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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

SONEGAÇÃO versus CORRUPÇÃO; os interesses dos EUA e seus cúmplices no Brasil

8/2/2015 -
Enviado por Emilia M. de Morais
Ilustrações: redecastorphoto



Um amigo meu trabalha com lógica matemática e nunca fez política partidária. Diverte-se em fazer contas e delas extrair inferências mínimas; anda tão intrigado com a desinformação reinante, que escreveu o que segue logo abaixo.

Pedi-lhe apenas para me repassar as fontes e, de preferência, que fossem “confiáveis” para os que se presumem bem informados.

Vocês não lerão nada dos “blogues sujos”, simpatizantes do PT ou afins. Essa discussão precisa ser mais objetiva e menos partidária. Sem adjetivos ideológicos vamos aos números e aos substantivos!



Vejam o que ele escreveu, passo a passo

R$ 450 bilhões/ano + R$ 82 bilhões/ano = R$ 532 bilhões/ano é a soma de dois rombos anuais nos cofres públicos brasileiros. A parcela maior corresponde ao custo anual estimado da SONEGAÇÃO fiscal. A parcela menor corresponde ao custo anual estimado da corrupção.

Desses R$ 532 bilhões/ano, R$ 0,2 bilhão/ano ou R$ 200 milhões/ ano corresponde ao escândalo da Petrobrás.

Silêncio de cemitério sobre a diferença de R$ 531,8 bilhões. A classe amorfa dos indignados é descerebrada. É incapaz de comparar números em termos de magnitude. É incapaz de somar. É incapaz de subtrair. É incapaz de figurar proporções. É incapaz de um raciocínio aritmético elementar.

Pelos dados mais atualizados (mais de R$ 500 bilhões de sonegação) a diferença entre os dois índices ainda seria maior. Confiram esta vídeo-entrevista da Folha de São Paulo de 4/8/2014.


Sobre corrupção no Brasil e a histeria midiática

Registre-se ainda:

Notícia (I): R$ 82 bilhões é o custo anual estimado da corrupção no país.
Notícia (II) - algumas continhas mínimas:

Desses R$ 82 bilhões, R$ 0,2 bilhão ou R$ 200 milhões (anual) corresponde ao escândalo da Petrobrás (R$ 2,1 bilhões / 12 anos = 0,175 bilhão/ano. Arredondei o valor pra cima).

Silêncio midiático de cemitério sobre a diferença de R$ 81,8 bilhões.

Confiram essas notícias pelos links da grande mídia (imprensa-empresa venal), a seguir:



Graça Foster
Sobre Graça Foster, inferências impagáveis!

Um mistério em torno da gestão de Graça Foster. Como é que ela conseguiu a tripla façanha de:

(1) ser agraciada com o Distinguished Lifetime Achievement Award da prestigiada Society of Petroleum Engineers;
(2) ter carreado para a Petrobrás o Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations, and Institutions da igualmente prestigiada OTC;
(3) ter conseguido superar a Exxon Mobil no 3.º trimestre de 2014, tornando-se a maior produtora de petróleo do mundo dentre as empresas de capital aberto?

A petezada deve ter aparelhado a SPE e a OTC. Só pode. Ou talvez os comitês que concederam os prêmios são constituídos por bananas. Não há outra explicação.

Links para Graça Foster e a Petrobrás:




In a letter informing Petrobras of the award, the chairman of the Offshore Technology Conference, Edward G. Stokes, emphasized that: “This award provides recognition for Petrobras’ notable, significant and unique achievements and its major contributions to our industry [offshore oil and gas]. The [OTC] selection committee was extremely impressed by the nomination. Petrobras’ achievements in the drilling and production of these challenging reservoirs are world-class. The industry has learned a lot from the information shared by Petrobras about pre-salt in papers and sessions presented at the OTC. We are all benefiting from your success.



Sonegação da Globo versus Corrupção da Petrobrás - o incômodo “empate técnico” das manchetes!

Links das manchetes imprensa-empresa a seguir:




A manchete (1) os jornais da Globo e seus colunistas martelam todos os dias!
A manchete (2) William Bonner, William Waack, Miliram Leitão, Merval Pereira, C. A. Sardenberg jamais noticiaram!

Sobre corrupção vale relembrar o recente e certeiro artigo do empresário Ricardo Semler! O autor de Virando a própria mesa é um tucano de carteirinha, orgulhoso e confesso, e que conhece bem os meandros da política e do poder no Brasil, de longas datas. O que ele nos recordou:

Ver em 21/11/2014, Ricardo Semler - Folha de São Paulo em: Nunca se roubou tão pouco”.

Ives Gandra
Martins
Ele me enviou também uma singela perguntinha que faria ao eminentíssimo jurista, Dr. Ives Gandra Martins:

Caro professor Gandra, que outros nomes e autoridades se enquadrariam na sua teoria do impeachment por omissão culposa? Dilma responderia pela fatia de R$ 0,2 bilhão/ano no caso da Petrobrás. Quantos mais responderiam, seguindo sua linha de raciocínio, pelo granel dos R$ 81,8 bilhões/ano relativo aos casos restantes?

E nem os algoritmos do isento Google lhe escaparam:

Googlômetro: 62.000.000 resultados para “corrupção” (que suga cerca de R$ 82 billhões/ano dos cofres públicos) contra míseros 615.000 resultados para “sonegação” (que suga cerca de R$ 500 bilhões/ano dos cofres públicos).

Por quê? Joguinho para a meninada se divertir.

Enfim, arremato:

Poucos se dão conta de que a atual campanha contra a PETROBRÁS e as grandes empreiteiras brasileiras tem a ver com o B dos BRICS (países que, hoje, ameaçam a hegemonia do dólar) e com a cobiça nacional e internacional pelos TRILHÕES do Pré-sal; assim, não estão compreendendo quase nada do que está se passando no Brasil.

Rodrigo Janot
Poucos se dão conta de que, se corruptos têm de ser punidos, nunca a polícia federal teve autonomia para denunciar e prender tanta gente neste país!

Relembrando Bob Fernandes sobre o pré-sal, agora que Janot foi aos EUA solicitar “ajuda” (???) da ECA - o muito poderoso CADE de lá!

Vinte trilhões e 400 bilhões de reais equivalem a uns 5 PIBs do Brasil. Cinco vezes tudo o que o Brasil produz a cada ano.

Por algo que vale US$ 8 trilhões e 800 bilhões, Estados Unidos, Inglaterra, as chamadas grandes potências fariam, farão qualquer coisa. Assista o vídeo:


terça-feira, 8 de outubro de 2013

A realidade é outra


[*] Adriano Benayon
A presidente da Republica mantém a tradição de muitos predecessores, com discursos aparentemente nacionalistas, enquanto diariamente trata a soberania e o desenvolvimento do País como coisas descartáveis.
2. Ela denunciou o que foi mostrado por Assange e, depois, por Snowden e Greenwald: o governo dos EUA, suas agências e empresas apropriam-se de informações econômicas, estratégicas e até das das pessoas físicas de todos os países sem meios de impedi-lo.
3. A presidenta disse que fará proposta para estabelecer um marco civil multilateral para a governança e uso da internet, em nível mundial, visando a “efetiva proteção dos dados”. Essa proposta não tem chance alguma de ser adotada, mesmo porque os EUA não aceitam regras internacionais que se sobreponham às leis deles.
4. O jornalista Fernando Rodrigues foi ao ponto:
Dilma faria melhor se buscasse equipar o Brasil contra ataques cibernéticos. A presidente faz o oposto. Engavetou um projeto de Política Nacional de Inteligência que cria diretrizes para o Estado brasileiro se prevenir de ações de espionagem. O texto está pronto e parado, no Planalto, desde novembro de 2010.
Paulo Passarinho
5. Em ótimo artigo, “O Discurso e a Prática” Paulo Passarinho, âncora do Faixa Livre da Bandeirante, recorda ter Assange apontado que China, Inglaterra, França, Alemanha e Rússia, entre outros, têm investido pesadamente nessa área estratégica e defende que o Brasil adote sistema de criptografia de tecnologia nacional.
6. Passarinho comenta:
Mas nossa realidade está muito distante dessa possibilidade. Graça Foster, a presidenta da Petrobrás, por exemplo, declarou que a criptografia usada na empresa é de empresas americanas, porque não existem companhias brasileiras que prestem esse tipo de serviço. Snowden denunciou que a criptografia fornecida por empresas privadas norte-americanas é propositalmente falha e têm as chamadas “portas dos fundos”, para que a NSA possa driblar seus códigos e acessar os dados.
7. Pior: após o discurso no palco da ONU, Dilma dirigiu-se a executivos de 300 grandes bancos e empresas transnacionais, em seminário sobre oportunidades de investimento no Brasil, promovido pelo Goldman Sachs, banco líder da oligarquia financeira.
8.Pediu mais investimentos estrangeiros no petróleo e no programa de privatizações de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias etc.. Deseja, inclusive, “a capacidade de gestão” dos estrangeiros.
9. Diz Passarinho:
O show de subserviência aos gringos foi total. Lembrou que “risco jurídico no Brasil não existe”, procurando destacar que “se tem um país que respeita contratos é o Brasil. E disso nos orgulhamos”. É evidente que a presidente não se referia à Constituição, diariamente desrespeitada, especialmente no que tange aos direitos fundamentais dos brasileiros, por exemplo, aos direitos sociais.
10. Faz tempo que Dilma cede aos cartéis mundiais. Consolidou a destruição do Estado, intensificada a partir de Collor, conforme o modelo imposto pelos saqueadores: o Estado desmonta suas estruturas, sucateia sua experiência administrativa e afasta seus quadros competentes.
11. Assim, diz-se que o Estado brasileiro é incapaz de fazer qualquer coisa, e então ele só faz editais para concessões dos serviços e das atividades que lhe competem, um método que custa caríssimo ao País, mas arranja dinheiro, por exemplo, para as campanhas eleitorais.
12. Seria incorreto atribuir a Dilma toda a responsabilidade pelo descalabro a que o Brasil foi empurrado, pois a coisa vem de longe. Acontece, desde janeiro de 1955, através dos favorecimentos propiciados ao capital estrangeiro.
13. Aí foi dada a partida para chegar-se à presente e avassaladora desnacionalização da economia e sua desindustrialização. Também à ascendência do poder econômico estrangeiro nas eleições e na política, envolvendo todos os poderes da República.
14. De certa forma, Dilma segue os passos de Juscelino Kubitschek, que jogou para a plateia, “rompendo com o FMI”, após entregar o mercado brasileiro, a entre outras, à indústria automotora transnacional, até hoje a maior sugadora dos brasileiros.
15. Se as atuais instituições brasileiras e os que as pilotam tivessem compromisso com a Nação, deveriam repudiar as privatizações criminosa e corruptamente realizadas, desde Collor e do notório FHC, em lugar de irem pelo mesmo caminho.
16. Esses crimes, que surripiaram da União e dos Estados patrimônios incalculáveis e avaliáveis, só no imediato, em dezenas de trilhões de reais, e ainda custaram centenas de bilhões de reais, foram “justificados” até por tribunais superiores, apesar das flagrantes ilegalidades, sob a alegação de que a receita dos leilões serviria para reduzir a dívida pública.
Paulo Metri
17. Sim, a mesma dívida que, após a Constituição de 1988, já fez a União despender mais de 11 trilhões de reais, e, ainda assim, cresce sem parar. Sim, a dívida causada pelo modelo da entrega dos mercados às empresas transnacionais.
18. Só que, durante os oito anos da gerência de FHC - auge das privatizações - a dívida mobiliária federal interna cresceu de R$ 65,6 bilhões de reais para R$ 841 bilhões (12,8 vezes).
19. No mesmo período (dezembro de 1994 a dezembro de 2002), a dívida externa foi de US$ 73,6 bilhões para US$ 212 bilhões.
20. Nos oito anos de Lula a dívida mobiliária interna federal subiu para R$ 2,3 trilhões (2,7 vezes) e chegou a R$ 2,8 trilhões após dois anos de Dilma, no final de 2012.
21. Em 2013 o déficit de conta corrente vai para US$ 90 bilhões (em 2012 foi U$ 54,2 bilhões), repetindo o filme de outras crises causadas pelas transferências das transnacionais.
Fernando Siqueira
22. Ora, no exato momento em que o País afunda sob a desnacionalização, o governo quer intensificá-la. A submissão aos diktats do poder mundial manifesta-se agora com o petróleo e obriga os que se interessam pela sobrevivência do País, a lutar para sustar o leilão do campo de Libra, marcado para 21 deste mês.

23. As reservas desse campo (estimadas em 90% do total das reservas provadas do País) dão a medida desse escandaloso leilão, mas não deveriam fazer esquecer outro deste ano, que é imperioso anular: a 13ª rodada, na qual os cartéis internacionais do petróleo adquiriram o grosso dos blocos. Nessa levramam tudo, já que o marco legal dessa rodada é a lei 9.478, da época de FHC, que os governos petistas não se interessaram em revogar.
24. Lula apenas tomou a iniciativa da Lei 12.351/2010, que instituiu regras diferentes só para o pré-sal, embora aquém do que exige o interesse nacional.
25. O Eng. Paulo Metri citou dados da ANP, de 2001, segundo os quais é 65% a média do que cabe aos países exportadores em óleo equivalente, nos contratos de partilha. Venezuela, Colômbia e Noruega exigem retorno próximo a 90%.
26. Já o Eng. Fernando Siqueira mostrou que o edital da ANP determina a partilha em função dos preços no mercado mundial e do volume da produção, não garantindo sequer o suposto mínimo de 41,65% para o País.
Graça Foster
27. Ilustrativa do absurdo do próximo leilão de Libra, foi esta resposta de Graça Foster, presidente da Petrobrás, ao jornal Valor:
Quando se fala em 30% de Libra, fico muito satisfeita. Custa R$ 4,5 bilhões. Mas a Petrobras sabe fazer, conhece cada centímetro desse poço de 6.036 metros de Libra que ela perfurou. (...) o objetivo do governo é levar recursos para educação ...
28. Foster confirma o óbvio, pois a Petrobrás descobriu o campo e já extraiu óleo do pré-sal. Ora, país nenhum leiloa áreas cujo potencial de produção já é conhecido. Os 30% que cabem à Petrobrás são determinados pela Lei 12.351, operadora necessária. Assim, as estrangeiras levam petróleo sem trabalhar.
29. Confessando que o objetivo do governo é financeiro, o absurdo fica maior, pois a produção só se iniciará daqui a anos, nada gerando a curto prazo.
30. As verbas para a educação têm aumentado muito. Porém, são mal aplicadas: grande parte vai para estabelecimentos privados, a maioria dos quais vem sendo adquirida por grupos estrangeiros.
31. Além disso, não há necessidade alguma de captar os recursos do bônus (15 bilhões de dólares), uma migalha diante do serviço da dívida programado para 2014: 1,2 trilhão de reais.
32. Para melhorar as finanças públicas, basta diminuir os juros dos títulos do Tesouro. Dois pontos percentuais de redução nas taxas representam, em apenas um ano, muito mais que os 35 bilhões reais do bônus do petróleo, que é só um empréstimo oneroso: o dinheiro só entra uma vez e depois vai saindo.
33. A exploração do petróleo por companhias estrangeiras não cria elos positivos para a economia, já que elas não contratam empresas nem técnicos brasileiros para os equipamentos e serviços de exploração.
34. Não só o óleo, mas também o grosso dos ganhos vai para o exterior, o que torna pequeno o reinvestimento em capital fixo no País, que perde também a oportunidade de desenvolver mais tecnologia na área.
35. A abundância de divisas com a exportação dá enorme poder financeiro às companhias exploradoras, incrementando ainda mais fator a desnacionalização e a desindustrialização do País. A valorização da taxa de câmbio incentiva as importações de maior valor agregado Tudo isso significa subdesenvolvimento programado.
36. 
37. Poucos parlamentares tomaram iniciativas contrárias ao leilão de Libra: projeto de decreto-legislativo do senador Requião e mais três; ação popular de parlamentares do PSOL e senador Pedro Simon. Mais de 80 organizações protocolizaram carta no Palácio do Planalto pedindo sustar o leilão. Movimentos sociais acamparam em frente à Petrobrás.
38. Tudo isso é louvável, mas é pouco. Para ter algum resultado, os poderes da República teriam de perceber forte pressão de massa, suficiente para equilibrar as pressões que sofrem permanentemente dos interesses antinacionais.
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[*]Adriano Benayon:Consultor em finanças e em biomassa. Doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Diplomado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, Itamaraty. Diplomata de carreira, postos na Holanda, Paraguai, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e México. Delegado do Brasil em reuniões multilaterais nas áreas econômica e tecnológica. Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal na área de economia. Professor da Universidade de Brasília (Empresas Multinacionais; Sistema Financeiro Internacional; Estado e Desenvolvimento no Brasil). Autor de Globalização versus Desenvolvimento, 2ª ed. Editora Escrituras, São Paulo.