá em defender e preservar seus ativos militares na Criméia. Qualquer um! Defender e reter aquela propriedade histórica não é nenhuma novidade. Quem delire com tirar os russos de lá (o que inclui os falcões chefes do Partido Republicano dos EUA) é irrealista, se não estiver em morte cerebral.

Como, algum dia, algum líder russo diria à truculenta Victoria Nuland “Ótimo, isso mesmo, vá em frente e ocupe a Crimeia”, entregando assim essa região da Rússia étnica – lócus da Guerra da Crimeia de 1853-56 e de algumas das mais sangrentas batalhas contra os nazistas na IIª Guerra Mundial? Que líder russo entregaria a Crimeia – lócus também do histórico encontro de Yalta, entre Stálin, Roosevelt e Churchill, em fevereiro de 1945, a forças abertamente hostis à Rússia? A forças que – para piorar tudo – estão prontas a associar-se a fascistas que, na IIª Guerra Mundial, colaboraram com os nazistas – inclusive cercando judeus para serem massacrados?


Conferência de Yalta (fev. 1945)
O artigo da Reuters acima citado confirma a intenção do regime que os EUA instalaram no poder em Kiev de apresentar seu pedido de integração formal à OTAN. Cita Oleksander Turchynov, presidente do conselho de segurança nacional do regime de Kiev, que afirmou ao Parlamento que a integração à OTAN seria “a única garantia externa confiável” para a “soberania e integridade territorial da Ucrânia”.

Como se a Rússia, que mantinha relacionamento cordial com o presidente deposto, Viktor Yanukovich, o qual – nunca será demasiado repetir – foi eleito em eleições reconhecidas como legítimas e democráticas em 2010, tivesse algum dia ameaçado a “integridade territorial” da Ucrânia ou de qualquer outro país!

Assim se comprova a validade da principal alegação dos russos, que insistem que toda a guerra dos EUA na Ucrânia tem a ver, só, com a OTAN – a mesma OTAN que, depois da promessa que George H. W. Bush fez a Mikhail Gorbachev em 1989, de que a aliança não avançaria “uma polegada” na direção das fronteiras russas, não faz outra coisa, desde 1999, que não seja avançar para cercar a Rússia europeia. OTAN que já inclui Estônia, Latvia, Lituânia, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária, Croácia e Albânia – países os quais, todos esses, pelas regras da associação, tem de pagar 2% dos respectivos PIBs, ao esforço de “mútua defesa”.

Se a OTAN não inclui os outros vizinhos da Rússia, Bielorrússia, Moldávia e Geórgia, não é por falta de tentar. A Dotação Nacional para a Democracia [orig. National Endowment for Democracy (NED)] (“organização privada, sem finalidades de lucro” que o Departamento de Estado usa para financiar operações de ‘mudança de regime’ pelo mundo) já fez muito, tentando arrastar também esses países para dentro da OTAN. Como se fosse a coisa mais natural do mundo, para todos os povos que vivem em país que têm fronteiras com a Rússia, sonhar com unir-se a uma aliança militar anti-Rússia!

Os “itens para divulgação” de Nuland, para consumo popular sobre a Ucrânia incluem a ideia segundo a qual os EUA “apoiam as aspirações europeias do povo ucraniano”. Nuland ignora o fato de que o país é fundamente dividido entre leste e oeste, e que no leste o “povo ucraniano” tem substanciais “aspirações russas”, não “europeias”, aspirações com fundas raízes históricas, que ela não compreende, nem, de fato, faz qualquer esforço para compreender. Nuland também oculta o fato de que o apoio dos EUA a “mudança de regime” na Ucrânia, que levou ao golpe de 22/2/ 2014, não se baseou, de fato, no apoio à entrada da Ucrânia na União Europeia.

A União Europeia é bloco comercial que desafia os EUA e o NAFTA. Num mundo de competição imperialista por mercados e recursos, a União Europeia e os EUA estão com muita frequência em campos opostos. Washington não está nada satisfeita com estados-membros da EU, Grã-Bretanha, França, Itália, Espanha e Luxemburgo já tenham, todos eles, se integrado ao Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII) [orig. Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB)] liderado pela China, sobretudo porque se cria alta probabilidade de que a moeda chinesa se fortaleça e apresse o declínio do dólar como moeda internacional de reserva. O Congresso fumega de fúria, porque a UE proibiu importações dos produtos alimentícios geneticamente modificados da Monsanto. O Departamento de Estado dos EUA não está no ramo de promover a União Europeia, nem quer que países se alinhem àquele bloco econômico. Na Ucrânia absolutamente não se trata de nada disso.

H. Clinton e Yanukovich selam acordo em 4/2/12
Em 2013, o Departamento de Estado de Hillary Clinton teve de enfrentar a decisão, tomada pelo presidente (derrubado) da Ucrânia, Viktor Yanukovich, de recuar de um acordo que ele havia aceitado inicialmente, para integrar a Ucrânia à União Europeia. Os conselheiros disseram a Yanukovich que o regime de arrocho [orig. austerity] que a UE imporia à Ucrânia seria inaceitável; e que a Rússia oferecia generoso pacote de ajuda ao país, que incluía manter a oferta de gás a preços baixos.

A decisão de Yanukovich, de preferir a oferta dos russos foi baseada em lógica econômica e perfeitamente defensável em termos econômicos. Mas, imediatamente, os EUA puseram a soprar sobre as chamas de um movimento que mostraria a decisão de Yanukovich como traição à Ucrânia e aos ucranianos, e declaração de fidelidade à Rússia. Por isso Nuland tem de repetir tantas e tantas vezes a mentira sobre as “aspirações europeias”. Como se a Ucrânia algum dia tivesse deixado de ser parte da Europa! Como se “Europa” fosse alguma estrela radiosa e os horrendos atos de terror contra a República Socialista da Ucrânia, por fascistas europeus durante os anos 1940s, fossem irrelevantes. E como se a submissão a um governo de arrocho, de estilo grego e inspirado na “austeridade” europeia, fosse algum tipo de solução para os sofrimentos dos pobres ucranianos.

Verdade é que o que Nuland realmente pensa sobre “aspirações europeias” foram bem resumidos na conversa que teve, por telefone, com o embaixador dos EUA em Kiev, Geoffrey Pyatt, pouco depois do putsch no início de fevereiro de 2014. Muito provavelmente vazado pela inteligência russa, e jamais desmentido pelo Departamento de Estado, a gravação comprova que Nuland “selecionou” para o cargo o atual primeiro-ministro, Arseniy Yatsenyuk, descartando rivais dele, Oleh Tyanybok (líder do partido neonazista Svoboda, que publicamente atacara “a máfia Moscou-judeus que governa a Ucrânia”, e que sempre se refere a “moscovitas” e judeus como “escória”) e Vitali Klitschko, ex-lutador de boxe e ativista ocasional anticorrupção.

No telefonema, Pyatt diz a Nuland que “acho que estamos no jogo (tradução: o golpe está pronto). “A peça Klitschko é obviamente o elétron complicado, sobretudo o serviço de anunciá-lo como primeiro-ministro (...) Estou contente que você mais ou menos o pôs sob foco, no lugar que lhe cabe nesse cenário.” Parece que Pyatt já informara a Klitschko de que, apesar de algum apoio da UE, ele não seria candidato que os EUA aprovariam. (No telefonema, Nuland diz que [Klitschko] “precisa de mais tempo para fazer a lição de casa”).

Nuland quis marginalizar Klitschko, que, depois do golpe, como prêmio de consolação, foi nomeado prefeito de Kiev; quis ter certeza de que o ex-ministro da Economia, Yatsenyuk, que pregava severas medidas de arrocho e propusera a incorporação da Ucrânia à OTAN, sucederia Yanukovich.


telefonema acima (CC em inglês) não deixa dúvidas de que Nuland recrutara funcionários da ONU para que apoiassem a “mudança de regime”.

Já próximo ao fim da conversa, Nuland diz a Pyatt “OK” – sinalizando que os dois estavam de acordo quanto à estratégia geral. Na sequência, alude à bem-vinda cumplicidade de vários outros agentes ativos: Jeff Feltman, Robert Serry, e Ban Ki-moon.

Informa que Jeff Feltman “agora já conseguiu que os dois, Serry e Ban Ki-moon, concordassem que Serry pode vir na 2ª ou 3ª-feira” – para ajudar a por em andamento o golpe e validá-lo logo depois.

Quem é essa gente? Geoffrey Feltman, diplomata de carreira, era naquele momento subsecretário da ONU para Assuntos Políticos. Mas talvez seja mais conhecido pelos serviços que prestou como embaixador no Líbano entre 2004 e 2008, quando mandava tanto, que o Hezbollah – e vários outros partidos – referiam-se ao governo de Fouad Siniora como “o governo Feltman”.

Robert Serry é diplomata holandês; serviu na ONU como secretário-geral assistente para Gerenciamento de Crises no Exterior e Operações entre 2003 e 2005 e também fora embaixador da Holanda na Ucrânia. Empenhado advogado da participação da Holanda numa Guerra do Iraque construída sobre mentiras, sempre foi confiável aliado dos EUA.

Ban Ki-moon, claro, é o Secretário-Geral da ONU que, como Ministro de Relações Exteriores da Coreia do Sul, muito se empenhou para conseguir que a Coreia do Sul enviasse soldados para aquela mesma Guerra do Iraque baseada em mentiras. Sabemos, de Wikileaks, que, sob ordens dos EUA, Ban Ki-moon forçou o Conselho de Segurança da ONU a ignorar o relatório da Comissão de Inquérito da ONU sobre o bombardeio de Israel contra Gaza em 2008-2009, para não criar dificuldades para EUA e Israel. Não erra quem o declarar confiável fantoche dos EUA.

Já próximo ao final do telefonema interceptado, Nuland se despede: “Então, vai ser ótimo, acho, ajudar a colar a coisa toda e ter a ONU ajudando a colar também e, sacomé, foda-se a União Europeia”. Fodam-se, claro, se o que pensam sobre a Ucrânia difere do que nós pensamos.

Aí está o muito que essa gente respeita “aspirações europeias” de seja quem for.

No mesmo telefonema, Nuland observa que Yatsenyev “vai precisar de Klitschko e Tyahnybok do lado de fora, ele tem de falar com os dois quatro vezes por semana”. E eu pergunto o que é mais repugnante:

(a) o fato de o Departamento de Estado dos EUA tanto se empenhar em micromanobrar um golpe de mudança de regime contra estado soberano; ou

(b) ouvir essa neoconservadora Nuland, representando o governo dos EUA, ordenar que o fantoche do governo dos EUA mantenha ativa a rede de comunicação com um neofascista que fala de judeus como “essa escória”?!

Aí está essa mulher, deixando que o empenho na causa da OTAN derrote completamente a resistência contra o antissemitismo. Nuland deveria envergonhar-se dela mesma.

Victoria Nuland e os EUA apoiam neonazistas
Quando, em maio/2014, numa audiência na Câmara de Deputados, a Deputada Dana Rohrabacher mostrou-lhe fotos que comprovavam o envolvimento de neonazistas nos eventos da Praça Maidan, Nuland admitiu que “havia muitas cores envolvidas na Ucrânia, inclusive cores muito feias”. Não se referia às fotos em que ela própria aparece com Tyahnybok, toda sorrisos; nem às ordens que deu a “Yats” para que falasse quatro vezes por semana com os nazistas antissemitas.

O artigo da Radio Free Europe referenciado acima, começa assim:

O controverso líder do grupo paramilitar e ultranacionalista ucraniano Setor Direita foi nomeado conselheiro do exército. O porta-voz das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksey Mazepa, anunciou dia 6/4/2015, que Dmytro Yarosh atuaria como “um elo entre os batalhões de voluntários e o Comando Militar”. As milícias do Setor Direita de Yarosh dizem contar com cerca de 10 mil membros, mas até agora não há qualquer registro desses milicianos como associados ao governo, como outras forças paramilitares já fizeram. A milícia do Setor Direita está combatendo ao lado de soldados do governo ucraniano contra separatistas pró-Rússia, na região leste do país.

O partido neofascista Setor Direita (Pravy Sektor) foi formado em 2013 durante os protestos de Maidan em Kiev, reunindo vários grupos alinhados com o partido. Com vários daqueles partidos tentando conquistar respeitabilidade internacional, inclusive em reuniões noticiados de seus líderes com Nuland e John McCain, dentre outros, o Setor Direita operava como o contingente ativista mais violento. Com certeza quase total, esses neofascistas estiveram envolvidos nos ataques de atiradores ocultos contra a multidão reunida na praça, que foram atribuídos ao governo e usados para justificar o golpe.

Agora, o líder daqueles neonazistas é premiado com um cargo no governo, para coordenar as ações das milícias de extrema direita (a mais conhecida das quais é o Batalhão Azov, que exibe nos uniformes insígnias dos nazistas alemães e atacou vários alvos civis no leste da Ucrânia). Não são evidências mais do que suficientes para comprovar a veracidade da acusação que os russos fizeram, de que há forte componente fascista no governo que os EUA construíram para Kiev?

A situação é complicada. As tropas neofascistas de choque usadas para desencadear o putsch são contrárias à incorporação do país à União Europeia. Não querem saber da tolerância europeia com a diversidade e nas leis para a imigração. São ativos militantes do Poder Branco, que se manifesta em seus vários símbolos, que incluem bandeiras dos confederados norte-americanos, algumas cruzes celtas e suásticas. Talvez não aprovem nem a incorporação do país à OTAN. Mas, como indica o artigo da Radio Free Europe, o apoio deles é muito valorizado e considerado muito necessários pelo regime. Assista vídeo (em inglês) a seguir sobre o apoio dos EUA aos NAZISTAS da Ucrânia:


Pouco importa que Dmytro Yarosh seja procurado pela Interpol for “incitamento público a atividades terroristas”, quando ameaçou destruir os gasodutos russos na Ucrânia. Yarosh é elemento inafastável da equipe, e Washington apoia a equipe. E a mídia-empresa que o Departamento de Estado confiscou jamais deixa transparecer nem suspeitas de que haja fascistas incorporados ao grupo “de Nuland”, ou algum esforço clandestino para cercar a Rússia. A coisa é só a “liberdade” ucraniana, apoiada pelo bom coração congênito de Nuland & seu grupo, gente que, em tempos recentes, já promoveu as inesquecíveis “libertações” do Afeganistão, Iraque e Líbia.

Há em Kiev um governo com tendências fascistas. Foi posto lá pelo Departamento de Estado dos EUA. Quer ser incorporado à OTAN e enfraquecer a Rússia – se possível restabelecendo o controle sobre a Crimeia e expulsando de lá a frota russa. A Alemanha opôs-se à admissão dos nazifascistas na aliança, e não é provável que aconteça no curto prazo.

Mas com os doidos que hoje comandam o Departamento de Estado nos EUA, sempre empenhados em promover mentiras e mais mentiras sobre o que realmente aconteceu na Ucrânia ao longo dos últimos dois anos – narrativa que uma mídia-empresa desnorteada e incompetente repete sem parar – pode bem acontecer que um dia se encontrem soldados norte-americanos e nazistas do Batalhão Azov, lado a lado, combatendo contra o povo das Repúblicas Populares de Luhansk e de Donetsk.

Nada disso terá a ver com “liberdade”, como tampouco as últimas guerras nas quais os EUA estiveram envolvidos tiveram qualquer coisa a ver com “liberdade”. Trata-se aí, sempre, de expansão imperial, a qual, por mais que possa interessar ao 0,01% que governa os EUA, absolutamente não interessa nem a você nem a mim.
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[*] Gary Leupp é professor de História na Universidade Tufts, e dá aulas também no Departamento de Religião. É autor de Servants, Shophands and Laborers in the Cities of Tokugawa JapanMale Colors: The Construction of Homosexuality in Tokugawa Japan; e Interracial Intimacy in Japan: Western Men and Japanese Women, 1543-1900É autor de um dos ensaios recolhidos em Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press).
Recebe e-mails em gleupp@tufts.edu