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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

JOBIM E SAITO - O DILEMA DE DILMA - É BRASIL, OU BRAZIL?

Laerte Braga

Os “estragos” causados pela pilha de documentos confidenciais do governo dos EUA divulgado pelo site WikiLeaks começam a produzir efeitos em todos os cantos do mundo. Uma ordem para eliminar o fundador do site já foi expedida pelo governo de Obama (semelhante ao que costumam fazer fundamentalistas chamados de “terroristas”).

O WikiLeaks atingiu alvos variados, um grande espectro de ações terroristas dos norte-americanos e como não poderia deixar de ser respingou no Brasil.

Dilma Rousseff vive um dilema antes de sua posse. Mantém o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, notório agente norte-americano e o comandante da Força Aérea Brasileira (bate continência para Washington) brigadeiro Juniti Saito, ou espanta essas duas figuras que em tempos passados seriam chamados de traidores?

O Ministro Nelson Jobim está identificado como agente dos EUA e de forças golpistas no Brasil desde os tempos de FHC, ou precisamente, desde o momento que ingressou na vida pública. Sobre essa figura sombria e repulsiva pesam acusações de corrupção, de ligações com grupos econômicos estrangeiros e agora a comprovação através dos documentos divulgados pelo WikiLeaks que, por trás de tudo isso tem uma baita “remuneração”, é o óbvio.

Juniti Saito, brigadeiro e comandante da FAB, em tese, é um militar brasileiro. Na prática é um subproduto do governo dos EUA, com assento privilegiado à mesa do embaixador daquele país em Brasília e de generais norte-americanos interessados em vender armamentos ao nosso País, na prática, impedir o Brasil de ter acesso a tecnologias indispensáveis à garantia da independência e soberania nacional.

“Vender borracha, comprar chicletes”. É o que querem que façamos.

Nem Jobim e nem Saito têm condições morais de ocupar qualquer cargo no âmbito do Estado brasileiro. Não creio que oficiais sérios ou comprometidos com o Brasil na Força Aérea estejam concordando com um comando de fora do Brasil através de um brigadeiro que, na verdade, é suspeito até de corrupção, até prova em contrário é lícito suspeitar, pois defende interesses dos EUA e da empresa Boeing.

A atitude mais simples, na hipótese de existir vestígio de dignidade num ou noutro, é pedir para sair.

Não se trata nem de discutir que caça é melhor para a FAB (na opinião de muitos especialistas o melhor caça produzido hoje é o Sukhoi SU35, russo, descartado, desde o primeiro momento, ainda no governo FHC).

O xis da questão é dar foros de “negócio” no melhor estilo máfia, negociata, a uma operação de quatro bilhões de dólares (a propina normal, 20% seria em torno de 800 milhões de dólares) e que envolve a segurança nacional no sentido real da palavra e nunca como a concebem comandantes militares subordinados a potência estrangeira, caso do brigadeiro Saito, ou de políticos trêfegos como Nelson Jobim.

A batata quente está nas mãos da presidenta eleita Dilma Rousseff. Lula poderia até facilitar o caminho pedindo a Jobim e Saito que saiam antes do término de seu mandato.

O então embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel em telegrama secreto em 31 de julho do ano passado, afirma ao seu governo que o brigadeiro Saito havia tomado a iniciativa de uma conversa reservada (porta dos fundos, mala branca) com o general Doug Fraser, comandante do Comando do Sul  (EUA). Como era um jantar, deve ter entrado, pedido permissão para falar com seu superior, o norte-americano, batido continência e ao receber permissão para falar, se disse disposto a cumprir a missão, declarar-se favorável aos que pagam.

Ato contínuo a concessão de comer à mesa do comandante do Comando do Sul.

Quando retirou-se, naturalmente, o general dos EUA deve ter dito ao embaixador Clifford Sobel que fosse recomendada a concessão de medalha ao brigadeiro, ou uma gratificação extra pelos relevantes serviços prestados à pátria. A pátria aí é outra, aliás, sempre foi a pátria da turma de 1964 e dos remanescentes nos “negócios”.

Se Jobim é o diretor ou não desse filme, as filmagens no Brasil, digamos assim, não sei, mas que de repente pode ser alguém que carrega a mala. Por que não?

O ministro da Defesa já se vangloriou de ter alterado a Constituição na moita, isso aí é café pequeno para a excelência das privatizações.

É urgente refundar as Forças Armadas brasileiras. Explicar à maioria dos nossos militares que o Brasil fica na América do Sul, a capital é Brasília. Cortar esse barato de achar que somos um país da América do Norte (extensão, vice-reino) e que nossa capital é Washington e eles tem que estudar no "War College" ou a "Escuela de las Americas", tudo centralizado no PENTÁGONO.

O Ministro da Defesa (dos EUA e seus “negócios”, lógico) Nelson Jobim tem requintes de cara-de-pau absoluto, quando afirma que os documentos divulgados pelo site não irão abalar as relações entre o Brasil e seu governo (dele Jobim), em Washington.

Se abalam a honra de Jobim isso certamente não o preocupa. Não tem noção do que seja isso. Entende de saber se na hora da troca, o dinheiro está direitinho como combinado.

Tudo certinho? Então “in God we trust”.

Brazil - EUA tentaram usar Saito e Jobim para venda dos caças

WikiLeaks logoNatalia Viana, 5 de dezembro de 2010, 06.00 GMT

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A disputa pela venda de 36 caças para as Forças Aéreas Brasileiras foi palco de grande atuação da representação americana no Brasil. Documentos obtidos pelo WikiLeaks revelam que a embaixada procurou o ministro da Defesa, Nelson Jobim e o comandante da FAB Brigadeiro Juniti Saito para influenciar na decisão. Ao mesmo tempo, instava o governo americano a se mexer, assim como o francês estava fazendo.

A menos de um mês do final do governo Lula, a compra dos caças continua sem definição e deve ser decidida pela presidente eleita Dilma Rousseff. Nesta semana, ela retoma a discussão em reunião com o ministro Jobim.

Lobby
Mas desde maio de 2009, a embaixada americana em Brasília tenta fazer com que o governo dos EUA se engaje mais na disputa. Em um telegrama do dia 19, (CLIQUE AQUI), a Ministra Conselheira Lisa Kubiske pediu que Washington faça um lobby mais intenso, pois alguns contatos brasileiros "dizem não acreditar que o governo dos Estados Unidos esteja apoiando a venda fortemente”, enquanto o presidente francês Nicholas Sarcozy estaria envolvido diretamente e os suecos estariam atuando “em nível ministerial”.

Kubiske acredita que a falta de atuação pessoal "é uma desvantagem crítica em uma sociedade brasileira na qual os relacionamentos pessoais servem de fundação para os negócios”, e refoça que o governo deve assumir posição favorável à aprovação de transferências de tecnologia.

“A embaixada recomenda o seguinte, como próximos passos a fim de reforçar nossos argumentos no que tange à transferência de tecnologia: uma carta do presidente Obama ao presidente Lula defendendo a causa; uma carta da secretária Clinton ao ministro da Defesa Jobim afirmando que o governo americano aprovou a transferência de toda a tecnologia apropriada.”

Também recomenda tentar influenciar senadores que vistariam os EUA em junho daquele ano. "Concentrando as atenções em senadores importantes, temos a oportunidade de conquistar o apoio de indivíduos que podem influenciar os responsáveis pela decisão e garantir que as pessoas que terão de aprovar os dispêndios do governo brasileiro compreendam que o F-18 lhes oferece mais valor".

Para Lisa, a campanha francesa é mentirosa: "Nos últimos meses, o esforço francês de vendas vem se baseando em alegações enganosas, se não fraudulentas, de que seu caça envolve apenas conteúdo francês (o que o isentaria dos incômodos controles de exportação dos Estados Unidos). Mas isso não procede. Uma análise da Administração de Segurança da Tecnologia de Defesa encontrou alta presença de conteúdo norte-americano, o que inclui sistemas de mira, componentes de radar e sistemas de segurança que requererão licenças norte-americanas”

Aliados
A decisão americana em atuar mais fortemente foi vista com apreciação pelo brigadeiro Juniti Saito, comandante das Forças Armadas.

Por causa da atuação pessoal de Obama, que conversou com o presidente Luís Inácio Lula da Silva na cúpula do G8 em Áquila, na Itália, em 9 de julho de 2009, Lula teria instruído Jobim e Saito a conversarem com o Conselheiro de Segurança Nacional, general James Jones, segundo revela um telegrama de 31 de julho de 2009 (CLIQUE AQUI).

“Ela (a conversa) abriu as portas para que eu pudesse procurar o embaixador, como fiz”, teria explicado Saito durante um jantar por ocasião da visita do comandante do Comando Sul, o general Doug Fraser.

Na ocasião, Saito chamou o embaixador Sobel e seu conselheiro político de lado para indicar que preferia o F-18 ao francês Rafale. E afirmou que não existia dúvida, do ponto de vista técnico, que americano era o melhor avião. "Voamos equipamento americano há décadas e sabemos que é confiável e que sua manutenção é simples e oferece bom custo/benefício por meio do sistema de vendas militares externas".

Saito insistiu ainda que o governo americano enviasse a carta que ele havia pedido se comprometendo com transferência de tecnologia. O embaixador teria dito que a carta estava na fase final de aprovação. "Aliviado, Saito disse que precisava ter a carta em mãos no dia 6 de agosto", relata o telegrama assinado pelo embaixador Clifford Sobel. "Essa foi a expressão mais clara de que Saito pretende recomendar o F18".

Em 5 de janeiro, pouco antes da mudança de embaixador, Lisa Kubiske envia outro telegrama (CLIQUE AQUI) dizendo que a embaixada vai tentar influenciar Jobim para convencer o presidente. “Permanece, entretanto, o formidável obstáculo de convencer Lula. Nosso objetivo agora deve ser garantir que Jobim tenha argumentos reforçados ao máximo possível para ir a Lula em janeiro”. Para ela, o "alto preço" do Rafale e "as dúvidas sobre o desenvolvimeno do Gripen" levariam o Super Hornet a ser a "opção óbvia". Mas "o fato é que Lula reluta em comprar um avião dos EUA”.

Um dos últimos telegramas obtidos pelo WikiLeaks (CLIQUE AQUI) relata uma conversa telefônica entre Nelson Jobim e o atual embaixador dos EUA, Thomas Shannon, em 5 de fevereiro deste ano. O embaixador Shannon fez pressão, dizendo que "apesar da venda ser conduzida como uma transação comercial, a sua importância para a relação bilateral não deve ser ignorada". Segundo ele, "a decisão inédita de trasnferência de tecnologia americana em apoio ao Super Hornet mostra o alto grau de confiança que o governo americano coloca na sua parceria com o Brasil".

Patriota, Irã e Haiti
Antonio Patriota, anunciado como futuro ministro das Relações Exteriores durante o próximo governo, também foi alvo de lobby sobre os caças. Durante uma reunião de uma hora no dia 4 de fevereiro, ouviu que a decisão de liberar toda a tecnologia necessária ao Brasil refletia uma mudança de paradigma para os EUA e ouviu que a decisão ainda não estava tomada.

Mas ouviu mais. Segundo o relato de Shannon (CLIQUE AQUI), Patriota comentou ainda a situação do Irã, que na época sofria pressões contra mais uma rodada de sanções contra seu programa nuclear. Teria dito que o Brasil quer "evitar uma repetição do Iraque", e que se havia uma saída diplomática, ela deveria ser adotada. “A desconfiança é grande (sobre o Irã). Nós nunca sabemos o quão sinceros, mas vamos continuar tentando”, concluiu. O embaixador recomendou ao governo brasileiro que se movimentasse com cautela em relação ao Irã.

Sobre a situação do Haiti, que havia sofrido um terremoto em 12 de janeiro, Patriota teria dito: "nós teríamos que encontrar uma forma de contornar a escolha entre um governo corrupto no Haiti e colocar tanto dinheiro nas mãos de ONGs não-haitianas”.

Os telegramas fazem parte de milhares de documentos da embaixada e consulados dos EUA no Brasil que serão publicados pelo WikiLeaks nas próximas semanas.

Extraído de Cablegate