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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Colonizar as mentes (1/2)


Bem-vindos, irmãos haitianos! Falaí, Haiti! E viva Cuba!

21/9/2012, Dady Chery, Haiti (em Counterpunch, orig. NewsJunkiePost)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ver também: 28/9/2012, Colonialismo f the Mind – Part 2 (em inglês e em tradução)
  
Entreouvido na quitanda da Pregassorta na Vila Vudu: 
TUDO é importante nesse artigo. O mais importante, nos parece, é VER que nem toda a tal dita “mídia alternativa” presta. Assim como há:
(I) “pautação” feita pelo comando fascistizante das grandes empresas-imprensa (no Brasil, é o Grupo GAFE, Globo, Abril, FSP, Estadão), há também uma
(II) “pautação” feita pelas patrulhas “ético-liberais-blog-jornalísticas” metidas a progressistas. Essas duas pautações são daninhas. É preciso deixar falar, digamos, sempre, as “vítimas”. Sempre muito mais que pressupostos “professores” − “salvadores” liberais ONG-idiotas de direita − quando não são perfeitos safados fascistas – autoapresentados como progressistas.

A ONU no Haiti...

“Os intelectuais sempre foram cortesãos. Sempre viveram no palácio”
Pier Paolo Pasolini (1922-1975)

Jornalistas ocidentais estão, cada dia mais, roubando a voz dos nativos de povos subjugados, enquanto os engambelam e negam-lhes acesso à imprensa-empresa.

Nos EUA, os veículos mais conhecidos da imprensa-empresa alternativa, sites de notícias como TruthoutCommon Dreams Huffington Post são absolutamente vedados para escritores nativos de povos subjugados. No que tenha a ver com o Haiti, essa colonização da mente é rampante.

Inspecione a imprensa-empresa alternativa nos EUA à procura de notícias sobre o Haiti. Você encontrará artigos assinados por Beverly Bell, Mark Weisbrot, Robert Naiman, Jane Regan, Noam Chomsky, Stephen Lendman e outros, e não encontrará um único autor/colunista/escritor haitiano. Ocidentais têm tendências políticas próprias, reservam para eles o direito de comandar o mundo; e o direito de dar lições aos nativos ignorantes é parte do direito de comandar o mundo.

Os ongueiros-blogueiros...
A atual guerra contra o Haiti é guerra econômica e de propaganda que exige uso “frouxo” do dinheiro de ajuda “humanitária”, para minar a cultura e a agricultura do Haiti.

Essa guerra não seria possível sem campanha simultânea de desinformação, para persuadir o público nos EUA, no Canadá e na Europa de que o dinheiro deles ajuda muitíssimo o povo do Haiti. Essa, precisamente, é a tarefa dos altos sacerdotes do jornalismo.

Os altos sacerdotes do jornalismo-empresa promovem a agenda neoliberal e encapsulam, mascaram, travestem a desinformação que lhes cumpre distribuir, sob a forma de linguagem aparentemente racional e ponderada e que parece muito progressista.

Sobre um tema depois do outro, norte-americanos que falam “pelo Haiti” espertamente repetem e repetem os “tópicos para noticiário” [orig. talking points] que são pensados e redigidos para viabilizar políticas neocolonialistas. O trabalho desses profissionais ditos “alternativos” e “independentes” é muito mais insidioso que o da grande imprensa-empresa dominante, porque a grande imprensa-empresa dominante é limitada à editorialização das mentiras.

Nas mãos dos colonizadores de mentes, a desinformação é como um pirulito envenenado com cianureto: uma balinha letal revestida com açúcar esquerdista, quase todo ele recolhido de publicações pouco conhecidas onde escrevem escritores desconhecidos.

A culpa é da tempestade tropical Isaac

Considere, por exemplo, o artigo publicado em Truthout sob o título de “Capitalismo de Desastre em New Orleans e no Haiti”, no qual Beverly Bell, que dirige várias organizações não governamentais (ONGs) e integra o corpo de acionistas editores de Truthout promoveu dois daqueles “tópicos para noticiário” sobre o Haiti:

1. Deve-se esperar ressurgência massiva do cólera, por causa da tempestade tropical Isaac.

2. Deve-se esperar fome intensa, por causa da Isaac.

Imagem do furacão ISAAC no Haiti em 24/8/2012
Antes do artigo dela, os mesmos tópicos haviam sido intensivamente repetidos por Michel Martelly, pela ONU e pelo governo dos EUA, com o objetivo de atrair novas levas de dinheiro de ajuda. O primeiro tópico é infundado; o segundo, é absolutamente falso. Mais razoável é assumir que as vastas quantidades de água potável de chuva, que a tempestade trouxe, poderiam ajudar a prevenir, em vez de promover, qualquer “ressurgência massiva” do cólera. Quanto à produção agrícola do Haiti, caiu 20% em 2011 e espera-se que desabe em 2012 [o artigo é de 2012], por causa das políticas da USAID, e praticamente sem nenhuma ajuda de qualquer desastre natural.

Os dois “tópicos para noticiário” – repetidos no artigo de Bell – são, na verdade, a razão de ser do artigo: foi escrito para repetir aqueles “tópicos” e implantá-los na chamada “opinião pública”. O resto é “decoração”, metáforas de história, cultura e política copiadas do ensaio  “New-Orleans & Port-au-Prince: Dois contos de dois fracassos do governo” [orig. “New-Orleans & Port-au-Prince: Two Tales Of Government Failures”] publicado dois anos (2010) antes por Gilbert Mercier no News Junkie Post.

Convido o leitor a comparar os dois artigos, para aprender a reconhecer a estratégia pela qual são introduzidos os itens de desinformação, no quadro de um texto que parece correto e progressista.

Sistema provisório de coleta de chuva
O mesmo tópico para noticiário – sem qualquer fundamento científico – que liga o cólera e a tempestade tropical Isaac aparece repetido também por Mark Weisbrot em “Tempestade Tropical Isaac avança para o Haiti e fará aumentar o número de casos de cólera quando lá chegar” [orig. Tropical Storm Isaac Heads for Haiti, Likely to Leave a Spike in Cholera in its Wake”]. O Sr. Weisbrot é conhecido “especialista” em Haiti e América Latina e co-diretor da ONG “Centro para Pesquisa Econômica e Política” [orig. Center for Economic and PolicyResearch (CEPR)].

“Uma doença da pobreza”: os haitianos como sujos, sem higiene

As “previsões” acima, sobre a tempestade tropical Isaac, não foram a primeira campanha para atribuir a responsabilidade pelo surto de cólera a qualquer coisa, desde que não fosse a fonte real.

Quando o cólera apareceu pela primeira vez no Haiti, em outubro de 2010, a doença, que com certeza era bem conhecida das autoridades norte-americanas e da ONU, porque começou entre tropas da ONU, a doença foi imediatamente atribuída às terríveis condições de falta de higiene em que viviam os haitianos mais pobres; e, assim sendo, previa-se que se convertesse em epidemia, sobretudo nos campos de desabrigados.

Dia 18/11/2010, a CNN escreveu:

Carência de água potável, combinada com falta de higiene nas mãos e na preparação dos alimentos, torna as 1,3 milhão de pessoas que ainda vivem nos campos particularmente vulneráveis, segundo recente estudo publicado pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CPCD) dos EUA (...).

O CPCD disse que a cepa da bactéria do cólera responsável é “impossível de distinguir” de outra encontrada em outras partes do planeta, inclusive no sul da Ásia, mas os pesquisadores não têm ideia de como chegou ao Haiti.

Cerca de um mês depois, Beverly Bell incorporou-se e já “noticiava” os mesmos “tópicos”:

A semana passada trouxe condições perfeitas para um pico no número de doentes de cólera – que os Parceiros para a Saúde [ONG, orig. Partners in Health] chamam de “uma doença da pobreza” que impacta os que não recebem água potável segura (...). Porque os encarregados da higiene e limpeza não conseguiam chegar aos campos, os vasos sanitários e o lixo acumulou-se a extremos terríveis (...). As chuvas esporádicas durante a semana passada, além do mais, fizeram alastrar-se a água e os esgotos contaminados, vetores perfeitos para a doença.

Esse “entusiasmo” no serviço de culpar os pobres por suas degraças veio engalanado em linguajar apaixonado, que parecia defender os pobres e lastimar suas condições de vida. Na verdade, todas previsões sobre o cólera não tinham qualquer fundamento.
\
O local no qual o cólera alastrou-se mais ampla e mais violentamente, não foi o dos campos de desabrigados em Port-au-Prince – onde vivem os mais pobres de todos os pobres do Haiti – mas numa região limpíssima, ultra limpa, rural, que foi contaminada pelos esgotos de uma base da ONU onde viviam soldados do Nepal.

Caminhão-pipa despeja excrementos humanos em riacho a apenas 400 m da Base nepalesa da ONU
Jamais houve qualquer fundamento para a predição de que o cólera tornar-se-ia epidêmico no Haiti, e ainda não há qualquer base para prever se a epidemia aumentará ou se continuará indefinidamente.

Em abril de 2012, Dr. Renaud Piarroux argumentou que o cólera no Haiti poderia estar erradicado em apenas poucos meses, como Cuba mostrou que é possível.

Na província de Granma, os médicos cubanos conseguiram deter epidemia de cólera em apenas 60 dias, com medidas apropriadas de educação e treinamento para a população, vigilância epidemiológica, atenção adequada aos doentes e fornecimento de água potável desinfetada.

(continua em 2/2)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

1º Encontro Mundial de Blogueiros e a Carta de Foz de Iguaçu


O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.

Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade – os participantes reafirmaram como prioridades:

1.      - A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;

2.      - A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;

3.      - A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.

4.      - A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.

5.      - A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA no seu processo de bloqueio a Cuba.

Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu. Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro.

Ler também:

sexta-feira, 1 de abril de 2011

I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas de SP




40 milhões acessam os blogs no Brasil
Segundo pesquisa realizada pela empresa especializada em tráfego online, a comScore, 70% dos brasileiros acessaram blogs durante o ano de 2010, enquanto no resto do mundo a média foi 50%.
Para o relatório divulgado, a principal concentração de audiência dos blogs brasileiros foi na época das eleições (final do ano passado), quando, entre outubro e novembro quase 40 milhões de usuários acessaram os blogs à procura de comentários sobre os candidatos à eleição.

74 milhões de brasileiros navegam na internet
O número de pessoas com acesso à internet em qualquer ambiente (domicílios, trabalho, escolas, LAN houses ou outros locais) atingiu 73,9 milhões no quarto trimestre de 2010, segundo o Ibope Nielsen Online.
O número representou um crescimento de 9,6% em relação aos 67,5 milhões do quarto trimestre de 2009, segundo dados divulgados pelo instituto.

Banda Larga é um Direito Seu! 
“Uma ação pela Internet barata, de qualidade e para todos", são muitos os desafios e debates que envolvem o acesso à banda larga e sua plena utilização no Brasil. O Plano Nacional de Banda Larga nasceu com o objetivo de reverter à atual situação de uma Internet cara, lenta e para poucos, mas é insuficiente para isso, e sofre com a pressão das empresas de telecomunicações, que ameaçam seus objetivos.  
É indispensável que a sociedade se mobilize congregando movimentos sociais, ativistas pela internet livre, pontos de cultura, organizações do movimento de cultura e de comunicação e todos e todas interessados na luta pelo reconhecimento da banda larga como um direito, devendo ser universalizada e pautada no interesse público.

Participe e conecte-se com as novidades da mídia alternativa



Inscrição
Taxa: R$ 100,00 (estudantes: consultar via e-mail abaixo)
Centro de Estudos Barão de Itararé
Banco do Brasil
Agência 4300-1
C/C 50141-7
(Inscrições via internet CNPJ. 12.250.292/0001-08)
(Fazer o depósito e enviar cópia do comprovante
Para mais informações sobre o I  Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas de SP escreva para o e-mail: encontroblogsp@gmail.com ou consulte o blog www.encontrosp.blogspot.com 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A mordaça

Lembram Jane Bürgermeister?
Não lembram? Ohhhhh...

Então podem ler
O caso não está fechado, só para ter uma ideia.

Agora Jane volta. Desta vez denuncia uma conspiração... contra ela mesma.

O que, para um conspiracionista, deve ser o máximo.

Podemos concordar ou não com as teorias da Bürgermeister, mas uma coisa temos que admitir: esta "fúria judicial" soa estranha.

O fato de ser uma alegada visionária não é suficiente: imaginem se os juízes tivessem que perseguir todas as delirantes teorias que circulam na internet. Além disso, na rede é possível encontrar pessoas bem mais perigosas dela.

Ou será que acusar um colosso farmacêutico (a Baxter neste caso) e a Organização Mundial da Saúde pode ter efeitos secundários como este?

Bloggers perseguidos e declarados insanos

Oi, o meu nome é Jane Bürgermeister e estou em Viena, na Heldenplatz onde Hitler fez o famoso discurso de 1938, quando houve a anexação da Áustria, e agora, em 2010, sinto-me como uma pessoa que tinha sido perseguida pelo Governo austríaco.

Em 12 de Agosto, terei que comparecer no tribunal em Dublin, para ser ouvida sobre a possibilidade de ser submetida à supervisão judicial. Se eu for colocada sob supervisão judicial não terei nenhum direito, nem o direito de defender-me em tribunal, nem de manter a minha propriedade, nem a oportunidade de continuar o meu trabalho.

Como jornalista que trabalhava para a Natureza, o British Medical Journal, The Guardian e The Observer foi uma das pessoas que alertaram o mundo de que a pandemia da gripe suína não era tão ruim como tinham pintados os governos, os meios de comunicação e do Mundo da Saúde de que o vírus era de fato bastante fraco; de que as vacinas não eram necessárias; de que as vacinas não tinham sido testadas ou insuficientemente testadas, e estavam a ser um risco.

Estes pareceres foram validados pelo parlamentar britânico Paul Flynn num relatório, apresentado no final de Junho, à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, onde também concluiu que a pandemia de gripe suína e todo o alarme tinha sido produzido pela OMS e principalmente pelas empresas farmacêuticas para o próprio lucro. Até mesmo o British Medical Journal, por sua vez, publicou um artigo muito crítico em relação à pandemia de gripe suína e à campanha de vacinação global.

Apesar de tudo isto, estou prestes a ficar sob supervisão judicial por decreto de um tribunal austríaco com a acusação de ver conspirações em qualquer lugar, conspirações que não posso provar e para as quais não tenho qualquer prova; e com a acusação de ter colocado financeiramente em risco a propriedade do meu pai.

Meu pai faleceu em Outubro de 2009 e deixou a mim e aos meus irmãos uma casa e um apartamento no valor de cerca de 700 - 800.000 Euros: já tiveram de lidar com a herança de nossa mãe e vender a sua casa, coisa realizada com êxito, mas aqui na Áustria poderia ser colocada na prisão e privada de todos os meus direitos em continuar meu trabalho, como resultado de denúncias do Tribunal de Justiça.

Eu lancei apelos e também fiz uma queixa formal contra esta corte, porque posso provar através de documentos, e-mail, fax e outros elementos de prova que este é um falso pretexto para silenciar-me de forma deliberada.

Não sou a única pessoa na Áustria ou na Alemanha que tem de fazer face a estas acusações, existem outros blogueiros que têm sido entregues pelo Estado e tornaram-se alvos de juízes corruptos que fazem uma utilização abusiva do direito para silencia-los.

Esta é, infelizmente, uma tendência que não está a ocorrer apenas na Europa mas também na Nova Zelândia, Estados Unidos e Canadá. Na Áustria também foi aprovado em 2010 um Acto para a Prevenção do Terrorismo que permite ao governo prender praticamente qualquer pessoa com o pretexto de que possam constituir uma ameaça para o Estado.

Então estamos entrando numa era muito mais perigosa, comparável à de 1933, quando da mesma forma havia prisões em massa, aqui na Áustria, feitas por juízes corruptos que faziam uso instrumental do direito; e logo após Hitler ter marchado sobre a Áustria, em 1938, cerca de 200 mil Austríacos foram presos sob vários pretextos no que foi o início do "regime de terror".

Agora vamos enfrentar as mesmas circunstâncias, após todos estes anos experimentamos uma crise econômica semelhante, esta também orquestrada pelos bancos, estamos à beira da terceira guerra mundial contra o Irã, corremos o risco de recrutamento obrigatório nos termos do Tratado de Lisboa e estamos a lidar com um governo cada vez mais autoritário.

Nos Estados Unidos e na Europa também esperamos novas vacinas contra a gripe, que contêm elementos tóxicos de vacinação contra a gripe suína, e talvez esperamos uma nova pandemia construída a partir do nada.

É por isso que os governos estão tão ansiosos para obscurecer internet e para silenciar as pessoas que fazem informação acerca deste factos.



Fonte: Nexus
Tradução, Edição e comentário de: Informação Incorrecta

domingo, 1 de agosto de 2010

Alerta TOTAL aos jornalistas blogueiros!

Uma conspiração tão imensa...


19/7/2010, Eric Alterman, The Nation

Traduzido pelo Coletivo de tradutores da Vila Vudu sob direção de Caia Fittipaldi


Até há pouco tempo, um espectro assombrava a mídia norte-americana – um espectro chamado “Journolist"[1], uma lista de discussão por internet, à qual só se chegava mediante convite, dita de esquerda e que chegou a reunir 400 membros. A lista só chegou ao conhecimento público por uma capa escandalosa da revista Politico de março de 2009, que perguntava: “Provas de uma imensa conspiração da mídia de esquerda?” [ing. "Proof of a Vast Liberal Media Conspiracy?" [2]].


Afinal, a lista não aparecia no buscador LexisNexis e em nenhum outro; jamais foi mencionada em qualquer publicação impressa de qualquer tipo. Era protegida, como disse Michael Calderone, “por código de silêncio de Clube de Luta”.


Mickey Kaus reclamou que a lista seria “contrária ao espírito da Web.” Alguém da National Review explicou que era o modo “como os blogueiros de esquerda e as “grandes” vozes do centro-esquerda na mídia dominante coordenavam suas matérias” e especulou sobre o uso da lista como ferramenta para chantagem ideológica. Ocasionalmente, David Frum, conservador sensível, imaginou “editores secretos aos quais os jornalistas reportavam privadamente, relatos diferentes e que não chegavam aos editores reais” e definiu a lista como “empreitada definitivamente sinistra”.


Cara! Se eu soubesse... Qual, me digam, seria a graça de participar de uma Empreitada Definitivamente Sinistra, se o que você mais faz é apagar mensagens sobre os esquemas de reembolso do Medicare? Sim, sim, amado leitor, eu participei da Journolist (eu e mais, pelo menos, quatro outros editores/colunistas de Nation).


A ideia de que alguém poderia lançar uma conspiração de controle da mídia através daquele grupo diz muito sobre o “estilo paranóico da política nos EUA” (se me permitem cunhar eu também a minha frase).


De fato, ninguém, nunca, naquela lista, jamais “acertou” coisa alguma com alguém. As pessoas discutiam, nem sempre civilizadamente. Não faz muito tempo, recebi um e-mail de outro membro daquela lista, que dizia: “Começo a entender do que os conservadores não gostam, sobre a esquerda.” Só impliquei com a palavra “começo”.


Pessoalmente, a lista dava-me oportunidade de afinar minhas ideias, melhorar a informação, descobrir fontes e escrever bobagens sobre beisebol. E só me custava alguns desaforos vez ou outra, e tempo perdido, frequentemente (se eu tivesse dentro de mim uma obra-prima ainda não parida, à Proust, a lista Journolist seria culpada de a coisa continuar inexistindo). Como um coletivo, forçávamos as barras de todos, estimulávamos a excelência, falávamos mal do patrão sovina e colhíamos todas as oportunidades que surgiam para lembrar aos jornalistas e editores de New Republic que eram empregados de um lunático reacionário e racista. Aquela polinização cruzada casual de informações, ideias e ansiedades só pode ter tido efeito salutar sobre a qualidade da esquerda nos EUA, sobre o jornalismo e m geral e sobre as pessoas interessadas em política.


Mas, agora, como cantava o Sr. Jagger em 1964, “tudo acabado, e nada mais”.


Um dos membros da lista realmente pesquisou as mensagens arquivadas e usou o que lá encontrou para desacreditar profissionalmente outro listeiro. O blogueiro Dave Weigel escreveu alguma coisa azeda sobre os conservadores que o Washington Post acabava de encarregá-lo de cobrir. Sim, Weigel foi ingênuo e imprudente. Não devia ter escrito o que escreveu. A ideia de que algum segredo permanecerá secreto depois de contado a 400 pessoas é, falando claro, idiota.


Os comentários apareceram vazados, primeiro em "Fishbowl DC" e, depois, na nova página de Tucker Carlson, The Daily Caller. (Como seguidamente acontece, Carlson havia tentado admissão à lista e fora rejeitado, porque declarou que desejava permanecer relativamente coerente no plano ideológico).


Segundo Ezra Klein do Washington Post, fundador da lista, capo di tutti i capi e menino-maravilha, Carlson “tentou fazer a minha cabeça e, na resposta, propus co-coordenar com Carlson uma outra lista bipartidária. Mas ele não se interessou”.


Weigel foi demitido do trabalho de cobrir conservadores para o Post, sem qualquer referência à (boa) qualidade de seu trabalho. Vários conservadores elogiaram seu trabalho, acurado e equilibrado. Como disse Frum, “Weigel é excelente repórter. Escreve com inteligência e sensibilidade sobre o mundo conservador”. Se alguém está fazendo bem o trabalho que é pago para fazer, tem o direito de continuar a fazê-lo. O colunista conservador do New York Times, Ross Douthat, escreveu também que “nenhum padrão jornalístico foi violado por alguém disparar e-mails irrefletidos para o que se suponha que seja uma lista privada de e-mails.”


Mas o Post, como grande parte de todo o establishment jornalístico hoje em dia, é extremamente atento à nova espécie de blogueiros-de-opinião, e quase ridiculamente cuidadoso quando se trata de não perturbar os conservadores quando “precisam de citações de jornal”. O ombudsman do Post, Andrew Alexander, lamentou que “Weigel perdeu o emprego. Mas quem mais perdeu foi o Post, que perdeu bom espaço entre os conservadores.” Raju Narisetti, editor de Weigel, replicou ao postado de Alexander, dizendo que “Não acho que se tenha de ser conservador para cobrir os conservadores. Mas você tem de ter posições imparciais.” Narisetti sugeriu então que, no futuro, o Post inclua, no questionário que apresenta a jornalistas candidatos a emprego, mais uma pergunta: “No privado, você alguma vez manifestou alguma opinião que possa impedi-lo de fazer seu trabalho?"


Tudo isso é o mais pernicioso nonsense à Orwell. O Post tolera – nã-nã-não, abraça! – todas as tendências de opinião, entre seus repórteres. Tudo bem acreditar que George Bush jamais mentiria ao país sobre o Iraque, as torturas e tudo mais? E quanto à ideia de que uma chupada presidencial seria suficiente para que o jornal mandasse pela janela todas as regras a respeito de ouvir as fontes e verificar as dicas? E aquela vez, em que uma simples chupada-blowjob presidencial bastou para que o jornal mandasse pela janela todas as regras sobre examinar fontes e verificar dicas?


O trabalho de Weigel, de cobertura dos conservadores, sempre foi acurado e inteligente, o que é mais do que se pode dizer sobre o trabalho do Post nos temas acima lembrados. O que ele escreva em listas, não é da conta do Post.


Consequência da demissão de Weigel, Klein tomou a dura decisão de destruir essa sua privada arma de destruição profissional em massa; excluiu a arma, do arsenal acessível a jornalistas empregadores sem princípios; e dissolveu a lista Journolist.


Mais uma vitória da combinação tóxica de conspiracionismo conservador imbecilizante e covardia dos jornalões.


Notas de rodapé:


[1] Para saber o que é ver em: The JournoList, de 1/8/2010

[2] A matéria está em: JournoList: Inside the echo chamber


O artigo original, em inglês, pode ser lido em: A Conspiracy So Immense...