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quinta-feira, 26 de março de 2015

Kolomoisky começa a devorar a Ucrânia

21/2/2015, [*] Valentin KATASONOV, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


ATUALIZAÇÃO:
24/3/2015 – “O regime do golpe na Ucrânia está diante do que parece ser guerra total entre ladrões, como o oligarca e senhor-da-guerra, Igor Kolomoisky, que foi presenteado com uma província só dele para governar, mas levou seu exército privado para Kiev afim de disputar a tiros o controle da empresa estatal de energia, o que complicou terrivelmente os esforços de propaganda do Departamento de Estado dos EUA” (mais sobre isso em “Oligarcas ucranianos engalfinham-se entre eles” (ing. Ukraine’s Oligarchs Turn on Each Other), Robert Parry, Consortium News, 24/3/2015).


Ver também:
●— 24/3/2015, New York Times em: Começou a guerra dos oligarcas na Ucrânia! (ing. Dispute Between Poroshenko and Billionaire Governor Threaten Ukraine Alliance) ou 24/3/2015, Russia Insider (ing. Ukraine’s Oligarch War Begins!)
●— 24/3/2015, The Saker, The Vineyard of the Saker em: Estará o Tio Sam “queimando” Kolomoisky? (ing. Is Uncle Sam “tossing” Kolomoiskii?)


Igor Kolomoisky, oligarca judeu aliado dos partidos nazifascistas Svoboda e Setor Direita (Pravy Sektor)
Há cerca de 25 anos, o capitalismo oligárquico começou a crescer em solo ucraniano. É coisa que se baseia na “seleção natural” – os oligarcas devoram pequenas e médias empresas, e o patrimônio do estado. Quando os recursos para acumulação primitiva de capital se esgotam, os oligarcas começam a devorar-se uns os outros, usando poder de governo, tomada fraudulenta de empresas, judiciário corruptos, sumiço de provas e até assassinatos, sendo necessários. São como vários escorpiões num vaso pequeno.

Rinat Akhmetov
Depois do golpe de 2014 na Ucrânia, o tal processo de “seleção natural” capitalista na Ucrânia foi repentinamente acelerado. Alguns dos oligarcas, como Dmitry Firtash, por exemplo, abandonaram a disputa, com outros. Rinat Akhmetov que chegou a ser o mais rico dos oligarcas ucranianos, já deixou a lista dos 100 mais ricos do mundo. O Bloomberg Billionaires Index derrubou-o, do 88º lugar, para o 121º. Em um ano, perdeu US$ 4,3 bilhões, o que o deixou com US$ 9,6 bilhões.

Agora, Petro Poroshenko e Igor Kolomoisky são os que chegam à disputa final. Difícil avaliar a situação dos negócios de Poroshenko depois que tomou posse, mas algumas informações sobre Kolomoisky caíram em domínio público.

As notícias mais recentes dizem que as ações da empresa de Kolomoisky caíram 25% dia 19/2/2015 na Bolsa de Londres. JKX Oil & Gas plc (JKX) é empresa com sede na Grã-Bretanha, para exploração e produção de hidrocarbonetos listada na Bolsa de Valores de Londres. Kolomoisky é coproprietário de Eclairs Group Ltd. que controla 27,47% das ações de JKX. Em maio de 2014, Nigel Moore, Diretor Executivo da empresa JKX escreveu aos acionistas para informar que a Eclairs, empresa registrada nas Ilhas Virgens, controlada mediante uma rede complexa de fundos offshore é, de fato, propriedade de Igor Kolomoisky (59,1%) e de Gennady Bogolyubov e família (40,9%). No meio do dia, as ações de JKX caíram repentinamente 34%. Ao final do dia, a queda estava em 25%, na comparação com os preços da abertura do pregão, pela manhã. A empresa opera basicamente na Ucrânia (85% da renda). (...) Especialistas acreditam que alguma empresa russa derrubou as ações da JKX. (...) Ao longo do ano, a JKX vinha seriamente perdendo posições. A ação caíra 73% ($250 milhões) nos doze últimos meses até o dia 4 de fevereiro.

Kolomoisky investiu na JKX há alguns anos, na esperança de converter milhões em bilhões em curto período de tempo. A empresa planejava lucrar na exploração e desenvolvimentos de depósitos de gás e petróleo de xisto. Em 2013, lançou o maior projeto da Europa, de extração de gás e petróleo de xisto. Especialistas denunciaram que seria desastre ecológico, com ecos que chegariam à Rússia e outros países vizinhos da Europa. A onda de protestos e caos que daí decorreu obrigou a Ucrânia a suspender o processo. Em seguida, a queda no preço do petróleo tornou o projeto economicamente inviável.

Petro Poroshenko
Mais uma história relacionada a Kolomoisky, cidadão israelense, e a JKX, empresa que ele controla. A empresa disse, em 16/2/2015, que iniciara procedimentos de arbitragem contra a Ucrânia, nos termos dos tratados da Carta de Energia [Orig. Energy Charter Treaty], tratados bilaterais de investimentos (com a Grã-Bretanha e a Holanda) exigindo uma indenização de US$ 180 milhões, relacionada à produção de petróleo e gás.

JKX tenta receber a devolução de mais de US$ 180 milhões em aluguéis que sua subsidiária ucraniana pagara “ilegalmente” para produzir petróleo e gás na Ucrânia desde 2011. (...). E houve também outros pagamentos impostos à empresa. Em 2014, o parlamento ucraniano aumentou temporariamente o royalty para extração de gás, de 28% para 55% (para profundidades inferiores a 5 km), depois, o parlamento prorrogou a exigência até 2015. (...)

O mais engraçado é que Kolomoisky, que recebeu o governo da província de Dnepropetrovsk em março de 2014 e, portanto, é parte do governo ucraniano, inicie processos... contra o próprio governo do qual faz parte. Qual a novidade? Ele está habituado a fazer dinheiro a partir de “recursos administrativos”. Se conseguir que a corte internacional de arbitragem acolha o pedido de proteção judicial aos direitos de Kolomoisky e Bogoliubov (beneficiários ucranianos da empresa), Kolomoisky, na sequência, mobilizará seus “recursos administrativos” para conseguir que a Ucrânia pague todas as devidas “compensações”.

Igor Kolomoisky é exemplo luminoso de parasita que mama nas tetas do Estado. Naftogas é a empresa nacional de petróleo e gás envolvida com extração, transporte e refino de gás natural e petróleo cru. A Ukrnafta é a mais conhecida das suas subsidiárias, com 51% das ações sob controle da Naftogas. Formalmente, Ukrnafta é empresa estatal. Na prática, é controlada por Kolomoisky.

Dia 10/2/2015 a equipe de administração da Ukrnafta, controlada por Kolomoisky, protocolou uma reclamação, na corte administrativa de Kiev, contra o governo da Ucrânia, o Ministério do Desenvolvimento Econômico e Comércio e o Ministério de Energia, na qual exige que quatro representantes da empresa nacional Naftogaz Ukrainy sejam demitidos do comitê que controla as vendas de petróleo e de gás natural condensado e liquefeito de origem nacional. Os quatro foram nomeados por decisão do governo da Ucrânia, dia 16/12/2014.

Sergey Leshchenko
Sergey Leshchenko, membro do Parlamento, revelou as razão por trás de tão estranho comportamento. Segundo ele, ao longo de vários meses Kolomoisky vendeu patrimônio da Ukrnafta em leilões clandestinos. Os bens eram comprados pelo preço inicial menos 15%, por empresas controladas também por Kolomoisky, evidentemente sem qualquer concorrência. Em cada leilão, o oligarca ganhava e a empresa perdia entre meio bilhão e um bilhão de hryvnas (moeda da Ucrânia). Leshchenko explicou que, agora, Kolomoisky não pode mais obter esses bons descontos. Foi proibido de realizar um leilão com taxa de 15:1 hryvna/dólar (a taxa real é 23:1). A Ukrnafta, agora, quer sabotar outro leilão de petróleo vendido a preço de mercado. Na verdade, a Ukrnafta priva-se, ela mesma, de renda extra. Mas não é tão absurdo quanto parece, porque, por esse sistema, a companhia estatal abertamente protege os interesses do “patriota” Kolomoisky.

Kolomoisky sofreu grandes perdas em anos recentes, perdeu muito dinheiro. Perdeu US$ 2 bilhões na Crimeia, além de seus bens na Rússia e na parte sudeste da Ucrânia. Segundo a revista Forbes, Kolomoisky valeria hoje US$ 1,3 bilhões (quase a metade dos US$ 2,4 bilhões de dois anos atrás). Perdeu dinheiro, mas outros oligarcas ucranianos perderam ainda mais depressa que ele. E ele tem demonstrado muitos talentos e recursos para compensar as perdas. É homem esperto e impiedoso. Talvez, quem sabe, devore algum outro verme gordo, como Poroshenko, por exemplo. Mas... e depois?

O que restará, afinal, para devorar? A economia e o estado ucraniano acabarão destruídos. Segundo especialistas, a economia pode encolher de 10 a 20% em 2015. Depois, parasitas diferentes, de calibre “global” saquearão toda a riqueza acumulada por Kolomoisky. Os expropriadores-saqueadores ucranianos contemporâneos serão por sua vez também expropriados-saqueados. A Ucrânia e seus oligarcas são bom exemplo para quem ainda se interesse pelo processo de “seleção natural” no mundo do capitalismo predatório.
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[*] Valentin Katasonov (nasceu em 5/4/1950) tornou-se professor do Instituto Estatal de Moscou de Relações Internacionais (MGIMO) onde lecionou de 1972 até 1990. É conhecido autor russo no mercado financeiro internacional. É também cientista e escritor respeitadoDoutor em Ciências Econômicas e membro da Academia de Ciências Econômicas e de Negócios da Rússia. Em 1991, escreveu a monografia: “Uma grande potência ou potência ambiental?”; entre 1991-1993 trabalhou como Consultor Econômico da ONU.
No período 1993-1996 foi membro do Conselho Consultivo do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD). Entre 1996 e 2000 foi Vice-Diretor do Russian National Investment Bank. No período de 2001 a 2011 foi Diretor do Departamento de Relações Internacionais para Assuntos de Câmbio, Moedas e Fundos do BERD. A partir de 2012 tornou-se Analista Econômico independente (free-lance).
Escreveu durante a carreira inúmeros livros, ensaios, monografias e artigos publicados em diversos veículos de imprensa. 

domingo, 24 de agosto de 2014

O povo das repúblicas do leste da Ucrânia, entre milícias e oligarcas

16/8/2014, [*] Boris Kagarlitsky, de Moscou − International Journal of Socialist Renewal, Austrália
Traduzido do russo para inglês por Renfrey Clarke
Traduzido para português pelo pessoal da Vila Vudu


Contexto: Assim sendo, o que pode estar em preparação para a Ucrânia? Parece perfeitamente razoável que a Rússia deseje fim imediato do ataque militar contra os "separatistas" no leste da Ucrânia. E Washington não tem feito outra coisa além de ordenar que Kiev ataque sem descanso. Mas isso pode estar começando a mudar.

Se acontecer, Rússia e Alemanha ganharão espaço para respirar e enfiar por aquele território uma trilha de paz, que Putin e Merkel podem estar refinando lá entre os dois. Até aqui, Washington não faz outra coisa além de minar qualquer tentativa nascente de diálogo intraucraniano. Mas esse tipo de "rejeicionismo" pode também já não ser sustentável, se a Alemanha decidir jogar todo seu peso a favor do processo que leve ao diálogo.

Em resumo, se estamos interpretando corretamente os sinais, é possível que já se ouçam os primeiros tambores da retirada do Tio Sam. O conhecido estrategista russo Boris Kagarlitsky publicou coluna, em seu estilo caracteristicamente de provocação, em que dá várias pistas sobre a trama inacreditavelmente complexa das manobras em curso no leste da Ucrânia [adiante, traduzido] (...). Seja como for, o Kremlin ainda não precisou jogar todos os seus trunfos.
22/8/2014, A guerra pela Ucrânia pode estar chegando ao fim, MK Bhadrakumar, em inglês.

Ucrânia e as repúblicas de Novorússia
(em vermelho)
A guerra entre o governo da Ucrânia e as repúblicas da Novorrússia está gradualmente assumindo o caráter de impasse de posição. Os recursos dos dois lados estão exauridos, e as reservas para combate estão no fim. Para as repúblicas populares, que se autodefendem contra forças militares muito superiores do governo de Kiev, o princípio segundo o qual “governos têm de vencer; para uma insurreição, já basta não perder” opera com força total.

A situação econômica que se deteriora na Ucrânia, a crescente desmoralização dos apoiadores do regime de Kiev e o desenvolvimento gradual de um movimento partisan de resistência em território controlado pelo governo são fatores que, juntos, inauguram uma nova fase numa guerra civil que, claramente, se estenderá para bem além dos limites do sudeste.

Os meados do mês de agosto assistiram ao acentuado fracasso da mais recente ofensiva pelo exército do governo de Kiev (mais provavelmente, a última ofensiva na campanha de verão de Kiev). É significativo que, durante a ofensiva anterior, a imprensa-empresa ocidental dominante, que só faz sonegar aos seus consumidores qualquer informação real sobre a guerra, pôs-se repentinamente a publicar matérias sobre sucessos do exército do governo em Kiev. Como já ocorrera antes, depois das previsões otimistas, veio o silêncio.

O fracasso da segunda ofensiva seguiu exatamente o mesmo cenário que a primeira: as forças atacantes tiveram interrompido o contato com suas bases e acabaram cercadas. As vitórias ‘de noticiário’ viraram catástrofe no mundo real. Não há como vencer guerras no espaço informacional, se você está apanhando em terra firme.

Parece haver todas as razões para falar de prospectivas positivas para os povos das repúblicas da Novorrússia. Mas, nos bastidores de vitórias militares, desenrola-se uma crise política e administrativa que cria novos perigos, os quais, se não são maiores que os associados a ataque por forças militares, não são por isso menos graves.

Coronel Igor Strelkov
Ao longo de várias semanas, toda a liderança das repúblicas de Donetsk e Lugansk foi efetivamente trocada. O desenvolvimento mais inesperado e de mais impacto foi o afastamento do líder militar das milícias, Igor Strelkov. Na melhor tradição dos soviéticos, o anúncio veio vazado em termos de “transferência para outro serviço”. A decisão foi tomada num momento em que Strelkov estava em Moscou, longe de suas tropas.

A remoção de Strelkov, afastado de seu posto, é evidente ato de vingança, por aquelas forças dentro do Kremlin às quais o comandante das milícias populares infligiu uma séria derrota política no início de julho. As unidades de milícias, depois de campanha heroica de dois meses na defesa de Slavyansk, rompeu o círculo de forças ucranianas e avançou para Donetsk, onde figuras políticas ligadas ao Kremlin já planejavam a rendição da cidade ao governo em Kiev. A chegada das milícias foi seguida de um expurgo radical nas estruturas de poder. Ninguém reprimiu os conspiradores, mas todos foram forçados, um depois do outro, a assinar cartas de renúncia. Na sequência, deixaram a cidade sem excessivo alarido, alguns tomando o rumo de Moscou; outros, de Kiev. Aconteceu assim, contra um pano de fundo de crescente radicalização política dentro do movimento da resistência.

Boris Litvinov
Em agosto, foi publicada uma carta conjunta de soldados combatentes e comandantes das milícias da resistência, exigindo que o slogan “repúblicas sociais” que estava sendo proclamado em Donetsk e Lugansk fosse implantado em todos os seus efeitos reais; que a propriedade dos oligarcas tinha de ser nacionalizada e que eram urgentes inúmeras reformas a serem implantadas na defesa dos direitos dos trabalhadores. Quem assumiu o posto de presidente do Soviete Supremo foi Boris Litvinov, comunista que rompeu com a liderança oficial do Partido. Aprovou-se legislação que revertia a privatização-comercialização do atendimento à saúde que havia sido iniciada pelos líderes anteriores; e fizeram-se repetidas, embora várias vezes excessivamente tímidas, tentativas na direção da des-privatização.

Por sua parte, especialistas políticos próximos do Kremlin desencadearam campanha contra Strelkov na imprensa-empresa de massa russa. A amargura dos burocratas em Moscou e de seus assistentes para propaganda é compreensível: enquanto permaneciam no abrigo aconchegante de seus escritórios, traçando planos e tecendo intrigas, o povo, na vanguarda dos eventos, ia fazendo história sem consultá-los.

Paradoxalmente, foi Strelkov quem mais fez para estimular a radicalização do processo, apesar de suas simpatias pela monarquia pré-revolucionária e nostalgia do império russo. O líder das milícias não tem fama só pela honestidade e abertura-transparência (basta lembrar os relatos detalhados que distribuiu das próprias dificuldades e fracassos, que contrastam fortemente com a propaganda distribuída por Moscou e Kiev). Os instintos políticos de Strelkov o levaram, em grande medida apesar de suas próprias tendências ideológicas, a apoiar mudanças sociais e políticas. Ele e seus aliados destacaram repetidas vezes que não permitiriam que a Novorússia fosse convertida numa segunda edição de uma Ucrânia pré-Maidan – opondo-se assim diretamente à estratégia de parte do Kremlin, que queria obter exatamente isso.

Diferente de outros líderes de Donetsk e Lugansk que viajaram inúmeras vezes a Moscou para suplicar ajuda (na maioria dos casos sem qualquer sucesso), o comandante das milícias sempre podia ser localizado na linha de combate, com seus homens. Essa atitude, como a prática mostrou, foi mais segura para ele no campo político do que nos corredores do poder em Moscou.

Não se sabe como Strelkov foi atraído para Moscou e o que lhe fizeram para obrigá-lo a assinar a renúncia “voluntária” (se é que assinou alguma coisa semelhante a isso). É possível que tenha sido ameaçado com suspensão total do fornecimento de suprimentos russos para os territórios liberados da Novorússia. Em grau considerável, essa dependência das novas repúblicas populares, de recursos que lhe chegavam de fora, é resultado de gerência mal feita pelo pessoal que o próprio Strelkov demitiu de seus postos em julho e início de agosto: não conseguiram, ou recusaram-se a fazê-lo, organizar a economia na retaguarda, para garantir distribuição normal de recursos. Em agosto, já se configurava uma situação na qual as repúblicas estavam ameaçadas de desastre, a menos que carregamentos de comida e munição fossem trazidos da Rússia. Muito provavelmente, esse fator foi usado pelos intrigantes dentro do Kremlin, para se livrarem de Strelkov.

Oleg Tsarev
De um modo ou de outro, as forças conservadoras tiveram sua vingança e o comandante militar de Donetsk foi removido. Há quem suspeite de elos com os oligarcas indicados para postos chaves. Em Moscou, durante os últimos dias, o político ucraniano Oleg Tsarev, que não representa ninguém e foi expulso de Donetsk pelos combatentes das milícias da resistência, desfraldou uma “nova bandeira da Novorússia”. Sabe-se lá por que, era versão, de cabeça para baixo, da velha bandeira imperial; e foi obviamente pensada para ‘'neutralizar'’ a bandeira, vermelho-escuro com uma cruz de Santo André, sob a qual as milícias estão combatendo.

A imprensa-empresa russa já está noticiando abertamente um acordo que teria sido feito entre os burocratas de Moscou e o oligarca ucraniano Rinat Akhmetov. Nas melhores tradições do ancien régime, a burocracia do Kremlin decidiu sacrificar os territórios libertados e entregá-los ao novo vassalo, em troca de seus serviços como mediador nas relações futuras com Kiev e, depois, também com o ocidente. Ao mesmo tempo, contatos estão sendo revividos entre diplomatas russos e ucranianos, e estão em curso acaloradas discussões sobre o destino final do sudeste. Depois do fracasso da mais recente ofensiva, e ante crescentes dificuldades internas, Kiev pode muito bem estar pronta para assinar um acordo.

Rinat Akhmetov
A única coisa que os autores desse cenário não levaram em consideração é o pensamento do povo da Novorrússia e Ucrânia, nem o estado de espírito dos residentes em Donetsk e a lógica geral de um processo revolucionário para o qual a sociedade russa está sendo levada gradualmente. Os combatentes das milícias da resistência que, sob bombardeio, estão construindo um novo estado, já não mais aceitarão permanecer como agentes dóceis de decisões tomadas longe dali – as quais, não importa onde sejam tomadas, se em Moscou ou em Kiev, são decisões alheias aos próprios interesses locais.

Na Novorússia, as simpatias idealistas com uma Rússia abstrata, que caracterizaram os primeiros meses do levante, estão agora cedendo lugar a uma crescente irritação contra os burocratas do Kremlin, que estão sendo acusados de traição e sabotagem pelos apoiadores das repúblicas populares.

O mesmo estado de espírito alastra-se também, como avalanche, dentro da própria Rússia. Quanto a Igor Strelkov, um novo grupo de comandantes de campo está assumindo o lugar dele, aceitando-o, em vários sentidos, como exemplo, mas diferentes de Strelkov, porque se posicionam com mais radicalismo, mais à esquerda.

Mediante intrigas, chantagem e manipulação, o “aparelho” pode, talvez, conseguir alguns sucessos táticos, e a remoção de uma ou outra figura de liderança. Mas não conseguirá deter a crise revolucionária cujo desenvolvimento está agora ganhando impulso.
__________________________

[*] Boris Yuliyevich Kagarlitsky (em russo: Борис Юльевич Кагарлицкий, 29 de agosto de 1958, Moscou) é um teórico marxista e sociólogo russo. É o coordenador do projeto Crise Global do Transnational Institute e diretor do Instituto sobre la Globalización y Movimientos Sociales  (IGSO) de Moscou.

Livros publicados
  • The Thinking Reed: Intellectuals and the Soviet State from 1917 to the Present (1988)
  • The Dialectic of Change (1989)
  • Farewell Perestroika: A Soviet Chronicle (1990)
  • Disintegration of the Monolith (1993)
  • Square Wheels: How Russian Democracy Got Derailed (1994)
  • The Mirage of Modernization (1995)
  • Restoration in Russia (1995)
  • Globalization and Its Discontents: The Rise of Postmodern Socialisms (1996, com Roger Burbach e Orlando Nuñez)
  • New RealismNew BarbarismSocialist Theory in the Era of Globalization 
  • The Twilight of Globalization: Property, State and Capitalism (1999)
  • The Return of Radicalism: Reshaping the Left Institutions (2000)
  • Russia under Yeltsin and Putin: Neo-liberal Autocracy (2002)
  • The Politics of Empire: Globalisation in Crisis (2004, co-editado com Alan Freeman)
  • The Revolt of the Middle Class (2006)
  • Empire of the Periphery: Russia and the World System (2008)

domingo, 17 de agosto de 2014

Alguns indicadores sobre a situação no leste da Ucrânia

16/8/2014, The Saker, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

The Saker
Pessoal, acabo de chegar em casa depois de um dia muito louco e não posso escrever um adequado RELATÓRIO DE SITUAÇÃO (SITREP), dentre outros motivos porque a situação no leste da Ucrânia continua muito confusa. Mesmo assim, quero partilhar alguns indicadores, desde já com vocês.

Sobre a “coluna russa destroçada”: Poroshenko vs Carl Sagan

Não se pode provar frase de negação. Mas tampouco sou eu, a tentar a prova impossível. OsUkies e uns poucos repórteres britânicos trabalharam nisso – e APRESENTARAM ZERO PROVAS.

Como Carl Sagan diz tão belamente, “afirmativas extraordinárias exigem provas do outro mundo!”. E a ideia de que a Rússia enviaria só 23 blindados, sem qualquer tipo de proteção, à luz do dia é, sim, ideia do outro mundo.

Como também é ideia do outro mundo que, numa região cheíssima de unidades militares russas, ninguém moveria um dedo para salvar a coluna. Significa que, mesmo que uma unidade russa entrasse por engano na Ucrânia (mais outra ideia do outro mundo, em tempos de GPS e GLONASS!), a ideia de que quem a mandou nada faria para protegê-la ou para tirar de lá os seus próprios soldados é completamente “ideia do outro mundo’. Quanto aos “jornalistas” britânicos, não tinham sequer um celular para mostrar imagens, ruins que fossem, feitas de longe que fossem? Nenhuma imagem?! Mais uma vez, “informação” totalmente “do outro mundo”!

Finalmente, mas nem por isso menos importante, há mais um elemento do “outro mundo” nessa história, mas, nesse, acredito firmemente. Acabo de saber que o Ministério de Relações Exteriores da Grã-Bretanha convocou o embaixador da Rússia na GB, para que dê explicações sobre a incursão russa. Desculpem, mas... Não sei se entendi bem... Desde quando a Ucrânia virou parte do Império Britânico do Commonwealth? O que é que o Foreign Officetem a ver com esse assunto?!

Petro Poroshenko
Não há dúvidas de que há *muitas* colunas de blindados destruídas por todo o Donbass.

De fato, a Resistência não perde ocasião de filmá-las. Hoje, acabo de ver mais um filme (perdoem, mas ainda não há tradução). Assim sendo, é muito provável que os Ukies tenham mostrado tanques queimados aos jornalistas britânicos. Tanques dos Ukie, é claro.

Quanto a Poroshenko, tenta desesperadamente convencer o mundo de que o russos estão chegando, que invadirão amanhã – e que podem invadir usando um comboio humanitário. O que é certo é que, até que me apresentem provas concretas, num cenário crível que explique o que dizem que teria acontecido, continuo com Carl Sagan e descreio logo da história toda, completamente.

Mudança da liderança na Novorrússia

Essa outra é muito extraordinária, mas, diferente da história acima, vem cheia de provas perfeitamente “deste mundo”: não há dúvida possível de que todas as figuras chaves na Novorrússia foram substituídas. Strelkov está vivo e aparentemente não está preso. O que explicaria esses desdobramentos?

Por mais que eu odeie especulações sem base alguma, direi que há duas teorias que, ambas, fazem sentido para mim. Exponho aqui um resumo de cada uma, para discutir; nesse momento não estou endossando nenhuma delas.

Teoria Um: vem por aí algum “grande acordo/negócio”

Nos termos dessa teoria, alguns indivíduos chave no Kremlin e o oligarca Ukie Rinat Akhmetov estão tentando parar a guerra e esculpir a marteladas um acordo pelo qual a Novorrússia continuaria a ser parte de um único estado ucraniano, com ampla autonomia, especialmente em termos culturais, linguísticos, políticos e econômicos. Alguns especulam que a Ucrânia não se integraria à OTAN.

Rinat Akhmetov
Essa teoria é semelhante à do “acordo secreto Putin-Merkel” que circulou recentemente. O mais forte argumento a favor dessa teoria é que desde o início do conflito o objetivo n° 1 de Moscou sempre foi uma Ucrânia unitária, mas neutra e estável, não uma Ucrânia russofóbica, fascista ou convertida em quartel-da-OTAN. A Rússia não quer nem precisa nem da Ucrânia nem, sequer, do Donbass. A única coisa de que a Rússia precisa é um vizinho estável, previsível e seguro logo ali, na sua fronteira leste.

O principal problema com essa teoria é que, para a maioria dos que pegaram em armas contra a Junta nazista, a única coisa que interessa é total e completa separação de Kiev. Não significa, contudo, que essa solução seja inaceitável para a maioria do povo na Novorrússia – dado que a maioria não pegou em armas. Só há um ator que tem meios para pesquisar a opinião da maioria nessa zona de guerra – e é o estado russo. Assim, minha ideia é que só o Kremlin conhece com certeza o que querem a maioria dos novorrussos, ou o tipo de acordo que aceitariam.

Antes de concluir, temos de ser muito claros nesse ponto. Não estamos – repito: NÃO ESTAMOS – discutindo alguma espécie de “rendição”, de “negócio”, de “traição” ou de “punhalada nas costas” dos novorrussos, a ser assinada por Putin. Sim, sim, claro que todos os demonizadores-de-Putin (pagos e gratuitos) apresentariam a coisa como se fosse “traição”; mas até amigo muito próximo de Strelkov, como Pavel Gubarev, disse com máxima clareza que a chance de acontecer algum tipo de traição, é zero. O que estamos dizendo aqui é que pode haver alguma espécie de acordo, de compromisso, aceitável por grande número dos envolvidos (os cidadãos novorrussos não armados, o Kremlin, Rinat Akhmetov, a União Europeia) e não aceitável por outros (Kiev, o Tio Sam, a maior parte dos novorrussos combatentes armados).

Teoria Dois: vem por aí algum “grande contra-ataque

Ao contrário de muitos comentários que li postados aqui nesse blog ao longo dos últimos dias, vejo exatamente zero razões para crer que a Resistência esteja sendo esmagada ou a ponto de ser esmagada. De fato, a partir dos comentários que li, são os Ukies que, com custos altíssimos, conseguiram exatamente nada. Além do mais a retomada de Saur Mogila pelas forças Ukies podem bem resultar em mais um “caldeirão” para serem cozidos. Acrescente-se a isso rumores e “dicas” muito persistentes, vindas de vários comandantes em campo, de que uma grande contraofensiva estaria em preparação, e tenho a sensação de que os Ukies podem, sim, ter chegado ao esgotamento. Por favor, tomem cuidado ao “noticiar” que eu disse que essa hipótese é consistente com dados disponíveis: não estou prevendo que isso acontecerá.

Salve o povo do Donbass da agressão NAZISTA
Mas, por essa hipótese, para explicar a mudança da liderança na Novorrússia, aconteceu que todas as figuras chaves russas-da-Rússia foram substituídas por russos-do-Donbass. A motivação profunda pode ter sido evitar a impressão de que “forças russas estão invadindo a Ucrânia” e, em vez disso, mostrar que “forças ucranianas estão libertando a própria terra”. O melhor argumento em favor dessa hipótese é que, se a Resistência tiver de tomar a ofensiva, precisará de um quartel-general mais complexo, motivo que explica por que Strelkov foi “promovido” a “chefe do gabinete” militar novorrusso.

O melhor argumento contra essa hipótese é que simplesmente não vejo a Resistência que até ontem não passava de milícia de voluntários, convertida em efetiva força militar capaz de ações de nível operacional. Sim: se realmente não há ninguém entre as tropas Ukies no Donbass e Kiev, esse movimento pode ser obtido mediante uma série de engajamentos de nível tático; mas não consigo ver que tal coisa possa acontecer.

Como já disse, não estou apoiando nenhuma das teorias acima; ainda é muito cedo e há excesso de “não sabidos não sabidos” (tomando emprestada expressão de Rumsfeld) para conclusões categóricas. Mas posso dizer que acho a teoria n° 1 muito mais plausível que a teoria n° 2.

Caminhões carregados pela metade

Essa é simples. O comboio russo foi formado de caminhões que carregavam metade da carga máxima, porque se considerou importante que os caminhões fossem leves, com a máxima capacidade de manobra em terrenos difíceis. A carga foi planejada desse modo pelos russos e anunciada, já desde o primeiro dia.

Uma “Maidan nacionalista’ contra Putin no próximo outono

Não sou grande fã da trinca Dugin-Fedorov-Limonov, porque sempre fazem o que chamo de “manchete de pescar otários”: preveem sempre os eventos mais extremos (tipo ataque nuclear dos EUA contra a Rússia), e sempre atraem a máxima atenção possível da massa. Agora, é a história de um revide nacionalista contra Putin. Primeiro, é evidente que essa “previsão” implica que, antes, Putin traia algum interesse nacional russo. Pode acontecer amanhã cedo. Mas até esse momento não há nenhum sinal de que venha a acontecer. Mais uma vez, repito, não gosto de políticos, nunca depus minha confiança em político algum e não espero que ninguém “confie”, menos ainda que “creia” em Putin.

O que estou dizendo é que a teoria segundo a qual amanhã pela manhã Putin “trairá” a Novorrússia ou “venderá” interesses nacionais russos tem a mesma base fatual e lógica que uma teoria que preveja que, amanhã, Putin será visto pela rua dançando Hare-Krishna: zero.

Há IMENSA diferença entre “possível”, “muito provável”, “pouco provável”, “quem sabe?” e “talvez”. “Possível” e “talvez” exigem pouca fundamentação, praticamente, mesmo, nenhuma; mas é irresponsabilidade, é coisa de amador, dizer que algo que é apenas possível, seria “provável”. Em segundo lugar: o índice de aprovação popular de Putin, na Rússia, alcança estratosféricos 87% – é o mais alto de todos os tempos. – E o modo como Putin está lidando com as sanções anti-Rússia o tornou ainda mais popular que antes. Em terceiro lugar: há muitas mentiras e estupidezes escritas por jornalistas na imprensa-empresa em geral, sobre “Putin o Ditador”, mas uma coisa é verdade: Putin tem total controle sobre todos os serviços de segurança da Rússia, e os serviços de segurança da Rússia têm mais poder hoje do que nunca antes.

Por fim, não se pode considerar seriamente a possibilidade de que o povo russo, que está vendo o horror gerado pela Praça Maidan Ukie, venha a inventar uma Maidan-horror “só sua”. É rematada loucura. Meu conselho pessoal é que todos tomemos tudo que Dugin-Fedorov-Limonov digam, com vários metros cúbicos de máxima atenção.

 JORNADA PARA O ABISMO
A contagem regressiva para os estágios 4 e 5 de Dmitri Orlov

Mais uma coisa. Todos esses tópicos são só as proverbiais árvores, que escondem a floresta. A verdadeira história é que estamos vivendo uma contagem regressiva para gigantesca explosão no Banderastão. Todos sabemos que a detonada-Ucrânia está detonada, mas esquecemos o que isso significa e o que realmente significa. Dmitri Orlov, em seu livro – absolutamente fantástico The Five Stages of Collapse [Cinco estágios do colapso] – explica que o colapso ocorre na seguinte sequência de estágios:

  • Estágio 1: colapso financeiro. Acaba-se a fé nos negócios “de sempre”. Não mais se assume que o futuro será semelhante ao passado sob nenhum critério que permita que se avaliem riscos, e já não se pode considerar protegidos os ativos e patrimônios. As instituições financeiras tornam-se insolventes; as poupanças evaporam e perde-se acesso ao capital.

  • Estágio 2: colapso comercial. Acaba-se a fé em que “o mercado proverá”. O dinheiro perde valor e/ou desaparece, as commodities somem do mercado, cadeias de importação e varejo quebram; e passam a ser frequentes os racionamentos de itens de primeira necessidade.

  • Estágio 3: colapso político. Acaba-se a fé em que “o governo cuidará de você”. Como fracassam os esforços oficiais para mitigar as carências generalizadas e a falta de acesso às fontes comerciais dos artigos de primeira necessidade, oestablishment político perde legitimidade e relevância.

  • Estágio 4: colapso social. Acaba-se a fé em que “seu povo cuidará de você”, quando instituições sociais locais, de caridade ou outras, que acorrem para preencher o vácuo de poder, ficam sem recursos ou se autodevoram em conflitos internos.

  • Estágio 5: colapso cultural. Acaba-se a fé na bondade da humanidade. As pessoas perdem a própria capacidade para “gentileza, generosidade, consideração, afeto, honestidade, hospitalidade, compaixão e caridade”. Famílias se desmontam e passam a competir como indivíduos, por recursos escassos. O novo lema passa a ser “Que você morra hoje se, por isso, eu conseguir viver mais um dia”. (Orlov observa, corretamente, que o colapso da URSS não avançou além do estágio 3).

Mas pensem agora na destroçada-Ucrânia governada pela junta nazista de Kiev. Já está, pode-se dizer, no estágio 3; e o colapso econômico ainda nem se completou! Claro, os patrões ocidentais da Junta estão segurando artificialmente o valor da moeda ucraniana (hrivna): alguém já viu a moeda de país em guerra civil permanecer sempre estável, ou praticamente estável? Não existe. Os bancos ocidentais estão comprando aquele papel higiênico imprestável, por razões políticas; e fingem que há empréstimos de curto prazo, para dar a ilusão de que “até aqui, tudo bem”. Mas a realidade vai-se impondo muito, muito depressa.

Nos próximos dois meses, pouco mais, pouco menos, o Banderastão entrará plenamente nos estágios 4 e 5 do modelo de colapso de Orlov; aí, a coisa ficará realmente feia. Naquele ponto, introduzir algum tipo de ditadura é, de fato, inevitável. É isso, ou uma “somalização”. Nos dois casos, será realmente o inferno sobre a terra, e todos deveriam estar atentamente focados exatamente no seguinte: em como se preparar para a absolutamente inevitável explosão.

Quanto à União Europeia, as sanções russas já estão começando a morder. Fundo. Daí que, cada vez mais políticos da UE tentam desesperadamente escalar as paredes do fosso onde eles mesmos se autoenterraram. O mais estranho é que a Rússia, até agora, conseguiu evitar a recessão, apesar da saída de capital especulativo. Oh, é claro: com o tempo, fatores como a recessão na UE, a guerra na Ucrânia e as sanções ocidentais morderão a Rússia; mas é notável o quanto, até aqui, a Rússia está-se saindo melhor do que o previsto.

Resumo da ópera: muito em breve, uma detonada-Ucrânia ou explodirá completamente ou conhecerá novo regime, dessa vez abertamente ditatorial. As economias da UE, já então gravemente feridas e provavelmente começando a padecer sob a combinação desses dois fenômenos, deixarão os EUA sem fantoche viável para usar contra a Rússia. As coisas podem ficar tão feias que se pode imaginar que chegará um momento em que a União Europeia terá ativo interesse em que a Rússia intervenha na Ucrânia.

Por hoje, é isso. Espero que a situação, ainda muito confusa e nebulosa, comece a clarear logo. Quando acontecer, tentarei sentar e escrever RELATÓRIO DE SITUAÇÃO (SITREP) um pouco mais decente.

Saudações a todos,

The Saker