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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Deus e o Universo Holográfico

Aos ateus, agnósticos, religiosos e deístas: a renovação permanente do conceito de Deus é preciso

Fernando Soares Campos
por Fernando Soares Campos
 
Uma coisa é a gente acreditar em um fato, outra coisa é acreditar que acredita. Ou ainda: uma coisa é acreditar na realidade que somos obrigados a acreditar, outra coisa é acreditar que acredita nessa realidade.
 
Ainda continuo acreditando que um dos principais motivos para que alguém assuma seu ateísmo é a diversidade de interpretações que as religiões dão para conceitos de céu, inferno e, principalmente, de Deus. Apesar de os ateus em geral garantirem que suas posições ateístas estão baseadas apenas no fato de que não se pode (ou não se consegue) provar a existência de Deus, a meu ver, ateus contestam a existência de Deus não pela aparente impossibilidade de se provar a existência de um criador de todas as coisas visíveis, tangíveis ou imagináveis. A maior parte dos ateus simplesmente se nega, com fundamentada razão, a fazer parte de um “rebanho”, que viria a ser um conjunto de pessoas alienadas, os fanáticos de qualquer ordem.
 
As provas da existência de Deus, que ateus e deístas exigem, precisariam, naturalmente, estar corroboradas pela Ciência. Somente aos fanáticos de qualquer orientação doutrinária, aqueles que se acomodam a uma ditadura dogmática, creem naquilo que não se deve contestar a sua existência, nem mesmo através de uma proposta de representação imaginária. O problema é que a Ciência nem sempre comprova a existência do que ela própria diz existir (ou ter existido). Daí que muitos homens de ciência também se tornam dogmáticos, ou impõem dogmas. E isso ocorre, provavelmente, por mero orgulho próprio.
 
Vejamos, por exemplo, o caso da Teoria do Big Bang, que, por sinal, se desdobra em duas matrizes: a do Big Bang quente e a do frio – ambas permeadas de adendos que tentam corrigir ou complementar as idéias iniciais sobre a origem do universo e a evolução deste.
 
Se a Teoria do Big Bang, naquilo que diz respeito à origem do universo – não, à simples evolução – fosse um fato realmente comprovado, não teria mais um caráter especulativo, não seria mais simples teoria hipotética; mas, sim, um tratado científico incontestável, verdade absoluta que ninguém poderia chamar de absurda. Trata-se, porém, ao focar a origem do universo, de uma teoria probabilística; isso olhada e analisada com muita imaginação, para não dizer “boa vontade”; porque, analisando o conjunto dessa teoria, podemos observar que ela aborda com relativa precisão apenas os aspectos da evolução do universo, mas não encontra resposta plausível para as questões referentes à origem desse universo observável. O capítulo dedicado a explicar a origem do universo é curto e essencialmente metafísico, não é propriamente científico. E não poderia ser de outra forma.
 
Analisando-se essa parte inicial da Teoria do Big Bang, na qual se pretende explicar a origem do universo, podemos perceber que os “métodos científicos” supostamente utilizados não se enquadram nas determinações de uma “metodologia científica”, mas são simplesmente explicáveis por “terminologias científicas”. Porém, nem mesmo a terminologia empregada pode ser considerada eminentemente científica, pois começam falando de um “ponto” (Matemática, geometria), no “nada” (que não pode ser explicado por ciência ou disciplina alguma), ou no “espaço-atemporal” (um possível absurdo geométrico-metafísico, ou mera representação artística); enchem o “ponto no nada” ou no “espaço-atemporal” de partículas subatômicas que teriam vindo do “nada” e explicam suas reações (sem explicar a ação inicial) e combinações aleatórias; sempre usando apenas uma suposta terminologia científica.
 
Pelo visto, estando nós na bifurcação entre criacionismo e evolucionismo, para tomar um desses caminhos, precisamos inevitavelmente criar, metafisicamente, o “elemento” que originou o processo evolutivo. E acredite nele quem tiver imaginação. Creio que foi por isso que Einstein falou: “A imaginação é mais importante que o conhecimento”. Claro que um não prescinde do outro. É compreensível que quanto mais conhecimento, mais possibilidades de imaginação lógica, racional.
 
Acontece que o universo conhecido não é único nem existe em número limitado. Os universos são infinitos... Multiuniverso, ao infinito. Isso é o que imagino (o universo holográfico de que falaremos mais adiante). O problema é que nós, seres humanos, apesar de desejarmos ou acreditarmos na sobrevivência da alma por toda a eternidade, não gostamos muito das ideias de infinito e eternidade... Pensar em infinito e eternidade nos leva, em consequência, a pensar no “nada”. E pensar no “nada” pode nos induzir o pensamento de que nem nós mesmos existimos.
 
Se a gente pensa em espaço infinito, pensa a partir do nosso Eu-objeto, ou seja, sempre concebendo um começo-sem-fim, de nós para o infinito, de forma unidirecional ou mesmo multidirecional.
 
Partindo de nós, tendemos a pensar sob uma visão de macroinfinito, sem conseguirmos assimilar, simultaneamente, a posição simétrica do segmento que parte de nós para o microinfinito (o infinitesimal), pois tudo parte de Nós para o universo conhecido, visível e tangível. Colocamo-nos, por assim dizer, como sendo o centro do universo. E – por que não dizer? – na condição de um deus, ou mesmo, de Deus, o que não é de todo errado (na parte conclusiva deste texto, abordaremos essa questão).
 
Imaginemos, por exemplo, uma estrela (ponto de luz) irradiando em todas as direções. Seus raios percorrendo o espaço, a partir dela para o macroinfinito (macrouniverso). Tentemos imaginar o movimento oposto desses raios, em sentido ao microinfinito (microuniverso, o infinitesimal). Provavelmente, ao imaginar esse movimento retrocedente, a gente para no ponto de luz (a estrela). Eu não estou falando simplesmente de raios simétricos e externos em relação ao ponto de luz, no caso, a estrela. Refiro-me ao sentido interno do ponto de luz, quero dizer que precisamos projetar mentalmente (ou graficamente, talvez numericamente) o sentido do raio indo ao infinito pela via macroinfinita e sua volta ao microinfinito. Ou seja: imaginar que a luz da lâmpada que desligamos “nunca se apagaria”, em nenhum sentido: nem do ponto de iluminação para o macrouniverso, nem desse mesmo ponto para o microuniverso (o infinitesimal). Os raios simétricos levam a luz de sua fonte geradora para o infinito externo, mas aí temos o ponto de partida, o começo, portanto ainda não estamos falando propriamente de infinito (infinito não tem começo nem fim). Estaríamos tratando de um ponto num segmento de reta em direção ao macroinfinito, com suas partes simétricas no mesmo sentido. O que estou querendo é imaginar, por exemplo, a matéria (o universo material) expandindo-se eternamente, ao macroinfinito (macrouniverso), e comprimindo-se eternamente ao microinfinito (microuniverso). Em nenhuma dessas duas hipóteses ela alcançaria o tamanho máximo nem mínimo, ao ponto de se tornar o “tudo” ou o “nada”. Disso podemos deduzir que o “tudo” e o “nada” venham a ser equivalentes; se não, iguais; visto que a representação mental de um ou do outro implica conceituar o infinito.
 
A meu ver, o maior engano do pensamento metafísico dos cientistas que tentam explicar a origem do universo através da Teoria do Big Bang consiste em falar de um suposto “espaço sem tempo”, “espaço-atemporal” equivalente ao “nada”. Creio que o “espaço sem o tempo” só pode ser concebido matematicamente, em geometria, considerando-o apenas uma especulação puramente artística, que não caberia dentro de si a presença, nem ao menos, de um ser imaginário.
 
Quando a gente identifica que a Teoria do Big Bang considera o “espaço sem o tempo” antes da explosão do “átomo primordial”, e somente a partir desse fenômeno teria sido iniciado ao espaço-temporal, e ela solicita do leitor-estudante que tente colocar-se do lado de fora do universo para observar, através da imaginação, o momento da “explosão” e expansão do universo, solicita aí uma posição praticamente impossível até de se imaginar. Porque o “espaço sem tempo” e o “nada” têm, basicamente, a mesma “não-essência”, deles não se encontra qualquer parâmetro possível a uma lógica mesmo que imaginária, exceto a possibilidade de uma visão artística, planificada, como concebemos a imediata tridimensionalidade (altura, largura e profundidade) a que estamos acostumados a “tangenciar” com a alma. Porém, esse “tangenciar” é indissociável de uma intuição mais completa, pois implica sentir, o mais profundamente possível, a quadrimensionalidade einsteiniana.
 
Podemos nos colocar em posição de observador dos aspectos interiores do universo conhecido. A observação exterior desse universo só seria possível através da imaginação caso se considere o espaço e o consequente tempo. (Precisa-se de muita imaginação para colocar-se no “nada”, simplesmente porque não podemos conceber o “nada”.)
 
Como não temos como conceber, de forma ao menos metafísica, o infinito espacial e a eternidade em separados, não podemos assim estabelecer a origem do universo, a partir de qualquer teoria, fazendo malabarismos mentais para idealizar um “espaço sem tempo”, coisa impossível, pois todo espaço pressupõe o desenvolvimento de suas dimensões e consequente tempo para percorrê-las. Mesmo um segmento de reta (espaço unidimensional) evoca o tempo que se necessita para percorrê-la. Daí, podemos ter uma noção conceitual de infinito: Infinito é o espaço que necessita da Eternidade para ser totalmente percorrido. E Eternidade é o tempo necessário para se percorrer o Infinito. São inseparáveis.
 
Se é infinito, qualquer ponto-espacial do Infinito é o seu começo e o seu fim ao mesmo tempo. Se é eterno, qualquer ponto-temporal (ou fração de segundo) da Eternidade é o seu começo e fim simultaneamente. Por isso conseguimos falar em perpetuidade como sendo aquilo que tem começo mas não tem fim, simplesmente porque estabelecemos um começo da infinitude, que é ao mesmo tempo começo e fim. (Perpétuo é aquilo que foi eternizado.) Portanto, se dividirmos o infinito-eterno ao meio, teremos dois infinitos-eternos, visto que, se imaginarmos um ponto, uma reta ou um plano e colocarmos qualquer um deles como representação da imaginária fronteira (espaço-cisão) do infinito-eterno, seria ele começo e fim concomitantemente. Basta que recapitulemos a questão dos raios simétricos que vão simultaneamente em direção ao macroinfinito (ou macrouniverso) e ao microinfinito (ou microuniverso), tendo como ponto de partida essa fronteira imaginária.
 
(Talvez possamos, assim, sentir ou intuir, com maior profundeza, a dimensão espaço-temporal, de acordo com a quadrimensionalidade einsteiniana, mas sem qualquer implicação relativista submetida a conceitos da Mecânica clássica ou probabilística quântica. Apenas captando esta visão e sentimento imediatos de tridimensionalidade (altura, largura e profundidade) indissociada da transcursão do tempo.)
 
O Universo Holográfico
 
Dizem que cientistas do mundo inteiro andam pasmados com a idéia de que viveríamos num universo holográfico – o universo seria um infinito holograma –. Isso realmente tem fundamento.
 
Diante do exemplo da imaginária divisão do infinito-eterno, teorizando que, ao dividir o infinito-eterno, obtemos dois infinitos-eternos, podemos verificar que, se continuarmos dividindo esses infinitos-eternos, em progressão geométrica, obteremos um infinito número de infinitos-eternos. Esta é a característica fundamental do holograma: cada parte contém o todo. O mistério persiste apenas em determinar a fronteira imaginária entre as partes. O que foi feito neste texto: “Portanto, se dividirmos o infinito-eterno ao meio, teremos dois infinitos-eternos, visto que, se imaginarmos um ponto, uma reta ou um plano e colocarmos qualquer um deles como representação da imaginária fronteira (espaço-cisão) do infinito-eterno, seria ele começo e fim concomitantemente. Basta que recapitulemos a questão dos raios simétricos que vão simultaneamente em direção ao macroinfinito (ou macrouniverso) e ao microinfinito (ou microuniverso), tendo como ponto de partida essa fronteira imaginária.” [16º parágrafo]
 
Agora, ao analisarmos a representação gráfica de um holograma, precisamos pensar nele com o sentimento, intuição, de um espaço quadrimensional (sentimento espacial-temporal). Quero dizer: imaginando o movimento a partir de uma das infinitas partes para outra de forma quadrimensional.
 
Temos, então, como imaginar a passagem de uma dimensão cósmica para outra.
 
(Até aqui, minhas explanações e conceitos só se enquadrariam numa visão e sentimento de cunho artístico-geométrico, entretanto os formulei com o propósito que estou de teologar daqui em diante.)
 
O homem à semelhança de Deus
 
Deus não é apenas essencialmente bom, ou o Bem, conforme entendemos essas palavras, ou de acordo com os significados que lhes atribuímos a nosso bel-prazer. Deus está acima do Bem e do Mal. Acontece que, entre nós, quando dizemos que alguém está acima do bem e do mal, queremos dizer que esse alguém é a personificação da arbitrariedade, com as inevitáveis associações ao que é violentamente despótico, atendente a interesses de caprichos pessoais. Porém, em se referindo a Deus como um ser acima do Bem e do Mal, quero dizer que Deus é perfeitamente justo, que a Justiça Divina não se limita a conceitos de bem ou mal, bom ou mau, certo ou errado, de acordo com os nossos interesses imediatos. Deus – não personificado – é a essência da própria Justiça Divina, e esta responde por todas as demais qualificações de Deus: onipresença, onisciência e onipotência. A nossa própria consciência é, por natureza, o repositório da Justiça Divina, entretanto ela é apenas uma entre todas as faculdades humanas em fase evolutiva, tanto que a Psicanálise identifica subsistemas, ou departamentos, da nossa consciência. Porém, mesmo embotada por falsos juízos alicerçados em preconceitos – estes, por sua vez, frutos do nosso desejo individual, coisa muito natural –, essa consciência em evolução pode assimilar que aquilo que para a nossa individualidade é bom ou mau, é o bem ou o mal, o certo ou o errado, pode apresentar-se com sentidos invertidos em outros indivíduos, ou seja, em outras consciências. Isso me parece tão evidente que acredito ser desnecessário expressar qualquer tipo de exemplo.
 
Somos a semelhança de Deus; não, iguais a Ele; apenas semelhantes porque caminhamos para a perfeição. E, graças à perfeição da Justiça Divina, nunca chegaremos lá, jamais seremos iguais a Deus. Ser igual a Deus seria descortinar o infinito (impossível), tendo, por assim dizer, vencido a eternidade (igualmente impossível). Seria o fim, seria a inércia total do processo evolutivo. Ponto final. A morte, no seu mais amplo sentido. Precisamos compreender que o melhor da luta não é a vitória, o melhor de qualquer luta que empreendemos é ela própria, a luta em si. Vida é luta constante, ininterrupta. A vitória representa apenas a dilatação momentânea do prazer, um prêmio fugaz, um orgasmo. Os passos de uma caminhada deveriam ser moderada e continuamente prazerosos. Inclusive os passos aparentemente dados à ré; aparente porque, em todos os sentidos, o movimento nos conduz ao infinito. Se pararmos com intenção de “meditar”, não estaremos propriamente estacionados, o ponto de parada, nesse caso, representa uma caminhada em direção ao microinfinito, ao infinitesimal. Paramos de contemplar o mundo exterior e nos voltamos para dentro de nós mesmos. Mas acho que não devemos, ainda muito jovem, nos enclausurar num mosteiro, numa caverna, ou reclusos no deserto ou no meio da mata, com o propósito de nos tornar ermitões, achando que assim seremos capazes de nos transformar em “sábios” gurus; mesmo que o faça com um computador interligado à internet e mantendo-se em interação ideológica com toda a Humanidade.
 
Já disseram que o homem inteligente aprende com os próprios erros, e o sábio aprende com os erros dos outros. Acontece que ninguém nasce sapiente, mas apenas inteligente, com a inteligência, a faculdade de conhecer, compreender e aprender. Portanto a verdadeira sapiência só pode vir com a vivência, a experiência própria do indivíduo. Sábio, entendo aí um indivíduo com a postura de mero observador, seria apenas aquele que não repete, ou repete o mínimo de vezes, seus próprios erros e, com a consciência de tê-los cometido, consegue identificar, através de processo analógico, os erros que os outros cometeram em áreas distintas às de suas experiências diretas, pessoais; e assim evitá-los, se necessário e possível for.
 
Deus personificado e Deus impessoal
 
O Pai, aquele de quem Jesus falou, é Deus personificado, um ser que já encarnou sob todas as condições em que nós existimos – mesmo que tenha isso ocorrido em outro universo, que não seja este que conhecemos pelas vias dos básicos sentidos humanos –. O Pai e o próprio Jesus têm origem determinada, início, são perpétuos, eternizados. Vivem nos “universos holográficos” de acordo com os seus graus de evolução: a parte do holograma universal em que o Pai se encontra abrange a parte holográfica do Filho, o universo deste envolve os hologramas dos “santos”, dos espíritos relativamente muito evoluídos, até o holograma em que vivemos sob envoltório material denso. O encaixe dos “hologramas universais” é infinito, assim como os deuses personificados também o são; por isso mesmo (por ser infinita), essa personificação de Deus faz de cada parte o Todo, pois o Todo está unificado pelo Deus Impessoal: Causa primária de todas as coisas (realmente infinito e eterno),  que emana da fronteira imaginária das infinitas partes holográficas e habita em toda a parte sob o conceito de Espírito Santo.
Quando Jesus disse “Vós sois deuses”, não estava usando figura de linguagem, fazia referência ao grau de evolução de cada um de nós (hologramas autoconscientes).
 
 Transcrevo a seguir trecho do artigo de minha autoria intitulado “Deus crê em Deus que crê em Deus que crê em Deus...”:
 
“Também o Pai a quem Jesus tantas vezes se referiu não é ‘a causa primária de todas as coisas’, mas, sim, a personificação de Deus, uma entidade em altíssimo grau de evolução, da qual Jesus é assessor direto para as questões referentes à humanidade terrena. ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por mim.’  João, 14 - 6.
 
Quando Jesus afirmou ‘Eu e o Pai somos Um’, ele fazia referência à união entre as criaturas através do Espírito Santo (‘inteligência suprema, causa primária de todas as coisas’), o Deus eterno e infinito [a Justiça Divina], aquilo de que jamais desvendaremos o mistério de sua natureza íntima em toda extensão; do contrário, não seria eterno, infinito.”
 
Onipresença, Onisciência e Onipotência dos deuses em evolução
 
A chave da onisciência e da onipotência está na consciência da nossa relativa onipresença. Relativa inclusive para o Deus personificado Pai, para Deus-Jesus, para todos os deuses-“santos”, deuses-espíritos relativamente bem evoluídos, etc. Os supra-humanos, vivendo sob roupagem de matéria quintessenciada.
 
Ser onipresente, na condição de ser humano, não é poder estar de corpo presente em todos os lugares, também não é a simples ação do fenômeno da ubiqüidade (isso também vale para um deus personificado, em qualquer grau evolutivo, até mesmo o Pai). Ser onipresente, para nós aqui na Terra, é respeitar o nosso semelhante (ou igual), é ter consciência de que não somos apenas indivíduos, mas que fazemos parte da Humanidade. Ser onipresente é ter consciência de que aquilo que faço aqui e agora repercute em todo lugar, sem limite preestabelecido, em todo o universo. É, por assim dizer, o “efeito borboleta” que não pode ser facilmente detectado, mas somente intuído. E as nossas ações, quando praticadas sob essa consciência de onipresença, podem nos imbuir de uma sensação de o quanto somos, igualmente de forma relativa, oniscientes, e, daí, aflorar a sensação de onipotência. Basta agora nos impregnar do sentimento de humildade, concluindo que nossa onipresença, tanto quanto a onisciência e onipotência, é relativa ao estado evolutivo de nossa consciência.
 
Conscientes de onipresença são os africanos, que dizem: “Eu existo porque nós existimos”. E os “civilizados” foram lá ensinar religião a eles. E a nossa filosofia científica também foi lhes dizer: “Penso, logo existo”. Ora, as pedras não pensam, mas elas também existem. Talvez fosse mais racional pensar e dizer: “Penso, logo sei formular conceito de tudo que existe”, mesmo duvidando desses conceitos, ou, de preferência, sempre duvidando mesmo!
 
Penso, logo sei formular conceito de tudo que existe ou provavelmente deve existir, inclusive sobre a existência de Deus.
 
Já foi dito que se a Teoria do Big Bang, naquilo que diz respeito à origem do universo – não, à simples evolução – fosse um fato realmente comprovado, não teria mais um caráter especulativo, não seria mais simples teoria hipotética; mas, sim, um tratado científico incontestável, verdade absoluta que ninguém poderia chamar de absurda. Entretanto, com a “verdade absoluta”, estaríamos hoje trabalhando mecanicamente, apenas para observar os efeitos do Big Bang e preparar a “lavoura” contra ou a favor de tais efeitos. Não precisaríamos de cosmólogos estudando a origem (causa) do universo, mas apenas preocupados com a evolução, os efeitos. Seria um trabalho mecânico, tanto quanto trabalhar como operário numa linha de montagem industrial.
 
Por que o homem de ciência precisa ter fé na Ciência? Porque aquilo que a Ciência ainda não revelou é o que faz ela própria se mover. Não é o que temos cientificamente provado que move a ciência. Os louros das vitórias vão ficando pra trás, e os cheques de Prêmio Nobel muitas vezes são empregados para dar continuidade à luta. Aquilo que a Ciência ainda não conseguiu provar ou alcançar é o que realmente a estimula.
 
Por que precisamos ter fé na existência de Deus? Porque a verdade absoluta (a certeza: conhecimento perfeito e indiscutível) sobre a sua origem e existência faria de nós “deuses perfeitos”, completos, seria o fim, A fé, portanto, não impõe dogmas; pelo contrário, a fé nos conduz à busca da compreensão do que seja Deus, e isso se traduz apenas em atividade intelectual, não em heresia ou ateísmo. E só temos como assimilar, de forma um pouco mais evidente, aquilo que venha a ser Deus Personificado, que se manifesta na nossa consciência em evolução. E devemos simplesmente referenciá-lo com devido respeito, sem necessidade de adoração fanática, respeito que devemos ter uns com os outros, imbuídos da consciência de que “Eu existo porque nós existimos”, Essa é a mesma reverência que devemos a Deus Impessoal, a Justiça Divina, Inteligência Suprema, Causa primária de todas as coisas (Átomo Primordial), o Infinito e o Eterno (infinito-eterno), pois Este também não exige de nós qualquer postura de adoração, mas tão-somente de compreensão intuitiva de sua existêcia, para que nos sintamos, cada vez mais, à sua semelhança.
 
***
 
PS: O filme Matrix só me surpreendeu com uma frase. Foi quando um personagem, observando outro em outra dimensão, falou preocupado: “Ele está começando a acreditar” (mais ou menos isso). Quase caí da cadeira!

domingo, 3 de julho de 2011

Deus crê em Deus que crê em Deus que crê em Deus...

Fernando Soares Campos

Por Fernando Soares Campos

“Por certo são maravilhosas as conquistas da ciência moderna. Contudo, a melhor forma de conhecer os segredos da natureza não é inventar instrumentos, mas sim o investigador aperfeiçoar-se a si mesmo. O homem tem em si faculdades que eliminam a distância, e em grau muito maior do que os mais potentes telescópios e microscópios podem consegui-lo em comparação com o olho nu. Esses sentidos ou faculdades são os meios de investigação usados pelos ocultistas, sendo também por assim dizer, o ‘abre-te Sésamo' na procura da verdade.” (Max Heidel, em “Conceito Rosacruz do Cosmos - ou Cristianismo Místico”, 1909.)

Desde o princípio, quando da aparição do ser humano sobre a Terra, o homem observa atentamente o mundo em que está inserido, inclusive com a curiosidade voltada para si próprio, tentando compreender o princípio de todas as coisas, a origem do universo imediato, tudo aquilo que está ao alcance de nossas vistas e sentidos em geral.

O firmamento, as estrelas, a Lua, o Sol, campos e florestas, as águas em suas diversas concentrações, sejam os mares e oceanos, rios e lagos, nuvens e o fenômeno da chuva, o fogo, as rochas, a imensa variedade de animais e vegetais, tudo isso sempre inquietou a alma humana, despertando-lhe o interesse em identificar e conhecer o começo e o fim do Universo, a origem e o destino da humanidade.

O sentimento da existência de Deus é universal. Em toda a face da Terra, desde tempos remotos, o ser humano professa a crença no Criador de todas as coisas. As formas expressas variam apenas de acordo com a época e o lugar, porém todas convergem para a existência de um ser regente universal, perfeito, justo, onipresente, onisciente e onipotente.

O ateu

Há quem acredite que Deus é fruto da fértil imaginação do ser humano, afirmando que a imagem e predicados divinos teriam sido criados pelo homem com o propósito de explicar o inexplicável, ou transmitir certa noção sobre aquilo que ainda não compreendemos. Para esses, as chamadas leis divinas foram "promulgadas" pelas religiões, a fim de exercerem controle social, refreando as más inclinações humanas.

O fanático

Há os que acreditam num deus à semelhança das imperfeições humanas, um deus capaz de amar, mas também de odiar. Quem de nós não ouviu pregações sobre um deus capaz de se irar ("A ira de Deus!")? Um deus capaz de lançar maldições sobre indivíduos ou coletividades humanas. Esses falam de um deus que ama apenas os bons, os obedientes, e condena os maus, os rebeldes, a penas eternas, sem direito a se redimirem de suas faltas. Um deus com características humanas, mas nem de todos os humanos; pois, nesse caso, existiriam pessoas até mais indulgentes que o próprio Deus: aquelas que se compadecem dos que ainda permitem que seus instintos se sobreponham à razão, praticando delitos contra suas próprias consciências.

Entretanto, ateu ou fanático, ambos têm lá suas razões de assim se comportarem. E podemos supor que tais razões seriam as mesmas para um e para o outro. Eles se distinguiriam apenas pelos caminhos escolhidos.

Em geral, ateu e fanático são o resultado de uma formação ou orientação religiosa distorcida, aquela que prega uma divindade à semelhança das imperfeições humanas. Diante de tal doutrina e em vista da impossibilidade de se identificar signos de lógica que alimente tal raciocínio, o primeiro optou por não acreditar em nada que se reporte a um ser supremo, nega-se a ser criatura. A evolução humana, para ele, é atributo exclusivo da matéria; e a alma, ou espírito, não lhe passa de uma abstração, resultado de processos mentais gerados por funções orgânicas, reflexos de um fenômeno puramente material que se apagaria após a morte do corpo físico. O segundo se deixou dominar pelo medo e aceita, sem qualquer questionamento, os princípios estabelecidos por supostas autoridades religiosas. Permite que os outros pensem por si.

O que ou quem é Deus?

O que distingue as religiões entre si são, basicamente, as interpretações que elas dispõem sobre a origem do Universo e das leis que regem a existência e comportamento dos seres animados e inanimados que compõem o cenário universal. A aceitação de tais interpretações está condicionada ao grau de instrução de cada indivíduo e aos nossos processos de recepção sensorial mais específicos: visão, audição, paladar, tato e olfato, e estão, invariavelmente, atreladas aos interesses imediatos de indivíduos ou de castas. Porém, se analisadas com o espírito despojado de sentimentos inferiores, como, por exemplo, o orgulho ilusório, e de paixões sem reservas, podemos perceber que as divergências interpretativas, na maioria dos credos religiosos, se sustentam apenas na superfície de pretensas filosofias que atendem a objetivos de dominação e consequente proveito por parte dos dominadores. Contudo uma análise um pouco mais aprofundada pode nos revelar que em geral estariam manifestando, basicamente, os mesmos conceitos. "Todos os caminhos levam a Roma", porém existem os mais ou menos curvos, os mais ou menos íngremes, os bem pavimentados e os esburacados, os mais largos e os mais estreitos, enfim, os mais ou menos adequados, os que oferecem maior ou menor risco, mais ou menos esforço...

O Espiritismo, doutrina fundamentada no conjunto de cinco livros que recebe a denominação de Codificação Kardequiana (de Allan Kardec), trata, na obra intitulada Livro dos Espíritos, da definição daquilo que vem a ser Deus, as provas de sua existência e os atributos da divindade. Também desenvolve temas relacionados com a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com o homem, entre outras abordagens. O livro é composto de 1018 perguntas elaboradas por Kardec, e as respostas teriam sido dadas por espíritos que já alcançaram alto grau de evolução moral. A primeira pergunta é: "O que é Deus?", a qual recebeu a seguinte resposta: "Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas".

2 - O que devemos entender por infinito?

- O que não tem começo nem fim; o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito.
3 - Poderíamos dizer que Deus é infinito?

- Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, que é insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência.

A pergunta número quatro se refere a provas da existência de Deus: "Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?" Resposta: "Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá". Segue-se um comentário de Kardec: "Para acreditar em Deus, basta ao homem lançar os olhos sobre as obras da criação. O universo existe, portanto ele tem uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa e admitir que o nada pudesse fazer alguma coisa".

Atributos da Divindade

Ainda extraído do Livro dos Espíritos:
10 - O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?
- Não, falta-lhe, para isso, um sentido.
11 - Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?
- Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.

Comentário de Kardec: "A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições; mas, à medida que o senso moral nele se desenvolve, seu pensamento compreende melhor o fundo das coisas, e ele faz uma idéia de Deus mais justa e mais conforme ao seu entendimento, embora sempre incompleta".

12 - Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter idéia de algumas de suas perfeições?

- Sim, de algumas. O homem as compreende melhor à medida que se eleva acima da matéria. Ele as pressente pelo pensamento.
13 - Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?
- Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo. Mas ficai sabendo bem que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e que a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e sensações, não tem condições de explicar. A razão vos diz, de fato, que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, porque se tivesse uma só de menos, ou que não fosse de um grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Por estar acima de todas as coisas, Ele não pode estar sujeito a qualquer instabilidade e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação possa conceber.

E comenta Kardec: "Deus é eterno. Se Ele tivesse tido um começo teria saído do nada, ou teria sido criado por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade. É imutável; se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o universo não teriam nenhuma estabilidade. É imaterial, ou seja, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria; de outro modo não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria. É único; se houvesse vários deuses, não haveria unidade de desígnios, nem unidade de poder na ordenação do universo. Étodo-poderoso, porque é único. Se não tivesse o soberano poder, haveria alguma coisa mais ou tão poderosa quanto Ele; não teria feito todas as coisas e as que não tivesse feito seriam obras de um outro Deus".           

Personificação de Deus

Inspirado pelos espíritos evoluídos que o acompanharam nos trabalhos da Codificação, Allan Kardec formulou perguntas e teceu comentários às respostas. Observe que Kardec não perguntou "quem é Deus", mas sim "o que é Deus". Ambas as partes concordam que "a pobreza da linguagem dos homens é insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência", conforme afirmaram os espíritos. E concluiu Kardec: "A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições...".

Considerando a pobreza da linguagem humana e a nossa inferioridade intelectual, Jesus, quando entre nós encarnado, se utilizou, em diversas ocasiões, de prático método de comunicação que nos facilitaria compreender melhor as mensagens divinas: a parábola, narrativa alegórica capaz de estabelecer uma comparação entre o comportamento humano e os preceitos morais estabelecidos na nossa consciência desde o momento da criação; mas ainda em estado latente, em função da densa materialidade a que estamos sujeitos.

Porém Jesus não se expressou apenas por figuras de linguagem, ele também empregou o discurso direto, mesmo sabendo que somente muito adiante, quando avançássemos no campo científico e na elevação moral, poderíamos melhor entender algumas de suas declarações, como, por exemplo, quando afirmou: "Vós sois deuses". E acrescentou: "Podeis fazer tudo que faço e muito mais". Com isso, o Mestre de Nazaré evidenciou que aquilo que nos distingue um dos outros, inclusive dele próprio, é o grau de evolução que cada indivíduo haja conquistado.

Também o Pai a quem Jesus tantas vezes se referiu não é "a causa primária de todas as coisas", mas, sim, a personificação de Deus, uma entidade em altíssimo grau de evolução, da qual Jesus é assessor direto para as questões referentes à humanidade terrena. "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por mim."João, 14 - 6.

Quando Jesus afirmou "Eu e o Pai somos Um", ele fazia referência à união entre as criaturas através do Espírito Santo ("inteligência suprema, causa primária de todas as coisas"), o Deus eterno e infinito, do que jamais desvendaremos o mistério de sua natureza íntima em toda extensão; do contrário, não seria eterno, infinito.

Voltemos à pergunta número onze do Livro dos Espíritos: Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?

Resposta: - Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.

Veremos Deus personificado, o Pai a quem Jesus se reporta, pois esse é uma entidade perpétua, como cada um de nós. Perpétuo porque tem um começo, é criatura eternizada, imortal, não tem fim. E aí, diante dele, compreenderemos com relativa clareza "o que é Deus", a Lei Suprema que rege o Universo, eterna, imutável, imaterial e única a "inteligência suprema, causa primária de todas as coisas".

Hierarquia Universal

"Rezam as tradições do mundo espiritual que, na direção de todos os fenômenos do nosso Sistema, existe uma comunidade de espíritos puros e eleitos pelo Senhor Supremo do Universo em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias." (Do livro "A Caminho da Luz", ditado pelo espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier.)

Os sistemas hierárquicos piramidais que se verificam nas organizações das sociedades terrenas são reproduções experimentais fundamentadas em um sistema hierárquico universal. As famílias, as comunidades, as empresas, as cidades, as províncias ou estados e as nações são exemplos de organizações terrenas sob sistemas hierárquicos, cada qual sob o regime que lhe parecer mais adequado, daí o caráter experimental, se comparado ao que ocorre no Universo, onde a hierarquia acontece de forma inalterável, eterna e infinita.

À noite, muitos de nós costumamos contemplar as estrelas e daí afirmar que a Terra é como um grão de areia no deserto ou um cisco de poeira cósmica. "Somos insignificantes em relação ao Universo", afirmam diante da imensidão do firmamento. Porém, durante o dia, quando o Sol brilha impedindo a visão da abóbada celeste a olho nu, essas mesmas pessoas pasmam-se diante da imensidão dos mares, das gigantescas cadeias de montanha, das imensas geleiras das regiões polares, dos enormes desertos, das intensas florestas e de tantas outras grandiosidades geográficas do nosso "minúsculo" planeta. Encantam-se até mesmo diante de algumas obras humanas, tais como as pirâmides egípcias, pontes quilométricas, grandes edifícios, metrópoles...

O que isso tem a ver com hierarquia universal?

É que à noite, quando nos apequenamos diante da infinitude do firmamento, estamos propensos a negar a responsabilidade que nos cabe sobre a manutenção e equilíbrio da Criação Divina. Por isso, em vista de não sermos capazes de expressar nem mesmo uma noção específica do infinito e da eternidade (qualquer tentativa de formularmos uma idéia de infinito e eternidade acaba nos levando ao "nada"), uma angústia oriunda do nosso orgulho de deuses em princípio evolutivo assoma à nossa alma e preferimos acreditar que do nada viemos e ao nada retornaremos. Porém cada novo alvorecer, nos revelando a Terra em todo o seu esplendor, nos desperta para a Realidade, que traz em si os princípios da Verdade.

Quando nos apequenamos diante da imensidão do Universo conhecido, tentando acreditar que a Terra equivale a um insignificante grão de areia no deserto, manifestamos apenas a descrença em Jesus como Filho do Homem, reencarnado entre nós com o propósito de nos salvar do atraso em que nos enredamos.

Cada átomo tem um núcleo, cada organismo tem um comando, cada organização social tem um dirigente, toda nação tem um governante. No universo em geral não é diferente. Os planetas, as estrelas, as constelações, as galáxias, os grupos de galáxias, tudo tem governos definidos, subordinados entre si, organizados através do Sistema Hierárquico Universal. Assim, Jesus governa o planeta Terra e está subordinado diretamente ao Pai, de quem ele tanto falou, que por sua vez governa o Sistema Solar e se reporta ao governador da constelação a que o nosso sistema pertence (Plêiades?).

Na "Oração da Ave Maria", os católicos referem-se a Maria, mãe de Jesus na Terra, como "Santa Maria, mãe de Deus". Não estarão errados se considerarmos que Jesus é o Regente do nosso planeta e na escalada evolutiva está acima, muito além, de todos nós, habitantes do orbe terrestre.  É o Deus personificado para a humanidade terrena.

"Vós sois deuses

Portanto Deus crê em Deus que crê em Deus que crê em Deus... Ao infinito. Eternamente.
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 Leia também do mesmo autor:

O Ser Integral- NovaE
As pedras também amam”, no site do jornal russo Pravda (em português)

domingo, 22 de maio de 2011

A HISTÓRIA DE DEUS


Raul Longo

Raul Longo

Por ocasião da Páscoa prometi a uma amiga que um dia contaria a história de Deus. Depois me considerei muito pretensioso. Mas, observando bem, é só rememorar algumas leituras antigas, consultar informações sobre novas descobertas e com alguma ajuda da internet sempre se encontra novos detalhes para recontar a História desta história.

Importante deixar claro que não se tratará aqui do deus de cada um. Nada de deuses de histórias pessoais nem de igrejas e religiões. É só o Deus da História mesmo.

Na verdade nem se vai falar da Páscoa porque isso de travessia do Mar Vermelho, pragas do Egito e outras histórias que também têm História, sempre acabam incomodando a crença das pessoas e melhor passar ao largo para evitar mal entendido. Se alguém se interessar, depois a gente conta, pois por enquanto vamos ficar só na história do Deus da História.

Pelos mesmos motivos também não tocaremos no assunto do primeiro deus universal que foi deusa. Se alguém pedir, poderemos comentar algumas informações sobre a Grande Mãe, a Ishtar na origem acádia ou a Nanmu dos Sumérios, mas por enquanto a ideia é evitar polêmica e apenas contar a origem da História do Deus masculino e patriarcal.

Há quem imagine impossível contar a história de Deus por acreditar que Deus já existia muitos anos antes dos judeus que se anunciam como seu povo predileto. E é verdade! A mais antiga referência ao povo hebreu data de 1.200 aC, e o primeiro monoteísta viveu muito antes, por volta de 1.350 aC. E chamava-se Amen-hotep.

Amen-hotep foi empossado Faraó pelo pai com apenas 15 anos de idade. Isso dos primogênitos dividirem o trono com os pais era uma medida contra os riscos de golpe nos processos de sucessão do poder ambicionado pelos sacerdotes dos diversos deuses egípcios. Provavelmente por essa razão Amen-hotep, 9º Faraó da 18º dinastia, tomou a providência de inventar Deus.

Não exatamente com esse nome, mas foi o primeiro conceito monoteísta da História da humanidade. Também para Amen-hotep todos os demais deuses, inclusive Amon, o mais poderoso em seu tempo, passaram a ser falsos e só o dele, ao qual chamou de Aton, era o verdadeiro. Tanto que trocou até de nome. De Amen-hotep, que significava “Amon está satisfeito”, mudou Akhenaton, com o significado de “O espírito atuante de Aton”. Fez fechar os templos dos deuses todos, proibiu os cultos e destituiu os sacerdotes sagrando-se como representante exclusivo do deus único: Aton.

Chegou até a construir uma nova capital para o Egito dedicada ao seu deus, mas o culto a Aton não superou o reinado de seu criador e após a morte do Faraó Akhenaton, o poder e o panteão dos deuses egípcios retornou à Tebas.
 
Teriam os Hebreus apreendido sobre Aton durante os longos anos em que foram escravos no Egito?

Impossível! Entre outros motivos porque os egípcios não praticaram a escravatura.

Escravos no Egito só nas histórias, na verdade estórias, de Hollywood e da Bíblia, pois apesar dos egípcios não terem desenvolvido um sistema de escrita, através de hieróglifos e ilustrações documentaram sobejamente os principais acontecimentos e até corriqueiros costumes de sua sociedade.

Egípcio não podia ver uma parede que nela já ia desenhando e pintando algum acontecimento. Não seria nenhum exagero classificá-los como precursores das Histórias em Quadrinhos, pois desenhavam tudo o que acontecia.
 
Reflexologia no Egito antigo
Por exemplo: a reflexologia. Técnica complementar de tratamento de saúde através de pressões com os dedos em pontos e regiões específicas dos pés e das mãos, por muito tempo se acreditou que a reflexologia fosse de origem chinesa, apesar de no século 19 o médico William Fitzgerald ter desenvolvido o que chamou de zonoterapia a partir de observações do mesmo processo empregado pelos índios dos Estados Unidos. No entanto, através de inscrições e ilustrações em uma pirâmide os egiptólogos descobriram que a prática já era comum no tempo dos faraós e, inclusive, aplicada por tratadores negros.

Da mesma forma se descobriu que ser convocado para participar como trabalhador na construção de uma pirâmide, mais do que uma honra era convite para a eternidade, pois os egípcios acreditavam que os escolhidos para construir os túmulos dos Faraós os acompanhariam como súditos, perpetuando a grandeza de sua civilização.

As escavações em torno das pirâmides revelaram que em nenhuma daquelas aldeias de trabalhadores se empregava prisões, senzalas, alojamentos coletivos com dezenas de ocupantes. Possuíam confortáveis casas de banho e grandes tabernas. Inscrições revelaram que aqueles trabalhadores tinham destaque entre as classes populares e eram requestados por mulheres de posição social mais elevada, fazendo crer serem bem remunerados.

Há quase dois séculos o Egito tem sido o país mais detalhadamente pesquisado pela arqueologia, inclusive pela fartura de material iconográfico, mas nunca foi encontrado nenhum registro pictórico ou em hieróglifo sobre algum povo semita que por lá tenha permanecido sob qualquer condição, fosse como escravo ou integrando deliberadamente aquela sociedade que hoje é formada por árabes.

Como semitas, os árabes têm tipo físico bastante diferente dos antigos egípcios que em meados do século 20 de nossa era não perfaziam mais de uma centena de indivíduos remanescentes da antiga etnia que, com seus corpos longilíneos e de negros e escorridos cabelos, muito se assemelham a como se reproduziam nos desenhos das pirâmides e Elizabeth Taylor tentou copiar em Cleópatra.

Cleópatra, apesar de nascida no Egito, era filha de Macedônios, portanto, como grega, seu tipo físico tampouco tinha alguma semelhança com as egípcias. Mesmo Hollywood nunca tendo levado a História a sério, a verdade é que por suas singulares características físicas os últimos remanescentes da etnia dispersos pelo mundo, ainda chamam a atenção onde quer que apareçam. Certamente também atentariam para os semitas que, segundo a história da Bíblia, com eles teriam convivido ao longo de 4 séculos desde que José caiu nas graças do Faraó Apopi I que o teria distinguido com o alto cargo de Adon, correspondente ao de chanceler.
 
Apopi foi um faraó da dinastia dos Hicsos (como os egípcios se referiam àqueles “soberanos estrangeiros”), povo asiático que governou desde 1.640 até cerca de 1.570 aC quando foram expulsos por Amósis. Registros não confirmados de Maneton (sacerdote e historiador egípcio do séc. 3 aC), citados por Flávio Josefo (nome romano do historiador judeu Yosef ben Matityahu do séc. I dC),  afirmaria que após um acordo com o Faraó Amósis, os Hicsos deixaram o Egito com suas famílias e seus bens e foram para a Judéia onde teriam construído Jerusalém. 

Os quase dois séculos de pesquisas arqueológicas e observações de linguistas e historiadores também não revelaram entre os hebreus nenhum resquício de influência da linguagem egípcia, ou outro mínimo detalhe cultural e de costumes, apesar da exuberante civilização egípcia ter influenciado a todos seus vizinhos, promovendo até algumas significativas civilizações como a Minoica. E os Hebreus, que ao longo de toda a história se demonstraram sensíveis aos conhecimentos assimilados em todas as partes do mundo por onde emigraram, dos quatro séculos de Egito nada preservaram?

As influências recebidas de outros povos e mantidas pelos Hebreus se denota já naquela primeira referência na estela do túmulo do Faraó Merenpath, em 1.200 aC. Ao serem indicados, ali, como nômades pastores que se denominavam povo de Israel, se evidencia as profundas influências canaanitas de quando, em seus primórdios, Hebreus conviveram entre os Cananeus.

No próprio relato bíblico da vitória de Jacó sobre o anjo enviado por Deus para lutar contra o patriarca se confirma essa herança quando, após um pacto com Jacó, o Senhor muda seu nome para Israel, adotado por toda a tribo.

Em 1928 um camponês palestino acidentalmente abriu com o arado o que acreditou ser a tampa de uma antiga tumba. Dali se escavou o que se crê como a primeira civilização da antiga região de Canaã que compreendia a Palestina até a Jordânia e parte do Líbano chegando à Síria. Pois o arado do jovem alauíta (especificidade islâmica étnico-religiosa) trouxe a redescoberta de Ugarith, uma das primeiras cidades semitas da História.

Ugarith foi importante cidade portuária entre os séculos 15 a 20 aC e por muito tempo manteve relações diplomáticas com os egípcios dos quais foi aliada contra os hititas. As descobertas em Ugarith confirmaram a passagem do exército do Faraó Merenpath pela região, confirmando a menção sobre a tribo nômade chamada Israel.

O cosmopolitismo de Ugarith desenvolveu grande versatilidade linguística e em duas bibliotecas encontradas em suas ruínas se descobriu que 400 anos antes dos fenícios, que em cerca de 1.050 aC desenvolverem o alfabeto que hoje utilizamos, ali já haviam criado o alfabeto ugarítico que muito ajudou a distinguir inegáveis influências literárias na construção poética e no imaginário místico encontrado no Torá e na Bíblia.

Como todos os demais semitas, os Ugarith cultuavam o deus Baal, mas o tinham como uma espécie de administrador terreno às ordens de um deus mais importante na hierarquia do panteão Ugarith. Esse deus mais cósmico e menos terreno do que Baal era evocado como El.

Com os Ugarith os Hebreus aprenderam a cultuar El que é um dos nomes do deus do Tanah, o Velho Testamento judaico. E as descobertas nas bibliotecas de Ugarith confirmaram a formação da palavra Israel: Sãrâ (a grafia correta é com sinal de agudo no “S” e a pronuncia assemelha-se à ishra) = lutar com... + El = Deus.

Mas foi a decodificação de um sistema de escrita muito anterior à ugarítica que levou a ciência e os pesquisadores aos primórdios da história de Deus, milênios antes do pacto com os Hebreus que eliminou a interferência de Baal que foi relegado a condição de símbolo do mal e, mais tarde, reafirmado pelos cristãos como o diabo.

Esse primeiro sistema de escrita desenvolvido pelo ser humano foi utilizado ao longo de 3 milênios como o único meio literal de documentação de eventos históricos. Daí os Sumérios serem considerados o início da História, pois em argila ainda fresca cunharam seus relatos que depois de cozidos se transformaram em tábuas de cerâmica que se mantém intactas até nossos dias e, após a decodificação da escrita cuneiforme, legíveis.

Anteriores ao período da dispersão linguística indo-européia, os Sumérios eram remanescentes do Neolítico e por isso considerados o elo entre a Pré-História e a História. Mas deles não teríamos qualquer conhecimento nem poderíamos decifrar suas sobreviventes tábuas de argila, se Assírios e Babilônios não os enaltecessem em seus relatos sobre a primeira civilização humana.

Por constituírem uma civilização, atraíram as tribos nômades que subindo pelos desertos atravessavam o chamado corredor palestino e, evitando as tribos aguerridas e mais numerosas que se estabeleciam na região da Anatólia, buscavam os rios e as terras férteis da Mesopotâmia. Ali esses nômades se encantaram com as primeiras grandes evoluções técnicas e culturais que mudaram o rumo da história da humanidade até o dia de hoje, pois além da escrita e do arado os Sumérios também foram os inventores da roda, da cerveja, da matemática, da astronomia e muitos outros pioneirismos que naqueles tempos tinham um significado igual ou maior do que a chegada do homem à Lua.

Apesar de também reconhecidos como os primeiros a desenvolver estudos sobre as reações do organismo humano, evidentemente não faziam ideia dos códigos genéticos que na primeira década deste nosso século 21 dC vêm apontando irrefutáveis indicações sobre as origens de diversos grupos étnicos. Portanto, a única forma de identificarmos povos que como os Sumérios já se extinguiram, é pela estrutura linguística de seus idiomas ou por registros sobre suas características físicas.

Sumérios não era como se chamavam a si mesmos. Num idioma aglutinante onde os morfemas (elementos que compõe uma palavra) se justapunham, diziam-se Sa-gi-ga, ou “povo da cabeça negra”. E à região onde viviam denominavam de Ki-en-gi, “o lugar dos civilizados”.

De quem os Sumérios se autodistinguiam por ter cabeça não negra, julgando-os incivilizados?

Os pesquisadores concluem que a civilização Suméria se originou onde hoje é o Cazaquistão, por volta de 6 mil anos atrás. E é dos Sumérios a autoria do primeiro documento criacionista (em oposição a teoria evolucionista proposta por Darwin no século retrasado) sobre o surgimento da espécie humana.

Com mais de 4 mil anos de antecedência ao Bereshit, ao Tanakh, ou ao Gênesis, os Sumérios diziam que Enki, o mais importante de seus deuses, descera do cimo dos Montes Zagros que separam o Irã do Iraque. Descobertas arqueológicas confirmam que realmente os Sumérios estiveram nas planícies iranianas e acredita-se terem emigrado para a baixa Mesopotâmia, na confluência entre os rios Tigre e o Eufrates, no último período glacial. Próximos à atual Bagdá, hoje invadida pelos Estados Unidos, desenvolveram um povoado chamado Eridu, mas sua mitologia conta que Eridu fora construída por Enki, o deus da vida e da morte, e da sabedoria.

Após trabalhar duro na construção de Eridu, que em Sumério significa “lar distante”, Enki descansou no sétimo dia, segundo as milenares argilas marcadas pela escrita cuneiforme.

Enki desposara sua meia irmã Ninmah, com a qual teve o filho Ningishzidda. A esposa-irmã e o filho de Enki moldaram cópias de si mesmos em barro e depois partiram. Saudoso, Enki deu de seu sangue às esculturas e assim surgiu o primeiro homem e a primeira mulher.

Mais tarde, uma descendente destes primeiros humanos, de nome Adapa, vem a ter de filhos dois gêmeos: K-In e Aba-el.

Conforme o relato das tábuas de argila, entre 4.000 e 4.500 aC, o deus Oannes emergia do Golfo Pérsico para ensinar aos descendentes desses irmãos a escrita, a ciência astronômica, a agricultura, e o hábito de se morar em cidades.

Os descendentes de Aba-el não gostavam dessas lições e preferiam continuar sobrevivendo do que coletavam caçando ou pescando, numa íntima associação com a natureza. Mas os filhos de K-In se aplicaram e foram os que construíram as primeiras cidades Sumerianas e que, de fato, são as mais antigas entre todas as já descobertas pela arqueologia. Um total de 12 cidades-estados, próximas o suficiente para serem avistadas uma das outras, sendo Ur a principal delas, onde muito depois se construiu a Babilônia e mais tarde a Bagdá hoje invadida.

Turquia = Anatólia. À direita da Turquia = Cáucaso e Mar Cáspio. Á direita e ao norte do Cáspio, embora não conste nesse mapa: o Cazaquistão. Entre Arábia Saudita e Turquia, próximo ao Mediterrâneo: o corredor sírio palestino. À direita: a Mesopotâmia (Iraque) e, depois, o Irã (antiga Pérsia).
Seriam esses filhos de Aba-el os incivilizados dos quais os Sumerianos se distinguiam? Mas por que deles também se diferenciam pela cabeça negra?

Por falar em “cabeças”, vêm à lembrança que o termo “caucasiano” foi cunhado etnologicamente pelo filósofo e racista Christoph Meiners (1747 - 1810) que classificava os humanos em dois grupos: os bonitos (de cor clara) e os feios (de cor escura). No século 19, outro alemão, o antropólogo e zoólogo Friedrich Blumenbach, reafirmou a tese de que os europeus teriam surgido no Cáucaso devido a similaridade de feições com os povos daquela região. Na época, estudiosos de craniologia consideraram que metricamente os crânios dos europeus e de alguns povos do norte da África e outros do subcontinente indiano e da Ásia Ocidental, são iguais aos dos povos que viveram no Cáucaso.

Pelo Mar Cáspio, o Cáucaso corresponde aos países da margem oposta ao Cazaquistão, onde teriam se originado os Sumérios. Outra pista nos remete para muito antes, entre 300 mil e 40 mil anos aC, no período Paleolítico, quando esta mesma região foi dominada pelo Homem de Neanderthal.

Três anos antes da publicação de “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, trabalhadores de uma mina de calcário no Vale de Neander, na Alemanha, encontraram um esqueleto que acreditaram como restos de um urso. Logo os paleantropologistas o identificaram como de um humanoide e o classificaram como uma subespécie do Homo Sapiens. Mais tarde aventou-se a hipótese de que o Sapiens teria evoluído daquela espécie, já então catalogada como Homem de Neanderthal. A princípio consideraram que Sapiens e Neanderthal não teriam compartilhado suas existências, no entanto novas descobertas em diversas partes da Europa e do Oriente Próximo evidenciaram contemporaneidade entre as espécies. Ainda assim não se acreditou possível uma coexistência.

Em 1998 uma equipe de estudiosos de escrituras rupestres encontra numa caverna do Vale do Lapedo, próximo a cidade de Leiria em Portugal, o túmulo de uma criança com providências ritualísticas.

Chamado o “Menino de Lapedo”, a análise do DNA deste fóssil bem conservado pelas características geológicas da caverna (calcário) revelou que a criança fora gerada por um cruzamento de um ou uma Sapiens com um ou uma Neanderthalensis.

Por fim, em 7 de maio de 2010, a Revista Science publica um estudo do Projeto Genoma do Neanderthal onde se concluiu que a população branca do mundo contém, sim, indícios claros do cruzamento do Homo Sapiens europeu, ou Cro-Magnon, com o Homem de Neanderthal, ainda que para os analistas o DNA mitocondrial (organela celular) indique que este último não pertença a linhagem humana.

Por observação e analogia com a evolução de outras espécies antropoides sob as mesmas condições climáticas, alguns estudiosos concluem que o frio e a pouca luz das regiões europeias e caucasianas, fez com que o Neanderthalensis desenvolvesse características próprias como cabelos ruivos mais lisos e mais cheios devido a escassez de sol e para possibilitar maior cobertura do rosto e do dorso onde, como em todo o corpo, seus descendentes tem mais pelos do que negros, asiáticos, aborígenes da Oceania e indígenas das Américas. Mas, principalmente a baixa pigmentação clareando a pele, seria uma reação da evolução do Neanderthal para retenção de maior calor da escassa energia solar.

Essas hipóteses talvez não expliquem satisfatoriamente de quem se diferenciavam os Sumérios, ou à que espécie de humanos Enki deu a vida através do seu sangue e à qual o Deus dos judeus inspirou a vida através do Seu sopro. Mas importante observar que o maior contato e convívio dos Sumérios foi com diversas tribos nômades provindas do sul e que ao longo de 3 milênios expressaram profunda admiração pela história, mitologia e cultura daqueles pioneiros da civilização humana, mesmo depois de terem desaparecido.

Assurbanipal, por exemplo, o rei dos assírios, reescreveu em linguagem acadiana e escrita cuneiforme o que hoje é considerado a primeira literatura épica da História da Humanidade: “A Epopeia de Gilgamesh”. Uma das passagens desse épico relata quando um mensageiro avisou a Enki sobre a eminência de um dilúvio. Enki chamou a seu filho Ziusudra e ordenou que construísse uma Arca para se salvar do dilúvio, levando consigo a “Semente da Vida” de tudo o que existia.

Mais tarde Ziusudra foi chamado de Ut-Napist pelos babilônicos em cujas bibliotecas os patriarcas hebreus se inspiraram para desenvolver uma história que, compilada em livro, servisse de orientação aos de sua tribo para que se tornasse um povo, sem se dispersar pelos tantos apelos típicos de uma cidade cosmopolita, como então a grandiosa Babilônia.

Assim, ao personagem da mitologia suméria os hebreus deram o nome de Noé e conferiram a um dos filhos deste Noé o nome de Sem, do qual disseram ter originado todos os daquelas tribos que então ocupavam a Mesopotâmia, batizando-os de semitas.

Mas isso já foi próximo a 560 aC, quando depois de se considerarem os escolhidos de Jeová entre os semitas, relegaram alguns de seus irmãos como descendentes de Cam, irmão de Sem, que, por ter ofendido ao pai, Noé, Jeová desapropria de suas terras: Canaã, e as entrega aos filhos da ira de El dos Ugarith.

A civilização ugarítica desapareceu há muitos milênios, mas a julgar pela História do extermínio dos indígenas das Américas e dos aborígenes da Oceania, pelos 4 séculos de escravidão dos povos de África, os castigos impostos aos transgressores das leis do Islã, as perseguições aos judeus na Europa e, também lá, as torturas e queimas da Inquisição, a matança de hereges protestantes e o terror dos protestantes contra irlandeses católicos; a ira de El é infinita.

Ainda hoje, quando assistimos aos estupros das mulheres afegãs pelas forças da OTAN, as torturas aos homens do Iraque pelo soldados dos EUA/OTAN e o sistemático trucidamento das crianças de Gaza e da Cisjordânia pelos cidadãos e soldados de Israel; concluímos que a ira de Deus é eterna. Mas, na verdade, isso depende da função do deus de cada um.

O Deus do pastor Martin Luther King, por exemplo, tinha bem outra função e as funções dos deuses se diferem de acordo com a história daqueles que os possuem e de seus diferentes interesses.

De toda forma, a História continuará sendo a História. Esta sim única e verdadeira, independente dos interesses de quem quer que seja ou de quem a conte, inclusive os deste contador que se limitam ao compartilhar do pagamento de promessa a uma amiga.