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terça-feira, 26 de maio de 2015

EUA - Washington bombardeia o próprio pé

24/5/2015, [*] F. William Engdhal, New Eastern Outlook
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
John Kerry e Sergey Lavrov
São tempos bem tristes em Washington e Wall Street. Aquela única superpotência sem desafiantes, quando do colapso da União Soviética, apenas um quarto de século depois, está perdendo a própria influência global, como se vê hoje; e muito depressa, como a maioria jamais teria previsto há seis meses. O ator chave que catalisou um desafio global contra a pressuposta UP (“única superpotência”) em Washington é Vladimir Putin, Presidente da Rússia.
Esse é o real cenário da surpreendente visita que fez o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, a Sochi, para encontrar-se com o Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. Depois de revistado por Lavrov, Kerry foi levado à sala de Satã em pessoa, Putin.
Longe de alguma tentativa de “reset”, os infelizes estrategistas geopolíticos de Washington tentam desesperadamente encontrar algum meio de pôr de joelhos o Urso Russo.
Rápido flash back até dezembro de 2014 é instrutivo para compreender por que o Secretário de Estado parece estar levando um ramo de oliveira à Rússia de Putin, e bem no atual momento. Em dezembro do ano passado, Washington parecia a ponto de jogar a Rússia à lona, com aquela brilhante tática de sanções financeiras dirigidas a alvos atentamente selecionados, e com o acordo, com a Arábia Saudita, para derrubar os preços do petróleo. Em meados de dezembro, o rublo estava em queda livre na relação com o dólar. Os preços do petróleo também haviam desabado, de US $107, apenas seis meses antes, para os então US$ 45 o barril. Sendo a Rússia fortemente dependente da renda das exportações de petróleo e gás para o custeio do estado, e com as empresas russas carregadas de dívidas em dólares no exterior, a situação, vista do lado de dentro do Kremlin era difícil.
Naquele ponto, o destino, como tantas vezes acontece, interveio de modo inesperado (inesperado, pelo menos, para os arquitetos norte-americanos da estratégia da guerra financeira + colapso do petróleo). O acordo que John Kerry firmara em setembro de 2014 com o já muito gravemente doente rei Abdullah da Arábia Saudita não estava provocando apenas grave sofrimento nas finanças russas. Estava também ameaçando fazer explodir estimados US$ 500 bilhões em “papéis podres” de alto-risco-alto-rendimento, dívidas que a indústria de petróleo de xisto dos EUA havia tomado em bancos de Wall Street ao longo dos últimos cinco anos, para financiar a muito incensada revolução do petróleo de xisto norte-americano, que por alguns dias pusera os EUA à frente da Arábia Saudita como maior produtor de petróleo do mundo.
A estratégia dos EUA sai-lhes pela culatra
O que Kerry não percebeu no seu negócio de vender cavalo manco aos espertos sauditas foi que os monarcas sauditas tinham agenda própria. Desde antes haviam deixado bem claro que não queriam ter seu lugar de primeiro produtor e rei do mercado mundial de petróleo roubado por uma iniciante indústria de petróleo de xisto norte-americana. Até que gostaram de fazer sangrar Rússia e Irã. Mas o objetivo deles era matar e tirar de cena os norte-americanos, rivais deles, sauditas, na guerra do petróleo.
John Kerry e o Rei Abdullah em setembro/2014
Os projetos norte-americanos de xisto foram calculados quando o petróleo custava US$ 100/barril, há menos de um ano. O preço mínimo para que muitas das empresas norte-americanas de xisto escapassem da falência estava entre US$ 65 e US$ 80/barril.
A extração do petróleo de xisto é não convencional e mais cara. Douglas-Westwood, empresa de assessoria no campo de energia, estima que cerca de metade dos projetos de petróleo em desenvolvimento nos EUA só sobrevivem se o petróleo estiver acima de US $120/barril, mínimo indispensável para gerar fluxo positivo de caixa.
Ao final de dezembro, uma série de falências, em cadeia, de empresas do petróleo de xisto esteve perto de detonar novo tsunami financeiro, em momento em que estava longe de resolvida a carnificina da crise dos derivativos em 2007-8. O estouro, mesmo que de apenas uns poucos papéis podres, de empresas de xisto e alta cotação, bastaria para disparar um pânico com efeito dominó no mercado da dívida de US$ 1,9 trilhões em papéis igualmente podres, o que com certeza dispararia novo derretimento financeiro que os super estressados governo dos EUA e a Federal Reserve dificilmente conseguiriam deter. Poderia até levar ao fim do dólar como moeda global de reserva.
Repentinamente, nos primeiros dias de janeiro, lá estava Lagarde, Presidenta do FMI, a elogiar o Banco Central da Rússia pelo modo “bem-sucedido” de enfrentar a crise do rublo. O Gabinete de Terrorismo Financeiro do Tesouro dos EUA suavizou os discursos contra a Rússia. Só o governo Obama mantinha que se tratava da IIIª Guerra Mundial “de sempre” contra Putin. A estratégia dos EUA para o petróleo provocara muito mais danos aos EUA, que à Rússia.
Fracasso da política dos EUA contra a Rússia
E não só isso. A brilhante estratégia de Washington de guerra total contra a Rússia, que começara em novembro de 2013 com o golpe de estado da Praça Maidan em Kiev, em 2015 já era fracasso evidente, manifesto, um super fracasso que está criando para Washington o pior pesadelo geopolítico imaginável.
Longe de reagir como vítima e acovardar-se diante das manobras dos EUA para isolar a Rússia, Putin pôs em andamento uma série de brilhantes iniciativas de economia externa, militares e políticas, que, em abril se acrescentaram ao projeto de uma nova ordem monetária global e a um novo colosso econômico eurasiano, em condições de ofuscar a hegemonia da UP (“única potência”).
Putin atacou as fundações do sistema-dólar dominado pelos EUA e a correspondente ordem mundial global em vários pontos, da Índia ao Brasil, Cuba, Grécia, Turquia. Rússia e China assinaram novos tratados mamutes de energia, graças aos quais a Rússia pôde redirecionar sua estratégia de energia para longe do ocidente. Porque, no ocidente União Europeia (UE) e Ucrânia, ambas sob violenta pressão de Washington, sabotaram os fornecimentos de gás russo para a UE, que tinham de atravessar a Ucrânia. A UE, outra vez sob pressão intensa de Washington, atacou o mais que pôde o projeto da Gazprom para o gasoduto Ramo Sul de gás natural que chegaria ao sul da Europa.
Vladimir Putin fecha acordo com a Turquia
Em vez de se encolher na defensiva, Putin chocou a UE quando, em visita à Turquia e reunido com o Presidente Erdogan, anunciou, dia 1º de dezembro, que havia cancelado todo o projeto da Gazprom para o Ramo Sul. Anunciou que buscaria um acordo com a Turquia, para entregar gás russo na fronteira da Grécia. E que se a UE quisesse gás, ficasse à vontade para financiar ela mesma a construção dos seus próprios gasodutos. Estava desmascarado o blefe da UE. O gás entregue à porta dos europeus ia-se tornando, fantasia dia a dia mais distante.
As sanções da União Europeia contra a Rússia também saíram pela culatra, quando a Rússia retaliou com proibição de alimentos importados, o que empurrou a Rússia de volta à busca da autossuficiência alimentar. E bilhões de contratos ou exportações de empresas alemãs como a Siemens, ou francesas como a Total caíram repentinamente no limbo. A empresa Boeing viu sumirem grandes negócios, quando a Rússia cancelou encomendas importantes. E a Rússia anunciou que passava a recorrer a fornecedores nacionais produtores de componentes críticos para a Defesa.
Na sequência, a Rússia tornou-se membro “asiático” chave do excepcionalmente bem-sucedido novo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII). Esse BAII é iniciativa dos chineses, concebida para financiar seu ambicioso Cinturão Econômico da Nova Rota da Seda, a gigantesca rede de trens de alta velocidade que atravessará a Eurásia até a União Europeia.
Em vez de isolar a Rússia, a política de Washington saiu-lhe espantosamente errada quando, apesar da mais furiosa pressão dos EUA, importantes aliados (Grã-Bretanha, Alemanha, França e Coreia do Sul) correram, todos, a unir-se ao novo BAII.
Além disso, em reunião que tiveram em maio/2015, em Moscou, o Presidente da China, Xi Jinping e Vladimir Putin anunciaram que a infraestrutura da Rota da Seda chinesa será completamente integrada com a União Econômica Eurasiana, da Rússia – o que acrescenta notável impulso ao avanço russo na Eurásia e daí até a China, na região onde vive a maior parte da população mundial.
Em resumo, no momento em que John Kerry recebeu ordens para engolir em seco e voar até Sochi, chapéu na mão, para oferecer algum tipo de cachimbo da paz a Putin, a elite governante dos EUA, os oligarcas norte-americanos, começavam a cair na real.
Falcões hiper agressivos como a neoliberal, Victoria “F*da-se a União Europeia” Nuland do Departamento de Estado, e o Secretário da Defesa, Ash Carter, estavam querendo inventar uma estrutura mundial alternativa, brotada da cabeça deles e dos interesses que se escondem por trás das cabeças deles, que estava pondo sob ameaça existencial todo o sistema-dólar pós-Bretton Woods dominado por Washington. Epa!
Como se não bastasse, ao forçar seus “aliados” europeus a entrar na linha anti-Putin dos EUA – com grave prejuízo para os interesses políticos e econômicos da União Europeia, além do prejuízo a que se exporiam os países europeus que não se integrassem ao boom dos investimentos chineses – os neoliberais de Washington haviam conseguido acelerar também um provável “racha” entre Washington e Alemanha, França e outras potências da Europa Continental.
Por fim, todo o mundo, inclusive anti-Atlanticistas ocidentais, passaram a ver Putin como símbolo da resistência à dominação pelos EUA. Essa percepção já emergira quando da acolhida que a Rússia deu a Snowden, mas firmou-se depois das sanções e bloqueios. Vale lembrar que esse tipo de percepção tem importante papel psicológico na luta geopolítica – a presença de um símbolo (Snowden) dessa natureza – abre novas vias até aqui nunca imaginadas na luta contra a hegemonia.
Por tudo isso, Kerry foi claramente mandado a Sochi para farejar pontos fracos para um renovado futuro ataque. Disse aos bandidos lunáticos que os EUA apoiam em Kiev que se acalmassem e respeitassem os acordos de cessar-fogo de Minsk.
John Kerry e a junta-de-Kiev
A ordem foi um choque para os doidos de Kiev. “Yats”, Arseniy Yatsenyuk, o Primeiro-Ministro que La Nuland pôs no cargo em Kiev, disse à TV francesa que “Sochi definitivamente não é o melhor resort nem o melhor local para bater um papo com Presidente russo e Ministro russo de Relações Exteriores”.
Nesse quadro, a única coisa clara é que Washington parece ter afinal percebido a estupidez que foram suas provocações contra a Rússia, na Ucrânia e globalmente. O que virá na sequência, ainda ninguém sabe. O que se sabe é que o governo Obama recebeu ordens das mais altas instituições dos EUA para mudar completa e absolutamente sua atuação. Nenhuma outra coisa explica a mudança. Se a sanidade conseguirá substituir a insanidade neoliberal fascista na política externa dos EUA, ainda não se sabe.
O que já está claro é que Rússia e China estão absolutamente decididas a não se porem à mercê de uma UP (“única potência”) alucinada e imprevisível. A patética tentativa de Kerry, buscando um segundo “reset” na política dos EUA para a Rússia em Sochi, nesse ponto dos acontecimentos, pouco ajudará Washington. A oligarquia dos EUA, como Shakespeare diz pela boca do seu Hamlet, está sendo “explodida com a própria bomba”, é o bombardeador que se deixa autoexplodir com a própria bomba (HAMLET, Ato 3, cena 4 p. 9.).
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[*] Frederick William Engdahl é jornalista, conferencista e consultor para riscos estratégicos. É graduado em política pelaPrinceton University; autor consagrado e especialista em questõesenergéticas e geopolítica da revista online  New Eastern Outlook.
Nascido em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, é filho de F. William Engdahl e Ruth Aalund (nascida Rishoff). F.W. Engdahl cresceu no Texas, e depois de se formar em engenharia e jurisprudência na Princeton University em 1966 (bacharelado), e pós-graduação em economia comparativa da University of Stockholm 1969-1970. Trabalhou como economista e jornalista free-lance em New York e na Europa. Começou a escrever sobre política do petróleo, com o primeiro choque do petróleo na década de 1970. Tem sido colaborador de longa data do movimento LaRouche.

Seu primeiro livro foi A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, onde discute os papéis de Zbigniew Brzezinski, de George Ball e dos EUA na derrubada do xá do Irã em 1979, que se destinava a manipular os preços do petróleo e impedir a expansão soviética. Engdahl afirma que Brzezinski e Ball usaram o modelo de balcanização do mundo islâmico proposto por Bernard Lewis.Em 2007, completou seu livro Seeds of Destruction: The Hidden Agenda of Genetic Manipulation. Seu último livro foi: Gods of Money: Wall Street and the Death of the American Century (2010).
Engdahl é autor frequente do sítio do Centre for Research on Globalization. É casado desde 1987 e vive há mais de duas décadas perto de Frankfurt am Main, na Alemanha.


sábado, 16 de maio de 2015

Paul Craig Roberts: Washington recuperou o bom senso?


15/5/2015, [*] Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy
Is Washington Coming To Its Senses?
Traduzido por mberublue
Reunião de 12/5/2015 em Sochi, Rússia
A visita apressada do Secretário de Estado estadunidense, John Kerry, à Rússia já provocou muita especulação, dado que ocorreu justamente na esteira da exitosa celebração do Dia da Vitória em 9/5/2015 em Moscou. Em 11/5/2015 o Secretário Kerry, que havia desdenhado a Rússia naquele dia 9/5, estava a caminho da Rússia, tendo Putin consentido em recebê-lo em 12/5/2015.
 
Apenas com o passar do tempo descobriremos porque Kerry menosprezou Putin em 9/5 e apenas três dias depois estava criticando o regime fantoche dos EUA atualmente instalado na Ucrânia. Pelo que se sabe até agora, uma das possíveis explicações é que Washington finalmente recuperou seu bom senso.
 
Caso você tenha assistido o vídeo de uma hora e vinte minutos da Parada do Dia da Vitória, você deve ter percebido que a celebração não foi apenas uma festa e transmitiu uma mensagem poderosa. A Rússia é uma potência militar de primeira classe, além de estar claramente apoiada pela China e pela Índia, cujos soldados marcharam juntamente com os russos na parada.
 
Então, enquanto o cada vez mais irrelevante ocidente continua engolfado em um narcisismo doentio, sonhando com a própria e suposta importância e desprezando as celebrações da vitória que o Exército Vermelho lhe deu contra Hitler, os três maiores países do mundo estavam presentes. Juntos. A Rússia é detentora da maior massa geográfica e a China e a Índia, também países enormes geograficamente falando, têm as maiores populações do mundo.
 
A celebração em Moscou, entre outras coisas, serviu para deixar claro que Washington falhou miseravelmente na tentativa de isolar a Rússia. O que Washington conseguiu mesmo foi unir ainda mais os países do grupo BRICS. 
 

BRICS versus EUA
A celebração, que viu o presidente da China sentado ao lado direito de Putin, tornou cristalino, mesmo para os imbecis que fazem parte do staff de Obama, que os EUA já não são poder onipotente.
 
Pensem agora no impacto causado entre os fantoches dos EUA na Europa, os quais são a parte mais importante do império norte americano. Os Europeus estão cientes que duas das maiores potências militares que a história registrou não sobreviveram quando resolveram invadir a Rússia. Napoleão perdeu o Grande Exército na Rússia e Hitler viu a Wehrmacht destroçada na Rússia. Os Europeus estão sabedores de que estão sendo empurrados para um conflito contra a Rússia, apenas para defender os interesses de Washington nos seus desejos de hegemonia mundial. Mesmo acostumados a obedecer a Washington, quando o assunto é lutar contra a Rússia as dissensões começam a pipocar. Já se podem ver sinais de tentativas de independência na política externa europeia, quando Merkel e Hollande se encontraram com Putin para tentar solucionar o conflito na Ucrânia, orquestrado por Washington.
 
Tendo que encarar a falha completa de suas tentativas de isolar a Rússia, em combinação com a emergência de uma política externa independente na Europa, Obama enviou Kerry para pedir a Putin que trabalhe para encontrar uma maneira de amenizar a crise ucraniana. As atividades pacificadoras de Putin permitirão que Obama não passe tanta vergonha, livrando um pouco a cara, mas isso não é nada agradável para os neoconservadores do complexo exército/segurança nos EUA. Já investiram pesadamente na arrogância de Amerika über alles (Amerika über alles – aqui, o autor faz um jogo de palavras com o primeiro verso do hino alemão “Deutschland, Deutschland über alles” ou seja: Alemanha, Alemanha acima de tudo – NT) e estão no momento babando pelos lucros que adviriam de uma nova guerra fria. Ou quente.
 
Resumindo, Obama, Cameron e Kerry terão que aprender a fazer mágica: eles têm “apenas” que fazer uma transição instantânea – da demonização de Putin para o trabalho em conjunto com o presidente russo. 
 
A Junta nazifascista de Kiev bombardeia áreas civis no Donbass
Agora, os EUA pretendem usar a sedução, não tendo tido sucesso ao usar a força contra a Rússia. Mas se os povos do ocidente esperam escapar do estado policialesco que Washington impôs ao mundo ocidental, eles precisam rezar muito para que Putin não seja seduzido.
 
Não há estadistas no ocidente. Existe apenas o egoísmo e a arrogância. A “liderança” ocidental baseia-se na exploração. Tendo saqueado impiedosamente os países não ocidentais, agora o ocidente começa a comer as próprias entranhas, através do saque efetuado contra a Irlanda e a Grécia, com a Itália, Espanha e Portugal como os próximos alvos para a pilhagem e o roubo. A própria população norte americana foi saqueada cruamente ao perder seus empregos, suas aspirações de progresso pessoal e seus direitos civis.
 
O modelo ocidental de “capitalismo democrático” não é democracia nem capitalismo, mas uma forma de fascismo conduzida por uma oligarquia. O país que mais desesperadamente necessita de uma mudança de regime são os Estados Unidos da América. 

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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 3/4/1939) é um economista norte-americano, colunista doCreators Syndicate. Serviu como Secretário-Assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street Journal,Business Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch  Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia,  Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Mais uma imensa vitória diplomática da Rússia

 13/5/2015, The SakerThe Vineyard of the Saker 
Yet another huge diplomatic victory for Russia
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu 
 
The Saker
A menos que você leia russo ou monitore a blogosfera independente, é possível que você não tenha percebido, mas aconteceu evento realmente importante na Rússia: Kerry, Nuland e uma grande delegação do Departamento de Estado viajaram a Sochi onde o Ministro de Relações Exteriores os recebeu e, depois, foram recebidos também pelo presidente Putin. Com o presidente Putin, o pessoal aí passou mais de quatro horas. E não só isso, mas Kerry fez alguns comentários interessantes; disse que o Acordo Minsk-2 (M2A) é a única saída e que vai advertir seriamente Poroshenko, de que não é prudente reiniciar operações militares.
 
Bem-vindo à realidade, John!
Dizer que é evento extraordinário é pouco. 
 
Para começar, o chamado “isolamento da Rússia” está oficialmente cancelado, bem claramente, e pelo próprio “Império Indispensável”! 
 
Segundo, é, tanto quanto sei, o primeiro endosso oficial dos EUA ao M2A. É grande humilhação para os EUA, considerando que o Acordo Minsk-2 foi negociado sem os norte-americanos. 
 
Terceiro, pela primeira vez os EUA realmente alertaram a junta nazi-ucraniana contra a ideia de um ataque militar. Isso – num momento em que os nazi-ucranianos estão em pleno frenesi bélico e Poroshenko prometeu reconquistas não só o aeroporto de Donetsk, mas todo o Donbass e até a Crimeia – mostra que, pela primeira vez os EUA e Kiev não estão na mesma página. 
 
Quarto, os EUA, pela primeira vez, reconheceram que se o Acordo Minsk-2 for implantado, as sanções norte-americanas e da UE serão levantadas. Muito interessante: os russos não deram nenhum sinal de interesse em discutir o item “sanções”. 
 
Assim sendo, o que significa tudo isso? 
 
No momento, pouca coisa. 
 
Os norte-americanos são péssimos negociadores, e na discussão de cada item de qualquer negociação EUA-Rússia sobre o conflito na Ucrânia, os negociadores russos sempre deixam “no chinelo” os seus “parceiros geoestratégicos” norte-americanos (“parceiros geoestratégicos” é a expressão quase oficial, irônica, que os russos usam ao referir-se ao “ocidente”). O que acontece, tipicamente, é que Kerry aceita tudo, durante a negociação; depois volta para Washington e diz exatamente o contrário do que tenha ficado “acertado”. Os russos sabem disso, e a imprensa russa, nas suas análises, sempre considera esse traço dos norte-americanos. 
 
De qualquer modo, os EUA podem zig e depois zag o quanto queiram e quantas vezes queiram, mas nem por isso conseguem modificar a realidade. A recente presença de soldados chineses e indianos na Praça Vermelha mostrou que a ideia de “Rússia isolada” já não faz sentido algum, e pensem Kerry & Co. o que queiram, aceitem ou não. 
 
Victoria Nuland
Houve também o comportamento interessantíssimo da Nuland, que foi à Rússia, sim, na delegação de Kerry: ela se recusou a falar à imprensa e andava com ar muito infeliz.
 
Por fim, rápido exame dos troncos falantes imperiais televisionais mostra que o Departamento da Propaganda Imperial está sem saber o que fazer dessa viagem e desses fatos. 
 
Mas... E o que realmente está acontecendo? 
 
Sinceramente, ainda é muito cedo para falar, e é muito alta a probabilidade de os EUA “zaguearem” outra vez como fazem sempre. 
 
Mas, tudo isso considerado, é *possível* que os EUA tenham (afinal!) percebido alguns fatos básicos: 
 
1) A Rússia não retrocederá 
2) A Rússia está pronta para a guerra 
3) A Ucrânia ocupada pelos nazistas está desabando 
4) A maior parte do mundo apoia a Rússia 
5) Toda a política dos EUA para a Rússia fracassou.
 
Todos os itens acima são muito claros para qualquer observador medianamente competente, mas para um governo intoxicado de húbris imperial, de ignorância crassa e em estado de negação obsessiva, essas realidades são MUITO dolorosas, quase impossíveis de engolir. Mas se insistirem em negá-las, criam para eles próprios o risco de, no frigir dos ovos, os EUA levarem uma bomba nuclear pela popa. Como diz o povo, quanto mais alguém enfia a cabeça na areia, mais eleva ao vento o traseiro. 
 
Assim, é possível que o que acaba de acontecer seja o primeiro sinal de que os EUA estariam recobrando a consciência. E Kerry veio explorar com Lavrov e Putin se resta alguma saída que salve a cara da potência indispensável. Se for isso, as notícias para Poroshenko são terminais, porque tudo isso significa que os EUA jogaram a toalha e estão descartando completamente os doidos que puseram no poder em Kiev. 
 
Kerry e Putin em Sochi (12/5/2015)

Além do mais, pode haver aí, também, um sinal de que os analistas militares norte-americanos fizeram avaliação extremamente negativa da mudança de rota inventada pelos Ucranazis, sobre a planejada “reconquista” do Donbass. A viagem à Rússia e o endosso oficial que Kerry deu ao Acordo Minsk-2 pode ser a mensagem que os EUA estão enviando a Poroshenko:
 
Esqueça a “reconquista”! Não deu certo e não dará!

De qualquer modo, recomendo cautela e nenhum otimismo prematuro. Considero como praticamente uma “quase-certeza” que os EUA desmentirão tudo o que disseram em Moscou. Minha esperança é que o zig-zagueio, dessa vez, tenha de ser de magnitude bem limitada; e que, quando acontecer, tenha mais a ver com oferecer a Obama uma saída que lhe salve a cara, do que com alguma negação doentia da realidade. 
 
O que é certo é que a Rússia venceu mais uma batalha nessa guerra longa, e que todos os indícios apontam para a derrota inevitável do Império.


The Saker

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Problema de Moscou: lidar só com IMBECIS e VASSALOS


10/2/2015, [*] Finian CUNNINGHAMStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Entreouvido na casa da Neneca, vizinha nossa aqui na sede da redecastorphoto: Dilma Rousseff do Brasil tem o mesmíssimo problema de Putin (Moscou). “Lidar só com IMBECIS e VASSALOS” a serviço do império, tanto da oposição (o que era de se esperar) como da imprensa−empresa do Brasil (o que também era de se esperar) como no PT e da base aliada — o que, embora não seja inesperado, chega às raias do RIDÍCULO... O que o Janot foi fazer nos EUA? E o Joaquim Barbosa, que também foi aos EUA durante o julgamento do chamado “mensalão”? Foram lá receber ORDENS de seus PATRÕES? Cadê as investigações do ASSASSINATO do Eduardo Campos? A CIA “embargou”?


Hollande, Putin e Merkel em Moscou 
A Rússia está num dilema. Como conseguir construir acordo de paz para o conflito na Ucrânia – e evitar guerra muito maior e mais terrível – se é obrigada a comunicar-se exclusivamente com IMBECIS e VASSALOS? Refiro-me aqui, claro, aos líderes norte-americanos e europeus respectivamente.

O problema de tentar conversar com IMBECIS é que eles simplesmente não compreendem coisa alguma do lado de fora da própria obtusa realidade em que vivem. Padecem de dissonância cognitiva e orgulham-se da própria ignorância. De fato, quanto mais disfuncionais no plano cognitivo, mais os IMBECIS são celebrados por serem fortes. Não há meio que permita ilustrar IMBECIS; o modo estúpido e tedioso de eles olharem o mundo é impenetrável para qualquer perspectiva diferente, ainda que mais correta. Na verdade, os IMBECIS têm aversão visceral a coisas mais corretas que eles; é ver coisa mais correta, e eles fincam pé ainda mais fundo na própria imbecilidade.

O problema de lidar com VASSALOS é que eles não têm poder para mudar de rumo – ainda que lhes reste alguma capacidade residual de pensar com independência e reconhecer que alguma outra perspectiva, diferente da deles, seja mais correta ou, pelo menos, que é razoável e merece consideração.

Eis o dilema que a Rússia enfrenta, nos contatos com Washington e aliados-VASSALOS europeus de Washington, sobre o conflito na Ucrânia.

O Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, falando em Munique no fim de semana passado, lamentou a nenhuma independência para decidir dos europeus, e chamou atenção para o sistemático vandalismo de Washington contra a ordem internacional legal. Lavrov foi criticado por se atrever a dizer a verdade e, ainda mais, por ser capaz de usar a lógica e muito conhecimento histórico, para apoiar seus argumentos.

Sergey Lavrov, MRE da Rússia
Onde Lavrov propõe diálogo racional, o imbecilismo dos líderes norte-americanos só repete frases feitas e acusações sem fundamento. São “educados” pela sua própria propaganda de autopromoção, e creem em cada sandice que a propaganda lhes ensina. E orgulham-se de si mesmos! God bless America – como nunca se cansa de repetir Barack Obama, conhecido clérigo fundamentalista e pregador da religião de Wall Street.

É absolutamente evidente que o Presidente dos EUA, apresentado sempre como um dos mais ilustrados e cultos políticos da história dos EUA, conhece os fatos no mundo real e sabe que, diferente da narrativa deformada que circula produzida para as massas, o conflito na Ucrânia não é “tudo culpa da Rússia”, como repetem incansavelmente todos os veículos da imprensa-empresa Murdoch-capitalista.

Pois o mesmo Obama, falando com a chanceler alemã ao seu lado, na Casa Branca, essa semana, disse que considera enviar armas letais para  o governo de Kiev, “para ajudar a Ucrânia a reforçar suas defesas contra a agressão separatista”. Obama acusou a Rússia de incendiar sempre mais o conflito e de tentar violar a integridade territorial da Ucrânia “em ataque à mão armada”.

Aqui, agora, de volta ao mundo real. Russos étnicos estão sendo assassinados dentro de casa, em porões, em escolas, pelas ruas, pelo regime de Kiev que o ocidente apoia. O governo de Kiev que o ocidente apoia lançou guerra não provocada contra o leste da Ucrânia há já dez meses, que já resultou em mais de 5.500 mortos e mais de um milhão de deslocados. E Obama ainda fala de “agressão separatista”?! E quer mais armas letais para os agressores?!

E de Obama para baixo, na grade política, a coisa só piora. O Vice-Presidente Joe Biden disse na conferência de segurança de Munique, semana passada, que “os ucranianos têm o direito de se defenderem”, e assim sendo os EUA devem enviar apoio militar para expulsar “a agressão russa”.

Ora, Sr. Biden... O que o senhor teria a dizer sobre o direito de os russos ucranianos étnicos também se defenderem? Por que o senhor lhes nega o direito de defesa? Por acaso não são ucranianos? Ou, quem sabe, o fato de serem etnicamente russos os torna inferiores aos olhos dos EUA?!

Outro, a mais alta autoridade diplomática dos EUA, John Kerry, supostamente homem civilizado, cosmopolita, poliglota, lá está, a repetir também as mesmas imbecilidades, sem qualquer fundamento, só frases de propaganda, sempre acusando a Rússia. Para Kerry, a Rússia seria “a mais grave ameaça que pesa contra a Ucrânia”. Kerry também só fala de enviar armas letais à Ucrânia, para dar uma lição aos russos.

A lista dos repetidores dos mantras de propaganda anti-Rússia é longa: Ashton Carter, próximo Secretário da Defesa. Michel Flournoy, provável Secretário de Defesa, caso Hillary Clinton chegue à presidência em 2016. Bobby Jindal, aspirante à candidatura à presidência pelo Partido Republicano. Bob Corker, coordenador de política exterior do Partido Republicano. Comandante do Estado-Maior das Forças Conjuntas dos EUA, general Martin Dempsey. Vários “especialistas” em política exterior dos EUA no Brookings Institute e no Atlantic Council. Todos os editorialistas dos grandes veículos da imprensa-empresa nos EUA, inclusive do New York Times e Washington Post.


TODOS esses só fazem repetir, sem se envergonhar e sem baixar os olhos, que o conflito da Ucrânia ‘'É'’ resultado de agressão russa; e que entregar armamento letal em mãos dos fascistas do governo em Kiev “É” magnífica ideia para promover a paz. Todos esses vivem a regurgitar um arremedo de história, segundo a qual o Presidente Vladimir Putin da Rússia “É” “ditador à moda dos ditadores de meados do século XX”, da mesma linha “expansionista” que Adolf Hitler ou Benito Mussolini.

NENHUMA DESSAS AUTORIDADES NORTE-AMERICANAS mostra qualquer remoto sinal de que compreende que o fascismo de meados do século XX foi estimulado, fomentado, por uma política clandestina das potências capitalistas ocidentais para atacar a União Soviética. E resultou, então, em 30 milhões de russos mortos. Essa política prossegue hoje, sob a modalidade de apoio, pelos EUA, ao regime neonazista de Kiev, como agente de desestabilização, a ser apontado como arma contra a Rússia.

O mais assustador, sobre os IMBECIS norte-americanos, é que não dão qualquer sinal de incômodo por serem manipulados, vítimas, há décadas, de lavagem cerebral. São clones orwellianos que creem que guerra é paz, escravidão é liberdade, verdade é qualquer mentira que lhes contem como se fosse verdade.

Os políticos e autoridades norte-americanas presentes à Conferência de Segurança de Munique fizeram pouco caso dos esforços de Merkel e Hollande para iniciar um diálogo político com Putin sobre a crise da Ucrânia. Para os norte-americanos presentes em Munique, a coisa não passaria de bullshit. (Aquela merda da Merkel em Moscou, nas palavras da sempre “brilhante” Victoria “Foda-se a EU” Nulands, principal diplomata de Obama na Europa [NTs]).

Putin−Merkel−Hollande propõem dar continuidade às conversações de Moscou no final de semana passada, com novo encontro em Minsk, capital da Bielorrússia, ainda essa semana. Absolutamente nada garante que Putin, Merkel e Hollande consigam que o regime de Kiev aceite sentar para conversar com a resistência armada anti-Kiev do leste da Ucrânia. Os norte-americanos, IMBECIS, tresloucados, buffoons, ensandecidos, estão fazendo de tudo para boicotar esse diálogo, antes mesmo de que tenha qualquer chance de avançar.

Diferente do que se vê entre os norte-americanos mais enlouquecidos, há novo consenso entre os europeus, de que pôr ainda mais armas na Ucrânia não é solução, que, de fato, é movimento a ser evitado, e que a resistência armada anti-Kiev tem direito de reivindicar autonomia política e merece ser ouvida com respeito.

Os europeus, pelo menos publicamente, podem continuar a adotar a narrativa jornalística, repetida incansavelmente pela imprensa-empresa liberal em todo o ocidente, segundo a qual a Rússia estaria clandestinamente desestabilizando a Ucrânia com soldados e ajuda militar à resistência anti-Kiev. Moscou já negou categoricamente essas acusações. Mas os europeus têm suficiente requinte intelectual para, pelo menos, perceber que viver a apontar dedos histéricos contra Putin é contraproducente, e que evidentemente há mais de um lado a considerar nessa história – como em todas as histórias.

A Europa e os europeus...
Diga-se a favor dela, que Angela Merkel mantém-se firme na oposição à ideia dos EUA de aumentar o envolvimento militar do ‘'ocidente'’ na Ucrânia. Em Washington, essa semana, Merkel descartou categoricamente qualquer possibilidade de vir a apoiar o envio de mais armas para a Ucrânia. A oposição de Merkel às propostas dos EUA foi ridicularizada por senadores Republicanos (“Merkel afinou na frente de Putin” [orig. “appeasement” of Putin]) e analogias asininas com Chamberlain e Hitler na Conferência de Munique de 1938.

Já basta, para se ver que é impossível lidar com os IMBECIS norte-americanos. É gente que habita outro planeta mental, só deles. É mundo formado de propaganda a-histórica incansavelmente repetida e da atitude mais atrasista que se pode conceber, que torna impossível, ou praticamente impossível, qualquer diálogo, qualquer contra-argumentação, qualquer tentativa para elucidação socrática. A arrogância e o “autismo”, a autorreferência pervertida dessa gente é uma arte – e são obstáculos eficazes contra qualquer genuína comunicação e entendimento. [“Vocês piraram, seus viadinhos comunistas putinescos?” – como nos perguntam pelo Twitter “intelectuais” do PSDB-DEM (NTs)].

E como seria possível conversar com gente assim? Não é possível. Ninguém consegue.

Mas há ainda o problema adicional de que os europeus não são livres para realmente agir conforme suas incipientes ideias de independência. É claro que Merkel e Hollande, e vários outros líderes europeus sabem que os planos dos EUA de inundar a Ucrânia com armamentos ainda mais letais é ideia macabra, que pode bem rapidamente levar à IIIª Guerra Mundial. É claro que muitos europeus entendem e percebem que as sanções comandadas pelos EUA contra a Rússia não são apenas contraproducentes: que de fato são irracionais, que são política hostil que agride trabalhadores, o agronegócio e a economia da Europa, no mínimo tanto quanto agride a economia da Rússia.

O fato realmente problemático é que os estados europeus são VASSALOS dos EUA. Que não são estados livres para agir conforme outra orientação que não seja a ditada por Washington, por estúpida, violenta, perversa, mortal que seja a política de Washington. A Alemanha é considerada a usina da Europa e a 4ª maior economia do mundo. Pois mesmo assim, como o analista político alemão Christof Lehmann nos lembra, a Alemanha jamais teve genuína independência política – desde o final da IIª Guerra Mundial. Não tem Constituição que modele um estado moderno e continua ocupada por forças militares dos aliados “vitoriosos” dos EUA e britânicos:

A Alemanha na verdade não passa de colônia, de facto, dos EUA. A qualquer momento, sob as leis do pós-guerra, tropas dos EUA podem derrubar o governo (“mudar o regime”) da Alemanha – o que define tecnicamente e legalmente um estado ocupado, um estado vassalo, diz Lehmann.

Angela Merkel, ESPIONADA por seu "aliado" 
A espionagem feita pela Agência de Segurança Nacional dos EUA contra a chanceler Merkel e revelada ao mundo em 2013 por Edward Snowden, é caso perfeitamente claro. Mais eloquente ainda, é que Merkel não respondeu a essa gravíssima agressão à “soberania” alemã com a força política que os norte-americanos agressores mereciam. Ela caninamente teve de aceitar a intrusão, que é legal, sob as condições da hegemonia pós-guerra dos EUA sobre a Alemanha.

Lehmann chama também a atenção para como outros movimentos passados da Alemanha, para criar uma política externa independente, e um movimento em especial, que envolve reaproximação com a Rússia, foram atacados e vetados serialmente pelos EUA e seus aliados britânicos.

Durante os governos dos chanceleres Willy Brandt e Gerhard Schroeder, todos os esforços feitos para adotar relação mais amistosa com a Rússia foram sempre sabotados, passo a passo, por Washington e Londres, diz Lehmann.

Eis por quê Merkel merece muito respeito e crédito por ter mantido posição firme contra o militarismo norte-americano na Ucrânia. Sua dissidência é altamente significativa de que, sim, há uma fissura considerável nas relações EUA−União Europeia. A chanceler Merkel está muito claramente atropelando uma “linha vermelha” fixada por Washington, a saber: que estados europeus, especialmente a Alemanha, não podem, não devem, não se admite, que questionem a hegemonia dos EUA e sua política, já antiga, de hostilidade contra a Rússia.

Merkel e Hollande podem, afinal, estar captando a mensagem que lhes enviam milhões de cidadãos da União Europeia, que se opõe firme e fundamente contra as provocações belicistas dos EUA contra a Rússia, à custa dos cidadãos europeus.

Sinto muito, Barack, mas Vladimir tem músculos maiores e não apenas orelhas grandes e protuberantes
Infelizmente, dada a tradição de VASSALAGEM dos europeus e a IMBECILIDADE impenetrável dos norte-americanos, continua remota a chance de que se encontre alguma abertura para que se construam relações de paz. As lideranças europeias continuam encabrestadas, montadas sob a rédea de Washington.

Mas, afinal, parece que as massas europeias desgostosas, iradas, indignadas, começam a forçar na direção do rompimento desses laços IMBECIS.


[*] Finian Cunningham nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.