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domingo, 7 de novembro de 2010

Os efeitos colaterais de uma campanha suja

Diga-me com quem andas...

A vovó sempre dizia que se colhe o que se planta, e a vovó é que sabia das coisas. Infelizmente, o país não poderia sair sem seqüelas da campanha mais suja da história das eleições no período pós-redemocratização, e já estamos colhendo e vamos colher por muito tempo ainda os frutos plantados por quem não se furtou de rifar a própria biografia e se aliar ao que existe de mais sectário e reacionário na sociedade para se eleger presidente da república.

Parecia que o país tinha chegado a um nível de maturidade democrática que tornasse impossível a repetição do nível de baixaria da campanha de 1989, mas a campanha de 2010, com o Serra se aproximando de grupos neo-nazistas, integralistas, monarquistas e setores mais conservadores da igreja católica e templos evangélicos, conseguiu ser pior.

Os efeitos dessa aproximação puderam ser percebidos ainda durante a campanha quando bispos da CNBB se associaram a grupos de extrema direita para imprimir panfletos atacando o PT e Dilma, tentando assustar o cidadão mais suscetível a pregação do medo. 

A campanha de Serra também recrutou profissionais de destruição de reputação e insuflou os sentimentos mais rasteiros de uma fração da população acostumada a ter privilégios sobre os demais e que andavam insatisfeitos com a perda do status da exclusividade.

Logo após o anúncio do resultado das eleições, uma usuária do Twitter inconformada com a vitória da democracia, emitiu diversos comentários com conteúdo preconceituoso contra nordestino e fazendo apologia ao crime de racismo, inclusive sugerindo o assassinato dos mesmos. Não se trata de uma opinião inconseqüente de um pré-adolescente ou de alguém que não teve acesso à educação e, portanto poderia alegar ignorância sobre o que comentava. A usuária do Twitter tem pai com boa condição financeira e estuda em uma faculdade de direito.

A Procuradoria Geral da República analisa denúncias feitas por entidades de organização civil contra a usuária e vários outros usuários que multiplicaram o comentário criminoso ou fizeram outros comentários no mesmo nível, pelos crimes citados acima. O agravante para os crimes é o fato de terem sido cometidos através de um meio de comunicação, o que aumenta a pena caso a Procuradoria apresente a denúncia e o tribunal acolha a mesma e condene os acusados.

Se não bastassem essas manifestações que expuseram ao ridículo mais uma vez o nome do país no exterior, aparece um manifesto singelamente chamado de “São Paulo para os Paulistas”, que publicamente defende algo como um apartheid contra nordestinos, um tipo de xenofobia regional que se assemelha muito ao neo-fascismo que floresce atualmente na União Européia, algo que há bem pouco tempo era impensável como um movimento social no Brasil e se resumia a reduzidos grupos de neo-nazistas e integralistas que sempre funcionaram na clandestinidade em redutos nos grandes centros metropolitanos do eixo Sul-São Paulo.

Ontem, a Polícia do Rio Grande do Sul fez uma apreensão de farto material de um grupo neo-nazista, que incluía uma gravação com conteúdo fortemente racista, que ataca o sistema de cota raciais e associando negros à violência urbana. O vídeo continha ainda uma imagem do senador Paulo Paim, que defende direitos de minorias raciais, o que foi entendido pelo delegado que faz a investigação como um tipo de ameaça ao Senador. 

O DEM, representado pelo senador Demóstenes Torres contesta o sistema de cotas raciais no Supremo Tribunal Federal. O senador chegou ao cúmulo de afirmar, para argumentar que a sociedade brasileira não tem débito com a população negra, que não houve estupros nas senzalas durante o tempo em que vigorou a escravidão, mas “sexo consensual”.

Não há dúvidas que a extrema direita e esses grupos neonazistas e neofascistas vêem no consórcio PSDB/DEM seus legítimos representantes, assim como nos EUA o Tea Party se reconhece nos republicanos. Fica clara a intenção de importar para o Brasil e estimular em seguimentos da nossa sociedade elementos do conservadorismo religioso e anticomunista dos americanos.

Infelizmente essas são apenas as primeiras evidências do retrocesso que recebemos de herança da campanha suja de José Serra. 

O Ministério Público e a Polícia Federal vão ter muito trabalho daqui pra frente, espero que a punição para quem extrapole a lei seja dura para educar corretamente.

Surrupiado do Blog do Len

terça-feira, 26 de outubro de 2010

8 anos de privataria vs. 8 anos de soberania

Este vídeo compara os números que diferenciam os oito anos de FHC e Serra e os oito anos do governo Lula e Dilma. Quem compara vota melhor!




domingo, 17 de outubro de 2010

A CNBB virou comitê de campanha?


Publicado em 17/10/2010 por Eliakim Araujo
Tem a Igreja o direito de imiscuir-se na vida política do país? Para Dom Aldo Pagotto, arcebispo da Paraíba, não. Mas, na prática, não foi isso que ele pregou em discurso de quase 15 minutos que foi disparado esta semana pelas tropas serristas na frente de combate da internet.
Foram dois vídeos de religiosos que se espalharam pelas correios eletrônicos esta semana, pedindo abertamente que suas ovelhas não votassem na candidata do PT sob o surrado argumento de ser a favor do "assassinato de criancinhas", como esbravejou Monica Serra, ela mesma apanhada em flagrante por confidência que fez às suas alunas, em 1992, de que tinha feito um aborto no inicio de sua vida de casada com José Serra, quando ainda viviam no Chile. Mas esse é um direito dela que deve ser respeitado e pelo qual ela não merece ser condenada, como também não tem ela o direito de ofender os que defendem a descriminalização do aborto.
Mas o que interessa mesmo à coluna deste domingo é o discurso de Dom Pagotto em que ele acusa o PT de possuir em seu programa a completa legalização do aborto.
Com um retrato do Papa na parede diante da qual lê o discurso, Dom Pagotto começa dizendo que "engana-se quem pensa que esteja em jogo apenas o dilema da escolha do candidato ou do partido". E mais adiante, para entrar no tema do aborto: "os conceitos de vida e de dignidade humana estão ameaçados no mundo de hoje como nunca se viu". A partir daí, Pagotto desce o pau no PT e na candidata Dilma: "Em 2003, desde que chegou ao poder, o PT assumiu como projeto de governo a completa legalização do aborto no Brasil". E já no encerramento, Pagotto assinala que "não cabe à Igreja imiscuir-se em política partidária, mas é dever alertar os cidadãos na hora de votar...os bispos de São Paulo, a quem aplaudo veementemente, estão seguindo a comunhão profética da Igreja em comunhão com o Papa".
Depois disso parte para o gran finale: "estamos diante de um partido nitidamente comprometido com a instalação da cultura da morte em nosso país e que se utiliza da mentira para enganar eleitores sobre seus verdadeiros propósitos". De fato, Pagotto tem razão: isso não é imiscuir-de em politica, isso é simplesmente fazer da Igreja um partido politico, em perfeita sintonia com a grande imprensa que assumiu com a maior desfaçatez o compromisso de derrotar a candidatura Dilma.
Se alguém quiser assistir o vídeo de Dom Pagoto ( Veja o vídeo ), embora fortemente eu não recomende. O bispo lê mal, gagueja, tropeça nas palavras e o som é péssimo.
Felizmente, como na mídia, há os setores progressitas que não aceitam essa intromissão indevida e oportunista de alguns religiosos na decisão livre e soberana dos eleitores. E as reações não tardaram. Destaco aqui uma delas, o belo e emocionado depoimento de um professor da USP, católico,  que deixo para a relfexão dos leitores neste domingo, a duas semanas do pleito.
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A CNBB virou comitê central de campanha?
por Emílio Carlos Rodriguez Lopez*
À Dom Luciano Mendes de Almeida, o amigo verdadeiro dos pobres.
 
Durante cinco anos fui coordenador do projeto de formação política e comunicação da região Leste 1. Na década de 80, ajudei na campanha de Plínio de Arruda Sampaio a deputado federal e a governador, participei da campanha de Chico Whitacker para vereador e do Plenário Pro Participação Popular na Constituinte e na campanha contra a revisão da Constituição. Também fui um dos coordenadores da Juventude Universitária Católica.
Tenho dois filhos lindos consagrados à Nossa Senhora de Fátima e agradeço a intercessão de Nossa Senhora Aparecida por salvar a vida da minha filha, que com sete dias de existência passou por uma cirurgia cardíaca e mais quarenta e cinco dias na UTI. Por tudo isso e, ainda amar a vida, sempre fui contra o aborto.
Nos últimos tempos, estou assistindo atônito e envergonhado o apoio ostensivo de bispos paulistas ao candidato à Presidente da República, José Serra. O pretexto de tal apoio seria a posição deste cidadão ser contrário ao aborto e defensor da vida. Oras, mesmo para defender esta causa santa não há a necessidade de tanto alarde e exploração mal intencionada do assunto, visto que os quatro principais candidatos têm posição contrária a esta prática.
Recentemente, a Regional Sul-1 da CNBB lançou um manifesto anti-Dilma, acusando-a de defender o aborto. A complacência da CNBB fez com que setores conservadores usassem a autoridade eclesiástica para cercear o direito ao voto dos católicos e, além dos mais, permitiu que se espalhassem boatos maldosos e caluniosos contra uma pessoa.
Esta campanha foi organizada pela Opus Dei, que funciona como um partido clandestino dentro da Igreja Católica contra o PT e Dilma e a favor de Serra. Esse grupo tem como premissa à defesa da vida. Para eles, a Opus Dei, o ato de viver se resume a nascer. Desse modo, para a Opus Dei reduzir a miséria e melhorar as condições de vida de milhões de brasileiros não é promover a vida. Assim como, para eles, também não é promover a vida dar condições para o povo comer carne e ter emprego.
Esta concepção restrita da defesa da vida esconde a intenção da Opus Dei de usar a religião para fins políticos eleitorais e transformar o altar em local de comício para dominar o Brasil. A Opus Dei é uma organização católica de extrema direita que não aceita pobres entre seus membros e que apoiou a ditadura fascista na Espanha e em muitas outras partes do mundo, inclusive no Brasil. Além dos tentáculos econômicos poderosos que levaram a práticas de lavagem de dinheiro no Banco Ambrosiano – caso da Máfia da P2 -, domina Faculdades na Espanha e tem representantes em diversos veículos da mídia, inclusive da brasileira
Por tudo isso, não é possível tolerar que falsos democratas e amantes de ditaduras façam da defesa da vida um pretexto para atacar da forma mais vil um ser humano, lançando sobre uma mulher um leque de grosserias e inverdades.
Essa cabala, aliás, age como o arcebispo de Recife ao excomungar uma menina de 9 anos de idade que foi violentada e daria luz a uma criança. Ocorre que se tivesse o bebê ela poderia falecer durante o parto, visto que fisicamente não tem condições de ter uma criança. Essa menina que já havia sofrido enorme violência ao ser estuprada foi excomungada pelo religioso, assim como toda a equipe médica. Este drama humano mostra a hipocrisia de uma Igreja mais preocupada em punir do que em amar ao próximo. Se a menina morresse, não seria também atentar contra a vida? Quantas mulheres não passam por essa difícil situação e não encontram uma só palavra de amor. Provavelmente só ouvem rancor e ódio, além de sentir o preconceito.
Quem age contra uma criança excomungando-a também age inquisitoriamente contra uma mulher, cujo único pecado é amar os pobres e querer continuar o trabalho do atual presidente que está gerando a prosperidade para os brasileiros e concretizando a vida em abundância, ou seja, concretizar o ideal bíblico da terra onde corre leite e mel. Isto a Opus Dei, uma organização elitista, voltada para os ricos, não perdoa. Por isso, odeiam tanto o Lula e o PT.
Por último, há uma diferença entre o Cristo que carrego dentro de mim e o desta gente. A Opus Dei e setores elitistas da Igreja são os continuadores dos fariseus, doutores da lei, que segundo Jesus Cristo usavam a religião como arma de dominação sobre os mais pobres. Eles se esquecem que Jesus vivia no meio dos mais pobres e humildes, nasceu na manjedoura e não em berço de ouro. Por que será que um simples pescador foi o sucessor de Cristo? E não se esqueçam de que as mulheres, as mais oprimidas naquele tempo, ficaram com Jesus até o fim, entre elas estava uma prostituta, Maria Madalena. Ah, não foram os sumos sacerdotes e os fariseus que condenaram Jesus a morrer na cruz?
Enfim, coberto de cinzas, para expressar a minha vergonha como católico praticante, pergunto que religião é esta que semeia o ódio e não o amor, como manda Jesus?
Observação:  
Se quiserem me excomungar, como ameaçou o padre da Canção Nova (ele pensa que estamos na Idade Média), excomunguem. Ao menos, saberei que estou seguindo os passos de outros santos, como São Francisco que sofreu processo de heresia pelo Papado na Idade Média, por pedir uma Igreja simples e despojada de bens materiais. 

P.S. - Participo de movimentos na Igreja Católica, desde 1979. Primeiro, na Pastoral de Juventude, onde me tornei coordenador da região Leste 1 da Arquidiocese de São Paulo, na ocasião coordenada por Dom Paulo Evaristo Arns. Lá conheci Dom Luciano Mendes de Almeida e o vi, muitas vezes, ceder a sua cama para um mendigo dormir ou repartir o pão. Este homem foi durante os anos críticos do final da ditadura um exemplo de moderação, o que falta hoje entre os atuais bispos.
*Emílio Carlos Rodriguez Lopez, mestre em História Social pela Universidade de São Paulo
Extraído do Direto da Redação

Video reportagem direto da gráfica que imprimia material ilegal

Vídeo da TV PT revela o esquema de difamação de Dilma promovido por bispo conservador de Guarulhos.


A gráfica imprimia 2 milhões e 100 mil exemplares de um panfleto difamando Dilma e Lula. Segundo entrevistado se falou de até 5o milhões de exemplares. A ele foi pedido 20 milhões, mas ele não pode atender por questões técnicas.


Além de tudo os panfletos estão sendo rodados em papel jornal exclusivo da imprensa escrita por contar com isenção fiscal. Os caras além de usarema agrana dos fiéis na ilegalidade, metem a mão no bolso do contribuiente, do brasileiro que honestamente paga seus impostos, enquanto eles abusam de isenções fiscais.



Enviada por Sérgio Bertoni- TIE - Brasil, às 23:26 16/10/2010, de Curitiba, PR

domingo, 8 de agosto de 2010

Tem moral para censurar o Irã quem silencia diante do genocídio dos palestinos?

Por que não falam do arsenal atômico de Israel com mais de 220 ogivas nucleares?


"A devastação de Gaza pelos israelenses,

contra uma população civil cercada - e

usando bombas, dinheiro e cobertura

diplomática dos EUA - foi tão brutal e

horrenda que mudou para sempre o modo

como o mundo vê o conflito no Oriente Médio"

Glenn Greenwald, blogueiro de Salon.com,

durante o massacre de Gaza, sobre o qual

José Serra não esboçou um só lamento.




Para essas crianças vítimas dos ataques de Israel, Serra silencia. Ao lado, Mordechai Vanunu, físico israelense que documentou o arsenal atômico sionista.

Cearense, fosse fanático do Padre Cícero estaria me impondo uma sova de chicotadas por ter acreditado, nalgumas noites de verão, que José Serra seria uma alternativa aos meus temores sobre os destinos do Brasil.

Não me caberia outra forma de autocrítica porque já não sou mais criança e me considero, ao contrário, razoavelmente informado.

Mas quis este tempo de frescor agradável que o próprio Serra se encarregasse de mostrar-se e as suas entranhas na emblemática demonstração do mais explícito comprometimento com o que há de pior neste mundo hegemonizado por interesses espúrios e ameaçadores.

Hoje, no espelho de um agosto revelador, sou forçado a penitenciar-me para dizer, ainda a tempo e hora, que Serra também é um rendido ao que há de pior na atmosfera e não se peja em repetir os velhos scripts da hipocrisia mais obscurantista.

Sem olhos para o massacre de Gaza

Leva-me a esta deprimente conclusão sua insistência em alardear identificação com os direitos humanos para chacoalhar o relacionamento soberano e lúcido do governo brasileiro com alguns países amaldiçoados pela potência decadente e estigmatizados pela calculista beligerância sionista.

De fato, não há nada mais falso e mais indecente do que essa peroração. Ou terá autoridade para reclamar de qualquer coisa quem silencia ante o genocídio continuado do Estado de Israel contra o povo palestino? Que indignação esboçou Serra naquele 27 de dezembro de 2008, quando centenas de bombas letais israelenses afogaram Gaza numa imensa poça de sangue, deixando um rastro de 1400 mortos, entre tantos, 400 crianças e adolescentes menores de 14 anos?

Ou aos olhos do ex-presidente da UNE os palestinos, que já foram esbulhados em suas terras, já não têm direito sequer a viver no que lhes deixaram de sobra? Nem mesmo no impiedoso ataque a um navio com ajuda humanitária aos famélicos de Gaza no último 31 de maio, quando tropas israelenses fuzilaram 9 voluntários a bordo, o Serra que se jacta de defensor dos direitos humanos deu um único pio.

Catilinária sob encomenda
Não acho que o regime do Irã é intocável. Governos teocráticos, em geral, tendem a misturar políticas de Estado com dogmas religiosos. Mas as críticas que sofre são tergiversadoras e emanam de outra matriz: é a sua pujança - a possibilidade de emergir no Oriente Médio como uma nação forte que assusta e move a campanha orquestrada para abatê-lo, mesmo à custa de uma catástrofe nuclear sem precedentes.

Por que Serra escolheu o Irã para saco de pancadas? Como já disse, não o motiva a catilinária de uma falsa indignação. Investigando melhor, fui ter com as íntimas relações do candidato tucano com o banqueiro Joseph Safra e a malha sionista que controla as finanças daqui e d'além mar. É desse bolsão de poderosos argentários que brota a sua inspiração. Outra fonte não há.

Tanto que o mesmo Serra não deu um pio quando da divulgação das fotos das torturas infligidas pelos norte-americanos aos iraquianos na prisão de Abu Ghraib, nem tampouco chiou contra a utilização da base naval de Guantánamo, em território cubano, que os EUA detêm pela força, como centro de torturas de iraquianos e afegãos.

Combustível para a guerra

E não é para menos. O sionismo anda ouriçado na articulação de uma ofensiva militar contra o Irã, único remédio prescrito por Israel como forma de "evitar um ataque futuro dos Iranianos".

Há uma convergência de intenções entre os militares de Israel e dos Estados Unidos, estes ainda atordoados com a repercussão da crise econômica que está longe de superada. Para ter um suporte a tal agressão, admitida como possível pelo almirante Michael Mullen, chefe do Estado Maior norte-americano, e como próxima pelo general Michael Heiden, ex-diretor da CIA, faz-se necessária indispor os povos dos outros países contra o Irã, valendo-se de todo e qualquer pretexto.

O principal deles é a idéia de que o Irã, com grandes reservas de areias monazíticas, evoluirá inevitavelmente para a produção de sua bomba atômica. Estamos diante de outra hipocrisia grosseira: por que esses críticos nada dizem das 220 ogivas nucleares de Israel, nada falam sobre o arsenal atômico de Dimona, no sul do deserto de Negev?

Em Jerusalém, corre que Israel chamará para si o início de uma ação militar contra o Irã. O ex-chefe da Mossad, Shabtai Shavit, afirmou recentemente que seu país não ficará esperando permissão dos Estados Unidos para atacar as instalações nucleares do Irã. Sobre a intenção de atacar, o governo já consultou até o general reformado Aviam Sela, responsável o ataque aéreo de surpresa contra o reator nuclear iraquiano há 27 anos.

Para os israelenses, o governo Obama não tem pressa de usar sua força militar contra o Irã. "As autoridades dos Estados Unidos preferem conduzir guerra psicológica, a qual bem poderá também ser o começo de uma guerra real".

Em plena campanha eleitoral, José Serra formula seu alinhamento ostensivo e incondicional aos beligerantes de Israel e dos EUA, o que mostra uma espécie de imatura senilidade, na afoiteza típica de quem não tem escrúpulos na caça a toda e qualquer ajuda à sua pretensão obsessiva.

À cata de ajuda financeira

É provável que Serra tenha desbundado de vez ante a constatação de que o sistema financeiro está mais para Dilma do que para ele, conforme constatou Raymond Colitt, da agência britânica Reuters, em correspondência postada de Brasília no último dia 31. Em sua matéria, o analista citou Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados emergentes da Nomura Securities em Nova York, que teria admitido: "O sistema financeiro secretamente prefere a Dilma".

De fato, essa preferência pela continuidade da política econômica de Lula se reflete na minguada arrecadação de grana para a campanha tucana: com R$ 3,6 milhões amealhados até agora, Serra beliscou menos do que Dilma (R$ 11,6 milhões) e que a própria Marina (R$ 4,65 milhões). Menos até que o candidato a governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral (R$ 4,7 milhões).

É muito triste, porém, que, diante de um quadro financeiramente "desfavorável", o candidato do PSDB-DEM-PPS tenha perdido o rebolado e o recato, apelando com acenos de uma política externa ao gosto dos grandes conglomerados bélicos.

Com tal expediente, vai continuar deslizando e fortalecendo a candidata noviça, que tem a seu favor a tendência eleitoralmente conservadora dos brasileiros. E deixando a oposição sem discurso plausível: ao contrário, exibe a tosca imagem de que se comprometeu até a medula com a volta ao passado de um alinhamento automático com os projetos de um Pentágono a serviço da indústria bélica, ainda poderosa na potência decadente. Alinhamento que já não interessa a um país emergente com inevitáveis aspirações internacionais e só serve para miniaturizar a figura de um chefe de Estado.

artigo escrito e distribuído por Pedro Porfírio

sábado, 7 de agosto de 2010

Weisbrot: Serra faz campanha em Washington?

Serra faz campanha em Washington?

Será que Serra deseja realmente que o Brasil compre brigas com todos os seus vizinhos?

MARK WEISBROT*, na Folha de S. Paulo de 6 de agosto de 2010

O que José Serra está tentando fazer? Em sua campanha pela Presidência do Brasil, ele acusou a Bolívia de cumplicidade no tráfico de drogas e criticou Lula por tentar mediar a disputa entre Washington e o Irã, e por recusar (em companhia da maioria dos demais países sul-americanos) reconhecimento ao governo de Honduras, “eleito” sob uma ditadura.

Por algum tempo ele optou por não aderir à campanha internacional de Washington contra a Venezuela, mas agora Serra e seu candidato a vice, Indio da Costa, também adentraram aquele pútrido pântano, alegando que a Venezuela “abriga” as Farc (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas), o principal grupo guerrilheiro que combate o governo da Colômbia.

Que conste: a despeito de uma década de alegações, Washington ainda não conseguiu apresentar publicamente um traço de prova de que o governo de Chávez de fato apoie as Farc.

A única “prova” de que existe em domínio público vem de laptops e outros equipamentos de computação supostamente capturados pelas Forças Armadas colombianas em sua incursão ao território do Equador em março de 2008.

Blogueiros de direita como Reinaldo Azevedo repetem o mito de mídia de que a Interpol teria confirmado a autenticidade desses arquivos supostamente capturados, mas um relatório da Interpol nega enfaticamente essa possibilidade. Tudo que temos é a palavra das Forças Armadas colombianas -organização que sabidamente assassinou centenas de adolescentes inocentes e os vestiu como guerrilheiros.

Será que Serra realmente deseja que o Brasil compre brigas com todos os seus vizinhos a fim de se colocar desafiadoramente do lado errado da história? E isso apenas para se tornar o maior aliado direitista de Washington? Sim, caso Serra não tenha percebido, os Estados Unidos, sob o governo Obama como sob o governo Bush, só têm governos de direita como aliados no hemisfério: Canadá, Panamá, Colômbia, Chile, México. Existe um motivo para isso: a política norte-americana com relação à América Latina não mudou sob Obama.

Mesmo de um ponto de vista puramente maquiavélico -deixando de lado qualquer ideia de fazer da região ou do mundo um lugar melhor-, a estratégia “Serra Palin” faz pouco sentido. O Brasil tinha boas relações com Bush e pode ter boas relações com Obama sem incorrer nessa espécie desonrosa de servidão.

O Brasil não é El Salvador, país cujo governo vive sob chantagem por ameaças de enviar de volta ao seu território os milhares de emigrantes salvadorenhos que vivem nos Estados Unidos. E nem El Salvador tomou a estrada que Serra está percorrendo.

Não é apenas na Venezuela e na Bolívia que os Estados Unidos investem dezenas de milhões de dólares para adquirir influência política. Em 2005, como reportou este jornal, os Estados Unidos bancaram um esforço para mudar a lei brasileira de maneira a reforçar a oposição ao Partido dos Trabalhadores.

Washington tem grande interesse no resultado da eleição deste ano porque procura reverter as mudanças que tornaram a América Latina, no passado o “quintal” dos Estados Unidos, mais independente que nunca em sua história. José Serra está fazendo com que esse interesse cresça a cada dia.

tradução de Paulo Migliacci

*Weisbrot é co-diretor do Centro para Pesquisa Política e Econômica, um think-tank progressista de Washington, colunista do jornal britânico Guardian e da Folha.

extraído do Viomundo

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ser candidato (tucano), é não ter vergonha

Para quem estava reclamando da falta de material de campanha do Serra - não reclamem mais!


enviado por Abel para o Blog do Nassif