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terça-feira, 26 de maio de 2015

EUA - Washington bombardeia o próprio pé

24/5/2015, [*] F. William Engdhal, New Eastern Outlook
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
John Kerry e Sergey Lavrov
São tempos bem tristes em Washington e Wall Street. Aquela única superpotência sem desafiantes, quando do colapso da União Soviética, apenas um quarto de século depois, está perdendo a própria influência global, como se vê hoje; e muito depressa, como a maioria jamais teria previsto há seis meses. O ator chave que catalisou um desafio global contra a pressuposta UP (“única superpotência”) em Washington é Vladimir Putin, Presidente da Rússia.
Esse é o real cenário da surpreendente visita que fez o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, a Sochi, para encontrar-se com o Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. Depois de revistado por Lavrov, Kerry foi levado à sala de Satã em pessoa, Putin.
Longe de alguma tentativa de “reset”, os infelizes estrategistas geopolíticos de Washington tentam desesperadamente encontrar algum meio de pôr de joelhos o Urso Russo.
Rápido flash back até dezembro de 2014 é instrutivo para compreender por que o Secretário de Estado parece estar levando um ramo de oliveira à Rússia de Putin, e bem no atual momento. Em dezembro do ano passado, Washington parecia a ponto de jogar a Rússia à lona, com aquela brilhante tática de sanções financeiras dirigidas a alvos atentamente selecionados, e com o acordo, com a Arábia Saudita, para derrubar os preços do petróleo. Em meados de dezembro, o rublo estava em queda livre na relação com o dólar. Os preços do petróleo também haviam desabado, de US $107, apenas seis meses antes, para os então US$ 45 o barril. Sendo a Rússia fortemente dependente da renda das exportações de petróleo e gás para o custeio do estado, e com as empresas russas carregadas de dívidas em dólares no exterior, a situação, vista do lado de dentro do Kremlin era difícil.
Naquele ponto, o destino, como tantas vezes acontece, interveio de modo inesperado (inesperado, pelo menos, para os arquitetos norte-americanos da estratégia da guerra financeira + colapso do petróleo). O acordo que John Kerry firmara em setembro de 2014 com o já muito gravemente doente rei Abdullah da Arábia Saudita não estava provocando apenas grave sofrimento nas finanças russas. Estava também ameaçando fazer explodir estimados US$ 500 bilhões em “papéis podres” de alto-risco-alto-rendimento, dívidas que a indústria de petróleo de xisto dos EUA havia tomado em bancos de Wall Street ao longo dos últimos cinco anos, para financiar a muito incensada revolução do petróleo de xisto norte-americano, que por alguns dias pusera os EUA à frente da Arábia Saudita como maior produtor de petróleo do mundo.
A estratégia dos EUA sai-lhes pela culatra
O que Kerry não percebeu no seu negócio de vender cavalo manco aos espertos sauditas foi que os monarcas sauditas tinham agenda própria. Desde antes haviam deixado bem claro que não queriam ter seu lugar de primeiro produtor e rei do mercado mundial de petróleo roubado por uma iniciante indústria de petróleo de xisto norte-americana. Até que gostaram de fazer sangrar Rússia e Irã. Mas o objetivo deles era matar e tirar de cena os norte-americanos, rivais deles, sauditas, na guerra do petróleo.
John Kerry e o Rei Abdullah em setembro/2014
Os projetos norte-americanos de xisto foram calculados quando o petróleo custava US$ 100/barril, há menos de um ano. O preço mínimo para que muitas das empresas norte-americanas de xisto escapassem da falência estava entre US$ 65 e US$ 80/barril.
A extração do petróleo de xisto é não convencional e mais cara. Douglas-Westwood, empresa de assessoria no campo de energia, estima que cerca de metade dos projetos de petróleo em desenvolvimento nos EUA só sobrevivem se o petróleo estiver acima de US $120/barril, mínimo indispensável para gerar fluxo positivo de caixa.
Ao final de dezembro, uma série de falências, em cadeia, de empresas do petróleo de xisto esteve perto de detonar novo tsunami financeiro, em momento em que estava longe de resolvida a carnificina da crise dos derivativos em 2007-8. O estouro, mesmo que de apenas uns poucos papéis podres, de empresas de xisto e alta cotação, bastaria para disparar um pânico com efeito dominó no mercado da dívida de US$ 1,9 trilhões em papéis igualmente podres, o que com certeza dispararia novo derretimento financeiro que os super estressados governo dos EUA e a Federal Reserve dificilmente conseguiriam deter. Poderia até levar ao fim do dólar como moeda global de reserva.
Repentinamente, nos primeiros dias de janeiro, lá estava Lagarde, Presidenta do FMI, a elogiar o Banco Central da Rússia pelo modo “bem-sucedido” de enfrentar a crise do rublo. O Gabinete de Terrorismo Financeiro do Tesouro dos EUA suavizou os discursos contra a Rússia. Só o governo Obama mantinha que se tratava da IIIª Guerra Mundial “de sempre” contra Putin. A estratégia dos EUA para o petróleo provocara muito mais danos aos EUA, que à Rússia.
Fracasso da política dos EUA contra a Rússia
E não só isso. A brilhante estratégia de Washington de guerra total contra a Rússia, que começara em novembro de 2013 com o golpe de estado da Praça Maidan em Kiev, em 2015 já era fracasso evidente, manifesto, um super fracasso que está criando para Washington o pior pesadelo geopolítico imaginável.
Longe de reagir como vítima e acovardar-se diante das manobras dos EUA para isolar a Rússia, Putin pôs em andamento uma série de brilhantes iniciativas de economia externa, militares e políticas, que, em abril se acrescentaram ao projeto de uma nova ordem monetária global e a um novo colosso econômico eurasiano, em condições de ofuscar a hegemonia da UP (“única potência”).
Putin atacou as fundações do sistema-dólar dominado pelos EUA e a correspondente ordem mundial global em vários pontos, da Índia ao Brasil, Cuba, Grécia, Turquia. Rússia e China assinaram novos tratados mamutes de energia, graças aos quais a Rússia pôde redirecionar sua estratégia de energia para longe do ocidente. Porque, no ocidente União Europeia (UE) e Ucrânia, ambas sob violenta pressão de Washington, sabotaram os fornecimentos de gás russo para a UE, que tinham de atravessar a Ucrânia. A UE, outra vez sob pressão intensa de Washington, atacou o mais que pôde o projeto da Gazprom para o gasoduto Ramo Sul de gás natural que chegaria ao sul da Europa.
Vladimir Putin fecha acordo com a Turquia
Em vez de se encolher na defensiva, Putin chocou a UE quando, em visita à Turquia e reunido com o Presidente Erdogan, anunciou, dia 1º de dezembro, que havia cancelado todo o projeto da Gazprom para o Ramo Sul. Anunciou que buscaria um acordo com a Turquia, para entregar gás russo na fronteira da Grécia. E que se a UE quisesse gás, ficasse à vontade para financiar ela mesma a construção dos seus próprios gasodutos. Estava desmascarado o blefe da UE. O gás entregue à porta dos europeus ia-se tornando, fantasia dia a dia mais distante.
As sanções da União Europeia contra a Rússia também saíram pela culatra, quando a Rússia retaliou com proibição de alimentos importados, o que empurrou a Rússia de volta à busca da autossuficiência alimentar. E bilhões de contratos ou exportações de empresas alemãs como a Siemens, ou francesas como a Total caíram repentinamente no limbo. A empresa Boeing viu sumirem grandes negócios, quando a Rússia cancelou encomendas importantes. E a Rússia anunciou que passava a recorrer a fornecedores nacionais produtores de componentes críticos para a Defesa.
Na sequência, a Rússia tornou-se membro “asiático” chave do excepcionalmente bem-sucedido novo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII). Esse BAII é iniciativa dos chineses, concebida para financiar seu ambicioso Cinturão Econômico da Nova Rota da Seda, a gigantesca rede de trens de alta velocidade que atravessará a Eurásia até a União Europeia.
Em vez de isolar a Rússia, a política de Washington saiu-lhe espantosamente errada quando, apesar da mais furiosa pressão dos EUA, importantes aliados (Grã-Bretanha, Alemanha, França e Coreia do Sul) correram, todos, a unir-se ao novo BAII.
Além disso, em reunião que tiveram em maio/2015, em Moscou, o Presidente da China, Xi Jinping e Vladimir Putin anunciaram que a infraestrutura da Rota da Seda chinesa será completamente integrada com a União Econômica Eurasiana, da Rússia – o que acrescenta notável impulso ao avanço russo na Eurásia e daí até a China, na região onde vive a maior parte da população mundial.
Em resumo, no momento em que John Kerry recebeu ordens para engolir em seco e voar até Sochi, chapéu na mão, para oferecer algum tipo de cachimbo da paz a Putin, a elite governante dos EUA, os oligarcas norte-americanos, começavam a cair na real.
Falcões hiper agressivos como a neoliberal, Victoria “F*da-se a União Europeia” Nuland do Departamento de Estado, e o Secretário da Defesa, Ash Carter, estavam querendo inventar uma estrutura mundial alternativa, brotada da cabeça deles e dos interesses que se escondem por trás das cabeças deles, que estava pondo sob ameaça existencial todo o sistema-dólar pós-Bretton Woods dominado por Washington. Epa!
Como se não bastasse, ao forçar seus “aliados” europeus a entrar na linha anti-Putin dos EUA – com grave prejuízo para os interesses políticos e econômicos da União Europeia, além do prejuízo a que se exporiam os países europeus que não se integrassem ao boom dos investimentos chineses – os neoliberais de Washington haviam conseguido acelerar também um provável “racha” entre Washington e Alemanha, França e outras potências da Europa Continental.
Por fim, todo o mundo, inclusive anti-Atlanticistas ocidentais, passaram a ver Putin como símbolo da resistência à dominação pelos EUA. Essa percepção já emergira quando da acolhida que a Rússia deu a Snowden, mas firmou-se depois das sanções e bloqueios. Vale lembrar que esse tipo de percepção tem importante papel psicológico na luta geopolítica – a presença de um símbolo (Snowden) dessa natureza – abre novas vias até aqui nunca imaginadas na luta contra a hegemonia.
Por tudo isso, Kerry foi claramente mandado a Sochi para farejar pontos fracos para um renovado futuro ataque. Disse aos bandidos lunáticos que os EUA apoiam em Kiev que se acalmassem e respeitassem os acordos de cessar-fogo de Minsk.
John Kerry e a junta-de-Kiev
A ordem foi um choque para os doidos de Kiev. “Yats”, Arseniy Yatsenyuk, o Primeiro-Ministro que La Nuland pôs no cargo em Kiev, disse à TV francesa que “Sochi definitivamente não é o melhor resort nem o melhor local para bater um papo com Presidente russo e Ministro russo de Relações Exteriores”.
Nesse quadro, a única coisa clara é que Washington parece ter afinal percebido a estupidez que foram suas provocações contra a Rússia, na Ucrânia e globalmente. O que virá na sequência, ainda ninguém sabe. O que se sabe é que o governo Obama recebeu ordens das mais altas instituições dos EUA para mudar completa e absolutamente sua atuação. Nenhuma outra coisa explica a mudança. Se a sanidade conseguirá substituir a insanidade neoliberal fascista na política externa dos EUA, ainda não se sabe.
O que já está claro é que Rússia e China estão absolutamente decididas a não se porem à mercê de uma UP (“única potência”) alucinada e imprevisível. A patética tentativa de Kerry, buscando um segundo “reset” na política dos EUA para a Rússia em Sochi, nesse ponto dos acontecimentos, pouco ajudará Washington. A oligarquia dos EUA, como Shakespeare diz pela boca do seu Hamlet, está sendo “explodida com a própria bomba”, é o bombardeador que se deixa autoexplodir com a própria bomba (HAMLET, Ato 3, cena 4 p. 9.).
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[*] Frederick William Engdahl é jornalista, conferencista e consultor para riscos estratégicos. É graduado em política pelaPrinceton University; autor consagrado e especialista em questõesenergéticas e geopolítica da revista online  New Eastern Outlook.
Nascido em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, é filho de F. William Engdahl e Ruth Aalund (nascida Rishoff). F.W. Engdahl cresceu no Texas, e depois de se formar em engenharia e jurisprudência na Princeton University em 1966 (bacharelado), e pós-graduação em economia comparativa da University of Stockholm 1969-1970. Trabalhou como economista e jornalista free-lance em New York e na Europa. Começou a escrever sobre política do petróleo, com o primeiro choque do petróleo na década de 1970. Tem sido colaborador de longa data do movimento LaRouche.

Seu primeiro livro foi A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, onde discute os papéis de Zbigniew Brzezinski, de George Ball e dos EUA na derrubada do xá do Irã em 1979, que se destinava a manipular os preços do petróleo e impedir a expansão soviética. Engdahl afirma que Brzezinski e Ball usaram o modelo de balcanização do mundo islâmico proposto por Bernard Lewis.Em 2007, completou seu livro Seeds of Destruction: The Hidden Agenda of Genetic Manipulation. Seu último livro foi: Gods of Money: Wall Street and the Death of the American Century (2010).
Engdahl é autor frequente do sítio do Centre for Research on Globalization. É casado desde 1987 e vive há mais de duas décadas perto de Frankfurt am Main, na Alemanha.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Mexico lindo y querido

17/5/2015, Blog de Luís Britto García 
Texto e fotos enviados pelo autor 
Autor: Luís Britto García 

 
 
 
1
 
El sabio artículo 33 de la Constitución Mexicana castiga con deportación al extranjero que intervenga en política interna. Ni modo. No hay latinoamericano digno que pueda sentirse extranjero en el país azteca.

Por igual nos pertenecen sus grandezas y sus caídas. Por el trópico se muere, por México se mata. A poco no lleva más de dos siglos demostrando que tantos millones de almas no hablaremos inglés.


2
 
Lázaro Cárdenas inaugura las nacionalizaciones de nuestras industrias petroleras en 1938. Como Venezuela, aprovecha una coyuntura internacional: la Guerra Mundial.

Lo hizo a lo puro macho. Estados Unidos necesitado de petróleo podía repetir su invasión de 1848. En 2000 los trabajadores de PEMEX intentan una huelga contra el presidente Fox.

Em Venezuela, como en México, la Nómina Mayor aspira a apropiarse de La industria. En México, como en Venezuela planearon subastarla. La caída de los precios de la energía fósil abre un compás de espera. La catástrofe diferida, llamaba el entrañable Carlos Monsiváis al modo de vida mexicano, sin saber que quizá calificaba el nuestro.



3
 
En la Jornada sobre la Revolución Bolivariana y la Construcción Del Socialismo del siglo XXI en Venezuela, en el Estado de Hidalgo, Ana Esther Ceceña explica más diáfano que La Región Más Transparente eso de la agresión contra los países productores de energía.

América Latina tiene el 21% del petróleo del mundo, Venezuela el 17%. Se declara la Guerra Económica contra un país cuando no se lo controla. Contra los países díscolos utiliza Estados Unidos un repertorio de estrategias:
 
1) Congrega a los países dóciles en áreas regidas por tratados que colocan los intereses de las inversiones por encima de la soberanía y los de los grandes capitalistas sobre los de los pequeños, como ocurre mediante los TLC con México, Colombia, Perú, Chile; con su integración en un Eje del Pacífico, y la sujeción a las normas de la OMC y del Banco Mundial.

2) Establece rutas de comunicaciones para la extracción de riquezas y corredores Sur-Norte y Oeste-Este.

3) Militariza territorios para subordinarlos: el año 2000 había 17 bases de los EUA en América Latina; para 2013 existen 39 bases militares fijas y 43 itinerantes. Estados Unidos siembra armas en regiones conflictivas, entrena en su uso a las poblaciones, implanta las drogas en lãs comunidades.

4) Agrede económicamente, mediante el otorgamiento de créditos que devienen impagables, Tratados de Libre Comercio, Fondos Buitre.

5) Destruye las Empresas del Estado, y carga a éste el costo de su reconstrucción, como en Irak.

6) Cambia los patrones alimenticios, para forzar la dependencia de las importaciones.

En resumen, la guerra viene de manera invisible, desde abajo, y desde abajo hay que pelearla.



4
 
¿Cómo se pelea la guerra desde abajo? En el Centro de Investigaciones sobre América Latina y el Caribe (CIALC) de la UNAM, denuncio una vez más que en Estados Unidos hay más de 400 centros de Estudios Latinoamericanos, mientras que en nuestra región apenas diez son dignos de tal nombre. En el Club de Periodistas de México diserto sobre los monopolios de la comunicación, y me regalan su revista Voces, en cuya portada Paul Craig Roberts proclama: “Los periodistas en EUA son prostitutas (ing.: presstitutes) para el gobierno y las corporaciones”.

En el Instituto Panamericano de Geografía e Historia concuerdo con quienes reprueban El nombre de Estados Unidos de México, pero advierto que el emblema Del organismo está trazado con una proyección en la que América del Norte aparece casi de doble tamaño que la del Sur.


5
 
Los primeros pobladores inventaron el maiz. Digo inventaron porque a partir de mazorcas del tamaño de un cigarrillo mediante cruces e hibridaciones crearon los centenares de espléndidas variaciones del cereal. Fue tal su veneración, que se deformaban el cráneo, alargándolo para que pareciera una mazorca. Por el maíz se levantaron imperios y estallaron revoluciones.

El Tratado de Libre Comercio con Estados Unidos dio paso libre a las masivas importaciones del grano desde el Corn Belt, que arruinaron la producción mexicana. Arriba de cinco millones de agricultores arruinados perdieron sus tierras y debieron huir a las ciudades, a sembrar en el asfalto su desamparo.

A dos cuadras del paseo de La Reforma un juglar callejero monta en sus hombros un niño con grandes bombachos rojos bajo los cuales un par de globos fingen unas monstruosas nalgas que se menean o laten como un corazón arrancado. Acurrucados trás un poste almuerzan chucherías importadas envueltas en papel de aluminio.


6
 
Así como la acción oficial permite el paso libre de las mercancias estadounidenses hacia México, la acción extraoficial apaña el libre paso del Cartel del Pacífico hacia Estados Unidos. La Guerra de la Cabra, como llama Luis Villoro a la masacre de la Droga, deja más de 50.000 bajas em cinco años.
 
A comienzos de mayo de 2015 los narcos ultiman una decena de militares y derriban un helicóptero, mientras el PRI y el PRD se enfrentan a trompadas y palos en las calles y convocan luego a suscribir um pacto de civilidad.
 
El presidente Peña Nieto se queja de que los médios estigmatizan al país con el tema de la violencia. En el vestíbulo del Museo de Antropología los artistas plásticos rinden homenaje a los 43 desaparecidos en Ayotzinapa con afiches en los que retratan a las víctimas.
 


7
 
Vitoreo la gran concentración de movimientos sociales en apoyo a La Revolución Bolivariana en Tula, tierra de Gigantes y Pirámides.
 
De regreso a Caracas por las ventanillas del avión me despiden las cimas humeantes del Popocatepetl y del Ixcacihuátl. No se sabe cuándo la Pirámide, secreto emblema del volcán, renunciará a su pausada acumulación de jerarquias para estallar en la erupción revolucionaria.
 
Bienaventurados los movimientos sociales, porque sus bases se convertirán en cumbres.
 

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CONSULTE TAMBIÉN:


DESCARGUE LOS LIBROS DE LUIS BRITTO EN INTERNET:

  1. Rajatabla  
  2. Dictadura Mediática en Venezuela  
  3. La invasión paramilitar: Operación Daktari
  4. Socialismo del Tercer Milênio
  5. La Ciencia: Fundamentos y Método  
  6. El Imperio Contracultural: del Rock a la Postmodernidad
  7. El pensamiento del Libertador: Economía y Sociedad
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[*] Luis Britto García. Caracas, 1940. Narrador, ensayista, dramaturgo, dibujante, explorador submarino, autor de más de 60 títulos. En narrativa destacan Rajatabla (Premio Casa de las Américas 1970) Abrapalabra, (Premio Casa de las Américas 1969) Los fugitivos, Vela de armas, La orgía imaginaria, Pirata, Andanada y Arca. En teatro, La misa del Esclavo (Premio Latinoamericano de Dramaturgia Andrés Bello 1980) El Tirano Aguirre (Premio Municipal de Teatro1975) Venezuela Tuya (Premio de Teatro Juana Sujo en 1971) y La Opera Salsa, con música de Cheo Reyes. Con Me río del mundo obtuvo el Premio de Literatura Humorística Pedro León Zapata. Como ensayista publica La máscara del poder en 1989 y El Imperio contracultural: del Rock a la postmodernidad, en 1990, Elogio del panfleto y de los géneros malditos en el 2000; Investigación de unos medios por encima de toda sospecha (Premio Ezequiel Martínez Estrada 2005), Demonios del Mar: Corsarios y piratas en Venezuela 1528-1727, ganadora del Premio Municipal mención Ensayo 1999. En 2002 recibe el Premio Nacional de Literatura, y en 2010 el Premio Alba Cultural en la mención Letras .

quinta-feira, 19 de março de 2015

Pepe Escobar: Petróleo/bomba atômica: a charada do Oriente Médio

17/3/2015, [*] Pepe EscobarRussia Today – RT
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Arábia Saudita extrai petróleo à noite...
O Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, parece estar começando a gostar do frisson de viver perigosamente na sua “diplomacia”, quando diz que “não se sabe ainda” se EUA e Irã chegarão a algum tipo de acordo nuclear antes do final do mês.

Ouviram-se aplausos retumbantes pelos corredores, de Telavive a Riad.

Com as negociações sendo reiniciadas em Lausanne, fato é que um possível acordo nuclear entre Irã e o P5+1 (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China (dos BRICS) e Alemanha) pode abrir a possibilidade de o petróleo iraniano chegar ao mercado em maiores quantidades – o que fará desabar ainda mais rapidamente o preço do petróleo. No início da semana em curso, o Brent cru estava sendo vendido a US$ 54,26 o barril.

Assumindo-se que as nações da UE que participam do P5+1 realmente concordem até o verão com suspender as sanções da ONU (Rússia e China já concordaram), não apenas o Irã exportará mais energia – pode demorar alguns meses – mas também a OPEP, como um todo, estará aumentando ainda mais a super oferta.

A UE precisa muitíssimo comprar grandes quantidades da energia iraniana – e investir na infraestrutura iraniana. Pequim, membro chave, embora ainda discreto, do P5+1, também observa cuidadosamente esses desenvolvimentos.



Aconteça o que acontecer, ainda é situação de ganha-ganha para a China, com Pequim construindo ativamente suas reservas estratégicas de petróleo, aproveitando-se dos baixos preços. E mesmo que os preços do petróleo permaneçam pressionados pelo forte EUA-dólar – o que torna o petróleo muito mais caro, se você paga com outra moeda – não há aí, com certeza, problema grave para a China, que tem reservas tamanho mamute de EUA-dólares.

A guerra do preço do petróleo desencadeada essencialmente pela Arábia Saudita atingiu muito duramente o Irã. O país está caído, mas nem por isso está fora de jogo. Não há boas opções para Teerã, além de tentar manter sua fatia de mercado, oferecendo os mesmos descontos – especialmente para a Ásia – que os sauditas oferecem.

Teerã está afogada numa tsunami de terríveis sanções ocidentais, que limitam sua possibilidade de exportar petróleo e aumentar a produção. É extremamente difícil para os governos iranianos reduzir o buraco gerado pela diferença entre a renda com que o país podia contar, baseado nos velhos altos preços do petróleo, e a renda com que conta hoje.

Hoje, o nome do jogo entre todos os grandes produtores de petróleo é defender a qualquer custo a própria fatia de mercado. O Irã não pode fugir disso – porque precisa manter controlado, eternamente, o medo de excesso de oferta e o próprio desejo de aumentar a produção. Alguns países produtores de petróleo estão mantendo fora do mercado qualquer aumento que haja no petróleo produzido. O resultado é que o Irã terá sérios problemas para produzir mais e exportar mais, ao mesmo tempo em que tentar recupera a fatia de mercado que tinha antes do início das sanções.

Quer comprar um apê no Oriente Médio?

Ao mesmo tempo em que um tipo de “guerra do petróleo” não declarada continua ainda longe de qualquer solução, o front nuclear promete eventos de embasbacar.

Arábia Saudita extrai petróleo também de dia...
Facções poderosas – mesmo que conflitantes – do “Império do Caos” em Washington alimentam ativamente o sonho de transferir ativos militares dos EUA, do Oriente Médio para a Europa, para manter sempre crescente a pressão sobre a Rússia, sob o pretexto de uma “agressão” contra a Ucrânia.

Pode até acontecer, mas só depois de o “controle” sobre o Oriente Médio estar partilhado entre Turquia, Irã e, em menor extensão, também com a Casa de Saud. Para a notoriamente atrapalhadíssima política exterior de “Não faça merda coisa estúpida” do governo Obama, esse desenvolvimento talvez seja o argumento de fundo por trás do movimento para conseguir, esse verão, um acordo nuclear bem-sucedido entre o P5+1 e o Irã.

O Irã já cultivou – e já viu florir – sua própria esfera de influência. Muito mais complicado é caso Turquia-sauditas.
Bashar al-Assad

Ancara, que vê bem claramente o terrível arranca-rabo em curso pelo poder regional entre Teerã e Riad, cuida de manter boas relações com esses dois lados.

Crucialmente importante, Ancara e Riad estão quase na mesma página do script de “Assad tem de sair”. “Quase” – porque de fato o que se tem é uma aliança Turquia-Qatar pró-Fraternidade Muçulmana, que há quatro anos está em luta direta contra uma Casa de Saud pró-salafistas.

Pelo sim, pelo não, quando o presidente turco, também conhecido como “Sultão” Erdogan, visitou o rei Salman da Arábia Saudita no início de março, a dupla chegou a um entendimento: os dois vão garantir “apoio” super turbinado – armas e todo o resto – para a oposição síria. O único problema é que não há “oposição síria” a quem entregar o “apoio”. Virtualmente todos os personagens capazes de operar uma arma já migraram para o falso Califato do ISIS/ISIL/Daesh.

O que isso significa, em resumo, é cenário de sunitas contra xiitas. Gambito clássico de Divide e Impera que é perene prioridade para a Casa de Saud.

O “Império do Caos”, em teoria, deveria estar gostando. Mas não está. O objetivo – declarado – do governo Obama – é “[dar prioridade] ao Estado Islâmico, não a Assad”.

Mas também isso pode mudar de um momento para outro. O novo Supremo do Pentágono, Ashton Carter, acaba de admitir que:

(...) as forças que treinamos na Síria (...), teremos alguma obrigação de garantir apoio a elas, depois de serem treinadas. Mas aí também se inclui a possibilidade de que, ainda que tenham sido treinadas e equipadas para combater o ISIL, as mesmas tropas entrem em contato com forças do regime Assad.

Erdogan visitou Salman no início de março de 2015
Não surpreende que Damasco esteja desconfiada, e decidida a esperar pelas “ações” dos EUA, antes de qualquer possível negociação com Washington. Um dia, Kerry diz que é necessário conversar com Damasco para pôr fim à guerra na Síria. Dia seguinte, repete que “Assad tem de sair”.

Os rapazes de Osama fazem-se de loucos

Quanto à zona aérea de exclusão sobre o norte da Síria – que Erdogan muito deseja e é o sonho molhado de neoconservadores em Washington – não decolará. Mais uma razão para que Ancara fique à distância dessa nova intentona anti-Irã dos sauditas.

Para complicar ainda mais as coisas, o poder dentro da Casa de Saud permanece difuso. Ambas, a CIA e a BND – inteligência alemã – concordam, e ouvem-se constantes rumores em Washington, segundo os quais a Casa de Saud pode estar por um fio.

A Casa de Saud ainda não compreendeu que a Síria não é a principal “ameaça” contra os sauditas. Os sauditas estão tão pirados por causa da fronteira com o Iraque – como por causa das fronteiras com Iêmen e Bahrain. Como se não bastassem, já compraram briga também contra a Rússia, por causa da guerra dos preços de petróleo. Os sauditas dizem que estão bombeando só 9,5 milhões de barris/dia, dos 12,5 milhões que poderiam bombear; Moscou diz é que, de fato, estão bombeando a capacidade total dos poços.

Se, por um lado, a guerra dos preços do petróleo faz a delícia dos “Masters of the Universe” que só pensam em demonizar a Rússia, aquela guerra ao mesmo tempo os enfurece, porque está detonando a “revolução” do petróleo de xisto dos EUA. O que resta para as massas de trabalhadores norte-americanos desempregados? Procurar emprego na Arábia Saudita ( vídeo abaixo). Mais uma razão para os “Masters of the Universe” jogarem a Casa de Saud para fora do barco, no momento que lhes der na telha.


Como se poderia prever, a paranoia continua a reinar na Casa de Saud. O príncipe Turki, ex-capo di tutti i capi da inteligência saudita (e ex-amigão de Osama bin Laden) está fazendo horas extras culpando o Irã por ser “ator agitador em vários cenários do mundo árabe, como Iêmen, Síria, Iraque, Palestina ou Bahrain”, insistindo que “o inimigo” são Assad e o ISIS/ISIL/Daesh; e por último, mas não menos importante, atacando com fúria qualquer possível acordo nuclear com o Irã.

Ainda mais preocupante é que o rei Salman trouxe a Riad o Primeiro-Ministro do Paquistão Nawaz Sharif – até correu a recebê-lo no aeroporto – para confirmar um acordo estratégico nuclear secreto, chave, antes que aconteça qualquer acordo Irã/P5+1. Resumo: a Casa de Saud já não confia no guarda-chuva nuclear norte-americano. Estão tratando de fazer seu próprio jogo nuclear, com a ajuda do Paquistão nuclear. A conexão existe, mas permanece cercada de mistério extremo.

Nem é necessário elaborar sobre o pântano de consequências terríveis: alguém estaria apostando em wahhabistas doidos e nucleares?
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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: SputinikTom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Adquira seu novo livro, Empire of Chaos, Nimble Books, 2014.