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sábado, 2 de junho de 2012

Grupo de Bilderberg 2012: a lista


Ontem – 31/5/2012 - começou a reunião do Grupo Bilderberg, em Chantilly, Virgínia, Estados Unidos.
 
A reunião tem lugar na taberna que é possível observar na imagem à direita: 25 Euro por noite, pequeno almoço não incluído.
É por isso que a maioria dos participantes chegou com latas e thermos.

Os mais ricos (é o caso da delegação portuguesa) trazem frigoríficos portáteis.

Pena, pois na taberna falta também a electricidade.

O meu ponto vista é que esta é a reunião dos mordomos: bem mais interessante seria a reunião dos donos, mas enfim...
Para satisfazer a pública curiosidade, eis a lista dos participantes neste evento cada vez mais folclórico. 

Alemanha:
Trittin, Jürgen, político è Alliance 90/Verdes
Löscher, Peter
è Siemens AG
Ackermann, Josef
èDeutsche Bank AG
Thomas Enders
èAirbus
Reitzle, Wolfgang
è Linde AG
Ischinger, Wolfgang
è Munich Security Conference; Global Head Government Relations, Allianz SE
Koch, Bilfinger
èBerger SE
Nass, Matthias
è Die Zeit

Áustria:
Bronner, Oscar
èDer Standard Medienwelt
Cernko, Willibald
èUniCredit Bank Austria AG
Faymann, Werner
èpolítico
Scholten, Rudolf
è Oesterreichische Kontrollbank AG

Bélgica:
Princípe Filipe da Bélgica

Canada:
Clark, W. Edmund
è TD Bank Group
Prichard, J. Robert S.
è Torys LLP
Carney, Mark J.
èBank of Canada
Wright, Nigel
è militar
McKenna, Frank
è TD Bank Group
Redford, Alison M.
è político
Reisman, Heather
è Indigo Books & Music Inc.

China:
Fu, Ying
è político
Huang, Yiping
è académico

Dinamarca:
Christiansen, Jeppe
è Maj Invest
Federspiel, Ulrik
è Haldor Topsoe A / S
Mchangama,Jacob
è académico/jurista

Espanha:
Cebrián, Juan Luis
è PRISA, El País
Sáenz de Santamaría Antón, Soraya
è político
Nin Génova, Juan María
è CaixaBank

Finlândia:
Urpilainen, Jutta
è político
Apunen, Matti
èFinnish Business And Policy Forum EVA
Ollila, Jorma
è Royal Dutch Shell,
Siilasmaa, Risto
è Nokia Corporation

França:
Izraelewicz, Erik
è Le Monde
Senard, Jean-Dominique
è Grupo Michelin
Castries, Henri
è Grupo AXA
Baverez, Nicolas
è Dunn & Crutcher LLP
Béchu, Christophe
è político
Chalendar, Pierre André
è Saint-Gobain
Montbrial, Thierry
è político-académico
Karvar, Anousheh
è político

Grécia:
Tsoukalis, Loukas
è político
Giannitsis, Anastasios
è político e académico
Papalexopoulos Dimitri
èTitan Cement Co.
Holanda:

Rutte, Mark
è político
Scheffer, Paul
è académico
Halberstadt, Victor
è académico
HM Rainha da Holanda
Pechtold, Alexander
èLeader político Democrats ’66 (D66)
Polman, Paul,
èUnilever

Israel:
Levita, Ariel
èacadémico
Rabinovich, Itamar
è académico

Irlanda:
Noonan, Michael
è político
Gallagher, Paul
è político
Sutherland, Peter D.
è Goldman Sachs International

Italia:
Letta, Enrico
è político Partito Democratico (PD)
Bernabè, Franco
è Telecom Italia
Conti, Fúlvio
è Enel SpA
Elkann, John
è Chairman, Fiat S.p.A.
Gruber, Lilli
è jornalista

Noruega:
Andresen, Johan H.
è FERD
Brandtzæg, Svein Richard
èNorsk Hydro ASA

Polónia:
Rostowski, Jacek
è político

Portugal:
Amado Luís
è  Internacional do Funchal (BANIF)
Moreira da Silva
è político, Partido Social Democrata (PSD)
Balsemão, Francisco Pinto
è Impresa

Reino Unido:
Agius
è Barclays plc
Boles, Nick
è político
Clarke, Kenneth
è político
Dudley, Robert
è BP plc
Flint, J. Douglas
è Grupo HSBC Holdings
Kerr, John
è político
Wolf, Martin H.
è Financial Times
Voser, Peter
è Royal Dutch Shell plc
Rachman, Gideon
è Financial Times
Micklethwait, John
è The Economist
Mandelson, Peter
è político

Rússia:
Ivanov, Igor S.
è académico
Chubais, Anatoly B.
è OJSC RUSNANO
Kasparov, Garry
è político, United Civil Front

Suécia:
Wallenberg, Jacob
è Investor AB
Bonnier, Jonas
è Bonnier AB
Carlsson, Gunilla
è político
 
Suíça:
Supino, Pietro
è Tamedia AG
Vasella, Daniel L.
è Novartis AG

Turquia:
Babacan, Ali
è político
Berberoğlu, Enis
è jornalista Hurriyet
Keyman, E. Fuat
è académico
Koç, Mustafa
è Koç Holding A.Ş.
Timuray, Serpil
è Vodafone Turquia

USA
Ajami, Fouad
è Hoover Institution, Stanford University
Alexander, Keith B.
è National Security Agency
Altman, Roger
è Evercore Partners
Collins, Timothy
è Ripplewood Holdings, LLC
Daniels, Jr., E. Mitchell
è político
Demuth, Christopher
è Hudson Institute
Donilon, Thomas E.
è National Security Advisor
Evans, J. Michael
è Goldman Sachs & Co.
Ferguson, Niall Laurence A. Tisch
è académico
Gephardt, Richard A.
è Gephardt Group
Goolsbee, Austan D.
è académico
Graham, Donald E.
è The Washington Post Company
Harris, Britt CIO
è Teacher Retirement System
Hoffman, Reid
è Linkedin
Huntsman Jr.
è Jon M., Huntsman Cancer Foundation
Jacobs, Kenneth M.
è Lazard
Johnson, James A.
è Perseus, LLC
Jordan, Jr., Vernon E.m
è Lazard
Karp, Alexander
è Palantir Technologies
Karsner, Alexander
è Manifest Energy, Inc
Kerry, John
è político
Kissinger, Henry A.
è Kissinger Associates, Inc.
Kleinfeld, Klaus
è Alcoa
Kravis, Henry R.
è Kohlberg Kravis Roberts & Co.
Kravis, Marie-Josée
è Hudson Institute
Krupp, Fred
è Environmental Defense Fund
Li, Cheng 
è académico
John L. Thornton
è Brookings Institution
Lipsky, John
è académico, Johns Hopkins University
Liveris, Andrew N.
è The Dow Chemical Company
Lynn, William J.
è DRS Technologies, Inc.
Mathews, Jessica T.
è Carnegie Endowment for International Peace
Mehlman, Kenneth B.
è Kohlberg Kravis Roberts & Co.
Mundie, Craig J.
è Microsoft Corporation
Noonan, Peggy
è The Wall Street Journal
Orszag, Peter R.
è Citigroup
Perle, Richard N.
è American Enterprise Institute
Rattner, Steven
è Willett Advisors LLC
Rogoff, Kenneth S.
è académico, Harvard University
Rose, Charlie
è jornalista
Ross, Dennis B., Washington Institute for Near East Policy
Rubin, Robert E.
è Foreign Relations,
Schmidt, Eric E.
è Google Inc.
Shambaugh, David
è académico
Speyer, Jerry I.
è Tishman Speyer
Thiel, Peter A.
è Clarium Capital / Thiel Capital
Warsh, Kevin
è Hoover Institution, Stanford University
Wolfensohn, James D.
è Wolfensohn & Company
Yergin, Daniel
è IHS Cambridge Energy Research Associates

Internacionais:
Zoellick, Robert B.
è World Bank Group
Vimont, Pierre
è União Europeia
Sheeran, Josette
è World Economic Forum
Lamy, Pascal,
èOrganização Mundial Comércio
Kroes, Neelie
è Comissão Europeia
Gucht, Karel
è Comissão Europeia
Almunia, Joaquin
è Comissão Europeia

Relatores:
Reino Unido: Bredow, Vendeline Von
è The Economist
Reino Unido: Wooldridge, Adrian D.
è The Economist

A reunião, como afirmado, durará três dias.
Depois tudo continuará como antes.

1/6/2012
Ipse dixit.
Fonte original: TNEPD

segunda-feira, 4 de julho de 2011

GEAB 56 Especial Verão: Crise Sistêmica Global

E vamos com o novo número do GEAB.
Antes o texto original, a seguir algumas necessárias considerações.

Boa leitura!(3/7/2011)



Último aviso antes do choque do Outono de 2011, quando 15 trilhões de Dólares de ativos financeiros vão desaparecer

Em 15 de Dezembro de 2010, o GEAB nº 50 antecipou a explosão da dívida pública Ocidental no segundo semestre de 2011. Em seguida, descreveu um processo que começaria com a crise da dívida pública europeia e que de seguida teria atacado o coração do sistema financeiro global, a dívida federal dos Estados Unidos.

É mesmo neste ponto que estamos, no início do segundo semestre de 2011, com a economia global totalmente à deriva, um sistema monetário cada vez mais instável  e os centros financeiros mundiais numa situação desesperada, e tudo isto apesar dos milhares de milhões de dinheiro público que foram investidos para evitar exatamente esse tipo de situação.

A insolvência do sistema financeiro mundial, em primeiro lugar do sistema financeiro ocidental, volta como protagonista, depois de pouco mais de um ano de cosmética política, destinada a enterrar este problema fundamental sob montanhas de dinheiro.

Tínhamos estimado, em 2009, que no mundo havia cerca de 30.000.000.000.000 (30 trilhões - 3 com mais 13 zeros) de Dólares de ativos fantasmas. Quase metade desapareceu em fumo nos seis meses entre Setembro de 2008 e Março de 2009. Segundo a nossa equipe, será agora a outra metade, os resíduos 15.000.000.000.000 (15 trilhões) de Dólares em ativos fantasma que, simplesmente, desaparecerão entre Julho de 2011 e Janeiro de 2012.

E desta vez será também envolvida a dívida pública, ao contrário dos anos 2008/2009 em que tinham sido em maioria entidades privadas a serem afetadas.

Para medir a magnitude do terremoto que está chegando, é útil saber que os bancos dos EUA estão a começar a reduzir o uso de T-Bonds (Títulos de Estado) dos Estados Unidos, para garantir as próprias transações, por causa do medo dos riscos enfrentados pela cada vez maior dívida pública dos EUA.

Para os jogadores do mundo financeiro, o choque do Outono de 2011 será, literalmente, como ter a areia movediça sob os pés, pois o que está caindo drasticamente é o próprio fundamento do sistema financeiro global, os T-Bonds dos Estados Unidos.



Nesta edição discutimos os dois aspectos mais perigosos do choque do Outono de 2011, nomeadamente: 

·   o mecanismo de detonação da dívida pública europeia,
·   o processo de explosão da bomba dos EUA, em matéria de dívida pública.

Ao mesmo tempo, no reequilíbrio das relações do poder global, sob forte aceleração, introduzimos a predição dum processo geopolítico importante, o desenvolvimento de uma cúpula Euro-BRICS até 2014.

Finalmente, as nossas recomendações incidirão sobre os meios adequados para não ficar envolvido nesses 15.trilhões de Dólares fantasmas, que irão desaparecer nos próximos meses, com uma menção especial para o desenvolvimento do imobiliário na Europa, cujo colapso programado para 2015 terá início, de fato, a partir já de 2012.

Nesta edição do GEAB, inserimos uma parte da previsão quanto ao mecanismo de explosão da dívida pública europeia. 

O mecanismo de explosão da dívida pública europeia 

Os agentes financeiros Anglo-Saxônicos têm desempenhado o papel de aprendiz de feiticeiro no último ano e meio, e a manchete do jornal Financial Times, em Dezembro de 2009, rapidamente transformou a "crise grega" na "crise do Euro". Não vamos gastar mais tempo sobre os acontecimentos desta enorme fraude, orquestrada pela City de Londres e Wall Street, porque durante todo este período temos dedicado muitas páginas ao assunto.

Basta dizer que, 18 meses mais tarde, o Euro vai bem, enquanto o Dólar continua a sua corrida para o fundo, contra as principais moedas do mundo, e que todos aqueles que apostaram no colapso da Zona Euro perderam um monte de dinheiro.

Como antecipamos, a crise favorece o surgimento dum novo "soberano", Eurolândia, que agora permite que a Zona do Euro esteja muito mais preparada do que Japão, Estados Unidos ou Reino Unido ao choque de Outono de 2011... apesar da mesma Zona do Euro, com muita relutância, acabar sendo o detonador.

O "bombardeio" (dado que temos de chamar as coisas com o nome delas), intercalado com intervalos de várias semanas, que teve como alvo a Zona Euro durante este período, teve três efeitos consecutivos principais, dois deles bem longe dos resultados esperados por Wall Street e a City:

1. Numa primeira fase (Dezembro de 2009 - Maio 2010), tem removido o senso de invulnerabilidade da moeda europeia, que se tinha formado em 2007/2008, introduzindo dúvidas sobre a sua durabilidade e acerca da ideia de que o Euro fosse em perspectiva a alternativa natural ao Dólar dos EUA (e também o sucessor dele).

2. Então (Junho de 2010 - Março de 2011), levou os líderes da Zona Euro a começar a trabalhar com a velocidade máxima em todas as medidas de salvaguarda, proteção e fortalecimento do Euro (medidas que deveriam ter sido tomadas há vários anos). Ao fazê-lo, revitalizou a integração europeia e redefiniu o núcleo fundador que conduz o projeto europeu, resultando na alienação, em particular, do Reino Unido.
Ao mesmo tempo, tem favorecido o aumento do apoio à moeda europeia por parte dos BRICS, liderados pela China, que após um momento de hesitação perceberam dois pontos fundamentais: primeiro, os Europeus haviam agido com seriedade no resolver o problema, e, segundo, que o Euro é uma ferramenta essencial para qualquer tentativa de fugir do "mundo do Dólar".

3. Finalmente (Abril de 2011 - Setembro 2011), está convencendo a Zona do Euro a tomar medidas para alcançar o justo objetivo pelo qual os investidores privados ajudem a solucionar o problema grego, especialmente através da reprogramação de reembolsos "voluntários" (ou qualquer outra forma de redução dos úteis previstos). 

Como é possível imaginar, se o primeiro efeito foi realmente um dos objetivos prosseguidos por Wall Street e a City (além de desviar a atenção dos enormes problemas do Reino Unido e dos Estados Unidos), os outros dois tiveram um efeito completamente oposto ao resultado desejado, que tinha sido pensado para enfraquecer o Euro e reduzir a sua atratividade.

Ainda mais, um quarto efeito está em preparação e, no início de 2012, o lançamento de um mecanismo Euro-Bond, permitindo a partilha de parte das emissões de dívida dos Países de Eurolândia e a crescente e inevitável pressão política para aumentar a quota das contribuições privadas neste processo mais amplo de reestruturação da dívida dos Países periféricos da Zona Euro.



E com esse quarto efeito entramos no coração do processo de contágio que irá acionar a bomba da dívida federal dos Estados Unidos. Porque, primeiro, ao criar medias globais e círculos financeiros ultra-sensíveis às questões da dívida pública, Wall Street e a City revelaram o tamanho dos insustentáveis déficits dos EUA, do Reino Unido e do Japão.

Este também forçou as agências de rating, cães-de-guarda fiéis aos dois centros financeiros, a participar numa corrida louca para a desclassificação dos Estados. É por esta razão que os Estados Unidos estão agora sob a ameaça de uma downgrade, como tínhamos previsto, embora parecesse impensável para a maioria dos especialistas apenas alguns meses atrás.

Ao mesmo tempo, o Reino Unido, a França, o Japão também estão na mira das agências de notação da dívida. 

Lembramos que estas agências nunca previram algo de importante (a crise do subprime ou a crise global, a questão grega, a Primavera árabe...)

Quer gostem ou não, se têm de fazer downgrade agora, é porque foram capturadas no seu próprio jogo.

As "hipóteses" de que é impossível, para qualquer Estado, o default da própria dívida, têm sofrido três anos de crise e é aqui que Wall Street e a City têm caído na armadilha que ameaça todos os aprendizes feiticeiros . Não previram que teria sido impossível para eles controlar a histeria desencadeada pela dívida grega.

Por isso, é hoje no Congresso do Estados Unidos, com o debate feroz acerca do teto da enorme dívida federal e dos cortes no orçamento, que irá estender as consequências dos enganosos artigos da imprensa sobre a Grécia e a Zona do Euro.

Mais uma vez, a nossa equipe só pode enfatizar que, se a História tiver um senso, este é certamente a ironia.



Considerações finais

Até aqui o texto original do grupo GEAB.
Que, em minha opinião, sofre das falhas de costume.

O Dólar? A Libra esterlina? Um desastre, o fim é próximo.
O Euro? Uma maravilha, a melhor invenção depois da roda.

Reparem: neste número o GEAB chega a prever uma crise imobiliária no continente Europeu, um terremoto que terá a força de fazer desaparecer 15.trilhões de Dólares, tal como aconteceu com a crise das subprimes nos Estados Unidos.

E o mesmo GEAB avisa que desta vez não serão apenas os investidores privados que perderão dinheiro, mas até estarão interessados na dívida pública. Coisa que na Europa não falta.

Perante tudo isso, quem é que sofre? Os Estados Unidos...

Mais: o GEAB, para demonstrar o quanto é boa a situação do Velho Continente, publica um gráfico do qual é fácil perceber que as necessidades de financiamento da Grécia continuarão aumentando nos próximos anos, com uma União Europeia (leia-se contribuintes europeus) cada vez mais presente.

E nem se fala da Irlanda, de Portugal e de outros Países com situações tão delicadas (Espanha, Italia, Bélgica, por exemplo) quanto a Grécia. 

Este, segundo o GEAB, é um Euro que "vai bem".

Melhor não imaginar qual possa ser um cenário com um Euro que "vai mal".

Os Estados Unidos têm problemas, e muitos graves, disso não há dúvida.

Uma eventual crise imobiliária na Europa teria (ou terá) fortes consequências também nos EUA. Mas como irá comportar-se o Velho Continente? Quais armas tem a disposição? O FMI (que aumentará a própria participação na dívida grega também)? O GEAB esqueceu quem é que manda no FMI?

As afirmações acerca das atitudes de Wall Street e da City perante a "tragédia grega" fazem todos os sentidos; já percebemos também qual o papel das agências de rating e quem estava atrás das vagas de ataques que, de seguida, atingiram Atenas, Dublin e Lisboa.

Mas atenção: os "especuladores" ingleses e americanos desfrutaram uma situação já por si precária, não foram Washington ou Londres a criá-la.
Situação que ainda hoje está longe de ser resolvida e cuja solução encontrada, até agora, foi aquela de "descarregar" nas carteiras dos contribuintes as dívidas dos bancos (não apenas americanos ou ingleses).

Pois é este o problema de fundo do GEAB: não consegue sair do dogma "dívida". No máximo pode aplaudir perante a coragem de Bruxelas que pede aos bancos para que, de forma voluntaria (claro, não queremos que fiquem incomodados, não é?) abdiquem duma parte dos úteis.

Faz sentido separar o futuro de duas economias (a europeia e a anglo-saxônica) baseadas nos mesmos idênticos axiomas?

Ipse dixit.
Comentários de Max

sexta-feira, 6 de maio de 2011

EUA: o Novo Inimigo e a Tempestade Infernal

E agora?

Que dizer, Bin Laden morreu, o Senhor do Mal foi punido, Al Qaeda decapitada. O que vem por ai?
É só sentar-se e reflectir, pois temos muitos elementos para saber quais as próximas consequências. Não todos os elementos, mas alguns sim.

Os EUA estão em crise, uma crise grave e provavelmente irreversível. Mas não podem admiti-lo nem aceita-lo; e, mesmo que feridos, ainda são a primeira (e única) super-potência mundial.

Um animal ferido desencadeia golpes de forma descontrolada, ou assim parece, em todos os sentidos. Mas  nestas condições é fácil cometer erros. Daí a grande confusão que temos: contradições, caos, informações incompletas, etc.

A África e "os outros"

Washington observa a própria influência declinar, em favor de novos Países.

A China, em primeiro lugar, que super-potência ainda não é mas que um dia, talvez, poderá alcançar este status.

Depois temos a Rússia que, apesar dos problemas, está a construir o próprio futuro devagar.

O Brasil, com Lula, entrou no restrito círculo dos "Países que contam"; e com Dilma? Tenho dúvidas, mas em qualquer caso é questão de tempo, Lula provavelmente voltará.

A Turquia está também a reclamar um papel emergente, enquanto a Índia é já uma realidade: por enquanto ligada a Israel, mas apenas por enquanto.

Num panorama como este, fazem sentido as "revoltas" da África do Norte. Não podemos esquecer que a China está também presente em África. Claro, duma forma menos "explosiva", mas muito mais funcional: com empréstimos e investimentos, a melhor maneira para segurar um País pelo pescoço.

Podem os Estados Unidos deixar que Pequim ocupe a África? Não, não podem, pois o continente tem uma excepcional importância em termos estratégicos (sobretudo em proiecção futura) e de recursos: petróleo e tráfico de droga agora, gás e lítio a médio prazo, água a longo prazo.
Nesta óptica, as "revoluções" dos Países africanos da zona mediterrânica fazem sentido, tal como afirmado: acabou o tempo dos velhos regimes, a era de internet e da comunicação instantânea requer povos convencidos de auto-gerir-se.

Os ataques contra a Europa estão a resultar. Com os trajes dos especuladores e com a ajuda das Mentes Pensantes de Bruxelas, os grandes bancos principalmente americanos conseguiram tornar três Países do Velho Continente autênticos protectorados, sem uma real autonomia política ou económica.

Espanha próxima vítima? Talvez, mas já não é preciso: a Europa está suficientemente dividida, enfraquecida e controlada. 

Os campos de petróleo do Iraque já estão nas mãos ocidentais, por isso não representam um problema.


Inimigo procura-se

A questão iraniana por agora foi descuidada, mas é questão de tempo: e para satisfazer o "aliado-patrão" Israel, e por questões de recursos tal como estratégicas (não podemos aqui esquecer os oleodutos e os gasodutos), o "problema Irão" voltará em força.

E nem podemos afastar a hipótese de que a morte de Bin Laden seja um novo degrau na escalada contra Teheran: com o Afeganistão ocupado, com o Paquistão "controlado", com Al Qaeda decapitada, donde virão agora os terroristas? 

Porque haverá terroristas, disso temos a certeza. Os mesmos Estados Unidos já deixaram claro que novos atentados são prováveis, como forma de retaliação.

E os Estados Unidos precisam dum inimigo. Precisam desesperadamente.
Se decidiram pôr um ponto final na saga de Bin Laden, é porque já há quem possa substitui-lo.
O Irão? Nesta altura parece ser o melhor candidato, mas não o único.


O novo estilo

Uma nova ordem mundial no horizonte? Não, por enquanto não há sinais disso.
Reparem: tudo o que se está a acontecer é um problema ocidental que em alguns casos tem Países asiáticos apenas como fundo das operações.
Os EUA em crise, que tentam alterar um destino que já parece escrito, uma Europa em coma profundo, uma crise (a começada em 2008) que teima em não acabar.

Estamos perante um novo "estilo" dos Estado Unidos. Um estilo que, contrariamente aos anteriores, parece não o fruto duma planificação de longo prazo, mas uma resposta aos estímulos, uma espécie de reacção.

Isso não significa que não haja uma projectação, longe disso. Significa, todavia, que os Estados Unidos estão a percorrer uma estrada que, em condições normais, evitariam percorrer com esta atitude.

Porquê?
A resposta não é difícil: Washington tem enormes problemas internos, e estes problemas têm um nome também: economia.




A "morte" de Bin Laden é, ao mesmo tempo, um passo em frente e um passo atrás.

Em frente porque provavelmente consentirá a entrada em campo dum novo "inimigo" e de novas estratégias.

Atrás, porque permite aos Americanos retirar as tropas e diminuir os custos abismais sem que os objectivos estratégicos estejam totalmente alcançados: o Afeganistão está bem longe de ser um território controlado e neste aspecto a situação é bem pior daquela deixada atrás no Iraque.

Ao mesmo tempo, os problemas orçamentais impediram aos Estados Unidos de empenhar-se abertamente num conflicto fundamental para o controlo dos recursos, a guerra da Líbia. Obama foi obrigado a mandar em frente a Nato, isso é, os Países europeus. Com os resultados que todos podemos ver.


O exemplo da Síria e a próxima tempestade

Também a situação na Síria merece ser comentada: outra "revolta espontânea", mas atitude diferente. Sarkozy bem tentou apontar o País do Médio Oriente qual próximo alvo, mas ninguém recolheu o convite.

E quem poderia ter feito isso? Uma Europa em pedaços? Uma América à beira do colapso económico?

A operação síria mais pareceu (até agora) uma tentativa do género "vamos mexer as águas para ver o que acontece", com Israel que aplaude.

Mas até agora não aconteceu nada, o governo da Síria bem sabe isso e nem ligou às promessas-ameaças de Hilary Clinton ("A revolta irá acabar no dia em que a Siria assinar um tratado de paz com Israel e acabar de apoiar o Irão e os Hezbollah").

E porquê a Síria deveria ceder? Qual o perigo imediato? 

Nestes dias circenses há um silêncio ensurdecedor: o silêncio da China. Que, com os outros Países, está na ponte e olha o rio, à espera de ver passar o cadáver do inimigo.

Não será preciso esperar muito: o tempo está a mudar, a tempestade aproxima-se.
Será uma tempestade infernal.


"Contra" os Estados Unidos?

Uma última nota.

Ainda uma vez gostaria de esclarecer um ponto e sublinhar que Informação Incorrecta nada tem contra os Estados Unidos. O futuro pouco alegre que aqui é prospectado não representa um voto, mas uma leitura que tem por base a análise dos factos.

Ser "contra" os Estados Unidos (uma atitude bem presente em internet) é simplesmente estúpido, por, no mínimo, duas razões.

Em primeiro lugar: se hoje no Mundo Ocidental não somos obrigados a chamar de "camarada" o nosso vizinho, é bom lembrar que isso deve-se à intervenção dos Estados Unidos ao longo da Segunda Guerra Mundial e ao papel deles ao longo da Guerra Fria. E qualquer leitura histórica diferente pertence ao mundo do delírio.

Segundo: os Estados Unidos são compostos por pessoas como nós, aliás, bem mais azaradas do que nós. São cidadãos cujas faculdades mentais são continuamente postas em causa pelos ataques dum sistema de persuasão mediática que aí encontra a máxima expressão.

O que pode ser feito é assumir o fim do papel histórico dos Estados Unidos.
O que podem ser criticadas são as escolhas do Governo e dos bancos (que depois é a mesma coisa), não um povo ao qual é contado que tudo está bem, que ainda são os melhores e que representam o berço da liberdade (sic).

E se alguém tem dúvida, tente responder à seguinte pergunta: a má gestão do vosso País é culpa vossa?
(Resposta: em parte sim, pois quem é que vota? Mas este é outro discurso...)


Ipse dixit.

Magnificamente escrito por Max no Informação Incorrecta