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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O “Plano Cohen”, a “Carta Brandi” e o dossiê do Serra. A perna da mentira ficou mais curta

Na foto, Fernando Henrique (D) tenta salvar o jenio (E)


O Conversa Afiada tem o prazer de publicar os principais trechos de excelente artigo do amigo navegante Rogério Mattos Costa:



Receita Federal afirma que Verônica Serra autorizou abertura de seu sigilo fiscal. E a FOLHA é desmascarada. Mais uma vez.


Rogério Mattos Costa, Madrid, 01.09.2010


A Receita Federal afirmou ontem ter um documento, uma procuração da filha de Serra, com assinatura reconhecida em Cartório, autorizando a abertura de seu sigilo fiscal em 2008.


Mas a FOLHA, transformada em panfleto de campanha tucana, não disse nada sobre isso em sua matéria apócrifa de hoje, que não vem assinada por nenhum jornalista.


Algo que foi noticiado ontem até pelo próprio ESTADÃO no corpo de matéria publicada hoje.


É claro que, na manchete do combalido jornal dos Mesquita aparece apenas a denuncia de que “O sigilo da filha de Serra foi violado”, sem esclarecer que existiu o pedido da própria contribuinte, o que aparecerá apenas para os leitores que acessarem o corpo da matéria.


O Estadão faz uso de uma velha técnica de desinformação, retirada do manual do jornalismo de esgoto, que diz:


“Se for impossível mentir, omita a verdade na manchete e mostre-a só no corpo da matéria. O efeito é quase o mesmo, pois grande parte do público, apesar de só ler a manchete, sai contando por você a mentira que você queria contar”.


Basta comparar a matéria da FOLHA aqui , que coloca a filha de Serra e o próprio candidato como “vítimas”, com a matéria do ESTADAO, aqui , para ver a má-fé de ambos, mas em especial, da FOLHA.


Segundo a Receita, a abertura foi feita a pedido de um homem, portando a autorização assinada , com firma reconhecida.


Falsificação: velha prática da direita e da sua imprensa.


Muito antes de Getúlio Vargas, os partidos de direita e famílias como os Marinho, os Frias, os Mesquita e outros donos dos maiores meios de comunicação, acostumaram-se a fabricar “cartas” e “dôssies” para justificar golpes militares e enganar a população.


Especialmente, nas vésperas das eleições.


A novidade é apenas o tempo que leva para a mentira ser descoberta.


Foi assim com a célebre “Carta Brandi”, uma montagem de Carlos Lacerda, um jornalista que iniciou a carreira cobrindo crimes sanguinolentos e que no dia das eleições de 3 de outubro de 1955, que elegeram o presidente Juscelino, leu pela televisão uma carta de um deputado provincial argentino que dava detalhes de uma pretensa revolta para implantar a “república sindicalista do Brasil”.


Segundo Lacerda, que mais tarde virou governador da Guanabara, a carta havia sido escrita por um deputado argentino aos seus comparsas no Brasil e provava que a “sangrenta revolução” seria executada através de um levante de operários, realizado com armas contrabandeadas do país vizinho.


Mas tudo fora uma armação da UDN (como se chamava o DEM naquela época) e do Carlos Lacerda,


A tal Carta do deputado peronista Antonio Brandi era falsa, como ficou comprovado em um Inquérito Policial Militar realizado pelo Ministério do Exército, presidido pelo General Emilio Maurell Filho, como descreve Edmar Morel em “Confissões de Um Repórter” .


Um depoimento do próprio deputado Antonio Brandi, um picareta que confessou ter ganho dois mil pesos para escrever a tal carta, mostrou que foi o próprio Lacerda que foi lá no interior da Argentina, numa cidadezinha chamada Goya, na fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai, produzir a tal carta com fotos e tudo.


Já na época, os golpistas e o “experto” Lacerda foram traídos por um pequeno detalhe: a máquina de escrever em que havia sido batida a tal “carta” tinha o “til” em separado, para usar sobre o “a” e sobre o “o”, como ocorre no português e no Brasil.


Ora, na Argentina e nos países de fala castelhana, só existe o “til” sobre o “n”, que é o “ñ” ( “enhe”)…


Lacerda havia levado uma máquina daqui do Brasil para escrever a carta na Argentina… e se deu mal nessa. O golpe não colou e JK foi eleito.


Os golpistas haviam superestimado o alcance da TV naquele tempo e deixado para “divulgar o plano dos sindicalistas” no dia das eleições. E afinal, nem todo mundo é bobo, como a direita sempre pensa.


Além do mais, essa não havia sido a única vez que golpistas tinham recorrido a “cartas secretas” e “dossiês” falsificados. O povo estava acostumado, como agora, com essas maluquices e pirotecnias da direita e seus jornais.


Já em 1921, duas cartas falsificadas, que teriam sido manuscritas, haviam sido publicada poucos dias antes das eleições pelo jornal “Correio da Manhã”, com grande destaque.


Elas continham pretensos insultos de Arthur Bernardes, então candidato, ao ex-presidente Marechal Hermes da Fonseca, presidente e aos militares, e ao candidato do governo, Nilo Peçanha, para prejudicar seu partido e indispô-lo com o Exército.


Mas Bernardes contratou peritos e provou na Justiça, que as cartas haviam sido falsificadas .


Outra vez um detalhe derrubou a tese do jornal e dos golpistas: os peritos mostraram que elas haviam sido escritas não por um, mas por dois falsários, chamados Jacinto Guimarães e Oldemar Lacerda e Bernardes era só um…


Em 1937, em outra empulhação, o “Plano Cohen, um pretenso plano criminoso para os comunistas tomarem o poder, escrito na verdade pelo general Olímpio Mourão Filho, do serviço secreto do Exército, havia sido usada para justificar o golpe que criou a ditadura do Estado Novo.


No dia 30 de setembro, o general Goes Monteiro, chefe do estado maior, leu, na Voz do Brasil, no dia 30 de setembro de 1937, a denuncia sobre o “plano tenebroso” em que estudantes, operários e presos políticos libertados iriam seqüestrar e fuzilar imediatamente os ministros militares e civis, os presidentes da câmara e do senado, para implantar a “republica comunista” no Brasil, justificando uma ;época de repressão, censura, torturas e morte de opositores.


A fraude só foi descoberta oito anos mais tarde, em 1945, o próprio Goes Monteiro, reconheceu a fraude e pôs a culpa em Mourão Filho, que confessou ter escrito o documento a pedido do líder nazista brasileiro Plínio Salgado, apenas como uma simulação de como poderia ser um golpe comunista e ficou tudo por isso mesmo, nada tendo sofrido os falsários e impostores que tanto mal causaram ao Brasil.


O pior é que em 1964, o tal Mourão Filho foi um dos articuladores e executores do golpe militar de abril, que nos levou a 21 anos de ditadura, não só com censura, prisões, torturas e mortes, mas à dependência extrema, para tudo, do governo dos Estados Unidos da América.


Afinal, o golpista e falsário, em vez de ser punido e expulso das forças armadas como manda o regulamento, havia sido promovido a general e nomeado pelo próprio Jango comandante do IV Exército em Minas Gerais…


O fabricante de histórias Frias, José Serra, derrotado pela internet e por você.


Serra é um impostor, a começar pelo próprio diploma de economista, que ele nunca apresentou ao público, mas ostenta em seu currículo no TRE.


Tal como Lacerda e os demais golpistas, Serra acredita firmemente que o povo é burro.


Foi assim também com o “Diploma que Serra recebeu na sede da ONU de “melhor ministro da saúde do mundo , concedido por uma ONG corrupta sediada a poucos passos da sede do DEM em Curitiba.


Foi assim com o caso da Lunus , contra Roseana Sarney quando ela queria ser a anti-Lula em 2002, no lugar de Serra.


Foi assim com “o dossiê contra os gastos do cartão de FHC e da Dona Ruth”, vazado por um funcionário do gabinete do ex-governador tucano Álvaro Dias .


Foi assim no “dossiê dos aloprados”.


A especialidade de Serra agora é a de fabricar dossiês contra ele mesmo, para, com sua divulgação, fazer-se de vítima, como no caso do dossiê do sigilo.


Mas as coisas estão mudando, graças à internet e aos blogs, uma ferramenta ágil e acessível, que acabou com o monopólio dos jornalões.


Se você não sabia nada sobre o Plano Cohen, a Carta Brandi e as Cartas Falsas de Arthur Bernardes, agradeça às famílias Frias, Marinho, Mesquita e Civita, pois “eles” nunca falam nada sobre seus próprios crimes…


Se você gostou desse artigo, se achou que ele trouxe mais informação, espalhe-o na rede.


Faça sua parte na divulgação da História do Brasil que os donos da grande mídia comercial, o falso economista Serra e o PSDB não querem que o nosso povo conheça.



Fonte: Conversa Afiada

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Os Bastidores do Golpe de “Época”: O Plano Cohen 2010

Mauro Carrara

Em sua edição de 16 de Agosto de 2.010, a revista “Época”, semanário das Organizações Globo, procura aplicar um golpe rasteiro contra o povo brasileiro.

O objetivo evidente é alterar o panorama da corrida eleitoral à Presidência da República.

Por meio de distorções, insinuações maliciosas e uma adulteração grosseira da história do país, a reportagem de capa tenta criar uma imagem negativa da candidata progressista, Dilma Rousseff.

Guarde estes nomes: a matéria foi “cometida” por Leandro Loyola, Eumano Silva e Leonel Rocha.

Silva é o chefe da sucursal da revista em Brasília. Loyola é editor. Rocha é repórter.

Mas não atribua somente à trinca essa pérola do jornalismo de manipulação.

Anote aí o nome do diretor de redação: Helio Gurovitz. E também do redator-chefe: David Cohen (não confundir com o multidisciplinar cineasta britânico).

A coincidência das nomenclaturas aqui se repete como farsa e também como tragédia.

O Plano Cohen original é o nome de um documento forjado, falso, roteiro de uma fantasiosa revolução comunista no Brasil.

Foi produzido em 1937, supostamente pelo capitão Olímpio Mourão Filho, integralista fanático, sabotador profissional e articulador de ações secretas da extrema-direita.

O plano inventado foi desenhado para aterrorizar a população. E gerou pretexto para um golpe contra a democracia.

Não por acaso, Mourão Filho teve importância fundamental em outro triste evento da vida nacional, o putsch militar-midiático de 1964.

O Plano Cohen 2010 foi capitaneado por um jornalista carioca que passou pela Folha de S. Paulo e adestrou-se por um bom tempo na Exame.

Para quem não sabe, Exame é excelente escola. Não foi lá, afinal, que um “capo” poderoso acabou defenestrado por realizar acordos "por fora" com lobistas?

Por meio da publicação, Cohen alinhavou amizades no meio empresarial. Virou um especialista no “mercado das pulgas” de carreiras e assuntos correlatos.

Os demais elementos

Pelo que se narra nas redações, a "burla imprensaleira” deste Agosto teve a participação direta de outros conhecidos personagens do clube midio-golpista.

A designação de “Época” para realizar a missão teria sido sugerida por conhecidos membros do Instituto Millenium, célula neoconservadora e neoliberal que tem em seu conselho editorial Eurípedes Alcântara, o mais dedicado Civita’s postman.

O grupo é o mesmo que planejou e vem executando, desde março, a operação “Tempestade no Cerrado”, destinada a desacreditar o governo de Lula e inviabilizar a candidatura de Dilma Rousseff.

O motivo para a escolha de “Época” foi simples: a revista Veja já está “manjada”, diretamente associada às práticas golpistas da imprensa monopolista.

Sabe-se que há nessa trama o dedo orientador do indefectível Alberto Carlos Almeida, suposto cientista político que vive de palestras no estilo “embromation” e da prestação de serviços “estratégicos” eleitorais para os partidos conservadores.

Diante da insistência dos jornalistas globais, a assessoria da candidata emitiu nota de esclarecimento sobre o assunto em pauta, negando a participação de Dilma em qualquer tipo de ação armada.

Na verdade, bastava ao quinteto consultar os arquivos públicos para se saber que ela nunca foi julgada ou condenada por isso.

Dilma foi presa, torturada e encarcerada com base na odiosa Lei de Segurança Nacional. O motivo? Subversão. Isso quer dizer que ofereceu justa e heróica resistência ao governo militar.

“Época”, no entanto, ignora os fatos que realmente poderiam esclarecer o leitor sobre esse período sombrio e violento, em que tantos bons brasileiros experimentaram os rigores do afogamento, das surras no pau-de-arara e do eletrochoque.

Os quadros de referência da matéria, por exemplo, escancaram um único interesse: promover uma campanha explícita de ataque à reputação da candidata.

Eis alguns deles:

- Dilma foi denunciada por chefiar greves e assessorar assaltos a banco.

- Com dinheiro fornecido pela VAR Palmares, Dilma comprou um Fusca 66.

A peça mais vergonhosa da reportagem, no entanto, é um box de fundo preto com o título:

“As dúvidas sobre o passado. As perguntas sobre a trajetória de Dilma na ditadura militar que ainda estão sem resposta”.

São oito:

- Dilma estava armada no momento em que foi presa?

- Que tipo de treinamento com armas ela fez?

- Que papel Dilma teve no roubo do cofre de Adhemar de Barros?

- Qual foi a extensão do papel de Dilma na organização de assaltos a banco?

- Como foi a participação de Dilma nos Congressos da VAR Palmares?

- Qual foi o envolvimento de Dilma nas greves operárias de Minas Gerais em 1968?

- Dilma teve contato com organizações armadas de esquerda de outros países da América Latina?

- Dilma se arrepende de alguma atitude tomada naquele período?

Perceba que, na verdade, não são dúvidas jornalísticas. São insinuações, sugestões e tentativas de desqualificação.

A proposta de Cohen e seu bando de escribas é gerar dúvida em relação à honestidade de Dilma, é associá-la ao mundo do crime, é questionar seu caráter.

O caso do “Cofre de Adhemar de Barros” (1969), por exemplo, é conhecido de qualquer jornalista que tenha estudado minimamente a história recente do Brasil.

A expropriação dos valores obtidos ilicitamente pelo político mais corrupto de nossa história (até então) já teve seus detalhes esmiuçados em inúmeros livros e reportagens.

A reportagem, porém, parece ter sido teclada por um colegiado de zumbis catatônicos, que desconhecem o contexto da luta contra a Ditadura Militar e até mesmo o suplício pelo qual passaram seus colegas jornalistas na vigência do regime de exceção.

Em 13 páginas, “Época” constrói, pois, uma peça de propaganda eleitoral e, ao mesmo tempo, uma confusa saga anistórica, em que os usurpadores do poder são reconhecidos como autoridades legítimas.

São, segundo esse viés oficialista, detentores de direitos que lhes permitem instituir leis e aplicar punições aos desobedientes.

Nesse logro cínico e mal redigido (confira lá a gramática ruim), os déspotas, torturadores, estupradores e assassinos ganham até o status de vítimas.

Os cidadãos que lutaram pelo restabelecimento da ordem institucional, da democracia e dos direitos da pessoa humana, ao contrário, são ofendidos, estigmatizados e tratados como criminosos.

No delírio de Cohen e de “Época”, mocinhos e bandidos são trocados de lugar, sem pudor. Ou seja, a teoria subjacente é pior que aquela expressa pela Folha de S. Paulo com o termo "ditabranda".

Eleições riscam sempre marcos demarcatórios. Mostram quem realmente preza a ética, e quem entrega a dignidade para obter o reconhecimento dos senhores de engenho.

Que possamos aprender com Cohen, Gurovitz, Loyola, Silva e Rocha. E saber em que vala comum da história enterrar seus nomes envergonhados.