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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

WikiLeaks: "TEMOS DE LER OS TELEGRAMAS COMO SE FOSSEM CENAS"

TEMOS DE LER OS TELEGRAMAS COMO SE FOSSEM CENAS, não como se fossem “fatos” (que não são!)


Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu

Aqui vai, à guisa de amostra, um telegrama distribuído ontem e que traduzimos a partir de uma página-espelho de WikiLeaks (endereço no telegrama).
A amostra-exercício consiste em LER o telegrama, menos em busca de 'fatos' que possam ser reescritos como manchete jornalística, e, mais, como se o próprio telegrama fosse uma 'cena'.

Os fatos que se veiculam nesses telegramas NÃO SÃO, de modo algum, o que alguém disse ou não disse, ou diz-que-disse, ou diz-que-alguém disse.

Esses telegramas são CENAS às quais, até agora, NINGUÉM teve acesso fora do governo dos EUA. E em todos os telegramas alguém fala de nós ou de temas que nos interessam. O FATO que mais nos interessa é, quase sempre, nesses telegramas, A PRÓPRIA CENA.

Se não aprendermos a explorar a CENA a que se assiste em cada telegrama, NÓS MESMOS estaremos nos condenando a leituras 'jornalísticas' dos telegramas. BASTA dessa perversão de ouvir conversas dos outros e achar que, se alguém lá diz algo que alguém cá gosta de ouvir... "então", o que alguém cá gosta de ouvir estaria "comprovado".

Leiam o telegrama que aí vai e vamos tentar LER A CENA. Vamos ver no que dá? 
Vamos ver se nós, pelo menos, SAÍMOS dessa arapuca jornalística?!

A ideia é fazer uma leitura digamos "literária-cenográfica" do telegrama abaixo. 
Pode-se supor, por exemplo, que a cena abaixo apareceu num filme.

Taí. Se a cena abaixo aparecesse num filme, ela SIGNIFICARIA o quê?

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ID: 06SAOPAULO276
Dokument dato: 14/03/2006 19:07:00
Release dato: 2010-12-14 06:06:00
Kilde: Consulate Sao Paulo
Cabeçalho (...)
SIPDIS  / SENSITIVE / SIPDIS
(...)
ASSUNTO: O Cardeal HUMMES sobre o governo Lula, a oposição e a ALCA
SENSÍVEL MAS NÃO SECRETO – PLEASE PROTECT ACCORDINGLY.

------- RESUMO -------

1. (U) Dia 10/3, durante visita de cortesia que lhe fez o Cônsul Geral [SP], Claudio Cardinal Hummes (sic) falou longamente sobre os sucessos e fracassos do governo Lula, sobre sua opinião sobre a disputa entre Serra (Prefeito de São Paulo) e o governador Alckmin que aspiram a ser indicado como candidato à presidência pelo PSDB (Brazilian Social Democracy Party); e destacou que, ao contrário do que dizem muitos, a Igreja Católica, como instituição não se opõe ao Free Trade Area of the Americas (FTAA = ALCA) e de fato considera necessários tais acordos, mas entende que qualquer acordo deve ser interessante para todas as partes e deve ser exaustivamente discutido por todas as partes. FIM DO RESUMO.

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GOVERNO LULA: REALIZAÇÕES, MAS TAMBÉM FRUSTRAÇÕES
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2. (U) O Cônsul Geral [ing. Consul General (CG)], acompanhado pelo “Poloff”, visitou dia 10/3 Dom Claudio Cardinal Hummes (sic), Bispo de São Paulo e líder da Igreja Católica no Brasil. Perguntado sobre sua opinião sobre o cenário político atual, Hummes disse que o governo Lula “foi um importante marco para o Brasil: governo democrático, comandado por um trabalhador, com grandes sucessos, como a estabilidade macroeconômica, a melhoria da imagem internacional do Brasil e o pagamento da dívida que o país contraíra no exterior. Evidentemente, nem tudo foi tão positivo. O Cardeal conhece Lula desde quando ambos trabalhavam, cada um em seu campo, nos subúrbios industrial do ABC (Santo Andre, São Bernardo dos Campos, São Caetano do Sul) ao sul da cidade de SP, durante a ditadura militar (informação biográfica completa no Ref A), e sempre soube que Lula queria fazer mais no plano social para melhorar as condições de vida dos trabalhadores e dos pobres. Tem certeza de que Lula está desapontado por não ter criado mais empregos. “Bolsa Familia” (transferência de pagamentos para os mais pobres que preencham algumas exigências) é bom programa; é verdade, como disseram alguns críticos, que não basta para “arrancar as pessoas da miséria”, mas é medida emergencial eficiente para os realmente necessitados. O problema fundamental, disse Hummes, foi que o Brasil não cresceu o suficiente. Juros altos e muitos impostos impediram que o Brasil alcançasse o ritmo de crescimento de outras economias emergentes como China, Índia e México. Se isso pudesse ser alterado, o Brasil estaria pronto para andar adiante.

3. (SBU) Depois, foi o escândalo da corrupção. Lula não merecia, disse Hummes. Não significa que Lula não soubesse de coisa alguma, como disse. Mas Lula foi enganado por gente que o cercava, alguns com agenda própria, principalmente o ex-ministro da Casa Civil Jose Dirceu. A agenda de Dirceu era manter o PT no poder, objetivo que exigia grande quantidade de dinheiro. Para Dirceu, os fins justificam os meios. Dirceu, que é operador político racional e astuto, queria ser o sucessor de Lula, e usou, para esse seu objetivo, os poderes do governo, inclusive mais de 20 mil cargos para indicados pelo presidente (“injustificável, numa democracia”, disse Hummes). Por ironia, as atividades de Dirceu foram divulgadas por Roberto Jefferson (deputado federal por um partido aliado do governo que também estava implicado em atos de corrupção e que passou a implicar outros, até ser, o próprio Jefferson, expulso do Congresso) – “Jefferson tampouco era algum paladino da ética”.

4. (SBU) Hummes não afirmou com certeza que Lula se canditará à reeleição. “Há 70% de chances de que se candidate. Lula sempre foi contra a reeleição de presidentes. Lula entende que melhor seria um mandato mais longo, 5 ou seis anos, mas sem reeleição. Também acho que seria muito melhor para nossa democracia”. Hummes também acha que haver eleições a cada dois anos – eleições federais e estaduais que se alternam com eleições municipais – é processo que impede a continuidade e torna impossível, para qualquer governo, completar qualquer plano.

---- PSDB ----

5. (SBU) O Cônsul Geral observou que o recente crescimento de Lula nas pesquisas de opinião [obs. O telegrama é datado de 14/3/2006] implica sério desafio para o PSDB, da oposição. O cardeal Hummes concordou; e destacou que há muitas semelhanças entre o PT e o PSDB. “Fernando Henrique Cardoso (FHC), de vários modos, aproximou o PSDB do PT. E então Lula, ao chegar ao poder, adotou algumas políticas do PSDB. É preciso que os dois estejam em confronto, para que se consiga ver as diferenças”. O partido tinha excesso de bons candidatos, disse Hummes, e abundância de talentos, desde a fundação. Em 2002, o partido enfrentou dificuldades para decidir-se a favor da indicação de  Jose Serra; no final, FHC teve de intervir e indicá-lo ‘pessoalmente’. O cardeal conhece os dois pré-candidatos do PSDB e conversa regularmento com ambos. Na opinião do cardeal, o problema com a candidatura de Serra é que, se concorrer e perder, o PSDB terá perdido a prefeitura de São Paulo, sua maior vitrine para a política nacional. Alckmin, embora pouco conhecido fora de São Paulo, poderia ser uma grande novidade nacional. Na opinião de Hummes, Alckmin poderia ser adversário mais difícil para Lula no nordeste, porque Alckmin teria melhor penetração nas classes inferiores, do que Serra. Ainda que perdesse para Lula, o PSDB ainda teria a prefeitura de São Paulo. Portanto, a decisão racional seria Alckmin, mas o cardeal reconheceu que a política nem sempre é racional. Observou também que o  governador de Minas Gerais Aecio Neves chegou a pensar em concorrer, mas optou pela certeza da reeleição como governador de Minas, em vez da disputa contra Lula, que Aécio não tinha certeza de que venceria.

6. (SBU) Num segundo mandato, Hummes previu que Lula seria mais moderado que Serra [se eleito]. Lula não é aventureiro e, como qualquer estadista, não correrá riscos temerários. Serra é, por temperamento, muito mais duro que Lula, e sempre se opôs à política macroeconômica ‘neoliberal’ implementada primeiro por FHC e, depois, por Lula.

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A IGREJA NÃO SE OPÕE À ALCA
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7. (SBU) O Cônsul Geral levantou a questão da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) [ing. Free Trade Area of the Americas (FTAA)], observando que os EUA continuam interessados em negociar um acordo ainda que o governo Lula não dê sinais de entusiasmo, e perguntou sobre a posição da Igreja. O Cardeal respondeu que a Igreja não faz oposição institucional a esse tipo de acordo. O mundo está evidentemente cada vez mais integrado, e as nações não podem isolar-se nem fechar-se em nacionalismos. O Brasil, por exemplo, é forte apoiador do Mercosul, mas a comunidade é muito frágil, em parte por causa dos problemas econômicos da Argentina. A ALCA tem de ultrapassar ideias tradicionais de que seria mais um veículo para que os EUA explorem a miséria da América Latina. Poucos na região creem que seja possível alcançar um acordo equilibrado. Mas, embora não seja fácil, é importante que todos continuem tentando. Hummes entende que o presidente Lula está tentando superar o “pensamento velho” que tende a atribuir a outros – quase sempre aos EUA – a culpa pelos problemas do Brasil. A Igreja, como instituição, o cardeal reiterou, não se opõe à ALCA e não se oporá. Pode acontecer de alguns bispos individualmente, ou grupos de bispos, oporem-se, ou ONGs ligadas à Igreja. Provavelmente, algum grupo de estudos apresentou recomendações à Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) fazendo oposição à ALCA, e esses estudos talvez tenham sido publicados como se manifestassem a posição da Igraja no Brasil. Mas a CNBB jamais adotou posição oficial contra a ALCA e a Igreja não se opõe a acordos de livre comércio em geral ou à ALCA em particular. A Igreja, disse o cardeal Hummes em conclusão, considera importante que todos os acordos sejam discutidos publicamente, e que sejam justos para todas as partes. O Cônsul Geral replicou que o Governo dos EUA concorda com que esses acordos tenham de ser aceitáveis pelos dois (ou todos os) lados, porque, se assim não for, os acordos não serão sustentáveis.

------- COMENTÁRIO -------

8. (SBU) Durante os últimos seis meses, vários interlocutores brasileiros, do governo e do setor privado, nos alertaram sobre a oposição da Igreja a um acordo ALCA, que viam como fator importante da oposição que o acordo encontra na opinião pública, a qual, por sua vez, pesara na relutância do Governo Brasileiro, que não se interessou por adiantar as negociações. Ref C relatou que, em julho de 2002, a CNBB comandou Campanha Nacional contra a ALCA, a qual, dentre outras coisas, publicou “panfleto escandaloso [orig. scurrilous] de 42 páginas cheias de erros, atacando a proposta e com ofensas aos “EUA imperialistas”. O Cônsul não pode ter certeza, tanto tempo depois, de que a campanha e o panfleto tenham sido trabalho da própria CNBB ou de alguns membros mais radicais. Em setembro de 2002, a Pastoral Social da Igreja Católica co-patrocinou (associada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o PT e cerca de 30 ONGs) a realização de um referendum não-oficial contra a ALCA.

Se está correto o que diz o Cardeal sobre a posição oficial da Igreja Brasileira (sic) – e não há por que duvidar de sua palavra ou de seus conhecimentos dos negócios da Igreja –, nesse caso a posição oficial já foi a muito superada, na opinião pública, pela posição sempre repetida, e contra a ALCA, de alguns sacerdotes, bispos e atores laicos influentes. Seja como for, o fato de que a Igreja não se opõe de fato a um acordo talvez venha a ser útil nos próximos meses. Em geral, as opiniões de Hummes sobre o atual cenário político no Brasil, são lúcidas e bem informadas, e é claro que acompanha de perto a situação e que mantém contato próximo com todos os atores relevantes. FIM DO COMENTÁRIO.


9. (U) Telegrama liberado/coordenado com a Embaixada em Brasília. McMullen.

domingo, 17 de outubro de 2010

A CNBB virou comitê de campanha?


Publicado em 17/10/2010 por Eliakim Araujo
Tem a Igreja o direito de imiscuir-se na vida política do país? Para Dom Aldo Pagotto, arcebispo da Paraíba, não. Mas, na prática, não foi isso que ele pregou em discurso de quase 15 minutos que foi disparado esta semana pelas tropas serristas na frente de combate da internet.
Foram dois vídeos de religiosos que se espalharam pelas correios eletrônicos esta semana, pedindo abertamente que suas ovelhas não votassem na candidata do PT sob o surrado argumento de ser a favor do "assassinato de criancinhas", como esbravejou Monica Serra, ela mesma apanhada em flagrante por confidência que fez às suas alunas, em 1992, de que tinha feito um aborto no inicio de sua vida de casada com José Serra, quando ainda viviam no Chile. Mas esse é um direito dela que deve ser respeitado e pelo qual ela não merece ser condenada, como também não tem ela o direito de ofender os que defendem a descriminalização do aborto.
Mas o que interessa mesmo à coluna deste domingo é o discurso de Dom Pagotto em que ele acusa o PT de possuir em seu programa a completa legalização do aborto.
Com um retrato do Papa na parede diante da qual lê o discurso, Dom Pagotto começa dizendo que "engana-se quem pensa que esteja em jogo apenas o dilema da escolha do candidato ou do partido". E mais adiante, para entrar no tema do aborto: "os conceitos de vida e de dignidade humana estão ameaçados no mundo de hoje como nunca se viu". A partir daí, Pagotto desce o pau no PT e na candidata Dilma: "Em 2003, desde que chegou ao poder, o PT assumiu como projeto de governo a completa legalização do aborto no Brasil". E já no encerramento, Pagotto assinala que "não cabe à Igreja imiscuir-se em política partidária, mas é dever alertar os cidadãos na hora de votar...os bispos de São Paulo, a quem aplaudo veementemente, estão seguindo a comunhão profética da Igreja em comunhão com o Papa".
Depois disso parte para o gran finale: "estamos diante de um partido nitidamente comprometido com a instalação da cultura da morte em nosso país e que se utiliza da mentira para enganar eleitores sobre seus verdadeiros propósitos". De fato, Pagotto tem razão: isso não é imiscuir-de em politica, isso é simplesmente fazer da Igreja um partido politico, em perfeita sintonia com a grande imprensa que assumiu com a maior desfaçatez o compromisso de derrotar a candidatura Dilma.
Se alguém quiser assistir o vídeo de Dom Pagoto ( Veja o vídeo ), embora fortemente eu não recomende. O bispo lê mal, gagueja, tropeça nas palavras e o som é péssimo.
Felizmente, como na mídia, há os setores progressitas que não aceitam essa intromissão indevida e oportunista de alguns religiosos na decisão livre e soberana dos eleitores. E as reações não tardaram. Destaco aqui uma delas, o belo e emocionado depoimento de um professor da USP, católico,  que deixo para a relfexão dos leitores neste domingo, a duas semanas do pleito.
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A CNBB virou comitê central de campanha?
por Emílio Carlos Rodriguez Lopez*
À Dom Luciano Mendes de Almeida, o amigo verdadeiro dos pobres.
 
Durante cinco anos fui coordenador do projeto de formação política e comunicação da região Leste 1. Na década de 80, ajudei na campanha de Plínio de Arruda Sampaio a deputado federal e a governador, participei da campanha de Chico Whitacker para vereador e do Plenário Pro Participação Popular na Constituinte e na campanha contra a revisão da Constituição. Também fui um dos coordenadores da Juventude Universitária Católica.
Tenho dois filhos lindos consagrados à Nossa Senhora de Fátima e agradeço a intercessão de Nossa Senhora Aparecida por salvar a vida da minha filha, que com sete dias de existência passou por uma cirurgia cardíaca e mais quarenta e cinco dias na UTI. Por tudo isso e, ainda amar a vida, sempre fui contra o aborto.
Nos últimos tempos, estou assistindo atônito e envergonhado o apoio ostensivo de bispos paulistas ao candidato à Presidente da República, José Serra. O pretexto de tal apoio seria a posição deste cidadão ser contrário ao aborto e defensor da vida. Oras, mesmo para defender esta causa santa não há a necessidade de tanto alarde e exploração mal intencionada do assunto, visto que os quatro principais candidatos têm posição contrária a esta prática.
Recentemente, a Regional Sul-1 da CNBB lançou um manifesto anti-Dilma, acusando-a de defender o aborto. A complacência da CNBB fez com que setores conservadores usassem a autoridade eclesiástica para cercear o direito ao voto dos católicos e, além dos mais, permitiu que se espalhassem boatos maldosos e caluniosos contra uma pessoa.
Esta campanha foi organizada pela Opus Dei, que funciona como um partido clandestino dentro da Igreja Católica contra o PT e Dilma e a favor de Serra. Esse grupo tem como premissa à defesa da vida. Para eles, a Opus Dei, o ato de viver se resume a nascer. Desse modo, para a Opus Dei reduzir a miséria e melhorar as condições de vida de milhões de brasileiros não é promover a vida. Assim como, para eles, também não é promover a vida dar condições para o povo comer carne e ter emprego.
Esta concepção restrita da defesa da vida esconde a intenção da Opus Dei de usar a religião para fins políticos eleitorais e transformar o altar em local de comício para dominar o Brasil. A Opus Dei é uma organização católica de extrema direita que não aceita pobres entre seus membros e que apoiou a ditadura fascista na Espanha e em muitas outras partes do mundo, inclusive no Brasil. Além dos tentáculos econômicos poderosos que levaram a práticas de lavagem de dinheiro no Banco Ambrosiano – caso da Máfia da P2 -, domina Faculdades na Espanha e tem representantes em diversos veículos da mídia, inclusive da brasileira
Por tudo isso, não é possível tolerar que falsos democratas e amantes de ditaduras façam da defesa da vida um pretexto para atacar da forma mais vil um ser humano, lançando sobre uma mulher um leque de grosserias e inverdades.
Essa cabala, aliás, age como o arcebispo de Recife ao excomungar uma menina de 9 anos de idade que foi violentada e daria luz a uma criança. Ocorre que se tivesse o bebê ela poderia falecer durante o parto, visto que fisicamente não tem condições de ter uma criança. Essa menina que já havia sofrido enorme violência ao ser estuprada foi excomungada pelo religioso, assim como toda a equipe médica. Este drama humano mostra a hipocrisia de uma Igreja mais preocupada em punir do que em amar ao próximo. Se a menina morresse, não seria também atentar contra a vida? Quantas mulheres não passam por essa difícil situação e não encontram uma só palavra de amor. Provavelmente só ouvem rancor e ódio, além de sentir o preconceito.
Quem age contra uma criança excomungando-a também age inquisitoriamente contra uma mulher, cujo único pecado é amar os pobres e querer continuar o trabalho do atual presidente que está gerando a prosperidade para os brasileiros e concretizando a vida em abundância, ou seja, concretizar o ideal bíblico da terra onde corre leite e mel. Isto a Opus Dei, uma organização elitista, voltada para os ricos, não perdoa. Por isso, odeiam tanto o Lula e o PT.
Por último, há uma diferença entre o Cristo que carrego dentro de mim e o desta gente. A Opus Dei e setores elitistas da Igreja são os continuadores dos fariseus, doutores da lei, que segundo Jesus Cristo usavam a religião como arma de dominação sobre os mais pobres. Eles se esquecem que Jesus vivia no meio dos mais pobres e humildes, nasceu na manjedoura e não em berço de ouro. Por que será que um simples pescador foi o sucessor de Cristo? E não se esqueçam de que as mulheres, as mais oprimidas naquele tempo, ficaram com Jesus até o fim, entre elas estava uma prostituta, Maria Madalena. Ah, não foram os sumos sacerdotes e os fariseus que condenaram Jesus a morrer na cruz?
Enfim, coberto de cinzas, para expressar a minha vergonha como católico praticante, pergunto que religião é esta que semeia o ódio e não o amor, como manda Jesus?
Observação:  
Se quiserem me excomungar, como ameaçou o padre da Canção Nova (ele pensa que estamos na Idade Média), excomunguem. Ao menos, saberei que estou seguindo os passos de outros santos, como São Francisco que sofreu processo de heresia pelo Papado na Idade Média, por pedir uma Igreja simples e despojada de bens materiais. 

P.S. - Participo de movimentos na Igreja Católica, desde 1979. Primeiro, na Pastoral de Juventude, onde me tornei coordenador da região Leste 1 da Arquidiocese de São Paulo, na ocasião coordenada por Dom Paulo Evaristo Arns. Lá conheci Dom Luciano Mendes de Almeida e o vi, muitas vezes, ceder a sua cama para um mendigo dormir ou repartir o pão. Este homem foi durante os anos críticos do final da ditadura um exemplo de moderação, o que falta hoje entre os atuais bispos.
*Emílio Carlos Rodriguez Lopez, mestre em História Social pela Universidade de São Paulo
Extraído do Direto da Redação