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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tem “terrorista” debaixo da cama!


Veja ressuscita Dan Mitrione – o mestre torturador

Laerte Braga

No auge da histeria anticomunista o ex-deputado Bonifácio Andrada (os Andradas chegaram ao Brasil em navio chapa branca, é uma praga que se espalhou por todos os cantos) tinha como bandeira a virulência de discursos contra o “comunismo ateu”, “pronto a devorar nossos filhos” e a “jogar em valas nossos velhos”.

O ex-deputado, hoje, dirige, na condição de reitor, a arapuca UNIPAC – Universidade Presidente Antônio Carlos – onde o aluno se forma e não sabe se vai poder exercer a profissão tal o emaranhado de irregularidades na “instituição”.

“Devorar nossos filhos”, “jogar em valas nossos velhos” era a forma encontrada por ele, Bonifácio Andrada e pelas elites brasileiras para disfarçar o controle que exerciam – e exercem – sobre o Estado brasileiro, mantendo intocados privilégios que deixam crianças perambulando pelas ruas e matam velhos nas filas do SUS.

Andrada nenhum quer saber do discurso de Fidel Castro quando da visita de João Paulo II, ponta de lança do capitalismo, a Cuba:

“Dois milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo esta noite, nenhuma delas em Cuba”.

É preciso que haja um inimigo visível e que possa servir a essas elites para intimidar, assustar, meter medo no cidadão comum. Uma espécie de bicho papão. Sai o “comunismo ateu”, entra o “terrorista”.

Aí, é só somar doses cavalares, no caso do Brasil, de Jornal Nacional, Miriam Leitão e outros, para prever imensas catástrofes caso os bancos ou as grandes corporações, interesses que defendem, sejam atingidos pela crise que imaginam vai varrer o País, mas mantendo intactos os seus ativos.

Um país com as dimensões continentais como o Brasil e uma diversidade em todos os sentidos, riquezas ainda incalculáveis é o prato feito para o capitalismo e nossas elites, como todas as elites econômicas, não têm pátria, nem escrúpulos, prestam-se a tudo, a qualquer papel para manter intocados os seus castelos.

Hoje e desde muito tempo detêm o controle da mídia privada. Se o cidadão deseja saber o que não acontece, deixar se iludir pela mentira, basta assistir ao Jornal Nacional, ou ouvir os comentários do agente norte-americano William Waack e ir dormir tranqüilo, não sem olhar embaixo da cama, é claro, e se por lá não está um terrorista de preferência iraniano.

E enquanto isso o capitalismo predador vai tomando conta, ocupando espaços e transformando o Brasil num grande entreposto do capital nacional e internacional. Uma espécie de posto de troca dos cavalos da linha de diligência da Wells Fargo – hoje banco.

A Revista Veja cumpre um papel específico no processo midiático dos grupos privados que controlam o setor. É a que faz o serviço sujo, executa os adversários, promove massacres como o do dia de São Valentin e o resto é feito pelo resto, Rede Globo, Grupo Folha, Estadão, RBS, Grupo Abril, Estado de Minas, etc..

A entrevista com o psicopata Roger Noriega é como a ressurreição de Dan Mitrione.

À época da ditadura militar os presidentes/ditadores cumpriam ordens diretas de Washington e todo o aparato norte-americano. Saiu nas páginas amarelas, aquelas que normalmente são usadas para vender produtos e Noriega vende o medo, vende o terror da mentira transformada em espetáculo, vende a paranóia, principal característica dos norte-americanos de classe média para cima. Fora do McDonald’s e da Disneyworld não acreditam que exista vida inteligente.

Dan Mitrione era um agente norte-americano que veio ao Brasil dar aulas de tortura, interrogatórios, todo o repertório de boçalidade do regime militar. Tinha como tradutor o global Hélio Costa (ex-senador, ex-ministro das Comunicações do governo Lula). Foram os tempos da Operação Condor. Uma aliança entre organizações terroristas das ditaduras militares do Brasil, Uruguai, Argentina e Chile para eliminar adversários.

Foi na esteira da Operação Condor que figuras como Orlando Letelier (ex-chanceler do governo Allende) foi assassinado em New York. O general Carlos Pratts, ex-comandante em chefe do exército chileno foi executado em Montevidéu e assim o ex-presidente boliviano José Juan Torres e outros, tanto quanto suspeitas as mortes de João Goulart e Juscelino Kubistchek. Sem falar em inúmeros lutadores contra as ditaduras em seus países, caso do major Cerveira, brasileiro, preso na Argentina, levado para o Uruguai e assassinado pelo coronel Brilhante Ustra nas dependências do DOI/CODI de São Paulo. A versão oficial diz que morreu em um quartel do Rio de Janeiro.

Ustra continua livre, ele e outros, escorados ou abrigados covardemente atrás da saia da anistia.

Segundo Noriega disse a Veja, o Irã está ligado ao narcotráfico colombiano e criando condições para atos de terrorismo em toda a América Latina, notadamente no Brasil durante a Copa do Mundo. Embaixador, ex-subsecretário no governo Bush, afirma que os “terroristas” agem “livremente” na região da tríplice fronteira, velho sonho dos norte-americanos de instalar uma base militar e controlar a área. O petróleo no Oriente Médio, a água do Aquífero Guarani no Brasil, entre outras riquezas.

Sobre a descarada presença de agentes da MOSSAD – Serviço Secreto de Israel, o absurdo TLC - Tratado de Livre Comércio com Israel assinado por Lula na política de uma no cravo e outra na ferradura. Um retrocesso sem tamanho para o Brasil, uma porta para os EUA diante do fracasso da ALCA – Aliança de Livre Comércio das Américas. Sobre esses assuntos, nada. Mesmo porque, óbvio, o objetivo de Noriega é vender seu peixe e seu peixe traz o cheiro fétido do imperialismo predador dos EUA e por extensão Israel (controla 90% da indústria bélica no Brasil).

E o objetivo de Veja ao entrevistar Noriega – cumprindo determinações vindas de fora, claro – é colocar a classe média que ainda lê a revista/podridão imaginando que vai ter que almoçar arroz e feijão com bife e batatas fritas.

E não vai mais poder comprar sandálias modelo Xuxa.

Noriega fala que Chávez vai morrer, afirma, dentro de seis meses, que a Venezuela vai entrar em colapso, a situação vai gerar um caos e vai ser “necessária” a intervenção militar norte-americana.

Uma das peculiaridades da falência dos EUA é que usam seu arsenal nuclear para destruir e reconstruir. Como não tem recursos para pagar sua dívida, mas têm milhares de ogivas nucleares para destruir o planeta, destroem tudo à sua volta para reconstruir e sustentarem-se na exploração de outros povos.

O Brasil é um dos alvos, e alvo preferencial dada a sua importância, e muito mais vulnerável com a desmobilização popular gerada no populismo de Lula que avançou sem avançar militarmente e agora vive um beco sem saída com um partido (PT) que virou uma espécie de PSDB do B.

A entrevista de Noriega não é um fato gratuito, uma decisão sem maiores implicações. É um passo no processo de desestabilização de um institucional que mesmo falido e corroído pela corrupção (que é parte do modelo capitalista; um não vive sem o outro) é o caminho preferencial – mas não único –das elites políticas e econômicas constituídas nesse arremedo de democracia que temos.

A propósito, a empresa VERICHIP CORP assinou um contrato sigiloso de distribuição de milhares de chips localizadores SOLUSAT. Num primeiro momento 800 unidades estão para chegar ao País, em curto prazo mais 75 mil. O papel desses chips instalados em seres humanos, são subcutâneos, é permitir o controle de todos os passos de um portador da “novidade tecnológica”.

Como diz a canção de Zé Ramalho, “povo marcado, povo feliz”.

Se você tem dúvidas da informação dê uma olhada no sítio da Exacta Express.

Vai ser a glória para William Bonner. Quem não assistir as edições diárias do Jornal Nacional vai cumprir pena obrigatória de assistir os programas do Faustão e do Luciano Huck por três horas diárias durante dez anos.

Dan Mitrione, o covarde professor de tortura contra a luta pelas liberdades na América do Sul, terminou morto num esgoto de Montevidéu depois de um combate com os resistentes Motoneros.

No Brasil chegou a virar nome de rua em Belo Horizonte, doença da qual a capital mineira já se curou.

Falta curar de Aécio Neves e sua “abeberração”, Antônio Anastasia.

Enviado por Sílvio de Barros Pinheiro

domingo, 13 de novembro de 2011

Um pregador de golpes de Estado



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Noriega, mais um canalha ao alcance da Veja

Publicado em 13/11/2011
por Mário Augusto Jacobskind

O nome dele é Roger Noriega (foto), um linha-dura que ocupou o cargo de subsecretário do Departamento de Estado no governo de George W. Bush e de embaixador dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA). 

Notoriamente vinculado ao complexo industrial militar norte-americano, Noriega volta e meia é convocado pela mídia de mercado para dar recados de grupos que se utilizam de expedientes de todos os tipos na defesa de poderosos interesses econômicos.

Pois bem, a revista Veja, sempre ela, divulgou entrevista em que Noriega faz previsões suspeitas envolvendo o Brasil. Segundo este estimulador de golpes nas Américas, o Brasil dá cobertura e serve de base para o terrorismo internacional.   

Noriega, que segue como funcionário do Departamento de Estado, ainda por cima acusa o Brasil de ser complacente e apoiar o terrorismo na Tríplice Fronteira. Esta região, por sinal, volta e meia aparece no noticiário com matérias requentadas acusando a existência de células terroristas árabes.

A própria revista Veja já publicou matérias do gênero em várias ocasiões. Aí vem Noriega para voltar ao tema que o governo brasileiro já investigou e concluiu a improcedência das acusações.

Dá ou não dá para desconfiar que a nova investida de Noriega é suspeita? 

Além de fazer duras críticas aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales e Rafael Correa do Equador, Noriega previu nas páginas da Veja que o Brasil será alvo de atentados durante a Copa do Mundo, sugere ainda que o governo mude sua política externa e rompa os elos com os três dirigentes sul americanos mencionados.

Noriega, que em abril de 2002 foi um dos estimuladores da tentativa de golpe de estado contra o presidente Hugo Chávez, está mais uma vez se intrometendo indevidamente em assuntos internos de um país soberano e, no fundo, tenta provocar pânico ao fazer previsões com base em coisa alguma, o que também levanta a suspeita segundo a qual serviços de inteligência dos EUA, a CIA e outros, podem estar preparando algum atentado terrorista para incriminar os governos dos países que não rezam pela cartilha de Washington. Ele na prática procura preparar a opinião pública a aceitar o argumento de que Venezuela, Bolívia e Equador representam um perigo para o Brasil.

E, de quebra, Noriega ainda afirma que as embaixadas do Irã incrementam células terroristas na América Latina.

Pelos antecedentes deste funcionário do Departamento de Estado todo o cuidado é pouco. Nesse sentido, representantes de vários movimentos sociais reunidos em Brasília chamaram atenção para as declarações de Noriega. Pediram providências imediatas do governo brasileiro e chegaram até a pedir que o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, seja considerado persona non grata.

Para estes movimentos, a adoção de tal medida seria uma forma de demonstrar que o Brasil não aceita passivamente intromissões indevidas em questões internas.  

Não contente com a entrevista publicada na Veja, Noriega andou fazendo declarações de caráter golpista em outras plagas. Empolgado com o desfecho das ações militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia, Noriega mais uma vez deitou falação contra o governo constitucional da Venezuela.

Fez mais uma previsão, a de que Chávez não teria mais de seis meses de vida e que a sua morte provocaria o caos no país petrolífero devido a confrontos entre apoiadores e opositores do presidente venezuelano, o que justificaria uma intervenção militar dos EUA. No portal Inter American Security Watch, ao pregar abertamente a intervenção ele declara textualmente que “as autoridades dos Estados Unidos devem estar preparados para lidar com o impacto de uma situação de turbulência a curto prazo em um país onde se compra 10 por cento do nosso petróleo”.

Não é a primeira vez que Noriega se manifesta sobre a doença de Chávez. No mês de setembro chegou a afirmar que “deveríamos nos preparar para um mundo sem Chávez”. As declarações de Noriega então entraram em contradição com a dos médicos de Chávez assegurando que ele reagia bem ao tratamento a que vinha sendo submetido contra o câncer.

Por coincidência ou não, poucas horas antes da declaração de Noriega sobre o estado de saúde de Chávez, o governo venezuelano denunciava a presença de um submarino no litoral do país.

Na verdade, Noriega exerce a função de estimulador de setores golpistas latino-americanos e se os governos silenciarem a respeito, o referido funcionário do Departamento de Estado continuará ocupando espaços na mídia de mercado para sugerir retrocessos e tentar fazer com que o continente retorne ao período tenebroso dos anos 70.

Roger Noriega é mesmo uma figura nefasta ao processo democrático latino-americano.

Zuenir Ventura, outro
Em tempo: o recorde da semana em termos de deturpação da história ficou por conta de um colunista de O Globo que comparou o ato público organizado pelo governo do Estado do Rio contra o projeto ilegal sobre os royalties do petróleo com a passeata dos 100 mil. O que disse Zuenir Ventura é realmente uma ofensa à geração 68 que lutou com o que estava ao seu alcance contra a ditadura.


Mário Augusto Jakobskind é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Enviado por Direto da Redação

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