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domingo, 26 de abril de 2015

Como a “Grande Fome” da Irlanda (1845-1849) foi descrita pela mídia-empresa


Negócio que não muda nunca: a mídia-empresa e a “Grande Fome na Irlanda


Mas para o Jornal Nacional, Rede Globo, Brasil 21/4/2015, a tragédia dos migrantes que tentam chegar à Europa NO SÉCULO XXI é ... culpa do “traficante de pessoas”.


23/4/2015, [*] Cahir O'Doherty, Irish Central
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


"Sepultando a Criança"
(quadro de Lilian Lucy Davidson)
Desde que foi aberto ao público, em outubro de 2012, o Museu da Grande Fome, da Universidade Quinnipiac em Hamden, Connecticut, vem expondo a maior coleção de artes visuais, objetos e material impresso relacionados à Grande Fome e à emigração forçada dos irlandeses no século XIX.

Parte da missão do museu é explorar como a crise da Grande Fome foi noticiada para o resto do mundo, e em meses recentes o museu tem convidado autores irlandeses, artistas e professores para falarem sobre o desastre. Os resultados têm sido notáveis.

Em “The Tombs of a Departed Race – Illustrations of Ireland's Great Hunger”, a professora Niamh O'Sullivan produziu um dos relatos mais lúcidos do contexto, da escala e do impacto da Grande Fome, que jamais encontrei.

Niamh O'Sullivan no lançamento de seu ensaio
(foto: James Higgins)
Nas sessenta e uma (61) páginas de seu ensaio, O'Sullivan – professora que escreve sobre o século XIX irlandês e sobre arte e cultura popular irlandesa-americana – examina o modo como jornais impressos e revistas ilustradas daquele século pela primeira vez modelaram nossa compreensão da tragédia que estava em curso no mundo.

Mas as imagens e relatos jornalísticos que O'Sullivan recolheu fazem mais que simplesmente oferecer um relato da calamidade. Também comentam as atitudes sociais e políticas dominantes – e os preconceitos – dos artistas e dos jornalistas ingleses que estavam narrando as condições em campo.

O'Sullivan nos recorda que a Fome não foi resultado de apenas um ano de colheitas ruins, ou de falta de alguns itens da alimentação. Ela escreve:

A Grande Fome tem de ser compreendida como evento que se estende por um século, não apenas por alguns anos – efeito de negligência continuada dos governos e do estado.

Décadas de miséria, salários muito baixos, aluguéis caros e os camponeses irlandeses em perpétuo estado de dependência, subnutridos e sempre à beira da fome. Sem as terras que lhes foram roubadas durante a Conquista, escreve O'Sullivan, “os proprietários e camponeses irlandeses católicos foram empurrados para os charcos [orig. bogs] e declives de montanhas, especialmente no oeste”, onde podiam cultivar a colheita de subsistência que ainda os mantinha vivos: a batata, que nasce abundantemente mesmo em solos pedregosos.

Expulsos para as piores terras e roubados de qualquer possibilidade de prosperarem, os irlandeses foram então culpados pela própria estarrecedora miséria, que muitos colonizadores declaravam “castigo de Deus” e condenação de toda a “raça”. Abundam teorias reconhecidas como científicas para racionalizar o sofrimento daqueles mais pobres, como sintoma e signo de grave inferioridade religiosa e biológica.

 Escultura em Dublin, homenagem aos mortos na Grande Fome
À altura de 1845, 85% da população de 8,7 milhões de irlandeses viviam em mínimas porções de terra, em extrema miséria. Havia, sim, muito de inevitável na tragédia que logo aconteceria, tanto mais chocante quanto permanentemente mal noticiada, amplamente mascarada e ignorada na sua extensão catastrófica.

A seleção do material que O'Sullivan reuniu dá ideia da vastíssima escala do horror e expõe relatos como o seguinte, de 1847:

Transbordamos de desespero; fomos esmagados pelos impostos; sofremos de fome e a pestilência nos cerca. Nossas prisões estão cheias; nossas pobres casas, em ruínas; nossos prédios públicos convertidos em depósitos de doentes (orig. lazar houses, locais onde só as doenças infecciosas prosperam); nossas cidades são campos de mendicância; nossas ruas, necrotérios; os átrios das igrejas, campos de carnificina.

Nosso comércio normal acabou; nosso povo sente-se total ou quase totalmente desmoralizado. A sociedade cai aos pedaços; o egoísmo reina: classe despreza classe; até os mais simples laços de cortesia ou amizade mais próxima jazem rebentados. Pai e filho, proprietário e meeiro, todos se repudiam, ninguém mais coopera. Terror e fome, doença e morte nos afligem, sofrimento horrível, indescritível penúria.

O'Sullivan selecionou cuidadosamente as imagens que ilustram o colapso quase total de todos os laços sociais e familiares, quando a crise afinal – a maior catástrofe demográfica do século XIX na Europa – se instalou.

Bridget O'Donnell e suas duas crianças em 1849 (Grande Fome)
Mas as imagens, como a professora nos lembra, não são relato objetivo. Cada imagem da Grande Fome, escreve ela;

(...) contém componentes que implícita ou explicitamente deixam ver as ideologias quase sempre em confronto dos principais atores.

Em seu estudo, O'Sullivan contextualiza a situação limítrofe em que viviam os pobres irlandeses e que levou à Grande Fome; e examina as atitudes predominantes entre os proprietários de terras e o governo, fazendo-nos ver que cada relato pictórico, cada imagem da Grande Fome, não é retrato fidedigno, mas sempre e só um único ponto de vista, quase sempre ponto de vista bem distanciado, ou tentativa de impor toda a culpa pela miséria sobre os ombros dos mesmos que tinham a vida e futuro ameaçados ali, diante dos próprios olhos.
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[*] Cahir O'Doherty é Editor de Artes e articulista das revistas The Irish Voice e Irish America e do sítio IrishCentral.com. Escreve matérias sobre cultura, política e o patrimônio cultural da América irlandesa já a mais de uma década. O'Doherty é formado pela Yale University e pela University of Ulster.uma década. O'Doherty é formado pela Yale University e pela University of Ulster.

sexta-feira, 27 de março de 2015

VÍDEO: o documentário do DCM sobre o escândalo de sonegação da Globo

Enviado por Substantivu Commune em 26/3/2015

DCM apresenta o documentário sobre o escândalo da sonegação da Globo na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002.

O trabalho é resultado de um crowdfunding. Através da plataforma Catarse, os leitores ajudaram a bancar a série de reportagens assinadas pelo repórter Joaquim de Carvalho. Assista a seguir:


Em resumo: a Rede Globo comprou os direitos e, pela transação, não pagou impostos. Depois, adquiriu esses mesmos direitos da empresa de fachada que criou no Caribe por um preço bem superior.

Mais uma vez, não pagou impostos. É a forma conhecida de remeter ao exterior dinheiro que deveria ter sido contabilizado como lucro no Brasil e, por isso, tributado.

O serviço de inteligência da Receita auditou as contas. Em 2006, chegou-se à conclusão de que a emissora deixou de recolher impostos que, à época, com multa e correção, chegavam a 615 milhões de reais.

O episódio veio à tona em 2013 através do blog O Cafezinho. Uma assessoria de imprensa afirmou que a dívida foi quitada, mas diante de uma campanha que circulou na internet exigindo que o DARF fosse mostrado, a Globo se calou.

O processo sobre a sonegação foi furtado. A autora do furto chegou a ser presa, mas, defendida por um dos mais caros escritórios de advocacia do Brasil, foi colocada em liberdade por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Joaquim mergulhou nos dados da Receita, falou com tributaristas e especialistas e esteve no Rio de Janeiro com profissionais como Miguel do Rosário e Eduardo Goldenberg, que descobriu o paradeiro dos documentos.

Foi até as Ilhas Virgens Britânicas, onde ficava a Empire Investment Goup Ltd., companhia fantasma aberta com o objetivo exclusivo, segundo a Receita, de sonegar. Contamos a história rocambólica da sobrevivência dos papeis no submundo do crime.

O escândalo global foi nossa terceira incursão no mundo do financiamento coletivo. Antes disso tivemos o Diário de Melgaço, sobre o programa Mais Médicos na cidade com IDH mais baixo do Brasil, e o Helicoca, a respeito da apreensão de 445 quilos de pasta base de cocaína no helicóptero do político e empresário Zezé Perrella.

Estamos no momento nos dedicando a esmiuçar o papel da Sabesp e do governo do estado de São Paulo na crise da falta de água.

A investigação de Joaquim sobre a Globo resultou também nesta vídeo-reportagem dirigida por Alice Riff que ora compartilhamos. Agradecemos a todos aqueles que apostaram no jornalismo independente do DCM e colaboraram para o projeto se concretizar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

SONEGAÇÃO versus CORRUPÇÃO; os interesses dos EUA e seus cúmplices no Brasil

8/2/2015 -
Enviado por Emilia M. de Morais
Ilustrações: redecastorphoto



Um amigo meu trabalha com lógica matemática e nunca fez política partidária. Diverte-se em fazer contas e delas extrair inferências mínimas; anda tão intrigado com a desinformação reinante, que escreveu o que segue logo abaixo.

Pedi-lhe apenas para me repassar as fontes e, de preferência, que fossem “confiáveis” para os que se presumem bem informados.

Vocês não lerão nada dos “blogues sujos”, simpatizantes do PT ou afins. Essa discussão precisa ser mais objetiva e menos partidária. Sem adjetivos ideológicos vamos aos números e aos substantivos!



Vejam o que ele escreveu, passo a passo

R$ 450 bilhões/ano + R$ 82 bilhões/ano = R$ 532 bilhões/ano é a soma de dois rombos anuais nos cofres públicos brasileiros. A parcela maior corresponde ao custo anual estimado da SONEGAÇÃO fiscal. A parcela menor corresponde ao custo anual estimado da corrupção.

Desses R$ 532 bilhões/ano, R$ 0,2 bilhão/ano ou R$ 200 milhões/ ano corresponde ao escândalo da Petrobrás.

Silêncio de cemitério sobre a diferença de R$ 531,8 bilhões. A classe amorfa dos indignados é descerebrada. É incapaz de comparar números em termos de magnitude. É incapaz de somar. É incapaz de subtrair. É incapaz de figurar proporções. É incapaz de um raciocínio aritmético elementar.

Pelos dados mais atualizados (mais de R$ 500 bilhões de sonegação) a diferença entre os dois índices ainda seria maior. Confiram esta vídeo-entrevista da Folha de São Paulo de 4/8/2014.


Sobre corrupção no Brasil e a histeria midiática

Registre-se ainda:

Notícia (I): R$ 82 bilhões é o custo anual estimado da corrupção no país.
Notícia (II) - algumas continhas mínimas:

Desses R$ 82 bilhões, R$ 0,2 bilhão ou R$ 200 milhões (anual) corresponde ao escândalo da Petrobrás (R$ 2,1 bilhões / 12 anos = 0,175 bilhão/ano. Arredondei o valor pra cima).

Silêncio midiático de cemitério sobre a diferença de R$ 81,8 bilhões.

Confiram essas notícias pelos links da grande mídia (imprensa-empresa venal), a seguir:



Graça Foster
Sobre Graça Foster, inferências impagáveis!

Um mistério em torno da gestão de Graça Foster. Como é que ela conseguiu a tripla façanha de:

(1) ser agraciada com o Distinguished Lifetime Achievement Award da prestigiada Society of Petroleum Engineers;
(2) ter carreado para a Petrobrás o Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations, and Institutions da igualmente prestigiada OTC;
(3) ter conseguido superar a Exxon Mobil no 3.º trimestre de 2014, tornando-se a maior produtora de petróleo do mundo dentre as empresas de capital aberto?

A petezada deve ter aparelhado a SPE e a OTC. Só pode. Ou talvez os comitês que concederam os prêmios são constituídos por bananas. Não há outra explicação.

Links para Graça Foster e a Petrobrás:




In a letter informing Petrobras of the award, the chairman of the Offshore Technology Conference, Edward G. Stokes, emphasized that: “This award provides recognition for Petrobras’ notable, significant and unique achievements and its major contributions to our industry [offshore oil and gas]. The [OTC] selection committee was extremely impressed by the nomination. Petrobras’ achievements in the drilling and production of these challenging reservoirs are world-class. The industry has learned a lot from the information shared by Petrobras about pre-salt in papers and sessions presented at the OTC. We are all benefiting from your success.



Sonegação da Globo versus Corrupção da Petrobrás - o incômodo “empate técnico” das manchetes!

Links das manchetes imprensa-empresa a seguir:




A manchete (1) os jornais da Globo e seus colunistas martelam todos os dias!
A manchete (2) William Bonner, William Waack, Miliram Leitão, Merval Pereira, C. A. Sardenberg jamais noticiaram!

Sobre corrupção vale relembrar o recente e certeiro artigo do empresário Ricardo Semler! O autor de Virando a própria mesa é um tucano de carteirinha, orgulhoso e confesso, e que conhece bem os meandros da política e do poder no Brasil, de longas datas. O que ele nos recordou:

Ver em 21/11/2014, Ricardo Semler - Folha de São Paulo em: Nunca se roubou tão pouco”.

Ives Gandra
Martins
Ele me enviou também uma singela perguntinha que faria ao eminentíssimo jurista, Dr. Ives Gandra Martins:

Caro professor Gandra, que outros nomes e autoridades se enquadrariam na sua teoria do impeachment por omissão culposa? Dilma responderia pela fatia de R$ 0,2 bilhão/ano no caso da Petrobrás. Quantos mais responderiam, seguindo sua linha de raciocínio, pelo granel dos R$ 81,8 bilhões/ano relativo aos casos restantes?

E nem os algoritmos do isento Google lhe escaparam:

Googlômetro: 62.000.000 resultados para “corrupção” (que suga cerca de R$ 82 billhões/ano dos cofres públicos) contra míseros 615.000 resultados para “sonegação” (que suga cerca de R$ 500 bilhões/ano dos cofres públicos).

Por quê? Joguinho para a meninada se divertir.

Enfim, arremato:

Poucos se dão conta de que a atual campanha contra a PETROBRÁS e as grandes empreiteiras brasileiras tem a ver com o B dos BRICS (países que, hoje, ameaçam a hegemonia do dólar) e com a cobiça nacional e internacional pelos TRILHÕES do Pré-sal; assim, não estão compreendendo quase nada do que está se passando no Brasil.

Rodrigo Janot
Poucos se dão conta de que, se corruptos têm de ser punidos, nunca a polícia federal teve autonomia para denunciar e prender tanta gente neste país!

Relembrando Bob Fernandes sobre o pré-sal, agora que Janot foi aos EUA solicitar “ajuda” (???) da ECA - o muito poderoso CADE de lá!

Vinte trilhões e 400 bilhões de reais equivalem a uns 5 PIBs do Brasil. Cinco vezes tudo o que o Brasil produz a cada ano.

Por algo que vale US$ 8 trilhões e 800 bilhões, Estados Unidos, Inglaterra, as chamadas grandes potências fariam, farão qualquer coisa. Assista o vídeo:


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Midía conservadora preocupada



Publicado em 06/11/2013 por [*] Mário Augusto Jakobskind

O conservadorismo midiático sofreu uma grande derrota com a decisão da Corte Suprema da Argentina, por seis votos a um, considerando constitucional a legislação sobre os meios de comunicação. O Grupo Clarín, que terá de passar adiante boa parte de seus espaços midiáticos, porque a legislação não permite monopólios no setor, tentava desde 2009 na Justiça tornar sem efeito a lei aprovada pelo Congresso depois de pelo menos três anos de discussão pela sociedade. Agora, a decisão não permite mais recursos.

Poucas horas depois de ser conhecida a decisão final sobre a questão, a Rede Globo reforçou o linchamento midiático dos Kirchner. No editorial do jornal da madrugada, a tônica foi a crítica da composição dos ministros da instância máxima da Justiça argentina. Para os desesperados da Globo, a Corte é subordinada ao governo e grande parte dos integrantes foram nomeados por Nestor e Cristina.

Curioso que quando houve uma proposta no sentido de os ministros serem eleitos, a grita foi geral, ampla e irrestrita. O projeto não seguiu adiante. Na verdade, o esquema conservador, com fortes ramificações nos países latino-americanos, se desespera com o fato da ampliação do debate sobre a questão midiática. Na falta de argumentos investem contra o Executivo, Judiciário e Legislativo.

Os analistas de sempre centraram as baterias sobre a Argentina, mas preferiram não adotar um posicionamento tão crítico em relação ao acontecido na Grã-Bretanha, quando o Conselho Assessor da Rainha, composto por altos funcionários e membros do governo, sancionou o novo regime que contempla a criação de um órgão regulador da mídia e outro ouvidor com poderes ampliados e multas de mais de um milhão de dólares pela violação do código de ética da imprensa.

Os barões midiáticos ingleses ainda tentaram aos 45 minutos do segundo tempo dois recursos judiciais para impedir a aprovação da regulação midiática. Mas como se trata da Inglaterra, os midiáticos conservadores destas bandas preferiam atacar apenas a decisão da Justiça argentina.

Ao esquema de manipulação somou-se o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, em sua coluna de domingo em jornais que não podem ouvir falar em regulação da mídia. Cardoso utilizou argumentos do gênero senso comum ao afirmar que o objetivo era atingir o “grupo independente do Clarín”. O ex-presidente demonstrou com isso que não conhece a matéria e apenas comentou para ficar bem com seus parceiros conservadores.

FHC não é a figura mais abalizada para discorrer sobre meios de comunicação. Em seus dois mandatos era protegido por este mesmo esquema que hoje se insurge com a decisão da Suprema Corte de Justiça da Argentina.

Em outros países da América Latina, como o Equador, Uruguai e Venezuela,  a legislação midiática também foi adaptada para os tempos atuais em que se ampliam os espaços para os setores sociais discriminados nas mídias tradicionais.

O conservadorismo midiático, defendido com unhas e dentes pelo patronato agrupado na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), utiliza argumentos completamente sem sentido para criticar as legislações midiáticas discutidas pela sociedade e aprovadas pelos Parlamentos.

Cultuadores de esquemas de autocensura ao longo do tempo, os grandes proprietários de veículos de comunicação acusam os defensores das novas legislações midiáticas de promoverem a censura, argumento que não resiste a menor análise e é repetido por figuras do quilate de um Fernando Henrique Cardoso, sem um mínimo de credibilidade.

Para a sociedade brasileira, quanto mais se debater a questão midiática, que os barões midiáticas procuram evitar, melhores as possibilidades de mudanças se apresentam. Os fatos estão claros e é preciso separar os conceitos de liberdade de imprensa e liberdade de empresa, este último tão radicalmente defendido pela SIP mas sob o falso argumento de defesa da liberdade de imprensa.

Concomitante a essa discussão, na sede da Força Aérea argentina foram descobertos arquivos de documentos que mostram como o estado ditatorial pressionou os proprietários da empresa de papel jornal – Papel Prensa, que acabou sendo passada para o grupo Clarín. A documentação será submetida a exame rigoroso e isento. E também a Justiça dirá se além do valor histórico o material encontrado servirá em termos jurídicos.

Enquanto isso, no Chile passou praticamente em brancas nuvens por estas bandas a recente decisão do Senado de rejeitar iniciativa do governo de Sebastian Piñera, por 16 votos contra  12, que propunha a introdução da chamada Lei Hinzpeter, que contempla penas severas a quem apareça com os rostos cobertos nas manifestações de rua.

Para a Senadora Isabel Allende, a iniciativa do governo foi rejeitada por ser intolerante e contrária aos direitos humanos, E, além do mais, complementou a Senadora, existe no Chile um Código de Processo Penal que pune as pessoas que cometem delitos de desordem e danos à propriedade privada.

Aqui no Rio de Janeiro, uma Assembleia Legislativa estadual subserviente ao governador Sérgio Cabral aprovou o mesmo tipo de medida rejeitado pelo Senado chileno. Mas o que se podia esperar de um Parlamento estadual dirigido pelo peemedebista Paulo Melo? 
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[*] Mário Augusto Jakobskind – jornalista e escritor. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 16.10.1943. Após ter concluído o curso de História pela Universidade Federal Fluminense, ingressou no jornalismo. Atuou como repórter em diversas redações do Rio de Janeiro, São Paulo, e também do exterior. Em suas atividades jornalísticas foi editor em língua portuguesa da revista Prisma, uma publicação mensal da agência Prensa Latina, correspondente na América Latina da agência de notícias Cono Sur Press, então com sede em Malmö, Suécia, e redator na agência France Presse. Atuou também como repórter da Folha de São Paulo (sucursal no Rio de Janeiro). Foi colaborador de O Pasquim e redator e editor, no Rio de Janeiro, da revista Versus, a primeira publicação de caráter latino-americano publicada no Brasil. E editor de Internacional do jornal Tribuna da Imprensa (Rio), comentarista de política internacional da rádio Rio 1440 AM (Rio), correspondente da rádio Centenario CX 36 - 1250 AM (Montevidéu, Uruguai), colaborador correspondente do jornal La Juventud (Montevidéu, Uruguai), colunista de política internacional da Folha da Praia, do alternativo Bafafá. Além disso, é colaborador de órgãos da imprensa sindical como O Jornalista, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro. Reside no Rio de Janeiro.

sábado, 10 de agosto de 2013

FHC: “Eu não! Eu sou Deus!”

[*] Laerte Braga

charge acordabrasil
Quando o ex-presidente Fernando Henrique diz que “o PSDB não é farinha do mesmo saco”, não estava querendo defender o partido. Isso é o que pode parece à primeira vista. Estava defendendo a si, largando os “amigos” (que não tem, tem cúmplices) na chuva e cuidando de sua própria pele.

É deus, privatizou o mundo em seis dias e depois foi a Camp David passar o sétimo com Bill Clinton onde recebeu a unção pelos serviços prestados.

O que está dizendo é que não o confundam com Serra, com Alckmin, com Aécio, com Álvaro Dias, com Portelinha, Azeredo e toda a corja. Ele não. É deus e está acima do bem e do mal. O que fez não importa se eivado de corrupção, importa que ele é “deus”.

Parênteses.

No caso de Aécio estar no PSDB é falta de vergonha na cara, ou já está num estado de depauperação mental irrecuperável. Tancredo tinha horror de FHC.

charge viomundo
Fernando Henrique percebeu a gravidade do caso do metrô paulista e sente o cheiro da podridão que exala da REDE GLOBO, donde podem surgir segredos aterradores do seu governo, falo da sonegação fiscal de 600 milhões.

A GLOBO sempre foi fétida, só que agora o cheiro está chegando, insuportável, às ruas.

São as duas grandes questões pontuais que vive o País nesse momento e são elas que devem fazer parte de qualquer bandeira de protesto, onde quer que se vá. no território nacional, ao lado das grandes causas, a Constituinte Popular, por exemplo.


Globo e Metrô/CPTM de São Paulo são produtos da podridão e da falência do Estado desde a época da ditadura militar.

Um corpo corroído muito mais pelos corruptores, principais acionistas desse Estado (bancos, grandes empresas, latifúndio, templários evangélicos, que pela corrupção, que é consequência). A bancada evangélica é uma espécie de ordem dos templários da Idade Média, mas caricata; latifúndios são pistoleiros do velho oeste; banqueiros mais grandes empresários são a OPUS DEI).

Propinoduto do PSDB arromba o Cofre Público (Latuff/2013)
O sistema político eleitoral brasileiro permite que os corruptores elejam e mantenham a maioria das casas legislativas, prefeituras, esses adereços desnecessários chamados câmaras municipais, governos estaduais, assembleias e as duas casas legislativas nacionais, uma delas a chamada representação popular, a Câmara dos Deputados e a outra, outro adereço desnecessário, o Senado, representação dos estados de uma federação que não existe exceto no papel.

Nosso sistema judiciário é uma teia de não resolve nada e isso é proposital. Quem vai ter peito de encarar o mea culpa no erro (ou ma fé ou incompetência) do “mensalão?

Todo o arcabouço do Estado brasileiro guarda consigo “preciosidades” do Brasil colônia, do Brasil império e das várias “repúblicas” que tivemos ao longo de nossa História, mas sempre sob o controle das elites econômicas. O caráter democrático,  que é também o caráter humano que deveria prevalecer não existe.

Rede Globo e a sonegação (Saraiva 13)
E aí, entra FHC, como entra o grupo GLOBO, como entram os que compram e se beneficiam do que na verdade é a diferença de classes, que por sua vez nos remete à luta de classes, necessária e fundamental para a construção de um Estado democrático. Aquele em que o trabalhador decide ao invés de ser alvo de gás lacrimogêneo ou gás de pimenta, além da borduna no lombo promovido pela excrescência que são as Policias Militares, “preciosidade” trazida de antanho.

Neste momento temos o que se chama de “condições objetivas” para buscar mudanças estruturais indispensáveis, a não ser que queiramos aceitar o papel de zumbis em função dos interesses dos donos. Não mudanças totais, plenas, mas abrir portas para a construção de um futuro decente.

No Brasil e em quase todos os países, há um problema complicado. Classe média. Come arroz e feijão, deve horrores ao banco, e arrota faisão. Pior, lê VEJA (segundo eles, a melhor revista do mundo em língua portuguesa, mas já bastante decadente) e acha que o JORNAL NACIONAL (com índices de audiência em queda livre) é o ponto de referência da verdade absoluta. E adora trazer seus cães pra defecar pelas ruas...

No caso específico de FHC, um safardana de grande porte, amoral, logo destituído de qualquer principio e que em sua versão fumante de charuto cubano acredita que tudo é obra dele.

charge serranuncamais

E que numa frase, como a que disse, falou para fora uma coisa, falou para dentro outra coisa, até porque se chegarem a ele respingos desse processo do Metrô/CPTM/SP, da GLOBO, o risco de retaliação é imenso. É detentor de segredos desde alcovas a gabinetes escuros e sombrios como aqueles que Drácula usa e não vai ter escrúpulos em esgrimi-los a seu favor.

É característica do amoral.

Foi o que ele quis dizer.

“Eu não! Eu sou Deus!”.

O PSDB não é farinha do mesmo saco só, é um tipo de farinha venenosa e que ao invés de alimentar, mata.
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[*] Laerte Braga é jornalista, trabalhou no Diário Mercantil e no Diário da Tarde de Juiz de Fora, para os Diários Associados e pela agência Meridional (primeira grande agência de notícias do Brasil) e também dos Diários e Emissoras Associadas, tendo sido correspondente do Estado de Minas de Juiz de Fora e Zona da Mata, e também trabalhou como freelancer para revistas e jornais do Brasil e de outros países. Laerte escreve sazonalmente para a redecastorphoto.